sexta-feira, 15 de abril de 2016

PROMOVENDO A ESPIRITUALIDADE PRÓPRIA DO ADOLESCENTE


Eu sempre procuro ler a respeito da educação dos filhos e agora, com meu mais velho na adolescência, esta fase do desenvolvimento tem chamado a minha atenção. O post de hoje foi baseado no livro Parenting with Grace, de Gregory Popcak e tem como objetivo orientar os pais de como lidar com a fé durante a adolescência. Já escrevi algumas dicas de como manter seu filho católico e as orientações de hoje vem completar aquelas ideias.

Até agora, seu filho teve fé porque você disse a ele que era verdade. Agora, como adolescente começa a exibir o que é conhecido como "pensamento formal operacional" (ou seja, a habilidade de analisar criticamente, pensar teoricamente e pensar sobre o pensamento em si), seu filho irá testar a Fé por si mesmo.

Para fazer essa transição, da fé que foi ensinada pelos pais para a fé que o adolescente se apropriará como sua, são necessários três componentes básicos: sentir a fé, defender a fé e aplicar a fé.

Sentir a Fé

Adolescentes, como regra, confiam muito fortemente em seu "sentido" para as coisas. Apesar já possuírem esse “pensamento formal operacional" eles ainda não são mestres nisto, e então eles confiam mais em seus instintos e paixões para dizer a eles o que é "verdade". Apesar de isto estar longe do ideal, é a ferramenta que Deus nos deu para trabalhar com nossos filhos nesse estágio de seu desenvolvimento.

Considerando estes fatos, é absolutamente fundamental que sejam dadas a seu adolescente todas as oportunidades possíveis para ter um encontro pessoal com Jesus Cristo e se apaixonarem por ele. Uma forma eficiente de fazer isso é introduzir seu filho em alguns elementos da espiritualidade mais "carismática", ou seja, mais emotiva, que mexa com seus sentimentos e emoções.

A forma como fazer isso pode ser encorajando sua participação em grupos de jovens, Movimentos, retiros para a juventude, entre outros. Forneça várias opções, ele talvez não goste de uma, mas se interesse por outra. Mesmo que isso signifique leva-lo ao outro lado da cidade para participar de um grupo de jovens onde ele se sinta mais confortável. Peça que pelo menos experimente antes de se negarem a participar. O importante é que eles se envolvam nessas atividades, o quanto antes, assim que os primeiros sinais da adolescência começarem a aparecer.

A própria Igreja sabe dessa necessidade dos adolescentes e jovens de “sentirem” a fé, por isso promove as Jornadas Mundiais da Juventude que tem como objetivo fomentar a noção de que Deus e a Igreja não querem apenas serem ministros da mente, corpo e comunidade das pessoas, mas também de seus corações e emoções.

Claro, será importante amarrar isso emocionalmente à vida sacramental da Igreja. Bons sentimentos espirituais são insignificantes a menos que eles estão trabalhando para dar a seu filho um entendimento e apreciação mais profundos do trabalho de Cristo através dos sacramentos.

Ao desenvolver sua própria capacidade de uma fé emocional, apoiando seus filhos na busca de tal fé e deixando que eles se animem emocionalmente com os sacramentos, você estará dando a seus filhos uma razão para permanecerem fiéis à Igreja até eles se desenvolverem e serem capazes de envolver suas mentes com a grandeza da teologia e espiritualidade mais tradicional da Igreja.
           
Defender a Fé

Ao mesmo tempo que o adolescente precisa sentir a fé ele também precisa desenvolver a habilidade de entender a fé, para então, poder defende-la. E o papel dos pais nesse momento é estarem preparados para responder corretamente e com profundidade toda e qualquer pergunta relacionada a fé. Claro que não precisa ser exatamente no momento da pergunta, pois muitas vezes será necessário uma pesquisa, mas não pode dar respostas genéricas e nem superficiais.

Algumas perguntas frequentes são "Como você sabe que Jesus era o Filho de Deus e não apenas um homem bom?" "Jesus realmente ressuscitou dos mortos?" "Existem tantas igrejas e cada uma penas que possui 'a Verdade' - como você sabe em quem acreditar?" E francamente, estas são algumas das questões mais fáceis que eles irão perguntar.

Nas ideologias conflitantes do mundo atual, não é mais suficiente para os pais oferecer sua opinião sobre o ensinamento da Igreja, seja ele a favor ou contra. Nós precisamos ser capazes de explicar o porquê a Igreja acredita naquilo e como a Igreja chegou a tal entendimento.

A teologia católica já foi chamada de rainha das ciências, não por causa do estado pobre da ciência "naquele tempo", mas porque a teologia católica é mais parecida com a física quântica do que qualquer outra disciplina menos religiosa. A física quântica faz declarações absolutamente bizarras sobre a maneira que o universo foi constituído; e poucas, se alguma destas declarações podem ser provadas por observação direta. Ao invés disso, os cientistas constroem a partir do que eles conhecem ser verdade e deixam as verdades conhecidas os conduzirem à próxima verdade: "Se isso é verdade e aquilo é verdade, então isto e aquilo devem ser também". Da mesma forma, a teologia católica começa com o que é conhecido sobre o mundo criado, acrescenta a verdade das Escrituras, examina os registros históricos e constrói a partir daí, passo a passo para apoiar os preceitos que ela ensina. É importante entender isso - de outra forma você não será capaz de comunicá-lo a seus filhos. E se você não puder comunicar isto a seus filhos, você não será capaz de dar a eles o que eles precisam para fazer a transição de uma fé baseada mais emocionalmente a uma fé baseada mais crítica e racionalmente que irá sustentá-los nos "tempos áridos"

Aplicar a Fé

A adolescência é uma época quando jovens se tornam sensíveis a ideais; ou seja, a maneira como as coisas devem ser. Eles estão constantemente comparando como o mundo é com sua visão de como o mundo deveria funcionar. Esta é uma época perfeita para educar seu filho nos ensinamentos sociais da Igreja.

Desafie seu adolescente com questões como: "Como o mundo seria se as pessoas se aproximassem do trabalho e da carreira da maneira que a Igreja diz que eles devem se aproximar?" "Como o mundo seria se as famílias funcionassem da forma em que a Igreja diz que elas devem funcionar? "Como as pessoas e os relacionamentos seriam se eles seguissem os ensinamentos da Igreja sobre ética sexual?" "Como o mundo se beneficiaria se seguissem os ensinamentos da Igreja sobre a maneira pela qual o dinheiro deve ser gasto e distribuído?" "Como o mundo seria um lugar melhor se respeitasse a vida em todos os estágios e sobre qualquer condições, ao invés de simplesmente decidir que o feto ou aquele criminoso não tem direito à vida?"

Se você não sabe qual é o ensinamento da Igreja, ou se você apenas pensa que sabe mas não tem certeza, procure. Comece com o Catecismo da Igreja Católica e passe para as passagens relevantes da Escritura e documentos da Igreja. Uma ótima fonte é o site do Pe. Paulo Ricardo, que explica tudo de maneira muito didática e fácil de entender (www.padrepauloricardo.org). A Canção Nova (www.cancaonova.com) também possui vários recursos para aprender mais sobre a nossa fé católica. Você até pode fazer um projeto de olhar estes tópicos junto com seu adolescente para que possam aprender juntos. Afinal, você não deve saber tudo para ser o professor de seu filho; você apenas deve ter algumas ideias sobre onde procurar as respostas. E claro, será de muita ajuda procurar oportunidades para você e seu filho se envolverem em organizações que promovam os ensinamentos sociais da Igreja.

Ao mostrar a seu filho que o ensinamento da Igreja não é preocupado apenas com matérias espirituais mas também tem relevância social, você estará ajudando seu filho a experimentar a sabedoria prática da Igreja. Você estará demonstrando que a Igreja está muito "em contato" com o mundo ao redor dela.
Enquanto ser capaz de sentir a Fé, defender a Fé e aplicar a Fé é essencial para qualquer católico em qualquer estágio da vida, é crítico na adolescência, onde tanto é incerto e tanto ainda deve ser testado. 

Adolescentes somente irão aderir a uma Igreja que eles experimentam ser pessoalmente significante, solidamente baseada na verdade objetiva e socialmente releva

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Eu era membro do “Clube Secreto do Evangelho da Prosperidade”

Muitas vezes confundimos a mensagem do Evangelho com a prosperidade. Acreditamos que somos abençoados apenas quando tudo vai bem, quando estamos felizes e realizados. As cruzes e os sofrimentos são vistos como “punição” e não como bênçãos em nossas vidas. 

Quando li o texto abaixo, achei muito importante compartilhar, porque as vezes estamos nos filiando a esse “Clube Secreto do Evangelho da Prosperidade” e nem nos damos conta disso. Pedi autorização para a autora, Judith Klein, para fazer a tradução e publicá-lo aqui. Você pode ver o original neste link: http://catholicmom.com/2016/04/05/card-carrying-member-secret-prosperity-gospel-club/
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre” (Lc 1,42)
“O que é necessário para sermos abençoados?” Eu perguntei a minha diretora espiritual, Sandy, dois anos atrás, assim que passei pela porta da frente de sua casa, num acesso de raiva.

“A pergunta não é o que é necessário para sermos abençoados”, Sandy respondeu claramente. “É o que você percebe como sendo uma benção.”

Seu comentário veio após eu lhe contar que meu genro Grayson, então com 25 anos, acabava de ser diagnosticado com câncer – na mesma semana que a Sandy havia me orientado para implorar a graça de verdadeiramente conhecer e experimentar o amor carinhoso de Deus para comigo.

“Grayson está com câncer”, eu desabafei assim que eu entrei em sua casa para nossa reunião semanal, onde ela estava me conduzindo através da 19ª Anotações dos exercícios espirituais de Sto. Inacio de Loyola. “Essa é a maneira que Deus demonstra seu amor carinhoso por mim? Me enviando sofrimento?” Eu zombei. “Parece que eu não estou ganhando a tal da bênção”.

“Você continua pensando que receber a bênção significa que tudo vai bem em sua vida”, Sandy contestou. “Um entendimento católico da bênção é que sabemos que Deus está conosco e nós confiamos em seu amor por nós, não importa quais circunstâncias a vida nos apresenta. Você caiu no conto do evangelho da prosperidade”, ela continuou, “e eu quero que você passe a próxima semana renunciando a essa crença falsa do mais íntimo do seu ser.”

Bam! Sandy acertou na mosca. Não preciso nem dizer que foi uma semana dolorosa de renúncia.

Antes da Sandy confrontar o problema diretamente, não era tão claro para mim que eu era membro do “Clube Secreto do Evangelho da Prosperidade.” Mas eu algum lugar, eu definitivamente havia comprado a ideia de como uma “bênção” deve ser: um casamento feliz, filhos bem sucedidos, boa saúde, estabilidade financeira, etc. – em outras palavras, uma vida onde tudo vai bem. Com esse paradigma guardado fundo em minha mente, eu havia gasto muito tempo e energia ao longo dos anos não apenas me comparando com os outros que pareciam ter as “bênçãos”, mas também lutando com Deus sobre o porquê suas “bênçãos” não chegavam até mim, especialmente com as múltiplas tragédias que aconteceram em nossas vidas. O fato que a Sandy mostrou o problema tão claramente me incitou, finalmente, a acabar com a mentira insidiosa de que uma vida abençoada equivale a uma vida próspera, e que minha vida, então, era amaldiçoada.

Vou deixar claro: eu não vou a uma igreja que ensina o evangelho da prosperidade; nem sigo um pastor de uma mega igreja na TV que prega essa mensagem tão popular e favorável em nossa cultura. Eu sou católica – uma entre mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo que vai a uma igreja onde o Cristo crucificado é o ponto central de nossa adoração. Apesar disso, uma cepa virulenta do evangelho da prosperidade, de alguma forma se infiltrou no meu coração e no meu cérebro; um “evangelho” que na essência se parece com isso: Eu acredito que a minha vontade deve ser feita na terra. E quando isso não ocorre – por exemplo, quando as pessoas adoecem, quando morrem jovem, quando crianças tem sérias crises na vida, quando as finanças se quebram – eu concluo que as “bênçãos” de Deus não estão em minha vida.

Essa crença falsa e francamente não cristã causou estragos em minha alma enquanto eu buscava que as coisas fossem feitas do meu jeito, que a minha vontade fosse feita face a um sofrimento tremendo, que incluiu a morte de um filho adotivo, dois irmãos e meu marido, Bernie – tudo em apenas poucos anos. Foi depois que nossas vidas foi implodida com a perda – o câncer de Grayson foi a última gota – que eu finalmente descobri o paradoxo que somente uma vida entregue é uma vida abençoada, e a vida mais abençoada de todas é aquela que se entrega totalmente a Deus. Esses são os termos do Reino de Deus.

Aprendi que o cristianismo não é para os fracotes ou para aqueles que querem a maneira mais suave e fácil. Não. É um remédio forte para aqueles que desejam ser como Cristo, o que significa pegar a sua cruz, morrer para si mesmo e rezar a oração que muitas vezes dói na alma: Pai, se for da sua vontade, afasta de mim esse cálice; porém, que se faça a sua vontade, não a minha.

Os cristãos são chamados a viver em uma terra onde as espadas que perfuram corações são voluntariamente abraçadas, onde a glória é revelada através de feridas abertas e o aroma perfumado da santidade é derramado de almas que foram experimentadas e testadas - e encontraram a verdade. Este é o solo sagrado de nosso Salvador, e sua Mãe. E, como suas vidas nos dizem claramente, é o território que é acessado somente por meio de aceitação resignada da cruz.

“A linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, é poder de Deus.” (1Cor 1,18)

Verdadeiramente, eu finalmente estou sendo salva. Através da cruz e da minha noção distorcida de como a “bênção” se parece. Antes tarde do que nunca.

Para pensar: Você é membro do “Clube Secreto do Evangelho da Prosperidade”? Você também está sendo salvo dele? 

Para rezar: Senhor Jesus, me ajude a saber que a grande bênção é me entregar completamente a ti em confiança, especialmente no meio do sofrimento.

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terça-feira, 5 de abril de 2016

PERGUNTAS SOBRE REPRODUÇÃO ASSISTIDA - PARTE 3

Hoje publico a última parte das perguntas sobre reprodução assistidas, baseadas no capítulo 7 do livro Good News About Sex and Marriage, de Christopher West. Como das outras vezes, fiz algumas adaptações na tradução. Sugerimos como complemento de leitura e para maiores esclarecimentos sobre a questão, a Instrução Donun Vitae, que pode ser obtida aqui.

5. Entendo que as crianças devem ser frutos do amor de seus pais. Mas as crianças concebidas dessas tecnologias não podem ser frutos do amor de seus pais a nível espiritual?

É verdade que o amor é espiritual, para Deus, que é puro Espírito, que é amor. Mas os seres humanos não são puro espíritos. Nós somos pessoas com corpo. E no e pelo nossos corpos que somos imagens de Deus e compartilhamos seu amor com os outros. Isto é bem exemplificado na expressão de amor única do matrimônio: a união do marido e da esposa em uma só carne.

Os esposos que buscam tais procedimentos tecnológicos podem fazer isso porque querem uma criança para amar. E eles podem certamente amar a criança uma vez que ela é produzida. Todavia, por mais que desejamos pensar que é possível, nenhuma ginástica mental ou força do pensamento pode transportar o "amor espiritual" do casal para fora de seus corpos e para dentro do procedimento do médico ou cientista. O fato permanece de que a origem de tal criança não é o amor encarnado de seus pais, mas o resultado de procedimentos tecnológicos despersonalizados.

6. É terrivelmente cruel a Igreja negar a um casal que se ama o direito de ter um filho quando eles desesperadamente querem um.

O desejo de um casal por um filho é muito natural. A Igreja é a primeira a reconhecer e dividir o doloroso sofrimento de casais que descobrem que não são capazes de conceber. É natural querer aliviar o sofrimento do casal ao garantir a eles suas legítimas aspirações sempre que possível. Mas como já dissemos, nos encontramos em um terreno muito perigoso se deixarmos simplesmente nossa empatia guiar nossas decisões morais, especialmente quando essas decisões dizem respeito a própria vida e destino de outro ser humano.

A Igreja é defensora dos direitos legítimos das pessoas. Ela nunca os nega. Esposos, entretanto, não podem reivindicar o direito de terem filhos. Os filhos são presentes de Deus. Nenhum casal tem direito a eles, nem eles podem ser exigidos. O compromisso que o casal faz no altar é de "receber com amor os filhos que Deus lhes confiar" reflete essa realidade.

Os esposos tem o direito apenas de ter relações sexuais e pedir que a vontade de Deus seja feita. Eles certamente são livres para fazer com que as condições para a concepção sejam as melhores possíveis, mas quer que uma criança seja o resultado ou não dessa doação mútua deve ser deixada nas mãos de Deus. O ensinamento da Igreja sobre a imoralidade intrínseca da fertilização artificial na realidade garante o único direito humano em questão: o direito da criança de ser fruto do ato específico do amor conjugal de seus pais.

7. Deus não nos ordenou que dominássemos a natureza?

Deus ordenou que submetêssemos a terra e dominássemos os animais (Gn 1,28). Contanto que sejamos administradores responsáveis, somos livres para manipular a criação para o nosso benefício. Não há nada de errado, por exemplo, em inseminar artificialmente o gado. Ele não é chamado para amar como imagem de Deus. Mas este domínio não se estende sobre seres humanos.

Nem o corpo pode ser considerado como parte do reino da natureza "sub humana" sobre a qual temos o domínio. Como João Paulo II avisou em sua Carta às Famílias: "Quando o corpo humano, considerado fora do espírito e assim ser usado como um material bruto da mesma forma que os corpos dos animais são usados... nós inevitavelmente chegamos a uma derrota ética terrível."

8. Nós temos uma filha linda que foi concebida por inseminação artificial. Nós rezamos muito para que Deus nos abençoasse com uma criança e acreditamos que ele o fez. Nós não podemos imaginar nossas vidas sem ela. Eu me recuso a acreditar que o que fizemos foi errado.

Admitir que o que você fez foi errado não significa que você deve concluir que sua filha em si mesmo é "errada". Nem significa que a existência de sua filha não é um presente de Deus. Ela é um presente de Deus.

Deus está sempre procurando por "desculpas" para nos abençoar e nos mostrar seu amor, mesmo (acredite se quiser) quando agimos fora de seu plano. Ainda, mesmo que uma grande bênção veio disso, a maneira da concepção dela permanece uma injustiça para com ela. Honestamente, e para o bem de todos os envolvidos, é preciso reconhecer isso.

É um caso semelhante a uma criança concebida fora do casamento. Mesmo que ela seja muito amada e uma verdadeira bênção para a família, não exclui o fato de que o que os pais fizeram (sexo fora do casamento) seja muito errado. Fingir de forma contrária seria uma injustiça adicional a todos os envolvidos, especialmente para a criança.

Nada está fora do amor redentor de Deus, exceto o orgulho que recusa a admitir quando erramos.

9. Temos filhos gêmeos que foram concebidos in vitro. Sabíamos que a Igreja ensinava que era errado, mas até agora não entendíamos esses ensinamentos. O que devemos fazer?

Primeiramente, continue a amar seus gêmeos e sejam gratos a Deus por eles. Eles são um sinal de que Deus os ama e confiou a vocês estas vidas preciosas mesmo quando vocês se afastaram de sua vontade e fizeram a vontade de vocês. Não devemos presumir a misericórdia de Deus, mas quando expressamos verdadeiro arrependimento pelos nossos erros, devemos certamente contar com sua misericórdia.

Encontrem um padre que entenda essas questões e confessem com ele. Quando o padre os absolver, saibam que o próprio Cristo os está absolvendo.

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terça-feira, 29 de março de 2016

PERGUNTAS SOBRE REPRODUÇÃO ASSISTIDA - PARTE 2

Seguem mais algumas perguntas extraídas do livro Good News About Sex and Marriage, de Christopher West. Fiz algumas adaptações na tradução.

2. Você está dizendo que as crianças concebidas destas tecnologias não são criadas por Deus, ou não são feitas a sua imagem?

Não existe nenhuma pessoa nesse planeta que existiria se Deus não quisesse que ela existisse. Logo que o esperma encontra o óvulo, mesmo se for numa placa de petri, Deus está lá para criar uma alma imortal. Mas mesmo que Deus permita que as crianças concebidas tecnologicamente existam, não significa e Deus queira que utilizemos destas tecnologias.

Similarmente, Deus permite a existência de crianças concebidas através de atos de estupro e incesto (se ele não permitisse, elas não existiriam), mas isso não significa que ele quer que pratiquemos estupro ou incesto. Enquanto todas essas crianças são imagem de Deus e devem ser amadas e tratadas como qualquer outro ser humano, nenhuma foi concebida por um ato que reflete a imagem de Deus. Isto sempre será uma injustiça para elas.

Aqui nos confrontamos pelo mistério da interação de Deus com nossa liberdade. Deus não intervém em nossas decisões de agir imprudentemente. Se fizesse isso, negaria nossa liberdade. 

É da natureza de Deus, entretanto, extrair o bem de nossas escolhas erradas, mesmo o maior bem possível - um novo ser humano. Isso significa que devemos agir mal para resultar o bem? Se fizermos isso, de acordo com S. Paulo, nossa condenação é merecida. (Rm 3,8)

3. Nós nos portamos como Deus cada vez que nos submetemos a uma cirurgia ou tomamos algum remédio. Qual é a diferença disso com as tecnologias reprodutivas?

Fitness, saúde e vida estão inscritas em nosso próprio ser como parte do plano original de Deus para nós. Doença e morte são resultado da corrupção causada pelo pecado original. Deus as permite, mas ele não as deseja por si mesmas. Então, assumindo que todos os meios empregados são lícitos em si mesmos, nós agimos em completo acordo com os planos de Deus quando usamos a medicina e a tecnologia para salvar a vida ou restaurar a saúde.

Nestes casos, não estamos agindo como os mestres da vida humana mas como os administradores que Deus nos criou para ser. Similarmente, quando ajudamos o ato conjugal a alcançar seu fim natural, estamos agindo como administradores para restaurar o desígnio de Deus. Mas quando nós substituímos o desígnio de Deus e buscamos "forçar" uma concepção, nós cruzamos a linha entre administradores e mestre, entre sermos criaturas para brincarmos de Deus.

4. A infertilidade é uma doença. Isso não implica que seria um bom uso da medicina e da tecnologia superá-la?

A infertilidade não é exatamente uma doença, mas uma inaptidão. Procurar maneiras de curá-la é um serviço louvável para os muitos casais que sofrem grandemente por causa dela. Mas existem limites para o que pode ser feito.

Assim diz a Humanae Vitae: "A Igreja é a primeira a elogiar e recomendar a intervenção da inteligência, numa obra que tão de perto associa a criatura racional com seu Criador; mas afirma também que isso se deve fazer respeitando a ordem estabelecida por Deus." Se usarmos nossa inteligência para ajudar o ato sexual a atingir sua finalidade natural, então estamos agindo como administradores dos desígnios de Deus, respeitando a ordem que ele estabeleceu. Mas assim que substituímos o ato conjugal como meio para a concepção, nós agimos fora do escopo da ordem de Deus.

De fato, somente ao ajudar o ato conjugal é que podemos falar de verdadeira cura para a infertilidade. Substituir a relação sexual de nenhuma forma cura a doença do casal. Apenas a ignora.

A ordem de Deus não é arbitrária. Ela existe para o nosso bem, para nosso benefício. É um mistério que Deus permita que alguns fornicadores e adúlteros que nem querem ter filhos possam conceber, enquanto ao mesmo tempo ele permite que maridos e esposos amorosos sofram com a infertilidade. Quem pode sondar isso? Mas ambas as situações oferecem uma oportunidade aos envolvidos de se voltarem para Deus e se abandonarem a ele.

Os caminhos de Deus não são nossos caminhos. Confie nele. Isto é o que Cristo nos ensina. Ele mesmo se sentiu abandonado por Deus na cruz. Mas mesmo na hora mais escura, ele confiou. E como sua ressurreição atesta, sua confiança não foi em vão.

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sábado, 26 de março de 2016

QUATRO MANEIRAS NAS QUAIS OS PAIS SÃO ESSENCIAIS PARA MANTER SEUS FILHOS CATÓLICOS

O post de hoje foi traduzido do site CatholiMom.com e foi feito por Marc Cardonella. Você pode acessar o texto original aqui:http://catholicmom.com/2016/03/18/4-ways-parents-essential-keeping-kids-catholic/

Pais, vocês querem saber o segredo para manter seus filhos católicos? Se envolvam em sua formação religiosa. Essa não é uma ideia nova. A Igreja tem dito isso há décadas.

Os documentos do Concílio Vaticano II diz que os pais são os “primeiros pregadores da fé” para seus filhos e sua influência “é incapaz de ser completamente delegada para outros ou usurpada por outros.” Porém, na maioria das vezes, os pais não sabem como dar a formação sobre a fé e as paróquias não os ajudam.

Em meu novo livro Keep Your Kids Catholic: Sharing Your Faith and Making it Stick, eu argumento que os pais são indispensáveis no processo de passer a fé para seus filhos. E existem pesquisas científicas que provam isso!

De 2002 a 2005, os sociólogos Christian Smith e Melina Lundquist Denton, concluiram um estudo nacional (nos EUA) sobre o envolvimento dos adolescentes com a religião. Suas conclusões estão reportadas no Soul Searching: The Religious and Spiritual Lives of American Teenagers.

Aqui estão quatro maneiras, extraídas da pesquisa de Smith e Denton, pelas quais os pais se provam essenciais e insubstituíveis para manter seus filhos católicos.

1. Manter os filhos católicos através da influência 

Perto da minha casa tinha um outdoor que eu via todos os dias. Era a imagem de um espelho retrovisor e nele você podia ver o rosto de uma menininha triste olhando para você do banco de trás.

A legenda dizia algo do tipo: “Mesmo que você não esteja falando com ela, você a está ensinando. Fique calmo quando estiver atrás do volante.”

Ai! Esse normalmente me pegava porque eu não sou o motorista mais calmo (ou de boca mais limpa). Também me fez pensar sobre as outras áreas da minha vida onde eu não estava sendo um modelo muito bom.

Os pais são importantes... e muito! De fato, de acordo com o Smith e a Denton, não é uma questão se você está influenciando seus filhos mas que tipo de influência você está exercendo. Se você não tiver cuidado, ela pode ser negativa.

Então, a lição número 1 para manter seus filhos católicos é ser um bom modelo. 

“Pois no fim”, Smith e Denton explicam, os pais “normalmente obterão dos adolescentes o que eles próprios são como adultos. “

2. Manter os filhos católicos através do relacionamento 

Transmitir a fé efetivamente requer um relacionamento forte e um nível profundo de confiança. De outra forma, seus esforços cairão em ouvidos surdos. 

O vínculo e a intimidade que você tem com seus filhos, posiciona você perfeitamente para ensiná-los sobre a vida de uma perspectiva religiosa. Pense sobre isso: você pode afetá-los de uma maneira que ninguém mais pode.

Você fala com seus filhos sobre esportes e cinema, você os aconselha sobre a escola e carreira, então por que não ensiná-los sobre religião? Meu palpite é que os pais diriam que não é confortável.

Eu entendo. A vozinha em sua cabeça diz que você está muito “além do alcance” para conseguir atingir seus filhos depois que eles passam de certa idade, e é melhor entrega-los para os “experts” na paróquia. Aquela vozinha está errada. 

“Os pais”, escrevem Smith e Denton, “precisam desenvolver mais confiança em ensinar a juventude sobre suas tradições de fé e esperar responsas significativas deles”. Eles descobriram que no fundo as crianças querem ser ensinadas pelos pais... mesmo se não agem dessa forma.

Se você puder ampliar sua zona de conforto, você tem o potencial para influenciar seus filhos de maneiras profundas.

3. Manter seus filhos católicos através da articulação 

Aqui está outra coisa interessante que surpreendeu Smith e Denton, adolescentes de toda a parte tiveram muita dificuldade para articular sua fé. Eles facilmente discutiam opiniões sobre a bebida, drogas, ou evitar DSTs, mas não conseguiam explicar sua fé em Deus.

Eu acho que é porque seus pais falaram muito sobre as consequências de dirigir embriagado ou da perda da virgindade, mas permaneceram em silencio sobre as eternas consequências do pecado mortal ou perda da fé. 

Se você quiser que seus filhos tenham uma fé real, você tem que discuti-la com eles. E isso não significa apenas dizer a eles “não faça isso porque é errado”. Seu relacionamento de pais coloca você em uma posição única para fazer isso.

Articular a fé significa internaliza-la, possui-la e faze-la parte de você. Isso requer diálogo.

Acima de tudo a fé deve ser algo pessoal, não abstrato. Eles precisam refletir em como um tópico afeta a eles, suas vidas, não apenas como afeta as pessoas em geral. 

4. Manter seus filhos católicos através de práticas religiosas 

Existe uma relação direta entre o aumento da fé e atividades relacionadas a fé como oração diária, estudo bíblico e serviços de caridade. Essas práticas religiosas agem como catalizadores da fé, acelerando e propulsando o desenvolvimento da fé em novos níveis.

Smith e Denton observaram esse fenômeno em adolescentes religiosamente ativos dizendo: “A fé para esses adolescentes é também ativada, praticada e formada através de práticas religiosas e espirituais específicas.”

Como você consegue que os adolescentes façam essas práticas religiosas? Em algum momento, você deve obriga-los. Isso parece duro, mas a realidade é que você é responsável por formar seus filhos na virtude.

Se você não ensinar a eles o valor da disciplina, serviço e gerenciamento de tempo ao obriga-los a fazer coisas difíceis, eles não aprenderão. Similarmente, você deve agendar tempo para atividades religiosas e construir esse hábito neles.

Quando eles são jovens, você é o dono da agenda. Se você esperar até que eles sejam velhos o suficiente para fazerem sozinhos, eles não farão. 

Esse aspecto essencial da formação religiosa, mais do que qualquer outro, é dependente dos pais. A escola ou a paróquia não pode fazer isso por você. Eles podem agenda eventos, mas você deve levar seus filhos lá.

Está na hora de virar a maré 

A maior parte dos pais católicos não estão interessados em fazer parte da formação da fé de seus filhos. Eu entendo. Estamos todos muito ocupados e nada disso é fácil. Entretanto, nossos filhos abandonam a Igreja assim que saem de casa, e nesse momento ficamos quase completamente sem poder. 

O atual sistema de educação religiosa está falhando amplamente, mas estamos pedindo que ele faça muito. Os aspectos mais efetivos da formação da fé precise do envolvimento dos pais. 

Podemos mudar isso, mas será preciso pensar numa parceria entre os pais e a paróquia. Quando nós pais tomamos o nosso lugar devido na formação da fé de nossos filhos, ao fazer o que somente nós podemos fazer, teremos sucesso em manter nossos filhos católicos.

Saber quanta influência você tem na fé de seus filhos te incomoda? Você se assuta com isso? Me diga por quê?


terça-feira, 22 de março de 2016

PERGUNTAS SOBRE REPRODUÇÃO ASSISTIDA - PARTE 1

Continuando nossa conversa sobre os males da reprodução assistida, responderemos hoje uma pergunta que frequentemente é feita à Igreja. Ela foi extraída do livro Good News About Sex and Marriage, de Christopher West, mais especificamente no capítulo 7.


1. A Igreja é tão pró-família e pró-vida. Faz sentido que a Igreja seja contra tecnologias que impedem a procriação, mas o que poderia ter de errado em tecnologias que pretendem trazer vida ao mundo?


Pode parecer contraditório a princípio. Mas com uma investigação mais a fundo, entretanto, se torna evidente que a Igreja seria contraditória se ela não apontasse a imoralidade de algumas técnicas de geração de vida. Os ensinamentos da Igreja sobre as tecnologias reprodutivas são simplesmente "o outro lado da moeda" de seus ensinamentos sobre o controle de natalidade. Enquanto os métodos contraceptivos de controle de natalidade divorciam o sexo de bebês, muitas técnicas reprodutivas divorciam os bebês do sexo. A consistência inabalável de sustentar o significado do amor, vida e matrimônio - o significado de ser criado homem e mulher à imagem de Deus - exige que a ligação entre o sexo e bebês, bebês e sexo, nunca sejam divorciados, independentemente das circunstâncias ou dos motivos.

A moral básica dos princípios da Igreja no que diz respeito às tecnologias reprodutivas é essa: se uma determinada intervenção médica assiste o ato conjugal para alcançar seu fim natural, pode ser moralmente aceitável, e até mesmo louvável. Mas se ela substitui o ato conjugal como meio pelo qual a criança é concebida, então não está mantendo a intenção de Deus para a vida humana. Separar a concepção do ato conjugal amoroso entre o marido e a esposa não apenas provoca muitos males futuros, mas - mesmo se estes são evitados - permanece contrário à dignidade da criança, a dignidade dos esposos e seu relacionamento, e nossa condição de criaturas. Vejamos cada um dessas questões.

Provocar males futuros. Como disse Jesus, você pode julgar a árvores por seus frutos (Mt 7, 17-20). Separar a concepção do ato conjugal não necessariamente ocasiona os seguintes males, mas mais frequentemente que não, ela conduz a eles na prática: masturbação como um meio de obter o esperma; produção de vidas humanas em "excesso" que ou são destruídas através do aborto (eufemisticamente referidos como "redução seletiva"), congelados para "uso" futuro, ou intencionalmente cultivados para experimentos médicos; uma "mentalidade eugênica" que discrimina entre seres humanos, não tratando todos com igual cuidado e dignidade; o tráfico de gametas (espermatozoide ou óvulo) e embriões congelados para o uso de outros; inseminação em mulheres não casadas, e assim, todos os males associados a filhos "sem pais".

A dignidade da criança. Enquanto existem muitos atos através dos quais uma criança pode ser concebida (ato conjugal, um ato de estupro, fornicação, adultério, incesto, vários procedimentos tecnológicos), apenas um mantém a dignidade da criança. A grande dignidade humana é encontrada em sermos imagem de Deus. Amar é ser concebido através daquele ato de amor que nos torna imagem de Deus. Isto é o amor conjugal, e sua expressão definida é o abraço do marido e da esposa em "uma só carne".

Desde o momento da concepção, os filhos merecem o respeito que devemos a todas as pessoas. Eles são iguais em dignidade com seus pais. Eles são criados para o seu próprio bem, para serem recebidos incondicionalmente como presentes de Deus. Desejar uma criança não como fruto do amor conjugal mas como um fim resultado de um procedimento tecnológico significa tratar a criança como um produto a ser obtido, ao invés de uma pessoa para ser amada. Para aqueles envolvidos, isto cria - consciente ou inconscientemente, sutil ou não tão sutilmente - uma orientação despersonalizada para com a criança.

Produtos são sujeitos ao controle de qualidade. Quando você gasta muito dinheiro para comprar uma TV nova, você quer que ela esteja em perfeitas condições. Se isso não acontece, você troca por outra ou pede o reembolso. 

Da mesma forma, a tentação é muito real para os casais que pagam milhares de reais para esses procedimentos quere um "reembolso" ou uma "troca" se seu "produto" tem defeito. Conhecemos um médico geneticista que diz que se o embrião tem algum defeito é "dever" dos pais descartá-lo, pois se está pagando muito caro para ter um filho "defeituoso". Essa mentalidade leva as pessoas a querer não o bebê em particular que está sendo concebido para o seu próprio bem, mas ao invés, bebês que estejam em "perfeito estado", até mesmo bebês "encomendados": este sexo, esta cor de olhos, este tom de pele, aquela estatura. De fato, se o bebê é deformado ou de alguma forma não corresponde à expectativa do casal (ou do médico), ele é geralmente "destruído" e o procedimento recomeça.

Eu não pretendo dizer que todo casal que paga por esses procedimentos se abaixa a este nível. A tentação de aplicar "controle de qualidade" pode ser resistida. Mas uma mentalidade despersonalizante é construída na própria natureza do procedimento.

A única forma de garantir que a dignidade de cada criança seja respeitada é garantir que os esposos entendam e vivam o significado completo do sexo e nunca busquem uma criança separada de sua união.

A dignidade dos esposos e seu matrimônio. A Congregação para a Doutrina da Fé observou que a geração de vida humana deve respeitar não só a criança mas também os pais e a dignidade de seu relacionamento. Para isso ela deve ser o fruto e o sinal da doação mútua dos esposos, de seu amor e de sua fidelidade. Em outras palavras, a geração de uma vida humana deve ser o fruto do "sim" dos votos feitos no altar expresso através da relação sexual.

A geração tecnológica de vida humana é simplesmente não marital. A criança não é fruto dos votos de seus pais "feito carne". A criança é o produto de um procedimento tecnológico feito por um terceiro que está fora de sua união como casal. Como o teólogo moral William E. May notou: "Os esposos não podem delegar a outros o privilégio que possuem de gerar vida humana da mesma forma que não podem delegar a outros o direito que eles possuem de se engajar no ato sexual". O fato que os gametas sejam usados pelo técnico pode tornar o marido e a esposa supérfluos na concepção de seu filho.

Então mais uma vez, os esposos que empregam estes procedimentos violam, consciente ou inconscientemente, o "eu aceito" de seu comprometimento matrimonial. Enquanto os esposos possam desejar expressar sua "abertura aos filhos" através do recurso a estes procedimentos, no máximo eles estão dizendo "Eu aceito, mas não da forma que Deus pretende." Agir ao contrário do plano de Deus para o matrimônio e a procriação é completamente incompatível com o comprometimento matrimonial, mesmo se é feito com "as melhores das intenções".

Além disso, inúmeros casais podem atestar sobre os efeitos despersonalizantes de sujeitar a si mesmos a inúmeros testes e procedimentos repetidos que tratam sua células sexuais como um "material cru" que deve ser colhido para a produção de uma criança. Ser inseminada artificialmente por um médico com uma longa seringa não está na lista dos 10 procedimentos mais dignificantes de uma mulher. Alguns podem clamar que tudo vale a pena quando seu "filho milagroso" nasce. Mas a percepção subjacente de que seu filho é um "milagre da ciência" ao invés de um milagre de sua própria união marital acaba servindo para desemaranhar a psicologia básica dos relacionamentos familiares nos quais os esposos e filhos dependem para o seu próprio equilíbrio.

O ato conjugal não é simplesmente a transmissão biológica de gametas. Se assim fosse o caso, seria muito mais conveniente para os casais que quisessem conceber empregar as técnicas in vitro ao invés de deixar para o "acaso" biológico. O ato conjugal é uma realidade profundamente pessoal, sacramental, física e espiritual. Divorciar a concepção desta sublime união mostra uma falta de entendimento e respeito pela "linguagem do corpo" e a profunda essência do amor matrimonial. Ele despersonaliza tudo o que está envolvido.

Nossa condição de criaturas. Deus sozinho é, como afirmamos no Credo de Nicéia, o "Senhor e Criador de todas as coisas". Os esposos tem o distinto privilégio de cooperarem com Deus na procriação dos filhos, mas como criaturas, eles não são os mestres da vida. Eles são apenas servos do desígnio de Deus.

A fertilização tecnológica, ao contrário, como notou a Congregação para Doutrina da Fé, "confia a vida e a identidade do embrião ao puder de médicos e biólogos e estabelece a dominação da tecnologia sobre a origem e destino da pessoa humana." Os esposos e os técnicos se colocam como operadores ao invés de cooperadores, criadores ao invés de procriadores. Eles negam sua condição de criaturas e fazem a si mesmo "como Deus". (Gn 3,5)

Deus criou a união sexual para ser um símbolo sacramental de alguma forma de sua própria vida e amor e de nossa união com Cristo. Buscar vida humana fora da união sexual é também simbólica. Simboliza a rejeição de nossa união com Deus: o desejo de ter vida sem Deus ou, no mínimo, longe do que foi designado para nós. Como diz o Catecismo, quando nós preferimos os nossos próprios desígnios ao invés dos desígnios de Deus, nós estamos o desprezando. Quando escolhemos a nós mesmos ao invés dos requerimentos de nossa condição de criaturas, nós agimos contra o nosso próprio bem.

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/80314554@N07/14609358123">Elliot 6days photoshoot</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

sexta-feira, 18 de março de 2016

DEUS NOS OUVE: UM MILAGRE DA ADOÇÃO ESPIRITUAL

O post de hoje é a tradução de um lindo testemunho da Amy Brooks. Se quiser, pode ler o original aqui: http://prayerwinechocolate.com/god-hears-us-a-spiritual-adoption-miracle-free-printable/

Meus nervos estavam à flor da pele quando eu estacionei perto da clínica do Planned Parenthood (PP). Quando desci do carro junto com meu filho de três anos, fiz questão de pegar alguns terços. Haviam me dito para ter os terços em mãos, para que o pessoal do PP não pensasse que eu estava lá para uma consulta... o que teria sido, no mínimo, meio estranho. 

Eu senti como se estivesse entrando num campo de batalha espiritual. 

Deus ama quando falamos com Ele. As orações são importantes e fazem a diferença. 

Deixa eu começar do início. Essa é uma história verdadeira de oração atendida. E quando eu falo de oração, significa tanto o tipo formal como o tipo informal. Ambos os tipos foram respondidos para mim esse ano de uma maneira incrível! Eu sinto que preciso contar para o mundo inteiro (ou qualquer um que quiser ouvir)! 

Ano passado comecei a fazer algumas orações pelas mulheres que estavam considerando abortar. Quando me deitava para dormir a noite, eu pedia a Deus que desse a essas mulheres esperança e pessoas que pudesse apoiá-las. Eu pedia a Deus para ajuda-las a não terem medo e desejarem a vida para seus filhos não nascidos. 

Então um dia eu estava subindo as escadas com um monte de roupa para lavar e um pensamento me ocorreu. “Eu não amo essas mulheres o quanto Deus as ama... como minhas orações podem ajuda-las?” 

Pouco tempo depois, eu achei a Oração de Adoção Espiritual. Eu a imprimi. Meu marido e eu concordamos em adotar uma menina e dar o nome a ela que há muitos anos gostaríamos de ter dado a uma filha. Não é um nome popular e nós hesitamos em compartilhá-lo. Esse post será a primeira vez que permitimos que nosso nome favorito para uma menina se torne público. 

Nós demos a ela o nome de Jaina Therese. 

O primeiro dia que rezamos por Jaina foi dia 7 de maio de 2015. 

Nesse meio tempo, falamos para todo mundo que estávamos esperando adotar um recém-nascido. Nós não temos o dinheiro dessa vez para adotar através de uma agencia, mas se alguém conhece alguém que possa nos conectar com uma jovem mulher que gostaria de fazer um plano de adoção, poderíamos fazer uma adoção particular. Temos um excelente advogado de adoção. Nós diremos a todos que conhecemos e pediremos que eles falem com todos que conhecem. 

Mas, não tivemos sorte. 

Não conseguimos fazer os contatos. Minha mente e coração voltaram para as mulheres que se encontram grávidas e decidem terminar com a gravidez. Eu comecei a pensar se eu ficasse em frente a uma clínica de aborto com um cartaz dizendo: Gravidez não planejada? Nós queremos adotar, se poderia inspirar alguma mulher a considerar a adoção e escolher a vida. Até aquele ponto da minha vida, eu nunca havia ficado fora de uma clínica de aborto ou da Planned Parenthood para rezar ou protestar. Eu sempre foi a favor da vida em meu coração, mas nunca nem havia visto uma clínica de aborto. 

Comecei a fazer alguma pesquisa. Eu queria saber se algum grupo Pró-Vida ficava em frente da Planned Parenthood que fica a 10 minutos da minha casa. Eu certamente não iria sozinha. Eu descobri que havia um grupo pequeno que rezava às sextas-feiras. Eu fui numa loja e comprei uma cartolina. Peguei uma canetinha e escrevi: Gravidez não planejada? Nós queremos adotar. O cartaz ficou feio. 

Mas mesmo assim planejei ir. E em uma manhã de agosto, eu decidi que aquele era o dia. Meu filho dormi até mais tarde (o que nunca acontecia). Eu peguei um pouco de cereal e o vesti. E lá fomos nós. Eu quis ter certeza que não desencontraria das pessoas que rezavam o terço. Meu medo era que quando elas acabassem, elas fossem embora e eu não teria a chance de ficar lá com meu cartaz. 

Minha esperança era mais de salvar uma vida do que achar um bebê aquele dia. Meus instintos e meu coração me diziam que as mulheres que vão a consultas para abortar realmente não queriam estar lá. 

Eu fiz questão de levar terços, porque me disseram que o pessoal de lá poderia pensar que eu estava lá para uma consulta e começar a me levar para dentro do prédio. Isso seria muito estranho! 

Eu estava tão nervosa quando cheguei lá. Eu peguei meus terços, tirei meu filho de seu cadeirão e meu cartaz do porta-malas. Eu senti que estava entrando em um campo de batalha espiritual. 

Um megafone e um pirulito 

Logo depois que eu cheguei, uma mulher começou a falar num megafone. Ela estava dizendo: “temos alguém aqui que irá adotar seu filho”. Ela disse outras coisas também, mas eu estava pegando meu filho pelo braço e bruscamente indo embora. Eu me sentia tão desconfortável e pensava, “Um megafone? Mesmo? Quem irá responder a um megaphone? Deve haver uma maneira melhor.” 

Mary era a mulher no megafone. Uma vez que ela terminou de implorar para a menina não entrar na clínica, eu voltei para falar com ela. Eu a questionei sobre a tática do megafone. Outra mulher que estava quieta o tempo todo com um par de terços entrou na conversa. 

“Às vezes essas meninas estão rezando por um sinal no caminho até aqui. Nós podemos ser o sinal que elas pediram.” 

Conforme conversávamos, uma coisa inesperada aconteceu. 

A jovem à qual Mary estava implorando com o megafone saiu da clínica com sua mãe. Elas caminharam em nossa direção. E continuaram a vir em nossa direção. Então, nós quatro nos abraçamos (Mary, “Anne”, sua mãe e eu). Começamos a chorar. Foi um momento incrível. 

Depois daquele abraço inicial, a mãe de “Anne” disse: “ela precisa de um lugar para ficar.” Mary imediatamente pegou seu celular e começou a fazer ligações. Eu me apresentei. Perguntei a “Anne” de onde ela era. Ela me disse e eu respondi: “É realmente muito longe, por que você veio até aqui?” 

Ela respondeu: “a clínica perto da minha casa só faz abortos até 13 semanas e 6 dias, e eu estou com 13 semanas e 8 dias” – ou algo parecido. Eu sei que ela disse 13 semanas e então que os dias eram mais do que 7 – então eu lembro ter descoberto que ela estava em sua 14ª semana de gestação

Continuei conversando com a “Anne” e o tempo todo meu filho ficava dizendo: “Mãe, mãe, mãe”. Em um momento, eu o peguei no colo e continuei conversando com a “Anne” e sua mãe. Meu filho, ainda falando Mãe repetidamente, moveu meu rosto com suas mãos para que eu olhasse para ele. Ele disse: “Eu quero ir para uma A Baby´s Breath.” Eu respondi: “Por que você quer ir para A Baby´s Breath – porque eles tem pirulitos?” Ele disse: “SIM!!” 

Então olhei para a “Anne.” Ela abriu sua bolsa e pegou dois pirulitos. Um para meu filho e outro para ela. Foi um momento incrível e eu estava sorrindo de orelha a orelha e agradecendo a ela. 

Dois dias depois estou varrendo o chão da minha cozinha. Eu penso, “Anne” estava com cerca de 14 semanas de gestação, eu imagino há quantas semanas atrás nós começamos a rezar a Oração de Adoção Espiritual. Então eu contei. 

Exatamente 14 semanas e um dia antes de eu conhecer “Anne” era 7 de maio – o dia que começamos a rezar a Oração de Adoção Espiritual. Minha boca ficou aberta, eu fiquei arrepiada e provavelmente disse “uau” mais de uma vez. 

Seria esse o bebê que nós adotamos espiritualmente? A “Anne” estaria grávida de uma menina? Será que ela colocaria o nome de Jaina? 

Meu marido, filho e eu continuamos a rezar a Oração de Adoção Espiritual todas as noites depois da oração de ação de graças antes das refeições. 

Avance cinco meses 

No fim de janeiro comecei a pensar como “Anne” estaria e se Mary ainda estava em contato com ela. Eu liguei para Mary e perguntei. Mary disse que “Anne” estava ótima. Ela também me disse: “É uma menina, você sabia que é uma menina?” 

Nossa. Veja isso. Nós estávamos rezando por uma menina – mas ou é menino ou menina, então poderia ser coincidência, certo? 

Eu lembrei a Mary sobre a Oração de Adoção Espiritual e como nós estávamos rezando por uma menina e que nós havíamos dado um nome a ela. 

Aquela noite no jantar eu contei ao Matt que havia conversado com a Mary. Ela disse que “Anne” está bem e que está grávida de uma menina. Então disse ao Matt: “Fico pensando se ela dará o nome de Jaina.” 

O texto que fez Mary fazer uma dupla checagem 

Cerca de uma semana depois, Mary checou como “Anne” estava através de uma mensagem de texto. Depois de alguns dias, “Anne” respondeu. No texto, “Anne” agradecia a Mary por estar no lugar certo na hora certa. 

Ela também disse: “Mal posso esperar para a minha filha J-A-N-A nascer.” 

Mary checou o texto novamente. De quem era mesmo? Realmente dizia aquele nome??? 

Ela me ligou para contar. 

Eu não posso explicar como me senti. Eu pensei: “bem sim, esse é o seu nome” e “UAU.UAU.UAU.” simultaneamente. 

Jana nasceu saudável dia 15 de fevereiro de 2016. Mary e eu estamos esperando poder conhece-la e segurá-la e contar para “Anne” essa história. 

Eu estou tão grata e humilde que o Senhor permitiu que tivesse essa experiência. Eu tenho certeza que Ele me deu essa experiência sabendo que eu contaria para todos que quisessem ouvi-la e eu irei advogar e apelar para que você espiritualmente adote uma bebê não nascido. Essa oração funciona. Essa oração salva vidas. Essa oração dá esperança a uma mãe. Você se juntará a mim e rezará por um bebê não nascido? A incrivelmente talentosa Meg Florkwoski criou esse versão para impressão. Eu te encorajo a imprimi-la, dar um nome para o bebê e coloca-la em sua geladeira. Eu adoraria se você comentasse abaixo se você escolheu adotar um menino ou uma menina? Que nome você escolheu?

Segue aqui a oração:

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/95831528@N04/23548851452">sesión newborn Ian - Sheila&Jony</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>