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sexta-feira, 28 de março de 2025

SATANÁS TEM UM PLANO PARA A SUA VIDA

 



As pessoas, em geral, não gostam de pensar no demônio e muito menos falar dele. Para muitas, inclusive, ele não existe... Essa é uma grande arma a favor do demônio: quem não acredita em sua existência está muito mais vulnerável para receber sua influência. Porém, quem é cristão sabe muito bem, pelas palavras do próprio Jesus, que o demônio é real e como diz S. Pedro: “anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.” (1Ped 5,8)

Pensar no demônio não deve nos trazer medo, como vemos em alguns filmes de terror, mas deve nos deixar muito alertas. Nossa realidade é um grande campo de batalha entre o Bem e o Mal. Deus já venceu essa batalha, mas nós, seres humanos, é que estamos sendo disputados para saber qual lado vamos escolher para passar a eternidade.

O livre arbítrio nos foi dado para termos a capacidade de amar. Quem não é livre, não pode amar, mas essa mesma liberdade pode ser usada para escolher o mal, e assim, escolher o lado do inimigo do Amor. O plano de amor de Deus para cada um de nós é que um dia, estejamos com Ele, na felicidade eterna no Céu. E Satanás, por ser um anjo dotado de uma inteligência aguçadíssima, também tem um plano para cada um de nós, que é fazer que escolhamos passar a eternidade com ele, sofrendo e odiando no inferno.

Poder de Satanás

O poder de Satanás é limitado ao que Deus permita que ele faça. E Deus só permite a ação dele, para que nós possamos provar nosso amor e assim, escolher o Céu. Jesus, por sua paixão e morte na cruz, abriu o Céu para nós. Ele já nos libertou da escravidão do pecado, mas nós precisamos aderir a esse plano de Deus, escolher fazer a sua amorosa vontade para nossa vida.

A ação ordinária de Satanás e seus demônios é através da tentação. Ele nos influencia a escolhermos o pecado. O pecado é uma recusa em amar, pois escolhemos um prazer ou uma vantagem material em detrimento dos planos de amor que o Pai tem para nós. É escolher o egoísmo, que é o oposto do amor. Ao pecar, dizemos sim ao demônio e um não a Deus.

Deus, ao nos dar os 10 mandamentos, está pensando apenas no nosso bem, em nossa salvação. Ao escolhermos ir contra esses mandamentos, estamos fazendo um mal para nós mesmos, tanto para a nossa vida aqui na terra, como especialmente para a nossa vida eterna, que será nos horrores do inferno.

Combater as tentações

A primeira coisa que precisamos ter certeza é que nenhum de nós é tentando acima de suas capacidades de resistir a essa tentação. Satanás é como um sniper que fica observando qual é o melhor momento e a melhor forma de atirar uma tentação. Mas sempre temos a capacidade de resistir a esse tiro.

Para combater as tentações, primeiro precisamos estar conscientes delas, então devemos pedir a Deus, na oração, para nos mostrar onde o demônio está entrando em minha vida, qual brecha posso estar dando para que ele influencie as minhas ações, caindo na armadilha de suas tentações.

Quaresma: tempo propício para combater as tentações

O tempo quaresmal é um período propício que a Igreja nos convida a combatermos mais fortemente o pecado e as tentações. Somos lembrados que Jesus também foi tentado no deserto e nos ensinou como lutar contra as tentações especialmente as do ter, do prazer e do poder

As práticas quaresmais que nos incentivam a intensificar o jejum, a esmola e a oração devem nos fortalecer no combate especialmente contra essas três tentações. O jejum nos ajuda a dominar nossos instintos e dessa forma nos fortalece contra a tentação da busca do prazer. A esmola nos ajuda no desprendimento dos bens materiais, pois damos a quem não pode nos retribuir. E nos ajuda contra a tentação do ter. E a oração nos ajuda a reconhecermos que somos criaturas, que todo o poder é de Deus, nos ajudando contra a tentação do orgulho e do desejar o poder.

Assim, não desperdice mais essa oportunidade que o Pai lhe dá para crescer no amor e vencer todo egoísmo. Aproveite esse tempo de Quaresma para lutar mais seriamente contra aquela tentação que te afasta do caminho que vai te levar ao Céu. Nas dificuldades, nas quedas, levante e recomece. “A esperança não nos decepciona” (Rm 5,5). Jesus venceu a morte e nos ajuda a frustrar o plano que satanás tem para a nossa vida.


 Foto de Marek Piwnicki na Unsplash

sexta-feira, 10 de março de 2023

A SEGUNDA CONVERSÃO

Na Quarta Feira de Cinzas, quando recebemos as cinzas em nossa fronte, fomos convidados: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Mas será que realmente precisamos de conversão? Afinal já estamos na igreja, participamos da santa missa pelo menos aos domingos e dias santos, já ouvimos o chamado de Jesus e respondemos: “aqui estou”. Recebemos os sacramentos do batismo, primeira eucaristia e até o crisma; cumprimos os mandamentos da Igreja de pagar o dízimo, confessar pelo menos uma vez por ano, fazer jejum e abstinência de carne na Quarta Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. Então como assim eu preciso de conversão? Esse chamado não é só para os pecadores, aqueles que estão fora ou afastados da Igreja?

O que é a segunda conversão?

Na verdade, para aqueles que já tem uma vida espiritual, de caminhada dentro da Igreja e cumpre os mandamentos, o chamado é para uma segunda conversão. É como passar da infância para a adolescência da fé. O Pe. Garrigou Lagrange explica: “Os autores espirituais, com frequência, têm escrito também sobre esta segunda conversão, necessária para um cristão que, após ter pensado seriamente na sua salvação e ter-se esforçado por caminhar no caminho de Deus, recomeça a cair, pela ladeira de sua natureza, numa certa tibieza, como uma planta que foi enxertada, mas que tende a voltar para o estado selvagem”.[1]

A segunda conversão dos Apóstolos

Os Apóstolos também passaram por essa segunda conversão. Todos foram chamados pessoalmente por Jesus e deram seu “sim” à missão. Eles foram testemunha de toda a pregação do Reino de Deus, viram os milagres, foram ordenados sacerdotes na última ceia e receberam pela primeira vez a sagrada eucaristia. Mas na hora da Paixão, do sofrimento, quase todos abandonaram seu Mestre. S. Pedro, o primeiro Papa, chegou a negar Jesus por três vezes.

Através desse sofrimento que experimentaram testemunhando a Paixão, cada um deles (a exceção de Judas Iscariotes, que não acreditou na infinita misericórdia do Pai), arrependidos de sua covardia de abandonarem Jesus, passaram pela segunda conversão. S. Pedro, através do olhar de Jesus após a negação, teve a perfeita contrição e foi curado de sua presunção, tornando-se mais humilde. S. João, o único que por uma graça especial teve forças para permanecer aos pés da cruz, se converteu ao ouvir as últimas palavras de Jesus antes dele entregar seu espírito.

Assim, um a um dos apóstolos, no período entre a Paixão e depois da Ressurreição, foram se convertendo pela segunda vez e abrindo os olhos, compreendendo realmente o que significa ser cristão, como está narrado na passagem dos discípulos de Emaús, que reconheceram Jesus no partir do pão.

Chamado a aprofundar a fé e o amor

Da mesma forma que os apóstolos precisaram passar por uma segunda conversão, também nós somos chamados a aprofundarmos nossa fé e nosso amor a Jesus. São as nossas imperfeições que exigem essa segunda conversão, especialmente nosso amor próprio, nossa tendência a querer fazer tudo do nosso jeito, impondo nossa vontade. Esse amor-próprio desordenado é fonte de muitos pecados veniais, por isso é necessária essa purificação.

Apesar de ser o melhor para a nossa alma, Deus respeita imensamente a nossa liberdade e espera o nosso “sim” ao seu chamado para buscarmos a perfeição, a santidade. Ele sabe que o amamos, mas ainda somos demasiadamente apegados a nós mesmos, aos nossos gostos e vontades. E para sair desse estado, é preciso deixar Deus agir em nossa alma, através da purificação dos sentidos.

Essa purificação se dá através de um conhecimento experimental de nossa miséria e de nossa profunda imperfeição, como nos diz Sta. Catarina de Sena, junto com uma certa aridez da alma, um afastamento sensível de Jesus, sem sentir consolação ou gosto na prática da oração e atos de piedade. É preciso que o Senhor se afaste um pouco da alma, para que ela consiga se desapegar de si mesma e das coisas desse mundo, para estar pronta a se entregar inteiramente ao Pai.

Frutos da segunda conversão

Nos ensinamentos do Pe. Garrigou Lagrange “os frutos desta segunda conversão são, como aconteceu com S. Pedro, um começo de contemplação pelo entendimento progressivo do grande mistério da Cruz ou da Redenção, entendimento proveniente do valor infinito do Sangue do Salvador derramado por nós. Com esta contemplação nascente, há uma união com Deus mais livre das flutuações da sensibilidade, mais pura, mais forte, mais contínua.”[2] Podemos experimentar alegria e maior paz em nossa alma, mesmo em meio às adversidades. Experimentamos realmente que Deus nos ama e cuida de cada detalhe de nossas vidas.

Como chegar a essa segunda conversão?

Mas como chegar a essa segunda conversão? Deus é extremamente gentil e não fará nada sem o nosso consentimento, então precisamos pedir a graça desse aprofundamento na fé e no amor. “Senhor eu creio, mas aumenta a minha fé” (Mc 9, 24). Pedir a fé é a única oração que podemos ter certeza absoluta de que será atendida, porque esta é a vontade do Pai para cada um de nós, que tenhamos fé. E pedir para amar mais e amar melhor a Deus é um pedido que certamente lhe agrada, pois aos poucos nos tornaremos menos egoístas e menos centrados em nossos desejos, para estarmos livres para servir melhor a Deus e ao próximo.

Aproveitemos esse tempo de Quaresma, onde somos chamados a aprofundar nossa vida de oração, a olharmos para nós mesmos, para nossa alma e ver o que precisa ser mudado, e peçamos a graça dessa segunda conversão.

 



[1] LAGRANGE, Garrigou “As 3 vias e as três conversões”, 4ª edição, Ed. Permanência, pg. 41

[2] LAGRANGE, Garrigou “As 3 vias e as três conversões”, 4ª edição, Ed. Permanência, pg. 54

Crédito da foto: pixabay.com

 

 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A CONFISSÃO E A INTELIGENCIA


O fim da Quaresma se aproxima e com ele a reflexão do quanto conseguimos aproveitar esse tempo de jejum, esmola e oração para uma aproximação maior de Deus, nosso Pai, que nos ama infinitamente e quer passar a eternidade conosco.

É mandamento da Igreja Católica também devemos procurar a confissão sacramental ao menos uma vez no ano, por ocasião da Páscoa. Mas qual a razão de confessarmos? Realmente isso ainda é necessário hoje em dia?

O pecado é uma ofensa a Deus e uma ruptura da comunhão com ele, pois escolhemos seguir nossos desejos muitas vezes desordenados, do que sermos fiéis aos ensinamentos de Deus, que tem apenas um objetivo: a nossa salvação. Assim, ao buscarmos o sacramento da confissão, arrependidos de nossos erros, nos reconciliamos com Deus e com os irmãos, recuperando o estado de graça que recebemos em nosso Batismo.

Toda vez que cometemos um pecado mortal precisamos buscar o quanto antes a confissão. “É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave (contra os 10 mandamentos), e que é cometido com plena consciência e deliberadamente” (CIC 1857).

Mas também os pecados veniais, aquelas falhas que cometemos quase que diariamente, por egoísmo e falta de caridade, devem ser confessados. Não porque rompem nossa amizade com Deus, mas porque seu acúmulo, com o tempo, podem levar a um pecado mortal.

E aqui vem a relação que Santo Tomás de Aquino faz entre a confissão e nossa inteligência. Santo Tomás é um dos grandes Doutores da Igreja e é conhecido por sua inteligência apuradíssima e sua capacidade intelectual quase que sobre humana. Ele ensina que quando estamos em estado de graça, enxergamos coisas que não conseguíamos ver antes, nossa inteligência se abre.

Eu sou testemunha dessa enorme graça que recebemos quando nos confessamos regularmente. Desde jovem tinha o costume de confessar uma vez por mês e esse costume se manteve durante os anos, com algumas oscilações dependendo da fase de minha vida.

Porém, há cerca de seis meses, passei a procurar esse sacramento quinzenalmente. Percebi um enorme crescimento em minha vida espiritual, em minha proximidade com Deus e uma grande facilidade em entender as coisas, em dar conselhos, em enxergar por trás dos acontecimentos a Divina Providência e ainda em escrever (que é uma parte importante em meu apostolado). Parece que deu um “click” em minha mente e agora vejo as coisas de outra perspectiva.

Já me perguntaram se o que estou fazendo não seria apenas uma direção espiritual, se efetivamente confesso a cada quinze dias. Vejo aí mais uma graça da confissão frequente: minha consciência ficou mais sensível, mais alerta às minhas imperfeições e consigo ver mais claramente todas as ofensas, mesmo que pequenas, que faço a Deus no meu dia a dia.

Assim, devemos nos confessar não porque é uma obrigação imposta pela Igreja, mas porque na confissão recebemos inúmeras graças para vivermos uma vida mais plena e mais feliz. É Jesus quem está ali no confessionário esperando por você, para derramar sobre você todas essas graças, para curar as feridas do teu coração e capacitar você para amar melhor e viver melhor. E nesse mundo tão atribulado em que vivemos, não há nada mais necessário do que viver com equilíbrio e é justamente isso que a confissão regular nos proporciona. Faça essa experiência!


photo credit: Frank Jakobi <a href="http://www.flickr.com/photos/21187029@N06/20659292951">Waiting for Clients</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

MAIS IDEIAS PARA QUARESMA DE SEUS FILHOS

Hoje continuamos com as dicas para a Quaresma de seus filhos, que foram extraídas do site: http://www.pbgrace.com/lent-ideas/
Por que jejuamos?
- como penitência: através de todo o Antigo Testamento, as pessoas se cobriam de cinzas, tiravam suas roupas finas e jejuavam para expressar seu arrependimento do pecado. O jejum serve para o mesmo propósito nos dias de hoje.
- para dar lugar a Deus: ao esvaziarmos a nós mesmos, mesmo se for apenas um pouquinho, damos lugar para Deus entrar em nossas vidas mais plenamente. Quando o jejum e a abstinência forem difíceis, nós nos voltamos a Deus em oração para nos ajudar.
- fortalecimento da vontade: jejuar é uma disciplina espiritual; da mesma forma que o exercício físico deixa nosso corpo mais forte, o jejum fortalece nossa vontade. Ao negar a nós mesmos coisas pequenas, fortalecemos nossa vontade para resistir ao pecado em outras áreas de nossas vidas.
- como preparação para a missão: para os cristãos, o jejum imita os quarenta dias que Jesus passou no deserto. Da mesma forma que Jesus usou esse tempo para se preparar para a sua missão pública, jejuar nos prepara a continuar a missão dele no mundo.
- solidariedade com o Cristo sofredor: mesmo os pequenos sofrimentos que experimentamos enquanto jejuamos nos deixa mais próximos do Cristo sofredor – e de todas as pessoas que sofrem de fome, má nutrição e abuso diariamente.
Doação (esmola)
A doação (tradicionalmente chamada de esmola) é uma prática espiritual que é um ato de caridade, especialmente quando sua doação vem de um sacrifício pessoal. Quando falar para seus filhos sobre ideias para doação, compartilhe com eles a história da oferta da viúva (Lc 21, 1-4). A viúva pobre ofertou duas pequenas moedas ao tesouro do Templo, mas porque ela deu tudo o que tinha, Jesus disse que ela deu mais do que aqueles que deram grandes quantias de dinheiro tiradas de sua fartura. A lição: é o tamanho da sua generosidade e não a quantidade, que faz a diferença.
Seguem aqui mais algumas ideias para seus filhos praticarem na Quaresma:
1. Faça um ato de gentileza aleatório todos os dias: pode ser escrever um bilhetinho de agradecimento para alguém; escrever o que mais gosta de cada membro da família e entregar para cada um; faça um elogio a cada pessoa que encontrar durante o dia; perguntar uma vez por dia a outro membro da família: “como posso te ajudar hoje?”
2. Dividir: estimular as crianças a compartilharem seus brinquedos ou espaço no quarto com os outros irmãos, de maneira gentil. Ou estimule as crianças a doar o dinheiro que economizaram com seus sacrifícios (p. ex. com “porcarias”) e doar para uma instituição de caridade.
3. Praticar estar presente: os adolescentes podem se comprometer em desligar seus telefones (ou outros aparelhos eletrônicos). Ainda melhor, crie uma área sem telefone (como a mesa de jantar).
4. Compartilhe estórias: As crianças e adolescentes devem ser incentivados a compartilhar suas histórias para superar sua resistência em serem abertos e vulneráveis com os outros. O outro lado disso é pedir para que os pais, avós ou outros adultos compartilhem também suas histórias, principalmente de quando eram crianças.
5. Aprenda e se responsabilize por uma nova tarefa doméstica: pode ser lavar a louça no fim de semana, passar aspirador no quarto, guardar suas roupas, varrer a calçada, tirar o lixo, etc.
Ideias de Orações para Crianças e Adolescentes
A oração é essencial para vivermos a fé cristã. Ela enriquece nossa vida espiritual e quando rezamos estamos aptos a deixar Deus trabalhar através de nós ao invés de tentarmos fazermos do nosso jeito. A oração é uma forma de demonstrarmos nosso amor a Deus, pois se amamos, queremos sempre estar conversando com a pessoa amada. E a oração é isso: uma conversa com Deus.
Seguem algumas sugestões de formas de oração para as crianças e os adolescentes:
1. Reze o terço durante o dia: as crianças e adolescentes poderão carregar um terço com eles, para rezarem durante o dia. Não precisa rezar tudo de uma vez, pode ser um mistério, por exemplo, no caminho para a escola. Depois continua na hora do almoço e assim vai durante o dia para rezar o terço completo.
2. Vista sua fé: as crianças podem ser estimuladas a usarem símbolos cristãos (colar, pulseira ou camiseta), como testemunha de sua fé e para lembra-los de viverem suas crenças de uma maneira mais consistente.
3. Conheça Jesus: Conheça mais Jesus lendo os Evangelhos nesta Quaresma. Peça para as crianças lerem partes do Evangelhos em Bíblias apropriadas para cada idade, ou leiam junto como família. Podem aprimorar esse conhecimento assistindo filmes sobre a vida de Jesus, como A Paixão de Cristo, de Mel Gibson (crianças pequenas podem ficar muito impressionadas, então verifique outros filmes mais apropriados para a idade de seus filhos).
4. Reze três vezes por dia: é importante manter contato com Deus durante o dia. Estabelecer horários para fazer uma simples oração pode ajudar muito no crescimento de nossa fé e do nosso relacionamento com Deus. Rezar de manhã, na hora do almoço e a noite pode ser um começo. Os mais velhos podem colocar alarmes no celular para se lembrarem de rezar.
5. Faça uma confissão: se a sua família ainda não se confessou esse ano, agende uma para essa época da Quaresma. Se vocês já se confessam regularmente, tente aumentar essa frequência durante a Quaresma. A confissão é um sacramento que traz muitas graças para aquele que está recebendo. Assim, devemos estimular nossos filhos a confessarem regularmente (uma vez ao mês). Com essa prática, eles começam a ver a confissão como algo normal, que faz parte da vida espiritual deles e isso faz um bem enorme para suas almas.
6. Vá a missa durante a semana: a Eucaristia é o momento mais íntimo de nosso encontro com Jesus. Durante a Quaresma, estimule seus filhos a irem pelo menos mais uma vez durante a semana na missa (além, claro, do domingo).
7. Reze a Via Sacra: a Via Sacra nos faz lembrar das últimas horas da vida de Jesus, de todo sofrimento que passou para nos salvar. Para as crianças, existem Via Sacra infantis, com uma linguagem mais apropriada. Vocês podem combinar de rezar a Via Sacra uma vez por semana (de preferência as 6ª feiras) em família.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

JEJUM, ESMOLA E ORAÇÃO: VÁRIAS IDEIAS SOBRE O QUE AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES PODEM FAZER NA QUARESMA



O post de hoje é uma tradução e adaptação autorizada. Iremos dividir em duas partes, para não ficar muito longo. Veja o post original neste link: http://www.pbgrace.com/lent-ideas/
O jejum, a esmola e a oração são o coração dos quarenta dias de Quaresma. Aqui estão algumas estratégias para ajudar seus filhos a se envolverem nessas práticas tradicionais penitenciais.
A maioria dessas ideias são para crianças de 6 anos ou mais. (A melhor maneira de introduzir as crianças mais jovens nas práticas da Quaresma é elas verem os adultos e crianças mais velhas praticando; use a curiosidade natural delas e a vontade de serem “gente grande” para falar sobre o que você está fazendo e o porquê).
 O que é Quaresma?
Uma boa maneira de começar a Quaresma é simplesmente perguntar a seus filhos, no jantar ou mesmo no carro, o que é a Quaresma. Aqui estão alguns tópicos para a conversa:
- as raízes da Quaresma vão até a Igreja primitiva, onde aqueles que desejavam se tornar cristãos eram submetidos a um período de preparação antes de seu batismo. Era limitado apenas aos catecúmenos (aqueles que estavam se preparando para entrarem na Igreja), mas depois toda a Igreja adotou a prática de “renovação” do batismo através de um período de penitência e um novo comprometimento à vida cristã.
- atualmente a Quaresma é um tempo quando todos os batizados são chamados a renovar seu compromisso batismal. A chave para uma observância fecunda dessas práticas é reconhecer seu vínculo com a renovação do batismo. Somos chamados não só a nos afastarmos do pecado durante a Quaresma, mas para um verdadeira conversão de nossos corações e mentes como seguidores de Cristo.
- tradução para crianças mais novas: “A quaresma é um tempo onde lembramos nosso batismo ao nos afastarmos do pecado e fazendo o bem no nosso dia a dia”
- as práticas tradicionais da quaresma que são extraídas do Sermão da Montanha de Jesus são: esmola (Mt 6, 2-4), oração (Mt 6, 5-15) e jejum (Mt 6, 16-18)
Ideias para o Jejum de Crianças e Adolescentes
O jejum e a abstinência são as práticas de abrir mão de algo (p. ex., comida ou carne) para nos afastarmos do pecado e nos aproximarmos de Deus. Não é apenas uma forma de penitência, mas uma disciplina spiritual que nos ajuda a criarmos espaço para Deus, fortalecermos nossa vontade, nos preparamos para a nossa missão, e nos colocarmos em solidariedade com os sofrimentos de Cristo e as pessoas que sofrem ao redor do mundo.
Apenas os adultos (18 a 59 anos) são obrigados a jejuar (apesar que adolescentes maiores que 14 anos são obrigados a se absterem de carne na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa). Além dessa obrigação, todos são convidados a escolher práticas penitenciais individuais durante a Quaresma. Começando na idade de 5 ou 6 anos, as crianças podem ser estimuladas a “fazer algum sacrifício” ou adotar uma prática positive, como uma forma de entrarem no espírito da Quaresma.
Quando encorajarem seus filhos a jejuar, ajude-os com algumas ideias criativas. O ideal é fazer desse jejum algo concreto e mensurável. Por exemplo, ao invés de falar “eu não vou mais brigar com minha irmã”, sente-se com a criança e veja algumas ações específicas que podem levar a uma “conversão” nessa área. O que causa as brigas? Se o problema for pegar algo emprestado sem pedir, faça disso o propósito da Quaresma: “pedir emprestado antes de pegar algo da minha irmã”. É bom colocar algum tipo de lembrete, por exemplo, no quarto ou guarda-roupas da criança, para que ela lembre-se de que tem um propósito a cumprir.
Aqui estão algumas ideias sobre o que seus filhos podem abrir mão para a Quaresma:
1. Abra mão dos “suspeitos” tradicionais: doces, videogames, celulares (ou crie “zonas de silêncio” sem eletrônicos), refrigerantes, “porcarias”, media social, ou algum outro tipo de conforto.
2. Silêncio: os monges praticam o silêncio para ouvirem melhor a Deus. Sua família também pode fazer isso, ao desligar o rádio (talvez apenas no carro), desligar a TV, fazer uma refeição em silêncio (ou enquanto ouvem música sacra), ficar em silêncio nos 15 primeiros minutos do dia, ou até mesmo fazer um dia de silêncio.
3. Fazer do seu quarto um deserto: Jesus passou 40 dias no deserto. Crianças e adolescentes podem imitar seu exemplo ao fazer do seu quarto mais parecido com um deserto, ao remover fotos e pôsteres das paredes, tirar o tapete, esvaziar o guarda roupas das coisas supérfluas, deixando só o essencial, guardar as decorações do quarto (brinquedos, pelúcias, etc) durante esse período.
4. Enxugue seu guarda roupa: as crianças podem contar o número de roupas que possuem e selecionar 10% para usarem durante a Quaresma (para inspirações, leiam as histórias dos santos que deram todas suas roupas para os pobres). No final da Quaresma, eles podem considerar doar algumas das roupas que eles não usaram.
5. Escreva sua briga: crianças mais velhas podem diminuir as discussões entre os irmãos ao escrever suas queixas ao invés de faze-las verbalmente. Você pode imprimir “formulários de reclamação” que incluam guias para reformularem suas queixas usando uma linguagem apropriada (sem agressões).
6. Ceda o seu lugar: se os “lugares”, por exemplo, sempre ter um lugar específico no carro ou na mesa, ou brigar constantemente por causa de quem será o “primeiro” for uma questão importante para seus filhos, isso é uma opção para abrir mão na Quaresma. Leia e fale sobre o ensinamento de Jesus sobre o “primeiro” e o “último” lugar (Mc 10, 41-46)
7. Coloque-se no lugar do pobre: durma no chão: um dos objetivos de jejuar é nos lembrar da condição do pobre, especialmente daqueles que não tem o necessário para as necessidades básicas da vida. Seus filhos podem destacar esse elemento ao abrir mão de algo que simbolize uma necessidade básica que o outro pode não ter. Por exemplo:
- dormir no chão, e não na cama, para praticar a solidariedade com aqueles que não tem casa
- beber apenas água e leite, em solidariedade com aqueles que não tem água limpa para beber
- não comprar nada para si mesmo (exceto o que seja estritamente necessário), em solidariedade com aqueles que devem viver com menos de R$ 5,00 por dia
olidariedade com aqueles que devem viver com menos de R$ 5,00 por dia
8. Abra mão de seu cabelo: o que você faz com seu cabelo é uma expressão de sua identidade, por isso muitas histórias da Bíblia (como a de Sansão) e da vida de santos (como de Sta. Clara de Assis) envolvem o cabelo. Se o cabelo for muito importante para os adolescentes, eles podem considerar abrir mão dele na Quaresma. Uma ideia é doar para o Cabelegria (http://www.cabelegria.com.br/), uma ONG que faz perucas para crianças e mulheres com câncer.

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/21074909@N06/5528045794">DSC_8457</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>