Já faz mais de 12 anos que eu escrevo para um site norteamericano pra mães católicas chamado CatholicMom.com. Escrevo em inglês e português. Eu gosto muito desse site porque lá tem de tudo, você pode chegar lá com qualquer tipo de questão, desde uma receita sem carne para sexta-feira, passando por dicas de desfralde ou o primeiro dia de aula, até questões complexas como o sentido da vida ou como lidar com os pais quando chegam a velhice, que você vai encontrar orientações, apoio e um estímulo para o amadurecimento como pessoa e como filho de Deus. Então mais uma vez fui até lá uma semana após meu filho mais velho ter se casado. O primeiro a sair de casa. Eu queria entender o que eu estava sentido, uma mistura de emoções, imensa felicidade, mas também um grande vazio, uma sensação de que eu estava perdendo alguma coisa. Tinha certeza de que encontraria palavras de encorajamento, talvez algum desabafo, alguém que pudesse me falar: está tudo bem.
Li dois artigos que me ajudaram muito. Vou colocar os links aqui, mas estes estão só em inglês para quem quiser conferir. O primeiro é antigo, de 2015, escrito pela Elena LaVictoire, onde ela relata exatamente como é ser a mãe do noivo. Eu me identifiquei com muito do que ela falou, apesar de que no meu caso eu participei um pouco mais ativamente dos preparativos para o grande dia e também ajudei a planejar a lua de mel. Mesmo assim, me senti um pouco deslocada, não consegui aproveitar a festa como eu esperava, é difícil colocar em palavras o que estava sentindo. Todo mundo comemorando, dando os parabéns, eu sorria, agradecia, mas não conseguia compartilhar daquela felicidade. Meu marido me olhava, perguntava se eu estava bem e depois me falava: “eu também não estou legal”. Até comentamos com a cerimonial da festa que ela teria que nos convidar para algum outro evento que estivesse servindo o mesmo buffet para a gente aproveitar, porque naquele dia não comemos praticamente nada das comidas maravilhosas que tão cuidadosamente escolhemos.
Eu gostaria de ter lido esse artigo antes do casamento. Primeiro porque achei lindo o momento da dança mãe-filho, que não é uma tradição aqui no Brasil. Seria um momento muito especial. Meu momento mãe-filho aconteceu alguns dias antes do casamento. Ele precisava comprar algumas roupas de frio para a lua-de-mel (eles foram para Bariloche na Argentina) e perguntou se eu gostaria de ir junto no shopping para comprar. Fazia já alguns anos que eu não comprava mais roupa para ele e compartilhar esse momento com ele foi uma grande alegria. Passeamos, comemos um lanche, conversamos bastante. Eu ficava olhando para ele, meu primogênito, e quase não podia acreditar que ele já estava saindo de casa para formar uma nova família. Foi uma tarde maravilhosa!
Em segundo lugar, porque eu poderia ter me preparado melhor emocionalmente para esses dias, eu fui pega de surpresa pelas emoções. Até uma semana antes do casamento, eu estava ótima. Foi só meu filho começar a levar as coisas dele para a casa nova, que tudo começou a mudar. Provavelmente por arrogância minha, eu sempre achei uma bobagem a história de sofrer com o “ninho vazio”. Na minha ignorância, como eu gosto muito de passar tempo a sós com meu marido, achei que seria ótimo quando os filhos saíssem de casa. Mas a realidade é outra.
É um ciclo que se fecha, uma nova família que nasce e um nascimento sempre mistura a dor e a alegria. A dor, nesse caso, é majoritariamente dos pais (meu marido também sofreu) e a alegria radiante é toda do filho e da nova filha que agora recebeu o nosso sobrenome e entrou para o nosso clã. Ver a felicidade deles foi um grande bálsamo para a nossa dor.
O outro artigo que me ajudou não dizia respeito especificamente ao casamento de um filho, mas uma mensagem que a Barb Szyszkiewicz compartilhou com as mães que estão se preparando para enviar seus filhos para a faculdade. Lá nos Estados Unidos eles saem muito cedo de casa, por volta dos 18 anos para cursar o college, que é um tipo de preparação para a universidade. Aqui no Brasil normalmente os filhos ficam em casa até se casarem ou se formarem e conseguirem um emprego. Durante a faculdade muitos deles continuam morando com os pais. E essa foi minha experiencia, meu filho morou comigo por 24 anos. E agora ele foi embora para construir uma família.
Aqui não teve tutorial para ensiná-lo a usar a máquina de lavar roupa, mas meu marido ensinou a limpar a calha do telhado, conversamos muito sobre a importância de ter um orçamento e ser fiel a ele e como ele devia se preocupar em deixar suas coisas arrumadas para não estressar a futura esposa. Nós, junto com alguns outros casais da nossa comunidade, fizemos uma preparação com 10 reuniões com temas relacionados ao matrimônio, focando a parte espiritual, do sacramento. Fizemos o nosso melhor para que ele estivesse preparado para essa nova fase da vida. Pensando em tudo isso, me senti acolhida com a mensagem da Barb: “vai ser estranho por um tempo, você vai sentir saudades dele, mas vai ficar tudo bem!”
Vai ficar tudo bem... E realmente ficou! Agora já se passaram alguns meses do casamento e voltamos a nossa rotina. Precisei aprender a fazer menos quantidade de comida (demorou um pouco, mas consegui), também é menos roupa para lavar, então tem algumas vantagens de o filho sair de casa. A primeira vez que eles vieram nos visitar depois da lua-de-mel eles tocaram a campainha! Agora são visitas...

