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sexta-feira, 28 de março de 2025

SATANÁS TEM UM PLANO PARA A SUA VIDA

 



As pessoas, em geral, não gostam de pensar no demônio e muito menos falar dele. Para muitas, inclusive, ele não existe... Essa é uma grande arma a favor do demônio: quem não acredita em sua existência está muito mais vulnerável para receber sua influência. Porém, quem é cristão sabe muito bem, pelas palavras do próprio Jesus, que o demônio é real e como diz S. Pedro: “anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.” (1Ped 5,8)

Pensar no demônio não deve nos trazer medo, como vemos em alguns filmes de terror, mas deve nos deixar muito alertas. Nossa realidade é um grande campo de batalha entre o Bem e o Mal. Deus já venceu essa batalha, mas nós, seres humanos, é que estamos sendo disputados para saber qual lado vamos escolher para passar a eternidade.

O livre arbítrio nos foi dado para termos a capacidade de amar. Quem não é livre, não pode amar, mas essa mesma liberdade pode ser usada para escolher o mal, e assim, escolher o lado do inimigo do Amor. O plano de amor de Deus para cada um de nós é que um dia, estejamos com Ele, na felicidade eterna no Céu. E Satanás, por ser um anjo dotado de uma inteligência aguçadíssima, também tem um plano para cada um de nós, que é fazer que escolhamos passar a eternidade com ele, sofrendo e odiando no inferno.

Poder de Satanás

O poder de Satanás é limitado ao que Deus permita que ele faça. E Deus só permite a ação dele, para que nós possamos provar nosso amor e assim, escolher o Céu. Jesus, por sua paixão e morte na cruz, abriu o Céu para nós. Ele já nos libertou da escravidão do pecado, mas nós precisamos aderir a esse plano de Deus, escolher fazer a sua amorosa vontade para nossa vida.

A ação ordinária de Satanás e seus demônios é através da tentação. Ele nos influencia a escolhermos o pecado. O pecado é uma recusa em amar, pois escolhemos um prazer ou uma vantagem material em detrimento dos planos de amor que o Pai tem para nós. É escolher o egoísmo, que é o oposto do amor. Ao pecar, dizemos sim ao demônio e um não a Deus.

Deus, ao nos dar os 10 mandamentos, está pensando apenas no nosso bem, em nossa salvação. Ao escolhermos ir contra esses mandamentos, estamos fazendo um mal para nós mesmos, tanto para a nossa vida aqui na terra, como especialmente para a nossa vida eterna, que será nos horrores do inferno.

Combater as tentações

A primeira coisa que precisamos ter certeza é que nenhum de nós é tentando acima de suas capacidades de resistir a essa tentação. Satanás é como um sniper que fica observando qual é o melhor momento e a melhor forma de atirar uma tentação. Mas sempre temos a capacidade de resistir a esse tiro.

Para combater as tentações, primeiro precisamos estar conscientes delas, então devemos pedir a Deus, na oração, para nos mostrar onde o demônio está entrando em minha vida, qual brecha posso estar dando para que ele influencie as minhas ações, caindo na armadilha de suas tentações.

Quaresma: tempo propício para combater as tentações

O tempo quaresmal é um período propício que a Igreja nos convida a combatermos mais fortemente o pecado e as tentações. Somos lembrados que Jesus também foi tentado no deserto e nos ensinou como lutar contra as tentações especialmente as do ter, do prazer e do poder

As práticas quaresmais que nos incentivam a intensificar o jejum, a esmola e a oração devem nos fortalecer no combate especialmente contra essas três tentações. O jejum nos ajuda a dominar nossos instintos e dessa forma nos fortalece contra a tentação da busca do prazer. A esmola nos ajuda no desprendimento dos bens materiais, pois damos a quem não pode nos retribuir. E nos ajuda contra a tentação do ter. E a oração nos ajuda a reconhecermos que somos criaturas, que todo o poder é de Deus, nos ajudando contra a tentação do orgulho e do desejar o poder.

Assim, não desperdice mais essa oportunidade que o Pai lhe dá para crescer no amor e vencer todo egoísmo. Aproveite esse tempo de Quaresma para lutar mais seriamente contra aquela tentação que te afasta do caminho que vai te levar ao Céu. Nas dificuldades, nas quedas, levante e recomece. “A esperança não nos decepciona” (Rm 5,5). Jesus venceu a morte e nos ajuda a frustrar o plano que satanás tem para a nossa vida.


 Foto de Marek Piwnicki na Unsplash

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

UMA NOVA OPORTUNIDADE

 

Logo após as comemorações do Natal, já nos preparamos para comemorar a chegada de mais um ano. Mais uma vez nos enchemos de esperança, de planos e projetos, afinal é um ano NOVO. O que será que acende em nós essa esperança? Por que ficamos tão animados e empolgados? O dia 1º de janeiro não é um dia como outro qualquer?

Deus é um exímio pedagogo, que educa seus filhos para que possamos buscar encontrá-lo em nossa vida e andar no caminho que nos conduzirá à eternidade com Ele no Céu. Pensando nisso, Deus criou a natureza de forma cíclica: percebemos a passagem do tempo não só em nosso corpo, com o envelhecimento, mas principalmente com as diferentes estações do ano.

As diferentes estações do ano são uma forma maravilhosa que Deus utiliza para nos ensinar sobre a transitoriedade da vida e também para nos ajudar a termos esperança de uma nova fase, de um novo começo. Ficamos felizes na primavera ao ver as flores crescendo; super empolgados no verão com tanta vida nascendo, tantos frutos; começamos a ficar mais introspectivos no outono com a vida indo embora e mais apreensivos no inverno, onde parece que tudo está morto.

Mas mesmo no inverno, sabemos que não precisamos ficar apreensivos por muito tempo, pois temos a certeza de que a primavera virá. E essa certeza da primavera, essa esperança que no seu tempo o inverno acaba, é que nos move a seguir em frente, vivendo um dia de cada vez.

Aqueles que vivem em lugares onde as estações do ano não são tão bem definidas (como é aqui no Brasil), podem perceber essa passagem do tempo através do calendário, com a contagem dos meses e podemos entender esse ciclo da vida mais especialmente com o calendário litúrgico.

O ser humano, com suas limitações e falhas, precisa de esperança (uma das virtudes teologais) para conseguir progredir, tanto na vida material, mas principalmente na vida espiritual. E justamente vivermos de forma cíclica, experimentando as diferentes estações e contando os meses do ano, nossa esperança aumenta ao lembramos que no dia 1º de janeiro, inicia o ano novo, recebemos uma nova oportunidade.

Uma nova oportunidade de fazermos melhor, de mudar algum aspecto da nossa vida material, como um novo emprego, um novo carro, uma nova casa. Pode ser uma nova oportunidade para nos reconciliarmos com alguém, para fazer novos amigos, para abrir nossa família para a vinda de outro filho ou para a chegada de genros e noras. Ou ainda uma nova oportunidade para vencermos algum defeito de nossa personalidade, estimularmos ainda mais alguma qualidade que podemos fazer frutificar.

Eu fico encantada em pensar na bondade da providência divina em colocar o dia 1º de janeiro bem no meio do inverno para quem vive no hemisfério norte, justamente onde essa estação é sentida de maneira mais forte... Um impulso quente de esperança no meio do frio do inverno...

Nessas resoluções e projetos para o novo ano, talvez a mais importante seja relativa ao nosso relacionamento com a Santíssima Trindade, afinal nossa meta é o Céu. No fim de nossa jornada na terra, seremos julgados pelo Amor e o que levaremos em nossa bagagem é somente aquilo que fizemos por amor, para o amor e através do amor.

Então coragem! Vamos aproveitar essa nova oportunidade de recomeço, vamos fazer um balanço de como foi o nosso ano e escolher alguma forma de crescermos em nosso amor a Deus. Pode ser melhorar nossa oração diária, fazer alguma leitura espiritual regularmente, rezar o terço diariamente (ou pelo menos uma dezena), talvez incluir a santa missa um dia a mais na semana, ler regularmente a Bíblia, enfim, cada um precisa ver o que pode ser feito. E escolher uma coisa só para começar, sendo fiel nesse pouco, nesse único propósito. Depois, no fim do ano, agradecer pelas conquistas, pedir perdão pelas falhas e sempre ter coragem de recomeçar!

 

Foto de BoliviaInteligente na Unsplash

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

SERÁ QUE REALMENTE SOMOS LIVRES?



A liberdade é um dos direitos fundamentais de todo ser humano. Mas ela também é um direito muito frágil, podemos perdê-la se não cuidarmos bem. Podemos falar em dois tipos de liberdade: aquela interior, de agir de acordo com a própria razão e vontade e a exterior, que é regulada pela sociedade em que cada pessoa vive, que pode limitar ou até extinguir o direito de ação do indivíduo. Esses dois tipos de liberdade vivem constantemente ameaçados.

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1731, assim define a liberdade: “A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.”

Portanto, para conseguirmos exercer bem esse poder de agir ou não agir, precisamos utilizar nossa inteligência para discernimos o que é o bem e fortalecermos nossa vontade para conseguir agir de acordo com esse discernimento. “Quanto mais pratica o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça.” (CIC 1733)

Ninguém pode tirar nossa liberdade

Essa liberdade interior, de agir de acordo com a própria consciência, ninguém pode nos tirar. Nós só perdemos essa liberdade por própria culpa, quando não discernimos o que é o bem ou quando, mesmo sabendo o que é o bem, nossa vontade não tem força para agir de acordo com o que a inteligência propõe. Cedendo aos nossos impulsos, nos tornamos escravos deles. E ao invés de agir, apenas reagimos.

O Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, mesmo preso num campo de concentração durante a 2ª Guerra, manteve sua liberdade interior intacta. Apesar de fisicamente limitado pela prisão, ele vivia com o coração e a mente no Céu. Aceitou aquela circunstância como permissão divina e a utilizou para ajudar quem ele pode a sobreviver àquele verdadeiro inferno.

Não existe liberdade total

Ninguém é totalmente livre, pois existem várias limitações impostas pela própria natureza. Não somos livres para escolher onde nascemos, para sentir fome ou frio, para ser mais alto ou baixo. São inúmeras circunstâncias que não controlamos e que interferem em nossa vida. Porém, se buscarmos viver as virtudes, com o tempo conseguiremos um alto grau de liberdade interior e estas circunstâncias externas interferirão muito pouco no modo como agimos.

Conta-se que todos os dias um homem passava por uma banca de revista e cumprimentava o jornaleiro. Como resposta, sempre recebia alguma grosseria. Um dia seu amigo perguntou por que ele continuava sendo gentil e cumprimentando o jornaleiro se a resposta sempre era negativa. Ele respondeu que era livre para fazer o que achava certo e não era a atitude do outro que iria afetar seu modo de agir.

Desta forma para não perdermos nossa liberdade interior, precisamos lutar constantemente para adquirir as virtudes, como a paciência, temperança, fortaleza, prudência, entre outras. Cada um precisa analisar onde está seu ponto mais fraco, para iniciar essa luta que vai durar a vida toda.

A liberdade exterior não está em nossas mãos

Quanto a liberdade exterior, muito pouco podemos fazer para permanecermos livres. Basta um simples decreto de uma autoridade civil e não podemos mais sair de casa ou até expressarmos nossa opinião publicamente. Claro que devemos sempre lutar pela liberdade com os meios que possuímos, mas no fundo, vivemos em sociedade e, para termos segurança, abrimos mão dessa liberdade e a damos ao governo.

Isso não deve nos afligir, pois não adianta ter liberdade exterior, se interiormente somos escravos de nossos desejos e paixões. Façamos tudo o que está em nosso alcance para permanecermos livres exteriormente, mas lutemos bravamente contra nossas imperfeições para possuirmos o máximo de liberdade interior possível.

A liberdade torna o homem responsável por seus atos, na medida em que forem voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre seus atos.” (CIC 1734)

Photo by Pablo Heimplatz on Unsplash


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O PODER DA HUMILDADE


A humildade, segundo o Pe. Antonio Royo Marín é "uma virtude derivada da temperança, que nos inclina a coibir ou moderar o desordenado apetite da própria excelência, dando-nos o justo conhecimento de nossa pequenez e miséria principalmente com relação a Deus". Assim, uma pessoa é humilde na medida em que se conhece realmente, sabendo de suas qualidades, mas principalmente de seus defeitos e entendendo que nada pode por si mesma, que tudo o que é e possui, foi lhe presenteado por Deus para ser colocado ao serviço dos outros.

Em nosso mundo moderno, tudo conspira contra a humildade. Somos incentivados a ter cada vez mais coisas, a buscar um lugar de destaque, a fazer tudo para conquistar mais poder. E isso ainda não basta: precisamos nos exibir para todos através das mídias sociais para mostrar como somos importantes!

E o que esse estilo de vida acarreta? Transformamo-nos em pobres insatisfeitos que tudo querem ter e experimentar. Colocamos nosso “eu” no centro de nossas vidas e nos esquecemos de olhar para o lado, para o outro que pode estar precisando de ajuda. Tornamo-nos cada vez mais egoístas, cheios de direitos e qualquer mínima ameaça à imagem que temos de nós mesmos é capaz de despertar uma grande ira e partimos para o ataque.

Quanto maior o nosso ego, maior é o alvo para qualquer coisa nos atingir. E isso nos torna fracos, suscetíveis, mal humorados, rabugentos e reclamões. Então, a verdadeira força, o verdadeiro poder está na humildade. Pela humildade reconhecemos quem realmente somos: criaturas imperfeitas, que precisam uns dos outros para sobreviver e ser feliz.

Mas como alcançar a verdadeira humildade? São João da Cruz nos ensina: “mostra-te sempre mais propenso a ser ensinado por todos do que a querer ensinar quem é inferior a todos.(...) Alegrando-te com o bem dos outros como se fosse teu e procurando sinceramente que estes sejam preferidos a ti em todas as coisas, assim vencerás o mal com o bem, afastarás o demônio para longe de ti e alegrarás o coração. Procura exercita-lo sobretudo com aqueles que te são menos simpáticos. E sabe que, se não te exercitares nesse campo, não chegarás à verdadeira caridade nem tirarás proveito dela.”

O Papa Francisco também nos mostra o caminho da humildade: “A humildade só se pode enraizar no coração através das humilhações. Se não fores capaz de suportar e oferecer a Deus algumas humilhações, não és humilde nem estás no caminho da santidade. (...) Não digo que a humilhação seja algo de agradável, porque isso seria masoquismo, mas se trata de um caminho para imitar Jesus e crescer na união com Ele. Isso não é compreensível no plano natural, e o mundo ridiculariza semelhante proposta. É uma graça que precisamos implorar: ‘Senhor, quando chegarem as humilhações, ajuda-me a sentir que estou seguindo atrás de ti, no teu caminho.’” (GE 118 e 120)

A humildade nos liberta de nós mesmos e começamos a olhar o outro com mais compaixão e misericórdia. Tomamos consciência de que somos fracos, que podemos cair a qualquer momento, assim fica mais fácil perdoar também aquele que nos magoa. Diante de uma ofensa, quem tem um reto conhecimento de si mesmo e é humilde, pensa: “se eu tivesse tido a mesma educação, sofrido os mesmos traumas, vivido as mesmas experiências que essa pessoa que me ofendeu, provavelmente teria agido muito pior.”

Não é nada fácil chegar à verdadeira humildade. Todo ser humano nasce 100% egoísta, querendo que o mundo gire em torno de si, então esse trabalho de se libertar do próprio eu leva uma vida toda. Um santo já disse: “o egoísmo morre 15 minutos depois que a pessoa morre!”. Então, precisamos pedir insistentemente a graça da humildade. Sugerimos a oração da ladainha da humildade, composta pelo Cardeal Merry del Val:

Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser infamado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus.
Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuido, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.

 photo credit: Catholic Church (England and Wales) <a href="http://www.flickr.com/photos/27340278@N03/13759363753">Conference day 2</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

PACIÊNCIA

“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa”[1]
A paciência pode ser definida como a virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo. Em outras palavras é a habilidade de aprender a respeitar o tempo dos outros, de tolerar os erros e os fatos indesejados, suportando incômodos e dificuldades de uma maneira tranquila, sem se perturbar.
O desenvolvimento da paciência contribui para o fortalecimento do caráter, pois quanto maior a capacidade de suportar as adversidades com calma, mais forte a pessoa se torna interiormente e com o tempo nada mais a perturbará. 
A paciência auxilia em saber qual o melhor momento para agir e assim as atitudes produzem mais frutos, pois a maior parte das ações impetuosas e irrefletidas causa danos e não atingem seus objetivos.
Para se alcançar um alto grau de paciência é necessário exercitar a fé na Divina Providência, ou seja, acreditar que Deus é seu Pai que lhe ama com amor infinito e tudo o que acontece em sua vida é fruto desse amor providente, que lhes cuida e protege, mesmo nas tribulações.
É preciso ter em mente que o Pai busca sempre a volta de seus filhos para sua casa, para o lar eterno, para o Paraíso. Assim, tudo o que amorosamente provê para cada ser humano, tem como missão principal trazê-lo para junto de si, para a felicidade sem fim.
Esse Deus que é o Criador de tudo o que existe, continua sua ação criadora governando o mundo com sua sabedoria e amor e mais do que isso, Ele se ocupa com cada um de seus filhos como se fosse o único, como se não existisse mais nada nem ninguém além dele. Jesus mesmo nos disse:
“Quanto a vocês, até os cabelos da cabeça estão contados. Não tenham medo!” [1]
Se realmente a pessoa tiver uma fé profunda, que a faz viver na dependência filial em relação a Deus, então sabe que é filha de um Pai infinitamente bom, infinitamente poderoso e que deseja mais do que si mesmo sua felicidade e isso a enche de tranquilidade e paz interior, tornando-a mestre da paciência.
As tribulações, como diz a Bíblia Sagrada, são formas de fortalecer as pessoas, de lhes tornarem perseverantes e assim, mais pacientes:
“Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança.[2]; “Meus irmãos, fiquem muito alegres por terem que passar por todo tipo de provações, pois vocês sabem que aprendem a perseverar quando sua fé é posta à prova.”[3]
No convívio familiar a paciência é fundamental para manter a tranquilidade no lar. Inúmeras são as oportunidades no dia-a-dia onde a paciência é testada: o filho que demora a comer, o esposo que se atrasa no trabalho, a esposa que nunca se apronta na hora certa, a comida que queimou, o adolescente que só quer dormir, aquela atitude que você tem que cobrar pela “milésima” vez... A lista é infinita. 
É preciso ter muita paciência com os outros e também com si mesmos, se quiserem viver juntos em paz. A paciência ensina a suportar aquele mal que não conseguem eliminar. O que não puder mudar em si e o que os outros não conseguirem mudar em si mesmos, devem aceitar com paciência, até que Deus disponha as coisas de outro modo. Não se pode perder a oportunidade de amar e crescer, permitindo que Deus molde o seu coração.
Deus possui uma paciência infinita com os homens e mulheres que criou. Ele tolera seus defeitos, sua falta de amor, e espera pacientemente que cumpram a Sua vontade para serem felizes e retornarem à casa do Pai. Deus não os trata conforme os seus pecados, mas demora, lhes dá tempo para a sua conversão.
A paciência cria uma atmosfera que facilita a influência positiva. Ter paciência não significa cruzar os braços. Paciência significa preocupar-se o suficiente para ouvir com empatia, tentando entender o que se passa dentro do outro. Essa escuta solidária exige tempo e é uma expressão de amor. Paciência pode significar permanecer calmo quando o outro diz coisas que lhe magoa. Exige esforço, é um processo cheio de recaídas, mas vale a pena.
Finaliza-se este tópico com um pensamento muito profundo de Santa Tereza D´Ávila: “Nada te perturbe; nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda; a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta: Só Deus Basta!”
photo credit: <a href="https://www.flickr.com/photos/jjlook/58887291/">jj look</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">cc</a>

[1] Hb 10,36
[2] Mt 10,30
[3] Rm 5,3
[4] 1Tg, 1,3

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O CAMINHO DO AMOR QUE NUNCA ENVELHECE

Nenhuma pessoa madura e responsável inicia uma carreira profissional ou qualquer outro tipo de empreendimento sem primeiro pesquisar o mercado em que deseja entrar, pondera as exigências, os custos e os benefícios e estuda, se prepara para o desafio proposto.
Cada um pode se questionar: quantos anos passam na escola para aprender a ler, escrever, calcular, adquirir um conhecimento básico sobre o mundo? Além disso, quanto tempo despendem em cursos de computação, idioma estrangeiro, pós-graduação, aperfeiçoamento profissional? E para amar, quanto tempo levam para aprender a amar, a se relacionar com o outro, quantos cursos fizeram?
A conclusão que se chega é que se gasta muito tempo se preocupando com a vida profissional que certamente os ajudará a se sustentar fisicamente, mas não se preocupam na mesma proporção, em aprender e a aprofundarem-se sobre o que vai sustentar a vida emocional, o relacionamento conjugal e a família.
Observa-se que o amor é uma força dinâmica, que precisa sempre de estímulos e se não o cultivarem, ele realmente “morre e acaba”; o que alimenta o amor é o sacrifício, a renúncia de si mesmo para o bem do outro, pois isso é da essência do amor: a doação total.
Veremos aqui qual o caminho, o que se pode fazer para conseguir o objetivo de alcançar esta perfeita doação ao outro, requisito para a felicidade conjugal, através do cultivo do seu amor conjugal, tornando-o cada vez mais forte e frutuoso, um amor que nunca envelhece.
 O CAMINHO É CONSTRUÍDO PELAS VIRTUDES
Este caminho do amor que nunca envelhece é um caminho de Aliança. O amor que uniu os cônjuges, este laço santificado pelo Sacramento do Matrimônio, sua Aliança Matrimonial que lhes deu a capacidade de se amarem como Cristo os amou, este é o fundamento sobre o qual devem edificar sua vida conjugal e familiar e é ele quem os auxiliará a construir este caminho.
Desta forma, sem o auxílio da graça própria do sacramento do matrimônio, aquela que é destinada a aperfeiçoar o amor dos cônjuges e a fortificar sua unidade indissolúvel, pela qual um ajuda a santificar o outro, marido e mulher não podem chegar a realizar esta perfeita união para o qual foram criados.
O esforço para construir este caminho deve ser dos dois: marido e mulher. Isto não significa que os dois estarão construindo sempre do mesmo jeito e ao mesmo tempo. Às vezes é o marido que está colocando mais cimento, às vezes é a mulher que está preparando o terreno. O importante é que os dois possuam o mesmo plano, o mesmo projeto, mas cada um faz a sua parte sem ficar cobrando a parte do outro.
Para a construção deste caminho, os cônjuges precisam exercitar-se nas VIRTUDES. Estas é que são o fundamento que irá solidificar esta rota para manter seu amor sempre jovem.
“A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática.”[1]
Virtude, segundo Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o bem e elas se aperfeiçoam com o hábito.
Todas as virtudes são importantes e deveriam ser praticadas, porém, dentro do matrimônio algumas delas se destacam, pois formam este alicerce para deixar o amor sempre forte e saudável. E é com o hábito de praticá-las que serão aperfeiçoadas.
Nos próximos posts, passaremos a analisar seis virtudes que são essenciais para a felicidade no matrimônio: paciência, gentileza, perdão, generosidade, humildade e respeito.
crédito da foto: <a href="https://www.flickr.com/photos/indykethdy/8065788169/">Indy Kethdy</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a 

[1] Catecismo da Igreja Católica, no. 1803