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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A FORÇA LIBERTADORA DA ROTINA

 


Apesar de parecer contraditório, possuir uma rotina com horários fixos para fazer as coisas efetivamente nos torna mais livres para sermos quem fomos criados para ser.

A palavra “rotina” normalmente é associada a monotonia, a uma repetição sem sentido, da qual todos querem se livrar. Porém, a rotina traz ordem ao nosso dia e, de acordo com os neurocientistas, nosso cérebro é condicionado a buscar sempre a ordem, pois ela permite que ele tenha previsibilidade para executar tarefas.  Isso traz tranquilidade, gera serotonina que é um neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.

O problema da desordem

Quando estamos em um ambiente desorganizado, nosso cérebro tem duas opções: ou perdemos tempo para organizar primeiro para depois cumprir nossa tarefa, por exemplo, estudar ou cozinhar ou precisaremos nos esforçar muito mais para conseguir nos concentrarmos para realizar essa mesma tarefa no meio da bagunça.

Isso acontece também com a nossa agenda. Se não temos horários para cumprir nossos deveres, nosso cérebro está sempre em uma situação de alerta, de não saber o que vai acontecer depois, causando muito mais cansaço, esquecimentos e frustrações. Podemos verificar essa realidade facilmente na vida das crianças: aquelas que vivem numa rotina bem estruturada, com horários para tudo: acordar, brincar, comer, tomar banho, estudar, dormir, são crianças muito mais calmas e tranquilas do que aquelas que não tem essa rotina fixa.

Liberdade para grandes realizações

A ordem remete ao belo, então quando vivemos de uma maneira organizada, nossa mente fica mais aliviada e mais livre para sermos mais criativos, para acharmos soluções para os problemas e principalmente realizar nossos grandes objetivos da vida.

O primeiro passo rumo a essa liberdade é gastar um pouco do tempo para pensar e estipular uma rotina. Uma sugestão é elaborar uma agenda com períodos de 30 minutos e anotar o que você deve fazer naquele tempo determinado. Comece com o horário para se levantar e siga preenchendo até o horário estipulado para dormir. Claro que tarefas que exijam um tempo maior para ser realizadas ocuparão mais de um espaço nessa agenda.

Você pode começar estipulando a rotina de 2ª a 6ª, deixando, a princípio, os finais de semana mais livres. Porém, com o tempo, verá que é importante também estabelecer alguma ordem para o fim de semana, mesmo que não seja tão rígida como a da semana.

Depois, é importante se concentrar para realizar a tarefa determinada no tempo estipulado. Como dizia S. Josemaria Escrivá: “faz o que deves e estás onde fazes”. Ou seja, não adianta ter um horário estipulado para preencher um relatório se nesse tempo estou pensando no que preciso comprar no supermercado. Ou no tempo que estipulei para brincar com meus filhos, ficar pensando na reunião que terei no dia seguinte. Na hora do trabalho, eu trabalho. Na hora de fazer compras, eu organizo a lista e faço as compras. E assim por diante.

Para aqueles que tem muita dificuldade com estabelecer e cumprir uma rotina, uma dica é começar escolhendo um período do dia para colocar na prática. Por exemplo, organizar primeiro o período da hora de acordar até a hora do almoço. Pratique por um tempo essa rotina e quando estiver mais seguro, organize também o período da tarde. E por fim, o período da noite.

Uma vida bem vivida

Não é necessário muito tempo praticando a ordem na rotina para colher seus frutos de tranquilidade e de sensação de liberdade. O tempo é um dos maiores dons recebidos de Deus e empregá-lo bem, cumprindo fielmente o nosso dever, aquilo que estabelecemos para fazer naquele determinado momento, nos proporciona uma sensação maravilhosa de realização pessoal.

“Realiza o teu dever e ele te realizará”, nos diz D. Rafael Cifuentes. As pessoas mais felizes são aquelas que sabem que estão cumprindo bem o seu dever e por isso são mais fortes, conseguem resistir melhor aos imprevistos que a vida lhes apresenta.

Nosso tempo é finito. Chegará um momento em que ele acabará e deveremos prestar contas de nossa vida ao nosso Criador, por isso precisamos cuidar muito bem do que fazemos com ele. E como somos um organismo integrado, perceberemos que, cumprindo bem nossa rotina, outros aspectos da nossa vida também melhorarão, teremos mais facilidade de lidar com nossos defeitos e limitações, podendo, pouco a pouco, nos tornarmos pessoas mais virtuosas e chegarmos ao fim da nossa vida com a tranquilidade do dever bem cumprido.


photo credit: Photo by Covene on Unsplash

terça-feira, 26 de abril de 2016

A VISÃO CATÓLICA DO SEXO

Estamos rodeados por uma cultura muito erotizada, que banaliza o sexo e grita por aí: “Curta a vida! Faça sexo com quem você quiser, quando você quiser. Conceda o máximo de prazer a si mesmo e quando tiver usado e abusado dos seus amantes, jogue-os fora e troque-os por outros!” Essa é a mensagem da sociedade onde chamar uma mulher de recatada torna-se uma ofensa.

Muitas pessoas tem a visão equivocada que a Igreja Católica é uma entidade repressora, que condena o prazer, principalmente o prazer sexual. Porém estão completamente errados. Conforme Gregory Popcak explica em seu livro Beyond the Birds and the Bees, São João Paulo II mostrou claramente em sua Teologia do Corpo qual é a visão católica do sexo. Vamos explorar aqui algumas questões levantadas nesse livro.

O sexo estimulado por nossa cultura não é vital, porque é abertamente hostil à nova vida. Ao invés de vir de uma amizade espiritual profunda entre duas pessoas, ele procura substituir e subverter aquela amizade. Ele não melhora com o tempo (na verdade, ele enfraquece), porque nenhuma intimidade real pode existir na falta de uma amizade espiritual. Sem intimidade, qualquer relação sexual se torna, com o tempo, entediante e menos interessante. Ele não resiste ao conflito e ao stress porque nessa versão da sexualidade, o conflito não deveria existir, apenas o êxtase maravilhoso. E no primeiro sinal de problema, então, a paixão morre e o casal se separa.

Para a visão católica, esse tipo de sexualidade nem de longe expressa a verdadeira sexualidade. Ela é apenas erotismo e/ou masturbação na presença de outra pessoa. A versão verdadeira da sexualidade é aquela que Deus pretendeu quando nos deu nossa sexualidade. É infinitamente mais real, mais bonita e mais satisfatória do que essas imitações esfarrapadas que o mundo tenta nos impingir.

A sexualidade católica, oferece algo completamente diferente:

* oferece aos esposos a chance de amar e ser amado (ao invés de usar e ser usado) da maneira que mais ansiamos
* oferece ao casal a liberdade de serem divertidos e alegres de uma maneira que nunca é degradante ou humilhante
* permite que o casal experimente a relação sexual tanto como um sinal físico da paixão que Deus tem pelo casal como um prenúncio do êxtase divino que nos espera no Paraíso
* permite ao casal comunicar todo o seu ser físico, emocional, espiritual e relacional, um ao outro, todas as vezes que fazem amor
* convida o casal a renovar suas promessas matrimoniais com a “linguagem de seus corpos” – e celebrar seu sacramento – todas as vezes que fazem amor
* oferece proteção contra doenças e corações partidos
* encoraja o casal a celebrar um amor tão poderoso, tão profundo, que em muitos casos, “o amor precisa receber seu próprio nome em nove meses”
* encoraja o casal a considerar em oração os planos de Deus para suas vidas a cada mês, perguntando se Deus os está chamando para expandir sua “comunidade de amor” ao estarem abertos a adicionar mais uma vida a sua família
* desafia a capacidade de vulnerabilidade do casal e os ajuda a superar a culpa básica que toda a humanidade experimentou depois do pecado original. Ela contribui para preparar que eles permaneçam, completamente expostos, ante nosso divino Amante quando chegarem ao Banquete Nupcial do Cordeiro com Deus – no Paraíso.

O discurso da Igreja sobre o sexo é mais ou menos esse: “É claro que você deve se divertir e curtir a vida. Para fazer isso, você deve ter certeza de encontrar um parceiro que possa amá-la apaixonadamente, respeitosamente, poderosamente e em oração da mesma forma que o próprio Deus quer que você seja amada. Encontre alguém que pense, fale e aja como se você fosse seu maior tesouro. Então mantenha aquela pessoa para o resto de sua vida como seu grande tesouro ao lado de Jesus Cristo e sua própria vida. Encontre um amante que queira ajudá-la a se tornar a pessoa que Deus criou você para ser, que olhe para você e veja seus filhos ainda não nascidos em seus olhos e que saiba controlar a si mesmo para que você não se sinta usada ou ameaçada e então você possa se doar totalmente. Encontre alguém que encoraje você em todas as coisas que você quiser fazer e todas as coisas que Deus está lhe chamando a ser.”

A sexualidade católica é difícil de viver. Ela envolve disciplina, trabalho, sacrifício, autocontrole, mas também é a única forma de viver a sexualidade onde alguém possa esperar encontrar verdadeira alegria, verdadeiro amor divino, verdadeira realização, verdadeira confiança, verdadeira vitalidade e verdadeira felicidade.


photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/12239756@N03/22136529849">IMG_8433</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>