Mostrando postagens com marcador unidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador unidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

A DIVISÃO TRAZ DESTRUIÇÃO!

 

Nos últimos tempos, para qualquer lado que olharmos, podemos observar uma divisão: direita x esquerda, liberal x conservador, socialismo x capitalismo, veganos x carnívoros, a favor da vacina x contrários a vacina e por aí vai... a lista é imensa. Experimentamos essa animosidade oriunda da polaridade em nossas famílias, no trabalho, na escola e até dentro da própria Igreja. “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir." (Mt 12,25) A divisão traz a destruição, já nos avisa Jesus. O próprio significado da palavra diabo é divisor, aquele que traz a divisão e a discórdia.

Um dos grandes problemas dessa polaridade é que as pessoas simplesmente não sabem mais conversar, expor seu ponto de vista, sem se sentirem pessoalmente atingidas caso o outro discorde do que ela está falando, contrarie suas ideias. Essa é uma atitude que demonstra uma grande imaturidade, pois o fato de eu discordar da sua opinião não significa que estou agredindo você, ou que não goste de você. E quando você leva a discussão para o lado pessoal, afloram as emoções e toda racionalidade vai embora. Começam, então, realmente as agressões verbais (e as vezes até físicas!) e quebra-se totalmente qualquer vínculo existente, cada um vai para um lado, machucado, ferido. Ninguém ganha. Só há perdedores.

É importante dizer também que a atitude de evitar o conflito com o discurso de que “cada um tem a sua opinião e que todas são válidas” também não é correta. A verdade existe e ela é uma só. Não há possibilidade de todos os lados estarem corretos. Para quem busca com sinceridade de coração, a verdade é possível de se achar. A verdade quer se revelar e quer ser acessível a todos.

A atitude que devemos ter frente ao outro que discorda do nosso ponto de vista é, em primeiro lugar, o respeito. Se o outro pensa diferente, certamente tem seus motivos, então, é preciso ter paciência e disponibilidade para ouvi-lo, sem preconceito, sem “levantar a guarda”, tentando se colocar no lugar dele e enxergar as coisas da forma que ele enxerga. Lembrar que o que ele está falando é apenas a opinião dele, o modo dele ver a situação, mas não representa o que ele verdadeiramente é: uma alma querida e amada por Deus que foi colocada em seu caminho para que, quem sabe, você possa ajudá-la em sua peregrinação rumo ao Céu.

O segundo passo é usar a razão, a inteligência. Expor os seus argumentos de forma clara e sem ofensas. Peça ao Espírito Santo que o ajude a falar de uma forma que o outro entenda, sem a intenção de mostrar superioridade, mas com o único objetivo de alcançar a verdade. Caso você não tenha certeza dos motivos que levam você a possuir determinado ponto de vista, não tenha vergonha de falar que vai procurar estudar mais, tentar entender os fundamentos, para então voltar a conversar sobre o assunto. Mais uma opção é convidar o outro para buscarem a verdade juntos.

Outro aspecto fundamental é ter a abertura e a humildade de saber que você é quem pode estar errado, por isso é muito importante ouvir o outro com o coração aberto, tentando analisar se por acaso ele pode ter razão no que fala. Não tem problema nenhum mudar de opinião se você enxergou que a verdade está do outro lado! Essa atitude demonstra maturidade e a boa vontade de buscar o bem. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!” (Jo 8,32)

Busquemos, assim, a unidade e não a divisão. Em qualquer conversa que haja indícios de discórdia, procure primeiro o ponto comum, onde todos estão de acordo. Esse ponto pode ser o bem do país, a saúde, a prosperidade, a felicidade. Todo tema tem um aspecto que os dois lados concordam. E conversem a partir daí, reconhecendo que ambos buscam a mesma coisa, só que de pontos de vista diferentes. Se por acaso os ânimos se exaltarem, encerre o assunto e deixe a conversa para outro dia. Sem ganhadores ou perdedores. A divisão traz destruição!





Imagem de <a href="https://pixabay.com/pt/users/tumisu-148124/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1991215">Tumisu</a> por <a href="https://pixabay.com/pt/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1991215">Pixabay</a>


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

UNIDADE, INDISSOLUBILIDADE E FIDELIDADE DO MATRIMÔNIO

Ao contraírem o sacramento do matrimônio, os noivos dizem quatro vezes “sim” no altar, às perguntas realizadas pelo sacerdote e estes “sim” correspondem às condições para que aquele matrimônio seja realizado plenamente. Hoje analisaremos três destas respostas e amanhã a quarta.
A primeira pergunta: “Viestes aqui para unir-vos em matrimônio. É de livre e espontânea vontade que o fazeis?”, corresponde a UNIDADE que o noivo e a noiva se comprometem, pois estão assumindo aquele compromisso sem qualquer tipo de coação, tendo escolhido um ao outro, livremente, para trilhar o caminho do matrimônio.
O amor conjugal elevado a sacramento pelo matrimônio é realizado entre um homem e uma mulher, ambos são chamados a ser “uma só carne”, pois como é reflexo do amor de Cristo para a Igreja, Cristo é um só e a Igreja uma só; não há qualquer espaço para a poligamia ou poliandria.
A segunda pergunta: “Abraçando o matrimônio, ides prometer amor e fidelidade um ao outro. É por toda a vida que o prometeis?”, corresponde a INDISSOLUBILIDADE do vínculo matrimonial. Esta indissolubilidade é também consequência do amor conjugal como reflexo de Cristo e da Igreja, pois sendo Cristo a cabeça e a Igreja o seu corpo, não há como separar a cabeça do corpo sem destruí-lo.
“Em virtude da sacramentalidade do seu matrimônio, os esposos estão vinculados um ao outro da maneira mais profundamente indissolúvel. A sua pertença recíproca é a representação real, mediante o sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja.”[1]
Desta forma, unidade e indissolubilidade andam juntas: o matrimônio é realizado entre um homem e uma mulher, para juntos construírem sua família, permanecendo unidos até a morte. “Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não separe o homem”[2]
 “O homem e a mulher, unidos em matrimónio, refletem a imagem de Deus e são, de algum modo, a revelação do Seu amor. Não só do amor que Deus nutre pelo ser humano, mas também da misteriosa comunhão que caracteriza a vida íntima das três Pessoas divinas.”[3]
A terceira pergunta: “Prometem ser fiéis, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se por todos os dias das suas vidas?”, corresponde à exigência da FIDELIDADE.
A unidade e indissolubilidade do matrimônio exigem dos cônjuges uma fidelidade inviolável. Esta fidelidade também se fundamenta no amor de Cristo pela Igreja, que é absolutamente fiel e que chegou a dar a própria vida para a salvação da Igreja.
A fidelidade abrange muito mais do que simplesmente não sair com outra pessoa, pois a traição propriamente dita é o ápice da infidelidade, mas existem várias outras formas de infidelidade dentro do casamento, as quais é preciso conhecer e se prevenir.
“A fidelidade é a permanência ou conservação pura, viçosa e criadora do primeiro amor, quer dizer, quando o amor que juraram se mantém puro, viçoso e criativo através das provas do tempo.”[4]
Para se manter fiel, o casal deve se preocupar em conservar o primeiro amor, aquele amor que os uniu, sempre puro, viçoso e criador. Esta fidelidade muitas vezes custa muito sacrifício, mas é um sacrifício extremamente necessário para a felicidade da família.
O amor se mantem puro quando vence todo o egoismo que instrumentaliza o outro e também quando afasta todos os outros “amores” que o afasta do outro. Esses outros “amores” podem ser o trabalho, as amizades, as convicções políticas ou religiosas, os próprios pais ou parentes, as preferências de lazer, etc. Tudo aquilo que não pode ser integrado, que não pode conviver com o cônjuge, deve ser repelido.
Não se deve brincar com fogo, nem “baixar a guarda”. O casal sempre deve estar alerta para não deixar que nada e ninguém os separe interiormente de seu cônjuge, pois já seria uma infidelidade.
O amor permanece viçoso, saudável, forte, quando os cônjuges se preocupam em não deixar que a rotina os sufoque, que o amor se transforme em tolerância ou compaixão. Estão sempre dispostos a conhecer cada dia mais o outro, interessar-se pelo que o outro faz e pensa, suas preocupações e anseios.
Os casais devem cuidar de seu amor como se cuida de um jardim: regá-lo com o carinho, realizar as podas necessárias através de um diálogo cordial, colocar adubo da compreensão e do interesse,  e ter paciência com as limitações e frustrações para ver a sua florescência colher seus frutos de uma vida conjugal feliz.
A fidelidade consiste ainda em cuidar que o amor conjugal seja um amor criador, no sentido de que cada cônjuge se preocupe em melhorar sempre, em se aperfeiçoar para o bem do outro. Toda vez que a pessoa procura se apresentar melhor, ser mais educado com alguém de fora, com o chefe ou com os amigos, está cometendo uma infidelidade. O melhor sempre deve  ser para o cônjuge.
Significa ainda procurar criar um ambiente no lar que seja agradável ao outro, buscando tornar-se sempre mais interessante ao outro, mais delicado, mais oportuno, enriquecendo o diálogo, vencendo a tentação do amor que atua por dever.



[1] Exortação Apostólica de João Paulo II – A missão da Família Cristã no mundo de hoje – item 13
[2] Cf  Mt 19,6
[3] Beato João Paulo II, Angelus de 06.02.1994, in www.evangelioquotidiano.org
[4] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pg. 73, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS