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sábado, 8 de junho de 2024

VOLTAR A ESTAR NUS

 


No relato da Criação, vemos que “o homem e a mulher estavam nus e não se envergonhavam” (Gn 2,25). Porém, após a tragédia do pecado original, da rebeldia dos nossos primeiros pais em não aceitarem serem criaturas e quererem ser “outros deuses”, caindo na armadilha do demônio e desobedecendo ao Criador, ouvimos Adão dizer: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me” (Gn 3,10). E Deus responde: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?” (Gn 3,11)

Qual foi essa consequência do pecado que fez com que o homem tivesse medo por estar nu? Antes do pecado, não se envergonhavam; mas depois, tiveram medo e se esconderam de Deus... Essa nudez significa muito mais do que simplesmente estar sem roupa. É uma atitude perante Deus de total despojamento e de confiança, de entrega em sua amorosa providencia.

O pecado fez com que o ser humano perdesse essa pureza e singeleza de ser criatura diante de Deus, de saber que é cuidada e amada com amor infinito. O medo por estar nu representa a desconfiança no amor e proteção de Deus, o desejo de autossuficiência, de assumir o controle da própria vida sem a interferência divina, frutos desordem causada pelo pecado.

Então, nós precisamos lutar para voltar a estar nus, para retomar aquela confiança filial que nossos primeiros pais tinham perante Deus. O primeiro passo é buscar conhecer melhor a Deus, pois não é possível confiar em quem não conhecemos... Para conhecer melhor, é preciso passar tempo com Deus, dialogar com Ele e principalmente buscar ouvir o que Ele nos diz, através das circunstâncias, dos acontecimentos em nossa vida, das pessoas com quem nos encontramos, da natureza, das coisas... Enfim, tudo pode ser um sinal do amor de Deus para conosco.

A oração meditativa é fundamental para esse maior conhecimento de Deus. Reservar alguns minutos por dia, escolher um texto de um livro espiritual ou da Bíblia, ou até um acontecimento da nossa vida e perguntar: o que Deus quer me dizer com isso? O que eu digo a mim mesmo? O que eu respondo a Deus? Essa prática, com o tempo, vai abrindo nossos olhos, nossa mente e nosso coração para perceber o amor e o cuidado de Deus Pai em nossa vida.

Os santos aprenderam esse caminho de entrega total e incondicional à divina providência. Sabiam que eram amados e queridos, mesmo em sua miséria, e assim, com esforço e ajuda da graça, conseguiram responder a esse amor divino, com atitudes de luta contra as imperfeições para um dia desfrutarem eternamente da presença do Pai.

Vejamos alguns exemplos de ensinamentos desses nossos amigos do Céu:

“Espero tudo do Bom Deus, como uma criancinha espera tudo de seu pai. Meu caminho é o caminho da infância espiritual, o caminho da confiança e da entrega absoluta” (Santa Terezinha do Menino Jesus”

“Corre no caminho da perfeição quem possui o coração dilatado na confiança em Deus”. (Santo Afonso de Ligório)

“Quanto mais confiamos em Deus, tanto mais progredimos no seu amor”. (São Vicente de Paulo)

“Todos os esforços pouco valem, se não deixarmos de confiar em nós para confiar somente em Deus.” (Santa Teresa)

Peçamos a ajuda de Maria Santíssima, a pessoa que mais confiou e amou a Deus, para que aos poucos possamos reconquistar essa atitude de filhos obedientes e fiéis, que confiam e se entregam ao Pai totalmente, pois sabem que são amados e que tudo o que o Pai provê e permite é para o seu bem, a sua santidade e para conquistar seu lugar na felicidade eterna do Céu.

crédito da foto: pixabay.com

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

APRENDENDO COM ADÃO E EVA - PARTE 2

No post da semana passada, baseado no livro The Top Ten Most Outrageous Couples of the Bible, de David Clarke, vimos toda a dinâmica que levou Adão e Eva a pecar. Hoje veremos como podemos evitar esse mesmo erro em nosso relacionamento.

Uma ideia revolucionária para o casamento
Uma coisa que 99% dos casais não possuem, mas que pode proteger você de um pecado conjugal grave e dar a você um nível profundo de intimidade, é um casamento caracterizado por uma honestidade total sobre seu ponto fraco.

Vocês devem revelar um ao outro os comportamentos pecaminosos que o demônio provavelmente poderá tenta-los a fazer. É hora de falar sobre seus pecados, mesmo que ainda estejam em estado potencial ou se já estiverem no modo de total destruição. Não deve haver mais segredos, nem negação, nem mentiras.

Na maioria das vezes, seu pecado é obvio e seu cônjuge sabe exatamente qual ele é. Em outros casos, seu pecado é segredo e seu cônjuge não tem a menor ideia do que você está fazendo. Seja qual for o caso, sente com seu cônjuge e revele tudo o que você sabe sobre seu comportamento prejudicial. 

Quando começou, por que você acha que começou, a dor do passado que pode ser a força poderosa de seu pecado, o que você fez até agora nessa área do pecado. Forneça todos os detalhes.

Identifique os gatilhos que podem colocar você no caminho rumo ao pecado. Fale como o demônio tenta você para pecar. Discuta as racionalizações que você usa para se desculpar e justificar seu pecado. Fale porque você continua pecando nessa área. Quais são as recompensas? Quais são as necessidades que você está tentando satisfazer?

Fale sobre a culpa e a vergonha. Admita que você está errado. Descreva os danos que seu pecado fez em você, em seu relacionamento com Deus e em seu casamento. Permita que seu cônjuge expresse todos os sentimentos que tem em relação a seu pecado. Responda todas as perguntas que ele fizer. A cura e o começo da confiança virá através de muitas conversas desse tipo com seu cônjuge.

Peça ajuda a seu cônjuge para lidar com seu padrão de comportamento pecaminoso. Comprometa-se a dizer para seu cônjuge quando estiver seriamente tentado a pecar em sua área de fraqueza. Comprometa-se a dizer a seu cônjuge sempre que estiver começando a racionalizar no processo de cometer seu pecado.

Combine com seu cônjuge que na hora da tentação ou racionalização, você irá chama-lo antes de você agir em seu desejo de pecar. Em resposta, seu cônjuge concorda em falar a verdade de maneira amorosa. Ele irá apoiar você e te dar mais força para resistir à tentação. Combine que irão rezar juntos pedindo a Deus ajuda quando forem tentados. Serão vocês dois e Deus contra o demônio.

Não estou sugerindo que você revele a seu cônjuge cada tentação ou pensamento pecaminoso que você tiver, pois isso levaria vocês dois à loucura. Mas quando você realmente estiver lutando com a tentação, ou os pensamentos recorrentes persistirem, e você estiver em perigo real de agir de acordo com tais pensamentos, esse é o momento de dizer a seu cônjuge o que está acontecendo.

Tenha em mente que não será apenas um de vocês sendo totalmente honesto com o outro. Serão os dois, porque cada um de vocês tem um área de pecado grave em potencial. É por isso que um apoiará o outro, rezarão um pelo outro e se responsabilizarão mutuamente.

Confesse regularmente. O Sacramento da Reconciliação nos dá as graças necessárias para vencermos a luta contra o pecado e contra as tentações. A Igreja pede que nos confessemos ao menos uma vez ao ano, mas para conseguirmos progredir nessa luta contra as tentações, precisamos nos confessar mais frequentemente, por exemplo, todo mês. Para confessarmos não é necessário termos cometido um pecado grave. Podemos e devemos confessar nossas imperfeições, nossas pequenas faltas contra nós mesmos, contra Deus e contra o próximo, sendo que nosso próximo mais próximo é o nosso cônjuge.

“Com efeito, a confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele” (CIC 1458)

É claro que isso não é uma coisa fácil de fazer. Mas é a melhor maneira de lidar com seu pecado. Quando seu pecado foi revelado e vocês estão trabalhando como uma equipe para afastá-lo, vocês ganharão uma intimidade incrível. Se vocês conseguem conversar sobre suas tentações e pecados, vocês conseguem conversar sobre tudo. Sua abertura para falar de seus padrões pecaminosos irá se espalhar para as outras áreas de sua vida e sua comunicação alcançará níveis que você jamais sonhou ser possível.

Exemplos práticos
Tomemos como exemplo um marido que é viciado em trabalho e uma esposa que se concentra demasiadamente nos filhos. Essas são as áreas onde ambos podem potencialmente pecar.

Se o marido não aprender a reduzir os hábitos de trabalho com a ajuda da esposa, o casamento pode ser arruinado. Se a esposa não aprender a colocar o marido acima dos filhos, danos terríveis podem ocorrer no matrimônio. Com o passar do tempo, esses hábitos podem causar tanto dano ao casamento como o alcoolismo, adultério, abuso verbal ou outros pecados mais “dramáticos”.

Marido e mulher devem continuamente trabalhar como equipe para evitar pecar naquelas áreas. Ao trabalhar juntos com honestidade, cada um pode obter um grande controle sobre esses comportamentos e esse trabalho em equipe pode produzir uma maravilhosa intimidade. Tanto o vício no trabalho como uma ênfase exagerada nos filhos continuarão como lutas, mas como um time de “uma só carne”, a cada dia é possível superá-los.

Caso o pecado já tenha devastado seu relacionamento, formar um time com seu cônjuge com abertura e honestidade pode levar a uma completa cura e restauração. Juntos vocês podem ficar longe de outros pecados prejudiciais naquela área.

Aprenda com a total falta de trabalho em equipe de Adão e Eva. Tenha coragem de se tornarem companheiros de luta contra o pecado. Você nunca se arrependerá se fizer isso.

Exercícios práticos:
1. Nomeie as áreas em seu casamento onde vocês formam um bom time. Quais foram os benefícios desse trabalho em equipe?

2. Nomeie algumas áreas em seu casamento em que vocês não formam um bom time. Quais foram os resultados negativos de não jogarem no mesmo time nessas áreas?

3. Conte a seu cônjuge as áreas em que você está propenso a pecar. Se sua área de fraqueza ainda não causou danos a seu relacionamento, descreva para seu cônjuge quais danos poderia causar. Peça para seu cônjuge descrever os danos que seu pecado em potencial pode causar.

4. Se o seu pecado já causou sérios danos – a você, a seu cônjuge, a sua família e a Deus – descreva o dano que você causou. Peça para seu cônjuge descrever o dano que seu pecado causou.

5. Concordem em trabalhar como um time contra seus pecados. Concordem em dizer um ao outro imediatamente quando estiver seriamente tentado pelo demônio em sua área de fraqueza. Peça o apoio de seu cônjuge em lutar contra o seu potencial para pecar.

6. Faça uma pequena oração agora mesmo pedindo para Deus vir junto de vocês como casal e lhes dar poder para derrotar seus pecados.
7. Procure fazer uma boa confissão.

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/30817011@N04/3542201058">Forbidden-fruit</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>


sábado, 30 de janeiro de 2016

APRENDENDO COM ADÃO E EVA - PARTE 1

O post de hoje foi inspirado pelo livro The Top Ten Most Outrageous Couples of the Bible, de David Clarke.

Normalmente, quando pensamos em Adão e Eva, a primeira coisa que nos vem à cabeça é o pecado original e tudo o que de mal decorreu dessa escolha dos nossos primeiros pais. Mas será que podemos aprender alguma coisa do relacionamento conjugal deles? Vamos ver.

Antes do pecado, Adão e Eva expressam espontaneamente seus pensamentos, emoções, necessidades e reações. Eles não escondem nada e não tem segredos. Não existem obstáculos ou problemas para superarem na comunicação.

Homem e mulher estavam totalmente sincronizados um com o outro. Estavam completamente satisfeitos em todos os aspectos de seu relacionamento. Cada vez que eles conversavam, eles alcançavam uma profunda conexão e intimidade emocional. Cada vez que faziam amor, eles desfrutavam de uma paixão física magnífica. Cada vez que conversavam com Deus como casal, experimentavam um poderoso vínculo espiritual. Suas mentes, corpos e almas estavam sintonizados.

Como evitar sérios pecados conjugais

Duas consequências graves do pecado original foram: a separação de Deus e um do outro. Eles perderam sua unidade. Antes do pecado, suas diferenças eram irrelevantes para eles; eram iguais perante Deus e não sentiam competitividade. Depois do pecado, a única coisa que conseguiam ver eram as diferenças e com vergonha, cobriram sua nudez.

Eles perderam também sua conexão com Deus, a comunhão abençoada e a amizade que eles desfrutaram com seu Criador amoroso. Esse pecado trouxe como consequência para toda a humanidade: afastamento de Deus, sofrimento, doença, morte e todos os problemas do mundo.

Os casais hoje em dia sofrem das mesmas consequências devastadoras - perda da unidade, diferenças amplificadas e vergonha – como resultado de sérios pecados conjugais. Quando somos casados, quaisquer pecados que cometamos são pecados conjugais, pois afetam também ao outro. Todo os pecados conjugais são graves e tem profundas consequências, porém alguns se destacam em seu grau de dano ao matrimônio.

Cada cônjuge tem uma área de pecado sério em potencial, uma área de fraqueza que pode trazer danos terríveis ao matrimônio. Cada um conhece onde está sua fraqueza. Talvez possa ser pornografia. Falta de interesse no sexo com seu cônjuge. Prestar atenção em outros homens ou mulheres que não são seu cônjuge. Não passar tempo alegre com seu esposo. Preocupações egoístas com suas atividades. Trabalho. Comida. Gastos. Álcool. Drogas. Abusos verbais. Abusos físicos. Fechar-se em si mesmo e não se comunicar. Jogo. Controle. Ser um capacho e deixar que o cônjuge pise em você. Apatia espiritual e indiferença. Ser muito duro com seus filhos. Não ser duro suficiente com seus filhos. Ser muito focado em seus filhos. E por aí vai.

Outra pessoa que conhece muito bem sua fraqueza é o demônio. E da mesma forma que ele fez com Adão e Eva, Satanás vai fazer tudo em seu poder para seduzir você para você pecar. E na medida em que seu casamento sofre com seu pecado, o demônio estará dando gargalhadas.

Analisar o processo de como Adão e Eva pecaram pode nos ajudar a evitar os sérios pecados conjugais, pois descobrimos como interromper o processo se estivermos a caminho de cometer um pecado.

Primeiro passo: a tentação
O modo que Satanás tentou Eva contém os elementos essenciais de toda tentação: questionar a palavra de Deus, negar a palavra de Deus, acreditar na mentira que o pecado nos dará algo muito melhor do que Deus dará se obedecermos seus ensinamentos e ser tentado na área de nossa fraqueza.

Segundo passo: a racionalização
Com a ajuda do demônio, Eva racionaliza o seu pecado. Ela diz a si mesma: não haverá consequências negativas; meu comportamento atenderá às minhas mais profundas necessidades; e eu experimentarei um prazer intenso. Todas essas racionalizações são mentiras, mas Satanás é o mestre em convencer do contrário. Ele sempre foi um mentiroso e pode aparecer para nós na forma de um “anjo de luz”. (2Cor 11,14)

Terceiro passo: escolher pecar
Porque Eva escolheu acreditar nas mentiras do demônio na tentação e na racionalização, ela já estava condenada quando chegou a hora de decidir se deveria pecar. Sua cabeça já estava feita e seu desejo natural pela fruta a empurrou até o precipício.

Quarto passo: as consequências
Depois que Adão e Eva pecaram, as declarações do demônio foram expostas como mentiras e as consequências chegaram com uma força tremenda. As piores consequências foram a separação de Deus (Gn 3,8) e um do outro (Gn 3,7).

O mais incrível é que os dois estavam juntos o tempo todo. Adão estava bem ao lado de Eva enquanto ela era tentada, racionalizava o seu pecado, qualificando sua desobediência como uma coisa boa e quando ela comeu a fruta. E depois ele comeu também.

Mas o que aconteceu com o trabalho em equipe? O grande problema é que Adão e Eva não conversaram um com o outro enquanto marchavam cada vez mais próximo do pecado. O trabalho em equipe, especialmente contra o demônio, só é efetivo quando um casal se comunica.

Sem uma comunicação honesta, seu pecado passa rápido do estágio de pecado em potencial para o estágio de impacto devastador. Só é uma questão de tempo.

Com uma comunicação aberta e honesta, Adão e Eva poderiam ter lutado contra o demônio e vencido. Poderiam ter evitado esse pecado desastroso e se tornado ainda mais próximos um do outro e de Deus. Se Eva tivesse pedido pela ajuda de Adão e ele tivesse falado a verdade para ela, o demônio teria saído humilhado da história.


No próximo post veremos o que podemos fazer para evitar os pecados conjugais em nosso relacionamento. Fiquem atentos!

crédito da foto: photopin.com