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quarta-feira, 2 de junho de 2021

A SANTA MISSA: UMA MÁQUINA DO TEMPO

 



Nestes tempos de pandemia, onde muitos de nós fomos privados de participar da Santa Missa e outros, infelizmente, já se acostumaram com a “missa virtual”, gostaria de lembrar o que realmente acontece nesse momento tão especial, de acordo com a doutrina da Igreja.   

A Santa Missa pode ser dividida em duas grandes partes: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, tendo como seu ápice a transubstanciação, quando o pão se torna corpo e o vinho se torna o sangue de Jesus Cristo e onde somos convidados a comungarmos desse corpo, sangue alma e divindade de Jesus, tornando-nos uma só carne com ele, nosso divino Salvador.

Gostaria de focar nossa reflexão sobre a liturgia eucarística. Assim que que ela começa e o sacerdote nos convida a elevar nossos corações, tem início à chamada “comunhão dos santos”, ou seja, a união da Igreja Militante (nós que estamos ainda aqui nesta terra), a Igreja Padecente (as almas que estão no Purgatório) e a Igreja Triunfante (as almas, os santos que já estão no Céu).

Quando respondemos: “o nosso coração está em Deus”, é como se o Céu se abrisse e nós nos transportássemos até lá, para depois nos unir aos anjos e santos para louvar a Deus, cantando ou dizendo: Santo, santo, santo...

Logo depois, o sacerdote inicia a oração eucarística, pedindo ao Pai, que santifique as oferendas do pão e do vinho que estão no altar e que irão se transformar no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo, com a força do Espírito Santo. Nesse momento, ao ouvir a sineta, os fiéis se ajoelham e são transportados no tempo, para o local e o momento da Última Ceia. Apesar de nossos sentidos não perceberem, acontece essa verdadeira “viagem no tempo” e, a partir daquele momento, o sacerdote já não é mais ele, mas sim o próprio Jesus e todos os participantes estão realmente presentes naquele momento sagrado.

Quando Jesus, utilizando-se da voz do sacerdote, diz “Isto é o meu Corpo”, a hóstia se transforma realmente no Corpo de Jesus e então já não estamos mais na Última Ceia, mas sim aos pés da Cruz no Calvário. Nesse momento, somos testemunhas do sacrifício de amor infinito que Jesus fez por cada um de nós, morrendo na Cruz.

Se prestarmos atenção nos gestos do sacerdote/Jesus poderemos captar um pouco mais da beleza infinita desse momento. Da mesma forma que Jesus, na cruz, primeiro inclinou a cabeça e depois, entregou seu espírito, dando seu último suspiro (Jo 18,1), o sacerdote primeiro se inclina sobre a hóstia e depois pronuncia as palavras da consagração, sendo o suspiro do sacerdote o mesmo suspiro de Jesus, transformando a hóstia em Corpo e o vinho em Sangue.

É importante salientar que na cruz, o sacrifício foi consumado pelo sangue sendo separado do corpo de Cristo fisicamente, quando o soldado usou a lança e abriu uma chaga no lado de Jesus, de onde jorraram sangue e água. Na Santa Missa, o sacrifício é consumado pelo sangue sendo separado do corpo de Cristo sacramentalmente, por isso são consagrados separadamente, primeiro o corpo, depois o sangue.

O Céu, a terra e o purgatório nesse momento estão unidos, testemunhando esse gesto de amor incomparável que redimiu toda a humanidade. O sacrifício do Filho, ao Pai, com a presença do Espírito Santo, a Trindade derramando torrentes de amor sobre toda a humanidade. É um momento tão sublime, que se pudéssemos captar algo com nossos sentidos, como alguns santos puderam, não poderíamos parar de chorar. 

A liturgia segue com as orações pelos fiéis presentes, pelos fiéis defuntos, pela Santa Igreja e seus ministros e para que todos, possam, um dia, participar da vida eterna com todos os anjos e santos que continuam ainda ali presentes, louvando e glorificando a Santíssima Trindade.

Chega então o momento mais esperado, quando cada um de nós é convidado a participarmos desse sacrifício de amor, a nos unirmos intimamente com Jesus, tornando-nos um só corpo com Ele. É um mistério insondável como o próprio Deus quis se unir dessa forma conosco, suas criaturas pecadoras. Ele se deu inteiramente a nós, sem reserva, e o melhor que podemos fazer para retribuir tamanha graça, é nos entregarmos inteiramente a Ele.

Esse momento tão sublime deve ser seguido de uma profunda ação de graças por parte de cada um de nós. Aproximadamente nos próximos 15 minutos depois que comungamos, Jesus está ali fisicamente conosco, então devemos aproveitar ao máximo essa presença, nos entregando a ele, agradecendo por esse momento e fazendo nossos pedidos, principalmente o de sermos filhos fiéis e amorosos.  

Vejamos o que nos falam alguns santos sobre a Santa Missa:

“Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece em ouvir devotamente uma só Missa do que distribuir todas as riquezas aos pobres e a peregrinar toda a terra” S. Bernardo

“Nosso Senhor nos concede tudo o que lhe pedimos na Santa Missa: e o que mais vale é que nos dá ainda o que nem sequer cogitamos pedir-lhe e que, entretanto, nos é necessário” S. Jerônimo

“Se conhecêssemos o valor do Santo Sacrifício da Missa que zelo não teríamos em assistir a ela!” S. Cura D´Ars

O Maravilhoso Valor da Santa Missa

“Na hora da morte, as Missas que houveres assistido serão a tua maior consolação. Toda Missa implora o teu perdão junto da justiça divina. Em toda Missa, podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados, e diminuí-la mais ou menos consoante o teu fervor. Assistindo com devoção à Missa, prestas a maior das honras à santa humanidade de Jesus Cristo. Ele compadece-se de muitas das tuas negligências e omissões. Perdoa-te os pecados veniais não confessados, dos quais, porém, te arrependeste. Diminui o império de Satanás sobre ti. Sufraga as almas do purgatório da melhor maneira possível. A missa preserva-te de muitos perigos e desgraças que te abateriam. Toda Missa diminui o teu purgatório. Toda Missa alcança-te um grau de glória maior no céu. Na Missa, recebes a bênção do sacerdote, a qual Nosso Senhor ratifica no céu. És abençoado em teus negócios e interesses pessoais. (livro As 15 Orações de Santa Brigida)

Depois de refletir sobre o valor da Santa Missa, que compromisso mais importante do que esse você pode ter no seu dia? Vamos nos esforçar para participarmos o mais frequente possível da Santa Missa, lembrando que a chamada “missa virtual” não se equipara à missa presencial, sendo apenas um momento de oração e não tendo o poder de nos transportar ao Calvário, como acontece quando estamos fisicamente presentes junto ao sacerdote.


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

OS SAPATOS VERMELHOS DO PAPA


 

Olhando as imagens do funeral de S. João Paulo II, mais uma vez me deparei com os sapatos vermelhos do Papa. Sempre achei que eram muito bonitos, mas não sabia de seu profundo significado. Recentemente aprendi que a cor vermelha dos sapatos do Sumo Pontífice nos recorda do amor de Cristo por sua Igreja pois derramou seu sangue por ela e também do sangue de todos os mártires que deram sua vida por amor a Cristo e a sua Igreja.

Desta forma, quando o Papa usa os sapatos vermelhos está nos lembrando que a Igreja está edificada sobre o sangue de Jesus e o sangue dos mártires! O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2473, nos ensina: “O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até à morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um ato de fortaleza. «Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus» (Sto. Inácio de Antioquia)”

Os mártires têm sua inteligência iluminada pela luz natural da razão e a luz sobrenatural da fé que lhes diz que a verdadeira vida e a verdadeira felicidade estão no Céu, junto a Nosso Senhor Jesus Cristo e que não vale a pena trocar a felicidade eterna por mais alguns anos de vida nessa terra. Assim, dar a vida para testemunhar sua fé em Jesus é a escolha mais lógica a se fazer. 

Na audiência pública do dia 25/09/2019, a qual eu tive a alegria de estar presente, o Papa Francisco nos disse: “A Igreja de hoje é rica de mártires. Hoje há mais mártires do que no tempo do início da Igreja. Os mártires estão em todos os lugares. A Igreja é irrigada pelo sangue deles que é a semente de novos cristãos e garante crescimento e fecundidade ao povo de Deus. Os mártires não são "santinhos", mas homens e mulheres de carne e osso que, como diz o Apocalipse, “lavaram suas vestes, tornando-as brancas no sangue do Cordeiro". Estes são os verdadeiros vencedores.” 

Segundo levantamento do site World Watch List de 2020, oito cristãos são mortos e dez são presos injustamente todos os dias virtude de sua fé e 182 igrejas cristãs são atacadas todas as semanas. Esses números são expressivos e quase não são noticiados. Apenas quando acontecem em grandes cidades do Ocidente, como foi o caso das três pessoas mortas a facadas por um adepto do islamismo na cidade francesa de Nice no fim do mês de outubro, é que recebemos alguma informação. 

Será que nós estamos preparados para dar a vida por nossa fé? Ou se chegar esse momento, renegaremos a Cristo para não perdermos a nossa vida? Claro que por nós mesmos, não conseguimos nada. Quem dá a graça da perseverança até o fim é o próprio Jesus. Mas isso não significa que devemos ficar esperando a graça sem fazermos nada. Podemos e devemos nos preparar para defender a nossa fé a qualquer custo. 

Essa preparação se dá primeiramente com uma vida de oração constante e com a frequência aos sacramentos, especialmente a confissão e a eucaristia. O estudo da doutrina católica e do magistério da Igreja também nos fortalece. Ler a biografia de tantos santos que deram sua vida por Jesus pode ser uma grande inspiração. 

Nem todos seremos chamados ao martírio de sangue, isso também é um privilégio reservado a alguns escolhidos, de acordo com a amorosa providência de Deus Pai. Porém, no mundo em que vivemos, em alguma medida cada um de nós, cristãos, passa por algum tipo de martírio. Viver segundo o Evangelho significa valorizar mais o ser do que o ter; significa renunciar a si mesmo, aos nossos gostos e desejos para fazer o bem para o outro; significa ser contrário a tantas ideologias que estão na moda ou são “politicamente corretas” e isso pode resultar em perda de amizades, dificuldades no trabalho e às vezes dentro da própria família. 

Não devemos desanimar com o sofrimento e as dificuldades. Devemos contar com a ajuda sempre pronta de nosso santo anjo da guarda que quer nos ver no Céu, um dia. Temos uma Mãe Santíssima que cuida de nós com amor infinito. E o próprio Jesus nos encoraja: “Mas quem perseverar até o fim, será salvo!” Mt 10,22


photo credit: Beyond Forgetting <a href="http://www.flickr.com/photos/23342600@N00/8226888">POPE JOHN PAUL II</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

sexta-feira, 5 de junho de 2020

PREPARAR OS FILHOS PARA O MARTÍRIO


Eu sempre me impressionei com a história da mãe e de seus sete filhos narrada em 2 Macabeus, capítulo 7. O relato bíblico nos conta que, para não ceder à pressão do rei e comer carne de porco que era proibida para os judeus, a mãe viu cada um de seus filhos serem torturados e mortos, sendo por fim, martirizada também. Um dos trechos que me chama a atenção é o seguinte:

“Ela, vendo morrer seus sete filhos num só dia, suportou tudo corajosamente, esperando no Senhor. Ela encorajava cada um dos filhos, na língua de seus antepassados. Com atitude nobre, e animando sua ternura feminina com força viril, assim falava com os filhos: ‘Não sei como vocês apareceram em meu ventre. Não fui eu que dei a vocês o espírito e a vida, nem fui eu que dei forma aos membros de cada um de vocês. Foi o Criador do mundo, que modela a humanidade e determina a origem de tudo. Ele, na sua misericórdia, lhes devolverá o espírito e a vida, se vocês agora se sacrificarem pelas leis dele.’” (2Mc 7, 20-23)

Que fé extraordinária possui essa santa mulher! Sabemos que o instinto materno tende a proteger os filhos de todo o sofrimento, mas ela, pensando no bem maior, na felicidade eterna de seus filhos, os encorajou ao martírio!

Isso me faz pensar até que ponto eu, como mãe, estou preparando meus filhos para um eventual martírio. Não falo aqui necessariamente de um martírio sangrento, de dar a vida pela fé em Jesus Cristo (apesar que, nos tempos difíceis e extraordinários em que vivemos, essa não é uma hipótese tão absurda). Mas talvez de um martírio da própria reputação, um martírio de ser considerado fundamentalista, radical, louco... Até que ponto meus filhos (e nós também, como pais) estão dispostos a abrir mão de ter a tranquilidade e paz daqueles que seguem os ensinamentos do mundo para viver a radicalidade exigida no seguimento de Jesus?

Essa entrega total só é possível se temos uma fé sólida no amor infinito que Deus Pai tem por cada um de nós e de que a felicidade completa só teremos quando chegamos no Céu. Para isso precisamos basicamente de duas coisas: oração incessante pedindo o dom da fé (“eu creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”) e o aprofundamento na vida e nos ensinamentos de Jesus. Só podemos amar quem conhecemos. Só nos sentiremos amados se meditarmos e enxergarmos o que Jesus fez por nós, fez por mim, ao se entregar livremente para ser torturado e morto na cruz.

Assim é importante, desde que os filhos são pequenos, a mostrar para eles como são amados por Deus, como são preciosos aos olhos de Deus, o quanto Jesus sofreu para que eles pudessem estar, um dia, no Céu. Conforme eles vão crescendo, devemos estimular que tenham também um relacionamento pessoal e íntimo com o Senhor, através da oração pessoal e frequência aos sacramentos, afinal, Deus não tem netos, só filhos...

Devemos também estudar a doutrina da Igreja, as razões da nossa fé, o porquê defendemos determinada causa ou somos contra outras. Nossa inteligência precisa ser iluminada pela luz natural da razão e pela luz sobrenatural da graça. As duas coisas andam juntas. Nossa fé tem fundamento racional, na inteligência, não é apenas um “sentimento”. Sem alimentarmos esse lado racional da nossa fé, na hora da tentação, na hora que precisamos justificá-la ou tomar um posicionamento mais firme, podemos fraquejar. “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade”, nos ensina o S. João Paulo II. Todo esse estudo deve ter como objetivo sempre a busca da Verdade, que é o próprio Jesus Cristo. “Conhecerão a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

Desta forma, com uma vida de oração e de busca da verdade, com a força e as graças que recebemos através dos sacramentos, especialmente da Confissão e da Eucaristia, nós e nossos filhos estaremos preparados para enfrentarmos as dificuldades que o mundo nos apresenta e até o martírio, se assim estiver nos planos amorosos do Pai.



photo credit: babasteve <a href="http://www.flickr.com/photos/64749744@N00/25941203631">Easter Week No. 5</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O SACRIFÍCIO QUE ADÃO NÃO FEZ


Scott Hahn, em seu livro “Primeiro, é o Amor”, apresenta um ponto de vista muito interessante sobre o que teria sido o pecado original e que pode ser a chave para que nós consigamos entender a influência que essa herança que recebemos de nossos primeiros pais tem em nossa vida hoje.

Em Gênesis 2,15 está escrito: “Javé Deus tomou o homem e o colocou no Jardim de Éden, para que o cultivasse e guardasse. Aqui vem a primeira reflexão: por que Adão precisaria guardar, proteger o Paraíso? Ou melhor, quem seria uma ameaça a Adão? Certamente Deus já estava avisando que o Demônio poderia tentar acabar com sua criação predileta.

E a narração continua: “E Javé Deus ordenou ao homem: ‘Você pode comer de todas as árvores do jardim. Mas não pode comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, com certeza você morrerá”. (Gn 2,16-17) A morte a que Deus se refere é muito pior do que a morte física, à qual Adão estava imune até aquele momento, mas a morte que corresponde a uma alma atolada em paixões e maldades de todo tipo, a morte da inimizade com Deus. 

Chega então o momento da prova: a serpente entra no jardim e faz a proposta para Adão e Eva desobedecerem a Deus. Aqui precisamos destacar que a serpente era seguramente um animal imponente e mortífero. Em outras partes do Antigo Testamento essa mesma palavra que aqui é traduzida como serpente, é usada como dragão (Is 27,1) ou monstro marinho (Jó 26,13). 

Assim, podemos entender que a Serpente, terrível monstro que poderia efetivamente matar os dois, fez uma ameaça quando disse “vocês não morrerão” (Gn 3,4) se comerem o fruto, mas se não comerem, morrerão, porque eu irei mata-los.

Agora vemos sob outra perspectiva a decisão que Adão precisava tomar: ou ele permanecia fiel à Deus e aceitava ter seu corpo morto pela serpente, ou desobedecia, quebrava a Aliança, e aceitava aquele outro tipo de morte, a morte da desordem da alma e da inimizade com Deus. E o que Adão fez? Ficou calado e deixou que Eva continuasse a conversa com o demônio.

Adão não respondeu à serpente e também não pediu ajuda a Deus. “Por orgulho e por medo, manteve-se silencioso. E junto com sua mulher desobedeceram ao mandato divino. Isso (...) é falta de fé, esperança e amor. Os medos de Adão o fizeram afastar do seu dever de custodiar o paraíso. Impediram-no de confiar no seu Pai Deus e caíram sobre ele na forma de orgulho. (...) Conhecendo o poder da serpente, foi incapaz de oferecer a sua vida, por amor de Deus, ou mesmo salvar a vida da sua amada. Recusar o sacrifício, foi este o pecado original de Adão. Cometeu-o mesmo antes de provar o fruto, mesmo antes de Eva o fazer.”(pg. 61)

Recusar o sacrifício, não querer se doar por amor, pensar em primeiro lugar em si mesmo e no seu bem estar, ou seja, o egoísmo, esse é a raiz de todo pecado. Por isso todos nós temos essa tendência ao egoísmo e precisamos lutar a vida inteira para matar o egoísmo em nós e deixar crescer nosso amor a Deus e ao próximo. 

Desta forma nosso grande exemplo é Jesus Cristo, o novo Adão. Ele veio ao mundo para se doar por amor por todos nós, para cumprir o sacrifício que Adão não fez e assim abrir novamente o Céu para cada um de nós. 

Todos nós nascemos 100% egoístas. O recém nascido exige todo o cuidado, pois o mundo está centrado nele, em suas necessidades. Quer tudo para si, não sabe renunciar nada em favor dos outros. Conforme a criança cresce, deve aprender a fazer pequenos sacrifícios, esperar, adiar um desejo, em benefício dos outros. E essa luta contra o egoísmo deve permanecer por toda a vida. Devemos diariamente pedir a ajuda de Deus, com o apoio de nosso santo anjo da guarda, de sermos menos egoístas, para podermos amar mais e melhor.

photo credit: _foobar_ <a href="http://www.flickr.com/photos/40831125@N03/40737206985">Wooden dragon</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>