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quarta-feira, 23 de abril de 2025

50 DIAS DE ALEGRIA

 


O período litúrgico da Páscoa abrange 50 dias: inicia no domingo da Ressurreição e vai até o domingo de Pentecostes. São 50 dias celebrando a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte, por isso um tempo de muita alegria. A igreja se veste de branco que representa essa alegria e a paz oriunda da libertação do pecado e da abertura das portas do Céu para cada um de nós.

Celebrar esse período é muito importante, pois é uma forma de agradecer a Deus por esse grande dom de um dia poder passar a eternidade com a Santíssima Trindade nas alegrias do Paraíso. Festejar, comemorar é algo que aparece na Bíblia várias vezes. Por exemplo, no retorno do filho pródigo, o pai explica ao irmão mais velho: “Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (Lc 15,32). O livro do Apocalipse também fala de uma grande festa: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada.” (Ap 19,7)

Alegria em meio às dificuldades

É por isso que a Igreja nos convida a passar esse tempo com espírito alegre, mesmo em meio às dificuldades e sofrimentos do dia a dia. Essa alegria deve decorrer da nossa esperança da felicidade eterna que nos foi prometida e conquistada por Jesus. Então, para alimentar nossa esperança e fortalecer nossa alegria, devemos pensar muito no Céu e comunicar essa boa nova aos outros.

O Céu é tão maravilhoso que é quase impossível de descrever. Muitos santos tiveram o privilégio de poder ver o Céu por alguns instantes. Santa Faustina nos conta: “27.11.[1936]. Hoje estive no Céu, em espírito, e vi as belezas inconcebíveis e a felicidade que nos espera depois da morte. Vi como todas as criaturas prestam incessantemente honra e glória a Deus. Vi como é grande a felicidade em Deus, que se derrama sobre todas as criaturas, tornando-as felizes, e então toda a honra e glória precedente da felicidade voltam à sua fonte e penetram na profundeza de Deus, contemplando a Sua vida interior - o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Quem jamais compreenderão ou aprofundarão. Essa Fonte de felicidade é imutável em Sua Essência, mas sempre nova, jorrando para a felicidade de toda a criatura. Compreendo agora São Paulo, que disse: “Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais imaginou o coração do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam.” (Diário de Santa Faustina – 777)

Quando o sofrimento bater a nossa porta, devemos lembrar das palavras de São Paulo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18). E ainda: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4)

Ser anunciador do Céu

Pensar no Céu, desejar o Céu, falar do Céu, especialmente para quem mais amamos, deve ser uma ocupação predileta nesse tempo pascal. Levar essa mensagem de esperança também para os que não tem fé e que estão sofrendo. A mensagem da conversão é uma mensagem de libertação do jugo do pecado. Fomos resgatados por um alto preço e isso deve causar grande alegria.

A alegria é contagiante. Quando nos aproximamos de uma pessoa que está alegre, automaticamente nos sentimos melhor e até esboçamos um sorriso. Como cristãos, devemos ser essa fonte de alegria para os outros, pois sabemos o que existe um Céu com a felicidade infinita que nos espera.

Formas de celebrar em família

O tempo Pascal deve ser celebrado especialmente no seio familiar e o foco deve ser manter o ambiente familiar sempre alegre. Elencamos aqui algumas sugestões para ajudar a manter esse ambiente pascal em nossas casas:

- Sugerir um propósito para os membros da família de procurar, pelo menos uma vez ao dia, causar alegria a alguém da família. Pode ser um sorriso, um abraço, uma mensagem inesperada de carinho, um telefonema, prestar um serviço, como guardar a louça ou arrumar a cama do outro... Enfim, são inúmeros pequenos gestos que podem causar alegria à nossa família

- Fazer uma refeição especial durante a semana, com direito a sobremesa caprichada

- Fazer um passeio no parque ou uma noite de cinema em família

- Reunir a família para contarem as bênçãos que tem recebido e serem gratos por elas. Cada um deve falar pelo menos uma coisa boa que recebeu de Deus nos últimos dias

- Ajudar o próximo, seja levando doação de alimentos, visitando lares de idosos ou ligando para alguém que há muito não conversamos e pode estar se sentindo solitário


crédito da foto: Foto de Allef Vinicius na Unsplash

sexta-feira, 28 de março de 2025

SATANÁS TEM UM PLANO PARA A SUA VIDA

 



As pessoas, em geral, não gostam de pensar no demônio e muito menos falar dele. Para muitas, inclusive, ele não existe... Essa é uma grande arma a favor do demônio: quem não acredita em sua existência está muito mais vulnerável para receber sua influência. Porém, quem é cristão sabe muito bem, pelas palavras do próprio Jesus, que o demônio é real e como diz S. Pedro: “anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.” (1Ped 5,8)

Pensar no demônio não deve nos trazer medo, como vemos em alguns filmes de terror, mas deve nos deixar muito alertas. Nossa realidade é um grande campo de batalha entre o Bem e o Mal. Deus já venceu essa batalha, mas nós, seres humanos, é que estamos sendo disputados para saber qual lado vamos escolher para passar a eternidade.

O livre arbítrio nos foi dado para termos a capacidade de amar. Quem não é livre, não pode amar, mas essa mesma liberdade pode ser usada para escolher o mal, e assim, escolher o lado do inimigo do Amor. O plano de amor de Deus para cada um de nós é que um dia, estejamos com Ele, na felicidade eterna no Céu. E Satanás, por ser um anjo dotado de uma inteligência aguçadíssima, também tem um plano para cada um de nós, que é fazer que escolhamos passar a eternidade com ele, sofrendo e odiando no inferno.

Poder de Satanás

O poder de Satanás é limitado ao que Deus permita que ele faça. E Deus só permite a ação dele, para que nós possamos provar nosso amor e assim, escolher o Céu. Jesus, por sua paixão e morte na cruz, abriu o Céu para nós. Ele já nos libertou da escravidão do pecado, mas nós precisamos aderir a esse plano de Deus, escolher fazer a sua amorosa vontade para nossa vida.

A ação ordinária de Satanás e seus demônios é através da tentação. Ele nos influencia a escolhermos o pecado. O pecado é uma recusa em amar, pois escolhemos um prazer ou uma vantagem material em detrimento dos planos de amor que o Pai tem para nós. É escolher o egoísmo, que é o oposto do amor. Ao pecar, dizemos sim ao demônio e um não a Deus.

Deus, ao nos dar os 10 mandamentos, está pensando apenas no nosso bem, em nossa salvação. Ao escolhermos ir contra esses mandamentos, estamos fazendo um mal para nós mesmos, tanto para a nossa vida aqui na terra, como especialmente para a nossa vida eterna, que será nos horrores do inferno.

Combater as tentações

A primeira coisa que precisamos ter certeza é que nenhum de nós é tentando acima de suas capacidades de resistir a essa tentação. Satanás é como um sniper que fica observando qual é o melhor momento e a melhor forma de atirar uma tentação. Mas sempre temos a capacidade de resistir a esse tiro.

Para combater as tentações, primeiro precisamos estar conscientes delas, então devemos pedir a Deus, na oração, para nos mostrar onde o demônio está entrando em minha vida, qual brecha posso estar dando para que ele influencie as minhas ações, caindo na armadilha de suas tentações.

Quaresma: tempo propício para combater as tentações

O tempo quaresmal é um período propício que a Igreja nos convida a combatermos mais fortemente o pecado e as tentações. Somos lembrados que Jesus também foi tentado no deserto e nos ensinou como lutar contra as tentações especialmente as do ter, do prazer e do poder

As práticas quaresmais que nos incentivam a intensificar o jejum, a esmola e a oração devem nos fortalecer no combate especialmente contra essas três tentações. O jejum nos ajuda a dominar nossos instintos e dessa forma nos fortalece contra a tentação da busca do prazer. A esmola nos ajuda no desprendimento dos bens materiais, pois damos a quem não pode nos retribuir. E nos ajuda contra a tentação do ter. E a oração nos ajuda a reconhecermos que somos criaturas, que todo o poder é de Deus, nos ajudando contra a tentação do orgulho e do desejar o poder.

Assim, não desperdice mais essa oportunidade que o Pai lhe dá para crescer no amor e vencer todo egoísmo. Aproveite esse tempo de Quaresma para lutar mais seriamente contra aquela tentação que te afasta do caminho que vai te levar ao Céu. Nas dificuldades, nas quedas, levante e recomece. “A esperança não nos decepciona” (Rm 5,5). Jesus venceu a morte e nos ajuda a frustrar o plano que satanás tem para a nossa vida.


 Foto de Marek Piwnicki na Unsplash

segunda-feira, 15 de julho de 2024

O CANSAÇO É PEDAGÓGICO

 


Vivemos em uma época muito agitada. Corremos para todos os lados o dia inteiro. Para quem é mãe, principalmente de crianças pequenas, a impressão é que não temos tempo para nada, passamos o dia (e muitas vezes a noite) indo de uma atividade para a outra, sem descanso. O resultado é que vivemos cansados. Muito cansados.

O cansaço nos ensina a ser humildes

Será que podemos aprender alguma coisa com nosso cansaço? Afinal, por que Deus nos fez de uma forma que precisamos descansar? Talvez a resposta seja para sermos mais humildes, entendermos nossa condição de criaturas limitadas. Não somos super-homens que podem fazer tudo o que quiserem, quando quiserem, como quiserem, sem consequências e sem cansaço.

O cansaço nos obriga a parar. O cansaço nos obriga a nos render, a nos entregar. É por causa do cansaço que “treinamos” a nossa morte, afinal quando dormimos, desligamos nossa consciência no mundo em que vivemos. Quantas pessoas encontraram com a morte durante o sono! Mesmo se temos a graça de acordar no dia seguinte, aquele momento do sono, foi um momento de morte, de separação das inúmeras preocupações de nosso dia a dia.

Deus nos quer no Céu

Deus é infinitamente sábio e nos ama também com amor infinito. O desejo dele para cada um de nós é que um dia possamos passar a eternidade com ele, com uma felicidade sem fim. Para isso ele procura nos educar ao longo de nossas vidas, para que percorramos o caminho que leva ao Céu. E o cansaço faz parte dessa pedagogia, desse chamado a voltar nosso olhar para Ele, lembrando que aqui só estamos passando um tempo e que as dificuldades e sofrimentos que experimentamos, devem ser um degrau que nos aproxima mais do seu amor e de sua misericórdia. O cansaço deveria constantemente nos lembrar do momento decisivo que será a nossa morte, para vivermos de uma forma que nossa eternidade seja no Céu.

Vós encontrareis descanso

Como é bom poder descansar no colo da Mãe, no colo do Pai! Jesus nos diz: " Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve”. (Mt 11,28-30)

É muito difícil mudar o estilo de vida para nos cansarmos menos. Provavelmente, em nossas circunstâncias, reduzir o ritmo, descansar mais, ter um tempo para somente fazer o gostamos, é impossível. Então precisamos aprender a entregar nosso cansaço para Jesus. O cansaço entregue para Jesus fica mais suave, mais leve.

Aprender com o cansaço

Vamos procurar aprender com nosso cansaço, a termos o olhar voltado para a eternidade, para o Céu, pois “a nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável” (2Cor 4,17). Podemos nos colocar como filhos pequenos pedindo o colo do Pai, sendo humildes, reconhecendo nossa fraqueza e confiando na infinita bondade e misericórdia daquele que nos ama com amor infinito.

 




Foto de Debashis RC Biswas na Unsplash

sábado, 29 de julho de 2023

ENVELHECER: PRESENTE DE DEUS

 

Vivemos em uma época em que envelhecer é considerado um grande mal a ser evitado. Procedimentos estéticos de todos os tipos prometem a eterna juventude. As roupas, modo de falar, atitude dos jovens são adotadas por pessoas de todas as idades. Ninguém mais quer parecer idoso. Até os pronomes de tratamento “senhor” e “senhora” são vistos de maneira negativa.

O problema desse modo de viver é que as pessoas não querem enxergar a realidade, as circunstâncias da vida que fazem parte de sua existência. Assim, vivem no “mundo da imaginação” e perdem a oportunidade de efetivamente deixar sua marca na história, principalmente na história daqueles que convivem com elas.

Cada fase da vida tem sua beleza, seus desafios, sua importância para o amadurecimento. O jovem tem muita disposição e vigor físico, mas sua imaturidade e impulsividade pode atrapalhar a tomada de decisões coerentes. A pessoa mais velha, pela experiência dos anos vividos, deveria ser o ponto de referência, o farol para que o jovem se oriente melhor nas decisões de sua vida. Então num mundo onde só há jovens, onde os mais velhos querem ser sempre jovens, todos acabam ficando perdidos e sem saber por onde ir.

Outra desvantagem dessa “eterna juventude” é que se perde a razão pela qual Deus permitiu que a pessoa ficasse velha: aprender a se desapegar. No processo de amadurecimento espiritual, devemos aprender a ir aos poucos nos desapegando das coisas materiais, que são passageiras, para nos fixar no que realmente importa: a vida eterna.

Quem está demasiadamente apegado às coisas e às pessoas tem muita dificuldade em se entregar a Deus, em entender a transitoriedade dessa vida terrena, de saber que um dia vai deixar para trás esse corpo mortal e todas as coisas materiais. Quem tem essa visão materialista da vida, pensando que a felicidade completa se tem aqui nesse mundo, perde a oportunidade de realmente se preparar para a vida em plenitude, que começa com a nossa morte.

E para nos ajudar nesse difícil processo, Deus criou a velhice. Com a velhice, nosso corpo pouco a pouco vai se deteriorando, ficando mais fraco, mais feio e tudo isso acontece para nos lembrar que o mais importante não é a matéria, mas a alma imortal. Seria extremamente difícil para o ser humano entender essa dinâmica do desapego se nunca envelhecêssemos.

Uma pessoa jovem, em pleno vigor físico, não encara a morte como uma passagem para uma vida melhor. A morte é uma tragédia, afinal o jovem está vivendo o agora de uma maneira exuberante. Porém, o idoso percebe melhor a vida indo embora e tem a capacidade (ou pelo menos deveria ter) de abraçar a morte como uma amiga que o levará aos braços do Criador.

Vamos encarar a velhice como ela realmente é: uma grande graça! Uma oportunidade para aprofundarmos nosso amor a Deus e às pessoas que nos cercam. Claro que não é fácil; não é gostoso ver a vida e o vigor indo embora, mas devemos abraçar a velhice como um processo pedagógico que o Pai usa para nos preparar para o nosso encontro com Ele e a vida eterna.

 



Crédito da foto: Foto de JW. na Unsplash

terça-feira, 24 de maio de 2022

O SEU AMIGO MAIS PODEROSO



Como está seu relacionamento com seu amigo mais poderoso? Você sabia que Deus deu a você um amigo muito poderoso, eternamente fiel e que pode te ajudar a alcançar o maior bem de todos: a salvação eterna?!

Ao contrário do que pode estar no imaginário das pessoas, o anjo da guarda não é um bebezinho fofinho de cabelos cacheados ou um anjo que cuida de nós apenas quando somos crianças.

O anjo é uma criatura de puro espírito, extremamente inteligente e poderoso. Todas as vezes que aparece nas Sagradas Escrituras causa espanto e até medo naquelas pessoas com as quais ele se comunica (Gn 19,1; Lc 1,12; Lc 2,9; etc). O Catecismo da Igreja Católica nos ensina:

“336. Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.”

Deus ama cada ser humano com amor infinito e deseja que todos, um dia, possam gozar da eterna alegria no Céu. Assim, para nos ajudar nessa jornada, recebemos de Deus um santo anjo da guarda, que tem como missão justamente nos ajudar a chegar no Céu.

O Pe. Paulo Ricardo nos ensina: “Então, os anjos da guarda querem e lutam pela salvação dos homens – inspirando-os, iluminando-os e, às vezes, até realizando milagres e lutando contra os próprios demônios. Como são instrumentos santos que possuem inteligência e são livres, eles são chamados de "ministros", pois foram colocados por Deus ao nosso serviço. São João Bosco, ao recomendar a invocação ao anjo da guarda na hora das tentações, dizia que "ele deseja ajudar você mais do que você deseja ser ajudado por ele".

Portanto, a única coisa que precisamos fazer é pedir a sua poderosa ajuda! Infelizmente nosso mundo moderno fechou os olhos para o mundo espiritual que é tão real como o mundo material. Ao vivermos olhando somente para o que é material, esquecemos de cuidar do que é mais importante: o destino eterno de nossa alma quando morrermos.

Desta forma devemos aprender a nos relacionar com nosso santo anjo da guarda. S. Pe. Pio, que tinha o dom de ver e conversar com os anjos da guarda, dizia que não devemos deixar nossos anjos “ociosos”, precisamos dar a eles muitos trabalhos! Em uma carta ele escreve: “Mantém sempre [teu anjo] diante dos olhos da alma, recorda-te com frequência da presença desse anjo. Agradece, ora, nutre sempre para com ele uma boa companhia. Abre-te e confia a ele teus sofrimentos. Toma sempre cuidado para não ofenderes a pureza do seu olhar: toma conhecimento e fixa bem esta verdade em tua alma. Ele é muito delicado, muito sensível. Dirige-te a ele em momentos de suprema angústia e experimentarás os seus benéficos efeitos.”

Já há alguns anos aprendi essa devoção e posso dizer que converso com meu anjo da guarda todos os dias. Conto aqui apenas uma das muitas experiências que tive com o meu anjo:

No dia 18 de outubro de 2014, o Movimento Apostólico de Schoenstatt, no qual sou consagrada, completaria 100 anos. Os planos eram ir para a Alemanha celebrar esse momento, mas em fevereiro/2014 precisei fazer um transplante de medula óssea para curar um linfoma. Por causa do transplante e da queda da imunidade, tive muitas intercorrências durante o ano e no dia 10 de outubro, fui internada mais uma vez com problemas pulmonares.

Meu desejo era ter alta até o dia 18, pois assim poderia, ao menos, ir à Santa Missa para comemorar uma data tão especial. Porém, até o dia 17 não tinha perspectiva de ter alta, então pedi ao meu anjo da guarda que, ao menos, eu pudesse receber a Sagrada Eucaristia nesse dia. Liguei para a pessoa responsável por enviar o sacerdote ao hospital e ela me disse que infelizmente não seria possível. Havia muitas chamadas e eles estavam atendendo só os casos graves, onde a pessoa estava na UTI.

Desligando o telefone, eu estava muito chateada e dei uma “bronca” no meu anjo da guarda. Disse que minha situação já era bem ruim e ele não tinha conseguido nem que eu comungasse...

No dia 18, a primeira boa notícia logo cedo: inexplicavelmente meus exames tinham melhorado muito de um dia para o outro e eu teria alta logo após o almoço! Fiquei super feliz, já liguei para meu marido avisando que poderia vir me buscar. Porém, teria que ficar de repouso em casa e, então, não poderia ir a Santa Missa.

Comecei a agradecer meu santo anjo, pedindo desculpas pela bronca do dia anterior quando toca o telefone. Era a pessoa responsável por enviar o sacerdote. Ele me disse exatamente essas palavras: “Olha, Flávia, seu anjo da guarda é muito poderoso. Acabamos de receber uma ligação da UTI aí do hospital onde você está e o sacerdote já está a caminho. Como ele estará por aí, levará a comunhão para você também!”

Fiquei maravilhada e muito agradecida. No fim, além de receber a sagrada eucaristia eu ainda tive alta e pude voltar para casa, para celebrar essa data tão importante junto ao meu marido e meus filhos.

Esse foi só um dos inúmeros testemunhos que poderia contar sobre as vezes que percebi a ajuda do meu anjo da guarda. Fora as vezes que ele certamente me ajudou e eu não percebi. Assim, incentivo a todos a pedirem ajuda e se deixarem inspirar por esse amigo tão poderoso e que nos ama tanto. Outra dica é pedir ajuda aos anjos da guarda das pessoas com as quais você se relaciona. Aqui, sou muito amiga dos anjos da guarda dos meus filhos. Peço sempre que me ajudem na educação de cada um deles e que me inspirem caso algum precise de uma atenção ou um auxílio mais específico. Nunca fiquei sem resposta!

Photo by Yoann Boyer on Unsplash 

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

VOCÊ ESTÁ QUEBRANDO PEDRA OU CONSTRUINDO UMA CATEDRAL?


A importância de saber o motivo de fazer as coisas

Ouvi uma história muito interessante sobre como um mesmo fato pode gerar diferentes pontos de vista, dependendo da motivação de cada um. Havia três homens que trabalhavam na construção de uma grande catedral. Aos três foi feito a mesma pergunta: “o que você está fazendo?” O primeiro respondeu: “estou quebrando pedra”; o segundo disse: “estou sustentando a minha família” e o terceiro falou: “estou construindo uma catedral!”

As três respostas estão absolutamente corretas, porém demonstram como cada um desses homens enxerga as suas atitudes, o seu trabalho. A visão do primeiro está focada no imediato, no que está fazendo naquele instante. Esse tipo de atitude frente à vida leva a pessoa a ser muito inconstante, a ser influenciada pelas circunstâncias, a simplesmente “reagir” aos acontecimentos e não ter uma postura de ação, de fazer porque sabe o que está fazendo. Aquele que enxerga só o momento, perde a noção do todo, da história; muitas vezes se sente entediado e tende a buscar “sensações”, prazeres físicos, para se sentir feliz.

A postura do segundo já mostra um pouco mais de sentido de responsabilidade pelos outros, de saber que a sua atitude influencia na vida de outras pessoas. Ele está quebrando pedra, porém com o objetivo de sustentar a sua família. A visão é um pouco mais ampla, mas ainda falta enxergar o todo, a beleza da existência humana, o motivo do próprio existir. Se a vida se limitar a cumprir as obrigações para ter o próprio sustento, ela é muito pobre (mesmo se cheia de dinheiro) e não preenche os anseios do coração humano.

O terceiro é aquele que entendeu realmente o profundo sentido de sua existência. Ele sabe que sua ação aqui e agora, mesmo que sirva para sustentar a sua família, vai ecoar por toda eternidade. As catedrais são monumentos que duram séculos, então por mais monótono que seja aquele quebrar pedra, ele é necessário para construir uma obra espetacular que estará de pé por muitos e muitos anos depois que acabar a existência desse pequeno construtor.

O verdadeiro sentido da nossa existência

Já disse o poeta: “ao brilhar de um relâmpago nascemos e ainda brilha seu fulgor quando morremos, tão curto é o viver”. Por isso é tão necessário entender o que estamos fazendo nesse mundo, saber que enquanto estamos aqui, temos a oportunidade de preparar nossa vida futura, aquela que nunca acabará, o destino eterno de nossa alma.

Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, falava da sacralidade do momento, de que esse instante em que estamos vivendo, jamais voltará, por isso precisamos vive-lo da melhor forma possível. Ensinava ainda sobre o “fiel e fidelíssimo cumprimento do dever” e de “fazer o ordinário de forma extraordinária”. Tudo isso para nos mostrar como é importante cumprirmos de maneira excelente as nossas obrigações de cada dia, pois as nossas atitudes aqui é que determinam a nossa qualidade de vida, nossa realização como ser humano e também o futuro da nossa alma quando encerrar nossa existência nesta terra.

Nosso Senhor Jesus Cristo passou 30 anos de sua vida no ordinário de sua família, cumprindo seus deveres, para dar o exemplo de como devemos agir no nosso cotidiano. Nesses anos todos Ele já estava realizando sua obra redentora, santificando a vida familiar, mostrando a importância da família e o valor redentor do trabalho bem feito.

A santificação da vida diária

Assim, a nossa santificação ocorre na nossa vida diária, que deve ser um caminhar constante rumo ao Céu. Minha avó Amábile sempre dizia que o bem que fazemos aqui, os gestos de amor, de doação, os pequenos e grandes sacrifícios, são como “tijolos” que enviamos para a construção da nossa casa no Céu. Quanto mais fizermos aqui, melhor será nossa morada na eternidade.

Para conseguirmos santificar o nosso dia, precisamos nos conscientizar da presença de Deus ao nosso lado e para isso precisamos da ajuda de nossa imaginação e de nossa memória. Sabe aquela paradinha que você dá para olhar as mensagens do WhatsApp durante o dia? Aproveite esses momentos para dizer “oi” pra Deus.

Essa saudação pode ser através de jaculatórias, que são “flechas” de amor que mandamos para o Céu. São frases curtas e simples que demonstram nossa vinculação ao mundo sobrenatural. Alguns exemplos: “Jesus, eu confio em vós!”, “Nossa Senhora cuide de mim!”, “Jesus eu te amo e quero estar um dia contigo no Céu!”, “Vem Espírito Santo!”, “Valei-me São José!” enfim, cada um pode também criar a sua preferida ou pegar inspiração na vida dos santos e nas jaculatórias que eles usavam.

Conforme vamos nos conscientizando dessa presença divina, conseguimos cumprir melhor nossos deveres, lutar contra nossas imperfeições e pouco a pouco enxergar o sentido da nossa existência, que não é apenas “quebrar as pedras”, mas “construir uma catedral”. O santo é um monumento vivo que demonstra toda a majestade divina, muito mais que uma catedral de pedras. Então, a busca e a luta pela nossa santidade é a maior catedral que podemos construir para Deus.  

Photo by Pascal Bernardon on Unsplash

quinta-feira, 2 de abril de 2020

FOMOS COLOCADOS NO “CANTINHO” PARA PENSAR



A maioria dos pais conhece a técnica pedagógica de colocar o filho em um “cantinho”, quando a criança apresenta algum comportamento errado. Tirar do local onde o mau comportamento está ocorrendo e levá-lo a outro lugar para que fique por um tempo “pensando” no que fez de errado. Geralmente o tempo nesse “cantinho” é contado em minutos, de acordo com a idade da criança. Essa técnica tem se mostrado eficiente (pelo menos é a minha experiência quando tinha os filhos pequenos), pois a criança passa a entender que determinadas formas de agir podem ter como consequência a ida para o “cantinho”.

A parte que provavelmente não é muito eficaz é a de que a criança deva pensar na atitude errada que estava fazendo. Eu realmente não acredito que meus filhos ficavam pensando no que o comportamento deles não estava correto, principalmente por serem muito novos. Mas como o resultado era atingido, nunca dei muita importância para essa parte da técnica.

Agora, porém, com essa quarentena obrigatória que o mundo inteiro está passando, fiquei pensando se Deus, como um bom Pai, não achou que era hora de colocar cada um de nós no “cantinho” para pensarmos em nossas atitudes, para refletirmos como estamos preparando nosso encontro com Ele, nossa vida futura na eternidade.

O “cantinho” é o nosso próprio lar, a nossa família. Estamos todos confinados em casa, com um tempo que jamais imaginamos que possuíamos, muitos estão ansiosos, outros entediados, outros super atarefados com as questões domésticas e também do teletrabalho, mas será que esse tempo no “cantinho” está realmente sendo eficiente? Será que estamos aproveitando para pensar no “para que” de tudo isso?

Sabemos que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28) e que a Divina Providência tudo conduz para que cada ser humano possa, um dia, gozar da alegria eterna no Céu, respeitando sempre a liberdade de cada um de querer ou não seguir esse caminho. Deus nunca quer o mal, mas muitas vezes o permite para tirar um bem maior. Acredito que essa é a nossa situação atual. Deus está falando “alto”, como que bradando para o mundo (e cada um de nós) acordar e refletir que caminho está seguindo.

Proponho aqui que façamos uma séria reflexão sobre a nossa vida, o caminho que estamos trilhando. Será que nossa meta é o Céu? Será que estamos mais preocupados com nosso bem estar físico do que com o nosso bem estar espiritual? Será que me relaciono com Deus como a um pai amoroso, que deseja o meu bem e que um dia quer me ver com Ele no Paraíso? Eu pelo menos converso com ele todo dia através de uma oração pessoal?

Outra reflexão que precisamos fazer é sobre nossa vida sacramental. A grande maioria de nós está privada da recepção dos sacramentos, especialmente aqueles que nos ajudam em nossa caminhada espiritual, a Confissão e a Eucaristia. Daí a pergunta: será que eu aproveitei bem as oportunidades de receber a Santa Eucaristia? Será que sempre a recebi com o devido respeito e amor? Confessei-me regularmente ou só uma vez ao ano como pede a Santa Igreja? Como fazia minhas confissões? Tinha arrependimento e o firme propósito de não mais pecar?

Precisamos levar esse tempo muito a sério. Já diz o ditado que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Não podemos desperdiçar nosso tempo, que é um dos bens mais preciosos que possuímos. Sabemos que, cedo ou tarde, essa quarentena irá acabar e a pergunta que fica é se fizemos aquilo que Deus gostaria que fizéssemos nesse período. Ainda estamos gozando do tempo da misericórdia de Deus, mas sabemos que um dia virá o tempo da justiça. Vamos dar a resposta que o nosso Pai espera de nós: acertar nosso rumo, fazer as mudanças de vida necessárias, para que possamos a cada dia amar mais e melhor a Deus e a nosso próximo e assim cumprir a missão para a qual cada um de nós foi criado.

photo credit: donnierayjones <a href="http://www.flickr.com/photos/11946169@N00/25771614245">Reese is Sad</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>



terça-feira, 5 de novembro de 2019

OS PILARES PARA A NOSSA SALVAÇÃO

Não há nada mais importante em nossa vida do que cuidar da salvação de nossa alma. Sabemos que tudo nessa vida passa e que só a nossa alma é eterna, então cuidar do lugar onde passaremos a eternidade deve ser nossa prioridade.

O Céu pode ser definido como uma união completa com Deus, nosso Criador, que é Amor. Então, para um dia estarmos unidos ao Amor, precisamos procurar, ainda aqui nessa vida, um pouco dessa união. Para isso, a Igreja, nossa Mãe e que deseja que todos os seus filhos sejam salvos, oferece todos os meios necessários para que isso seja possível.

Além dos requisitos essenciais (ser batizado e ter fé), existem três pilares sobre os quais a nossa salvação se sustenta: a oração, a confissão e a eucaristia. Sem eles, a união total com o Amor na eternidade é muito difícil, ou praticamente impossível.

A oração é o diálogo pessoal com Deus. Não é possível passar a eternidade com uma pessoa com quem nunca conversamos, ou falamos muito pouco, ou ainda só falamos quando precisamos de alguma coisa. Para nos unirmos a Deus, precisamos procurar conhecê-lo, ver sua atuação em nossa vida e para isso que serve a oração. Existem muitas formas de rezar, mas a mais propícia para esse encontro com o Deus da minha vida é a oração meditativa.

São várias as técnicas para uma boa meditação e a vida dos santos está repleta delas. A que sugiro aqui é uma ensinada pelo Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ele ensina que devemos saborear os acontecimentos da nossa vida, tentando enxergar a mão de Deus em cada coisa que nos acontece, tanto as boas como as que não são agradáveis.

Para isso, precisamos reservar algum tempo do nosso dia (no mínimo 15 minutos) onde nos colocamos em um lugar calmo, pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos ajude a encontrar com o Pai e escolhemos um acontecimento do dia anterior para meditarmos. Em vista desse fato, fazemos três perguntas: 1) O que Deus quer me dizer com isso? 2) o que eu digo a mim mesmo? 3) O que respondo a Deus?

A resposta a essas perguntas nos ajuda a enxergar a divina providência em nossa vida. O objetivo principal da meditação é conhecer para amar. Se conseguimos ver Deus por trás desses acontecimentos, vemos como Ele cuida de nós com amor infinito e assim, conseguimos também responder a esse amor. Só ama quem se sente primeiro amado. E Deus nos amou primeiro!

Outro pilar para a nossa salvação é o sacramento da confissão. O pecado nos afasta de Deus, pois escolhemos a satisfação de um desejo que nos faz mal, ao invés de permanecermos fiéis aos ensinamentos de nosso Pai. Assim, a confissão nos reconcilia com Deus, retoma o estado de amizade que o pecado havia desfeito. Devemos recorrer a esse sacramento com a maior frequência possível, mesmo que não tenhamos pecado gravemente, pois ele também nos ajuda a crescer em santidade, nos dando forças para resistirmos às tentações.

Por fim temos o mais importante, o mais sublime ato de amor que Deus poderia ter feito: a eucaristia. Na Sagrada Comunhão Deus se dá a si mesmo como alimento, para se unir a nós e se tornar uma só carne conosco! Nossa inteligência é muito limitada para entender a grandeza da eucaristia e nossa fé também é muito fraca. Quem realmente tem um pequeno vislumbre dessa maravilha, não quer passar um dia sequer sem receber Jesus Eucarístico.

Receber a eucaristia é já possuir o Céu aqui na terra. É unir-se a Jesus da maneira mais perfeita possível que podemos ainda nesse mundo. Durante os cerca de quinze minutos que a sagrada espécie está em nosso corpo, mesmo que nossos sentidos não percebam, somos um com Deus, como seremos um dia na eternidade. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20). A forma pela qual Jesus cumpre essa promessa é através da sua Real Presença do Santíssimo Sacramento.

Assim, para chegarmos um dia ao Céu, precisamos buscar incessantemente a santidade, que consiste basicamente em aprendermos a amar para podermos nos unir ao Amor. Para isso, precisamos, pouco a pouco, acabar com o nosso egoísmo que nos aprisiona em nossos desejos, buscando uma maior vinculação a Deus, procurando amá-lo cada dia mais e provando nosso amor saindo de nós mesmos para nos entregar ao serviço do outro.

photo credit: Tom Van de Peer <a href="http://www.flickr.com/photos/110112922@N02/40175277705">Laon Cathedral France</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

VIVEMOS NA "MATRIX"?

Acredito que todos conhecem o filme “Matrix”, onde um sistema inteligente e artificial manipula a mente das pessoas e cria a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. O personagem Neo, porém, percebe que algo está errado e ajudado por Morpheus, decide tomar a “pílula vermelha” e finalmente enxerga a realidade: grande parte da humanidade é escrava da Matrix e nem se dá conta disso. 

Gostaria de usar essa ficção científica para fazer uma analogia com a nossa vida nesse mundo. Ao observarmos nossa sociedade, percebemos que um grande número de pessoas vive suas vidas como se elas se resumissem ao que conseguem perceber: os bens e prazeres materiais. Trabalham, se esforçam para conseguir as coisas que deveriam torná-las felizes e realizadas. E quando a vida chega ao fim, simplesmente acaba, ponto final. 

Infelizmente muitos católicos, sem se darem conta, vivem dessa forma. Apesar de teoricamente acreditarem em Deus e na vida futura, se comportam como se não acreditassem, vivendo tranquilamente na “Matrix”. Acabam se tornando escravas do próprio eu, das suas vontades, do pecado e não param para pensar que a nossa vida aqui serve para preparar a passagem para onde nossa alma ficará por toda eternidade. 

Precisamos “tomar a pílula vermelha” e acordar desse “transe”! Enxergar que se não lutarmos, seremos sempre escravos do pecado. Ver que esse mundo é passageiro e quando menos esperamos iremos prestar conta da nossa vida diante do Justo Juiz. Precisamos também ajudar a outras pessoas a enxergarem essa realidade, trazê-las para a verdade e mostrar que só assim, vivendo nesse mundo mas como se não fossem desse mundo (Jo 17, 15-16), é que serão realmente felizes. 

Devemos saber ainda que viver dessa forma não é fácil, pois tudo conspira para que permaneçamos ligados à “Matrix”. Porém, nossa Santa Mãe Igreja, possui toda uma gama de sacramentos que nos ajuda a permanecer firmes na vida real, na perspectiva do Céu. A confissão regular e frequente e a comunhão eucarística, junto com uma vida de oração, são os meios mais eficazes para conseguirmos viver com a consciência de que nossa meta é o Céu. 

No filme, quando Neo acorda no mundo real, este é um horror pós apocalíptico. Para nós, isso pode ser uma realidade bem pior: o inferno. Quando morrermos iremos nos deparar com a vida eterna que será de acordo com as escolhas que fizemos enquanto estávamos no mundo. E se não lutarmos para preparar nossa eternidade no Céu, acabaremos por viver num mar de tormento eterno. 

Não devemos temer falar do inferno, pois ele existe e os demônios também. Nossa Senhora veio até nós e MOSTROU o inferno para três CRIANÇAS, em Fátima. Ora, se nossa Mãe usou dessa pedagogia para alertar todos os seus filhos pedindo a oração do Santo Rosário e penitências para livrar as almas do inferno, como podemos nos esquivar desse assunto tão sério? 

Então precisamos acordar-nos e despertarmo-nos mutuamente! Vivamos nesse mundo, trabalhemos, utilizemos das coisas que Deus provê para a nossa vida, mas tenhamos a consciência de que nossa vida real, aquela que vai durar eternamente, não é aqui. Fomos criados para o Céu, mas precisamos nos esforçar para nos livrarmos do egoísmo, do amor próprio, das preocupações fúteis, para conseguir chegar lá. Em outras palavras, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. 

"Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda em redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos." 1 Pedro 5,8-9 

photo credit: kirainet <a href="http://www.flickr.com/photos/69078600@N00/4444673930">This is your LAST CHANCE. After this, there is no turning back. You take the blue pill, the story ends. You wake up and believe whatever you want to believe. You take the red pill and you stay in wonderland, I show you just how deep the rabbit hole goes</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>