segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A GRAÇA DO SIM

Hoje gostaria de falar sobre o livro "The Grace of Yes - Eight Virtues for Generous Living" (A Graça do Sim - Oito Virtudes para uma Vida Generosa) escrito pela minha amiga Lisa Hendey. É um livro maravilhoso. Eu sempre me surpreendo da forma com que a Lisa abre seu coração e nos conta sobre suas lutas e sucessos, nos encorajando a ir mais profundamente em nosso caminho rumo ao Céu, um passo de cada vez.

Este livro também mostra uma sincronia entre os ensinamentos da Igreja, especialmente o que é muito querido ao Papa Francisco: a "cultura do encontro" e também a alegria de espalhar a Palavra de Deus com "entusiasmo infectante". Lisa nos desafia a cada dia dizer ao nosso Pai: "Seus planos, meu sim."
Encorajo aqueles que puderem a adquirir o livro pela Amazon.com. A leitura é muito agradável e também desafiadora.

Amanhã, dia 18.11.14, a Autora está promovendo o Dia da Graça do Sim (Grace of Yes Day), para além de promover o livro, incentivar a todos a sermos mais abertos a dizermos nosso "sim" aos planos amorosos de Deus para a nossa vida. Quem quiser participar, basta tirar uma segurando um cartaz (podem fazer o download no link https://www.avemariapress.com/graceofyesday 
E depois postar no facebook ou outra mídia social com #graceofyesday.

Vamos participar!! A minha já está aqui...

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

MATURIDADE AFETIVA

Hoje mais um post do Pe. Nicolás Schweizer, publicado em 15.11.2009, nas Reflexões No. 71.

     Em que consiste a maturidade afetiva? Duas palavras podem definir esta maturidade: primeiro, o controle de si mesmo e, segundo, a entrega de si mesmo. 
1. O controle de si mesmo


Poderíamos falar também de equilíbrio emocional que é a capacidade de dominar os próprios impulsos, tendências e tensões. É impossível a entrega de si mesmo, se antes não se possui, se não se domina, se não tem autodomínio. Através do meu autodomínio serei portador de vida e amor para meu cônjuge, meus filhos, meus irmãos de grupo, meus amigos.

 Nossa maturidade há de avivar a vida que encontramos em nosso lar e a nossa volta. Em lugar de desabar, de destruir, de matar por minha superficialidade, meu comentário inoportuno, meu desabafo, minha falta de autodomínio, dou justamente um pouco mais de vida. Um amor que não conduza a vida, não é amor. O egoísmo é portador de morte, o amor é portador de vida. 
     Controle de si mesmo significa possuir um mundo interior rico, cultivado, que inclui um bom grau de intimidade pessoal, de privacidade. Há gente muito rica interiormente, mas que não se controla, porque está sempre conversando, está falando permanentemente. 

E o que fala muito se equivoca; o que fala pouco se equivoca menos; e o que não fala não se equivoca, isso normalmente. A pessoa que tem necessidade de contar a qualquer um tudo o que vive, não tem intimidade, não tem controle de si. Porque controlar-se significa também momentos de silêncio, momento de recolhimento, momentos de oração, assim vai assimilando o que Deus semeia em nós.

Aqui podemos ver o sentido do sigilo. Ninguém confiará em nós, se não existe sigilo. O que é o sigilo? Controle de si. Não estar com uma vontade louca de contar ao primeiro que aparece. Quão importante é auto educar-se nesse aspecto!
     
     Mesmo que seja dizer-se: morro de vontade de contar a meu marido tal coisa, mas não, vou esperar uma hora e depois o conto. Ou escutamos uma fofoca. Seja verdade ou mentira, se a sigo contando, o único que faço é semear morte, não vida. Mato a fama de meu irmão, coloco em dúvida tal coisa dele. Assim é que de minha parte, acabou-se a fofoca. Guardar segredos tem um caminho bem concreto de controle de si mesmo. Há que ver como a gente se abre quando encontra uma pessoa capaz de escutar e permanecer calada depois.
     
     Outro pequeno exercício, junto com manter o sigilo, é não desafogar-se por qualquer coisa, em qualquer momento e frente a qualquer pessoa. Melhor é postergar esses desafogos: amanhã falarei disso com meu cônjuge, ou na próxima semana. Assim nos tornamos pessoas que não se sufocam, e por isso não necessitam desafogar-se. 
     
      2. A entrega de si mesmo

O controle de si pode acabar em egoísmo. Por isso o segundo aspecto da maturidade afetiva: a entrega de si. Uma vez que eu estou controlando a mim mesmo, vou entregando-me, vou brindando-me. A entrega de si é uma capacidade, a de sair de um “eu” receptivo e egoísta, para ser fecundo no “tu” e em nós. Dar-me, entregar-me, é uma tarefa que se aplica em todos os âmbitos de nossa vida: no trabalho, na família e no matrimônio, na sociedade, na paróquia, na relação com Deus. Em todos os âmbitos estou sempre me controlando e entregando-me, sempre nesse jogo. E o belo de tudo isso é que quanto mais me dou, mais recebo: mais alegria, mais segurança, mais amor, mais sabedoria, mais felicidade. Dizíamos que o amor possessivo é como um barril sem fundo. Este amor, o amor de oblação, de oferecimento, se enriquece sem medida. E quanto mais se dá, tanto mais se controla a si mesmo. 


Perguntas para a reflexão

1.      Comento o que escuto sem antes verificar a verdade?
2.      Espero umas horas antes de contar algo?
3.      Escuto aos demais ou os “perturbo” com minha conversação?
créditos das fotos: photopin.com

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

AMADURECIMENTO DO AMOR

O idioma grego traz três palavras que são relacionadas ao amor: eros, philia e agape. O amor eros pode ser definido como o amor de concupsciencia, ou seja, aquela atração existente entre os sexos que busca a realização dos próprios instintos, do próprio prazer. O amor philia é o amor de amizade, o amor entre irmãos, aquele sentimento de querer bem o outro, de gostar de alguém. Já o amor agape seria o verdadeiro amor, o amor por excelência, o amor de Deus pelo homem, aquele amor capaz de dar sua vida pelo bem do ser amado. 
Todo amor entre homem e mulher inicia-se com o eros. É aquela primeira atração, a vontade de ficar juntos, de trocar carinhos, de sentir prazer com o outro. É um amor que pensa na própria felicidade. Não que o outro também não possa ser feliz, mas a prioridade é estar bem, alegre, tendo satisfação no relacionamento. 
O grande problema dos relacionamentos atuais é que, contaminados pela filosofia hedonista, os casais permanecem apenas no eros, estando dispostos a permanecerem juntos apenas enquanto o prazer, a alegria, estiverem presentes. Assim que aparecem as primeiras dificuldades, acreditam que o amor “acabou” e que precisam passar para um outro relacionamento mais prazeroso.
Porém, todo amor verdadeiro tem a vocação de sair do puro eros e chegar até o agape, ou seja, deixar de pensar em si mesmo e passar a pensar no bem do outro, chegando ao ponto de estar disposto a dar a própria vida pela felicidade do outro.
“Como deve ser vivido o amor para que se realize, plenamente, a sua promessa humana e divina? Uma primeira indicação importante podemos encontrar no Cântico dos Cânticos, um dos livros do Antigo Testamento bem conhecido dos místicos. Segundo a interpretação hoje predominante, as poesias contidas neste livro são, originalmente, cânticos de amor, talvez previstos para uma festa israelita de núpcias, na qual deviam exaltar o amor conjugal. Nesse contexto, é muito elucidativo o fato de, ao longo do livro, serem encontradas duas palavras distintas para designar o ‘amor’. Primeiro aparece a palavra dodim, um plural que exprime o amor ainda inseguro, numa situação de procura indeterminada. Depois, essa palavra é substituída por ahabà, na versão grega do Antigo Testamento, é traduzida pelo termo, de som semelhante, ágape, que se tornou, como vimos, o termo característico para a concepção bíblica do amor. Em contraposição ao amor indeterminado e ainda em fase de procura, esse vocábulo exprime a experiência do amor que agora se torna, verdadeiramente, descoberta do outro, superando, assim, o caráter egoísta que antes, claramente, prevalecia. Agora, o amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. Já não se busca a si próprio, não se busca a imersão no inebriamento da felicidade; procura-se ao invés, o bem do amado: torna-se renúncia, está-se disposto ao sacrifício, e até o procura.
Faz parte da evolução do amor para níveis mais altos, para as suas íntimas purificações, que ele procure, agora, o caráter definitivo, e isso num duplo sentido: no sentido da exclusividade – ‘apenas esta única pessoa’ – e no sentido de ‘ser para sempre’. O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade. Sim, o amor é ‘êxtase’, êxtase não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a libertação no dom de si mesmo, e mais ainda, para a descoberta de Deus: ‘Quem procurar salvaguardar a vida, perdê-la-á, e quem a perder, conservá-la-á’ (Lc 17,33) – disse Jesus; afirmação que se encontra nos evangelhos com diversas variantes (cf. Mt 10, 39; 16,25; Mc 8,35; Lc 9,24; Jo 12,25). Assim descreve Jesus seu o seu caminho pessoal, que o conduz, através da cruz, à ressurreição: o caminho do grão de trigo que cai na terra e morre e, desse modo, dá muito fruto. Partindo do centro do seu sacrifício pessoal e do amor que aí alcança a sua plenitude, ele, com tais palavras, descreve também a essência do amor e da existência humana em geral.”[1] (grifos nossos)
Eis o grande desafio: cada um deve sempre se esforçar para, pouco a pouco, afastarem-se de seu egoísmo, de buscar sempre o seu próprio prazer, saindo de si mesmos para ir ao encontro do outro, acolhendo-o como ele é, com suas qualidades e limitações, solidificando seu amor em um amor incondicional e voluntário, ou seja, no agape.
Assim, marido e esposa que buscam o ágape, alimentando seu amor com sacrifícios e renúncias do próprio eu, se tornarão pessoas cada vez mais maduras e alcançarão o verdadeiro sentido do matrimônio: se tornarão uma só carne.




[1] Carta Encíclica Deus Caritas Est do Sumo Pontífice Bento XVI, 2ª edição, 2006, editora Paulinas, pgs. 13-15

terça-feira, 11 de novembro de 2014

TORNAR-SE UMA SÓ CARNE

Ser cônjuge significa “estar sob o mesmo jugo”; ser consorte é “partilhar da mesma sorte”. Assim, homem e mulher unidos pelo matrimônio, partilham o mesmo jugo, o mesmo peso, carregam junto o fardo que muitas vezes a rotina lhes traz, estão sujeitos as mesmas alegrias e infortúnios da vida e por isso devem formar uma só carne.
Formar uma só carne é o próximo passo no crescimento da maturidade dos cônjuges e de seu amor e significa buscar uma perfeita solidariedade de vida e de destinos, que só pode ser alcançada através de um profundo e verdadeiro amor.
“Todo amor verdadeiro supõe esforço e compromisso livre, ou seja, eu me comprometo livremente a colocar tudo de minha parte para irmos juntos construindo uma relação de amor verdadeiro. Isto supõe a vontade de minha parte de querer fazer feliz ao outro e ao consegui-lo, os dois se tornam felizes.”[1]
Mas o que é o verdadeiro amor? São Paulo diz:
“O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará.”[2]
O contrário do amor não é o ódio como muitos podem pensar. O contrário do amor, o que acaba com o amor, é o egoísmo. O egoísmo leva as pessoas a agirem pensando em si mesmas em primeiro lugar. O amor as leva a agir pensando no outro, na felicidade do outro, no bem do outro. E agir desta forma custa muito sacrifício e renúncia. Pensar e agir tendo o outro em mente muitas vezes pode ser doloroso, pois precisa abrir mão do próprio eu, das suas vontades, das suas idéias.
Não se fala em abrir mão de sua própria personalidade para viver a vida do outro, mas em buscar sempre o que mais lhe agrada, o que lhe faz feliz. Muitas vezes isto significa ser contrário a sua opinião, mostrar onde acredita que está errado, mas sempre com muito respeito, buscando o melhor momento para falar, sem agredir ou ofender. 
Assim, cada um deve se preocupar em acabar com todo o egoísmo em si mesmos, pois cada vez que age pensando em seu próprio bem em primeiro lugar, está diminuindo seu amor pelo outro.
A palavra-chave para compreender o amor é sacrifício. Não se pode desvincular um do outro. Amor e sacrifício caminham juntos; onde um não está presente, o outro também não está. Pode-se perguntar: qual é a maior prova de amor que Deus Pai deu para a humanidade? Sua maior prova de amor por toda a humanidade foi o sacrifício de seu Filho Único, Jesus Cristo, pelo seu bem, pela sua salvação.
Cita-se um exemplo de como a sabedoria divina confirma que não existe amor sem sacrifício: todos afirmam que o amor de mãe, é um amor puro, amor incondicional, que pensa sempre em primeiro lugar no filho, chegando ao ponto de dar sua própria vida para salvar o fruto de seu ventre. Mas como uma mulher, que até engravidar, é um ser humano “comum”, começa a possuir esse tipo de amor, o “ amor de mãe”? Como Deus age para “transformar” essa mulher em mãe? Deus prepara uma mulher para ser mãe através de toda a dificuldade e todos os sacrifícios e renúncias que ela, a partir da gravidez, precisa fazer pelo bem do filho que carrega em seu ventre. Quanto mais a mulher se sacrifica pelo bem do bebê, mais cresce esse amor. E quando o bebê nasce, então? Além do parto (um grande sofrimento físico e emocional – mesmo se for cesariana!), os primeiros meses podem ser definidos como sacrifício atrás de sacrifício. Assim nasce o amor materno!
A análise da presente afirmação sob a ótica da filosofia hedonista, tudo isso é um grande absurdo, pois o sacrifício é o contrário do prazer. Porém, o que se observa na prática é que quanto mais a pessoa se sacrifica pelo outro, mais o seu amor aumenta e ela é cada vez mais feliz! A lógica de Deus é essa: renúncia e sacrifício se transformam em amor e felicidade.




[1] “Yo te elijo a ti, para simpre”, pg. 53, Material elaborado por casais monitores de noivos, assessorado pelo padre Horacio Rivas R., Sch, Editora Nueva Patris, Santiago/Chile, 2011, tradução livre da autora
[2] 1Cor 13, 4-8
CRÉDITO DA FOTO: POHTOPIN.COM

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

DEIXAR-SE CONHECER

Conhecidos os temperamentos de cada cônjuge, o próximo passo para que se realize a união dos dois é o “deixar-se conhecer”: marido e esposa precisam abrir-se ao outro, revelar o que passa dentro de si, seus anseios, sonhos, necessidades, dúvidas, enfim, o seu “ser”. Somente através do conhecimento profundo do outro é que a união se torna possível.
O conhecimento do outro só é possível através do diálogo. “Diálogo é o encontro pessoal e personalizante entre duas ou mais pessoas.”[1]Assim, para existir o diálogo é necessário que haja um encontro pessoal com o outro, ou seja, reservar um tempo para estar com seu parceiro e então poderem estabelecer esta comunicação.
Para haver realmente a comunicação aberta entre os cônjuges é necessária uma atitude de profundo respeito pela personalidade do outro, uma vontade firme de buscar este conhecimento e também de deixar-se conhecer, uma abertura ao outro, a aceitá-lo como ele é, com suas capacidades e imperfeições, como obra-prima do Criador.
Deve-se ressaltar, porém, que esta abertura ao outro tem um certo limite, o chamado “mistério da personalidade”.
“Em toda pessoa há uma riqueza profunda que não pode ser esvaziada. Nós falamos do sacrário do coração, sacrário da alma, aquele último cantinho que pertence somente a Deus. (...) Mantenho, então, um mínimo de reserva, um mínimo de interioridade: não me descrevo totalmente por dentro senão que deixo sempre algo que no fundo se entrevê. (...) É aos poucos, por conseguinte, que descubro esta grandeza, algo do que há de Deus no tu. Tenho que aprender a descobrir, a olhar o outro, o tu, com o olhar de Deus à luz da fé. Assim, vou descobrindo cada vez algo mais interessante e me vou enamorando cada vez mais. (...) Devemos ter cuidado com o que um revela para o outro, seja na ordem da miséria ou da grandeza pessoal. Podemos revelar só em parte; o mais íntimo e o mais profundo de minha oração e de meu encontro com Deus, sempre permanecerá um mistério para o outro. (...) Há coisas que pertencem à comunidade conjugal e coisas que são pessoais. O que é conjugal, o que é da comunidade, deve se dizer sempre. Por exemplo, se há problemas econômicos, o marido não irá inquietar a mulher com esses problemas, porém informa-a de tal maneira, que ela saiba em quem carro está andando. Todavia, há outras coisas que são estritamente pessoais, e o limite entre o conjugal e o pessoal é diferente para cada pessoa e para cada casal.”[2]
Existe uma grande diferença entre conversar e dialogar. Na conversa, as pessoas falam de algo que não lhes dizem respeito diretamente e refere-se a fatos exteriores que não as envolvem pessoalmente, transmitindo apenas informações, como, por exemplo falar de outras pessoas, ou de acontecimentos gerais, sobre o clima, etc.
No diálogo, todavia, existe uma comunicação do que se passa no interior da pessoa, o que ela sente, como ela pensa a respeito de determinado assunto, o que gosta ou não gosta, quais são seus sonhos, alegrias, projetos, etc.[3]
Portanto, na família deve se procurar sempre o diálogo como forma de conhecer o outro, de saber o que pensa, como pensa, pois somente o diálogo pode proporcionar este conhecimento. As conversas sempre existirão, porém, é aconselhável tentar transformar as simples conversas em diálogos, extraindo da mera comunicação dos fatos o que o interlocutor pensa a respeito dos mesmos.
Todos possuem a necessidade de serem compreendidos e valorizados. A compreensão é uma forma de aceitação do outro como ele é, com toda sua originalidade. E a necessidade de ser acolhido e valorizado pressupõe que o outro realmente saiba como a pessoa realmente é, ou seja, a compreenda.
Desta forma, o diálogo conjugal é fundamental para a compreensão mútua, a aceitação recíproca e assim, o amadurecimento do amor. Para que o diálogo seja fecundo, o mesmo precisa ser revestido de respeito e amor. O respeito leva a pessoa captar a grandeza do outro e o amor leva a se interessar e procurar se abrir para o outro.
Uma das características para que este diálogo seja proveitoso é que os cônjuges devem saber escutar.
“Escutar pacientemente, sabendo que temos sempre algo a aprender com o outro. Saber escutar é condição indispensável para o diálogo. Do contrário, não passará de um monólogo. A atitude de escutar é um respeito devido a quem nos fala.(...)Pessoas prepotentes excluem a possibilidade de um diálogo, pois ninguém gosta de conversar com quem sempre tem razão.”[4]
O ideal é que o casal dialogue sempre. Para garantir esse diálogo, recomenda-se, que pelo menos uma vez na semana, por um período de cerca de uma hora, o casal se reúna para dialogar. Deve ser um compromisso assumido pelos dois, marido e mulher, em prol de sua família, de seu relacionamento, para o cultivo do seu amor.
Portanto, o “deixar-se conhecer” é realizado através do diálogo conjugal que precisa ser bem cultivado pelo casal e assim caminharão mais seguramente no caminho da plena comunhão de vida e alcançarão a tão sonhada felicidade.




[1] “Diálogo em quatro dimensões”, TOALDO, Olindo e Marilene, pg. 37, Scala Gráfica e Editora, Atibaia/SP, 2003.
[2] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pgs. 33-35, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS
[3] “Diálogo em quatro dimensões”, TOALDO, Olindo e Marilene, pg. 56, Scala Gráfica e Editora, Atibaia/SP, 2003.
[4] “O dever de sentar-se. Diálogo Conjugal”, Equipes de Nossa Senhora, 2ª edição, Edições Paulinas, p.24-25 São Paulo, 1982
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

UNIÃO DO HOMEM E DA MULHER

O segundo aspecto do casamento consoante os desígnios de Deus é a união entre o homem e a mulher. Parece óbvia a afirmação de que o homem que contrai matrimônio se unirá à sua mulher e vice-versa, porém, ao analisar o que esta expressão significa, ver-se-á que não é tão fácil nem tão óbvio assim.
O primeiro passo a ser dado para a união do homem e da mulher é o mencionado no post anterior, ou seja, deixar pai e mãe. Superada esta fase, o casal precisa buscar realmente a sua união.
Imagine-se um quebra-cabeça com várias peças soltas. Para conseguir unir cada peça, é preciso conhecer o formato de cada uma, analisar como se encaixam, para então formar um quadro unido e harmonioso.
Da mesma forma, para que um casal possa realmente se unir, é necessário um conhecimento profundo de si mesmo e um do outro. Sem o conhecimento de suas próprias qualidades e defeitos e também do lado positivo e negativo do outro, como se fossem peças de um quebra-cabeça, é impossível a perfeita união dos dois.
Se a pessoa não conhece a si mesma, tampouco pode conhecer aos demais, incluindo seu cônjuge, nem se entender e relacionar com eles. Esse autoconhecimento a ajuda a compreender seus atributos positivos e suas limitações, tornando-a ao mesmo tempo humilde e forte, auxilia em seu crescimento pessoal de forma ordenada e equilibrada, pois sabe aonde deve focar seus esforços de auto-educação e assim progride de maneira acertada na vida.
O conhecimento de si mesmo permitirá descobrir realmente quem se é, quais as suas qualidades e defeitos principais, o motivo pelo qual reage de tal forma em determinada situação, qual é a estrutura de o sua personalidade. A personalidade é complexa; cada um é produto de uma história, conta com uma herança, é influenciado por seu ambiente.
A partir deste conhecimento, a pessoa pode buscar o seu aprimoramento, tentando modificar aqueles traços que prejudicam a si mesma e aqueles que convivem com ela e melhorar ainda mais aquilo que o seu temperamento traz de bom, pois apesar de ser genético, o temperamento pode ser transformado e melhorado. Ninguém está condenado a morrer com as limitações trazidas pelo seu temperamento! A mudança, todavia, depende apenas do seu próprio esforço em se educar e aprimorar os dons que Deus lhe deu através de seu temperamento. 
Para um maior aprofundamento e descoberta do seu temperamento, recomenda-se a leitura dos livros "Temperamento Controlado pelo Espírito", de Tim LaHaye e  "Diálogo em 4 Dimensões", de Olindo e Marilene Toaldo.


“Conhecer-se a si mesmo é uma arte e uma graça. Ninguém se conhece perfeitamente. Para isso, seria preciso ver-se como o próximo o vê, e isso apenas lhe daria um conhecimento imperfeito, pois que o ‘outro’ nunca está em condições de julgar. Seria preciso, antes, ver-se como Deus o vê. Só ele sabe ‘o que há no homem’ (Jo 2,25); só ele pode dar o devido valor, o devido mérito, a devida desculpa ou a devida condenação, a cada pensamento e ato humano. Por isso, digo que é uma graça o conhecer-se, graça que se obtém pela oração, e pelo empenho, a análise, a observação e o exercício essenciais à aquisição de qualquer arte. Obtém-se, principalmente, pelo auxílio do Divino Espírito”.[1]
Por fim, frisa-se que não existe um temperamento melhor que o outro. Todos possuem traços positivos e traços negativos. Como seu temperamento é uma herança genética, deve considerá-lo como um presente de Deus para cada um, como uma ferramenta para poder cumprir a missão que Ele previu, desde toda a Eternidade, para a sua vida. Nunca a pessoa irá mudar de temperamento. O que se pode fazer é melhorar o temperamento que possui, para se tornar uma pessoa mais equilibrada e feliz.




[1] “Temperamento Controlado pelo Espírito”, Lahaye,Tim, pgs. 5 e 6, 30ª edição, 2010, Ed. Loyola, São Paulo.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

SEREIS UMA SÓ CARNE

Para alcançarem a verdadeira felicidade no matrimônio os esposos necessitam entender os planos de Deus para a família, pois só é feliz aquele que busca cumprir a vontade do Pai em sua vida.
A Sagrada Escritura assim dispõe a respeito do matrimônio: “Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e eles dois se tornam uma só carne” (Gn 2, 24).
Da análise deste pequeno, porém, importantíssimo versículo, pode-se extrair três condições para que efetivamente um casamento seja concretizado consoante a vontade de Deus: deixar pai e mãe, unir homem e mulher e tornar-se uma só carne.
DEIXAR PAI E MÃE
Uma leitura rápida desta expressão pode parecer contraditória ao ordenado pelo Criador no 4º Mandamento: Honrar Pai e Mãe. Ora, se é preciso honrar os pais, como se deve “abandoná-los” para contrair matrimônio?
Na verdade, a intenção de Deus Pai ao afirmar que o casal deve “deixar pai e mãe” significa que devem abrir mão de tudo aquilo que trouxeram de sua criação, de sua educação, que possa atrapalhar sua união com o cônjuge.

Significa ainda que, após o “sim” no altar, devem se preocupar em primeiro lugar com o seu consorte, com o lar que estão formando, com as necessidades e ocupações dele e não com os problemas e preocupações de seus pais, irmãos e familiares.
É necessário mencionar ainda aspetos um pouco mais complexos da educação de cada um que precisam ser conhecidos, analisados e muito bem conversados entre o futuro casal, para que cada um se esforce por abandonar tudo o que não é saudável para o relacionamento.
A forma de lidar com o dinheiro, tom de voz nas conversas, o que compartilhar com os outros, frequência das visitas em casa, o que fazer nos momentos de folga, como educar os filhos, como lidar com o stress, enfim, cada um recebeu um tipo de criação e possui hábitos relacionados a estas questões e se não forem elaboradas de uma maneira madura e responsável, poderão destruir a família.
Mesmo hábitos que sejam considerados bons e que funcionaram enquanto estava na casa paterna, poderão precisar ser abandonados caso não se ajustem ao cônjuge e a nova realidade do lar.
Existe também o aspecto físico de deixar pai e mãe. Já diz o ditado: “quem casa quer casa!”. Desta forma, é importantíssimo ao novo casal que viva em uma casa própria (mesmo que seja alugada), longe dos pais, ainda que seja bem simples e humilde, para poderem iniciar sua vida conjugal de uma maneira mais livre, construindo o seu lar.
Aliado a este aspecto físico de deixar pai e mãe, está o aspecto financeiro. Não é saudável à construção do matrimônio que o casal permaneça dependente financeiramente dos pais, seja de um dos cônjuges ou de ambos.
Não é fácil sustentar um lar. Muitas vezes com a ajuda dos pais o novo casal pode ter um padrão de vida melhor do que se contassem apenas com seus proventos, porém é muito melhor para o casamento que vivam dentro do que o próprio casal produz e tenham um padrão de vida inferior, do que dependam financeiramente dos pais para manter uma vida que não é sua.
Esta dependência financeira pode dar a impressão aos pais de que tem o direito de interferir na vida do casal, posto que continuam a exercer o domínio econômico sobre seus filhos e esta interferência é muito prejudicial ao casamento.
Por mais que sejam boas as intenções dos pais em ajudarem financeiramente seus filhos no início do casamento, esta ajuda deve ser educadamente recusada, pois o que pode parecer bom por facilitar a vida dos dois, certamente irá se tornar um martírio para o casal no futuro.
Não se quer dizer aqui que toda a ajuda dos pais deva ser recusada, pois há situações em que ela possa ser realmente necessária. Um incentivo inicial ao casal, como por exemplo, dar uma casa ou um carro, pode ser considerado um presente de casamento e não prejudica o relacionamento. Há o caso também de desemprego, ou de uma situação de problema de saúde, onde a ajuda dos pais pode ser fundamental, porém, o importante é que seja provisória e aceita de comum acordo entre marido e mulher.
Este “deixar pai e mãe” é um processo, que pode ser mais longo ou curto, dependendo do grau de maturidade de cada um. Quanto mais a pessoa tem a consciência de que, após o casamento, deverá se ajustar ao seu cônjuge, o que significa, muitas vezes, abrir mão daquilo que lhe é confortável, mais rápido consegue esta harmonia no lar.
É preciso contar também, muitas vezes, com a incompreensão dos próprios pais, que não entendem e não aceitam que os filhos “cortem o cordão umbilical” e passem a tomar suas decisões sozinhos, consultando apenas o cônjuge, ou que os visitem apenas nos fins de semana. Porém, nesta hora, a união e determinação dos dois, como casal, é fundamental para que esta transição entre ser filho solteiro e ser filho casado, seja mais tranquila.    
Ressalta-se que aos pais é devido todo o respeito e cuidado, deve-se fornecer todo o apoio, principalmente na velhice, porém essa consideração não pode interferir negativamente na vida do novo casal.
Assim, um casal que deseja ser verdadeiramente feliz no matrimônio, deverá aprender a “deixar pai e mãe”, ou seja, renunciar tudo aquilo que recebido em sua formação pessoal, possa atrapalhar a perfeita união conjugal.

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