segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

A LUZ NOS FOI DADA E NASCEU PARA NÓS!

 


Há poucos dias celebramos o Natal, o nascimento de Jesus, o Verbo, a Palavra que se fez carne e habitou entre nós e veio a este mundo para nos salvar e nos dar a possibilidade de uma perfeita comunhão com a Santíssima Trindade no Céu. S. João identifica Jesus também como a luz: “A luz verdadeira, aquela que ilumina todo homem, estava chegando ao mundo” (Jo 1,9) “Essa luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram apagá-la” (Jo 1,5).

Depois de criar o céu e a terra, que estava sem forma e vazia, Deus disse: “Faça-se a luz! E a luz começou a existir” (Gn 1,3). A luz envolve tudo o que conhecemos e só podemos enxergar e perceber as coisas por causa da luz. Onde não há luz, existe o domínio das trevas e sem luz ficamos desorientados, perdidos.

Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas possuirá a luz da vida” (Jo 8,12). Da mesma forma que precisamos da luz para enxergar a realidade do nosso mundo material, precisamos mais ainda de Jesus, como nossa luz, para enxergar a realidade do mundo sobrenatural e da vida que jamais acabará. Sem Jesus, somos como cegos que andam nas trevas e tem muita dificuldade para entender onde estão e para onde devem ir.

Viver por Cristo, com Cristo e em Cristo é a única maneira de ter uma vida plena, com segurança de saber para onde vai e porque está nesse caminho. Jesus é o nosso guia seguro em meio às trevas do medo, das incertezas desse mundo que foi ferido pelo pecado. Precisamos permitir que Jesus envolva todos os aspectos de nossa vida com sua luz divina. Encontrar com Jesus não deve ser apenas um compromisso semanal na santa missa ou por alguns minutos durante aquela oração feita às pressas, meio automática.

Jesus precisa ser o centro de nossa vida. Toda a nossa realidade deve ser percebida através da luz de Cristo. Precisamos implorar a ajuda do Espírito Santo para que possamos conhecer as coisas através da luz natural da razão, usando nossa inteligência, e através da luz sobrenatural da graça, que deve estimular nossa vontade para que consigamos agir conforme a verdade que enxergamos por essa luz.

Além de lutar para conseguirmos viver nessa luz, pois é a única forma de sermos realmente felizes nessa vida e conquistar um lugar no Céu depois que morrermos, temos a importante missão de ser uma pequena luz para os outros. No dia do nosso Batismo, nossos padrinhos receberam uma vela acesa simbolizando a Luz de Cristo, que todo batizado deve carregar enquanto caminha nesse mundo. Assim, precisamos levar essa luz para todos aqueles que se encontram conosco no caminho da vida.

Ser luz para o mundo, para aqueles que amamos, mas também para quem nos prejudica ou nos quer fazer mal, ou aqueles que não nos são simpáticos, significa cumprir bem o nosso dever, fazer o ordinário extraordinariamente bem, viver de uma maneira serena, com a confiança de que temos um Pai amoroso, rico em misericórdia, que cuida de cada aspecto de nossa vida, nos mínimos detalhes.

Para conseguirmos isso, precisamos buscar uma vida de oração e contato permanente com Jesus, contando com a ajuda sempre acessível de nosso anjo da guarda e com os cuidados maternais de Maria Santíssima. A Santa Igreja coloca a nossa disposição os sacramentos, em especial o da confissão e da eucaristia, para fortalecer nossa fé e iluminar nosso apostolado. Na confissão, é o próprio Jesus que está lá, “disfarçado” de sacerdote, para perdoar nossos pecados e nos dar as graças necessárias para perseveramos no caminho da santidade. E na santa eucaristia, Jesus se dá a nós como alimento, com seu corpo, sangue, alma e divindade, tornando uma só carne conosco. Se nos entregarmos a ele nesse momento privilegiado de encontro, certamente ele habitará em nosso coração e será realmente uma luz para a nossa vida.

Crédito da foto: Photo by Wout Vanacker on Unsplash

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

QUAL É A MENSAGEM QUE SEU MODO DE VESTIR COMUNICA?

 


Há algum tempo, escrevi sobre a influência que a roupa tem nas graças que recebemos ao participar da santa missa, pois a forma que nos vestimos nos ajuda na conscientização do que estamos prestes a fazer: testemunhar o sacrifício que Jesus fez no Calvário para nos salvar. Quanto mais conscientes estamos, maior é a nossa disposição para receber as graças que Deus quer nos enviar por participar da santa missa (artigo completo aqui)

Mas e nos outros lugares? Em casa, no trabalho, no lazer? Devemos nos preocupar com a forma de nos vestir? É importante entender que a nossa roupa comunica uma mensagem. Dependendo da forma que nos vestimos, a mensagem muda. Assim, é sempre relevante pensar em que tipo de mensagem queremos passar para as pessoas que nos encontrarem quando estamos vestidos de determinada forma.

Cada roupa uma mensagem

Uma pessoa que está vestida de maneira elegante, transmite uma mensagem de respeito e seriedade. Uma pessoa que está vestida de forma desleixada, transmite uma mensagem de irresponsabilidade, de inconstância, de insegurança. Como seres humanos nos comunicamos com todos os cinco sentidos e para que a mensagem seja corretamente entendida pelo outro, é preciso coerência. O nosso discurso, aquilo que falamos, tem que ser harmônico com a forma que nos vestimos e a maneira que nos movimentamos, os gestos que fazemos com nosso corpo.

Vestir-se bem, de uma maneira adequada, não significa usar roupas de marca, caras, ou estar sempre de terno e gravata ou vestido e salto alto. É perfeitamente possível estar bem-vestido e de maneira confortável e casual. A forma de se vestir vai depender do estilo pessoal de cada um e o lugar ou ocasião.

Vestir-se bem dentro de casa

O local que normalmente não nos preocupamos muito com a forma que estamos vestidos é dentro de casa. Precisamos lembrar que dentro de casa estão as pessoas que mais amamos, aqueles que são mais importantes em nossa vida. Assim, eles são os que mais merecem nos verem trajados de uma maneira que possa transmitir todo nosso amor e respeito que temos por eles e não uma mensagem de pouco caso ou desleixo.

A beleza é o refúgio do bem e o esplendor da verdade. Então, se queremos proporcionar aos nossos filhos ou às pessoas que convivem conosco um ambiente em que possam sentir de alguma forma alguns traços do nosso Criador, que é o Bom, o Belo e o Verdadeiro, é essencial que nossa aparência seja agradável e bela. Não importa quais são suas características físicas, é sempre possível vestir-se e se apresentar de uma forma bonita.

Efeitos de uma boa aparência

A consultora de imagem Paula Serman ensina sobre os efeitos de uma boa aparência:

- “Quando nos arrumamos, vestimos nossa armadura para enfrentar as batalhas da vida. Vestir-se de adequadamente é próprio de uma pessoa madura e comprometida com a vida;

- Vestir-se de forma adequada para os diferentes compromissos, nos ajuda a organizar nosso dia mentalmente, nos instala em nossa realidade. E quando estamos desanimadas e vemos no espelho uma imagem bonita, ganhamos ânimo e força;

- Nossa imagem transmite disponibilidade para servir, eleva o tom humano e dá categoria ao ambiente”

Meu testemunho

Desde 2005 sou mãe em tempo integral, então a maior parte do meu tempo eu passo dentro de casa. Mas só há alguns anos que entendi a importância de me vestir bem e de usar maquiagem (leve) para passar esse tempo com as pessoas que mais amo. Percebi que minha disposição melhorou muito, que meus filhos têm mais respeito e principalmente que meu marido ficou muito mais feliz por ver que eu me arrumo especialmente por causa dele. É uma das formas que encontrei de demonstrar meu amor por ele e nosso relacionamento ficou ainda melhor. Assim convido vocês a fazerem essa experiência!


crédito da foto: Photo by Marina Abrosimova on Unsplash


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A DIFÍCIL TAREFA DE DEIXAR QUE OS FILHOS COMETAM ERROS

 


Nós, mães, somos programadas para proteger os filhos sempre. Desde o ventre, nossa missão é fazer com que aquelas criaturinhas cresçam e se desenvolvam saudáveis, alimentando, cuidando, educando e principalmente protegendo de todos os perigos. Em qualquer situação de dor, desde um joelho ralado até um coração partido, é para os braços da mãe que o filho corre. E nós fazemos de tudo para vermos nossos filhos felizes.

Porém, chega a hora que precisamos aprender a deixar que eles cometam erros. Como é difícil essa tarefa! Se dependesse de nós, certamente tomaríamos todas as decisões por eles e sofreríamos as consequências por eles. Mas é preciso permitir que eles cresçam e amadureçam; escolher errado e cometer erros faz parte desse processo.

Aqui em casa sempre tentei ensinar os filhos a fazerem escolhas. Desde pequenos, entendi que a melhor coisa que poderia fazer por eles é ensiná-los a escolher. A vida é repleta de escolhas. Escolhemos a todo momento: desde a roupa que vamos vestir, o que vamos comer até a profissão que seguiremos ou a pessoa que decidimos passar a vida juntos. Toda escolha tem uma consequência e enquanto eram crianças, era mais fácil mostrar a consequência e permitir que sofressem com ela.

Agora que estão se tornando adultos, as coisas são mais complicadas. As consequências são mais graves e podem ser irreversíveis. Como lidar com isso? Como não interferir nas escolhas dessas pessoas que amamos mais que tudo? O melhor exemplo que podemos seguir é de Deus Pai.

O Pai nos ama com amor infinito e nos criou para, um dia, estar com Ele na glória do Céu. Para sermos capazes de amar, Ele nos deu a liberdade. Ele nos deu Jesus Cristo como nosso exemplo a seguir, que mostrou o caminho que leva ao Céu e morreu na cruz para nos salvar. Ele nos deu a Igreja, nossa Mãe e Mestra, que nos orienta nesse caminho. Ele nos deu todos os sacramentos que fortalecem nossa fé e nos alimentam nessa caminhada. Ele nos deu Maria Santíssima, nossa Mãe e Educadora, para nos socorrer em todas as nossas necessidades. Ele nos deu nosso santo anjo da guarda, poderoso protetor, que nos acompanha desde que fomos concebidos e estará conosco até o nosso julgamento, no dia de nossa morte.

Ele nos sustenta e nos enche de graças todos os dias, mas, por causa de nossa liberdade, podemos escolher outro caminho. Podemos escolher rejeitar esse amor. E o que o Pai faz? Continua nos amando, cuidando de nós e esperando que possamos voltar ao caminho da verdadeira felicidade. Ele não impede que soframos as consequências de nossas escolhas, inclusive a pior de todas, a condenação ao inferno, caso morramos em estado de pecado mortal. Mas Ele está sempre pronto a nos receber de braços abertos, como o Pai do filho pródigo, cada vez que nos arrependemos e decidimos voltar a comunhão de amor com Ele.

Esta é a atitude que devemos ter com nossos filhos. Orientá-los da melhor forma possível, explicar sobre as consequências de suas escolhas, mas deixar que eles tomem suas próprias decisões. Mesmo que isso signifique escolher um caminho longe de Deus que possa levá-los ao inferno. E se realmente essa for a escolha deles, o que cabe a nós é rezar muito, dobrar nossos joelhos e implorar ao Pai de Misericórdia que toque o coração deles para que se arrependam e voltem ao caminho da vida, da felicidade. Podemos entregá-los nas mãos de Maria Santíssima e pedir a Ela que os eduque, que supra as nossas falhas na educação deles e que os proteja de todo Mal.

E quando eles decidirem voltar, nossa atitude deve ser recebê-los de braços abertos, com muita alegria, pois como disse Jesus "assim have­rá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento" (Lc 15,7)



quarta-feira, 24 de agosto de 2022

MEIA IDADE – MUITO MAIS QUE UMA CRISE

 

Esse artigo foi escrito pela minha amiga Sarah Damm, que com muita generosidade permitiu que eu traduzisse e publicasse aqui. Se desejar, pode ver o post original em: https://blessedisshe.net/blog/midlife-more-crisis/

Era o meu 46º aniversário. Não havia muita festa, porque era uma quarta-feira. E os aniversários no meio da semana podem ser difíceis de fazer numa família ocupada de oito pessoas, com atividades escolares, esportivas e de grupos de jovens. Eu sabia que iríamos comemorar no fim de semana que se aproximava, e eu realmente estava bem com isso.

Então, por que me senti tão triste ao me arrastar para a cama?

Sentir-me melancólica por causa do meu aniversário me fez dar uma volta. Sempre gostei do meu aniversário, e a idade nunca me incomodou. Entrei na casa dos 30 e 40 anos sem nenhum desejo de ser mais jovem do que eu era. E, de fato, tive a tendência de olhar para o ano que se aproximava - mais velho (e esperançosamente mais sábio) - com contentamento.

O que fez com que fazer 46 anos fosse tão diferente? Por que "senti" minha idade de uma maneira que realmente me fez sentir velha? E o que me fez sentir uma tristeza pela vida que eu não tinha sentido antes?

Entrando na meia-idade

Durante os meses seguintes, meu marido e eu tivemos várias conversas sobre as mudanças que estávamos vivendo em nossas próprias vidas, em nosso casamento e em nossa família. Ambos nos sentimos um pouco trêmulos e incertos, como se de repente nossas vidas se sentissem estranhas para nós. Percebemos que o que costumava funcionar não funcionava mais. Nossos ritmos e rotinas normais não mais se sentiam suaves. Ao invés disso, estávamos dando choques na estrada e caindo em alguns buracos bem largos.

Além disso, nossa comunicação estava se tornando irregular e não intencional. E estávamos perdendo oportunidades de crescer juntos nesta nova estação da vida.

Embora não tivéssemos muitas respostas, nós nos rendemos ao fato de termos entrado na meia-idade.

E nos perguntamos: e agora?

Mais para a meia-idade do que uma crise

Fazendo uma simples busca na Internet, a terminologia mais comum em torno da estação de meia-idade é "crise".

Isso não é horrível? E desanimador? Por que esta estação da vida (e não outras) tem que ser referida como uma crise? E a crise é inevitável?

Talvez a meia-idade seja descrita como uma crise porque parece que vem do nada. Um dia, a vida continua como tem sido nos últimos 20 anos. E no dia seguinte, a vida parece muito diferente.

A mudança, no entanto, acontece com o tempo. Mas a agitação da vida nos distrai das mudanças que estão ocorrendo.

Eu pessoalmente noto mudanças de meia-idade em três áreas da minha vida:

1.Maternidade

2.Casamento

3.Missão

Maternidade

À medida que meus filhos terminam o ensino médio e entram na vida adulta, meus filhos em idade escolar estão cada vez mais ocupados com a escola, amigos e empregos de meio período. Todos eles ainda precisam de mim, mas essa necessidade é diferente e certamente mais infrequente. E embora eu ainda seja chamada para estar disponível, também tenho mais tempo em minhas mãos. O tempo que costumava ser preenchido com tanta facilidade agora está pronto para algo... Mas o quê?

Casamento

Olho para meu marido do outro lado da mesa e não consigo me lembrar da última vez que tivemos uma conversa profunda sobre algo que não fossem crianças, horários e finanças. Quem é este homem bom e piedoso? Quero me reencontrar com ele, mas não sei como. Parece que há muito a dizer e não há tempo suficiente para dizer tudo.

Missão

E depois há os objetivos que ainda não foram atingidos. O livro que eu não escrevi. Os lugares que ainda não visitei. Será que eles continuarão sonhos? Chegou a hora de sonhar de novo? Qual é o chamado de Deus para mim? E algo me impede de cumpri-lo?

Da crise ao dom

Enfrentar oportunidades para me redescobrir, me reencontrar com meu marido e redefinir minha maternidade é ao mesmo tempo emocionante e avassalador.

Mas por onde eu começo? Como isso vai funcionar?

Recentemente, fui lembrada que a aridez na oração é simplesmente a maneira de Deus preparar a alma para uma experiência mais profunda dEle. Como um fazendeiro cultiva o solo antes de plantar uma nova cultura, o Senhor limpa a paisagem de nossos corações antes de começar um novo trabalho em nós. Da mesma forma, Deus usa a aridez na oração para aumentar nossa consciência sobre Ele ou reacender nosso desejo por Ele. Naquele terreno recém lavrado, podemos não ver muito desenvolvimento, mas o trabalho oculto do agricultor é vital para o crescimento da nova safra.

Da mesma forma, a meia-idade pode parecer um deserto ou um lote de terra recém-lavrado, mas essa secura ou vazio é simplesmente a maneira de Deus nos preparar para algo mais. Ele está nos convidando a prestar atenção a quem Ele é e o que Ele está fazendo. Ele está nos mostrando que Ele é a resposta às nossas perguntas, e que nossas necessidades e desejos serão atendidos Nele.

Esta perspectiva nos permite perceber a meia-idade não como uma crise, mas como um presente.

Lemos em Eclesiastes 3,1: “"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu". Diz ainda que Deus "fez tudo bonito em seu tempo".

Isto confirma que a meia-idade não é uma crise. Ao contrário, é um tempo e uma coisa debaixo do céu. É uma estação intencional para entrar "para um tempo como este" (ver Ester 4:14). E se torna o catalisador para Deus cultivar nossos corações para algo novo.

Você não percebe isso?

Como fazemos a mudança da crise para o dom? Como reconhecemos a beleza desta estação?

Aqui estão quatro maneiras de aprender a abraçar a meia-idade como um dom e reconhecer as bênçãos ao longo do caminho.

1. Rezar com a Escritura

Além das Escrituras citadas acima, aqui estão alguns versículos a serem levados à oração durante esta estação da vida.

"O deserto e a terra árida se regozijarão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. "Isaías 35,1-2

"Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe." Isaías 43,18-19

"Estou persuadido de que aquele que iniciou em vós esta obra excelente lhe dará o acabamento até o dia de Jesus Cristo." Filipenses 1,6

2. Prestem atenção

Enquanto estamos destinados a estar presentes a nosso momento de meia-idade, é também um momento para observar onde estivemos e contemplar a direção que estamos seguindo.

* Seja grato pelo passado.

* Reconcilie feridas que eu infligi ou recebi.

* Convide o Senhor a escrever certo por linhas tortas.

* Fique quieto e saiba que Ele é Deus (ver Salmo 46:10).

* Espere no Senhor, mesmo que eu ainda não consiga ver o que Ele está fazendo.

Renovar Sua Vocação

Embora a vida não seja mais o que costumava ser, Deus nos convida a recuperar nossa identidade Nele e descobrir novas maneiras de viver isso.

       - Esteja atenta a novas maneiras de amar e apoiar o filhos adultos.

       - Com relação ao tempo, concentre-se na qualidade sobre a quantidade. 

       - Peça ao marido que vá dar uma caminhada.

       - Escreva-lhe um bilhete de amor

      -  Inscreva-se para um retiro silencioso.

       - Acomode-se em uma oração mais silenciosa e contemplativa.

Vamos caminhar juntos

Sinto-me encorajada a não me acanhar de falar da meia-idade. Pode ser estranho e cru, porque é uma estação tão nova para mim. Eu não tenho nada descoberto, mas estou aprendendo à medida que vou caminhando. E podemos caminhar juntos, lado a lado, com o Senhor como nosso guia, conduzindo-nos através do dom que é a estação da meia-idade.

 

 


segunda-feira, 18 de julho de 2022

MEDITAÇÃO DA VIDA DIÁRIA: OUVIDO NO CORAÇÃO DE DEUS

 

Oração mental, oração íntima, lectio divina, oração meditativa, leitura orante, meditação da vida diária, todos esses são termos equivalentes para descrever um tipo de oração sem a qual não é possível crescer na vida cristã. É a forma de oração que nos coloca em contato mais pessoal com nosso Pai e Senhor. Cada um desses termos, desenvolvidos por diferentes fundadores, tem suas particularidades e modo de execução, mas o objetivo é o mesmo: encontrar Deus, conhecê-lo, para poder melhor amá-lo e servi-lo.

O Catecismo da Igreja Católica, nos parágrafos 2705 a 2708, descreve o que é a meditação católica: “A meditação é sobretudo uma busca. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e corresponder ao que o Senhor lhe pede.” (CIC 2705)

“Meditar no que se lê leva a assimilá-lo, confrontando-o consigo mesmo. Abre-se aqui um outro livro: o da vida. Passa-se dos pensamentos à realidade. Segundo a medida da humildade e da fé, descobrem-se nela os movimentos que agitam o coração e é possível discerni-los. Trata-se de praticar a verdade para chegar à luz: «Senhor, que quereis que eu faça?»” (CIC 2706).

A meditação põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Esta mobilização é necessária para aprofundar as convicções da fé, suscitar a conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir a Cristo” (CIC 2708)

A falta de uma vida de oração meditativa pode ser a causa porque muitas pessoas que são piedosas, recebem a Eucaristia diariamente, rezam bastante as orações vocais como o santo terço, novenas, exercem seu apostolado, se confessam regularmente, não melhoram como pessoas, não crescem nas virtudes.

Todos esses meios são muito bons e ajudam a crescer na fé e nas virtudes, porém precisam estar ligados ao encontro pessoal com Deus, a enxergar a Verdade na sua vida, caso contrário não produzem esses frutos.

Vejamos mais um parágrafo do Catecismo da Igreja Católica sobre a oração:

A maravilha da oração revela-se precisamente, à beira dos poços onde vamos buscar a nossa água: aí é que Cristo vem ao encontro de todo o ser humano; Ele antecipa-Se a procurar-nos e é Ele que nos pede de beber. Jesus tem sede, e o seu pedido brota das profundezas de Deus que nos deseja. A oração, saibamo-lo ou não, é o encontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d'Ele” (CIC 2560)

É através da oração meditativa que podemos saciar um pouco da sede que nossa alma tem de Deus e muitas vezes nem nos damos conta. “Inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti”, nos disse Sto. Agostinho. É nesse encontro pessoal com o Senhor que também podemos saciar a sede que Deus tem do nosso amor, de nossa disponibilidade de passar um tempo com Ele, de nossa docilidade ao Espírito Santo para cumprir Sua amorosa vontade.

Frei Antonio Royo Marin, que foi um grande diretor espiritual de muitas almas, é enfático: “A experiência confirma com toda a certeza e evidência que absolutamente nada pode suprir a vida de oração, nem sequer a recepção diária dos santos sacramentos[1]

A meditação da vida diária, conforme proposta pelo Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt faz parte desse tipo de oração mencionada pelo Fr. Royo Marin. Esse tipo de oração não busca um maior conhecimento intelectual, mas parte dele para buscar a Verdade, que é Deus, e ao encontrá-la, especialmente ao encontrá-la em nossa vida diária, poder crescer no amor a Ele.

A matéria desse tipo de oração parte de um acontecimento da vida, que pode ser desde um simples perder a hora de acordar, ou enfrentar um trânsito inesperado até acontecimentos mais marcantes como a perda de um emprego ou a morte de uma pessoa querida.

Deus quer falar conosco todos os dias. Ele nos ama com amor infinito e quer demonstrar esse amor para que possamos percebê-lo e senti-lo. E Ele usa de todos os meios para chamar nossa atenção: a natureza, as pessoas, o clima, e cada acontecimento de nossa vida, permitidos por Ele. Nós só precisamos abrir os olhos e o coração para enxergá-los.

Assim, a meditação da vida diária proposta pelo P. Kentenich consiste em reservar alguns minutos do seu dia para se colocar em diálogo com Deus, partindo de um acontecimento da sua vida. É preciso uma preparação para esse encontro, da mesma forma que nos preparamos para encontrar com uma pessoa que amamos e que queremos escutar.

Como se trata de um diálogo sobrenatural, precisamos também preparar o ambiente, com imagens que nos remetam a esse mundo sobrenatural, podemos ter também o auxílio de músicas espirituais, como o canto gregoriano ou alguma música instrumental ou ainda de uma vela acesa.

Depois, acalmamos nosso coração, tentando afastar as distrações de nossas preocupações e nos colocamos na presença de Deus, invocando o Espírito Santo. A partir daí refletimos sobre o acontecimento que previamente escolhemos e podemos usar 3 perguntas propostas pelo P. Kentenich para ajudar nessa reflexão:

 

1.     O que Deus quer me dizer com isso? (através desse fato ou circunstância)

2.     O que digo a mim mesmo?

3.     O que respondo a Deus?

 

Ao refletirmos tentando responder essas perguntas, podemos perceber Deus falando conosco através desse acontecimento. É um momento de encontro com Deus em nossa vida, então depois de conversarmos um pouco com ele, pensando em como podemos responder a esse chamado para amá-lo, fazemos uma pequena ação de graças e já ficamos na expectativa do próximo encontro.

Dessa forma, de acontecimento em acontecimento, vamos crescendo no amor por começarmos a ver Deus agindo em nossa vida, mesmo que essa ação signifique permitir uma dor ou sofrimento. E quanto mais colocamos na prática essa forma de oração, mais crescemos em nossa vida interior, fortalecendo as raízes de nossa alma para enfrentar qualquer dificuldade que possa se apresentar para nós. E ainda conseguimos uma tal estabilidade emocional que podemos ser abrigo para muitas pessoas.

 



[1] Antonio Royo Marín, Teología de la perfección cristiana. Madrid: BAC, 1954, p. 664, n. 499. 

Photo by John Cameron on Unsplash

segunda-feira, 4 de julho de 2022

PREPARAÇÃO PARA A MEDITAÇÃO: OUVIDO NO CORAÇÃO DE DEUS

 


Continuando nossa série de artigos sobre a meditação da vida diária, conforme ensinado pelo Pe. Kentenich, hoje trataremos do tema da preparação para a meditação. “O enfoque de nosso Pai e Fundador é meditar onde nos encontramos com Deus e como nos encontramos com Deus”, nos explica o Pe. Humberto Anwandter.

Para perceber esse atuar de Deus em nossas vidas é preciso nos deter, parar para contemplar, para nos encontramos com o Pai, que, como diz a fé prática na divina providência, cuida de todos os acontecimentos da história mundial, mas também da história da minha vida. Todo encontro mais pessoal e profundo, exige uma certa preparação. Ainda mais vivendo da forma agitada como acontece em nosso mundo, seria ilusão pensar que é possível passar da plena atividade diretamente para um diálogo íntimo com Deus.

Assim, existe uma tríplice preparação para a meditação: a preparação remota, a preparação próxima e a preparação imediata.

Preparação remota

A preparação remota diz respeito a algumas atitudes prévias que precisamos conquistar para conseguirmos fazer uma boa meditação. A primeira delas é reservar um tempo para meditar, pois todo encontro de amor requer um tempo. E não basta dizer: “amanhã farei meus 15 minutos de meditação”. Isso é muito vago e nossa tendência é procrastinar. Então o ideal é efetivamente marcar um horário na nossa agenda, por exemplo, das 08:00 às 08:15 e cumprir esse horário.

Como nossas agendas normalmente são muito cheias, reservar esse tempo para meditação pressupõe deixar alguma coisa de lado. Como diz o Pe. Rafael Fernandez: “Sejamos realistas: sem renúncia ou um melhor ordenamento de nossa agenda diária, não será possível contar com o tempo necessário para um encontro mais profundo com o Senhor. (...) Se não damos espaço aos ‘encontros de amor’ com Deus; se não cultivamos nosso amor a Ele, então nosso contato pessoal com Ele também irá esfriar, se tornará cada vez mais distante e impessoal, até desaparecer. (...) Dar um espaço para a meditação impede que isso aconteça.”

Para nos introduzirmos na prática da meditação é necessário também possuir uma capacidade contemplativa, ou seja, a capacidade de assombrar-se e maravilhar-se diante das coisas. É similar a capacidade que crianças possuem de olhar, por exemplo, uma borboleta e se encantar com os seus movimentos, suas cores, o bater de suas asas...

Em geral nós olhamos as coisas e as pessoas de um ponto de vista de sua utilidade prática, nos colocando no centro. Além disso o excesso de estímulos que recebemos diariamente através das diferentes telas (celular, computador, televisão), nos atrapalha a parar para observar e admirar as coisas e as pessoas que nos cercam.

Precisamos aprender a “nos deter ante a realidade que nos rodeia; a reparar nos detalhes; ir mais além da superfície; a contemplar em seu conjunto e em seu significado o que observamos, seja uma coisa, uma pessoa ou um acontecimento”, nos ensina o Pe. Rafael Fernandez. Para isso precisamos, aos poucos, ir treinando o nosso olhar e começar a fazer esse pequeno exercício de contemplação, um pouquinho a cada dia.

Mais um passo importante da preparação remota é dar espaço aos valores do coração. Como dizia S. João Paulo II fomos criados para amar, não simplesmente para produzir ou organizar. O Pe. Kentenich também insistia na importância do organismo de vinculações, ou seja, o cultivo dos vínculos de amor pessoais, tanto na ordem natural como na sobrenatural. A meditação, como escola de amor, como meio de aprofundar nossa vinculação pessoal a Deus, nos ajuda a desenvolver e fortalecer essa capacidade de amar que é infundida, como semente, em nosso ser.

Por fim, é necessário também reavivar nossa fé na divina providência, pois através da meditação queremos nos encontrar com Deus, por isso é imprescindível ter fé em Deus. Então tudo o que afirma e fortifica nossa fé, redunda em uma maior possibilidade de encontrar a Deus na meditação. Os meios que podemos utilizar para aumentar a nossa fé são os sacramentos, especialmente o da confissão e o da eucaristia, além da leitura da Palavra de Deus. É importante lembrar que devemos sempre rezar pedindo para aumentar a nossa fé. Essa é a única oração que podemos ter plena certeza que será atendida imediatamente.

Preparação próxima

O Pe. Kentenich ensina que a preparação próxima para a meditação são nossas práticas espirituais, o que ele denomina de “pausas criadoras” de oração (momentos curtos nos quais elevamos nosso espírito ao Senhor) no meio do dia de trabalho.

A oração é a “respiração da alma”, assim se não rezamos, nosso espírito morre, perdemos o contato com o mundo sobrenatural. Pensamos em primeiro lugar na oração da manhã e na oração da noite, que devem ser feitas de maneira bem consciente, oferecendo todo nosso dia de trabalho e depois agradecendo o dia que passou. O livro de orações Rumo ao Céu tem a oração da manhã (RC 3 – 17) e a oração da noite (RC 357 – 385) escritas pelo próprio Pe. Kentenich e que podemos usar em nosso dia a dia.

Além dessas orações que marcam o início e o fim de cada dia, devemos complementar com as “pausas criadoras”, essas pequenas demonstrações de amor e carinho com Deus, com as pessoas do mundo sobrenatural. Elas podem ser feitas com as jaculatórias, que tem origem do latim e significam “flechas atiradas”. Assim, as jaculatórias são como flechas de amor que atiramos para o Céu, para atingir o coração de Deus. Alguns exemplos de jaculatórias: “Jesus eu confio em Vós”; “Ave Maria por tua pureza conserva puro meu corpo e minha alma”; “Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”, etc. Você pode criar sua própria jaculatória favorita ou simplesmente ao longo do dia, dizer: “Jesus eu te amo”.

“As pausas criadoras, intercaladas com os afazeres cotidianos, tal como as concebe o Pe. Kentenich, são uma ajuda privilegiada que nos permite manter viva a presença e o amor de Deus em meio às nossas atividades.”  (P. Rafael Fernandez)

Outra prática que pode constituir uma “pausa criadora” é cumprimentar a Jesus Eucarístico sempre que passamos em frente a uma Igreja. Ou até desviar um pouco o caminho que fazemos para propositalmente passar em frente a uma Igreja só para poder falar “oi” pra Jesus, com um sinal da cruz.

“Como o pássaro não abandona seu ninho, nosso amor gira ao redor dos tabernáculos sagrados. Onde a lâmpada sagrada flameja e não se apaga, nossas almas ardem por desposar-se contigo” (RC 163-164).

Mais exemplos são: olhar um crucifixo, saudar uma imagem de Maria ao entrar ou sair de casa, ou quando mudamos de atividade; uma comunhão espiritual; beijar nossa medalha de consagração, etc. Pe. Rafael Fernandes nos ensina que “a forma e o conteúdo dessas pequenas pausas criadoras dependem de nosso temperamento e de nossa relação com Deus.”

Por fim, o Pe. Kentenich destaca a importância do momento em que nos dispomos a dormir: “A preparação para a meditação é, talvez, o mais importante. Começa pela noite, na preparação que fazemos durante a oração da noite; sua culminância está nos minutos antes de dormir. Pouco antes de dormirmos deveríamos ter claro quando e para que vamos nos levantar na manhã seguinte.”

Preparação imediata

A preparação imediata se refere ao momento da meditação propriamente dita. A primeira coisa necessária é um lugar adequado, para podermos nos encontrar com o Senhor, devendo ser uma atmosfera propícia para esse encontro. A realidade de cada pessoa é que vai determinar esse lugar, podendo ser seu próprio quarto ou seu escritório, antes de começar o trabalho, ou uma igreja ou o próprio Santuário ou seu Santuário-lar. O mais importante é que o local escolhido nos assegure um grau razoável de tranquilidade.

“Todo encontro de amor requer um contexto e um ambiente adequados” nos diz o P. Rafael Fernandez, assim ajuda a entrarmos nessa atmosfera de meditação se tiver uma imagem religiosa, algum símbolo, uma vela, etc, ou seja, coisas que ajudem nossos sentidos a nos colocarmos em contato com o mundo sobrenatural.

É necessária também uma postura corporal adequada, seja ela sentada, em pé ou ajoelhada. Todavia se a postura que escolhemos nos causa um certo desconforto que atrapalha nossa concentração, então ela não é adequada.

Por fim, o tempo que escolhemos para meditar é importante e depende da realidade de cada um. Para alguns, o melhor é logo de manhã, para outros, o período noturno é o mais apropriado, outros ainda, preferem uma pausa no meio do dia. O que conta é que seja um tempo apto para realizarmos nosso propósito de meditação, assim não podemos estar muito cansados, com sono ou preocupados com os afazeres.

Com relação a duração da meditação, no início pode ser de 10 a 15 minutos e depois, conforme fomos adquirindo o hábito, pode passar a ser de 20 a 30 minutos.

“Por que acontece com frequência que simplesmente não conseguimos meditar? Uma causa pode ser o desconhecimento da verdadeira oração. Muitos pensam que o sentido de uma oração autêntica está no trabalho da cabeça. Isto não está certo. O mais importante é que a vontade e o coração estejam entregues a Deus. Outra razão é a falta de magnanimidade. Buscamos com uma unilateralidade demasiada o consolo de Deus e não o Deus do consolo. Pensamos que se não sentimos consolo nenhum, a prática da oração é uma perda de tempo. Outra causa reside no fato de que damos pouca importância à preparação remota. Nossa vida deve possuir o seguinte ritmo: os tempos de oração são a oração antecedente, a vida prática é a oração consequente. Durante o dia devo cuidar para me desprender, por manter meus sentidos em recolhimento, por conservar uma atitude humilde perante Deus. Se não faço isso, seria um verdadeiro milagre que minha meditação fosse boa. Digo mais uma vez: quem vive a santidade da vida diária protege qualitativamente as práticas de oração.” (P. Kentenich)

Caso você tenha alguma pergunta ou comentário sobre a prática da meditação da vida diária, pode enviar para o email: ouvidonocoracaodedeus@gmail.com

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segunda-feira, 27 de junho de 2022

OUVIDO NO CORAÇÃO DE DEUS: O DESAFIO DE MEDITAR NO MEIO DO MUNDO

 


Enfrentando as dificuldades para conseguir fazer a oração meditativa

No último artigo, falamos da importância que o Pe. Kentenich dava à meditação da vida diária como uma escola de amor, como a forma de nos encontramos com Deus em nosso dia a dia. Porém sabemos que, quando tentamos mudar o ritmo da nossa vida para dar lugar a uma dimensão mais contemplativa, encontramos inúmeras dificuldades para colocar na prática.

Decidir meditar

O nosso primeiro passo precisa ser a decisão por incluir a prática da meditação em nossa vida. Precisamos entender que essa pequena parada durante o nosso dia para tentarmos enxergar Deus se comunicando conosco é essencial para conseguirmos uma maior intimidade com Ele. Ou conseguimos encontrar a Deus nas criaturas, nas coisas e no trabalho ou simplesmente esse Deus da vida se torna inalcançável. Podemos até ter um contato com Ele quando vamos à igreja ou fazemos uma oração, mas o resto do dia, vivemos, por assim dizer, como um pagão.

Devemos buscar não somente ao Deus transcendente, que está no Céu e ouve nossas orações ou se alegra quando participamos do Santo Sacrifício da Missa e fazemos comunhão com Ele, mas também ao Deus que é a Causa Primeira de tudo, que tudo criou e colocou à nossa disposição e deseja, através das Causas Segundas (as pessoas e tudo o que foi criado) se encontrar conosco demonstrar o seu amor infinito para cada um de nós

Não desistir frente às dificuldades

Depois de entendermos a importância da meditação e nos decidirmos a realizá-la, podemos nos sentir desanimados ao darmos conta dos imensos desafios que se colocam em nosso caminho e todas as forças do nosso mundo materialista que querem nos impedir de olharmos para dentro de nós e para buscarmos Deus em nossa vida. Podemos ter algumas tentativas falhas de meditar, e então nos damos por vencidos. Pensamos que a meditação não é para nós...

“Há quem pense que a oração meditativa está reservada para os sacerdotes e religiosos. Os leigos, mais ainda, os simples trabalhadores, não seriam capazes e nem estariam chamados a de fazê-la. Todavia, este é um grande erro. Não somente há santos da vida diária atrás dos muros conventuais, não somente há santos que usam hábitos religiosos, mas também e principalmente em trajes seculares, em meio do emaranhado e das lutas da vida cotidiana. Eles são encontrados em todas as vocações e estados de vida.” (P. J. Kentenich)

Meditar num mundo tão agitado como o nosso realmente é uma tarefa heroica e se não tivermos um método adequado e constância nessa atitude, contando com a ajuda do Espírito Santo, será praticamente impossível consegui-lo. O Pe. Kentenich dizia que uma das virtudes que ele mais admirava era a fidelidade. A fidelidade de recomeçar a cada queda, a cada fracasso. Então não devemos desanimar se não conseguirmos logo colocar a meditação em prática, mas sempre ter a coragem de tentar novamente.

Pedir auxílio ao Espírito Santo

Assim, precisamos implorar a graça do alto, especialmente os dons do Espírito Santo. Podemos pedir a poderosa intercessão de nosso Santo Anjo da Guarda. Ele é um ser muito poderoso que nos foi presenteado por Deus para nos guardar, iluminar e conduzir ao Céu. Ele sabe da importância de nosso contato mais íntimo com Deus para chegarmos lá, então quer nos ajudar a colocarmos em prática a meditação.

Como ensina o Pe. Rafael Fernández: “O objetivo próprio da meditação é aprofundar e tornar mais íntima nossa relação de amor com Deus. Se meditamos uma ideia, é para degustar a verdade ou realidade que esta representa, a fim de que, além do nosso intelecto, penetre em nosso coração. Porque quando se trata de nosso vínculo de amor com Deus, e do amor que Ele tem por nós e que espera que nós lhe devolvamos, não bastam conceitos nem meras ideias. (...)

A meditação é como a raiz da árvore. O que sustenta as árvores, quando vem tormentas e tempestades, não é a copa nem as folhas, mas as raízes. Quanto mais profundas são as raízes de uma árvore, mais capacidade ela tem de superar os embates do tempo. Inclusive, as tormentas as vão afirmando, porque suas raízes vão se fincando na profundidade. O vento pode lhes arrancar um tanto de galhos e folhas, mas a árvore continua de pé. Porém, quando as raízes são escassas, mesmo que tenha uma folhagem muito frondosa e um grande tronco, facilmente um temporal a derrubará. A meditação nos arraiga no coração de Deus.”

Como meditar?

A prática da meditação da vida diária ensinada pelo Pe. Kentenich possui algumas etapas. A primeira etapa é a preparação. Existe a preparação remota, a preparação próxima e a preparação imediata. Depois vem o desenvolvimento da meditação, com o início, desenvolvimento e conclusão.

Nos próximos artigos, explicaremos detalhadamente cada uma dessas etapas inclusive com exercícios práticos de meditação, porém, colocamos aqui um panorama geral, um resumo de como a meditação funciona:

Escolher um horário do dia no qual realizará a meditação. Pode ser, no início, cerca de 10 a 15 minutos. Podemos começar fazendo uma vez por semana, e depois, gradativamente, aumentando a frequência.

Escolhemos um lugar adequado, onde não seremos interrompidos. De preferência, com alguma cruz ou imagem que nos remeta à realidade sobrenatural. Fechar um pouco os olhos, respirar calmamente e nos colocar na presença de Deus, então fazemos uma oração implorando as luzes do Espírito Santo.

Em seguida, escolher sobre o que se vai meditar. Se ainda somos iniciantes nessa prática, é mais fácil escolher uma passagem bíblica ou um trecho de uma oração. Depois, com a prática, pode ser um acontecimento da vida (uma situação concreta de nossa vida), que é efetivamente a meditação da vida diária proposta pelo Pe. Kentenich.

O Pe. Kentenich propõe três perguntas que constituem uma excelente ajuda para desenvolver esse encontro com o Senhor:

1. O que Deus quer me dizer com isso? (através desse texto ou desse fato ou circunstância)

2. O que digo a mim mesmo?

3. O que respondo a Deus?

A pergunta mais importante é esta última. É nela que entramos na oração meditativa. Quando falamos de resposta, não significa necessariamente uma ação ou propósito, mas de uma resposta “de amor”, uma resposta do coração, falando pessoalmente com o Senhor. Expressamos nosso amor de gratidão, de arrependimento, de pedido. Terminamos a meditação com uma oração de ação de graças. É conveniente anotar em um caderno pessoal sobre o que meditamos e o que foi mais importante para nós na meditação.

Além de agradecer ao Senhor e a Nossa Senhora pela meditação (ou pedir perdão se não a realizamos bem), as vezes podemos concluir com alguma intenção ou propósito que venha ao encontro do que meditamos. Assim, pouco a pouco, com a dedicação de alguns momentos por dia para meditar, vamos aumentando nosso amor e nossa vinculação ao nosso Pai do Céu que nos ama com amor infinito.

Caso você tenha alguma dúvida ou comentário sobre a prática da meditação da vida diária, pode enviar sua pergunta para o email: ouvidonocoracaodedeus@gmail.com

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