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sexta-feira, 28 de março de 2025

SATANÁS TEM UM PLANO PARA A SUA VIDA

 



As pessoas, em geral, não gostam de pensar no demônio e muito menos falar dele. Para muitas, inclusive, ele não existe... Essa é uma grande arma a favor do demônio: quem não acredita em sua existência está muito mais vulnerável para receber sua influência. Porém, quem é cristão sabe muito bem, pelas palavras do próprio Jesus, que o demônio é real e como diz S. Pedro: “anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.” (1Ped 5,8)

Pensar no demônio não deve nos trazer medo, como vemos em alguns filmes de terror, mas deve nos deixar muito alertas. Nossa realidade é um grande campo de batalha entre o Bem e o Mal. Deus já venceu essa batalha, mas nós, seres humanos, é que estamos sendo disputados para saber qual lado vamos escolher para passar a eternidade.

O livre arbítrio nos foi dado para termos a capacidade de amar. Quem não é livre, não pode amar, mas essa mesma liberdade pode ser usada para escolher o mal, e assim, escolher o lado do inimigo do Amor. O plano de amor de Deus para cada um de nós é que um dia, estejamos com Ele, na felicidade eterna no Céu. E Satanás, por ser um anjo dotado de uma inteligência aguçadíssima, também tem um plano para cada um de nós, que é fazer que escolhamos passar a eternidade com ele, sofrendo e odiando no inferno.

Poder de Satanás

O poder de Satanás é limitado ao que Deus permita que ele faça. E Deus só permite a ação dele, para que nós possamos provar nosso amor e assim, escolher o Céu. Jesus, por sua paixão e morte na cruz, abriu o Céu para nós. Ele já nos libertou da escravidão do pecado, mas nós precisamos aderir a esse plano de Deus, escolher fazer a sua amorosa vontade para nossa vida.

A ação ordinária de Satanás e seus demônios é através da tentação. Ele nos influencia a escolhermos o pecado. O pecado é uma recusa em amar, pois escolhemos um prazer ou uma vantagem material em detrimento dos planos de amor que o Pai tem para nós. É escolher o egoísmo, que é o oposto do amor. Ao pecar, dizemos sim ao demônio e um não a Deus.

Deus, ao nos dar os 10 mandamentos, está pensando apenas no nosso bem, em nossa salvação. Ao escolhermos ir contra esses mandamentos, estamos fazendo um mal para nós mesmos, tanto para a nossa vida aqui na terra, como especialmente para a nossa vida eterna, que será nos horrores do inferno.

Combater as tentações

A primeira coisa que precisamos ter certeza é que nenhum de nós é tentando acima de suas capacidades de resistir a essa tentação. Satanás é como um sniper que fica observando qual é o melhor momento e a melhor forma de atirar uma tentação. Mas sempre temos a capacidade de resistir a esse tiro.

Para combater as tentações, primeiro precisamos estar conscientes delas, então devemos pedir a Deus, na oração, para nos mostrar onde o demônio está entrando em minha vida, qual brecha posso estar dando para que ele influencie as minhas ações, caindo na armadilha de suas tentações.

Quaresma: tempo propício para combater as tentações

O tempo quaresmal é um período propício que a Igreja nos convida a combatermos mais fortemente o pecado e as tentações. Somos lembrados que Jesus também foi tentado no deserto e nos ensinou como lutar contra as tentações especialmente as do ter, do prazer e do poder

As práticas quaresmais que nos incentivam a intensificar o jejum, a esmola e a oração devem nos fortalecer no combate especialmente contra essas três tentações. O jejum nos ajuda a dominar nossos instintos e dessa forma nos fortalece contra a tentação da busca do prazer. A esmola nos ajuda no desprendimento dos bens materiais, pois damos a quem não pode nos retribuir. E nos ajuda contra a tentação do ter. E a oração nos ajuda a reconhecermos que somos criaturas, que todo o poder é de Deus, nos ajudando contra a tentação do orgulho e do desejar o poder.

Assim, não desperdice mais essa oportunidade que o Pai lhe dá para crescer no amor e vencer todo egoísmo. Aproveite esse tempo de Quaresma para lutar mais seriamente contra aquela tentação que te afasta do caminho que vai te levar ao Céu. Nas dificuldades, nas quedas, levante e recomece. “A esperança não nos decepciona” (Rm 5,5). Jesus venceu a morte e nos ajuda a frustrar o plano que satanás tem para a nossa vida.


 Foto de Marek Piwnicki na Unsplash

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O DESEJO É FUNDAMENTAL

 





O ser humano é composto de corpo e alma; tanto um como outro são movidos pelo desejo. O desejo tem um poder imenso e uma força avassaladora. É o desejo que move nossos instintos para comer, beber, descansar, ter relações sexuais. É o desejo que nos faz sair da cama todos os dias para cumprirmos nossas obrigações e construirmos nossa vida. A falta de desejo, em qualquer área de nossa vida, pode ser sinal de alguma doença (física ou emocional) e pode até levar a morte!  

O desejo é como um foguete com grande propulsão que pode nos levar às alturas e à imensa felicidade, mas se ele for apontado para o lado errado, para nós mesmos, pode ser causa de nossa autodestruição. Então a chave para usar o desejo a nosso favor é perguntar: o que eu desejo? E por que eu desejo isso?
Existem os desejos básicos da nossa natureza que são relativamente fáceis de serem atendidos: comer quando se está com fome, beber quando tem sede e descansar quando está cansado, entre outros. O problema começa quando começamos a acrescentar qualidades a esses desejos, como o tipo de comida ou bebida; o lugar ou a quantidade de descanso... Podemos desejar coisas materiais mais difíceis, como uma casa, um carro, uma viagem. Os desejos podem ser mais complexos e amplos, como o desejo por poder, por uma posição social, pela fama e riqueza. 

Ao analisarmos a nossa própria vida e a sociedade em que vivemos podemos concluir que é muito difícil chegar ao ponto de ter todos os desejos atendidos. Sempre que conseguimos algo que desejávamos, começamos a desejar outra coisa... E qual é a raiz disso? Por que parecemos sempre insatisfeitos? 

Santo Agostinho já dizia: “inquieto está meu coração enquanto não repousar em Ti, meu Deus”. Com as coisas materiais é relativamente fácil saciar os desejos do nosso corpo, mas como somos corpo e alma, existe algo em nós, um tipo de desejo, que jamais será saciado enquanto estivermos nessa vida terrena. É o nosso desejo pelo infinito. O nosso corpo terá um fim, quando morrermos, mas a nossa alma é imortal e não pode ser inteiramente saciada com as coisas desse mundo. 

Deus colocou esse tipo de desejo insaciável em nossa alma por uma única razão: para lembrarmos que fomos feitos para a eternidade! E se fomos feitos para a eternidade, devemos, desde já, vivermos de uma forma que possamos ser eternamente felizes e realizados. Por isso, o mais importante que podemos fazer nessa vida é desejar o Céu.

O desejo pelo Céu tem um poder incrível. Ele nos move a escolher sempre aquilo que vai nos ajudar nessa meta; a buscar viver uma vida de virtudes, procurando sempre o bem, o belo e o verdadeiro. É muito importante renovar esse desejo frequentemente. Dizer mesmo, em nossa mente: eu quero ir para o Céu! Eu quero ser eternamente feliz em Deus, que me criou para isso!

É o desejo pelo Céu que moveu a vida de tantos santos, dando força e alegria para enfrentarem os maiores sofrimentos, incluindo o martírio. Sabemos que o mais perto que podemos chegar do Céu nessa vida é receber Jesus, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia. No livro “Imitação de Cristo”, Tomás de Kempis reza: “Com suma devoção e abrasado amor, com todo afeto e fervor do coração, desejo receber-vos Senhor na Sagrada Comunhão, como desejaram muitos santos e pessoas devotas que vos eram tão caras (...) Oh amor eterno, meu único bem, felicidade interminável, desejo receber-vos com fervor mais veemente e com a reverência mais digna qual jamais teve nem pode sentir nenhum dos vossos santos. E ainda que eu seja indigno de ter aqueles admiráveis sentimentos de amor, ofereço-vos todo o afeto do meu coração, como se eu só estivesse animado de todos aqueles inflamados desejos.”

Então, vamos analisar nossa própria vida e tentar enxergar como podemos direcionar melhor nosso “foguete” do desejo para aquilo que realmente importa: o Céu. Muitas coisas são necessárias para conseguirmos viver dignamente, mas nosso desejo não pode estar direcionado a elas. Elas são apenas meio, não o fim. Nossa meta é o Céu. 


Foto de Iván Díaz na Unsplash


terça-feira, 24 de maio de 2022

O SEU AMIGO MAIS PODEROSO



Como está seu relacionamento com seu amigo mais poderoso? Você sabia que Deus deu a você um amigo muito poderoso, eternamente fiel e que pode te ajudar a alcançar o maior bem de todos: a salvação eterna?!

Ao contrário do que pode estar no imaginário das pessoas, o anjo da guarda não é um bebezinho fofinho de cabelos cacheados ou um anjo que cuida de nós apenas quando somos crianças.

O anjo é uma criatura de puro espírito, extremamente inteligente e poderoso. Todas as vezes que aparece nas Sagradas Escrituras causa espanto e até medo naquelas pessoas com as quais ele se comunica (Gn 19,1; Lc 1,12; Lc 2,9; etc). O Catecismo da Igreja Católica nos ensina:

“336. Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.”

Deus ama cada ser humano com amor infinito e deseja que todos, um dia, possam gozar da eterna alegria no Céu. Assim, para nos ajudar nessa jornada, recebemos de Deus um santo anjo da guarda, que tem como missão justamente nos ajudar a chegar no Céu.

O Pe. Paulo Ricardo nos ensina: “Então, os anjos da guarda querem e lutam pela salvação dos homens – inspirando-os, iluminando-os e, às vezes, até realizando milagres e lutando contra os próprios demônios. Como são instrumentos santos que possuem inteligência e são livres, eles são chamados de "ministros", pois foram colocados por Deus ao nosso serviço. São João Bosco, ao recomendar a invocação ao anjo da guarda na hora das tentações, dizia que "ele deseja ajudar você mais do que você deseja ser ajudado por ele".

Portanto, a única coisa que precisamos fazer é pedir a sua poderosa ajuda! Infelizmente nosso mundo moderno fechou os olhos para o mundo espiritual que é tão real como o mundo material. Ao vivermos olhando somente para o que é material, esquecemos de cuidar do que é mais importante: o destino eterno de nossa alma quando morrermos.

Desta forma devemos aprender a nos relacionar com nosso santo anjo da guarda. S. Pe. Pio, que tinha o dom de ver e conversar com os anjos da guarda, dizia que não devemos deixar nossos anjos “ociosos”, precisamos dar a eles muitos trabalhos! Em uma carta ele escreve: “Mantém sempre [teu anjo] diante dos olhos da alma, recorda-te com frequência da presença desse anjo. Agradece, ora, nutre sempre para com ele uma boa companhia. Abre-te e confia a ele teus sofrimentos. Toma sempre cuidado para não ofenderes a pureza do seu olhar: toma conhecimento e fixa bem esta verdade em tua alma. Ele é muito delicado, muito sensível. Dirige-te a ele em momentos de suprema angústia e experimentarás os seus benéficos efeitos.”

Já há alguns anos aprendi essa devoção e posso dizer que converso com meu anjo da guarda todos os dias. Conto aqui apenas uma das muitas experiências que tive com o meu anjo:

No dia 18 de outubro de 2014, o Movimento Apostólico de Schoenstatt, no qual sou consagrada, completaria 100 anos. Os planos eram ir para a Alemanha celebrar esse momento, mas em fevereiro/2014 precisei fazer um transplante de medula óssea para curar um linfoma. Por causa do transplante e da queda da imunidade, tive muitas intercorrências durante o ano e no dia 10 de outubro, fui internada mais uma vez com problemas pulmonares.

Meu desejo era ter alta até o dia 18, pois assim poderia, ao menos, ir à Santa Missa para comemorar uma data tão especial. Porém, até o dia 17 não tinha perspectiva de ter alta, então pedi ao meu anjo da guarda que, ao menos, eu pudesse receber a Sagrada Eucaristia nesse dia. Liguei para a pessoa responsável por enviar o sacerdote ao hospital e ela me disse que infelizmente não seria possível. Havia muitas chamadas e eles estavam atendendo só os casos graves, onde a pessoa estava na UTI.

Desligando o telefone, eu estava muito chateada e dei uma “bronca” no meu anjo da guarda. Disse que minha situação já era bem ruim e ele não tinha conseguido nem que eu comungasse...

No dia 18, a primeira boa notícia logo cedo: inexplicavelmente meus exames tinham melhorado muito de um dia para o outro e eu teria alta logo após o almoço! Fiquei super feliz, já liguei para meu marido avisando que poderia vir me buscar. Porém, teria que ficar de repouso em casa e, então, não poderia ir a Santa Missa.

Comecei a agradecer meu santo anjo, pedindo desculpas pela bronca do dia anterior quando toca o telefone. Era a pessoa responsável por enviar o sacerdote. Ele me disse exatamente essas palavras: “Olha, Flávia, seu anjo da guarda é muito poderoso. Acabamos de receber uma ligação da UTI aí do hospital onde você está e o sacerdote já está a caminho. Como ele estará por aí, levará a comunhão para você também!”

Fiquei maravilhada e muito agradecida. No fim, além de receber a sagrada eucaristia eu ainda tive alta e pude voltar para casa, para celebrar essa data tão importante junto ao meu marido e meus filhos.

Esse foi só um dos inúmeros testemunhos que poderia contar sobre as vezes que percebi a ajuda do meu anjo da guarda. Fora as vezes que ele certamente me ajudou e eu não percebi. Assim, incentivo a todos a pedirem ajuda e se deixarem inspirar por esse amigo tão poderoso e que nos ama tanto. Outra dica é pedir ajuda aos anjos da guarda das pessoas com as quais você se relaciona. Aqui, sou muito amiga dos anjos da guarda dos meus filhos. Peço sempre que me ajudem na educação de cada um deles e que me inspirem caso algum precise de uma atenção ou um auxílio mais específico. Nunca fiquei sem resposta!

Photo by Yoann Boyer on Unsplash 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

FOMOS COLOCADOS NO “CANTINHO” PARA PENSAR



A maioria dos pais conhece a técnica pedagógica de colocar o filho em um “cantinho”, quando a criança apresenta algum comportamento errado. Tirar do local onde o mau comportamento está ocorrendo e levá-lo a outro lugar para que fique por um tempo “pensando” no que fez de errado. Geralmente o tempo nesse “cantinho” é contado em minutos, de acordo com a idade da criança. Essa técnica tem se mostrado eficiente (pelo menos é a minha experiência quando tinha os filhos pequenos), pois a criança passa a entender que determinadas formas de agir podem ter como consequência a ida para o “cantinho”.

A parte que provavelmente não é muito eficaz é a de que a criança deva pensar na atitude errada que estava fazendo. Eu realmente não acredito que meus filhos ficavam pensando no que o comportamento deles não estava correto, principalmente por serem muito novos. Mas como o resultado era atingido, nunca dei muita importância para essa parte da técnica.

Agora, porém, com essa quarentena obrigatória que o mundo inteiro está passando, fiquei pensando se Deus, como um bom Pai, não achou que era hora de colocar cada um de nós no “cantinho” para pensarmos em nossas atitudes, para refletirmos como estamos preparando nosso encontro com Ele, nossa vida futura na eternidade.

O “cantinho” é o nosso próprio lar, a nossa família. Estamos todos confinados em casa, com um tempo que jamais imaginamos que possuíamos, muitos estão ansiosos, outros entediados, outros super atarefados com as questões domésticas e também do teletrabalho, mas será que esse tempo no “cantinho” está realmente sendo eficiente? Será que estamos aproveitando para pensar no “para que” de tudo isso?

Sabemos que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28) e que a Divina Providência tudo conduz para que cada ser humano possa, um dia, gozar da alegria eterna no Céu, respeitando sempre a liberdade de cada um de querer ou não seguir esse caminho. Deus nunca quer o mal, mas muitas vezes o permite para tirar um bem maior. Acredito que essa é a nossa situação atual. Deus está falando “alto”, como que bradando para o mundo (e cada um de nós) acordar e refletir que caminho está seguindo.

Proponho aqui que façamos uma séria reflexão sobre a nossa vida, o caminho que estamos trilhando. Será que nossa meta é o Céu? Será que estamos mais preocupados com nosso bem estar físico do que com o nosso bem estar espiritual? Será que me relaciono com Deus como a um pai amoroso, que deseja o meu bem e que um dia quer me ver com Ele no Paraíso? Eu pelo menos converso com ele todo dia através de uma oração pessoal?

Outra reflexão que precisamos fazer é sobre nossa vida sacramental. A grande maioria de nós está privada da recepção dos sacramentos, especialmente aqueles que nos ajudam em nossa caminhada espiritual, a Confissão e a Eucaristia. Daí a pergunta: será que eu aproveitei bem as oportunidades de receber a Santa Eucaristia? Será que sempre a recebi com o devido respeito e amor? Confessei-me regularmente ou só uma vez ao ano como pede a Santa Igreja? Como fazia minhas confissões? Tinha arrependimento e o firme propósito de não mais pecar?

Precisamos levar esse tempo muito a sério. Já diz o ditado que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Não podemos desperdiçar nosso tempo, que é um dos bens mais preciosos que possuímos. Sabemos que, cedo ou tarde, essa quarentena irá acabar e a pergunta que fica é se fizemos aquilo que Deus gostaria que fizéssemos nesse período. Ainda estamos gozando do tempo da misericórdia de Deus, mas sabemos que um dia virá o tempo da justiça. Vamos dar a resposta que o nosso Pai espera de nós: acertar nosso rumo, fazer as mudanças de vida necessárias, para que possamos a cada dia amar mais e melhor a Deus e a nosso próximo e assim cumprir a missão para a qual cada um de nós foi criado.

photo credit: donnierayjones <a href="http://www.flickr.com/photos/11946169@N00/25771614245">Reese is Sad</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>



terça-feira, 5 de novembro de 2019

OS PILARES PARA A NOSSA SALVAÇÃO

Não há nada mais importante em nossa vida do que cuidar da salvação de nossa alma. Sabemos que tudo nessa vida passa e que só a nossa alma é eterna, então cuidar do lugar onde passaremos a eternidade deve ser nossa prioridade.

O Céu pode ser definido como uma união completa com Deus, nosso Criador, que é Amor. Então, para um dia estarmos unidos ao Amor, precisamos procurar, ainda aqui nessa vida, um pouco dessa união. Para isso, a Igreja, nossa Mãe e que deseja que todos os seus filhos sejam salvos, oferece todos os meios necessários para que isso seja possível.

Além dos requisitos essenciais (ser batizado e ter fé), existem três pilares sobre os quais a nossa salvação se sustenta: a oração, a confissão e a eucaristia. Sem eles, a união total com o Amor na eternidade é muito difícil, ou praticamente impossível.

A oração é o diálogo pessoal com Deus. Não é possível passar a eternidade com uma pessoa com quem nunca conversamos, ou falamos muito pouco, ou ainda só falamos quando precisamos de alguma coisa. Para nos unirmos a Deus, precisamos procurar conhecê-lo, ver sua atuação em nossa vida e para isso que serve a oração. Existem muitas formas de rezar, mas a mais propícia para esse encontro com o Deus da minha vida é a oração meditativa.

São várias as técnicas para uma boa meditação e a vida dos santos está repleta delas. A que sugiro aqui é uma ensinada pelo Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ele ensina que devemos saborear os acontecimentos da nossa vida, tentando enxergar a mão de Deus em cada coisa que nos acontece, tanto as boas como as que não são agradáveis.

Para isso, precisamos reservar algum tempo do nosso dia (no mínimo 15 minutos) onde nos colocamos em um lugar calmo, pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos ajude a encontrar com o Pai e escolhemos um acontecimento do dia anterior para meditarmos. Em vista desse fato, fazemos três perguntas: 1) O que Deus quer me dizer com isso? 2) o que eu digo a mim mesmo? 3) O que respondo a Deus?

A resposta a essas perguntas nos ajuda a enxergar a divina providência em nossa vida. O objetivo principal da meditação é conhecer para amar. Se conseguimos ver Deus por trás desses acontecimentos, vemos como Ele cuida de nós com amor infinito e assim, conseguimos também responder a esse amor. Só ama quem se sente primeiro amado. E Deus nos amou primeiro!

Outro pilar para a nossa salvação é o sacramento da confissão. O pecado nos afasta de Deus, pois escolhemos a satisfação de um desejo que nos faz mal, ao invés de permanecermos fiéis aos ensinamentos de nosso Pai. Assim, a confissão nos reconcilia com Deus, retoma o estado de amizade que o pecado havia desfeito. Devemos recorrer a esse sacramento com a maior frequência possível, mesmo que não tenhamos pecado gravemente, pois ele também nos ajuda a crescer em santidade, nos dando forças para resistirmos às tentações.

Por fim temos o mais importante, o mais sublime ato de amor que Deus poderia ter feito: a eucaristia. Na Sagrada Comunhão Deus se dá a si mesmo como alimento, para se unir a nós e se tornar uma só carne conosco! Nossa inteligência é muito limitada para entender a grandeza da eucaristia e nossa fé também é muito fraca. Quem realmente tem um pequeno vislumbre dessa maravilha, não quer passar um dia sequer sem receber Jesus Eucarístico.

Receber a eucaristia é já possuir o Céu aqui na terra. É unir-se a Jesus da maneira mais perfeita possível que podemos ainda nesse mundo. Durante os cerca de quinze minutos que a sagrada espécie está em nosso corpo, mesmo que nossos sentidos não percebam, somos um com Deus, como seremos um dia na eternidade. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20). A forma pela qual Jesus cumpre essa promessa é através da sua Real Presença do Santíssimo Sacramento.

Assim, para chegarmos um dia ao Céu, precisamos buscar incessantemente a santidade, que consiste basicamente em aprendermos a amar para podermos nos unir ao Amor. Para isso, precisamos, pouco a pouco, acabar com o nosso egoísmo que nos aprisiona em nossos desejos, buscando uma maior vinculação a Deus, procurando amá-lo cada dia mais e provando nosso amor saindo de nós mesmos para nos entregar ao serviço do outro.

photo credit: Tom Van de Peer <a href="http://www.flickr.com/photos/110112922@N02/40175277705">Laon Cathedral France</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 27 de março de 2018

DEUS NÃO PRECISA DAS SUAS ORAÇÕES!


Deus não precisa de suas orações, nem de suas penitências, nem de seus jejuns. Ele não precisa que você vá à missa, nem receba nenhum dos outros sacramentos. Deus é onipontente, onipresente e onisciente. Ele não precisa de nada! Mas então porque a Palavra de Deus e a santa Tradição da Igreja pedem que você faça tudo isso? Seria tudo invenção humana para te “oprimir”?

A razão é simples: o plano do Pai para a sua vida é que um dia, você possa gozar das alegrias do Céu, junto dele. Só que para isso, você precisa vencer a si mesmo, ao seu egoísmo. E isso é uma tarefa dificílima. Como nosso Pai é rico em misericórdia e compaixão, Ele quer te ajudar. Na verdade, a sua graça pode fazer praticamente tudo sozinha. Só é necessário que você abra seu coração e aceite que Ele te molde e cuide de você.

O Pai só precisa de uma brechinha em seu coração para realizar grandes milagres de transformação interior. Depois que a graça entra em você, é preciso um mínimo esforço para colaborar com ela, para deixar que ela aja e aumente a cada dia a sua capacidade de amar.
É o amor que vai te levar para o Céu. Os santos, nossos irmãos que cumpriram com maestria sua missão aqui na terra, foram mestres na arte de amar. O contrário do amor não é o ódio, mas o egoísmo. Assim, quanto você ama, menos egoístas é e mais aberto está para realizar o que o Pai previu para a sua vida aqui na terra.

Como aprender a amar? Como conseguir dar essa brecha para a graça de Deus penetrar em nossos corações? Como ser perseverantes na colaboração com essa graça? É aqui que entra a necessidade da oração, dos sacrifícios, dos jejuns e da frequência aos sacramentos.

Deus não precisa das suas orações, mas você precisa rezar. É através da oração, desse contato com o Pai, desse momento de intimidade com Jesus, nosso Salvador, que seu coração se abre para receber a graça. Quanto mais você reza, quanto mais você pede (você pode pedir o que quiser, mas sempre lembrando de como Jesus nos ensinou a orar: “seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu), mais seu coração se abre e se transforma.

Deus não precisa que você vá à missa, mas você precisa receber a Eucaristia. Na Eucaristia, Jesus se dá totalmente a você, em corpo, sangue, alma e divindade. Ele se torna uma só carne com você, para te fortalecer na luta para aprender a amar mais e amar melhor.

Deus não precisa que você se confesse, mas você precisa confessar para pedir perdão pelas vezes que falhou em amá-Lo e amar ao próximo, e assim se reconciliar com Ele para que Ele possa continuar agindo em seu coração, através do Espírito Santo.

Deus não precisa de seus jejuns e sacrifícios, mas você precisa jejuar e fazer penitência para conseguir se livrar do apego desordenado às coisas desse mundo e assim ficar mais livre para conseguir enxergar as necessidades do outro e ajuda-lo.

Deus não precisa que você faça nada disso, mas deseja ardentemente que você aceite esses meios que Ele mesmo providencia para a sua salvação, para que você cumpra a missão para a qual foi criado e seja também um mestre na arte de amar.

photo credit: Angela-xujing <a href="http://www.flickr.com/photos/153103713@N04/35471335134">The Church of Almighty God | Church life - Pray 04</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 31 de outubro de 2017

QUAL A FINALIDADE DA SUA VIDA?

Essa pergunta só faz sentido para um ser humano. Um animal não tem capacidade intelectual para pensar sobre o sentido da própria vida. Ele vive para comer, dormir e se reproduzir. Nada mais. Já o ser humano, sente um anseio sobre o sentido de sua vida, a razão pela qual existe. Quem não sabe a resposta para essa pergunta ou a responde de maneira equivocada, acaba vivendo de forma muito semelhante aos animais.

Todo batizado deveria ter na ponta da língua a resposta para a finalidade da sua vida: estar, um dia, junto do Pai Criador, no Céu. O grande problema é que muitos cristãos vivem como os pagãos, colocam o sentido de sua vida no dinheiro, no prazer, no poder. Esquecem que o tempo que passarão na terra é muito breve, porém, sua alma é eterna, jamais morrerá e acabam por trocar a felicidade sem fim, por um breve tempo de gozos e alegrias. Jesus mesmo chama essas pessoas de loucos! “Mas Deus lhe disse: Louco! Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para quem vão ficar? Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus.” (Lc 12, 20-21)

Não há nada mais importante nesse mundo do que cuidar do destino da própria alma e das almas das pessoas que convivem conosco. É certo que precisamos cuidar da nossa subsistência, mas sem preocupações excessivas, pois, de uma hora para outra, a vida acaba e prestaremos conta sobre como gastamos o nosso tempo. Onde ficam os bens que acumulamos, as horas que passamos na frente de uma tela, o cargo que ocupamos, o tempo que gastamos buscando mais dinheiro, mais prazer? Não levaremos nada conosco. Tudo fica para trás.  

A questão é muito simples: você acredita que possui uma alma imortal que tem a possibilidade de passar a eternidade junto de Deus, pois Jesus Cristo te libertou da escravidão do pecado? Se a resposta for positiva, então a pergunta é: o que você está fazendo para que efetivamente sua alma vá para o Céu?

Precisamos estreitar a cada dia o nosso relacionamento com Deus, sermos íntimos dele, perguntar o que podemos fazer para agradá-lo, para retribuir tanto amor que recebemos todos os dias. Afinal, como você quer passar a eternidade com Deus se não o conhece, se não se relaciona com ele enquanto está aqui na terra? Não tem lógica nenhuma passar a vida como se Deus não existisse e depois de morrer querer ter um lugar junto dele no Paraíso.

Hoje infelizmente muitas pessoas querem passar a imagem de um Jesus “light”, que não exige nada, e que é só misericórdia e que todos serão salvos, independente de seus atos. Isso é enganação do inimigo de Deus. A salvação é para todos, mas Deus respeita a nossa liberdade de escolher o que fazemos com nossa vida. Sua divina providência vai procurar oferecer todos os meios para que aceitemos a salvação, mas no fim, depende da vontade de cada um.

Mas então isso significa que aqui só vou sofrer e não posso sentir prazer? Claro que não! Deus fez todos os prazeres desse mundo para aliviar o nosso fardo e para não desanimarmos na luta, mas devemos gozá-los de maneira moderada e não ficar buscando desesperadamente só o prazer pelo prazer, como se a nossa vida se resumisse ao que sentimos aqui.


“Se vocês foram ressuscitados com Cristo, procurem as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Pensem nas coisas do alto e não nas coisas da terra. (...) Façam morrer aquilo que em vocês pertence à terra: fornicação, impureza, paixão, desejos maus e a cobiça de possuir, que é uma idolatria. (...) Agora, porém, abandoem tudo isso: ira, raiva, maldade, maledicência e palavras obscenas, que saem da boca de vocês. Não mintam uns aos outros. (...) Como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, sempre que tiverem queixa contra alguém. Cada um perdoe o outro, do mesmo modo que o Senhor perdoou vocês. E acima de tudo, vistam-se com o amor, que é o laço da perfeição.” (Colossenses 3, 1-14)

photo credit: ivogelmann <a href="http://www.flickr.com/photos/45231498@N05/36820166076">Cloud - Sky Cloudscape Nature Blue Backgrounds Weather Bright Day Heaven Sky Sky Only No People Outdoors Beauty In Nature</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">(license)</a>