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domingo, 10 de março de 2024

A beleza é fundamental

 


A beleza existe em si, ou depende de quem vê? Devemos nos preocupar com a beleza ou é uma futilidade? Existe uma razão para a beleza existir? Como podemos cultivar a beleza? Essas são algumas perguntas que este artigo quer ajudar a refletir.

Conceito de beleza

O conceito clássico de beleza a define como sendo belo aquilo que possui harmonia, proporção e grandeza. Neste conceito, a beleza é objetiva, ou seja, existe em si mesma e não depende de quem está observando.

A beleza deriva do bem, do verdadeiro. Ela tem uma conotação moral, ou seja, para afirmarmos que alguma coisa é bela, ela também precisa ser boa e verdadeira. Por exemplo, quando repreendemos uma criança que está batendo num amiguinho, normalmente dizemos: “não faça isso que é feio”. Ou quando elogiamos alguém, dizemos: “nossa, que bela atitude”.

A beleza também tem o sentido de integralidade, de plenitude. Aquilo que é belo, está completo, não falta nada. Um cavalo sem uma perna ou um carro sem uma roda não são bonitos, pois lhes falta algo. Já uma pessoa, por mais que possa ter um corpo bonito, se possuir graves falhas de caráter, não é considerada bela, pois lhe falta algo.

O belo possui harmonia, proporção.

Mais uma característica da beleza é ter um aspecto de saída de si mesmo, de comunicar a sua essência. Aquilo que é belo chama a atenção para si mesmo, pois está comunicando o que é. A beleza não deve passar desapercebida. Ela existe para ser contemplada.

A razão de ser da beleza

Tudo que é belo, ao ser contemplado, deve remeter a algo maior, a uma beleza superior e eterna. Deus, o Criador, é a Beleza eterna e comunicou algo de si para as suas criaturas. Por isso, a beleza que percebemos com nossos sentidos é como uma flecha que aponta para o Criador e a alegria e satisfação que sentimos deve nos lembrar que é só uma pequena amostra do que sentiremos ao contemplar a pura Beleza na eternidade.

As coisas belas existem para serem um bálsamo em nossa jornada; para nos causar alegria e um sentimento de gratidão. A beleza nos lembra também de como devemos buscar essa harmonia, proporção e doação de si mesmo, para participarmos refletirmos melhor a Beleza eterna e nos tornarmos um canal de alegria para os outros.

Ataque contra a beleza

A idade moderna, principalmente através da arte, iniciou um processo de ataque contra a beleza. Em uma atitude de rebeldia, começaram a retratar a desordem, a confusão, o abstratismo, demonstrando como estavam sentindo e esse sentimento era ruim. A partir daí, iniciou a tentativa de tirar a objetividade da beleza, passando para uma área totalmente subjetiva ao afirmar que “a beleza está nos olhos de quem vê”.

Esse ataque contra a beleza tem o objetivo de nos tirar a possibilidade de contemplação do Criador e assim nos afastar do caminho que nos leva a Ele. Infelizmente essa mentalidade já está muito entranhada em nossa sociedade e se reflete não só na arte, mas até na maneira de vestir, sendo comum o uso de roupas rasgadas, desbotadas, manchadas. As pessoas não se preocupam mais em se vestir bem e muitas ainda querem chamar a atenção usando roupas estravagantes.

A busca da Beleza

A busca da beleza deve ser encarada de uma maneira correta e está relacionada com a virtude da ordem. É possível perceber a beleza nas coisas pois nosso cérebro busca a ordem e a harmonia. A maneira como pensamos melhor é quando o ambiente está organizado. Não só o ambiente externo, mas principalmente o nosso interior. A desordem causa estresse, nervosismo, frustração.

Buscar a beleza significa buscar harmonizar nossa vida, nossos relacionamentos e também o ambiente em que vivemos. Colocar as coisas em ordem, saber que existe uma hierarquia de valores que precisamos seguir, se desejamos ter uma vida mais plena, mais saudável, mais bela. Saber que é importante ter a beleza em nosso dia a dia para nos ajudar a contemplar o Criador e nos lembrar para que fomos criados: para um dia, gozar da alegria eterna no Céu.

Alguns cuidados

Precisamos cuidar para não exagerar nessa busca da beleza. Muitas vezes esse anseio pelo belo é confundido com uma necessidade de aparentar uma eterna juventude, onde as marcas da idade são desprezadas. São realizados inúmeros procedimentos estéticos para tentar alcançar uma suposta beleza exterior, porém os resultados muitas vezes são bizarros.

Devemos lembrar que a beleza é harmonia, é proporção, é ordem. Uma pessoa de 60 anos que quer aparentar ter 30, não é harmônica, está em desordem. Assim, não importa a quantidade de procedimentos estéticos que faça, não será bela.

A beleza exterior deve refletir a beleza interior. Assim, a maior preocupação deve ser com ter uma alma bela, com os sentimentos e emoções ordenados, com os instintos controlados e com uma vida sobrenatural abundante. Quanto mais próximos estivermos de Deus, melhor poderemos refletir sua Beleza. Esse é o verdadeiro segredo.

Foto de Sean Oulashin na Unsplash

sábado, 25 de novembro de 2023

ATENÇÃO E INTENÇÃO



Vivemos num mundo super agitado, com milhares de informações sendo apresentadas para nós a cada momento, seja no computador, na rua, no celular. Tudo quer chamar a nossa atenção. Em 2015, a Microsoft publicou um estudo que a atenção do ser humano havia diminuído de 12 para 8 segundos em apenas 13 anos. O mais chocante talvez seja a informação de que um peixinho dourado consegue manter a sua atenção por 9 segundos...

Cada vez que mudamos o foco da nossa atenção para uma novidade, seja uma notificação de mensagem ou um novo reels do Instagram, nosso cérebro recebe uma descarga de dopamina, um hormônio que gera a sensação de prazer. Assim, somos “recompensados” por desviar nossa atenção. E isso pode nos viciar. O quadro fica ainda mais preocupante se pensarmos no cérebro infantil, que ainda não está totalmente formado e os danos causados por essa constante mudança no foco da atenção podem se tornar permanentes.

O que fazer então? Não é mais possível retroceder para voltarmos a viver em um mundo sem a tecnologia e certamente isso não seria um bem, pois a tecnologia nos ajuda em inúmeros aspectos de nossa vida a vivermos melhor. A questão é aprendermos a utilizar as nossas telas de uma forma mais equilibrada, não sendo vítimas dos algoritmos que querer roubar nossa atenção.

Como em todo processo de mudança, o primeiro passo é sempre reconhecer que existe o problema, que realmente estamos fazendo as coisas sem a devida atenção e que nos distraímos com muita facilidade. Depois, precisamos lembrar que o nosso cérebro funciona melhor em um ambiente organizado, pois ele está programado para colocar ordem nas coisas. Em um ambiente desorganizado, ele perde tempo tentando concentrar, mas preocupado com a bagunça exterior. Assim, o segundo passo é buscar viver a virtude da ordem.

Essa ordem não é só no ambiente externo que vivemos, trabalho, casa, mas também nos horários que fazemos as coisas. Ter uma rotina diária ajuda o nosso cérebro a focar naquilo que é importante, pois ele sabe o que acontecerá na próxima hora e não precisa se preocupar com isso. Tirar as notificações do celular e colocar horários determinados para acessar nossas redes sociais também pode ajudar.

Por fim, vem o esforço para colocar intenção naquilo que estamos fazendo. S. Josermaria Escrivá dizia: “Faz o que deves e estás no que fazes”, ou seja, faça aquilo que você deve fazer naquele momento e coloque toda sua atenção naquilo que está fazendo. Em outras palavras, colocar intenção, fazer intencionalmente aquela tarefa, para que ela seja bem-feita. O P. José Kentenich também dizia: “Faça o ordinário, extraordinariamente bem”.

Se vivermos nosso dia com atenção e intenção, ao chegar a noite e repassarmos os acontecimentos, teremos aquela sensação de dever cumprido. Mesmo se as coisas não aconteceram da forma que planejamos, o fato de nos preocuparmos de viver cada minuto com a intensidade devida, cumprindo nosso dever da melhor forma, com a reta intenção de dar o nosso melhor, isso já basta para nos proporcionar essa sensação de paz e tranquilidade, bem diferente do stress experimentado por um dia agitado, quando fazemos as coisas pela metade.

Peçamos ao nosso santo anjo da guarda que nos ajude nessa difícil tarefa de cumprir bem nossos deveres e colocar toda nossa atenção e intenção naquilo que fazemos.

 

Foto de Anna Dziubinska na Unsplash

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A FORÇA LIBERTADORA DA ROTINA

 


Apesar de parecer contraditório, possuir uma rotina com horários fixos para fazer as coisas efetivamente nos torna mais livres para sermos quem fomos criados para ser.

A palavra “rotina” normalmente é associada a monotonia, a uma repetição sem sentido, da qual todos querem se livrar. Porém, a rotina traz ordem ao nosso dia e, de acordo com os neurocientistas, nosso cérebro é condicionado a buscar sempre a ordem, pois ela permite que ele tenha previsibilidade para executar tarefas.  Isso traz tranquilidade, gera serotonina que é um neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.

O problema da desordem

Quando estamos em um ambiente desorganizado, nosso cérebro tem duas opções: ou perdemos tempo para organizar primeiro para depois cumprir nossa tarefa, por exemplo, estudar ou cozinhar ou precisaremos nos esforçar muito mais para conseguir nos concentrarmos para realizar essa mesma tarefa no meio da bagunça.

Isso acontece também com a nossa agenda. Se não temos horários para cumprir nossos deveres, nosso cérebro está sempre em uma situação de alerta, de não saber o que vai acontecer depois, causando muito mais cansaço, esquecimentos e frustrações. Podemos verificar essa realidade facilmente na vida das crianças: aquelas que vivem numa rotina bem estruturada, com horários para tudo: acordar, brincar, comer, tomar banho, estudar, dormir, são crianças muito mais calmas e tranquilas do que aquelas que não tem essa rotina fixa.

Liberdade para grandes realizações

A ordem remete ao belo, então quando vivemos de uma maneira organizada, nossa mente fica mais aliviada e mais livre para sermos mais criativos, para acharmos soluções para os problemas e principalmente realizar nossos grandes objetivos da vida.

O primeiro passo rumo a essa liberdade é gastar um pouco do tempo para pensar e estipular uma rotina. Uma sugestão é elaborar uma agenda com períodos de 30 minutos e anotar o que você deve fazer naquele tempo determinado. Comece com o horário para se levantar e siga preenchendo até o horário estipulado para dormir. Claro que tarefas que exijam um tempo maior para ser realizadas ocuparão mais de um espaço nessa agenda.

Você pode começar estipulando a rotina de 2ª a 6ª, deixando, a princípio, os finais de semana mais livres. Porém, com o tempo, verá que é importante também estabelecer alguma ordem para o fim de semana, mesmo que não seja tão rígida como a da semana.

Depois, é importante se concentrar para realizar a tarefa determinada no tempo estipulado. Como dizia S. Josemaria Escrivá: “faz o que deves e estás onde fazes”. Ou seja, não adianta ter um horário estipulado para preencher um relatório se nesse tempo estou pensando no que preciso comprar no supermercado. Ou no tempo que estipulei para brincar com meus filhos, ficar pensando na reunião que terei no dia seguinte. Na hora do trabalho, eu trabalho. Na hora de fazer compras, eu organizo a lista e faço as compras. E assim por diante.

Para aqueles que tem muita dificuldade com estabelecer e cumprir uma rotina, uma dica é começar escolhendo um período do dia para colocar na prática. Por exemplo, organizar primeiro o período da hora de acordar até a hora do almoço. Pratique por um tempo essa rotina e quando estiver mais seguro, organize também o período da tarde. E por fim, o período da noite.

Uma vida bem vivida

Não é necessário muito tempo praticando a ordem na rotina para colher seus frutos de tranquilidade e de sensação de liberdade. O tempo é um dos maiores dons recebidos de Deus e empregá-lo bem, cumprindo fielmente o nosso dever, aquilo que estabelecemos para fazer naquele determinado momento, nos proporciona uma sensação maravilhosa de realização pessoal.

“Realiza o teu dever e ele te realizará”, nos diz D. Rafael Cifuentes. As pessoas mais felizes são aquelas que sabem que estão cumprindo bem o seu dever e por isso são mais fortes, conseguem resistir melhor aos imprevistos que a vida lhes apresenta.

Nosso tempo é finito. Chegará um momento em que ele acabará e deveremos prestar contas de nossa vida ao nosso Criador, por isso precisamos cuidar muito bem do que fazemos com ele. E como somos um organismo integrado, perceberemos que, cumprindo bem nossa rotina, outros aspectos da nossa vida também melhorarão, teremos mais facilidade de lidar com nossos defeitos e limitações, podendo, pouco a pouco, nos tornarmos pessoas mais virtuosas e chegarmos ao fim da nossa vida com a tranquilidade do dever bem cumprido.


photo credit: Photo by Covene on Unsplash