sábado, 19 de agosto de 2017

A IGREJA EM MINIATURA


Sabemos que a Igreja considera a família uma “Igreja doméstica” e como tal, nossa família forma uma comunidade de cristãos. Como os primeiros cristãos, nos reunimos em nosso lar para louvar a Deus e suportar-nos mutuamente. Somos uma igreja em miniatura e como tal devemos lutar para incorporar as tradições e práticas da Fé em nossa vida diária.

É muito importante ter em nosso lar um local apropriado para a oração, com um crucifixo, a imagem de Nossa Senhora ou algum santo de nossa devoção. Pode haver também um local para colocar a Bíblia e uma vela, um vaso de flor. É lá que nossa família se reunirá para louvar a Deus, fazer nossos pedidos, agradecer as graças recebidas. Cabe a nós, esposos, tornar esse “cantinho” de nossa casa um lugar verdadeiramente sagrado, que comunica Deus e o mundo sobrenatural a todos, principalmente a nossos filhos.

Várias são as formas de tornar mais “ativo” esse pequeno oratório. Usar toalhinhas com as cores litúrgicas, preparar a manjedoura para o Menino Jesus no advento com bolinhas de algodão representando nossas orações e sacrifícios, “amaciar” uma coroa de espinhos durante a quaresma, colocando algodão em cada “espinho”, etc. Podemos também acompanhar o tempo litúrgico ou as festas de santos com novenas.

A leitura da Bíblia é uma maneira excelente de nutrir a nossa fé e aumentar nosso conhecimento sobre a Palavra de Deus. As crianças do ensino fundamental já podem ser iniciadas na lectio divina (leitura orante da Bíblia) um pouco adaptada, para ajuda-los a se familiarizarem com a Bíblia. A dinâmica é a seguinte: uma vez por semana podem se reunir nesse local de oração e uma delas escolhe um trecho da Bíblia para ler em voz alta. Pode ser a leitura do Evangelho do Dia ou outra passagem aleatória (começando pelo Novo Testamento). Antes da leitura, pode ser feita uma pequena oração ao Espírito Santo e depois deixem alguns minutos para conversar sobre o que foi lido. Podem tentar imaginar a cena do que foi lido perguntando: “Quem estava lá?”, “O que eles estavam fazendo?” ou “Que tipo de expressão eles tinham em seus rostos?” Depois, podem perguntar algo mais profundo, como “O que você acha que Jesus quis dizer com o que ele falou ou fez?”, “Como você se sente com isso?” ou “Como podemos aplicar isso em nossas vidas?” Encerrar com um pequeno agradecimento por esse momento de partilha em família.

Para aqueles com crianças pequenas ou que queiram iniciar a prática da leitura bíblica aos poucos, a sugestão é começar pela leitura do Evangelho dominical, de preferência no sábado à noite, em preparação para a missa do domingo. Caso não seja possível, até mesmo a leitura do Evangelho, no carro, indo para a missa, já pode ser um começo. A ideia de ler antes é para que quando a leitura for feita na missa, as palavras já tenham penetrado um pouco mais em nossos corações.

Para refletir:
1. Rezamos uns pelos outros regularmente? Se não, como podemos começar? De que maneira prática podemos ser lembrados de rezarmos um pelo outro?
2. A leitura da Bíblia é parte de nossa vida? Se não é, como podemos incorporá-la em nosso dia a dia?
3. Quais as práticas que utilizamos para vitalizar nosso cantinho de oração? Quais ainda faltam? O que podemos fazer para torna-lo cada vez mais o centro espiritual de nosso lar?


terça-feira, 25 de julho de 2017

ATITUDE É TUDO


Em toda situação difícil, devemos buscar entender o que Deus quer nos dizer com aquilo. As respostas muitas vezes são sutis e para conseguirmos recebe-las, precisamos formar uma intensa vinculação a Deus, uma vinculação que vá além de obedecer os 10 Mandamentos ou desejar de todo coração agradá-lo em tudo o que pensamos, fazemos ou dizemos. Queremos que nossa vinculação a Deus seja harmoniosa, para que estejamos sempre “sintonizados” com ele, percebendo seus desejos para nós de acordo com nosso estado de vida, trabalho e relacionamento com os outros. Queremos que nossa vinculação seja mais do que uma simples ideia; queremos que seja algo que possamos praticar concretamente em nossa vida diária. Finalmente, queremos que nossa vinculação a Deus permeie todos os aspectos de nossa vida.

A raiz da santidade – a atitude dos santos – é uma constante consciência da presença de Deus. Ele é verdadeira e completamente um pai, nosso pai. O espírito de filhos que São Paulo nos fala (Rm 8, 14-17) é também uma atitude de criança. O Pai Celeste nos dá algo que nenhum pai terreno pode dar a seu filho: compartilhar sua própria vida. Pelo Batismo recebemos uma nova vida divina e assim nos tornamos realmente filhos de Deus e começamos a compartilhar sua atividade divina do conhecimento e do amor. E dessa forma, se Deus é o Rei que nos torna filhos da realeza, devemos agir da maneira apropriada.

O Pai Celestial nos chamou a sua própria glória e excelência. Devemos ser responsáveis por nos levantar acima da degradação e da ausência de Deus do mundo de hoje. Devemos aderir a uma escala de valores que nos eleve e nos inspire. Devemos trabalhar para melhoramos a nós mesmos e não acharmos que somos melhores que os outros. Recebemos a habilidade de conhecer e amar a Deus, de caminhar junto ao Espírito Santo e amar a tudo o que Deus ama. Vivemos uma realidade que somos amados por Deus sobre todas as coisas. Todas essas são atitudes de filhos da realeza.

Como membros da realeza recebida no Batismo, como um casal da realeza, uma família da realeza, nossa vocação é servir – com Cristo – um ao outro, nossa Igreja e o mundo, nessa ordem de prioridade, dessa forma agindo de acordo com nossa dignidade real. Porque somos parte da realeza, vivemos na “corte” do coração do Rei, nos vinculando a ele e alinhando a nós mesmos a sua vontade para o bem do Reino.

A graça de Deus que habita em nós deve nos lembrar que somos os filhos de Deus, e também filhos da nossa Mãe e Rainha, e assim é esperado de nós que sejamos a luz e o sal do mundo. Essa graça nos compromete, através do batismo, a um relacionamento perpétuo e profundo com o Pai Celestial.


Devemos nos conscientizar a cada dia dessa realidade: somos filhos do Rei! Todas as nossas atitudes devem irradiar essa nobreza, onde quer que estejamos. Não é uma atitude de esnobar os outros, mas de elevá-los também à dignidade dos filhos de Deus. 

photo credit: HereIsTom <a href="http://www.flickr.com/photos/47035764@N03/8695579713">King of the Netherlands</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

sexta-feira, 23 de junho de 2017

POR QUE CELEBRAMOS OS SANTOS?


No mês de junho celebramos tradicionais as festas juninas, que tem origem na comemoração das festas de Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29). Mas qual é a razão da Igreja Católica fazer memória dos santos?

Jesus, no Sermão da Montanha, nos exorta: “Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.” (Mt 5,48) E São Pedro enfatiza: “Assim como é santo o Deus que os chamou, também vocês tornem-se santos em todo o comportamento, porque a Escritura diz: ‘sejam santos, porque eu sou santo’.” (1 Ped 1,15-16). Desta forma, todos nós somos chamados à santidade, essa é nossa real vocação.

Buscar a santidade significa nos esforçar para viver aqui na terra o ideal para o qual o Pai nos criou, buscando em tudo, realizar a sua vontade, mesmo que isso exija grandes sacrifícios. As exigências de nossa Aliança de Amor nos mantém nesse caminho seguro à santidade: zelosa vida de oração, fiel e fidelíssimo cumprimento do dever, elevar ao máximo as exigências a respeito de si mesmo, tomar a sério os propósitos, contribuições ao Capital de Graças e a própria santificação.

Como Deus de amor, o Pai não nos deixa sozinhos nesse árduo caminho. Ele nos deu Maria, nossa Mãe e Rainha, para nos guiar e educar. E também nos mostra o exemplo de tantos irmãos que tiveram os mesmos defeitos que temos, mas oraram com humildade e com muito esforço conseguiram se livrar deles e hoje gozam das alegrias do Céu e intercedem por nós. Por isso a Igreja, como Mestra e Mãe, faz questão de honrar a memória dessas pessoas, os nossos santos canonizados, para nos dar ânimo nessa caminhada rumo ao Céu.

Os santos são pessoas que responderam generosamente esse convite a colocar Deus no centro de suas vidas e são exemplos para cada um de nós, mostrando que é possível sim trilhar esse caminho. A Igreja Católica é tão rica em exemplos de santidade que temos santos de todos os tipos, de todas as origens, profissões, classes sociais, que se santificaram ainda no ventre materno, como é o caso de São João Batista e de outros, que como Santo Agostinho só se converteram na maturidade e clamava a Jesus: “Tarde te amei...”

Dependendo das dificuldades que superaram ou das graças extraordinárias que receberam aqui na terra, cada santo é conhecido por prestar auxílio em situações específicas. Sua missão não acabou quando partiram aqui da terra, mas continuam a realiza-la no Paraíso. Como disse Santa Teresinha do Menino Jesus: “Passarei meu Céu fazendo o bem!”

Santo Antônio é conhecido como “santo casamenteiro” porque enquanto vivia, na época em que a mulher só conseguia se casar se possuísse algum dote, ajudava a moças humildes a conseguirem esse dote e um enxoval para poderem se casar. Há relatos de várias mulheres que conseguiram se casar por intercessão desse santo.

São João Batista é o padroeiro dos que são injustiçados por causa da fé, haja vista que morreu por anunciar o Reino de Deus e pedir a conversão dos pecadores. São Pedro, o primeiro Papa, é o padroeiro dos pescadores (pois era sua profissão antes de seguir Jesus) e das viúvas e viúvos (porque no Evangelho fala de sua sogra, mas não de sua esposa, o que supõe que ele era viúvo). Além disso, ele é representado com chaves na mão, as “chaves do Reino dos Céus”, que Jesus lhe confiou (Mt 16,19).

É importante ressaltar que podemos e devemos pedir a intercessão dos santos, mas jamais fazer “simpatias” ou seguir superstições. Essas práticas vão contra o Primeiro Mandamento, que é “Amar a Deus sobre todas as coisas”, pois estamos colocando nossa fé e nossa esperança em outra coisa, e não em Deus. Além disso, essas simpatias não passam de pura enganação. Elas agem como uma tentação de “obrigar” o santo a cumprir nossa vontade, nos colocando acima da vontade de Deus para a nossa vida.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina: “A superstição é um desvio do culto que rendemos ao verdadeiro Deus. Ela se mostra particularmente na idolatria, assim como nas diferentes formas de adivinhação e de magia”. Portanto é recomendado que se busque o Sacramento da Confissão, caso tenha caído nessa falta, mesmo que não houvesse consciência plena de que estava fazendo errado.


Assim, vamos aproveitar essa época de festas juninas e intensificar nossa oração aos santos que celebramos, resgatando o verdadeiro significado dessas comemorações. Uma dica é procurar conhecer mais a fundo a vida dos santos, não só os “juninos”, e procurar seguir seus exemplos. Para as crianças, uma boa opção é a cada dia contar a história de um santo na hora de dormir e criar desde cedo o hábito de pedir a intercessão dos nossos amigos do Céu. 

photo credit: irene nobrega <a href="http://www.flickr.com/photos/94708922@N00/1136555435">Decoração São João à noite</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 8 de junho de 2017

TROCANDO O MEU PELO NOSSO



“O amor deve facilitar-nos a dar pelo outro tudo quanto nos é caro”. Essa frase do Pe. José Kentenich deveria ser lembrada diariamente por todo casal que luta para ter um matrimônio feliz. Nosso compromisso como esposa, como esposo é buscar fazer o outro feliz. O amor nos levou até o altar, onde prometemos ser fiéis a esse compromisso não importa o que a vida nos apresentasse daquele dia em diante.

Todos sabemos que isso não é nada fácil. O maior inimigo da nossa felicidade é a minha felicidade. Sim, o contrário do amor não é o ódio, mas o egoísmo. Toda vez que coloco a minha realização pessoal, a minha vontade, os meus projetos acima do que é o melhor para a nossa família, estou minando a nossa felicidade.

Desde a fundação da nossa família, precisamos lutar dia a dia para trocar o meu pelo nosso. É um processo longo e doloroso, afinal todo mundo nasce egoísta, pensando em si mesmo, no seu prazer, no seu bem estar, na sua sobrevivência. Faz parte do desenvolvimento humano passar de uma mentalidade imatura de criança que quer tudo para si, para o amadurecimento do adulto que sabe que vivemos em comunidade e que precisamos buscar o bem comum.

Assim, não deve existir o meu carro, mas o nosso carro, que será usado para o bem da família. Não existe o meu salário, mas o nosso salário que será usado da forma que melhor sirva as necessidades da família. Também não existe o seu filho (é, na hora que a criança apronta, o filho é seu e não meu), é o nosso filho que precisa ser educado tanto pelo pai como pela mãe.

Os problemas também não são meus, são nossos. As conquistas não são minhas, são nossas. A promoção também é nossa. A doença é nossa também, mesmo que o tratamento seja feito apenas em um, mas os dois sofrem juntos.  A decisão de comprar ou vender é nossa. E aquele parente chato? É nosso.

Mas então quer dizer que precisarei me anular para ter um casamento feliz? Claro que sim!!! Vou procurar anular a cada dia aquela parte de mim que quer satisfazer a si mesmo em primeiro lugar, anular aquelas imperfeições que incomodam tanto meu cônjuge, anular a vontade de fazer tudo do meu jeito, não me preocupando se é o melhor para a nossa família.

Ser pai e ser mãe ajuda muito nesse processo de amadurecimento do amor. Quando o filho chega, um serzinho tão indefeso que precisa da gente para absolutamente tudo, vivenciamos na prática o que significa anular a si mesmo para o bem do outro. E quanto mais filhos, mais rápido crescemos na construção da nossa felicidade.

Sozinho é muito difícil conseguir abrir mão do meu para o bem do nosso, mas as graças que recebemos através do Sacramento do Matrimônio nos ajudarão nessa jornada. Devemos sempre pedir a Deus que aprendamos a amar como ele nos ama: ele deu a sua própria vida para a nossa salvação.


photo credit: Caaru <a href="http://www.flickr.com/photos/34882354@N02/15679677086">Save The Date</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 6 de junho de 2017

O QUE É PRECISO PARA SER ABERTO À VIDA


No último post, falei sobre a minha recente descoberta do que realmente significa ser aberto à vida, que é deixar Deus, em sua amorosa providência, determinar o número de filhos que cada família é chamada a educar. Quem defende essa ideia atualmente é taxado, no mínimo, de louco ou irresponsável, pois vivemos numa cultura totalmente antinatalista. Porém, como essa é a verdadeira doutrina da Igreja Católica e representa realmente o plano de Deus para o matrimônio e a família, vale a pena lutar para assumir essa verdade em nossas vidas.

O primeiro passo é se convencer que Deus efetivamente pede a todo casal que entregue em suas mãos amorosas e providentes sua fertilidade, deixando a seu encargo o número de filhos que deverão trazer ao mundo. Para isso, você pode se aprofundar na leitura da encíclica Humanae Vitae, especialmente o No. 10; a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, No. 50, a atual encíclica Amoris Laetitia, No. 14 e 84, um livro excelente da Kimberly Hahn, “O amor que dá a vida” e alguns posts que já indiquei (veja aqui e aqui).

Depois, é necessário um amadurecimento da nossa fé prática na Divina Providência, ou seja, conseguir efetivamente sentir que Deus é Pai que nos ama infinitamente e não permitirá que tenhamos mais filhos do que possamos criar adequadamente. Confiar, confiar e confiar. E só crescemos na confiança, confiando. Intensificando nossa vida de oração, de meditação do amor de Deus por nós (aqui tem uma orientação de como meditar), frequência aos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Confissão. Ajuda muito ouvir testemunhos de famílias numerosas que colocaram na prática esse ensinamento. Acreditem: elas não são tão raras de encontrar, basta procurar um pouco!

Uma coisa que me chamou a atenção e que parece um pouco contraditória é a seguinte: se somos chamados a confiar totalmente na Providência Divina e deixar somente Deus decidir o número de filhos que devemos ter, qual é a razão da Igreja aceitar o uso dos métodos naturais quando existem graves razões? Deus também não cuida dos casos graves?

Bom, aqui entra a grandeza da Igreja que é Mestra, mas principalmente Mãe. Ela sabe que Deus não exige mais do que cada um possa suportar. E para cada pessoa, pede um grau de heroísmo diferente. Assim, todos são chamados a confiar cegamente na Divina Providência, mas nem todos conseguem isso imediatamente e necessitam de meios para caminhar nessa direção. Logo, quando efetivamente existem razões graves para se adiar uma gravidez, é lícito ao casal recorrer aos períodos infecundos para as relações sexuais e desta forma, buscar, de uma maneira natural e de acordo com a moral sexual, que a gravidez não ocorra.  

Acredito também que os métodos naturais, mais especificamente o Método de Ovulação Billings (MOB), pode se um caminho para se chegar a abertura total à vida. Pode ser que um casal não consiga, de uma hora para outra, parar com os contraceptivos e entregar sua fertilidade nas mãos de Deus. Então, pode começar por usar o MOB ainda adiando uma gravidez, pois, ao menos, não estariam mais colocando nenhuma barreira física ou química em suas relações sexuais. Já estariam se entregando totalmente um ao outro e não estariam violando as promessas que fizeram no altar.  

Com o passar do tempo, refletindo a cada ciclo se realmente possuem graves razões para adiar uma gestação, o casal pode crescer na confiança filial na Divina Providência e chegar à conclusão de que não precisam mais de gráficos e tabelas e que podem celebrar seu amor sem maiores preocupações.


Enfim, é importante ter em mente que ser aberto à vida não significa de que terão muitos filhos. A fertilidade é um dom muito frágil e que varia muito durante a vida. Conheço casais que nunca utilizaram nenhum tipo de contraceptivo e tem somente dois ou três filhos. Outro fator é que as pessoas estão casando mais tarde, por volta dos 30 anos, o que diminui muito a quantidade de filhos que naturalmente podem conceber. Então, não há o que temer! Devemos buscar fazer sempre a vontade de Deus e confiar que Ele fará tudo perfeitamente bem, para a nossa salvação e a salvação de nossos filhos! 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O QUE SIGNIFICA SER ABERTO À VIDA




Quando era jovem, aprendi que a Igreja Católica era contrária aos anticoncepcionais, sendo que o único método permitido é o Método de Ovulação Billings (MOB), um método onde a mulher conhece seu período fértil e se deseja adiar uma gravidez, o casal se abstém de relações sexuais nesse período. Assim, para me preparar para o matrimônio, aprendi esse método, juntamente com o Luciano e começamos a utiliza-lo desde que nos casamos.

Acreditávamos que, por sermos usuários do MOB, estávamos cumprindo o que a Igreja nos pedia, que era sermos abertos à vida e pela graça de Deus, fomos abençoados com quatro filhos. Há alguns anos comecei a pesquisar quais eram os motivos pelos quais a Igreja era contrária aos anticoncepcionais e entendi que a relação sexual possui duas finalidades: a união dos cônjuges e a procriação. Se tirarmos uma dessas finalidades do ato, ele se torna contrário aos desígnios de Deus e por isso, causa danos à pessoa e ao matrimônio. A entrega de um para o outro não é total. É como se um dissesse ao outro: eu te dou tudo, menos a minha fertilidade. Já escrevi alguns posts sobre esse assunto: contracepção e promessas matrimoniaisefeitos colaterais na saúde pelo uso da contracepçãopara que foram criados os contraceptivoscontraceptivos destroem lares

Porém, os ensinamentos da Igreja a respeito do ato conjugal vão além disso. A forma pela qual Deus escolheu trazer novas pessoas, novas almas imortais ao mundo foi através da relação sexual. Assim, a relação sexual é um ato tão sublime, tão importante, que devemos sempre estar abertos para que Deus possa criar novas almas: os nossos filhos. Não é lícito que nós, como casal, optemos por ter relações apenas nos períodos inférteis, a menos que tenhamos razões graves para fazê-lo. Essa verdade, está expressa na encíclica Humanae Vitae, No. 10.

As razões graves para se adiar uma gravidez dizem respeito às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais. De ordem física seria o caso, por exemplo, de uma nova gravidez trazer riscos graves para a saúde da mãe. De ordem psicológica, no caso, por exemplo, do marido ou da esposa apresentarem algum tipo de distúrbio, como crises de ansiedade, depressão, etc. De ordem social, seria quando o governo obriga a abortar o segundo ou terceiro filho, como é o caso da China.

Para os casos de ordem econômica é preciso ficar bem atento, porque atualmente o filho é visto apenas como um gasto a mais e muita gente acha “justo” ter apenas dois filhos para poder dar a eles “tudo do bom e do melhor”. Motivos graves de ordem econômica seriam apenas aqueles casos onde tanto os pais, como os filhos já nascidos, correm o risco de ficar sem o que é necessário para uma vida digna. Não poder pagar viagens, a melhor escola, as melhores roupas, não é motivo grave.

Quem quiser se aprofundar um pouco mais nesse assunto, coloco aqui o link de dois posts muito elucidativos:


Assim, o que Deus e a Igreja realmente pedem a nós, casados, é: tenham filhos! Tantos quantos Deus, em sua infinita misericórdia e providência, confiar a vocês! Deus não enviará nenhum filho que não sejamos capazes de educar. O futuro da humanidade está em nossas mãos. São nossos filhos que levarão a nossa cultura, o nosso modo de viver, a nossa fé, para frente. Sem os nossos filhos, o Céu ficará vazio! Nós temos a responsabilidade de povoar o Céu de santos. Deus é muito gentil, não nos força a nada. Ele espera o nosso sim para que possa criar novas almas. Isso é um grande mistério e também uma grande responsabilidade. Nunca ouvi dizer de um casal que tenha se arrependido de ter algum filho, apenas de pessoas que se arrependeram muito de não terem mais filhos!

photo credit: RamónP <a href="http://www.flickr.com/photos/118276383@N05/28882360373">Esperando a Adrián</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A CONFISSÃO E A INTELIGENCIA


O fim da Quaresma se aproxima e com ele a reflexão do quanto conseguimos aproveitar esse tempo de jejum, esmola e oração para uma aproximação maior de Deus, nosso Pai, que nos ama infinitamente e quer passar a eternidade conosco.

É mandamento da Igreja Católica também devemos procurar a confissão sacramental ao menos uma vez no ano, por ocasião da Páscoa. Mas qual a razão de confessarmos? Realmente isso ainda é necessário hoje em dia?

O pecado é uma ofensa a Deus e uma ruptura da comunhão com ele, pois escolhemos seguir nossos desejos muitas vezes desordenados, do que sermos fiéis aos ensinamentos de Deus, que tem apenas um objetivo: a nossa salvação. Assim, ao buscarmos o sacramento da confissão, arrependidos de nossos erros, nos reconciliamos com Deus e com os irmãos, recuperando o estado de graça que recebemos em nosso Batismo.

Toda vez que cometemos um pecado mortal precisamos buscar o quanto antes a confissão. “É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave (contra os 10 mandamentos), e que é cometido com plena consciência e deliberadamente” (CIC 1857).

Mas também os pecados veniais, aquelas falhas que cometemos quase que diariamente, por egoísmo e falta de caridade, devem ser confessados. Não porque rompem nossa amizade com Deus, mas porque seu acúmulo, com o tempo, podem levar a um pecado mortal.

E aqui vem a relação que Santo Tomás de Aquino faz entre a confissão e nossa inteligência. Santo Tomás é um dos grandes Doutores da Igreja e é conhecido por sua inteligência apuradíssima e sua capacidade intelectual quase que sobre humana. Ele ensina que quando estamos em estado de graça, enxergamos coisas que não conseguíamos ver antes, nossa inteligência se abre.

Eu sou testemunha dessa enorme graça que recebemos quando nos confessamos regularmente. Desde jovem tinha o costume de confessar uma vez por mês e esse costume se manteve durante os anos, com algumas oscilações dependendo da fase de minha vida.

Porém, há cerca de seis meses, passei a procurar esse sacramento quinzenalmente. Percebi um enorme crescimento em minha vida espiritual, em minha proximidade com Deus e uma grande facilidade em entender as coisas, em dar conselhos, em enxergar por trás dos acontecimentos a Divina Providência e ainda em escrever (que é uma parte importante em meu apostolado). Parece que deu um “click” em minha mente e agora vejo as coisas de outra perspectiva.

Já me perguntaram se o que estou fazendo não seria apenas uma direção espiritual, se efetivamente confesso a cada quinze dias. Vejo aí mais uma graça da confissão frequente: minha consciência ficou mais sensível, mais alerta às minhas imperfeições e consigo ver mais claramente todas as ofensas, mesmo que pequenas, que faço a Deus no meu dia a dia.

Assim, devemos nos confessar não porque é uma obrigação imposta pela Igreja, mas porque na confissão recebemos inúmeras graças para vivermos uma vida mais plena e mais feliz. É Jesus quem está ali no confessionário esperando por você, para derramar sobre você todas essas graças, para curar as feridas do teu coração e capacitar você para amar melhor e viver melhor. E nesse mundo tão atribulado em que vivemos, não há nada mais necessário do que viver com equilíbrio e é justamente isso que a confissão regular nos proporciona. Faça essa experiência!


photo credit: Frank Jakobi <a href="http://www.flickr.com/photos/21187029@N06/20659292951">Waiting for Clients</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>