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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CRIADOS PARA AMAR - ÚLTIMA PARTE

Nos ensinamentos de S. João Paulo II ele procura abordar duas questões humanas fundamentais: 1. O que significa ser humano? 2. Como vivo minha vida de forma a obter a verdadeira felicidade? Para responder a primeira questão temos que olhar para três estágios do drama humano: nossa origem, a nossa história e o nosso destino. Onde estivemos, onde estamos agora e para onde vamos. 

Voltando a nossa origem descobrimos o plano original de Deus para a união dos sexos, quando homem e mulher estavam nus e não sentiam vergonha, porque viviam o perfeito amor de Deus. Porém isso não durou muito. Nós herdamos a vergonha, o que demonstra que para nós é um esforço muito difícil amar à imagem de Deus com nossos corpos. Já não vemos o corpo como uma teologia.

Cristo nos chama através do dom da redenção para vencer a luxúria. A luxúria é uma distorção do apetite sexual. Através do dom da redenção, há um poder real a fluir da morte e ressurreição de Cristo para desatar o que o pecado da luxúria tinha distorcido. Esta é a boa nova com a qual vamos ao mundo. Nós não vamos ao mundo condenando as pessoas pelos seus excessos. Vamos para o mundo demonstrando o que o mundo verdadeiramente anseia, que Cristo nos redimiu e nós podemos viver uma sexualidade redimida. Podemos aprender gradualmente, aceitando nossa cruz e seguindo a Cristo, podemos aprender o que significa amar.

Assim podemos entender a vocação ao celibato e ao matrimônio, as duas vocações fundamentais do cristão. O celibatário não rejeita a sua sexualidade, mas devota todas as suas energias e desejos de união, para o matrimônio definitivo que será no Céu. Os celibatários consagrados revelam ao mundo o propósito fundamental e o significado de nossa sexualidade, pois estamos destinados ao casamento de Cristo com sua Igreja. E agora temos um novo contexto para compreender a união matrimonial. A união matrimonial só faz sentido para o cristão se for vivida de acordo com o plano original de Deus em antecipação ao casamento definitivo de Cristo com a Igreja.

Se a união do homem e da mulher em uma só carne deve ser a imagem da união de Cristo com sua Igreja aqui temos um novo contexto para compreender a Encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI. Cristo disse: eu vim ao mundo para que minha noiva possa ter vida, e vida em abundância. A Teologia do Corpo significa que o mistério de Deus é revelado através de nossos corpos, através de nossa fertilidade. O amor de Deus dá vida, o amor de Deus gera, é generoso, e por isso Deus nos deus órgãos genitais, para podermos ser imagem de sua generosidade, gerando amor.

Tornar a união estéril é dizer: eu não quero ser a imagem de Deus. Eu não quero amar minha esposa como Cristo ama sua Igreja. "Para que serve realmente a anticoncepção? (...) Os contraceptivos não foram inventados para evitar a gravidez. Já dispúnhamos de um meio cem por cento eficaz, cem por cento seguro para isto - a abstinência. Em última análise, a contracepção tem como objetivo poupar-nos a dificuldade que experimentamos ao ter de optar pela abstinência. Quando toda a fumaça desaparecer, veremos que os contraceptivos foram criados por causa de nossa falta de controle; para justificar nossa entrega à luxúria." (Christopher West, "Teologia do Corpo para Principiantes", pg. 119)

A imagem do esposo deve ser: este é o meu corpo que dou a vós e a imagem da esposa deve ser: faça-se em mim segundo a vossa palavra. Mas se inserirmos a contracepção neste cenário, a linguagem é totalmente diferente, torna-se uma contradição, pois nega esta entrega.

"A contracepção deve ser considerada tão profundamente imoral, que nunca, por razão nenhuma, seja tida como aceitável. Pensar ou dizer o contrário equivaleria a afirmar que, ao longo da vida, podem surgir situações nas quais seja legítimo não reconhecer Deus como Deus. (J. Paulo II, 10.10.1983)

S. João Paulo II disse que o corpo humano na relação sexual é profético. E o que é um profeta? É aquele que proclama o mistério de Deus. E o Papa acrescenta: temos que ser muito cuidadosos para distinguir entre verdadeiros e falsos profetas. Porque se podemos falar a verdade com nossos corpos, também podemos dizer mentiras com nossos corpos. E se escolhermos contar mentiras com nossos corpos, então negamos o valor e o significado da própria humanidade, criada homem e mulher a imagem e semelhança de Deus. Este é o novo contexto que o Santo Padre nos apresenta para compreendermos a Humanae Vitae.


"Quais foram as mentiras que lhe impingiram, as falsidades que engoliu pensando serem verdades? Também aqui precisamos ficar atentos, porque, atrás de tudo, encontra-se o sei anseio por um amor autêntico. O pecado sexual é uma busca de satisfação que nenhuma 'água tônica' consegue saciar. É justamente aqui que Jesus se encontra conosco, sem jamais nos condenar. (...) O pecado fecha para o dom, enquanto a fé abre para o receber e com ele satisfazer-se.Não tenha medo! Jogue bem abertamente a sua sexualidade diante de Cristo. Ele jamais nos despojará de nossa humanidade. Ao contrário, no-la revelará plenamente." (Christopher West, "Teologia do Corpo para Principiantes", pg. 78)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

CRIADOS PARA AMAR - PARTE 4

Ontem, falávamos que no princípio e no fim da Bíblia o casamento de Adão e Eva é uma prefiguração do casamento de Cristo e sua Igreja. É por isso que somos homens e mulheres. Estamos destinados a algo muito maior do que esta Terra pode oferecer. A união dos sexos é tão bonita e maravilhosa como é, é só uma prefiguração de algo muito maior a união de Cristo e a Igreja.

"Nas alegrias do seu amor aqui na terra, Deus lhes dá (aos esposos) um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro" (CIC 1642)

Quando perdemos a visão da união fundamental de Cristo e da Igreja, começamos a adorar a imagem, começamos a adorar a criatura em vez do Criador. E por isso, como S. Paulo disse no Capítulo 1 da Carta aos Romanos, quando isso acontece, quando adoramos o corpo humano, em vez daquilo que o corpo nos revela, o divino, então estamos nos entregando à luxúria, à perversão, porque já não compreendemos que a união dos sexos é um mistério sacramental que nos conduz a algo muito maior.

"O estado moral de um povo é avaliado pelo sentimento de decoro de suas mulheres e pelo valor que os homens conferem à nobreza e honestidade da mulher. Quem, para seguir a moda e o cultivo do corpo, romper o véu protetor do sentimento do decoro, despertando os apetites sexuais do homem, cava a ruína de seu próprio povo." (P. Kentenich)

Se a união dos sexos deve ser uma prefiguração do Céu, se deve nos mostrar a realidade eterna da Trindade, por que não a vemos deste modo? O inimigo de Deus quer nos afastar do Céu, assim ele ataca a união dos sexos que deve ser uma prefiguração do Céu. O que é mais sagrado no mundo é o mais profundamente profanado. Atacando isso, o demônio nos confunde e não sabemos mais o que é ser homem e ser mulher, assim nos desconecta com o divino.  Porque é a nossa criação como homem e mulher, chamados a tornarem-se uma só carne que revela ao mundo o mistério eterno escondido em Deus.

A Teologia do Corpo é um forte chamado para reclamarmos o que o diabo plagiou. É uma ilusão pensarmos que podemos construir a cultura da vida, se não reclamarmos o que o diabo plagiou. Se 
quisermos reclamar isso, devemos estar prontos para uma violenta batalha espiritual.

"Desde o pecado original, há profunda cisão entre a vida instintiva, espiritual e sobrenatural. A vida instintiva luta constantemente e com todas as forças contra a vida do espírito. Não quer mais servir, mas dominar. Desde então, o corpo não é súdito dócil, submisso e tranquilo, porém um revolucionário inquieto. A mortificação tem a tarefa de tirar as rédeas do homem instintivo e colocá-las nas mãos do homem espiritual e divinizado." (P. Kentenich)

Não é coincidência que logo depois que S. Paulo explicou em Efésios 5 o significado da união em uma só carne, no Capítulo 6 ele nos chama a pegarmos nossas armas para a batalha espiritual. E a primeira arma que ele diz para pegarmos para ganharmos esta batalha é "cinjam sua cintura com a verdade". Esta "cintura" da qual ele fala são os órgãos genitais. Vivemos numa cultura que nos encoraja a proteger nossa "cintura" com látex.

Precisamos conhecer a verdade sobre a nossa sexualidade, para que fomos criados como homens e mulheres e é esta a arma que precisamos para sermos vencedores na grande batalha espiritual em que vivemos atualmente.


"Os esposos que, pela graça de Deus, se amam conforme o plano original do Criador - e confiam na sua misericórdia quando falham no seu amor mútuo - não precisam temer o teste. Eles estão prontos e dispostos a colocar-se 'entre as forças do bem e do mal (...) porque o amor confia na vitória do bem e está pronto a fazer o que for necessário para garantir sua vitória' (J. Paulo II, 27.06.1984)" (Christopher West, "Teologia do Corpo para Principiantes", pg. 112)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

CRIADOS PARA AMAR - PARTE 3

Continuando nosso estudo sobre a Teologia do Corpo vemos que as Escrituras utilizam muitas imagens para nos ajudar a compreender o amor de Deus por nós e a mais utilizada é do amor nupcial. A união do homem e da mulher numa só carne. E Deus queria que este eterno plano conjugal, fosse tão claro para nós, tão óbvio para nós, que ele inscreveu uma imagem dele nos nossos corpos, fazendo-nos homens e mulheres e chamando-nos a nos tornar uma só carne.

"Deus não depositou o ideal da perfeição humana num sexo, mas o entregou ao homem e à mulher; é por isso que ambos os sexos são chamados a completar-se mutuamente." (Pe. Kentenich)

A união dos sexos, deve ser, em certo sentido, um sinal sacramental, do eterno mistério de Deus, de que o próprio Deus é uma eterna comunhão de amor e de que nós, como homens e mulheres, estamos destinados a tomar parte desta comunhão. Aqui o São João Paulo II traz um enorme desenvolvimento no pensamento católico. Tradicionalmente, os teólogos diziam: somos a imagem de Deus como indivíduos, através de nossa alma racional. Isto é certamente verdade. Mas o Santo Padre se atreve a dar um passo mais longe. Ele diz que não só somos a imagem de Deus como indivíduos, mas também somos a imagem de Deus, através da comunhão do homem e da mulher, que Deus criou desde o princípio.

"Esposos cristãos são vinculados por um tríplice laço: pelos vínculos naturais de união de carne e sangue, pela diferença dos sexos e pelo vínculo sobrenatural do sacramento. Já na aurora da criação, a sabedoria e a bondade de Deus teceram vínculos da união de carne e sangue. Formou Eva, (...) da costela do homem que dormia. Adão reconheceu-o e disse: Eis o osso dos meus ossos e a carne da minha carne. Por isso o homem deixa pai e mãe, para dedicar-se à sua esposa. (...) A experiência de todos os dias comprova a vigorosa união que existe entre as particularidades corporais e anímicas dos dois sexos. Quanto mais acentuada a particularidade, de ambos os sexos, quanto mais viril o homem e mais feminina a mulher, tanto maior será a atração mútua." (P. Kentenich)

E desta forma, o Santo Padre está dizendo, que a própria relação sexual, se torna uma imagem, um ícone, em certo sentido, da vida interior da Trindade. Deus em si mesmo não é sexuado, usamos o amor sexual só como uma analogia, do mistério trinitário. A analogia é frágil. Deus permanece infinitamente transcendente para qualquer imagem ou linguagem humana. Deus não é feito em nossa imagem como homens e mulheres, mas nós somos feitos à Sua imagem como homens e mulheres. Por isso, apesar de Deus não ser sexuado, a nossa sexualidade revela algo no mundo do mistério escondido em Deus. Algo daquela comunhão de amor que dá vida que encontramos na Trindade, não esquecendo que há um abismo infinito entre o Criador e a criatura.

Mas esta união do homem e da mulher revela não somente a eterna comunhão de amor da Trindade, como também revela o nosso destino para tomar parte desta comunhão de amor. E como? Carta aos Efésios Capítulo 5 "por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne." E depois ele acrescenta: "Isto é um grande mistério".

"Pelo sacramento, o matrimônio se torna imagem e símbolo da misteriosa união entre Cristo e sua Igreja." (P. Kentenich)

Qual é o mistério? A união de Cristo com sua Igreja. Foi Cristo quem deixou seu Pai no Céu, foi quem deixou a casa de sua Mãe na terra, para entregar seu corpo à sua noiva, para que nós, como esposa de Cristo, possamos nos tornar uma só carne com Ele. Onde nós tornamos uma só carne com o noivo Cristo? Na Eucaristia. A santa comunhão do homem e da mulher em uma só carne, desde o princípio, desde o Gênesis deve ser uma prefiguração da santa comunhão de Cristo e sua Igreja.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

CRIADOS PARA AMAR - PARTE 2

Inicio esta segunda matéria com a definição sobre a Teologia do Corpo. Teologia é o estudo de Deus. Como cristãos estamos habituados a uma ênfase no espiritual, mas muitos de nós não se sente a vontade com a ênfase no corpo. Para o Papa João Paulo II esta é uma falsa dicotomia. Como diz o CIC, No. 1146, "sendo ao mesmo tempo corpo e espírito, o homem expressa e compreende a realidade espiritual através de sinais e símbolos materiais." A única maneira de nós, como seres humanos, de certa forma podemos encontrar a realidade espiritual, é através de nossos sentidos, através de nossos corpos.

O catolicismo é uma religião muito sensitiva, pois vivemos a verdade do espírito através de nossos sentidos, lavando o corpo com água, ungindo o corpo com óleo, impondo as mãos, comendo e bebendo o Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Nós não podemos ver a Deus, pois Ele é invisível. Deus é puro espírito. E, no entanto, o cristianismo é a religião do Deus invisível tornando-se visível. Do Deus intocável, fazendo-se tangível. Do Deus incomunicável, comunicando-se com as criaturas inferiores. Como o invisível se torna visível? "o Verbo se fez Carne". O invisível se tornou visível através da carne de nosso Deus. Como diz o Santo Padre: "pelo fato da Palavra de Deus ter se tornado Carne, o corpo entrou na teologia pela porta principal."

Teologia do Corpo: Deus revelando seu mistério através da carne humana. Esta é a verdadeira lógica do cristianismo. Acreditamos num Deus encarnado. "De fato, o corpo, e só ele torna visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Ele foi criado com a finalidade de trazer para dentro da realidade visível do mundo o mistério escondido de Deus, desde os tempos imemoriais, e desta forma tornar-se um sinal dele" (JP II 20.02.80).  Nós, como seres humanos, somos espirituais, mas não somos meramente espirituais. Somos uma combinação do espiritual e do material. Há uma profunda unidade na pessoa humana, entre corpo e alma.

Qual é o mistério escondido em Deus desde os tempos imemoriais? Este mistério é explicado pelo CIC No. 221: "Deus revelou o seu mais íntimo segredo, que é que o próprio Deus é uma eterna comunhão de amor, Pai, Filho e Espírito Santo e destinou-nos a nós a tomar parte desta comunhão." A verdadeira razão pela qual fomos criados, a verdadeira razão pela qual existimos, é porque estamos destinados à comunhão. Estamos destinados ao amor. Estamos destinados a participar na eterna comunhão. A eterna comunhão de amor encontrada na Trindade. Aquela dor, aquele desejo interno que todos temos e nos move a fazer as coisas é uma procura do amor, do amor perfeito e só é encontrado na Trindade. E este perfeito amor da Trindade foi revelado, foi tornado visível através da Carne de Deus, da Encarnação do Verbo.

Os nossos corpos também tornam visível o mistério invisível de Deus. Os nossos corpos como homens e mulheres revelam esta eterna comunhão de amor e também revelam o nosso destino para tomar parte nessa eterna comunhão de amor.


O Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, disse: "Deus não quis corporificar a ideia do ser humano, num só tipo. Ao contrário, criou dois tipos para a sua representação. Portanto a ideia plena a respeito do ser humano está encarnada em ambos. Em sua totali­dade representam uma unidade. Consequentemente, o varão não é, em si, a realização plena da ideia do ser humano. O mesmo se diga da mulher. Ambos foram criados por Deus para formar uma unidade a dois." (Pedagogia Mariana do Matrimonio pg 47)  

sábado, 6 de setembro de 2014

CRIADOS PARA AMAR - TEOLOGIA DO CORPO

Comecei a me aprofundar sobre a Teologia do Corpo de João Paulo II há pouco mais de um ano e quanto mais eu estudo, mais me impressiono com as minhas descobertas sobre a beleza da Criação e o significado belíssimo de nosso corpo e de nossa sexualidade. 

A partir de hoje começarei a compartilhar um pouco mais sobre esta riqueza, inspirada por uma palestra que assisti online de Christopher West, um divulgador mundial da Teologia do Corpo, proferida em 28.11.03, na Universidade Católica Portuguesa. Recomendo o livro dele, "Teologia do Corpo para Principiantes", da editora Myriam.

Então vamos lá: a Teologia do Corpo é uma série de 129 catequeses dadas pelo Papa João Paulo II no período de 1979 a 1984, sendo um novo contexto para compreender a encíclica Humanae Vitae. "Os ensinamentos contidos na Humanae Vitae são uma luta pelo valor e significado da própria humanidade", sendo este documento uma reflexão sobre o significado da vida humana.  

A união conjugal e a relação sexual estão estritamente ligadas com a existência e a realidade da vida humana, pois se retirarmos uma só relação sexual da nossa árvore genealógica, nós e todos aqueles que descenderem daquele ponto não existiríamos.

Desta forma, as questões de moral sexual tocam na autêntica realidade e significado da existência humana. É por isso que João Paulo II diz em seu livro "Amor e Responsabilidade" que a confusão a respeito da moral sexual envolve o perigo de confundir os principais caminhos da existência humana.

João Paulo II sabia que se quisermos sair desta cultura de morte e construir uma cultura da vida não há nenhum ponto de partida mais verdadeiro do que a restauração do plano de Deus sobre a união do homem e da mulher numa só carne. Ela é a fonte da riqueza da cultura. "É o mais profundo fundamento da ética humana", diz o Papa. É por isso que disse em sua encíclica Evangelho da Vida: "É uma ilusão pensar que se pode construir uma verdadeira cultura da vida humana se não aceitarmos e viermos a sexualidade, o amor e a existência inteira de acordo com seu verdadeiro significado e sua íntima correlação." (Evangeli Vitae No. 97).

As questões da sexualidade estão intimamente relacionadas com as perguntas fundamentais que fazemos a cerca do significado de nossa existência. Por que eu existo? Como devo viver minha vida de forma a obter verdadeira felicidade? O que significa ser humano? Qual é o meu destino final e como o alcanço? Por que há mal no mundo e como eu o evito?

Como aprendemos na Teologia do Corpo estas questões estão intimamente ligadas com a forma de como vemos e vivemos a nossa sexualidade. E, no entanto, em nossa cultura, a palavra "sexo" tem que ser recuperada em nosso pensamento, pois tem sido tão corrompida e tão abusada. O sexo não é um verbo, mas um substantivo. É quem nós somos. Homens ou mulheres. Por isso quando fazemos a pergunta sobre o significado do sexo, estamos fazendo a pergunta sobre o significado da nossa criação como homens e mulheres. É isso que a Teologia do Corpo procura abordar: por que Deus nos fez homem e mulher e por que Ele chamou os dois para se tornar uma só carne?