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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

PACIÊNCIA

“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa”[1]
A paciência pode ser definida como a virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo. Em outras palavras é a habilidade de aprender a respeitar o tempo dos outros, de tolerar os erros e os fatos indesejados, suportando incômodos e dificuldades de uma maneira tranquila, sem se perturbar.
O desenvolvimento da paciência contribui para o fortalecimento do caráter, pois quanto maior a capacidade de suportar as adversidades com calma, mais forte a pessoa se torna interiormente e com o tempo nada mais a perturbará. 
A paciência auxilia em saber qual o melhor momento para agir e assim as atitudes produzem mais frutos, pois a maior parte das ações impetuosas e irrefletidas causa danos e não atingem seus objetivos.
Para se alcançar um alto grau de paciência é necessário exercitar a fé na Divina Providência, ou seja, acreditar que Deus é seu Pai que lhe ama com amor infinito e tudo o que acontece em sua vida é fruto desse amor providente, que lhes cuida e protege, mesmo nas tribulações.
É preciso ter em mente que o Pai busca sempre a volta de seus filhos para sua casa, para o lar eterno, para o Paraíso. Assim, tudo o que amorosamente provê para cada ser humano, tem como missão principal trazê-lo para junto de si, para a felicidade sem fim.
Esse Deus que é o Criador de tudo o que existe, continua sua ação criadora governando o mundo com sua sabedoria e amor e mais do que isso, Ele se ocupa com cada um de seus filhos como se fosse o único, como se não existisse mais nada nem ninguém além dele. Jesus mesmo nos disse:
“Quanto a vocês, até os cabelos da cabeça estão contados. Não tenham medo!” [1]
Se realmente a pessoa tiver uma fé profunda, que a faz viver na dependência filial em relação a Deus, então sabe que é filha de um Pai infinitamente bom, infinitamente poderoso e que deseja mais do que si mesmo sua felicidade e isso a enche de tranquilidade e paz interior, tornando-a mestre da paciência.
As tribulações, como diz a Bíblia Sagrada, são formas de fortalecer as pessoas, de lhes tornarem perseverantes e assim, mais pacientes:
“Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança.[2]; “Meus irmãos, fiquem muito alegres por terem que passar por todo tipo de provações, pois vocês sabem que aprendem a perseverar quando sua fé é posta à prova.”[3]
No convívio familiar a paciência é fundamental para manter a tranquilidade no lar. Inúmeras são as oportunidades no dia-a-dia onde a paciência é testada: o filho que demora a comer, o esposo que se atrasa no trabalho, a esposa que nunca se apronta na hora certa, a comida que queimou, o adolescente que só quer dormir, aquela atitude que você tem que cobrar pela “milésima” vez... A lista é infinita. 
É preciso ter muita paciência com os outros e também com si mesmos, se quiserem viver juntos em paz. A paciência ensina a suportar aquele mal que não conseguem eliminar. O que não puder mudar em si e o que os outros não conseguirem mudar em si mesmos, devem aceitar com paciência, até que Deus disponha as coisas de outro modo. Não se pode perder a oportunidade de amar e crescer, permitindo que Deus molde o seu coração.
Deus possui uma paciência infinita com os homens e mulheres que criou. Ele tolera seus defeitos, sua falta de amor, e espera pacientemente que cumpram a Sua vontade para serem felizes e retornarem à casa do Pai. Deus não os trata conforme os seus pecados, mas demora, lhes dá tempo para a sua conversão.
A paciência cria uma atmosfera que facilita a influência positiva. Ter paciência não significa cruzar os braços. Paciência significa preocupar-se o suficiente para ouvir com empatia, tentando entender o que se passa dentro do outro. Essa escuta solidária exige tempo e é uma expressão de amor. Paciência pode significar permanecer calmo quando o outro diz coisas que lhe magoa. Exige esforço, é um processo cheio de recaídas, mas vale a pena.
Finaliza-se este tópico com um pensamento muito profundo de Santa Tereza D´Ávila: “Nada te perturbe; nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda; a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta: Só Deus Basta!”
photo credit: <a href="https://www.flickr.com/photos/jjlook/58887291/">jj look</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">cc</a>

[1] Hb 10,36
[2] Mt 10,30
[3] Rm 5,3
[4] 1Tg, 1,3

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O CAMINHO DO AMOR QUE NUNCA ENVELHECE

Nenhuma pessoa madura e responsável inicia uma carreira profissional ou qualquer outro tipo de empreendimento sem primeiro pesquisar o mercado em que deseja entrar, pondera as exigências, os custos e os benefícios e estuda, se prepara para o desafio proposto.
Cada um pode se questionar: quantos anos passam na escola para aprender a ler, escrever, calcular, adquirir um conhecimento básico sobre o mundo? Além disso, quanto tempo despendem em cursos de computação, idioma estrangeiro, pós-graduação, aperfeiçoamento profissional? E para amar, quanto tempo levam para aprender a amar, a se relacionar com o outro, quantos cursos fizeram?
A conclusão que se chega é que se gasta muito tempo se preocupando com a vida profissional que certamente os ajudará a se sustentar fisicamente, mas não se preocupam na mesma proporção, em aprender e a aprofundarem-se sobre o que vai sustentar a vida emocional, o relacionamento conjugal e a família.
Observa-se que o amor é uma força dinâmica, que precisa sempre de estímulos e se não o cultivarem, ele realmente “morre e acaba”; o que alimenta o amor é o sacrifício, a renúncia de si mesmo para o bem do outro, pois isso é da essência do amor: a doação total.
Veremos aqui qual o caminho, o que se pode fazer para conseguir o objetivo de alcançar esta perfeita doação ao outro, requisito para a felicidade conjugal, através do cultivo do seu amor conjugal, tornando-o cada vez mais forte e frutuoso, um amor que nunca envelhece.
 O CAMINHO É CONSTRUÍDO PELAS VIRTUDES
Este caminho do amor que nunca envelhece é um caminho de Aliança. O amor que uniu os cônjuges, este laço santificado pelo Sacramento do Matrimônio, sua Aliança Matrimonial que lhes deu a capacidade de se amarem como Cristo os amou, este é o fundamento sobre o qual devem edificar sua vida conjugal e familiar e é ele quem os auxiliará a construir este caminho.
Desta forma, sem o auxílio da graça própria do sacramento do matrimônio, aquela que é destinada a aperfeiçoar o amor dos cônjuges e a fortificar sua unidade indissolúvel, pela qual um ajuda a santificar o outro, marido e mulher não podem chegar a realizar esta perfeita união para o qual foram criados.
O esforço para construir este caminho deve ser dos dois: marido e mulher. Isto não significa que os dois estarão construindo sempre do mesmo jeito e ao mesmo tempo. Às vezes é o marido que está colocando mais cimento, às vezes é a mulher que está preparando o terreno. O importante é que os dois possuam o mesmo plano, o mesmo projeto, mas cada um faz a sua parte sem ficar cobrando a parte do outro.
Para a construção deste caminho, os cônjuges precisam exercitar-se nas VIRTUDES. Estas é que são o fundamento que irá solidificar esta rota para manter seu amor sempre jovem.
“A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática.”[1]
Virtude, segundo Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o bem e elas se aperfeiçoam com o hábito.
Todas as virtudes são importantes e deveriam ser praticadas, porém, dentro do matrimônio algumas delas se destacam, pois formam este alicerce para deixar o amor sempre forte e saudável. E é com o hábito de praticá-las que serão aperfeiçoadas.
Nos próximos posts, passaremos a analisar seis virtudes que são essenciais para a felicidade no matrimônio: paciência, gentileza, perdão, generosidade, humildade e respeito.
crédito da foto: <a href="https://www.flickr.com/photos/indykethdy/8065788169/">Indy Kethdy</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a 

[1] Catecismo da Igreja Católica, no. 1803