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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A MISSÃO DO HOMEM

O Padre José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, indica como ideal e missão do homem a expressão em latim “Puer et Pater”, que significa ser filho e ser pai. Ser filho perante Deus e pai diante dos outros, para os outros.[1]
Muito da crise que é vivenciada nos tempos modernos se deve à renúncia por parte do homem de se colocar como filho diante de Deus. Busca a sua própria independência, sente-se autônomo, que não precisa de Deus para atingir seus objetivos. Essa atitude, ao contrário de alcançar a sua plena realização, leva o homem a angustiar-se e a ficar estressado, pois corta a sua raiz, a sua origem, que é o próprio Deus.
“O coração do homem atual está inquieto, mais ainda, está angustiado, estressado, porque, à semelhança do filho pródigo da parábola do Evangelho, abandonou a casa do Pai. Nessa parábola, Cristo descreve em forma clássica o drama de nossa cultura: Deixamos a casa do Pai, cortamos o cordão umbilical, o vínculo filial que nos une ao Pai, em busca do que cremos é nossa plena e "verdadeira" liberdade.”[2]
O homem, por mais que busque esta independência de Deus, é e sempre será uma criatura. Ele não gerou a si mesmo e também não consegue, sozinho, gerar outro ser humano. Pode até tentar muitas vezes, inclusive pela manipulação genética, mas uma vida humana só é criada quando Deus infunde nela sua alma imortal.
Assim, quanto mais se afasta de Deus, quanto mais nega a sua relação filial com seu Criador, mais se torna frágil e inseguro, ficando à mercê das tendências e ideologias que o mundo apresenta, caindo muitas vezes nos vícios e nos prazeres vazios que lhe são oferecidos.
Jesus veio ao mundo para mostrar a face de Deus como Pai, aquele que se preocupa individualmente com cada filho seu, que é objeto de seu amor infinito e de seu cuidado paternal. Ele ensina também que só entra no Reino do Céu quem se faz criança, quem se torna filho.
"Eu lhes asseguro que se não se tornarem como as crianças, não entrarão no Reino dos céus" [3]“porque quem não recebe o Reino dos céus como uma criança, não entrará nele "[4]

Para ser filho, o homem precisa se espelhar em Jesus Cristo e ver nele seu grande ideal, pois Jesus só fez o que agrada ao Pai. O filho confia que o Pai somente quer o seu bem, mesmo que permita dor e sofrimento. E em cada acontecimento de sua vida, precisa aprender a dizer: “Sim, Pai!”.
“Jesus Cristo é o Filho Unigênito e fiel do Pai, que sempre gira em torno de Deus Pai. Cristo em sua condição de Filho se entrega plenamente à vontade do Pai e experimenta assim, seu profundo arraigo e abandono confiando a si mesmo em Deus, seu Pai.Essa vivência de Jesus nos revela que a filialidade madura é a que experimenta, sobretudo, a misericórdia infinita de Deus Pai. Enraizar-nos em seu coração paternal é o que nos dá confiança e segurança, porém também é a entrega total a sua vontade e a seus desejos o que move a viver a obediência, a disponibilidade para o sacrifício e a entrega heroica.Só quem se sabe filho e se sente abrigado no coração de Deus Pai tem a força para sair vitorioso da vida. O homem que é filho em seu coração resiste com inteireza as dificuldades da vida.”[5]
Um caminho para chegar a esta atitude filial é através de uma vivência sadia da relação pai e filho no plano natural. Aquele que não sentiu e experimentou o que significa possuir um pai de verdade no plano natural, muito dificilmente conseguirá se portar como filho diante de Deus.
Portanto, é urgente também que o homem se torne verdadeiro pai. Pai para seus filhos biológicos, mas também pai para todos aqueles que conviverem com ele. A paternidade é o outro lado da moeda da filialidade. Só sabe ser pai, quem realmente se coloca como filho diante do Pai do Céu.

“Se a paternidade é o núcleo central do ser homem, a filialidade é sua raiz. Para poder se pai, primeiro precisa sentir-se profundamente filho.”[6]


photo credit: PakoGONZO <a href="http://www.flickr.com/photos/32381168@N03/28261164905">True love</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>



[1] Informação postada no site do Youtube, por lucasjs2, no vídeo  http://www.youtube.com/watch?v=hvggjVdOWXU
[2] Trecho extraído da matéria “O homem filial”, publicado no site http://www.maeperegrina.com.br/
[3] Mt 18,3
[4] Mc 10,14
[5] Trecho extraído da matéria intitulada “Puer et Pater”, publicada em  http://wikischoenstatt.org/Puer_et_Pater. Tradução livre da Autora.
[6] Trecho extraído da matéria intitulada “Puer et Pater”, publicada em  http://wikischoenstatt.org/Puer_et_Pater. Tradução livre da Autora.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A MISSÃO DA MULHER


“A mulher é toda alma, toda pureza e toda dedicação.” (Pe. Kentenich)

O ser feminino é voltado para o amor, para a receptividade à vida e o cultivo da vida, desta forma a mulher só poderá encontrar sua plena realização na medida em que cumpra sua missão de doar amor aos outros.

São João Paulo II nos diz: “A dignidade da mulher está intimamente ligada com o amor que ela recebe pelo próprio fato da sua feminilidade e também com o amor que ela, por sua vez, doa. Confirma-se assim a verdade sobre a pessoa e sobre o amor. Acerca da verdade da pessoa, deve-se uma vez mais recorrer ao Concílio Vaticano II: « O homem, a única criatura na terra que Deus quis por si mesma, não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesmo ». Isto se refere a todo homem, como pessoa criada à imagem de Deus, quer homem quer mulher. A afirmação de natureza ontológica aqui contida está a indicar também a dimensão ética da vocação da pessoa. A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros.”[1]

A vocação da mulher abrange mais especificamente o cuidado pelo homem, pela sua salvação. Toda mulher precisa adquirir esta consciência de que Deus lhe confiou de uma maneira especial o homem, para que ela o auxilie a permanecer firme no caminho que conduz novamente ao Pai, ao Paraíso e eterna felicidade.

O próprio Deus, ao se fazer homem, se confiou ao cuidado de uma mulher: Maria. Ela gerou Jesus em seu seio e o trouxe ao mundo para que ele cumprisse sua missão de Redentor do homem.

“A força moral da mulher, a sua força espiritual une-se à consciência de que Deus lhe confia de uma maneira especial o homem, o ser humano. Naturalmente, Deus confia todo homem a todos e a cada um. Todavia, este ato de confiar refere-se de modo especial à mulher — precisamente pelo fato da sua feminilidade — e isso decide particularmente da sua vocação.(...)

A mulher é forte pela consciência dessa missão, forte pelo fato de que Deus « lhe confia o homem », sempre e em todos os casos, até nas condições de discriminação social em que ela se possa encontrar. Esta consciência e esta vocação fundamental falam à mulher da dignidade que ela recebe de Deus mesmo, e isto a torna « forte » e consolida a sua vocação. Deste modo, a « mulher perfeita » (cf. Prov 31, 10) torna-se um amparo insubstituível e uma fonte de força espiritual para os outros, que percebem as grandes energias do seu espírito. A estas « mulheres perfeitas » muito devem as suas famílias e, por vezes, inteiras Nações.”[2]

O mundo de hoje precisa cada vez mais de mulheres autênticas, que assumam sua vocação de serem portadoras do amor, que se responsabilizem pelo cuidado do homem e que não permitam que as conquistas alcançadas na ciência e da tecnologia façam desaparecer a sensibilidade e o verdadeiro valor da vida humana, pelo que é essencialmente o ser humano: imagem e semelhança de Deus.

A mulher deve sempre cultivar o seu coração, seu amor. Purificá-lo e distribuí-lo para todos que a cercam. “Todo o seu trabalho dentro e fora do lar deve ser dirigido pelo coração, pelo amor. Por isso, a obra-mestra de educação da mulher e da mãe é a educação do amor, a educação do coração”. [3]

“A mulher atual é chamada a uma ação de salvamento dos valores femininos, tanto em si mesma como na cultura, desenvolvendo ao máximo sua capacidade para a criação de vínculos. Por sua tendência inata à vida e às pessoas, ela tem a missão de integrar, de estabelecer coesão, de unir. A mulher deve ser toda alma, personalizando todas as suas manifestações e animando todos os âmbitos de seu ser e atuar.”[4]



[1] Mulieris Dignitatem No. 30
[2] idem
[3] Reflexões Pe. Nicolás Schweizer, No. 10, de 01.05.2007
[4] “Maria: um exemplo de Mulher”, STRADA, Angel L., pgs. 241 e 242, 3ª edição, Editora Ave-Maria, São Paulo, 1998