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quarta-feira, 24 de agosto de 2022

MEIA IDADE – MUITO MAIS QUE UMA CRISE

 

Esse artigo foi escrito pela minha amiga Sarah Damm, que com muita generosidade permitiu que eu traduzisse e publicasse aqui. Se desejar, pode ver o post original em: https://blessedisshe.net/blog/midlife-more-crisis/

Era o meu 46º aniversário. Não havia muita festa, porque era uma quarta-feira. E os aniversários no meio da semana podem ser difíceis de fazer numa família ocupada de oito pessoas, com atividades escolares, esportivas e de grupos de jovens. Eu sabia que iríamos comemorar no fim de semana que se aproximava, e eu realmente estava bem com isso.

Então, por que me senti tão triste ao me arrastar para a cama?

Sentir-me melancólica por causa do meu aniversário me fez dar uma volta. Sempre gostei do meu aniversário, e a idade nunca me incomodou. Entrei na casa dos 30 e 40 anos sem nenhum desejo de ser mais jovem do que eu era. E, de fato, tive a tendência de olhar para o ano que se aproximava - mais velho (e esperançosamente mais sábio) - com contentamento.

O que fez com que fazer 46 anos fosse tão diferente? Por que "senti" minha idade de uma maneira que realmente me fez sentir velha? E o que me fez sentir uma tristeza pela vida que eu não tinha sentido antes?

Entrando na meia-idade

Durante os meses seguintes, meu marido e eu tivemos várias conversas sobre as mudanças que estávamos vivendo em nossas próprias vidas, em nosso casamento e em nossa família. Ambos nos sentimos um pouco trêmulos e incertos, como se de repente nossas vidas se sentissem estranhas para nós. Percebemos que o que costumava funcionar não funcionava mais. Nossos ritmos e rotinas normais não mais se sentiam suaves. Ao invés disso, estávamos dando choques na estrada e caindo em alguns buracos bem largos.

Além disso, nossa comunicação estava se tornando irregular e não intencional. E estávamos perdendo oportunidades de crescer juntos nesta nova estação da vida.

Embora não tivéssemos muitas respostas, nós nos rendemos ao fato de termos entrado na meia-idade.

E nos perguntamos: e agora?

Mais para a meia-idade do que uma crise

Fazendo uma simples busca na Internet, a terminologia mais comum em torno da estação de meia-idade é "crise".

Isso não é horrível? E desanimador? Por que esta estação da vida (e não outras) tem que ser referida como uma crise? E a crise é inevitável?

Talvez a meia-idade seja descrita como uma crise porque parece que vem do nada. Um dia, a vida continua como tem sido nos últimos 20 anos. E no dia seguinte, a vida parece muito diferente.

A mudança, no entanto, acontece com o tempo. Mas a agitação da vida nos distrai das mudanças que estão ocorrendo.

Eu pessoalmente noto mudanças de meia-idade em três áreas da minha vida:

1.Maternidade

2.Casamento

3.Missão

Maternidade

À medida que meus filhos terminam o ensino médio e entram na vida adulta, meus filhos em idade escolar estão cada vez mais ocupados com a escola, amigos e empregos de meio período. Todos eles ainda precisam de mim, mas essa necessidade é diferente e certamente mais infrequente. E embora eu ainda seja chamada para estar disponível, também tenho mais tempo em minhas mãos. O tempo que costumava ser preenchido com tanta facilidade agora está pronto para algo... Mas o quê?

Casamento

Olho para meu marido do outro lado da mesa e não consigo me lembrar da última vez que tivemos uma conversa profunda sobre algo que não fossem crianças, horários e finanças. Quem é este homem bom e piedoso? Quero me reencontrar com ele, mas não sei como. Parece que há muito a dizer e não há tempo suficiente para dizer tudo.

Missão

E depois há os objetivos que ainda não foram atingidos. O livro que eu não escrevi. Os lugares que ainda não visitei. Será que eles continuarão sonhos? Chegou a hora de sonhar de novo? Qual é o chamado de Deus para mim? E algo me impede de cumpri-lo?

Da crise ao dom

Enfrentar oportunidades para me redescobrir, me reencontrar com meu marido e redefinir minha maternidade é ao mesmo tempo emocionante e avassalador.

Mas por onde eu começo? Como isso vai funcionar?

Recentemente, fui lembrada que a aridez na oração é simplesmente a maneira de Deus preparar a alma para uma experiência mais profunda dEle. Como um fazendeiro cultiva o solo antes de plantar uma nova cultura, o Senhor limpa a paisagem de nossos corações antes de começar um novo trabalho em nós. Da mesma forma, Deus usa a aridez na oração para aumentar nossa consciência sobre Ele ou reacender nosso desejo por Ele. Naquele terreno recém lavrado, podemos não ver muito desenvolvimento, mas o trabalho oculto do agricultor é vital para o crescimento da nova safra.

Da mesma forma, a meia-idade pode parecer um deserto ou um lote de terra recém-lavrado, mas essa secura ou vazio é simplesmente a maneira de Deus nos preparar para algo mais. Ele está nos convidando a prestar atenção a quem Ele é e o que Ele está fazendo. Ele está nos mostrando que Ele é a resposta às nossas perguntas, e que nossas necessidades e desejos serão atendidos Nele.

Esta perspectiva nos permite perceber a meia-idade não como uma crise, mas como um presente.

Lemos em Eclesiastes 3,1: “"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu". Diz ainda que Deus "fez tudo bonito em seu tempo".

Isto confirma que a meia-idade não é uma crise. Ao contrário, é um tempo e uma coisa debaixo do céu. É uma estação intencional para entrar "para um tempo como este" (ver Ester 4:14). E se torna o catalisador para Deus cultivar nossos corações para algo novo.

Você não percebe isso?

Como fazemos a mudança da crise para o dom? Como reconhecemos a beleza desta estação?

Aqui estão quatro maneiras de aprender a abraçar a meia-idade como um dom e reconhecer as bênçãos ao longo do caminho.

1. Rezar com a Escritura

Além das Escrituras citadas acima, aqui estão alguns versículos a serem levados à oração durante esta estação da vida.

"O deserto e a terra árida se regozijarão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. "Isaías 35,1-2

"Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe." Isaías 43,18-19

"Estou persuadido de que aquele que iniciou em vós esta obra excelente lhe dará o acabamento até o dia de Jesus Cristo." Filipenses 1,6

2. Prestem atenção

Enquanto estamos destinados a estar presentes a nosso momento de meia-idade, é também um momento para observar onde estivemos e contemplar a direção que estamos seguindo.

* Seja grato pelo passado.

* Reconcilie feridas que eu infligi ou recebi.

* Convide o Senhor a escrever certo por linhas tortas.

* Fique quieto e saiba que Ele é Deus (ver Salmo 46:10).

* Espere no Senhor, mesmo que eu ainda não consiga ver o que Ele está fazendo.

Renovar Sua Vocação

Embora a vida não seja mais o que costumava ser, Deus nos convida a recuperar nossa identidade Nele e descobrir novas maneiras de viver isso.

       - Esteja atenta a novas maneiras de amar e apoiar o filhos adultos.

       - Com relação ao tempo, concentre-se na qualidade sobre a quantidade. 

       - Peça ao marido que vá dar uma caminhada.

       - Escreva-lhe um bilhete de amor

      -  Inscreva-se para um retiro silencioso.

       - Acomode-se em uma oração mais silenciosa e contemplativa.

Vamos caminhar juntos

Sinto-me encorajada a não me acanhar de falar da meia-idade. Pode ser estranho e cru, porque é uma estação tão nova para mim. Eu não tenho nada descoberto, mas estou aprendendo à medida que vou caminhando. E podemos caminhar juntos, lado a lado, com o Senhor como nosso guia, conduzindo-nos através do dom que é a estação da meia-idade.

 

 


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

DEUS NÃO É COMUNISTA!

O comunismo é uma ideologia que propõe a abolição de toda e qualquer diferença entre os indivíduos para se chegar em uma total igualdade, pois seus defensores acreditam que toda a desigualdade gera conflitos. Assim, numa sociedade comunista, tudo seria de todos, sem propriedade privada, sem classes sociais e nem diferença entre as pessoas. Para eles, numa sociedade assim, não haveria motivo para a inveja, que é a causa de muitos conflitos.

Porém, essa ideologia confronta diretamente com a natureza humana, com a forma pela qual fomos criados. Cada um de nós é um ser único e irrepetível, com um DNA exclusivo, com suas características físicas e psicológicas, sua história, sua educação, assim ninguém é igual a ninguém e forçar uma igualdade, ao contrário de ajudar a sociedade, vai apenas empobrecê-la em todos os sentidos.

Certa vez, Santa Terezinha do Menino Jesus, se perguntava o porquê somos tão diferentes, qual a razão de Deus dar mais graças e dons para uns e não para outros. Então, em sonho, viu um lindo jardim, com suas diferentes flores, frutos, cores, perfumes, com a grama, as pequenas ervas, enfim, todos os pequenos detalhes da natureza. E compreendeu que se só houvesse rosas ou lírios, não haveria tanto encanto; que é o conjunto da criação, com os pequenos e os grandes, os fortes e os fracos, que formam essa beleza exuberante.

Assim, cada um de nós foi criado com amor infinito para cumprir uma determinada missão. Alguns tem uma incumbência mais nobre, como seria a da rosa, outros tem uma missão mais simples como a da grama; outros ainda podem ter a responsabilidade do esterco, que mesmo sendo desprovido de beleza e odor agradável, tem um papel essencial para a fecundidade de todo o jardim.

O importante é cada um de nós descobrir essa missão e se esforçar por realiza-la, sem se preocupar com o que a outra pessoa é chamada a fazer, inexistindo qualquer razão para invejar os dons do outro, já que as responsabilidades do outro também são diferentes.

Ademais, fomos criados à imagem e semelhança de Deus, então tudo o que é bom, belo e verdadeiro em cada um de nós é reflexo da Beleza, Bondade e Verdade de Deus. Por nós mesmos, somos apenas pó. Então, quando vemos em alguém algo de bom, belo e verdadeiro, na verdade, estamos enxergando os traços divinos naquela pessoa. Nossa atitude deve ser admiração e de agradecimento, pois é uma forma de Deus se revelar a nós, através das “causas segundas” que são todas as coisas criadas.

São Pio de Pietrelcina nos ensina: "Nunca devemos nos orgulhar de um Bem que reconheçamos em nós mesmos. Tudo nos vem de Deus e só a Ele devemos dar honra e glória, sem esperarmos coisa alguma além da recompensa pelo Bem que descobrimos em nós."

A inveja pode ser definida como um desgosto, uma tristeza provocada pela felicidade ou prosperidade de outra pessoa. Se começarmos a ver nos bens e dons do outro, reflexos de Deus, não há espaço para sentirmos inveja. Afinal, aquilo que ele possui, na verdade, não é dele, vem de Deus. E se Deus permitiu que ele gozasse dessas coisas (tanto materiais como espirituais) é porque essa pessoa precisa disso para cumprir sua missão.

Isso não significa que eu não deva me esforçar para ser uma pessoa melhor, para ter mais virtudes ou até mais bens materiais, pois temos a responsabilidade de desenvolver todos os talentos que Deus nos deu. Mas devo fazer isso no meu ritmo, na minha realidade, sem angústia ou tristeza se não consigo tudo o que desejo na hora em que desejo ou se olho ao redor e vejo outras pessoas que já possuem aquilo que almejo.

Não devemos buscar a igualdade em tudo. Cada um tem a sua originalidade, o seu potencial que deve ser desenvolvido e sem o qual a obra da criação ficará imperfeita. Alegremo-nos com as nossas diferenças e agradeçamos pelas graças e dons recebidos pelos outros, pois é uma forma de Deus se comunicar conosco, mostrando toda a sua generosidade e sabedoria na distribuição de suas maravilhas.

photo credit: Onasill ~ Bill <a href="http://www.flickr.com/photos/7156765@N05/50145458361">Toronto Ontario ~ Canada ~ Edwards Gardens ~ Botanical Garden - Heritage</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>