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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

SURSUM CORDA - CORAÇÕES AO ALTO



No início da liturgia eucarística na Santa Missa, o sacerdote faz um convite a todos para elevarmos nossos corações a Deus. Em latim “sursum corda”, corações ao alto. E a nossa resposta é: “nosso coração está em Deus”. Esse é um momento importante, pois elevamos nosso coração ao Céu, para participarmos de alguma forma também da liturgia celeste, pois na Santa Missa o sacrifício de Jesus na Cruz é renovado na presença dos anjos e dos santos, então é como se o Céu estivesse ali conosco.

Esse chamado para elevar nossos corações a Deus não deve se restringir ao momento da liturgia eucarística. Os santos, aqueles que aprenderam a viver unidos a Deus ainda aqui na terra, estavam sempre com o coração no Céu. Por isso que São Paulo podia dizer: “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21). Ele estava tão unido a Jesus e ao mundo sobrenatural, que enxergava o momento de sua morte como um ganho, pois poderia contemplar eternamente a face de Deus.

Significado do “sursum corda”

O que significa então o “sursum corda”? Algumas poucas pessoas são chamadas a viver isso de maneira radical, abandonando as coisas desse mundo e vivendo enclausuradas ou isoladas, apenas adorando e servindo a Deus com essa renúncia das coisas materiais. Assim, seus corações e suas mentes estão exclusivamente no Céu.

Como viver o “sursum corda”

Porém a grande maioria de nós é chamada a viver o “sursum corda” no meio dos afazeres do nosso cotidiano. Viver no mundo, sem negligenciar nossas obrigações profissionais, familiares e sociais, mas com o coração no Céu, lembrando sempre que estamos num caminho cuja meta é o Céu.

As nossas obrigações do dia a dia são sementes da vida eterna. A forma como cumprimos com essas obrigações podem trazer o fruto de uma eternidade feliz no Paraíso. Ganhamos o Céu não apesar das nossas tarefas mundanas, mas justamente por causa dessas tarefas.

O Pe. José Kentenich costumava dizer que precisamos fazer o ordinário extraordinariamente bem e um fiel e fidelíssimo cumprimento do dever. (1º Documento de Fundação – Documentos de Schoenstatt, Atibaia 2002 e Santidade de Todos os Dias, Santa Maria 2018) Procurar o máximo de cuidado em cada coisa que precisamos fazer durante o dia e oferecer esse cuidado para Deus, é a forma de elevarmos sempre nossos corações ao alto.

Em nossa rotina agitada tudo quer chamar nossa atenção. As redes sociais com inúmeros estímulos a cada segundo podem tirar o nosso foco daquilo que é o mais importante, nossa salvação eterna. Nossas paixões e fraquezas também podem nos arrastar para baixo, para prender nosso coração nas coisas passageiras desse mundo. Então, para vivermos o “sursum corda” precisamos de coragem e de força para lutar contra tudo aquilo que nos afasta de Deus.

Essa luta vai durar toda a nossa vida, pois também o inimigo de Deus quer possuir nosso coração e nossa vontade. Mas com a ajuda constante da graça e a nossa firme vontade de viver com nosso coração no Céu, isso será possível. É preciso recomeçar a cada queda, pedindo perdão e tendo confiança na infinita misericórdia de Deus, sabendo que Ele deseja nossa salvação muito mais do que nós mesmos.

Na prática

Para incorporamos essa cultura do “sursum corda” em nossa vida, é preciso começar, logo que acordamos, com uma pequena oração oferecendo todo o nosso dia. Agradecer por termos acordado e ter mais uma chance de amar a Deus através das nossas atitudes e do fiel cumprimento dos nossos deveres. Aos poucos podemos incorporar em nossa rotina pequenas pausas, de alguns minutos, para renovar essa vontade de viver com o coração no Céu, oferecendo a próxima tarefa a realizar, por mais banal que seja. Podemos também preencher o nosso dia com as jaculatórias, que são pequenas frases (orações) que mandamos para Deus. E no final do dia, antes de dormir, agradecemos pelas conquistas e pedimos perdão pelas falhas no nosso dia, renovando o propósito de no dia seguinte, sermos melhores ainda.

Assim, no dia em que o Pai nos chamar para prestarmos conta de nossa vida, estaremos tranquilos pois passamos nossa vida junto Dele e o Céu não será um lugar estranho para nós. Nosso coração sempre esteve lá!

Foto de Christopher Beloch na Unsplash

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

ONDE SUA RAIZ ESTÁ PLANTADA?

 



A função da raiz numa planta é fixá-la no solo e absorver água e outros nutrientes, sendo essencial para a vida da planta. A raiz fica normalmente escondida embaixo da terra e quanto maior é a árvore, mais profunda está sua raiz.

O ser humano também cultiva sua raiz, não de forma biológica como as plantas, mas de forma espiritual, emocional, intelectual. Nós também precisamos de nossas raízes para nos estabelecermos na vida e nos abastecermos para enfrentarmos as diferentes dificuldades que a vida nos traz. Então a questão é: onde a sua raiz está plantada? Onde está o alicerce da sua vida, o local de onde você retira os nutrientes para sustentar seu espírito e produzir fruto?

O primeiro local onde começamos a crescer nossas raízes é no seio de nossa família. O amor e o cuidado que recebemos durante os anos de infância estimula o crescimento e o fortalecimento de nossa vida espiritual e emocional. Se tivemos algum tipo de trauma ou negligência nesses primeiros anos de nossa vida, nossas raízes já ficam prejudicadas. Mas sempre é possível replantá-las num lugar onde possam crescer e nos ajudar a dar fruto.

Nos anos da adolescência, onde começamos a refletir sobre quem somos e o que queremos ser, ficamos desorientados e corremos o risco de fixarmos nossas raízes em solo pedregoso, aquele da busca do prazer e da satisfação imediata. Quem tem raiz em solo desse tipo, não suporta a menor adversidade: o sol forte pode queimar e um vento mais forte pode arrancar.

O único solo onde estaremos verdadeiramente seguros e de onde podemos extrair os nutrientes necessários para termos uma vida emocional e espiritual saudável e fecunda é o amor de Deus. Saber que somos infinitamente amados, que fomos desejados, que temos uma missão para cumprir, que devemos dar frutos de amor, de justiça, de paz, de misericórdia. Isso tudo se torna verdade quando nossas raízes estão fixadas no amor infinito do Pai.

Mas como transplantar nossas raízes para esse solo fecundo? O primeiro passo é o querer, é o desejo de estar enraizado em Deus. Depois precisamos nos livrar de todo pecado grave, através do sacramento da Reconciliação. Lutar para permanecer em estado de graça, mas se cair, levantar-se e correr para os braços misericordiosos do Pai que nos espera no confessionário. Fortalecer esse desejo de estar no Pai através da eucaristia, o mais frequente que pudermos. Quanto mais recebermos Jesus que está realmente presente na sagrada Eucaristia, mais nos enraizaremos no amor do Pai.

E por fim, a oração, o contato direto do nosso coração com o coração do Pai. Rezar é conversar com Deus, da mesma forma que conversamos com quem amamos. Com simplicidade, com intimidade, com reverência e profunda gratidão. Deus é uma pessoa que está constantemente tentando entrar em contato conosco, através das coisas, da natureza, das pessoas e dos acontecimentos diários de nossa vida. Se pararmos para prestar atenção, é possível perceber esses sinais e responder esse chamado de amor com nossa oração.

Peçamos ao nosso anjo da guarda, a criatura que mais nos ama nesse mundo, com amor totalmente incondicional que só quer a nossa salvação, que nos ajude a aprofundarmos nossas raízes no amor do Pai, para que cresçamos fortes e produzamos abundantes frutos. 


Foto de Jeremy Bishop na Unsplash