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quarta-feira, 23 de abril de 2025

50 DIAS DE ALEGRIA

 


O período litúrgico da Páscoa abrange 50 dias: inicia no domingo da Ressurreição e vai até o domingo de Pentecostes. São 50 dias celebrando a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte, por isso um tempo de muita alegria. A igreja se veste de branco que representa essa alegria e a paz oriunda da libertação do pecado e da abertura das portas do Céu para cada um de nós.

Celebrar esse período é muito importante, pois é uma forma de agradecer a Deus por esse grande dom de um dia poder passar a eternidade com a Santíssima Trindade nas alegrias do Paraíso. Festejar, comemorar é algo que aparece na Bíblia várias vezes. Por exemplo, no retorno do filho pródigo, o pai explica ao irmão mais velho: “Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (Lc 15,32). O livro do Apocalipse também fala de uma grande festa: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada.” (Ap 19,7)

Alegria em meio às dificuldades

É por isso que a Igreja nos convida a passar esse tempo com espírito alegre, mesmo em meio às dificuldades e sofrimentos do dia a dia. Essa alegria deve decorrer da nossa esperança da felicidade eterna que nos foi prometida e conquistada por Jesus. Então, para alimentar nossa esperança e fortalecer nossa alegria, devemos pensar muito no Céu e comunicar essa boa nova aos outros.

O Céu é tão maravilhoso que é quase impossível de descrever. Muitos santos tiveram o privilégio de poder ver o Céu por alguns instantes. Santa Faustina nos conta: “27.11.[1936]. Hoje estive no Céu, em espírito, e vi as belezas inconcebíveis e a felicidade que nos espera depois da morte. Vi como todas as criaturas prestam incessantemente honra e glória a Deus. Vi como é grande a felicidade em Deus, que se derrama sobre todas as criaturas, tornando-as felizes, e então toda a honra e glória precedente da felicidade voltam à sua fonte e penetram na profundeza de Deus, contemplando a Sua vida interior - o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Quem jamais compreenderão ou aprofundarão. Essa Fonte de felicidade é imutável em Sua Essência, mas sempre nova, jorrando para a felicidade de toda a criatura. Compreendo agora São Paulo, que disse: “Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais imaginou o coração do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam.” (Diário de Santa Faustina – 777)

Quando o sofrimento bater a nossa porta, devemos lembrar das palavras de São Paulo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18). E ainda: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4)

Ser anunciador do Céu

Pensar no Céu, desejar o Céu, falar do Céu, especialmente para quem mais amamos, deve ser uma ocupação predileta nesse tempo pascal. Levar essa mensagem de esperança também para os que não tem fé e que estão sofrendo. A mensagem da conversão é uma mensagem de libertação do jugo do pecado. Fomos resgatados por um alto preço e isso deve causar grande alegria.

A alegria é contagiante. Quando nos aproximamos de uma pessoa que está alegre, automaticamente nos sentimos melhor e até esboçamos um sorriso. Como cristãos, devemos ser essa fonte de alegria para os outros, pois sabemos o que existe um Céu com a felicidade infinita que nos espera.

Formas de celebrar em família

O tempo Pascal deve ser celebrado especialmente no seio familiar e o foco deve ser manter o ambiente familiar sempre alegre. Elencamos aqui algumas sugestões para ajudar a manter esse ambiente pascal em nossas casas:

- Sugerir um propósito para os membros da família de procurar, pelo menos uma vez ao dia, causar alegria a alguém da família. Pode ser um sorriso, um abraço, uma mensagem inesperada de carinho, um telefonema, prestar um serviço, como guardar a louça ou arrumar a cama do outro... Enfim, são inúmeros pequenos gestos que podem causar alegria à nossa família

- Fazer uma refeição especial durante a semana, com direito a sobremesa caprichada

- Fazer um passeio no parque ou uma noite de cinema em família

- Reunir a família para contarem as bênçãos que tem recebido e serem gratos por elas. Cada um deve falar pelo menos uma coisa boa que recebeu de Deus nos últimos dias

- Ajudar o próximo, seja levando doação de alimentos, visitando lares de idosos ou ligando para alguém que há muito não conversamos e pode estar se sentindo solitário


crédito da foto: Foto de Allef Vinicius na Unsplash

domingo, 10 de março de 2024

A beleza é fundamental

 


A beleza existe em si, ou depende de quem vê? Devemos nos preocupar com a beleza ou é uma futilidade? Existe uma razão para a beleza existir? Como podemos cultivar a beleza? Essas são algumas perguntas que este artigo quer ajudar a refletir.

Conceito de beleza

O conceito clássico de beleza a define como sendo belo aquilo que possui harmonia, proporção e grandeza. Neste conceito, a beleza é objetiva, ou seja, existe em si mesma e não depende de quem está observando.

A beleza deriva do bem, do verdadeiro. Ela tem uma conotação moral, ou seja, para afirmarmos que alguma coisa é bela, ela também precisa ser boa e verdadeira. Por exemplo, quando repreendemos uma criança que está batendo num amiguinho, normalmente dizemos: “não faça isso que é feio”. Ou quando elogiamos alguém, dizemos: “nossa, que bela atitude”.

A beleza também tem o sentido de integralidade, de plenitude. Aquilo que é belo, está completo, não falta nada. Um cavalo sem uma perna ou um carro sem uma roda não são bonitos, pois lhes falta algo. Já uma pessoa, por mais que possa ter um corpo bonito, se possuir graves falhas de caráter, não é considerada bela, pois lhe falta algo.

O belo possui harmonia, proporção.

Mais uma característica da beleza é ter um aspecto de saída de si mesmo, de comunicar a sua essência. Aquilo que é belo chama a atenção para si mesmo, pois está comunicando o que é. A beleza não deve passar desapercebida. Ela existe para ser contemplada.

A razão de ser da beleza

Tudo que é belo, ao ser contemplado, deve remeter a algo maior, a uma beleza superior e eterna. Deus, o Criador, é a Beleza eterna e comunicou algo de si para as suas criaturas. Por isso, a beleza que percebemos com nossos sentidos é como uma flecha que aponta para o Criador e a alegria e satisfação que sentimos deve nos lembrar que é só uma pequena amostra do que sentiremos ao contemplar a pura Beleza na eternidade.

As coisas belas existem para serem um bálsamo em nossa jornada; para nos causar alegria e um sentimento de gratidão. A beleza nos lembra também de como devemos buscar essa harmonia, proporção e doação de si mesmo, para participarmos refletirmos melhor a Beleza eterna e nos tornarmos um canal de alegria para os outros.

Ataque contra a beleza

A idade moderna, principalmente através da arte, iniciou um processo de ataque contra a beleza. Em uma atitude de rebeldia, começaram a retratar a desordem, a confusão, o abstratismo, demonstrando como estavam sentindo e esse sentimento era ruim. A partir daí, iniciou a tentativa de tirar a objetividade da beleza, passando para uma área totalmente subjetiva ao afirmar que “a beleza está nos olhos de quem vê”.

Esse ataque contra a beleza tem o objetivo de nos tirar a possibilidade de contemplação do Criador e assim nos afastar do caminho que nos leva a Ele. Infelizmente essa mentalidade já está muito entranhada em nossa sociedade e se reflete não só na arte, mas até na maneira de vestir, sendo comum o uso de roupas rasgadas, desbotadas, manchadas. As pessoas não se preocupam mais em se vestir bem e muitas ainda querem chamar a atenção usando roupas estravagantes.

A busca da Beleza

A busca da beleza deve ser encarada de uma maneira correta e está relacionada com a virtude da ordem. É possível perceber a beleza nas coisas pois nosso cérebro busca a ordem e a harmonia. A maneira como pensamos melhor é quando o ambiente está organizado. Não só o ambiente externo, mas principalmente o nosso interior. A desordem causa estresse, nervosismo, frustração.

Buscar a beleza significa buscar harmonizar nossa vida, nossos relacionamentos e também o ambiente em que vivemos. Colocar as coisas em ordem, saber que existe uma hierarquia de valores que precisamos seguir, se desejamos ter uma vida mais plena, mais saudável, mais bela. Saber que é importante ter a beleza em nosso dia a dia para nos ajudar a contemplar o Criador e nos lembrar para que fomos criados: para um dia, gozar da alegria eterna no Céu.

Alguns cuidados

Precisamos cuidar para não exagerar nessa busca da beleza. Muitas vezes esse anseio pelo belo é confundido com uma necessidade de aparentar uma eterna juventude, onde as marcas da idade são desprezadas. São realizados inúmeros procedimentos estéticos para tentar alcançar uma suposta beleza exterior, porém os resultados muitas vezes são bizarros.

Devemos lembrar que a beleza é harmonia, é proporção, é ordem. Uma pessoa de 60 anos que quer aparentar ter 30, não é harmônica, está em desordem. Assim, não importa a quantidade de procedimentos estéticos que faça, não será bela.

A beleza exterior deve refletir a beleza interior. Assim, a maior preocupação deve ser com ter uma alma bela, com os sentimentos e emoções ordenados, com os instintos controlados e com uma vida sobrenatural abundante. Quanto mais próximos estivermos de Deus, melhor poderemos refletir sua Beleza. Esse é o verdadeiro segredo.

Foto de Sean Oulashin na Unsplash

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

A FELICIDADE DEPENDE DAQUILO QUE TE MOTIVA

 


Fomos criados para sermos felizes e cada ser humano vive nessa constante busca da felicidade. Porém, a intensidade e a duração da sua felicidade dependem das suas motivações.

"Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.” (Jo 15,11) Jesus já nos ensina que o desejo de Deus para cada um de nós é a completa alegria, a felicidade sem fim. Por causa do pecado, esse tipo de felicidade infinita não é possível enquanto estamos aqui na terra, porém podemos chegar muito perto disso, dependendo das escolhas que fazemos.

A felicidade não é uma coisa estática, como uma foto, mas é um estado de ânimo que depende muito mais de nossas disposições interiores do que de acontecimentos externos. Por isso, dependendo de como buscamos a felicidade, de qual é a nossa motivação, podemos encontrá-la ou não.

Motivação do prazer

Podemos identificar três motivações básicas do homem para buscar a felicidade, segundo Peres Lopes: o prazer, a intelectualidade e a transcendência. A motivação pelo prazer é a motivação mais básica, que os animais também possuem. A pessoa é movida a agir para sentir prazer, como comer, beber, dormir, ter relações sexuais, entre outros. A recompensa por essa ação geralmente é imediata e pode ser muito intensa até, porém essa sensação logo passa. Isso é causada pela dopamina, um neurotransmissor, que está relacionada com esse sistema de recompensa. Quando os neurônios desse sistema são ativados, eles liberam a dopamina em regiões específicas do cérebro, causando o aumento da sensação de prazer.

Com o vazio desse prazer que já passou, a pessoa busca novamente os mesmos estímulos, porém, cada vez precisa de um estímulo maior para ter a mesma sensação e muitas vezes esse tipo de felicidade fugaz vira um vício.

Motivação intelectual

O segundo tipo de motivação é aquela que estimula o intelecto. Não é mais uma motivação externa, como é o caso da busca do prazer e também não é acessível aos animais. O tipo de alegria proporcionada por essa motivação é uma alegria tipicamente humana, de satisfação pelo crescimento das habilidades intelectuais e do desenvolvimento pessoal. Consequentemente esse tipo de felicidade é mais intensa e mais duradoura que a causada somente pelo prazer e a razão disso é que esse tipo de satisfação exige um certo esforço por parte da pessoa. Não é uma satisfação automática que responde a um estímulo. É um processo, muitas vezes penoso, mas que no fim, gera essa alegria mais sóbria. Alguns exemplos são conseguir tocar um instrumento, ganhar uma competição esportiva ou aprender alguma disciplina, como matemática, física, etc.

Motivação transcendente

O tipo mais elevado de motivação que traz realmente uma felicidade mais plena e duradoura é a motivação transcendente, aquilo que vai além das sensações físicas e intelectuais, aquilo que ultrapassa o próprio ser humano, como por exemplo, a busca da glória ou o amor verdadeiro que deseja causar alegria para outra pessoa ou ainda fazer algo que tenha um impacto positivo para muitas pessoas. Esse tipo de motivação ajuda a pessoa a superar qualquer obstáculo, a fazer os maiores sacrifícios e faz tudo isso com uma grande alegria, pois o que busca não é um simples prazer efêmero ou uma conquista intelectual, mas um bem que ultrapassa a si mesmo.

Alguns exemplos desse tipo de motivação é o jovem que dá aulas gratuitas num cursinho da periferia, ou o voluntário que alimenta os moradores de rua ou o pai de família que realiza um trabalho que lhe custa muito, mas que é importante para o sustento de sua família ou ainda aquela pessoa que está disposta a entregar a própria vida por uma causa.

Felicidade duradoura

Assim, para conseguirmos ter essa felicidade duradoura, mesmo em meio ao sofrimento (do qual ninguém escapa), é preciso que nossas motivações sejam mais elevadas, buscando fazer o bem para os outros. “Buscai as coisas do alto” (Col 3,1), já nos orienta São Paulo.

Isso não significa que não possamos sentir prazer. O prazer foi criado por Deus e é uma coisa boa, mas ele não pode ser a finalidade das nossas ações. A motivação mais elevada que podemos ter é aquela do próprio Jesus: fazer em tudo a vontade do Pai (Jo 4, 34; Jo 6, 38). Essa é a alegria de Jesus que ele quer que esteja em nós, para que a nossa alegria seja plena.

Nossa meta: a santidade

A vontade do Pai para cada um de nós é que sejamos santos! Ser santo significa desenvolver todo o potencial para o qual fomos criados e um dia gozar da felicidade plena no Céu. Assim, precisamos conhecer a nós mesmos e vermos quais virtudes precisamos conquistar. Devemos utilizar todos os meios que a Santa Igreja coloca a nossa disposição para alcançarmos a santidade, que são os sacramentos, especialmente o da confissão e o da eucaristia. Buscar uma rica vida interior, com a oração e a meditação da vida diária, enxergando como o Pai se comunica comigo e demonstra seu amor por mim no dia a dia.

Portanto, busquemos a felicidade onde ela realmente está: em uma vida santa, de amor a Deus e aos outros.

Photo by KAL VISUALS on Unsplash

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A IMPORTÂNCIA DE CULTIVAR A ALEGRIA


Todos nós buscamos a alegria. A alegria é um anseio profundo de nossa alma, então precisamos aprender a encontrá-la e a cultivá-la. Um lar alegre é um ambiente onde as virtudes podem se desenvolver e frutificar.

Existem diferentes tipos de alegria. A alegria como sentimento aparece quando alcançamos aquilo que desejamos. Porém, como todo sentimento, ela é passageira e quando vai embora, deixa uma certa nostalgia na alma. Precisamos ter cuidado com esse tipo de alegria para não se tornar um vício, um buscar o sentimento a qualquer custo, pois senão será uma fonte de amargura e desilusão. 

A alegria como sentimento pela posse de um bem será mais nobre e duradoura de acordo com o tipo de bem que almejamos. O bem maior que podemos desejar é ser amado e querido, assim a maior alegria é saber que se é amado e querido.

Outro tipo de alegria é aquela que obtemos pela convicção de termos cumprido bem o nosso dever. Quando nos esforçamos para fazer bem a nossa obrigação, possuímos uma alegria mais estável, que não vai embora tão facilmente. Mesmo se estamos exaustos, ou se estamos sofrendo, mas cumprindo nosso dever, temos em nossa alma essa alegria, esse sentido de que todo esforço vale a pena.

Além do sentimento pela posse de um bem e da convicção do dever cumprido, a alegria ainda é uma atitude. Podemos escolher ter uma atitude alegre, independente do que está acontecendo em nossa vida. Podemos dar essa alegria a quem amamos, mesmo se não estamos nos sentindo bem. Essa atitude de alegria é uma demonstração do domínio de si mesmo. E não existe maior alegria que podemos experimentar do que a do autodomínio, de saber que não é escravo das paixões, dos sentimentos, das vontades, do humor.

Devemos lutar muito para conseguirmos ter esse tipo de alegria, de poder dar um sorriso a todos que se encontram conosco, independente de como nos sentimos. Isso é uma grande prova de amor ao próximo, pois deixar-se guiar pelo sentimento, pelo humor é um tremendo egoísmo.

Todos os dias podemos procurar fazer algo que traga alegria aos que moram conosco. Um dia preparar um prato que o marido gosta, outro dia deixar um bilhetinho na agenda do filho, outro dia trazer uma flor para a esposa sem nenhuma data especial, arrumar a cama sem a mãe ter que pedir, enfim são vários pequenos gestos que todos podemos fazer para deixar o ambiente do lar mais leve e alegre.

Por fim, existe ainda a alegria sobrenatural, aquela que ninguém pode nos tirar. Essa alegria, a verdadeira alegria, brota da união com Deus, da “posse” de Deus, de saber que Deus habita em nossa alma, que nos ama infinitamente e que nos transforma.

Assim, para termos essa alegria em plenitude, devemos perseverar no amor de Deus, através da oração e da frequência aos sacramentos, especialmente na Sagrada Eucaristia. Através da comunhão do corpo e sangue de Cristo, ele realmente está em nós, não havendo união mais perfeita entre Deus e o ser humano nesse mundo.

photo credit: smolarek.janusz <a href="http://www.flickr.com/photos/125415920@N08/22834229942">Dorota & Konrad</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>