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segunda-feira, 15 de julho de 2024

O CANSAÇO É PEDAGÓGICO

 


Vivemos em uma época muito agitada. Corremos para todos os lados o dia inteiro. Para quem é mãe, principalmente de crianças pequenas, a impressão é que não temos tempo para nada, passamos o dia (e muitas vezes a noite) indo de uma atividade para a outra, sem descanso. O resultado é que vivemos cansados. Muito cansados.

O cansaço nos ensina a ser humildes

Será que podemos aprender alguma coisa com nosso cansaço? Afinal, por que Deus nos fez de uma forma que precisamos descansar? Talvez a resposta seja para sermos mais humildes, entendermos nossa condição de criaturas limitadas. Não somos super-homens que podem fazer tudo o que quiserem, quando quiserem, como quiserem, sem consequências e sem cansaço.

O cansaço nos obriga a parar. O cansaço nos obriga a nos render, a nos entregar. É por causa do cansaço que “treinamos” a nossa morte, afinal quando dormimos, desligamos nossa consciência no mundo em que vivemos. Quantas pessoas encontraram com a morte durante o sono! Mesmo se temos a graça de acordar no dia seguinte, aquele momento do sono, foi um momento de morte, de separação das inúmeras preocupações de nosso dia a dia.

Deus nos quer no Céu

Deus é infinitamente sábio e nos ama também com amor infinito. O desejo dele para cada um de nós é que um dia possamos passar a eternidade com ele, com uma felicidade sem fim. Para isso ele procura nos educar ao longo de nossas vidas, para que percorramos o caminho que leva ao Céu. E o cansaço faz parte dessa pedagogia, desse chamado a voltar nosso olhar para Ele, lembrando que aqui só estamos passando um tempo e que as dificuldades e sofrimentos que experimentamos, devem ser um degrau que nos aproxima mais do seu amor e de sua misericórdia. O cansaço deveria constantemente nos lembrar do momento decisivo que será a nossa morte, para vivermos de uma forma que nossa eternidade seja no Céu.

Vós encontrareis descanso

Como é bom poder descansar no colo da Mãe, no colo do Pai! Jesus nos diz: " Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve”. (Mt 11,28-30)

É muito difícil mudar o estilo de vida para nos cansarmos menos. Provavelmente, em nossas circunstâncias, reduzir o ritmo, descansar mais, ter um tempo para somente fazer o gostamos, é impossível. Então precisamos aprender a entregar nosso cansaço para Jesus. O cansaço entregue para Jesus fica mais suave, mais leve.

Aprender com o cansaço

Vamos procurar aprender com nosso cansaço, a termos o olhar voltado para a eternidade, para o Céu, pois “a nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável” (2Cor 4,17). Podemos nos colocar como filhos pequenos pedindo o colo do Pai, sendo humildes, reconhecendo nossa fraqueza e confiando na infinita bondade e misericórdia daquele que nos ama com amor infinito.

 




Foto de Debashis RC Biswas na Unsplash

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O DESEJO É FUNDAMENTAL

 





O ser humano é composto de corpo e alma; tanto um como outro são movidos pelo desejo. O desejo tem um poder imenso e uma força avassaladora. É o desejo que move nossos instintos para comer, beber, descansar, ter relações sexuais. É o desejo que nos faz sair da cama todos os dias para cumprirmos nossas obrigações e construirmos nossa vida. A falta de desejo, em qualquer área de nossa vida, pode ser sinal de alguma doença (física ou emocional) e pode até levar a morte!  

O desejo é como um foguete com grande propulsão que pode nos levar às alturas e à imensa felicidade, mas se ele for apontado para o lado errado, para nós mesmos, pode ser causa de nossa autodestruição. Então a chave para usar o desejo a nosso favor é perguntar: o que eu desejo? E por que eu desejo isso?
Existem os desejos básicos da nossa natureza que são relativamente fáceis de serem atendidos: comer quando se está com fome, beber quando tem sede e descansar quando está cansado, entre outros. O problema começa quando começamos a acrescentar qualidades a esses desejos, como o tipo de comida ou bebida; o lugar ou a quantidade de descanso... Podemos desejar coisas materiais mais difíceis, como uma casa, um carro, uma viagem. Os desejos podem ser mais complexos e amplos, como o desejo por poder, por uma posição social, pela fama e riqueza. 

Ao analisarmos a nossa própria vida e a sociedade em que vivemos podemos concluir que é muito difícil chegar ao ponto de ter todos os desejos atendidos. Sempre que conseguimos algo que desejávamos, começamos a desejar outra coisa... E qual é a raiz disso? Por que parecemos sempre insatisfeitos? 

Santo Agostinho já dizia: “inquieto está meu coração enquanto não repousar em Ti, meu Deus”. Com as coisas materiais é relativamente fácil saciar os desejos do nosso corpo, mas como somos corpo e alma, existe algo em nós, um tipo de desejo, que jamais será saciado enquanto estivermos nessa vida terrena. É o nosso desejo pelo infinito. O nosso corpo terá um fim, quando morrermos, mas a nossa alma é imortal e não pode ser inteiramente saciada com as coisas desse mundo. 

Deus colocou esse tipo de desejo insaciável em nossa alma por uma única razão: para lembrarmos que fomos feitos para a eternidade! E se fomos feitos para a eternidade, devemos, desde já, vivermos de uma forma que possamos ser eternamente felizes e realizados. Por isso, o mais importante que podemos fazer nessa vida é desejar o Céu.

O desejo pelo Céu tem um poder incrível. Ele nos move a escolher sempre aquilo que vai nos ajudar nessa meta; a buscar viver uma vida de virtudes, procurando sempre o bem, o belo e o verdadeiro. É muito importante renovar esse desejo frequentemente. Dizer mesmo, em nossa mente: eu quero ir para o Céu! Eu quero ser eternamente feliz em Deus, que me criou para isso!

É o desejo pelo Céu que moveu a vida de tantos santos, dando força e alegria para enfrentarem os maiores sofrimentos, incluindo o martírio. Sabemos que o mais perto que podemos chegar do Céu nessa vida é receber Jesus, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia. No livro “Imitação de Cristo”, Tomás de Kempis reza: “Com suma devoção e abrasado amor, com todo afeto e fervor do coração, desejo receber-vos Senhor na Sagrada Comunhão, como desejaram muitos santos e pessoas devotas que vos eram tão caras (...) Oh amor eterno, meu único bem, felicidade interminável, desejo receber-vos com fervor mais veemente e com a reverência mais digna qual jamais teve nem pode sentir nenhum dos vossos santos. E ainda que eu seja indigno de ter aqueles admiráveis sentimentos de amor, ofereço-vos todo o afeto do meu coração, como se eu só estivesse animado de todos aqueles inflamados desejos.”

Então, vamos analisar nossa própria vida e tentar enxergar como podemos direcionar melhor nosso “foguete” do desejo para aquilo que realmente importa: o Céu. Muitas coisas são necessárias para conseguirmos viver dignamente, mas nosso desejo não pode estar direcionado a elas. Elas são apenas meio, não o fim. Nossa meta é o Céu. 


Foto de Iván Díaz na Unsplash


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

VOCÊ ESTÁ QUEBRANDO PEDRA OU CONSTRUINDO UMA CATEDRAL?


A importância de saber o motivo de fazer as coisas

Ouvi uma história muito interessante sobre como um mesmo fato pode gerar diferentes pontos de vista, dependendo da motivação de cada um. Havia três homens que trabalhavam na construção de uma grande catedral. Aos três foi feito a mesma pergunta: “o que você está fazendo?” O primeiro respondeu: “estou quebrando pedra”; o segundo disse: “estou sustentando a minha família” e o terceiro falou: “estou construindo uma catedral!”

As três respostas estão absolutamente corretas, porém demonstram como cada um desses homens enxerga as suas atitudes, o seu trabalho. A visão do primeiro está focada no imediato, no que está fazendo naquele instante. Esse tipo de atitude frente à vida leva a pessoa a ser muito inconstante, a ser influenciada pelas circunstâncias, a simplesmente “reagir” aos acontecimentos e não ter uma postura de ação, de fazer porque sabe o que está fazendo. Aquele que enxerga só o momento, perde a noção do todo, da história; muitas vezes se sente entediado e tende a buscar “sensações”, prazeres físicos, para se sentir feliz.

A postura do segundo já mostra um pouco mais de sentido de responsabilidade pelos outros, de saber que a sua atitude influencia na vida de outras pessoas. Ele está quebrando pedra, porém com o objetivo de sustentar a sua família. A visão é um pouco mais ampla, mas ainda falta enxergar o todo, a beleza da existência humana, o motivo do próprio existir. Se a vida se limitar a cumprir as obrigações para ter o próprio sustento, ela é muito pobre (mesmo se cheia de dinheiro) e não preenche os anseios do coração humano.

O terceiro é aquele que entendeu realmente o profundo sentido de sua existência. Ele sabe que sua ação aqui e agora, mesmo que sirva para sustentar a sua família, vai ecoar por toda eternidade. As catedrais são monumentos que duram séculos, então por mais monótono que seja aquele quebrar pedra, ele é necessário para construir uma obra espetacular que estará de pé por muitos e muitos anos depois que acabar a existência desse pequeno construtor.

O verdadeiro sentido da nossa existência

Já disse o poeta: “ao brilhar de um relâmpago nascemos e ainda brilha seu fulgor quando morremos, tão curto é o viver”. Por isso é tão necessário entender o que estamos fazendo nesse mundo, saber que enquanto estamos aqui, temos a oportunidade de preparar nossa vida futura, aquela que nunca acabará, o destino eterno de nossa alma.

Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, falava da sacralidade do momento, de que esse instante em que estamos vivendo, jamais voltará, por isso precisamos vive-lo da melhor forma possível. Ensinava ainda sobre o “fiel e fidelíssimo cumprimento do dever” e de “fazer o ordinário de forma extraordinária”. Tudo isso para nos mostrar como é importante cumprirmos de maneira excelente as nossas obrigações de cada dia, pois as nossas atitudes aqui é que determinam a nossa qualidade de vida, nossa realização como ser humano e também o futuro da nossa alma quando encerrar nossa existência nesta terra.

Nosso Senhor Jesus Cristo passou 30 anos de sua vida no ordinário de sua família, cumprindo seus deveres, para dar o exemplo de como devemos agir no nosso cotidiano. Nesses anos todos Ele já estava realizando sua obra redentora, santificando a vida familiar, mostrando a importância da família e o valor redentor do trabalho bem feito.

A santificação da vida diária

Assim, a nossa santificação ocorre na nossa vida diária, que deve ser um caminhar constante rumo ao Céu. Minha avó Amábile sempre dizia que o bem que fazemos aqui, os gestos de amor, de doação, os pequenos e grandes sacrifícios, são como “tijolos” que enviamos para a construção da nossa casa no Céu. Quanto mais fizermos aqui, melhor será nossa morada na eternidade.

Para conseguirmos santificar o nosso dia, precisamos nos conscientizar da presença de Deus ao nosso lado e para isso precisamos da ajuda de nossa imaginação e de nossa memória. Sabe aquela paradinha que você dá para olhar as mensagens do WhatsApp durante o dia? Aproveite esses momentos para dizer “oi” pra Deus.

Essa saudação pode ser através de jaculatórias, que são “flechas” de amor que mandamos para o Céu. São frases curtas e simples que demonstram nossa vinculação ao mundo sobrenatural. Alguns exemplos: “Jesus, eu confio em vós!”, “Nossa Senhora cuide de mim!”, “Jesus eu te amo e quero estar um dia contigo no Céu!”, “Vem Espírito Santo!”, “Valei-me São José!” enfim, cada um pode também criar a sua preferida ou pegar inspiração na vida dos santos e nas jaculatórias que eles usavam.

Conforme vamos nos conscientizando dessa presença divina, conseguimos cumprir melhor nossos deveres, lutar contra nossas imperfeições e pouco a pouco enxergar o sentido da nossa existência, que não é apenas “quebrar as pedras”, mas “construir uma catedral”. O santo é um monumento vivo que demonstra toda a majestade divina, muito mais que uma catedral de pedras. Então, a busca e a luta pela nossa santidade é a maior catedral que podemos construir para Deus.  

Photo by Pascal Bernardon on Unsplash

terça-feira, 31 de outubro de 2017

QUAL A FINALIDADE DA SUA VIDA?

Essa pergunta só faz sentido para um ser humano. Um animal não tem capacidade intelectual para pensar sobre o sentido da própria vida. Ele vive para comer, dormir e se reproduzir. Nada mais. Já o ser humano, sente um anseio sobre o sentido de sua vida, a razão pela qual existe. Quem não sabe a resposta para essa pergunta ou a responde de maneira equivocada, acaba vivendo de forma muito semelhante aos animais.

Todo batizado deveria ter na ponta da língua a resposta para a finalidade da sua vida: estar, um dia, junto do Pai Criador, no Céu. O grande problema é que muitos cristãos vivem como os pagãos, colocam o sentido de sua vida no dinheiro, no prazer, no poder. Esquecem que o tempo que passarão na terra é muito breve, porém, sua alma é eterna, jamais morrerá e acabam por trocar a felicidade sem fim, por um breve tempo de gozos e alegrias. Jesus mesmo chama essas pessoas de loucos! “Mas Deus lhe disse: Louco! Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para quem vão ficar? Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus.” (Lc 12, 20-21)

Não há nada mais importante nesse mundo do que cuidar do destino da própria alma e das almas das pessoas que convivem conosco. É certo que precisamos cuidar da nossa subsistência, mas sem preocupações excessivas, pois, de uma hora para outra, a vida acaba e prestaremos conta sobre como gastamos o nosso tempo. Onde ficam os bens que acumulamos, as horas que passamos na frente de uma tela, o cargo que ocupamos, o tempo que gastamos buscando mais dinheiro, mais prazer? Não levaremos nada conosco. Tudo fica para trás.  

A questão é muito simples: você acredita que possui uma alma imortal que tem a possibilidade de passar a eternidade junto de Deus, pois Jesus Cristo te libertou da escravidão do pecado? Se a resposta for positiva, então a pergunta é: o que você está fazendo para que efetivamente sua alma vá para o Céu?

Precisamos estreitar a cada dia o nosso relacionamento com Deus, sermos íntimos dele, perguntar o que podemos fazer para agradá-lo, para retribuir tanto amor que recebemos todos os dias. Afinal, como você quer passar a eternidade com Deus se não o conhece, se não se relaciona com ele enquanto está aqui na terra? Não tem lógica nenhuma passar a vida como se Deus não existisse e depois de morrer querer ter um lugar junto dele no Paraíso.

Hoje infelizmente muitas pessoas querem passar a imagem de um Jesus “light”, que não exige nada, e que é só misericórdia e que todos serão salvos, independente de seus atos. Isso é enganação do inimigo de Deus. A salvação é para todos, mas Deus respeita a nossa liberdade de escolher o que fazemos com nossa vida. Sua divina providência vai procurar oferecer todos os meios para que aceitemos a salvação, mas no fim, depende da vontade de cada um.

Mas então isso significa que aqui só vou sofrer e não posso sentir prazer? Claro que não! Deus fez todos os prazeres desse mundo para aliviar o nosso fardo e para não desanimarmos na luta, mas devemos gozá-los de maneira moderada e não ficar buscando desesperadamente só o prazer pelo prazer, como se a nossa vida se resumisse ao que sentimos aqui.


“Se vocês foram ressuscitados com Cristo, procurem as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Pensem nas coisas do alto e não nas coisas da terra. (...) Façam morrer aquilo que em vocês pertence à terra: fornicação, impureza, paixão, desejos maus e a cobiça de possuir, que é uma idolatria. (...) Agora, porém, abandoem tudo isso: ira, raiva, maldade, maledicência e palavras obscenas, que saem da boca de vocês. Não mintam uns aos outros. (...) Como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, sempre que tiverem queixa contra alguém. Cada um perdoe o outro, do mesmo modo que o Senhor perdoou vocês. E acima de tudo, vistam-se com o amor, que é o laço da perfeição.” (Colossenses 3, 1-14)

photo credit: ivogelmann <a href="http://www.flickr.com/photos/45231498@N05/36820166076">Cloud - Sky Cloudscape Nature Blue Backgrounds Weather Bright Day Heaven Sky Sky Only No People Outdoors Beauty In Nature</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">(license)</a>