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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

SEJA PARCEIRA DO ANJO DA GUARA DO SEU FILHO



Os anjos são criaturas muito poderosas que veem Deus face a face. Em todas as vezes que eles aparecem na Bíblia, causam espanto e admiração. Eles são mensageiros que levam nossas orações aos Céus e também trazem inspirações da parte de Deus. Eles intercedem por nós e podemos pedir sempre sua proteção. 

O Catecismo da Igreja Católica (336) nos ensina que cada pessoa tem um anjo da guarda que nos acompanha desde a nossa concepção até a morte e tem como missão nos guardar, proteger, inspirar, e principalmente nos ajudar a um dia estarmos na glória dos Céus.

Eu comecei a ter devoção pelo meu anjo da guarda ainda nos anos da juventude, depois de ler um livro sobre o S. Pe. Pio, que recomendava a cada pessoa que desse missões para o seu próprio anjo da guarda, para não o deixar ocioso. Essas missões pode ser, por exemplo, conversar com o anjo de outra pessoa que precisamos falar algo difícil, que ele vá na frente e abra o caminho para nós. Ou ainda coisas práticas, como ajudar a encontrar uma vaga de estacionamento, ou ajudar que acordemos no horário. Ultimamente ele tem me ajudado muito a lembrar das coisas que esqueço.

Tenho muitas histórias para contar sobre o meu anjo, de como ele realmente se faz presente em minha vida. Uma delas é que no início do de outubro de 2014 estava internada com problemas pulmonares, ainda uma sequela do transplante de medula que havia feito em fevereiro daquele ano. Sou consagrada no Movimento Apostólico de Schoenstatt que no dia 18 de outubro de 2014, completaria 100 anos de fundação. Era um dia muito importante para mim e se não estivesse doente, estaria na Alemanha para as comemorações. Como não pude viajar, gostaria pelo menos de participar das comemorações no Santuário de Schoenstatt mais próximo. Os dias foram passando e não tinha previsão de alta. No dia 17, então liguei para a casa dos sacerdotes que atendiam ao hospital, para ver se no dia 18 pelo menos eu poderia receber a Sagrada Eucaristia.

Fiquei muito triste quando o secretário avisou que a procura por sacerdotes estava muito grande naquele fim de semana e eles só estavam atendendo a hospitais se fosse caso muito grave, de risco de morte. Desliguei o telefone e imediatamente reclamei com meu anjo da guarda. Falei para ele que ele sabia o quanto era importante para mim aquele dia e que nem a eucaristia eu poderia receber. No outro dia, recebi um telefonema logo cedo. Era o secretário dos padres que me disse exatamente assim: “Seu anjo da guarda deve ser muito poderoso. Recebemos um chamado urgente do hospital onde você está para atender uma pessoa que está na UTI. E já que o sacerdote vai até aí, ele também poderá levar a comunhão para você”.

Fiquei muito emocionada e agradeci imensamente ao meu querido anjo da guarda. E as boas notícias continuaram: um pouco mais tarde o médico passou no quarto e disse que eu tive uma melhora inesperada e que naquele dia ainda eu poderia voltar para casa! Mais agradecimentos ao meu santo anjo que ainda me proporcionou esta alegria de poder voltar para casa depois de mais de 10 dias no hospital. 

Quando meu filho mais velho entrou na adolescência, pensei em entrar em contato também com o anjo da guarda dele e dos outros filhos. Pedi que eles me contassem sempre que algum dos filhos estivesse com alguma questão que eu precisasse saber e intervir. Eles sempre me atenderam. Certa vez meu filho mais velho começou a sair com uma menina sem que soubéssemos. Mais uma vez o anjo dele entrou em ação e eu tive a intuição de perguntar. Falei para ele: “Sei que você tem que me contar algo porque seu anjo me avisou”. Na hora ele reclamou, falou que o anjo dele era um dedo-duro e me contou o que estava acontecendo. Eu expliquei que o anjo dele só quer o bem dele, que o ama com amor infinito e quer que um dia ele esteja no Paraíso, por isso ele me contava as coisas que eu precisava saber para ajudá-lo. 

Meus filhos aprenderam a desenvolver um profundo relacionamento com o anjo da guarda deles, mesmo sabendo que eventualmente eu possa descobrir algo que eles não quisessem me contar. Eles já experimentaram o poder protetor dos seus anjos e como eles podem ajudar no crescimento espiritual e na vida prática. Quando os dois mais velhos estavam preocupados em encontrar uma boa pessoa para se casar, pediram ao anjo da guarda que fosse falar com o anjo dessa pessoa que já estava nos planos de Deus para eles e que providenciasse o encontro entre eles. O mais velho se casou esse ano e a filha já planeja o casamento para 2028...

Então, faça essa parceria com o anjo da guarda de seu filho. Ele o ama até mais que você, pois seu filho foi dado a ele por Deus, para que o ajude no caminho para a verdadeira felicidade. A missão dele é que seu filho seja santo e ame a Deus sobre todas as coisas. E, claro, dê muitas missões ao seu próprio anjo... Ele certamente irá ajudar você nessa árdua missão de ser mãe. 


quarta-feira, 24 de agosto de 2022

MEIA IDADE – MUITO MAIS QUE UMA CRISE

 

Esse artigo foi escrito pela minha amiga Sarah Damm, que com muita generosidade permitiu que eu traduzisse e publicasse aqui. Se desejar, pode ver o post original em: https://blessedisshe.net/blog/midlife-more-crisis/

Era o meu 46º aniversário. Não havia muita festa, porque era uma quarta-feira. E os aniversários no meio da semana podem ser difíceis de fazer numa família ocupada de oito pessoas, com atividades escolares, esportivas e de grupos de jovens. Eu sabia que iríamos comemorar no fim de semana que se aproximava, e eu realmente estava bem com isso.

Então, por que me senti tão triste ao me arrastar para a cama?

Sentir-me melancólica por causa do meu aniversário me fez dar uma volta. Sempre gostei do meu aniversário, e a idade nunca me incomodou. Entrei na casa dos 30 e 40 anos sem nenhum desejo de ser mais jovem do que eu era. E, de fato, tive a tendência de olhar para o ano que se aproximava - mais velho (e esperançosamente mais sábio) - com contentamento.

O que fez com que fazer 46 anos fosse tão diferente? Por que "senti" minha idade de uma maneira que realmente me fez sentir velha? E o que me fez sentir uma tristeza pela vida que eu não tinha sentido antes?

Entrando na meia-idade

Durante os meses seguintes, meu marido e eu tivemos várias conversas sobre as mudanças que estávamos vivendo em nossas próprias vidas, em nosso casamento e em nossa família. Ambos nos sentimos um pouco trêmulos e incertos, como se de repente nossas vidas se sentissem estranhas para nós. Percebemos que o que costumava funcionar não funcionava mais. Nossos ritmos e rotinas normais não mais se sentiam suaves. Ao invés disso, estávamos dando choques na estrada e caindo em alguns buracos bem largos.

Além disso, nossa comunicação estava se tornando irregular e não intencional. E estávamos perdendo oportunidades de crescer juntos nesta nova estação da vida.

Embora não tivéssemos muitas respostas, nós nos rendemos ao fato de termos entrado na meia-idade.

E nos perguntamos: e agora?

Mais para a meia-idade do que uma crise

Fazendo uma simples busca na Internet, a terminologia mais comum em torno da estação de meia-idade é "crise".

Isso não é horrível? E desanimador? Por que esta estação da vida (e não outras) tem que ser referida como uma crise? E a crise é inevitável?

Talvez a meia-idade seja descrita como uma crise porque parece que vem do nada. Um dia, a vida continua como tem sido nos últimos 20 anos. E no dia seguinte, a vida parece muito diferente.

A mudança, no entanto, acontece com o tempo. Mas a agitação da vida nos distrai das mudanças que estão ocorrendo.

Eu pessoalmente noto mudanças de meia-idade em três áreas da minha vida:

1.Maternidade

2.Casamento

3.Missão

Maternidade

À medida que meus filhos terminam o ensino médio e entram na vida adulta, meus filhos em idade escolar estão cada vez mais ocupados com a escola, amigos e empregos de meio período. Todos eles ainda precisam de mim, mas essa necessidade é diferente e certamente mais infrequente. E embora eu ainda seja chamada para estar disponível, também tenho mais tempo em minhas mãos. O tempo que costumava ser preenchido com tanta facilidade agora está pronto para algo... Mas o quê?

Casamento

Olho para meu marido do outro lado da mesa e não consigo me lembrar da última vez que tivemos uma conversa profunda sobre algo que não fossem crianças, horários e finanças. Quem é este homem bom e piedoso? Quero me reencontrar com ele, mas não sei como. Parece que há muito a dizer e não há tempo suficiente para dizer tudo.

Missão

E depois há os objetivos que ainda não foram atingidos. O livro que eu não escrevi. Os lugares que ainda não visitei. Será que eles continuarão sonhos? Chegou a hora de sonhar de novo? Qual é o chamado de Deus para mim? E algo me impede de cumpri-lo?

Da crise ao dom

Enfrentar oportunidades para me redescobrir, me reencontrar com meu marido e redefinir minha maternidade é ao mesmo tempo emocionante e avassalador.

Mas por onde eu começo? Como isso vai funcionar?

Recentemente, fui lembrada que a aridez na oração é simplesmente a maneira de Deus preparar a alma para uma experiência mais profunda dEle. Como um fazendeiro cultiva o solo antes de plantar uma nova cultura, o Senhor limpa a paisagem de nossos corações antes de começar um novo trabalho em nós. Da mesma forma, Deus usa a aridez na oração para aumentar nossa consciência sobre Ele ou reacender nosso desejo por Ele. Naquele terreno recém lavrado, podemos não ver muito desenvolvimento, mas o trabalho oculto do agricultor é vital para o crescimento da nova safra.

Da mesma forma, a meia-idade pode parecer um deserto ou um lote de terra recém-lavrado, mas essa secura ou vazio é simplesmente a maneira de Deus nos preparar para algo mais. Ele está nos convidando a prestar atenção a quem Ele é e o que Ele está fazendo. Ele está nos mostrando que Ele é a resposta às nossas perguntas, e que nossas necessidades e desejos serão atendidos Nele.

Esta perspectiva nos permite perceber a meia-idade não como uma crise, mas como um presente.

Lemos em Eclesiastes 3,1: “"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu". Diz ainda que Deus "fez tudo bonito em seu tempo".

Isto confirma que a meia-idade não é uma crise. Ao contrário, é um tempo e uma coisa debaixo do céu. É uma estação intencional para entrar "para um tempo como este" (ver Ester 4:14). E se torna o catalisador para Deus cultivar nossos corações para algo novo.

Você não percebe isso?

Como fazemos a mudança da crise para o dom? Como reconhecemos a beleza desta estação?

Aqui estão quatro maneiras de aprender a abraçar a meia-idade como um dom e reconhecer as bênçãos ao longo do caminho.

1. Rezar com a Escritura

Além das Escrituras citadas acima, aqui estão alguns versículos a serem levados à oração durante esta estação da vida.

"O deserto e a terra árida se regozijarão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. "Isaías 35,1-2

"Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe." Isaías 43,18-19

"Estou persuadido de que aquele que iniciou em vós esta obra excelente lhe dará o acabamento até o dia de Jesus Cristo." Filipenses 1,6

2. Prestem atenção

Enquanto estamos destinados a estar presentes a nosso momento de meia-idade, é também um momento para observar onde estivemos e contemplar a direção que estamos seguindo.

* Seja grato pelo passado.

* Reconcilie feridas que eu infligi ou recebi.

* Convide o Senhor a escrever certo por linhas tortas.

* Fique quieto e saiba que Ele é Deus (ver Salmo 46:10).

* Espere no Senhor, mesmo que eu ainda não consiga ver o que Ele está fazendo.

Renovar Sua Vocação

Embora a vida não seja mais o que costumava ser, Deus nos convida a recuperar nossa identidade Nele e descobrir novas maneiras de viver isso.

       - Esteja atenta a novas maneiras de amar e apoiar o filhos adultos.

       - Com relação ao tempo, concentre-se na qualidade sobre a quantidade. 

       - Peça ao marido que vá dar uma caminhada.

       - Escreva-lhe um bilhete de amor

      -  Inscreva-se para um retiro silencioso.

       - Acomode-se em uma oração mais silenciosa e contemplativa.

Vamos caminhar juntos

Sinto-me encorajada a não me acanhar de falar da meia-idade. Pode ser estranho e cru, porque é uma estação tão nova para mim. Eu não tenho nada descoberto, mas estou aprendendo à medida que vou caminhando. E podemos caminhar juntos, lado a lado, com o Senhor como nosso guia, conduzindo-nos através do dom que é a estação da meia-idade.

 

 


terça-feira, 15 de novembro de 2016

É POSSÍVEL UMA MÃE MEDITAR?

Vivemos num mundo muito agitado, com muitas coisas pedindo nossa atenção: marido, filhos, casa, talvez ainda o trabalho fora e os compromissos com o apostolado. Assim, não devemos estranhar que surja em nós um desejo por paz e tranquilidade. Mas será que isso é possível na vida de uma mãe muito ocupada?

Precisamos de um tempo para nos encontrar conosco mesmas e nos confrontar com aquilo que dá o sentido verdadeiro a nossa existência e que nos conduzam a um contato mais profundo com Deus. E é aqui que entra a prática da meditação.

A meditação, nos moldes ensinados pelo Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, a chamada “meditação da vida diária”, vem responder a esse anseio e essa necessidade. Sua preocupação constante era conduzir o ser humano atual até um encontro com o Deus vivo através das criaturas e das circunstâncias concretas que o rodeiam.

Precisamos cultivar nossa vida interior, nossa dimensão sobrenatural, pois não devemos cuidar apenas do nosso corpo e da nossa mente, mas nosso espírito também precisa ser devidamente nutrido, caso contrário, corremos o risco de perder a vitalidade da nossa fé. A fé só se mantem e se alimenta através do contato íntimo e pessoal com o Senhor.

Pe. Kentenich ensina um método de meditação especialmente apto para as pessoas que estão chamadas a encontrar a Deus no meio do mundo, através das criaturas, e nós, mães, estamos incluídas neste grupo. Ou seja, um método para quem não pode nem deve abandonar as realidades desse mundo: sua família, seu cônjuge, seus filhos, seus negócios e tudo o que isso implica, para se retirar e contemplar a Deus na solidão.

Esse tipo de meditação não é um aprofundamento intelectual das verdades da fé, mas sim encontrar com Deus na nossa vida, perceber onde e como ele se comunica conosco em nosso dia a dia. Ao percebemos o quanto Deus se esforça para se fazer presente na nossa vida, o quanto ele cuida, com muito amor de cada uma de nós, nosso amor por ele cresce e dá frutos. Assim, o objetivo da meditação não é conhecer mais, mas AMAR mais.

O primeiro passo para colocar a meditação na prática é decidir que meditar é importante, e dedicar alguns minutos do dia para isso. Pode ser, no início de 10 a 15 minutos. Podemos começar fazendo uma vez por semana, e depois, gradativamente, aumentando a frequência.

Escolhemos um lugar adequado, onde não seremos interrompidos. Sei que isso pode ser especialmente difícil se temos crianças muito pequenas em casa, mas usando a criatividade e quem sabe até a ajuda de nosso esposo, conseguiremos encontrar um momento e um local apropriado. É bom ter um caderno pessoal para anotar as inspirações que a meditação pode trazer. De preferência, com alguma cruz ou imagem que nos remeta à realidade sobrenatural. Fechar um pouco os olhos, respirar calmamente e nos colocar na presença de Deus, então fazemos uma oração implorando as luzes do Espírito Santo.

Em seguida, escolher sobre o que se vai meditar. Se ainda somos iniciantes nessa prática, é mais fácil escolher um passagem bíblica ou um trecho de uma oração. Depois, com a prática, pode ser um acontecimento da vida (uma situação concreta de nossa vida), que é efetivamente a meditação da vida diária proposta pelo Pe. Kentenich.

Não é necessário que em cada meditação escolhamos um tema diferente, podemos por várias vezes meditar sobre a mesma coisa, pois encontramos algo que captou nosso coração, que nos une a Deus de forma especial. O objetivo é precisamente este: repousar no amor de Deus, crescer nesse amor, expressar nossa entrega, nossa disposição de segui-lo ou nossa vontade de abraçar a cruz que nos presenteia.

O Pe. Kentenich propõe três perguntas que constituem uma excelente ajuda para desenvolver esse encontro com o Senhor:
1.     O que Deus quer me dizer com isso? (através desse texto ou desse fato ou circunstância)
2.     O que digo a mim mesmo?
3.     O que respondo a Deus?

A pergunta mais importante é esta última. É nela que entramos na oração meditativa. Quando falamos de resposta, não significa uma ação ou propósito, mas de uma resposta “de amor”, uma resposta do coração, falando pessoalmente com o Senhor. Expressamos nosso amor de gratidão, de arrependimento, de pedido. Terminamos a meditação com uma oração de ação de graças. É conveniente anotar no caderno pessoal sobre o que meditamos e o que foi mais importante para nós na meditação.


Além de agradecer ao Senhor e a Nossa Senhora pela meditação (ou pedir perdão se não a realizamos bem), as vezes podemos concluir com alguma intenção ou propósito que venha ao encontro do que meditamos. Assim, pouco a pouco, com a dedicação de alguns momentos por dia para meditar, vamos aumentando nosso amor e nossa vinculação ao nosso Pai do Céu que nos ama com amor infinito.

photo credit: sicknotepix <a href="http://www.flickr.com/photos/128658155@N08/20163424394">Mirka</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O PAPEL DO PAI E DA MÃE


Numa cultura em cada vez mais os papeis do homem e da mulher estão confusos, é importante ressaltar que o ser masculino e o ser feminino são diferentes e complementares e para uma educação saudável e equilibrada, a criança precisa experimentar a influência dessas duas maneiras de ser, a masculina e a feminina, o paternal e o maternal. 

O Catecismo da Igreja Católica nos diz que devemos complementar um ao outro não apenas sexualmente, mas também como auxiliares um do outro, pois homem e mulher foram “feitos um para o outro” e “como esposos e pais cooperam de forma única na obra do criador”.

Quando uma criança cai e rala o joelho, geralmente ela vai correr para sua mãe, antes de correr para o seu pai. Isso não é uma ofensa para o seu pai; simplesmente significa que intuitivamente ela reconhece sua mãe como sendo a mais cuidadosa dos dois. Em geral, as mães são aquelas que aconchegam, abraçam e agradam. Olhem para o valor simbólico do corpo da mulher. Seus órgãos sexuais primários mostram uma forte abertura, sinalizando uma grande receptividade, ou seja, a habilidade e a necessidade de receber. Seus órgãos sexuais secundários, simbolizam a doação de si mesma. A característica espiritual da alma da mulher é uma pronunciada doação de si mesma, formando assim uma necessidade dentro dela de dar a si mesma e receber de outros.

Em virtude de suas qualidades inerentes, a mulher realiza três tarefas principais. Primeira, é ela quem dá e protege a vida. Ela cuida daquela vida antes e depois do nascimento da criança de uma maneira muito íntima e continua a desenvolver a vida através do serviço para sua família. Segundo, ela desenvolve a vida emocional e intelectual. A mãe desperta a criança para o mundo a seu redor é a principal influência para a socialização da criança no início de sua vida. Através da mãe, a criança aprende como se relacionar com outras pessoas, apesar disso ser verdade também para o relacionamento com o pai. A mãe ajuda a criança a combinar as ideias com a vida e ensina a criança sobre o amor, lealdade, preocupação, consideração, serviço e dedicação através de sua orientação e por ela assumir essas características em si mesma. Terceiro, ela tende a ser a principal influência religiosa no lar. A mãe geralmente lidera na criação de uma atmosfera religiosa em seu lar e no fornecimento de experiências religiosas tangíveis para a família. Em geral, é a mãe quem nutre os costumes religiosos no lar e inicia as práticas religiosas.

De outro lado, sempre que a criança tem o anseio de fazer alguma aventura, ela geralmente se dirige a seu pai. Os pais são destemidos, estimulam a criança a desafiar o perigo, a não temerem o mundo, mas sim desbravá-lo. Os órgãos sexuais masculinos são para fora do seu corpo, mostrando essa tendência de sair para o mundo. Homens são os conquistadores, os provedores, os protetores. Eles oferecem segurança e força. Sua maior recompensa é saber que sua esposa e seus filhos estão bem cuidados.

Em virtude disso, o pai é a autoridade fundamental da família. Como tal, ele é chamado a ser um reflexo de Deus Pai para seus filhos. As palavras de Jesus “Sejam perfeitos, como é perfeito o Pai de vocês que está no céu” (Mt 5,48) se aplicam aos pais de uma forma muito especial. Sem a experiência de um pai amoroso em nível humano, as crianças podem ter uma dificuldade muito grande de ter um relacionamento amoroso com Deus Pai quando forem adultos. O maior apostolado que um homem pode fazer como homem e como pai é mostrar Deus para seus filhos.

Os pais devem ser bons para seus filhos mesmo se seus filhos não são bons com eles, para refletirem a bondade e misericórdia de Deus Pai. Lembrem da história do filho pródigo: mesmo tendo errado, o pai recebeu o filho de braços abertos. Isso não significa que os pais (nem as mães) devem aceitar desrespeito ou mal comportamento de seus filhos. Significa que o pai carrega sua família em seu coração e age sempre com a máxima benevolência com ela enquanto guia seus filhos pelo caminho do bem.

Para reflexão:
1. De que maneiras você demonstra a paternidade/maternidade para seus filhos?
2. Como vocês podem ajudar um ao outro a ser mais paterno ou materno?
3. O pai é a autoridade fundamental em sua família? Se não é, como vocês podem trabalhar juntos para assegurar que ele seja, ao mesmo tempo mantendo o papel da mãe como uma autoridade de apoio?

* as reflexões de hoje foram inspiradas no livro "Strenghtening your family", de Marge Fenelon.
photo credit: MjZ Photography <a href="http://www.flickr.com/photos/51590961@N04/14901744905">Family</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>