quinta-feira, 28 de maio de 2015

CONTRACEPTIVOS DESTROEM LARES


Grande parte dos casais que utilizam métodos contraceptivos não tem consciência do mal que estão fazendo ao seu relacionamento, por isso não podem ser recriminados. Porém, o fato de não saberem, não os isenta das consequências dos seus atos, da mesma forma que se a pessoa toma um copo de veneno sem saber que é veneno, acaba se intoxicando do mesmo jeito.

Em vista disso que é URGENTE proclamar a boa nova da sexualidade segundo a concepção católica, pois é a única maneira de redenção do relacionamento e um caminho de verdadeira e completa felicidade para o casal.

Pode-se afirmar que existe uma conexão entre o divórcio e o uso dos anticoncepcionais, pois, quando um casal pratica a contracepção está sendo infiel a uma das promessas feitas diante do altar, qual seja, a promessa de estarem abertos a receber os filhos que Deus quiser enviar e toda infidelidade tem como consequência a separação.

"Durante o relacionamento conjugal, "um momento assim rico de significado (...) especialmente importante é aquele em que a 'linguagem do corpo' é relida de acordo com a verdade" (11.07.1984). Somos livres frente à opção de fazer sexo ou não. Mas se optamos por unir-nos sexualmente, não somos livres para mudar-lhe o sentido. A linguagem do corpo tem 'significados bem claros', e todos eles estão 'programados' - explica o Papa - no consentimento conjugal e nas promessas. Um exemplo é com relação à pergunta: 'Estais dispostos a aceitar com responsabilidade e amor os filhos que Deus pode lhes dar?' (...) tanto o homem como a mulher, em separado, responde: 'sim'" (19.01.1983). Se os esposos dizem "sim" diante do altar, mas depois esterilizam sua união, estão mentindo com seus corpos. Estão sendo infiéis às promessas do casamento. Tal desonestidade, bem no coração da aliança matrimonial, só pode ter efeito deletério."[1]

A aceitação de receber os filhos que Deus pode dar ao casal efetivamente significa que  toda e cada uma das relações sexuais precisam incluir a aceitação de filhos sob pena de estar violando esta promessa feita no altar. Isto ocorre da mesma forma que toda e cada uma das relações sexuais devem ser feitas exclusivamente com o seu cônjuge, também sob pena de estar violando a promessa da fidelidade feita no altar. Da mesma forma, a relação sexual deve ser aceita em sua totalidade, porque é a expressão deste comprometimento matrimonial. Não há como evitar o fato de que um ato sexual intencionalmente esterilizado muda o "eu aceito" das promessas matrimoniais para um "eu não aceito".




[1] WEST, Christopher Teologia do Corpo para Principiantes - Uma introdução básica à revolução Sexual de João Paulo II. Ed. Myriam. Porto Alegre. 2008 pg. 115
[2] WEST, Christopher. Good News About Sex & Marriage - Answers to your honest questions about Catholic Teaching", Ed. Servant Books, tradução livre da autora. 
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segunda-feira, 25 de maio de 2015

MORAL SEXUAL


Ao longo da história, muitas pessoas reconheceram que o respeito à função procriativa é a chave de toda moralidade sexual. Até Freud reconheceu isto ao dizer: "O abandono da função reprodutiva é a característica comum de todas as perversões. Na verdade, nós qualificamos como perversa uma atividade sexual, se ela deixa de lado o objetivo da reprodução, procurando apenas o prazer como um objetivo independente dela." (Introductory Lectures in Psychoanaalysis)[1]

Caso aceitemos separar o ato sexual de sua orientação natural para a geração de uma nova vida, não há mais argumentos para justificar qualquer meio de chegar ao orgasmo. O prazer fica justificado pelo prazer, sem aceitar as consequências que deveriam acompanhá-lo. A relação sexual estéril desorienta o ato em si: a relação sexual vaginal passa a ser apenas uma das formas, entre muitas outras, de satisfazer o desejo. Portanto, ao separar o sexo de sua consequência natural, perde-se a bússola moral, exatamente o tipo de cultura que presenciamos em nossos dias.

A vida matrimonial é uma vida sacramental, ou seja, deve ser testemunha do amor de Deus para a humanidade. É no momento quando marido e esposa se unem no ato conjugal que eles participam de forma mais perfeita no grande mistério do amor de Deus. Porém isso só acontecerá se esta relação sexual expressar corretamente o amor de Deus, e uma das características desse amor, é a fecundidade.

"Por último, todas as perguntas sobre a moral sexual se reduzem a uma, bem simples: Será que este meu procedimento retrata o amor livre, total, fiel e frutuoso de Deus? Se a resposta for negativa, temos um amor falso que nunca será capaz de nos satisfazer. Em termos práticos, pode ser sadio um casamento em que marido e mulher são habitualmente infiéis às suas promessas matrimoniais?  Em contrapartida, não seria muito mais sadio um casamento em que marido e mulher vivessem na fidelidade ao seu juramento, expressando de maneira cada vez mais intensa a sua mútua doação?"[2]





[1] WEST, Christopher Teologia do Corpo para Principiantes - Uma introdução básica à revolução Sexual de João Paulo II. Ed. Myriam. Porto Alegre. 2008 pg. 107
[2] Idem pg. 104
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quarta-feira, 13 de maio de 2015

MARIA COMPETE COM CRISTO?


Neste dia dedicado a Nossa Senhora de Fátima, meditaremos mais um texto do Pe. Nicolás Schweizer, publicado em Reflexões No. 58, de 01.05.2009.

1. Maria nos conduz a Jesus. Temos que responder primeiro a alguns temores, críticas frente à piedade mariana: Muitos temem que Maria afaste Cristo, lhe faça “competição”, se coloque como “obstáculo” entre Deus e nós. Na origem desse temor é comum encontrar experiências negativas, provocadas por práticas desviadas de piedade mariana, ou enfoques falsos sobre a pessoa de Maria. Mas tais temores não correspondem à realidade querida por Deus e proclamada pela Igreja em sua vida e em sua doutrina. 

2. Fazei o que Ele vos disser. João Paulo II disse: “Maria esteve verdadeiramente unida a Jesus. Não se conservaram no Evangelho muitas palavras suas; pero as ficaram nos levam de novo a seu Filho e a sua palavra. Em Caná de Galiléia dirigiu-se aos serventes com estas palavras: “Fazei o que Ele vos disser”. Esta mesma mensagem segue dizendo-nos hoje”.

“Fazei o que Ele vos disser” são as últimas palavras da Virgem conservadas no Evangelho. São, por isso, como o testamento Dela. E mais que aos serventes da boda, são palavras dirigidas aos homens de todos os tempos. Contêm todo o anseio, a vivencia e a missão de Maria: conduzir-nos a identificação com Cristo. 

3. Maria está no centro. Todos sabem: Maria não é o centro de nossa fé, não é a razão verdadeira de nossa confiança, não é o fim último nosso amor – mas sim Jesus Cristo e com Ele, o Deus trino. Mas sentimos que Ela forma parte dos mistérios centrais de nossa fé. Maria, sem ser o centro, está no centro. Sentimos que Maria, por sua posição única na historia geral da salvação, também tem uma posição peculiar em nossa historia pessoal de salvação. 

4. O caminho normal. Maria é para nós o caminho normal rumo a Jesus Cristo. Já os Padres da Igreja disseram: O caminho pelo qual Cristo chegou ao homem deve ser também o caminho pelo qual nós cheguemos a Cristo. E Cristo veio a nós por meio da Virgem. Quando damos a Maria um lugar privilegiado em nossos corações, e nos confiamos a sua educação, então estamos no caminho rumo a seu Filho, e Ela nos conduz rumo a Cristo e ao Deus trino.

5. O caminho mais fácil, mais curto, mais seguro. Maria não só é o caminho normal rumo a Cristo. Ela é, segundo uma palavra do Papa São Pio X, também o caminho mais fácil, mais curto, mais seguro rumo a Cristo.

A devoção Mariana é um dos grandes dons de Deus ao povo: o demonstra o grande entusiasmo com o qual se recebe a imagem da Virgem em todos os lugares. E se amamos tanto a Virgem, estamos amando já a Cristo.

Porque esta é uma das leis misteriosas do amor. O verdadeiro amor implica e inclui o amor a tudo e a todos que ama o ser querido. Por isso, o amor a Maria se prolonga e se converte – cedo ou tarde – em amor a Cristo.

6. O caminho mais fecundo. Maria é também e por último, o caminho mais fecundo rumo a Cristo. O mesmo Papa São Pio X nos diz uma bela palavra: “A SS. Virgem nos brinda um conhecimento vital de Cristo”.

7. É o carisma de Maria, carisma feminino e maternal: acercar vitalmente as pessoas da Trindade, brindar-nos familiaridade com o mundo sobrenatural, fazer da Igreja um lar, do homem um irmão. Este carisma explica a força e o arraigo da devoção mariana no povo. 

8. Exemplo dos grandes Santos. Os grandes Santos de todos os séculos afirmam e provam com sua vida a verdade e a importância deste caminho clássico POR MARIA A JESUS. Foram quase sem exceção homens e mulheres com uma grande devoção mariana. Muitos deles até se consagraram a Virgem e Ela Virgem, sem falta, os conduziu a seu filho rumo ao cume da santidade. 

9. Maria é a terra do encontro com Cristo. Todo o amor que brindamos à SS. Virgem, Ela o leva rumo ao Senhor. E assim nosso amor encontra, por meio de Maria, o caminho mais fácil, mais curto, mais seguro e mais fecundo rumo a Jesus Cristo e a Deus.

Perguntas para a reflexão

1. Quem Maria é para mim?
2. Qual é minha oração favorita a Maria?
3. O que me diz a frase “Por Maria a Jesus”?



segunda-feira, 4 de maio de 2015

FINALIDADE PROCRIATIVA DO MATRIMÔNIO

Um amor verdadeiro é um amor criador, é um amor que dá vida. Os filhos representam a unidade milagrosa entre o marido e a esposa como nada mais pode representar. É realmente o fruto do amor dos dois.

O Catecismo nos explica: "A fecundidade é um dom, uma finalidade do matrimônio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração deste dom mútuo, do qual é fruto e complemento. Por isso, a Igreja, que 'toma partido pela vida', ensina que 'todo o ato matrimonial deve, por si estar aberto à transmissão da vida'. 'Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, funda-se sobre o nexo indissolúvel estabelecido por Deus e que o homem não pode quebrar por sua iniciativa, entre os dois significados inerentes ao ato conjugal: união e procriação'". (CIC 2366)

A fecundidade do amor conjugal é testemunhada e refletida no prazer sexual. O orgasmo externaliza a doação mútua e manifesta a exclusividade da pertença conjugal.

No momento do ápice sexual o ser de cada um está inteiramente voltado um para o outro e o marido e a mulher se pertencem por inteiro. Todo pensamento se apaga da mente. Todas as sensações físicas se concentram nesta doação exclusiva: circulação sanguínea, respiração, pressão, músculos, pele... todo corpo é doação completa ao outro. Somente o casal pode experimentar esse momento. Naquele instante um é inteira e exclusivamente do outro. O prazer é íntimo e exclusivo, por isso é unitivo e fecundo. A ternura que envolve o casal e a própria intimidade que experimentam é fonte de prazer e santa alegria.

"Assim a sua união (dos noivos), em vez de os fechar em si mesmos, abre-os a uma nova vida, a uma nova pessoa. Como pais, serão capazes de dar a vida a um ser semelhante a eles, não apenas «osso dos seus ossos e carne da sua carne» (cf. Gn 2, 23), mas imagem e semelhança de Deus, isto é, pessoa." (Carta às Famílias, No. 08)


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segunda-feira, 27 de abril de 2015

FINALIDADE UNITIVA DO MATRIMÔNIO

No livro do Gênesis, ao narrar a criação do ser humano, vemos como Deus fez o homem e a mulher a sua imagem e semelhança. Ambos possuem a mesma dignidade e valor e foram criados um para o outro. Todavia não são seres incompletos; cada um é uma totalidade, porém são chamados para uma comunhão de pessoas, para um intercambio de vida e de amor e juntos se complementarem.
"Cada um dos dois sexos é, com igual dignidade, embora de modo diferente, imagem do poder e da ternura de Deus. A união do homem e da mulher no matrimônio é um modo de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador: «O homem deixará o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Desta união procedem todas as gerações humanas." (CIC 2335).
O modo de ser do homem e da mulher se diferenciam pela maior ou menor acentuação de determinados valores que ambos possuem, mas que, via de regra, cada sexo vive com uma intensidade diferente. Por isso mesmo, não há nenhum valor humano que possamos catalogar como exclusivamente “masculino” ou “feminino”. Porém, podemos afirmar que algum destes valores se dão “normalmente” com maior força no homem ou na mulher[1]
Desta forma, cada ser humano possui características do ser masculino e do ser feminino, porém em graus diversos. O homem possui mais características do ser masculino e necessita ser complementado pela mulher, com suas características predominantes do ser feminino e vice-versa.

Esta aparente "confusão" existente entre os sexos é mais um dos efeitos do pecado original. Antes do pecado, Adão e Eva se comunicavam e se complementavam sem qualquer dificuldade. Porém, o sacramento do matrimônio é o meio pelo qual Deus nos dá a graça de restaurarmos esta verdadeira parceria entre o homem e a mulher.
Homem e mulher só chegarão à perfeição de sua personalidade em dependência mútua, um complementando o outro. Assim foi querido por Deus, que criando tudo por amor e para o amor, não permite que o ser humano se aperfeiçoe senão através do caminho de abertura e doação mútua dos sexos.
A graça desse aperfeiçoamento e complementaridade é conhecida como a finalidade unitiva do casamento. Quando um homem e uma mulher livremente aceitam partilhar suas vidas e se doarem totalmente um ao outro, a permanência do seu vínculo os capacita para se tornarem fluentes na linguagem um do outro e desta forma, com o tempo, tornarem-se "uma só carne" (Mt 19,5). Essa linguagem é de um alegre amor e serviço mútuo, uma linguagem criada pelo Pai, exemplificada pelo Filho e sustentada pelo Espírito Santo.
Quando o Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, se refere ao instinto sexual, explica que a sexualidade humana compreende, primeiro, a tendência a um encontro espiritual e pessoal com o outro, ou seja, a alma do outro, a comunhão de um com o outro no amor. Segundo, a tendência ao contato físico, a atração pelo corpo do outro, como meio de expressão e cultivo do amor; e. em terceiro lugar, a tendência ao filho, a fecundidade na paternidade e na maternidade; ou seja, a tendência a ser fecundos além de si mesmos, como fruto de seu amor.




[1] Fe y vida matrimonial, Cuadernos de Pastoral Familiar, No. 1, P. Hernán Alessandri Morandé,pg. 36,  Ed. Nueva Patris, Chile, 2009
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segunda-feira, 20 de abril de 2015

AS FINALIDADES DO MATRIMÔNIO E A FECUNDIDADE DO AMOR CONJUGAL

Consoante os ensinamentos de João Paulo II, o amor carnal (sexual) deve expressar a linguagem do amor ágape, ou seja, daquele amor que Cristo tem por cada um de nós.

Este amor possui quatro características. "Primeira: Cristo dá livremente seu corpo ('Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade' Jo 10,18). Segunda: entrega seu corpo totalmente, isto é, sem resevas, condições ou cálculos egoístas ('até o extremo ele os amou' Jo 13,11). Terceira: dá seu corpo fielmente. ('Estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos' Mt 28,20). Quarta: entrega seu corpo frutuosamente ('Eu vim para que tenham vida' Jo 10,10). Se homens e mulheres souberem evitar as armadilhas do falso amor e viver plenamente sua vocação, a união deles deve expressar o mesmo amor - livre, total, fiel e frutuoso que Cristo expressou.
Outro nome para este tipo de amor é matrimônio. E isto é precisamente o que uma noiva e um noivo fazem diante do altar. Quando o celebrante pergunta:'"Vieste aqui livremente e sem reservas para vos entregardes um ao outro no matrimônio? Prometeis ser fiéis até a morte? Prometeis receber amorosamente os filhos que Deus vos mandar?' Noivo e noiva, cada um, por sua vez, responde: 'sim!'"[1]

Assim, o matrimônio é uma aliança, um contrato pelo qual o homem e a mulher se comprometem a amarem-se com este grau de amor, da mesma forma que Cristo ama a sua Igreja. Para conseguirem isto, o próprio Jesus elevou esta aliança ao nível de Sacramento. Os efeitos principais deste sacramento são: ele dá graças para fortalecer o amor dos esposos, para compreenderem mutuamente seus defeitos, superarem as dificuldades na vida conjugal e na educação dos filhos e, especialmente para santificar os esposos até o fim da vida.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto naqueles que os recebem com as disposições exigidas”[2]
Os sacramentos foram instituídos por Jesus para ajudar na caminhada rumo ao Céu, para sinalizar este caminho, pois transmitem as graças necessárias para cumprir a missão de cada um.
No caso do sacramento do matrimônio, a graça que se recebe é a santificação do vínculo que une marido e mulher para sempre. A aliança de amor que é selada com o sacramento do matrimônio, este laço que unirá aquele homem e aquela mulher eternamente, se transforma num sinal eficaz da união de Cristo com sua Igreja.
“O matrimônio, segundo o que foi dito, não é a consagração de duas pessoas, mas a consagração do laço que as une. A relação entre ambas é elevada sacramentalmente. Nisso consiste precisamente a sacramentalidade conjugal. O amor que os une e o vínculo que se gera se faz sinal e sacramento. O amor conjugal puramente humano se faz amor consagrado e por isso mesmo já é uma realidade religiosa. A comunidade conjugal entre ambos se faz comunidade de Deus e com Deus. Neste contexto podemos dizer que o amor redentor de Cristo, que desperta em nós uma resposta proporcional, se desdobra no matrimônio através do amor recíproco dos esposos.”[3]
Os esposos, tendo recebido o sacramento do matrimônio, são chamados a ser sinais do amor de Cristo por sua Igreja e do amor da Igreja para o seu Senhor. Quem vê um casal cristão deve poder ver a presença de Deus, sua atuação na vida daquela família. O casal também deve permitir que Deus influencie as pessoas que os rodeia, através de seu matrimônio.

A Igreja defende, em primeiro lugar, a dimensão da comunhão ou finalidade unitiva da sexualidade conjugal, expressa na comunhão de corações e de vontades na relação íntima dos esposos. De outra parte, a Igreja defende, ao mesmo tempo, a finalidade procriativa inerente ao amor conjugal. O amor dos esposos quer ver-se prolongado no filho. Existe neles um anseio natural de se perpetuar criadoramente. Seu amor é transcendente, não estéril.



[1] WEST, Christopher Teologia do Corpo para Principiantes - Uma introdução básica à revolução Sexual de João Paulo II. Ed. Myriam. Porto Alegre. 2008 Pg. 103
[2] Cf CIC No. 1131
[3] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pgs. 8-9, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS
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segunda-feira, 30 de março de 2015

AS TRÊS TENTAÇÕES

Neste início de Semana Santa, reflitamos junto com o Pe. Nicolás Schweizer, sobre as três tentações, publicado em Reflexões No. 28, de 01.02.2008.

A Quaresma é um tempo privilegiado para afinar a meta de nossa vida e repassar nossos objetivos. Às vezes resulta uma revisão dolorosa e que exige sacrifícios.

Jesus também passou por isso. Duvidou, buscou, foi tentado, ao largo de sua vida, e se impôs pela força e poder. Reflexionemos sobre suas três tentações e veremos que são as nossas também.

1. A primeira, poderíamos chamar de tentação do consumo. "Diga que estas pedras se convertam em pão". É dizer, se quiseres, podes dar de comer a todos os homens. Sofrem, têm fome, não têm trabalho - podes assegurar-lhes o bem estar material que desejam. Podes fazer milagres, o "milagre econômico".

Ele responde: "Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". Mas Jesus não nos pede que nos desinteressemos dos bens temporais. No Pai Nosso nos faz pedir: "Dá-nos hoje nosso pão de cada dia". Temos que lutar pelo pão de cada dia. Temos que lutar por nós e por todos os homens.

O que o Senhor nos pede é lutar contra a alienação do consumo e contra a ilusão de crer que a felicidade do homem coincide com a meta do consumo. Ele nos diz que o coração do homem reclama outros alimentos diferente do "ter". E os pais entre nós sabem muito bem que seus filhos não só necessitam bem estar material, mas que precisam também de seu tempo, sua atenção, sua palavra e seu amor.

Como uma criança, o homem necessita do amor de Deus seu Pai, desse Deus que falou e que tem algo que dizer-nos. E enquanto os homens não escutem esta palavra e enquanto não tratem de vivê-la, persistirá neles uma fome insatisfeita que os converterá em homens subalimentados e infelizes.

Todos formamos parte de nosso mundo e de nossa sociedade. E todos somos escravos do consumo, de uma ou outra forma: Pensemos no nosso carro, esse pequeno deus; no conforto da casa; nos brinquedos das crianças nos livros, que tal vez nunca serão lidos; em nossos vestidos e nossa roupa, etc.

Temos fome de pão, fome de coisas materiais. Mas, temos também fome de Deus?

2. A segunda tentação de Jesus é a tentação do poder, a tentação de utilizar a força de seu Pai em proveito próprio. Mas Ele a rejeita: "Não tentarás ao Senhor, teu Deus". É dizer: Tu não exigirás que Deus se coloque a teu serviço. Tu és quem há de servi-lo. A força de Jesus consiste em colocar-se plenamente a disposição de seu Pai, para servir aos irmãos.

Nós não nos livramos da tentação de utilizar a Deus, de colocá-lo a nosso lado, é dizer, de metê-lo em "nosso bolso". Quantas vezes, a través da história, grupos humanos, nações, governos, exércitos ou partidos políticos tentaram aproveitar-se dos cristãos, da Igreja, de Deus, para levar a cabo seus próprios projetos!

E nós mesmos, não rezamos muitas vezes o Pai osso às avessas: "Pai nosso que estais no céu, faça-se minha vontade”. É dizer, nos colocamos no centro, nos fazemos deus, no lugar dEle. E quantos homens se afastam assim de Deus, porque Deus não os obedeceu!

3. A tentação da idolatria. Tal vez pensemos: esta vez não me toca, são os pagãos os que adoram aos ídolos.

Mas também em nosso mundo de hoje surgiram muitos ídolos: Desde o grande ídolo do dinheiro que adoramos todos, um pouco mais… ou menos. Até a multidão de ídolos ante os quais nos ajoelhamos diariamente: o maço de cigarros, ou a boa comida, a televisão, a moda, nosso corpo, também nossas ideias ou projetos.

Todos esses deuses fazem que pouco a pouco, e talvez sem dar-nos conta, vivamos inclinados, incapazes de viver de pé e de poder ajoelhar-nos livremente ante o único Deus.

Perguntas para a Reflexão

1. Por que tipo de felicidade estou lutando?
2. Que mundo estou construindo?
3. Sou "explorador" de Deus, ou sou seu servidor e servidor de meus irmãos?


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