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quarta-feira, 23 de abril de 2025

50 DIAS DE ALEGRIA

 


O período litúrgico da Páscoa abrange 50 dias: inicia no domingo da Ressurreição e vai até o domingo de Pentecostes. São 50 dias celebrando a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte, por isso um tempo de muita alegria. A igreja se veste de branco que representa essa alegria e a paz oriunda da libertação do pecado e da abertura das portas do Céu para cada um de nós.

Celebrar esse período é muito importante, pois é uma forma de agradecer a Deus por esse grande dom de um dia poder passar a eternidade com a Santíssima Trindade nas alegrias do Paraíso. Festejar, comemorar é algo que aparece na Bíblia várias vezes. Por exemplo, no retorno do filho pródigo, o pai explica ao irmão mais velho: “Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (Lc 15,32). O livro do Apocalipse também fala de uma grande festa: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada.” (Ap 19,7)

Alegria em meio às dificuldades

É por isso que a Igreja nos convida a passar esse tempo com espírito alegre, mesmo em meio às dificuldades e sofrimentos do dia a dia. Essa alegria deve decorrer da nossa esperança da felicidade eterna que nos foi prometida e conquistada por Jesus. Então, para alimentar nossa esperança e fortalecer nossa alegria, devemos pensar muito no Céu e comunicar essa boa nova aos outros.

O Céu é tão maravilhoso que é quase impossível de descrever. Muitos santos tiveram o privilégio de poder ver o Céu por alguns instantes. Santa Faustina nos conta: “27.11.[1936]. Hoje estive no Céu, em espírito, e vi as belezas inconcebíveis e a felicidade que nos espera depois da morte. Vi como todas as criaturas prestam incessantemente honra e glória a Deus. Vi como é grande a felicidade em Deus, que se derrama sobre todas as criaturas, tornando-as felizes, e então toda a honra e glória precedente da felicidade voltam à sua fonte e penetram na profundeza de Deus, contemplando a Sua vida interior - o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Quem jamais compreenderão ou aprofundarão. Essa Fonte de felicidade é imutável em Sua Essência, mas sempre nova, jorrando para a felicidade de toda a criatura. Compreendo agora São Paulo, que disse: “Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais imaginou o coração do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam.” (Diário de Santa Faustina – 777)

Quando o sofrimento bater a nossa porta, devemos lembrar das palavras de São Paulo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18). E ainda: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4)

Ser anunciador do Céu

Pensar no Céu, desejar o Céu, falar do Céu, especialmente para quem mais amamos, deve ser uma ocupação predileta nesse tempo pascal. Levar essa mensagem de esperança também para os que não tem fé e que estão sofrendo. A mensagem da conversão é uma mensagem de libertação do jugo do pecado. Fomos resgatados por um alto preço e isso deve causar grande alegria.

A alegria é contagiante. Quando nos aproximamos de uma pessoa que está alegre, automaticamente nos sentimos melhor e até esboçamos um sorriso. Como cristãos, devemos ser essa fonte de alegria para os outros, pois sabemos o que existe um Céu com a felicidade infinita que nos espera.

Formas de celebrar em família

O tempo Pascal deve ser celebrado especialmente no seio familiar e o foco deve ser manter o ambiente familiar sempre alegre. Elencamos aqui algumas sugestões para ajudar a manter esse ambiente pascal em nossas casas:

- Sugerir um propósito para os membros da família de procurar, pelo menos uma vez ao dia, causar alegria a alguém da família. Pode ser um sorriso, um abraço, uma mensagem inesperada de carinho, um telefonema, prestar um serviço, como guardar a louça ou arrumar a cama do outro... Enfim, são inúmeros pequenos gestos que podem causar alegria à nossa família

- Fazer uma refeição especial durante a semana, com direito a sobremesa caprichada

- Fazer um passeio no parque ou uma noite de cinema em família

- Reunir a família para contarem as bênçãos que tem recebido e serem gratos por elas. Cada um deve falar pelo menos uma coisa boa que recebeu de Deus nos últimos dias

- Ajudar o próximo, seja levando doação de alimentos, visitando lares de idosos ou ligando para alguém que há muito não conversamos e pode estar se sentindo solitário


crédito da foto: Foto de Allef Vinicius na Unsplash

quarta-feira, 8 de abril de 2020

JESUS QUER CELEBRAR A PÁSCOA NA SUA CASA!



Na narrativa sobre os preparativos para a Última Ceia, São Lucas informa que Jesus pediu a Pedro e João que fossem preparar a Páscoa. O versículo 11, do capítulo 22 nos diz: “E direis ao dono da casa: o Mestre pergunta-te: Onde está a sala onde comerei a Páscoa com meus discípulos?” Esta pergunta que os apóstolos Pedro e João fizeram ao dono da casa onde foi celebrada a última ceia deve ser feita a cada um de nós, nesse ano tão conturbado onde não poderemos ir até a Igreja para celebrar a Páscoa. Nós não poderemos ir até a Igreja, mas Jesus quer vir celebrar a Páscoa em nossa casa!

Jesus então nos pergunta: onde está a sala onde comerei a Páscoa com vocês? Como vocês estão preparando esse momento tão único, o ponto alto do ano litúrgico na igreja doméstica de vocês? Esse ano será diferente, mas não significa que não possamos viver o Tríduo Pascal e o Domingo de Páscoa de forma muito rica e profunda, talvez até mais intensamente do que nos outros anos.

Todos estamos sofrendo pelo fato de as igrejas estarem fechadas, de não podermos nem visitar Jesus Eucarístico. O Pe. José Kentenich nos lembra que os governos podem até fechar ou destruir todas as igrejas, mas na igreja doméstica, no santuário de nosso lar, a fé continuará viva e ninguém pode destruir!

Devemos aproveitar esse momento único na história e preparar de forma extraordinária a vivência da Páscoa em nosso lar. Podemos encontrar na internet muitas sugestões criativas de como tornar essa vivência de Páscoa em nossa igreja doméstica um momento inesquecível. Vou elencar algumas sugestões:

5ª Feira Santa
- cobrir as imagens e crucifixo que tenham em casa, pode ser com fronhas, toalhas ou tecido TNT
- fazer um momento de “lava-pés” em família. Podem encenar esse momento da última ceia, com o marido lavando os pés da esposa e dos filhos, ou se revezando um lavando os pés do outro. Podem também fazer um momento de pedido de perdão, cada um pedindo perdão ao outro por alguma ofensa cometida ou por deixar de fazer algo que causasse alegria ao outro.
- assistir a missa pela TV ou internet em família

6ª Feira Santa
- lembrar que é um dia de silêncio, jejum e abstinência de carne
- fazer um momento de adoração espiritual, pedindo ao seu Santo Anjo da Guarda que vá até um Sacrário e adore a Jesus Sacramentado. Santo Antonio Maria Claret elaborou uma oração muito bonita para fazer diante de Jesus Sacramentado e pode ser vista aqui
- oração dos mistérios dolorosos do Santo Terço em família
- assistir pelos meios de comunicação a celebração da Paixão de Cristo às 15h
- preparar as estações da Via Sacra nos cômodos da casa, pode ser com cruzes de papel ou gravetos, ou imprimir as fotos de cada estação. Na Sexta Feira Santa, rezar a Via Sacra com os membros da família, caminhando para cada estação.

Sábado Santo
- preparar alguns enfeites para colocar na casa no Domingo de Páscoa. Podem usar a criatividade para fazer coisas com material reciclável
- como ainda é dia de silêncio, determinar os horários que poderão assistir TV ou usar o computador e celular. Manter as luzes da casa todas apagadas, para acende-las apenas no momento da Vigília Pascal
- assistir a missa da Vigília Pascal pelos meios de comunicação, podendo utilizar velas. Levar uma bacia com água e alguns ramos para o momento da renovação das promessas do Batismo. Descobrir as imagens e crucifixos que ficaram velados nesses dias
- preparar um jantar festivo em família

Domingo de Páscoa
- colocar os enfeites preparados no sábado para deixar a casa bem alegre
- assistir a missa de Páscoa pelos meios de comunicação
- almoço festivo em família, colocando na mesa o que há de melhor com relação a toalhas, pratos, talheres. Se possível, enfeitar com flores
- fazer uma vídeo chamada com os membros da família estendida: avós, tios, primos, para desejar uma Feliz Páscoa
- rezar os mistérios gloriosos do Santo Terço

Então, sem desânimo! Esse é o tempo favorável, o tempo para a nossa conversão, o tempo de intensificarmos nossas orações e o tempo de celebrarmos com muito amor a Páscoa em nossa família!




terça-feira, 18 de outubro de 2016

SENHOR, ESCUTAI A NOSSA PRECE!


Ouvi um testemunho de uma pessoa que estava numa sala de espera de um Pronto Socorro, quando uma família chegou com uma criança doente. Assim que a criança entrou para ser atendida, os demais membros da família se abraçaram e começaram a rezar em voz alta, pedindo a Deus que tudo corresse bem e a saúde da criança fosse restabelecida.

Quando soube disso, fiquei pensando: será que faria o mesmo em tal situação? Sempre achei que nossa família fosse uma família de oração, mas esse testemunho me fez refletir de como podemos melhorar nesse quesito. Essa família não estava dando um show; eles estavam em uma necessidade e pediram ao Pai Celestial por sua ajuda. O ambiente não importava - eles fizeram o que ocorreu naturalmente a eles, e ficou óbvio que a oração era parte de suas vidas diárias.

A oração faz parte de nosso dia a dia? Ela é tão natural para nós que podemos começar a rezar em qualquer hora, em qualquer lugar? Talvez não tenhamos uma personalidade que nos leve a rezar em voz alta em lugares públicos, mesmo numa crise. Mas no mínimo rezar - ter Deus em primeiro lugar em nossos pensamentos em qualquer situação - é o que o Primeiro Mandamento requer de nós.

A oração é muito mais do que apenas pedir a Deus o que nós queremos. Na oração, reconhecemos o poder e a bondade de Deus e admitimos nossa própria necessidade e dependência dele. Quando rezamos, expressamos nossa fé e esperança em Deus. Através da oração, obtemos a graça e elevamos nossas mentes e corações para um maior conhecimento e amor por Deus. Quanto mais rezamos, mas chegamos a conhecer e amar a Deus. É como o exercício, quanto mais nos exercitamos, nossas mentes ficam mais eficientes e nossos corpos mais fortes. Eventualmente, o exercício se torna parte de nossa rotina e nós o fazemos sem mesmo refletir muito. O mesmo acontece com a oração.

O sinal mais óbvio de amor a Deus é a oração. Cada oração realmente boa contém não apenas pedidos e expressões de pesar por nossas falhas, mas também louvor e adoração a Deus.

A oração não é apenas sobre falar, mas também sobre ouvir. Aqui lembro um testemunho da Ir. Petra sobre nosso o Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ela contou que após terminar um trabalho importante, o padre pediu que ela levasse o texto ao Santuário e o apresentasse a Nossa Senhora. Ela foi, colocou sobre o altar, fez alguns minutos de oração pedindo que a Mãe de Deus cuidasse daquele trabalho e saiu. Então, o Pe. Kentenich perguntou o que a Mãe de Deus  havia dito. Ela ficou confusa e quando contou a ele como havia feito, ele respondeu que ela saiu muito rápido do Santuário, justamente quando Nossa Senhora iria dar a resposta. Então, ela voltou ao Santuário, ficou em silêncio e pediu que a Mãe de Deus lhe respondesse. Depois de algum tempo, ela começou a sentir em seu coração aquilo que a Mãe queria lhe transmitir.

Como todo bom hábito, a oração requer frequentes lembretes. Para nós católicos, os sacramentais são sinais e símbolos que nos aproximam de Deus, como por exemplo, água benta, a cruz, imagem de Nossa Senhora, terços, imagens de santos, etc. Eles são como aqueles bilhetinhos que penduramos para não esquecer um compromisso importante, nos lembrando de Deus e de sua bondade.

Não existe um manual a se seguir quando se trata de oração, principalmente oração em família. Cada um deve se ajustar de acordo com as necessidades e capacidades da família. Mas o importante é rezar junto, pelo menos uma vez ao dia. 

Para refletir:
1. Como é a nossa vida de oração em família?
2. Como podemos fazer dela um momento que dê mais fruto?
3. Que tipo de oração funciona melhor para a nossa família? Como você pode aproveitar isso para ajudar seus filhos a fomentar um relacionamento mais animado e mais pessoal a Deus?

photo credit: ashley rose, <a href="http://www.flickr.com/photos/22196205@N03/3902458347">70.365 please God hear my cries</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 19 de abril de 2016

CARTA DE UM BEBÊ QUE FOI PARA O CÉU

Hoje faz 8 anos que nossa caçulinha, a Júlia, foi para o Céu. Ela foi uma bênção para nossa família nos pouco mais de 5 meses que passou conosco. Hoje é nossa santa particular e intercede por nós junto a Jesus. Quem quiser saber a história completa dela, veja aqui. Compartilho com vocês uma cartinha que escrevi poucos dias depois que ela faleceu, em agradecimento a todos da UTI Neonatal da Maternidade de Campinas que me ajudaram a cuidar dela nesse período.  

Querida família da UTI Neonatal,

Inspirei minha mãe a escrever esta cartinha pra vocês, para agradecer. Gostaria de agradecer a todos, e a cada um de vocês, por tudo que fizeram por mim nestes pouco mais de cinco meses em que passamos juntos. Pelo cuidado ao tocarem em mim, pelas “balinhas” na hora dos exames - para eu não sofrer tanto, pelos carinhos em minhas dobrinhas quando estavam passando o leite, pelos muitos banhos para me refrescar e abaixar aquela febre que parecia não ir embora nunca, pelo sono perdido para tentar entender o que estava acontecendo comigo...

Obrigada pelo berço que me deixou mais confortável Por me arrumarem e me perfumarem, pelas “cabanas” para a luz não me incomodar, pela sopinha e pelo suco, enfim por me fazerem sentir em casa. Vocês foram uma verdadeira família pra mim, afinal passei muito mais tempo com vocês do que com meus pais e irmãos.

Sei que logo que nasci, muitos acreditaram que eu não iria viver muito, e por isso não queriam se apegar. Mas aos poucos fui conquistando a todos com meu olhar vivo e penetrante. Que não desistia de lutar pela vida, por um pouco mais de oxigênio, por um pouco mais de tempo.

Agora estou muito bem. Plenamente feliz, juntinho do Papai do Céu e no colo de nossa Mãezinha, sabendo que cumpri minha missão aí na terra. Não sinto mais dor, falta de ar, nem cansaço. Estou com outros amiguinhos por aqui, que também passaram um tempinho aí com vocês e vieram pra cá pouco antes de mim, e agradecem comigo: o Caio (irmão do Pedro), a Mariana, o Mateus, a Lara (irmã da Luana) e a outra Júlia. Sei que existem outros, mas ainda não os conheci, afinal cheguei só há alguns dias...

Minha missão foi, e continua sendo, mostrar a todos de que a VIDA VALE A PENA. A vida é o maior presente que recebemos do Papai do Céu e devemos cuidar dela com muito carinho, não nos apegando muito aos bens materiais e nem perdendo a nossa saúde com preocupações inúteis. O que realmente importa em nossa vida é o AMOR. O quanto fomos amados e o quanto amamos. Para amarmos e sermos amados, não precisamos de um corpo perfeito e nem de saúde (disso eu tenho certeza), apenas da vontade de amar e disponibilidade para o sacrifício. O sacrifício e a dor purificam e aumentam o amor, e o porquê disso, vocês só irão entender plenamente quando estiverem aqui comigo.

Eu não cheguei a ver a luz do sol, não comi chocolate, não brinquei no mar, enfim, não desfrutei de nenhum dos prazeres deste mundo. Mas vivi plenamente a minha vida, pois fui muito amada e amei demais. Amei tanto que, quando percebi que minha estadia aí no hospital estava ficando complicada, pois já não era mais recém-nascida e precisava dar minha vaga para algum outro bebê mais necessitado e que minha mãe não aguentava mais, que estava muito cansada em ter que me visitar aí todos os dias, pedi a Mãezinha do Céu que viesse me buscar, pois havia chegado a hora.

Sei que a separação é difícil e dói bastante, mas estarei sempre com vocês, ajudando no que vocês precisarem. Como Jesus mesmo disse, o Reino dos Céus é das crianças, então daqui posso fazer muito. Quando as coisas estiverem difíceis por aí, lembrem-se de mim e podem pedir que eu ajudo. Amem muito e amem a todos que eu garanto que a recompensa será imensa: um lugar aqui no Paraíso.

Bom, me despeço agradecendo mais uma vez por tudo e na esperança de poder revê-los um dia...

Com carinho,
 JUJU




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

TRABALHANDO JUNTOS PELA NOSSA FELICIDADE



O matrimônio é a célula base de nossa sociedade e tem sido muito atacado recentemente. Todos os casamentos estão ameaçados, não importa quanto tempo de casados, o fantasma do divórcio está sempre a espreita. 

Casamos para sermos felizes, mas muitos casais não o são e acabam colocando fim ao matrimônio em busca justamente da felicidade. Quando nos casamos, acreditamos que com aquela pessoa poderíamos ser felizes, que nossa felicidade estava assegurada. Ninguém se casa para ter uma vida miserável, infeliz.

O Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, cita um adágio antigo que diz: "Todo reino se conserva com as forças que lhe deu origem." Quais foram as forças que deram origem ao nosso matrimônio? Se estas forças continuam presentes, estamos bem. Caso contrário, precisamos mudar alguma coisa.

Qual foi a primeira coisa que chamou a nossa atenção para o outro? De todas as pessoas que conhecíamos, uma nos chamou a atenção por ser especial. Pode ter sido de uma hora para outra, como um raio, ou gradativamente, pouco a pouco aquela pessoa foi nos conquistando. Se nos fixamos em alguém, era porque vimos algo valioso nele ou nela. Pode ter sido a beleza, a inteligência, a integridade. Vimos alguma qualidade que nós gostamos e na medida em que fomos conhecendo mais essa pessoa, começamos a nos fascinar e apaixonar por ela.

E como é agora? Chegamos ao ápice e nos casamos. Depois, essa pessoa que era tão trabalhadora, se torna uma viciada em trabalho; quem era tão simpática, passa a ser uma pessoa superficial; aquele que era tão inteligente, agora não consegue perceber algo básico. A imagem que tínhamos muda e já não admiramos tanto essa pessoa.

Os primeiros anos de casamento as vezes são muito duros: temos que ganhar a vida, vem os filhos, começamos também a ver os lados fracos do companheiro, as vezes de maneira muito forte. Vemos um ao outro como realmente somos: com muito valor e com muitos defeitos. Como conservar a admiração pela pessoa com quem casei?

O amor tem que amadurecer. Precisamos reconhecer que essa pessoa é um presente. Um presente que pode estar embrulhado em um papel muito feio, mas ainda é um verdadeiro presente. Eu me apaixonei por uma pessoa real. Será que ela perdeu as qualidades que tanto admirei? Será que não possui outras qualidades que ainda não descobri? Todas as pessoas possuem coisas lindas, grandes.

"Não podemos ser como as moscas que ficam parando em todas as coisas sujas. Precisamos ser como as abelhas, que buscam e extraem o bonito e o doce." (Pe. Kentenich). Nós temos que sempre voltar a buscar e a encontrar o que é lindo no outro, em meu companheiro de vida. Travar uma luta real para aflorar essa riqueza que existe no outro e não ficar somente no lado que não é tão bonito.

Não devemos ser "mártires" que apenas suportam o lado ruim do outro. Não nascemos para isso, fomos criados para sermos felizes e pelo sacramento do matrimônio recebemos todas as graças necessárias para sermos felizes um com o outro.
 
Precisamos aprender a arte de trabalhar nossos defeitos, realizar um trabalho de superação pessoal. Se tenho um defeito e o outro me mostra, devo procurar superar esse defeito. Nós trabalhamos como casal, trabalhamos nossa personalidade, para crescermos como pessoa. Estamos em um mesmo lugar para vivermos felizes. Buscamos solucionar aquilo que torna nossa vida menos agradável.

Precisamos trabalhar para ajudar ao outro a superar seu problema, sua limitação. Normalmente só reclamamos: até quando? Quantas vezes já te falei isso? Mas se mantenho essa atitude, o que menos consigo é que o outro mude. Resmungar e reclamar é a pior maneira de lidar com essa situação.

Mas a mudança é necessária. Então precisamos introduzir algo novo em nosso relacionamento. No Movimento de Schoenstatt chamamos de autoformação. Cada um de nós está em um caminho de crescimento e no matrimônio possuímos uma grande vantagem, porque um pode ajudar ao outro, com amor, primeiro a ver o seu problema para então superar suas debilidades. Assim trabalhamos juntos um para o outro.

Se vejo que o outro está se esforçando para superar um defeito, tenho mais paciência de suportar esse defeito, pois sei que as coisas não mudam de um dia para o outro. E vice-versa. Eu sei que também tenho coisas que para mim é difícil mudar e o outro tem paciência comigo. E essa dinâmica nos tranquiliza.

Uma sugestão é nos reunirmos como casal uma vez ao mês para revisarmos esse nosso esforço por superamos nossos defeitos. Em uma ou duas horas, podemos compartilhar com o outro nossos sucessos e fracassos e desta forma, nos fortalecemos.

Todavia, precisamos ter consciência que existem defeitos que não são possíveis mudar. Por mais esforços que façamos, existem coisas que simplesmente não mudam. Não nos casamos com uma pessoa perfeita, mas com um ser humano, que muitas vezes vem com defeito "de fábrica". Então precisamos pensar com muito realismo: da mesma forma que eu tenho que suportar esse defeito "imutável" do outro ele também tem que me suportar em meu defeito "imutável". Como disse S. Paulo, o amor consiste em carregar o fardo uns dos outros. Eu amo você assim como você é e aceito sua pessoa com gratidão, porque tem muitas coisas lindas. Eu te aceito e te amo porque vejo que está se esforçando por melhorar, mas também aceito que não vai conseguir mudar tudo.

Essa dinâmica não termina nunca. Nós vamos mudando durante a vida, as novas etapas apresentam novas exigências e mostram ainda novos valores e novos defeitos. Precisamos sempre ter a consciência de cuidar para não perder a admiração pelo outro. Nunca posso deixar de ver em meu cônjuge algo lindo, algo que agrada, que me enriquece, afinal esta pessoa foi o presente que Deus me deu para me ajudar a chegar ao Céu. 

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/16105263@N00/7183245889">Valentine 2012</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 15 de setembro de 2015

CRIANDO A ATMOSFERA FAMILIAR

A atmosfera de nosso lar é fundamental para que os esposos e os filhos sintam-se acolhidos em um lugar que eles realmente desejam estar. O mundo oferece muitos prazeres nem sempre saudáveis, por isso temos que lutar para que nosso lar seja um lugar alegre, leve e feliz. Um lugar atraente para o casal e para os filhos. Pe. José Kentenich dizia que a flor da pureza tanto dos filhos como do casal só cresce em um ambiente alegre. 

"Manter uma família alegre requer muito tanto dos pais como dos filhos. Cada membro da família precisa se tornar, de uma maneira especial, o servo para os outros e dividir seus fardos. Cada um deve mostrar preocupação, não apenas por sua própria vida, mas pelas vidas dos outros membros da família: suas necessidades, suas esperanças, seus ideais." (S. João Paulo II).

Várias são as formas de conseguir esta atmosfera familiar saudável. Saudar com afeição cada membro da família quando chegam em casa, tomar cuidado para a hora das refeições não se tornarem momentos de discussões, rezar em família pelo menos uma vez ao dia, cuidar para que a casa esteja limpa e arrumada (mas sem neuroses!!), entre outros.

O mais importante é a atenção pessoal dedicada a cada um. Nada substitui um gesto de carinho, um olhar nos olhos do outro, nem que seja por poucos minutos. Tanto o marido como a esposa deveriam se preocupar em criar este lar um para o outro e também para os filhos todos os dias.

"Com efeito, é dever dos pais criar um ambiente de tal modo animado pelo amor e pela piedade para com Deus e para com os homens que favoreça a completa educação pessoal e social dos filhos. A família é, portanto, a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade. Mas, é sobretudo, na família cristã, ornada da graça e do dever do sacramento do Matrimônio, que devem ser ensinados os filhos desde os primeiros anos, segundo a fé recebida no Batismo a conhecer e a adorar Deus e a amar o próximo; é aí que eles encontram a primeira experiência quer da sã sociedade humana quer da Igreja; é pela família, enfim, que eles são pouco a pouco introduzidos no consórcio civil dos homens e no Povo de Deus. Reconheçam, portanto, os pais a importância da família verdadeiramente cristã na vida e progresso do próprio Povo de Deus" (Papa Paulo VI, Gravissimum Educationis)

Para refletir:
1. Que coisa especial você pode fazer para tornar a atmosfera de seu lar mais agradável?
2. Como você pode saudar um ao outro no fim do dia de uma maneira que inspire felicidade?

3. Como é o contato entre os membros da sua família? Como você pode acrescentar uma dimensão mais humana e pessoal?

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CORRESPONSABILIDADE FAMILIAR

A reflexão de hoje é um texto do Pe. Nicolás Schweizer, publicado em suas Reflexões, No. 122, de 01.01.12. 

Um dos problemas que vejo no caminho para a santidade é o que poderíamos chamar uma falta de corresponsabilidade pelo outro. Muitos aspectos de nossa vida nos custam muito, seja na vida espiritual (p.ex. a oração serena e profunda, a fidelidade nos propósitos), ou seja, na vida natural (por exemplo, nos dominar na comida ou bebida, com o cigarro, fazer caminhadas). 

Percebemos que superam nossas forças, que sozinhos não podemos conquistá-los. Tentamos muitas vezes e não conseguimos. E então, o que podemos fazer? Temos que nos ajudar uns aos outros, nos aconselhar, chamar mutuamente a atenção. Porque cada um é corresponsável pela santidade de sua família.

O problema do tempo. Trata-se da falta permanente de tempo de muitos. Acontece que o tempo passa sem deter-se. Podemos perdê-lo, mas não ganhá-lo. Só podemos aproveitá-lo melhor. Dominar o tempo é, na realidade, dominar-se a si mesmo, não se deixar derrubar nem arrastar por si mesmo e pelos demais. É saber tomar distância, meditar serenamente sobre a maneira como empregamos nosso tempo. Trata-se da arte de viver plenamente o momento presente. 

A muitos lhes é difícil a distribuição adequada de seu tempo, o equilíbrio racional entre as distintas atividades da vida: família, trabalho, descanso, vida espiritual e apostólica. Todos nós conhecemos o poder escravizador do trabalho. É como uma droga que intoxica e depois exige aumentar a dose. O trabalho excessivo pode atrofiar o crescimento, murchar a alegria, afogar a vida. Também as atividades sociais ou apostólicas podem se tornar obstáculos para a santidade. Principalmente se não aprendemos a dizer não; e sempre é melhor um não amável a um sim não cumprido.

Creio que a muitos lhes falta também mais ordem e disciplina em sua vida diária; falta-lhes definir claramente suas prioridades pessoais, sua escala de valores.

Um ponto fundamental é o descanso. Há um cansaço normal, ao fim do dia ou do ano. Mas também há uma fadiga que arrasta toda a pessoa, um esgotamento nervoso que tem a ver com a falta de descanso, de ócio, de exercícios. Muitos se sentem estressados, porque querem fazer muitas coisas em pouco tempo e sofrem, por isso, tensões, irritações e raivas. E isso lhes impede gozar a vida. É recomendável controlar nossas horas de sono ou descanso. E para nos ajudar, devemos fixar uma hora certa para dormir; e se a superamos tratar de recuperar o tempo de descanso perdido.

Muitos nos descuidamos seriamente nosso corpo ao não praticar nenhum esporte, nenhum exercício físico. Alguns nem sequer seguem a clara prescrição médica de fazer caminhadas diárias. Nosso corpo, “o irmão asno”, não só é teimoso e comilão, mas também preguiçoso.

Outra forma de atentar contra a saúde mental é não respeitar um tempo de ócio pessoal. Todos nós temos que aprender a reservar um tempo diário para nós mesmos, sem sentimentos de culpa. Pode ser para ler, escutar música, caminhar, fazer uma visita - enfim, fazer algo que goste que me distraia.

Penso que em tudo isto temos que nos sentir responsáveis por cada integrante da família, nos acompanhar e ajudar um ao outro. Assim todos juntos poderemos mudar com mais facilidade nossos maus hábitos e superar os obstáculos em nossa rota de vida. É um aporte valioso e necessário para que possamos seguir caminhando e conquistar a plena maturidade natural e sobrenatural. É nossa maneira de nos apoiar e estimular mutuamente em nosso grande desejo e desafio de chegar a ser, algum dia, todos juntos uma família santa.

Perguntas para a reflexão
1. De que maneira nos ajudamos a crescer?
2. Respeitamos as horas de sono, os fins de semana livres?
3. Tenho momentos de ócio?

crédito da foto: photopin.com

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

FAMILIA A MAIS BELA COMUNIDADE DE AMOR

A família é uma comunidade de pessoas (os esposos, pais e filhos) e fundamentada no amor tem como primeira finalidade viver fielmente esta realidade de que formam uma comunidade[1], de que são responsáveis uns pelos outros, pela felicidade do outro, pelo cuidado do outro e juntos formam a célula originária da vida social.[2]
É interessante notar que no relato da criação do mundo, Deus cria a luz, a terra, o céu, enfim, todas as coisas utilizando-se a palavra: “faça-se”.Todavia, quando foi criar o homem, disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.”[3]. Neste momento, não é apenas Deus Pai quem cria o ser humano, há uma reunião da Trindade Santa, Pai, Filho e Espírito Santo e o homem é criado à imagem e semelhança da Santíssima Trindade. E a Santíssima Trindade é família, é uma comunidade puríssima de amor. Portanto, Deus desejou criar o homem e a mulher como família. 
Desta forma, sempre foi dos planos de Deus que o homem e a mulher se tornassem uma família, uma comunidade de amor e de vida, reflexo da Santíssima Trindade. Nesta família divina, o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem infinitamente felizes porque se amam com um amor infinito, pelo que a família humana é chamada a ser o modelo de qualquer sociedade sadia [4].
Outra grande prova do amor de Deus pela família e de sua missão é que Jesus nasceu em uma família e permaneceu nela por 30 anos. O Pai poderia escolher qualquer outra forma de enviar seu divino Filho para o mundo, porém, optou por fazê-lo através de uma família, santificando, desta forma, o convívio familiar.
A permanência de Jesus por 30 (trinta) anos na Sagrada Família de Nazaré também é muito significativa, pois comparando o tempo de sua vida pública, que durou apenas 3 (três) anos, ele dedicou 90% (noventa por cento) do tempo de sua existência terrena para a família. E isto significa que para Deus a família é o bem mais precioso que uma pessoa possui, família é sagrada!
É na Sagrada Família de Nazaré que Jesus, o Verbo Encarnado, encontra a acolhida mais plena, onde vive a realidade mais profunda de sua vida que é fazer a vontade do Pai. Desta forma, a vida oculta e a vida pública de Jesus possuem o mesmo objetivo, a mesma missão: ser em tudo obediente ao Pai e só lhe causar alegria. E esta obediência ao Pai se concretiza através da obediência aos seus pais terrestres: José e Maria, em tudo lhes sendo submisso, santificando também a vida diária, a vida comum em Nazaré, com suas alegrias e tristezas. [5]
Mais uma prova do amor de Deus pela família foi o fato do primeiro milagre de Jesus ter sido realizado em uma cerimônia de casamento, onde estava iniciando uma família, a pedido de sua Mãe, Maria.
Na narrativa deste Evangelho[6], Jesus deixa claro que sua “hora” ainda não havia chegado, ou seja, que a princípio ainda não deveria mostrar seu poder, porém, a pedido de sua Mãe, realiza o milagre, causando grande alegria aos noivos e abençoando o nascimento de mais uma família.
A família pode ser considerada a base da sociedade porque é nela, no convívio familiar, que a pessoa deve aprender a amar, aprender a ser filho e a ser irmão. Nela deve aprender a conviver em sociedade, a tratar adequadamente as demais pessoas que convivem com ela. Deve ainda aprender a dar amor, porque recebe amor.
"O futuro da sociedade e da Igreja passam por ela. É a família que os filhos e os pais devem ser felizes. Quem não experimenta o amor no seio do lar, terá dificuldade para conhecê-lo fora dele." [7]
Assim, a pessoa se desenvolve e amadurece sadiamente se as suas vinculações familiares são sadias. Estas vinculações "são como raízes que permitem que a árvore de sua personalidade seja capaz de resistir aos revezes da vida." [8]
O Padre Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, costumava dizer: "A história dos povos nos ensina um fato importante. A sociedade e a família se salvam ou se arruínam juntas." [9]. Portanto, para se conseguir resgatar a sociedade atual é necessário resgatar a família, seus verdadeiros valores e sua missão original que é ser a mais bela comunidade de vida e de amor.



[1] Familiaris Consortio, no. 18
[2] CIC 2207
[3] Gn 1,26
[4] Pe. Nicolás Schweizer, publicado em Reflexões, no. 49, de 15.12.2008
[5] Idem pg 214            
[6] Jo 2, 1-11
[8] Pe. Nicolás Schweizer, publicado em Reflexões, no. 49, de 15.12.2008
[9] Pe. Nicolás Schweizer, publicado em Reflexões, no. 49, de 15.12.2008

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A FAMÍLIA NO MUNDO DE HOJE


O conceito de família tem se modificado ao longo dos séculos, porém o pensamento de Deus sobre a família, sua intenção ao criá-la permanece sempre o mesmo: ser a mais bela comunidade de vida e de amor.Assim, é necessário ficar atentos para não se deixar levar por idealismos ou modismos que venham a destruir este grande ideal para o qual a família foi instituída.
Na “Carta às Famílias”, o Papa João Paulo II alerta: "Nos nossos dias, infelizmente, vários programas sustentados por meios muito poderosos parecem apostados na desagregação da família. Às vezes até parece que se procure, de todas as formas possíveis, apresentar como "regulares" e atraentes, conferindo-lhes externas aparências de fascínio, situações que, de fato, são "irregulares"... Fica obscurecida a consciência moral, aparece deformado o que é verdadeiro, bom e belo, e a liberdade acaba suplantada por uma verdadeira e própria escravidão".

A grande maioria das pessoas já pode sentir os efeitos concretos destas ameaças, às vezes até mesmo dentro de suas próprias famílias. Separação, divórcio, dependência química e alcoólica, violência, são apenas algumas das consequências devastadoras de uma família desestruturada.
Identificam-se três grandes perigos à subsistência da família: a ideologia do gênero, a cultura do prazer e uma visão equivocada sobre o matrimônio, a paternidade e maternidade. O intuito aqui é analisar estas ameaças e lançar mão de ferramentas para que se possa salvar a família, resgatando seu papel fundamental de célula-mãe da sociedade, pois é  certo que se a família for socorrida, muitos dos problemas sociais, políticos e econômicos  enfrentados serão resolvidos.
1. IDEOLOGIA DO GÊNERO
A Ideologia do Gênero parte do pressuposto que “O sentido do termo 'gênero' evoluiu, diferenciando-se da palavra 'sexo' para expressar a realidade de que a situação e os papéis da mulher e do homem são construções sociais sujeitas à mudança".[2]
Desta forma, cada um deveria ter a “liberdade” para poder escolher se quer ser homem ou mulher, ou até mesmo ambos, sem qualquer pressão social. O ataque à estrutura familiar é direto, pois pretende que substitua as expressões pai, mãe, marido e mulher (termos “gêneros-específicos) por palavras "gênero-neutras", como também aspiram a que não haja diferenças de conduta nem responsabilidade entre o homem e a mulher na família.
Recentemente li que a família dos atores americanos Brad Pitt e Angelina Jolie adotam este tipo de ideologia para a educação de seus seis filhos. Para eles, cada filho pode optar se quer se comportar como menino ou como menina, sem qualquer influência dos pais. Assim, vi uma foto de sua filha de 8 anos, com cabelos curtos e vestindo terno e gravata, exatamente como seus outros dois irmãos mais velhos, no lançamento de um filme. 
Para os seguidores desta ideologia a relação sexual é vista como meio de obter o prazer individual, sendo “natural” que o indivíduo busque sua satisfação seja com o sexo oposto, seja com o mesmo sexo, ou com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, enfim, satisfazendo qualquer impulso de seus instintos.
Além disso, para os defensores do “gênero”, a geração de filhos deve ocorrer independente do sexo, cabendo a cada pessoa decidir quando e como quer se reproduzir, seja por inseminação artificial, “barriga de aluguel”, ou qualquer outro meio que a ciência disponibilizar.  Depois de gerado, o filho deve, preferencialmente, ser colocado aos cuidados do Estado, para ficar independente de qualquer influência  dos pais, principalmente no tocante a escolha do “gênero” que irão optar.

Infelizmente esta ideologia ganha cada vez mais espaço em nossa sociedade e pouco a pouco invade os lares, lançando suas sementes principalmente na cabeça de crianças e jovens.
Constata-se esta realidade especialmente quando se analisa as novelas televisivas, tão assistidas e aceitas pela sociedade brasileira em geral. O que se vê nestes programas é a difusão da ideologia do gênero, através de mensagens do tipo:

·       a mulher tem que ser “independente” e buscar seu prazer a todo custo;
·      o cuidado com a casa, os filhos e o marido é uma situação “degradante” não sendo digna de uma mulher moderna;
·    o homossexualismo é uma atitude “natural” que deve ser estimulada e jamais pode ser reprimida;
·   o cuidado com as crianças deve ser “terceirizado”, seja para babás ou escolas em período integral, pois os pais devem estar “livres” para dedicarem-se à carreira profissional ou a atividades mais prazerosas; 
·  o sexo deve ser usado como instrumento de manipulação das pessoas, para obter vantagens ou simplesmente para sentir o prazer pelo prazer, independente de suas consequências;
             
É de conhecimento geral que se uma ideia é repetida muitas vezes e por um período longo de tempo, por mais absurda que no início possa parecer, com o tempo ela é aceita como uma “verdade” incontestável. Portanto, é urgente a insurgência sobre o real absurdo que representa esta ideologia, antes que ela consiga seu principal objetivo: destruir a família e seus valores.



 [2] Citação de Bella Abzug, ex-deputada do Congresso dos Estados Unidos, na Conferência de Pequim, in A IDEOLOGIA DO GÊNERO: SEUS PERIGOS E ALCANCES, Comissão Ad-Hoc da Mulher
Comissão Episcopal do Apostolado Leigo, Conferência Episcopal Peruana, Abril de 1998
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