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segunda-feira, 18 de julho de 2022

MEDITAÇÃO DA VIDA DIÁRIA: OUVIDO NO CORAÇÃO DE DEUS

 

Oração mental, oração íntima, lectio divina, oração meditativa, leitura orante, meditação da vida diária, todos esses são termos equivalentes para descrever um tipo de oração sem a qual não é possível crescer na vida cristã. É a forma de oração que nos coloca em contato mais pessoal com nosso Pai e Senhor. Cada um desses termos, desenvolvidos por diferentes fundadores, tem suas particularidades e modo de execução, mas o objetivo é o mesmo: encontrar Deus, conhecê-lo, para poder melhor amá-lo e servi-lo.

O Catecismo da Igreja Católica, nos parágrafos 2705 a 2708, descreve o que é a meditação católica: “A meditação é sobretudo uma busca. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e corresponder ao que o Senhor lhe pede.” (CIC 2705)

“Meditar no que se lê leva a assimilá-lo, confrontando-o consigo mesmo. Abre-se aqui um outro livro: o da vida. Passa-se dos pensamentos à realidade. Segundo a medida da humildade e da fé, descobrem-se nela os movimentos que agitam o coração e é possível discerni-los. Trata-se de praticar a verdade para chegar à luz: «Senhor, que quereis que eu faça?»” (CIC 2706).

A meditação põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Esta mobilização é necessária para aprofundar as convicções da fé, suscitar a conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir a Cristo” (CIC 2708)

A falta de uma vida de oração meditativa pode ser a causa porque muitas pessoas que são piedosas, recebem a Eucaristia diariamente, rezam bastante as orações vocais como o santo terço, novenas, exercem seu apostolado, se confessam regularmente, não melhoram como pessoas, não crescem nas virtudes.

Todos esses meios são muito bons e ajudam a crescer na fé e nas virtudes, porém precisam estar ligados ao encontro pessoal com Deus, a enxergar a Verdade na sua vida, caso contrário não produzem esses frutos.

Vejamos mais um parágrafo do Catecismo da Igreja Católica sobre a oração:

A maravilha da oração revela-se precisamente, à beira dos poços onde vamos buscar a nossa água: aí é que Cristo vem ao encontro de todo o ser humano; Ele antecipa-Se a procurar-nos e é Ele que nos pede de beber. Jesus tem sede, e o seu pedido brota das profundezas de Deus que nos deseja. A oração, saibamo-lo ou não, é o encontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d'Ele” (CIC 2560)

É através da oração meditativa que podemos saciar um pouco da sede que nossa alma tem de Deus e muitas vezes nem nos damos conta. “Inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti”, nos disse Sto. Agostinho. É nesse encontro pessoal com o Senhor que também podemos saciar a sede que Deus tem do nosso amor, de nossa disponibilidade de passar um tempo com Ele, de nossa docilidade ao Espírito Santo para cumprir Sua amorosa vontade.

Frei Antonio Royo Marin, que foi um grande diretor espiritual de muitas almas, é enfático: “A experiência confirma com toda a certeza e evidência que absolutamente nada pode suprir a vida de oração, nem sequer a recepção diária dos santos sacramentos[1]

A meditação da vida diária, conforme proposta pelo Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt faz parte desse tipo de oração mencionada pelo Fr. Royo Marin. Esse tipo de oração não busca um maior conhecimento intelectual, mas parte dele para buscar a Verdade, que é Deus, e ao encontrá-la, especialmente ao encontrá-la em nossa vida diária, poder crescer no amor a Ele.

A matéria desse tipo de oração parte de um acontecimento da vida, que pode ser desde um simples perder a hora de acordar, ou enfrentar um trânsito inesperado até acontecimentos mais marcantes como a perda de um emprego ou a morte de uma pessoa querida.

Deus quer falar conosco todos os dias. Ele nos ama com amor infinito e quer demonstrar esse amor para que possamos percebê-lo e senti-lo. E Ele usa de todos os meios para chamar nossa atenção: a natureza, as pessoas, o clima, e cada acontecimento de nossa vida, permitidos por Ele. Nós só precisamos abrir os olhos e o coração para enxergá-los.

Assim, a meditação da vida diária proposta pelo P. Kentenich consiste em reservar alguns minutos do seu dia para se colocar em diálogo com Deus, partindo de um acontecimento da sua vida. É preciso uma preparação para esse encontro, da mesma forma que nos preparamos para encontrar com uma pessoa que amamos e que queremos escutar.

Como se trata de um diálogo sobrenatural, precisamos também preparar o ambiente, com imagens que nos remetam a esse mundo sobrenatural, podemos ter também o auxílio de músicas espirituais, como o canto gregoriano ou alguma música instrumental ou ainda de uma vela acesa.

Depois, acalmamos nosso coração, tentando afastar as distrações de nossas preocupações e nos colocamos na presença de Deus, invocando o Espírito Santo. A partir daí refletimos sobre o acontecimento que previamente escolhemos e podemos usar 3 perguntas propostas pelo P. Kentenich para ajudar nessa reflexão:

 

1.     O que Deus quer me dizer com isso? (através desse fato ou circunstância)

2.     O que digo a mim mesmo?

3.     O que respondo a Deus?

 

Ao refletirmos tentando responder essas perguntas, podemos perceber Deus falando conosco através desse acontecimento. É um momento de encontro com Deus em nossa vida, então depois de conversarmos um pouco com ele, pensando em como podemos responder a esse chamado para amá-lo, fazemos uma pequena ação de graças e já ficamos na expectativa do próximo encontro.

Dessa forma, de acontecimento em acontecimento, vamos crescendo no amor por começarmos a ver Deus agindo em nossa vida, mesmo que essa ação signifique permitir uma dor ou sofrimento. E quanto mais colocamos na prática essa forma de oração, mais crescemos em nossa vida interior, fortalecendo as raízes de nossa alma para enfrentar qualquer dificuldade que possa se apresentar para nós. E ainda conseguimos uma tal estabilidade emocional que podemos ser abrigo para muitas pessoas.

 



[1] Antonio Royo Marín, Teología de la perfección cristiana. Madrid: BAC, 1954, p. 664, n. 499. 

Photo by John Cameron on Unsplash

segunda-feira, 4 de julho de 2022

PREPARAÇÃO PARA A MEDITAÇÃO: OUVIDO NO CORAÇÃO DE DEUS

 


Continuando nossa série de artigos sobre a meditação da vida diária, conforme ensinado pelo Pe. Kentenich, hoje trataremos do tema da preparação para a meditação. “O enfoque de nosso Pai e Fundador é meditar onde nos encontramos com Deus e como nos encontramos com Deus”, nos explica o Pe. Humberto Anwandter.

Para perceber esse atuar de Deus em nossas vidas é preciso nos deter, parar para contemplar, para nos encontramos com o Pai, que, como diz a fé prática na divina providência, cuida de todos os acontecimentos da história mundial, mas também da história da minha vida. Todo encontro mais pessoal e profundo, exige uma certa preparação. Ainda mais vivendo da forma agitada como acontece em nosso mundo, seria ilusão pensar que é possível passar da plena atividade diretamente para um diálogo íntimo com Deus.

Assim, existe uma tríplice preparação para a meditação: a preparação remota, a preparação próxima e a preparação imediata.

Preparação remota

A preparação remota diz respeito a algumas atitudes prévias que precisamos conquistar para conseguirmos fazer uma boa meditação. A primeira delas é reservar um tempo para meditar, pois todo encontro de amor requer um tempo. E não basta dizer: “amanhã farei meus 15 minutos de meditação”. Isso é muito vago e nossa tendência é procrastinar. Então o ideal é efetivamente marcar um horário na nossa agenda, por exemplo, das 08:00 às 08:15 e cumprir esse horário.

Como nossas agendas normalmente são muito cheias, reservar esse tempo para meditação pressupõe deixar alguma coisa de lado. Como diz o Pe. Rafael Fernandez: “Sejamos realistas: sem renúncia ou um melhor ordenamento de nossa agenda diária, não será possível contar com o tempo necessário para um encontro mais profundo com o Senhor. (...) Se não damos espaço aos ‘encontros de amor’ com Deus; se não cultivamos nosso amor a Ele, então nosso contato pessoal com Ele também irá esfriar, se tornará cada vez mais distante e impessoal, até desaparecer. (...) Dar um espaço para a meditação impede que isso aconteça.”

Para nos introduzirmos na prática da meditação é necessário também possuir uma capacidade contemplativa, ou seja, a capacidade de assombrar-se e maravilhar-se diante das coisas. É similar a capacidade que crianças possuem de olhar, por exemplo, uma borboleta e se encantar com os seus movimentos, suas cores, o bater de suas asas...

Em geral nós olhamos as coisas e as pessoas de um ponto de vista de sua utilidade prática, nos colocando no centro. Além disso o excesso de estímulos que recebemos diariamente através das diferentes telas (celular, computador, televisão), nos atrapalha a parar para observar e admirar as coisas e as pessoas que nos cercam.

Precisamos aprender a “nos deter ante a realidade que nos rodeia; a reparar nos detalhes; ir mais além da superfície; a contemplar em seu conjunto e em seu significado o que observamos, seja uma coisa, uma pessoa ou um acontecimento”, nos ensina o Pe. Rafael Fernandez. Para isso precisamos, aos poucos, ir treinando o nosso olhar e começar a fazer esse pequeno exercício de contemplação, um pouquinho a cada dia.

Mais um passo importante da preparação remota é dar espaço aos valores do coração. Como dizia S. João Paulo II fomos criados para amar, não simplesmente para produzir ou organizar. O Pe. Kentenich também insistia na importância do organismo de vinculações, ou seja, o cultivo dos vínculos de amor pessoais, tanto na ordem natural como na sobrenatural. A meditação, como escola de amor, como meio de aprofundar nossa vinculação pessoal a Deus, nos ajuda a desenvolver e fortalecer essa capacidade de amar que é infundida, como semente, em nosso ser.

Por fim, é necessário também reavivar nossa fé na divina providência, pois através da meditação queremos nos encontrar com Deus, por isso é imprescindível ter fé em Deus. Então tudo o que afirma e fortifica nossa fé, redunda em uma maior possibilidade de encontrar a Deus na meditação. Os meios que podemos utilizar para aumentar a nossa fé são os sacramentos, especialmente o da confissão e o da eucaristia, além da leitura da Palavra de Deus. É importante lembrar que devemos sempre rezar pedindo para aumentar a nossa fé. Essa é a única oração que podemos ter plena certeza que será atendida imediatamente.

Preparação próxima

O Pe. Kentenich ensina que a preparação próxima para a meditação são nossas práticas espirituais, o que ele denomina de “pausas criadoras” de oração (momentos curtos nos quais elevamos nosso espírito ao Senhor) no meio do dia de trabalho.

A oração é a “respiração da alma”, assim se não rezamos, nosso espírito morre, perdemos o contato com o mundo sobrenatural. Pensamos em primeiro lugar na oração da manhã e na oração da noite, que devem ser feitas de maneira bem consciente, oferecendo todo nosso dia de trabalho e depois agradecendo o dia que passou. O livro de orações Rumo ao Céu tem a oração da manhã (RC 3 – 17) e a oração da noite (RC 357 – 385) escritas pelo próprio Pe. Kentenich e que podemos usar em nosso dia a dia.

Além dessas orações que marcam o início e o fim de cada dia, devemos complementar com as “pausas criadoras”, essas pequenas demonstrações de amor e carinho com Deus, com as pessoas do mundo sobrenatural. Elas podem ser feitas com as jaculatórias, que tem origem do latim e significam “flechas atiradas”. Assim, as jaculatórias são como flechas de amor que atiramos para o Céu, para atingir o coração de Deus. Alguns exemplos de jaculatórias: “Jesus eu confio em Vós”; “Ave Maria por tua pureza conserva puro meu corpo e minha alma”; “Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”, etc. Você pode criar sua própria jaculatória favorita ou simplesmente ao longo do dia, dizer: “Jesus eu te amo”.

“As pausas criadoras, intercaladas com os afazeres cotidianos, tal como as concebe o Pe. Kentenich, são uma ajuda privilegiada que nos permite manter viva a presença e o amor de Deus em meio às nossas atividades.”  (P. Rafael Fernandez)

Outra prática que pode constituir uma “pausa criadora” é cumprimentar a Jesus Eucarístico sempre que passamos em frente a uma Igreja. Ou até desviar um pouco o caminho que fazemos para propositalmente passar em frente a uma Igreja só para poder falar “oi” pra Jesus, com um sinal da cruz.

“Como o pássaro não abandona seu ninho, nosso amor gira ao redor dos tabernáculos sagrados. Onde a lâmpada sagrada flameja e não se apaga, nossas almas ardem por desposar-se contigo” (RC 163-164).

Mais exemplos são: olhar um crucifixo, saudar uma imagem de Maria ao entrar ou sair de casa, ou quando mudamos de atividade; uma comunhão espiritual; beijar nossa medalha de consagração, etc. Pe. Rafael Fernandes nos ensina que “a forma e o conteúdo dessas pequenas pausas criadoras dependem de nosso temperamento e de nossa relação com Deus.”

Por fim, o Pe. Kentenich destaca a importância do momento em que nos dispomos a dormir: “A preparação para a meditação é, talvez, o mais importante. Começa pela noite, na preparação que fazemos durante a oração da noite; sua culminância está nos minutos antes de dormir. Pouco antes de dormirmos deveríamos ter claro quando e para que vamos nos levantar na manhã seguinte.”

Preparação imediata

A preparação imediata se refere ao momento da meditação propriamente dita. A primeira coisa necessária é um lugar adequado, para podermos nos encontrar com o Senhor, devendo ser uma atmosfera propícia para esse encontro. A realidade de cada pessoa é que vai determinar esse lugar, podendo ser seu próprio quarto ou seu escritório, antes de começar o trabalho, ou uma igreja ou o próprio Santuário ou seu Santuário-lar. O mais importante é que o local escolhido nos assegure um grau razoável de tranquilidade.

“Todo encontro de amor requer um contexto e um ambiente adequados” nos diz o P. Rafael Fernandez, assim ajuda a entrarmos nessa atmosfera de meditação se tiver uma imagem religiosa, algum símbolo, uma vela, etc, ou seja, coisas que ajudem nossos sentidos a nos colocarmos em contato com o mundo sobrenatural.

É necessária também uma postura corporal adequada, seja ela sentada, em pé ou ajoelhada. Todavia se a postura que escolhemos nos causa um certo desconforto que atrapalha nossa concentração, então ela não é adequada.

Por fim, o tempo que escolhemos para meditar é importante e depende da realidade de cada um. Para alguns, o melhor é logo de manhã, para outros, o período noturno é o mais apropriado, outros ainda, preferem uma pausa no meio do dia. O que conta é que seja um tempo apto para realizarmos nosso propósito de meditação, assim não podemos estar muito cansados, com sono ou preocupados com os afazeres.

Com relação a duração da meditação, no início pode ser de 10 a 15 minutos e depois, conforme fomos adquirindo o hábito, pode passar a ser de 20 a 30 minutos.

“Por que acontece com frequência que simplesmente não conseguimos meditar? Uma causa pode ser o desconhecimento da verdadeira oração. Muitos pensam que o sentido de uma oração autêntica está no trabalho da cabeça. Isto não está certo. O mais importante é que a vontade e o coração estejam entregues a Deus. Outra razão é a falta de magnanimidade. Buscamos com uma unilateralidade demasiada o consolo de Deus e não o Deus do consolo. Pensamos que se não sentimos consolo nenhum, a prática da oração é uma perda de tempo. Outra causa reside no fato de que damos pouca importância à preparação remota. Nossa vida deve possuir o seguinte ritmo: os tempos de oração são a oração antecedente, a vida prática é a oração consequente. Durante o dia devo cuidar para me desprender, por manter meus sentidos em recolhimento, por conservar uma atitude humilde perante Deus. Se não faço isso, seria um verdadeiro milagre que minha meditação fosse boa. Digo mais uma vez: quem vive a santidade da vida diária protege qualitativamente as práticas de oração.” (P. Kentenich)

Caso você tenha alguma pergunta ou comentário sobre a prática da meditação da vida diária, pode enviar para o email: ouvidonocoracaodedeus@gmail.com

Photo by Olivia Snow on Unsplash

segunda-feira, 27 de junho de 2022

OUVIDO NO CORAÇÃO DE DEUS: O DESAFIO DE MEDITAR NO MEIO DO MUNDO

 


Enfrentando as dificuldades para conseguir fazer a oração meditativa

No último artigo, falamos da importância que o Pe. Kentenich dava à meditação da vida diária como uma escola de amor, como a forma de nos encontramos com Deus em nosso dia a dia. Porém sabemos que, quando tentamos mudar o ritmo da nossa vida para dar lugar a uma dimensão mais contemplativa, encontramos inúmeras dificuldades para colocar na prática.

Decidir meditar

O nosso primeiro passo precisa ser a decisão por incluir a prática da meditação em nossa vida. Precisamos entender que essa pequena parada durante o nosso dia para tentarmos enxergar Deus se comunicando conosco é essencial para conseguirmos uma maior intimidade com Ele. Ou conseguimos encontrar a Deus nas criaturas, nas coisas e no trabalho ou simplesmente esse Deus da vida se torna inalcançável. Podemos até ter um contato com Ele quando vamos à igreja ou fazemos uma oração, mas o resto do dia, vivemos, por assim dizer, como um pagão.

Devemos buscar não somente ao Deus transcendente, que está no Céu e ouve nossas orações ou se alegra quando participamos do Santo Sacrifício da Missa e fazemos comunhão com Ele, mas também ao Deus que é a Causa Primeira de tudo, que tudo criou e colocou à nossa disposição e deseja, através das Causas Segundas (as pessoas e tudo o que foi criado) se encontrar conosco demonstrar o seu amor infinito para cada um de nós

Não desistir frente às dificuldades

Depois de entendermos a importância da meditação e nos decidirmos a realizá-la, podemos nos sentir desanimados ao darmos conta dos imensos desafios que se colocam em nosso caminho e todas as forças do nosso mundo materialista que querem nos impedir de olharmos para dentro de nós e para buscarmos Deus em nossa vida. Podemos ter algumas tentativas falhas de meditar, e então nos damos por vencidos. Pensamos que a meditação não é para nós...

“Há quem pense que a oração meditativa está reservada para os sacerdotes e religiosos. Os leigos, mais ainda, os simples trabalhadores, não seriam capazes e nem estariam chamados a de fazê-la. Todavia, este é um grande erro. Não somente há santos da vida diária atrás dos muros conventuais, não somente há santos que usam hábitos religiosos, mas também e principalmente em trajes seculares, em meio do emaranhado e das lutas da vida cotidiana. Eles são encontrados em todas as vocações e estados de vida.” (P. J. Kentenich)

Meditar num mundo tão agitado como o nosso realmente é uma tarefa heroica e se não tivermos um método adequado e constância nessa atitude, contando com a ajuda do Espírito Santo, será praticamente impossível consegui-lo. O Pe. Kentenich dizia que uma das virtudes que ele mais admirava era a fidelidade. A fidelidade de recomeçar a cada queda, a cada fracasso. Então não devemos desanimar se não conseguirmos logo colocar a meditação em prática, mas sempre ter a coragem de tentar novamente.

Pedir auxílio ao Espírito Santo

Assim, precisamos implorar a graça do alto, especialmente os dons do Espírito Santo. Podemos pedir a poderosa intercessão de nosso Santo Anjo da Guarda. Ele é um ser muito poderoso que nos foi presenteado por Deus para nos guardar, iluminar e conduzir ao Céu. Ele sabe da importância de nosso contato mais íntimo com Deus para chegarmos lá, então quer nos ajudar a colocarmos em prática a meditação.

Como ensina o Pe. Rafael Fernández: “O objetivo próprio da meditação é aprofundar e tornar mais íntima nossa relação de amor com Deus. Se meditamos uma ideia, é para degustar a verdade ou realidade que esta representa, a fim de que, além do nosso intelecto, penetre em nosso coração. Porque quando se trata de nosso vínculo de amor com Deus, e do amor que Ele tem por nós e que espera que nós lhe devolvamos, não bastam conceitos nem meras ideias. (...)

A meditação é como a raiz da árvore. O que sustenta as árvores, quando vem tormentas e tempestades, não é a copa nem as folhas, mas as raízes. Quanto mais profundas são as raízes de uma árvore, mais capacidade ela tem de superar os embates do tempo. Inclusive, as tormentas as vão afirmando, porque suas raízes vão se fincando na profundidade. O vento pode lhes arrancar um tanto de galhos e folhas, mas a árvore continua de pé. Porém, quando as raízes são escassas, mesmo que tenha uma folhagem muito frondosa e um grande tronco, facilmente um temporal a derrubará. A meditação nos arraiga no coração de Deus.”

Como meditar?

A prática da meditação da vida diária ensinada pelo Pe. Kentenich possui algumas etapas. A primeira etapa é a preparação. Existe a preparação remota, a preparação próxima e a preparação imediata. Depois vem o desenvolvimento da meditação, com o início, desenvolvimento e conclusão.

Nos próximos artigos, explicaremos detalhadamente cada uma dessas etapas inclusive com exercícios práticos de meditação, porém, colocamos aqui um panorama geral, um resumo de como a meditação funciona:

Escolher um horário do dia no qual realizará a meditação. Pode ser, no início, cerca de 10 a 15 minutos. Podemos começar fazendo uma vez por semana, e depois, gradativamente, aumentando a frequência.

Escolhemos um lugar adequado, onde não seremos interrompidos. De preferência, com alguma cruz ou imagem que nos remeta à realidade sobrenatural. Fechar um pouco os olhos, respirar calmamente e nos colocar na presença de Deus, então fazemos uma oração implorando as luzes do Espírito Santo.

Em seguida, escolher sobre o que se vai meditar. Se ainda somos iniciantes nessa prática, é mais fácil escolher uma passagem bíblica ou um trecho de uma oração. Depois, com a prática, pode ser um acontecimento da vida (uma situação concreta de nossa vida), que é efetivamente a meditação da vida diária proposta pelo Pe. Kentenich.

O Pe. Kentenich propõe três perguntas que constituem uma excelente ajuda para desenvolver esse encontro com o Senhor:

1. O que Deus quer me dizer com isso? (através desse texto ou desse fato ou circunstância)

2. O que digo a mim mesmo?

3. O que respondo a Deus?

A pergunta mais importante é esta última. É nela que entramos na oração meditativa. Quando falamos de resposta, não significa necessariamente uma ação ou propósito, mas de uma resposta “de amor”, uma resposta do coração, falando pessoalmente com o Senhor. Expressamos nosso amor de gratidão, de arrependimento, de pedido. Terminamos a meditação com uma oração de ação de graças. É conveniente anotar em um caderno pessoal sobre o que meditamos e o que foi mais importante para nós na meditação.

Além de agradecer ao Senhor e a Nossa Senhora pela meditação (ou pedir perdão se não a realizamos bem), as vezes podemos concluir com alguma intenção ou propósito que venha ao encontro do que meditamos. Assim, pouco a pouco, com a dedicação de alguns momentos por dia para meditar, vamos aumentando nosso amor e nossa vinculação ao nosso Pai do Céu que nos ama com amor infinito.

Caso você tenha alguma dúvida ou comentário sobre a prática da meditação da vida diária, pode enviar sua pergunta para o email: ouvidonocoracaodedeus@gmail.com

Photo by Ümit Bulut on Unsplash

segunda-feira, 20 de junho de 2022

OUVIDO NO CORAÇÃO DE DEUS


 

Aprender a enxergar o que Deus quer me falar no dia a dia

O nosso mundo atual nos compele a viver num ritmo frenético. Tudo deve ser instantâneo, ao alcance de um clique. Vivemos de uma atividade a outra, quase sem pausa e quando paramos para “descansar”, normalmente nossa mente está olhando uma tela, com uma enxurrada de informações, imagens, vídeos. São poucos os que escapam a essa realidade. A grande maioria de nós vive pressionada por todo tipo de exigências, tentando responder as obrigações matrimoniais e familiares, os requerimentos do trabalho e, para muitos também, aos múltiplos compromissos apostólicos.

Esse ritmo de vida pode causar uma série de doenças “modernas”, como a síndrome do burnout, ansiedade, depressão. Mesmo aqueles que escapam de ficarem doentes, eventualmente anseiam por uma paz maior. Às vezes um acontecimento, como a morte de alguém querido, nos tira um pouco desse turbilhão em que vivemos e paramos para pensar: para que tudo isso? Qual é o sentido da minha existência?

Para conseguirmos responder a essas questões e nos confrontar com o que dá o sentido verdadeiro a nossa vida, precisamos de espaços que nos permitam encontrar conosco mesmos e que nos conduzam a um contato mais profundo com Deus, pois só Ele possui as respostas que precisamos.

O Pe. José Kentenich tinha uma preocupação constante em conduzir o ser humano atual até um encontro com o Deus vivo através das criaturas e das circunstâncias concretas que o rodeiam. Para ajudar nesse encontro vital com o Senhor, desenvolveu uma prática de meditação, a chamada “meditação da vida diária”, que vem responder a esse anseio e essa necessidade.  

Para o homem moderno é extremamente difícil compreender e praticar a meditação, pois a forma que organizamos nossa vida está muito orientada para o exterior, para o fazer, produzir, fabricar, organizar e racionalizar. Vivemos em uma cultura marcara com o selo da extroversão.

A falta do cultivo da vida interior (o Pe. Kentenich fala de uma cultura sem alma) afeta o ser humano em vários aspectos de sua pessoa, inclusive no tocante à profundidade de sua fé. Recebemos a semente da fé em nosso Batismo, porém ela precisa ser cultivada para se desenvolver e se tornar um suporte para a nossa vida. Esse cuidado se dá através do contato íntimo e pessoal com o Senhor e sem ele, a fé pode morrer.

O Pe. Kentenich se preocupava também com isso, para que seus filhos espirituais tivessem uma plena confiança no Pai, através de uma “fé prática na divina providência”. Porém, o ser humano só consegue confiar em quem conhece e para conhecer, precisamos passar tempo juntos. Além disso, é importante conseguir enxergar os inúmeros cuidados que Deus tem conosco a cada dia, demonstrando seu amor infinito por nós.

Como alcançar uma vida mais harmônica? Como aprender a parar e deixar de ‘sermos vividos’ pelos acontecimentos? Como fazer que nossa vida de fé seja mais aprofundada e que nosso contato com Deus seja mais pessoal?

O Pe. Kentenich nos dá a resposta: meditação da vida diária. Diz ele:

“Nosso método preferido de meditação consiste em revisar e saborear, em revisar com antecedência e saborear depois. Isto deveria ser entre nós uma atitude permanente, um hábito. A partir de cada realidade, por mais íntima que esta seja, devemos saber subir até o coração misericordioso e bondoso de Deus Pai. Enquanto isso não tenha se convertido em uma segunda natureza para nós, queremos exercitar mais e mais até consegui-lo.

Queremos ingressar na escola de amor, da oração interior. Não estamos orientados somente por esta forma de meditação. Podemos aplicar também outros métodos de meditação. Porém, dada a importância que reveste introduzir ao Deus na vida em nossa vida, nos encontrarmos com o Deus da vida em nossa vida e responder a ele a partir de nossa vida, então, penso que, por um certo período, nossa ocupação predileta deve ser revisar e descobrir, no tempo dedicado à meditação, onde Deus veio ao nosso encontro no dia de ontem.”

O Pe. Rafael Fernandéz, em seu livro “Como aprender a meditar?”, explica “O Fundador está pensando em um método de meditação especialmente apto para as pessoas que estão chamadas a encontrar a Deus no meio do mundo, através das criaturas. Ou seja, um método para quem não pode nem deve abandonar as realidades desse mundo: sua família, seu cônjuge, seus filhos, seus negócios e tudo o que isso implica, para se retirar e contemplar a Deus na solidão.

Esse é o pano de fundo da meditação da vida diária como o Pe. Kentenich a concebe. Ele quer nos dar um caminho que nos leve a entrar em comunhão com o Deus providente, que nos ensine a descobrir e comungar não só com o Cristo presente nos Evangelhos, mas com o Cristo presente na história, em nossa história pessoal e nos acontecimentos do mundo.

De nenhuma forma essa acentuação deixa de lado o Deus da Eucaristia ou o Deus presente na Palavra. Mas sim, integra e destaca com força o Deus da vida”.

Essa forma de meditação não é como uma análise, um estudo de algum aspecto da doutrina ou dos ensinamentos da Igreja, para que tenhamos um conhecimento maior sobre o tema. O objetivo da meditação da vida diária não é saber ou conhecer mais, mas amar mais através do aprofundamento de nosso vínculo de amor pessoal com Deus.

“A meditação deveria se tornar uma escola de amor por eminência. Esse é o costume que deveríamos adquirir. Não uma escola de ciência, assim não é um estudo propriamente dito, mas uma escola de amor. Se quiserem saber se meditaram bem, devem se perguntar apenas: na meditação aprendi a amar, a amar de forma correta? (P.K.)

A partir de hoje, iniciaremos uma série de artigos para desenvolver o tema da meditação da vida diária e assim aprendermos a colocar em prática essa grande riqueza ensinada pelo Pe. Kentenich. Caso tenha alguma dúvida ao longo dos artigos, pode enviar uma mensagem para o email: ouvidonocoracaodedeus@gmail.com

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quinta-feira, 8 de abril de 2021

JESUS CAMINHAVA COM ELES, MAS NÃO O RECONHECERAM


Shaojie on Unsplash 

"Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram." (Lc 24, 13-16)

Esse é o trecho que dá início à passagem bíblica dos discípulos de Emaús, narrando uma das aparições de Jesus depois da ressurreição. O que eu gostaria de destacar desse trecho foi comentado por um sacerdote numa homilia e diz respeito justamente ao fato de os discípulos estarem discutindo e não reconhecerem Jesus.

Isso acontece frequentemente em nossas vidas. Andamos preocupados, são muitas tarefas para realizar, decisões para tomar, conversamos com um e com outro e não percebemos que Jesus está ali, ao nosso lado, querendo nos ajudar e só esperando uma oportunidade para falar conosco, para mostrar sua presença.

Mas como podemos reconhecer a presença de Jesus em nossa vida cotidiana? O primeiro passo é a busca frequente dos sacramentos da Confissão e da Eucaristia. A Igreja nos ensina que Jesus está presente realmente, com seu corpo, sangue, alma e divindade na Sagrada Eucaristia e, quando comungamos, ele se torna uma só carne conosco. Se permitirmos e se pedirmos, ele aos poucos vai transformando nossa vida a partir de dentro do nosso coração. Para quem ainda tem alguma dúvida da presença real de Jesus na Eucaristia, eu sugiro que pesquisem sobre os vários milagres eucarísticos acontecidos ao longo dos séculos, em especial o milagre eucarístico de Lanciano, na Itália, onde, por misericórdia e para aumentar a nossa fé, Jesus mostrou que ali, na hóstia consagrada, estão presentes carne e sangue humanos. Um site interessante sobre esse tema foi elaborado pelo Beato Carlo Acutis e aqui está o link.

A Confissão é outro sacramento onde nos encontramos diretamente com Jesus, que está ali, “disfarçado” de sacerdote e deseja perdoar nossos pecados, lavar a nossa culpa e nos deixar mais leves para seguir nosso caminho rumo ao Céu. Assim, a Confissão e a Eucaristia são os primeiros locais onde podemos nos encontrar frequentemente com Jesus e pedir sua graça para nos orientar em nossas decisões do dia a dia.

Além dos sacramentos, devemos procurar Jesus em nossa vida diária, através do exercício da meditação, que nos ajuda a perceber onde e como ele se comunica conosco em nosso dia a dia. Ao percebemos o quanto Deus se esforça para se fazer presente na nossa vida, o quanto ele cuida, com muito amor de cada um de nós, nosso amor por ele cresce e dá frutos. Assim, o objetivo da meditação não é conhecer mais, mas AMAR mais.

Deus está sempre tentando se comunicar conosco, mas muitas vezes não conseguimos escutar a sua voz. Ele nos fala através dos acontecimentos, não só na nossa própria vida, mas todos os acontecimentos da história, no mundo inteiro. Ele deseja que sejamos seus cooperadores livres para construir a história conosco. Devemos buscar interpretar esses sinais através dos quais Deus nos fala. Guiados pela luz da fé, devemos tentar entendê-los, aprendendo a distinguir sua voz.

Assim, precisamos nos conscientizar da importância de fazer nossa meditação diária, esse momento de encontro com o Deus da minha vida. Para começar, pode ser apenas 15 minutos, onde nos conectamos com Deus através da oração, pedindo ao Espírito Santo e ao nosso anjo da guarda que nos ajude a ver e entender o que Deus quer falar conosco naquele dia. Escolhemos um acontecimento daquele dia ou do dia anterior e nos perguntamos: o que Deus quis falar para mim com esse acontecimento? O que eu digo a mim mesmo? O que respondo a Deus?

Essa atitude simples pode transformar a sua vida. Você pode anotar em um caderno as respostas diárias a essas perguntas simples e, depois de um tempo, ler novamente para agradecer todas as maravilhas que Deus opera em sua vida e que estavam passando desapercebidas. E, como um “bônus”, verá que tomar decisões no mundo material ficará muito mais fácil depois de ter um relacionamento mais íntimo com o mundo sobrenatural.

Viver dessa forma, consciente da presença amorosa e atuante de Jesus em nossas vidas, nos transformará em pessoas mais pacientes, mais amorosas, mais atentas às necessidades dos outros, pois Jesus também está presente no meu irmão. “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 25,40)

Peçamos a Jesus que caminhe sempre conosco e que possamos sentir sua ação em nossa história.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

DEUS QUER FALAR COM VOCÊ TODOS OS DIAS!

 

Vivemos numa sociedade que se esquece de Deus. Mesmo que tem religião, muitas vezes acaba deixando Deus em segundo plano, ou como um compromisso para o fim de semana. A vida se torna mecânica, sem uma integração entre o racional e o espiritual, entre a vida material e a vida da graça. Separa-se a fé da vida e frequentemente pode-se até se falar de Deus, mas as pessoas se esquecem de falar com Deus.

Desde a criação do ser humano Deus quer se comunicar com cada alma que ele criou para amar e ser amado. Antes do pecado, essa comunicação era mais fácil e direta, porém, com a rebeldia de nossos primeiros pais, falar com Deus e perceber Deus falando conosco ficou um pouco mais difícil.

Deus é Amor e o amor precisa se relacionar com quem ama. O amor é um movimento de sair de si mesmo para encontrar o outro, onde ele esteja. Deus é amor infinito e perfeito, então todos os dias e todos os momentos está buscando se relacionar, se comunicar, com cada um de nós. O problema é que, com nossa preocupação excessiva com as coisas materiais, não percebemos todos os gestos de amor, todos os sinais que Deus coloca em nossas vidas.

Quando fazemos o propósito de parar um pouco a correria do dia a dia e nos colocar na posição de querer ouvir o que Deus quer nos falar naquele momento, nossa vida se transforma. Não de uma hora para outra como se fosse mágica, mas pouco a pouco. Essa constância em procurar Deus em minha vida, nos dá acesso a uma existência superior, entramos em contato com o mundo sobrenatural que é tão real quanto o mundo material e assim conseguimos enxergar o todo, não apenas uma parte de nossa existência.

Santo Tomás de Aquino fala das “causas segundas”. A Causa Primeira é Deus, princípio de tudo, e todas as coisas criadas, são as “causas segundas” e querem comunicar um pouco do Criador. As “causas segundas livres” são os seres humanos e são os únicos que podem escolher se desejam ou não comunicar algo de Deus. Todo o mais que foi criado, por seu próprio ser, comunicam algo da Beleza, Bondade e Verdade de Deus, basta prestar um pouco de atenção que conseguiremos enxergar.

Esses dias aprendi que, se fotografarmos todos os dias o sol, no mesmo horário e do mesmo lugar, ao final de um ano, o trajeto que o sol fez no céu é exatamente o símbolo do infinito![1] Fiquei encantada com essa descoberta! Um dos símbolos de Jesus Cristo é o sol, então é como se Jesus nos falasse de seu amor infinito por cada um de nós!

Muita gente pode dizer que isso é bobagem, que tudo é coincidência, que não tem nada de extraordinário no trajeto do sol pelo céu, ou de uma flor que se abre no seu jardim, ou da chuva que chega quando o calor está grande, ou do amigo que manda uma mensagem com aquilo que justamente você estava precisando ouvir. Tudo isso é “normal e natural”. Sim, é natural, mas Deus utiliza da natureza, das pessoas, dos acontecimentos para nos comunicar algo de seu amor, para que nós consigamos sentir o seu amor e seu cuidado e, assim, conseguir corresponder com atos de amor.

Assim, precisamos nos conscientizar da importância de fazer nossa meditação diária, esse momento de encontro com o Deus da minha vida. Para começar, pode ser apenas 15 minutos, onde nos conectamos com Deus através da oração, pedindo ao Espírito Santo e ao nosso anjo da guarda que nos ajude a ver e entender o que Deus quer falar conosco naquele dia. Escolhemos um momento daquele dia ou do dia anterior e nos perguntamos: o que Deus quis falar para mim com esse acontecimento? O que eu digo a mim mesmo? O que respondo a Deus?

Essa atitude simples pode transformar a sua vida. Você pode anotar em um caderno as respostas diárias a essas perguntas simples e, depois de um tempo, ler novamente para agradecer todas as maravilhas que Deus opera em sua vida e que estavam passando desapercebidas. E, como um “bônus”, verá que tomar decisões no mundo material ficará muito mais fácil depois de ter um relacionamento mais íntimo com o mundo sobrenatural. Faça essa experiência!



[1] O nome científico desse fenômeno é analema

photo credit: tj.blackwell <a href="http://www.flickr.com/photos/8185633@N07/4679548147">Brain of the Sistine Chapel</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">(license)</a>

photo credit: StarryEarth <a href="http://www.flickr.com/photos/65131760@N06/14597630538">rutan02-001</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 13 de julho de 2020

NÃO TENHA MEDO!



Já me falaram que a expressão “não tenha medo” está escrita 365 vezes na Bíblia, uma para cada dia do ano, reforçando a mensagem que devemos confiar na bondade e misericórdia de Deus, confiar em sua Divina Providência que cuida de cada um de nós como a preciosa pupila de seus olhos.

O medo faz parte de nossa natureza animal, do nosso instinto de autopreservação. Sentimos medo quando percebemos algum tipo de ameaça à nossa integridade física ou emocional. Quem sente medo está em um estado de alerta e preocupação, sua atenção está focada naquele elemento que está causando o medo, sendo essa a prioridade imediata em sua vida, deixando as outras coisas de lado.

Porém, como cristãos, somos convidados a dar um passo para fora do medo, um passo de coragem, um passo de fé e confiança de que existe Alguém que permanentemente está cuidado de cada um de nós, como sua ocupação predileta. Quem consegue ter essa visão sobrenatural dos acontecimentos da vida, experimenta uma sensação de paz e de tranquilidade e encara todos os desafios com coragem e na segurança de que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

Isso não significa que, num passe de mágica, as preocupações e receios desaparecem. As pessoas que sabem que são amadas e cuidadas por Deus, num primeiro momento podem até sentir um certo medo e insegurança, mas logo esse sentimento é substituído pela confiança de que, se Deus Pai está permitindo essa situação em suas vidas, é porque ela é necessária para a sua salvação, para sua felicidade eterna.

Para podemos chegar a essa atitude de confiança irrestrita na Divina Providência precisamos começar a enxergar, em nossa história de vida, tudo o que o Bom Deus já fez e continua fazendo para nos conduzir a Ele. Precisamos literalmente parar e contemplar. Tirar alguns minutos por dia e nos perguntar: como Deus cuidou de mim hoje?

A doutrina da Igreja nos ensina que Deus, porque nos ama, quer se comunicar diariamente conosco, seja através da natureza, das pessoas que encontramos, dos acontecimentos simples do dia a dia e até dos grandes acontecimentos da história do mundo. Quando incluímos em nossa rotina diária esse tempo de meditação, aos poucos começamos a sentir (e não só saber) que somos muito amados e assim, conseguimos também começar a retribuir esse amor.

Desta forma, quando somos surpreendidos com algum acontecimento que nos estremece, como a perda de um ente querido, um problema econômico, uma doença, uma pandemia que nos força a mudar a forma de viver as coisas mais simples como sair de casa, conseguimos ter a tranquilidade de quem sabe que é seu Pai quem está no controle de tudo, que no meio da tempestade, é seu Pai quem está no leme do barquinho da sua vida, te conduzindo para o porto seguro.

Sentir-se assim, verdadeiramente amado e cuidado pelo Pai, é uma graça extraordinária, mas que está à disposição de cada um de nós. Precisamos pedi-la diariamente e fazer a nossa parte, o nosso 1%, que é essa meditação da vida diária, esse olhar para a nossa vida procurando onde e quando Deus está falando conosco,  “pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta.” (Mt 7,8)

terça-feira, 5 de novembro de 2019

OS PILARES PARA A NOSSA SALVAÇÃO

Não há nada mais importante em nossa vida do que cuidar da salvação de nossa alma. Sabemos que tudo nessa vida passa e que só a nossa alma é eterna, então cuidar do lugar onde passaremos a eternidade deve ser nossa prioridade.

O Céu pode ser definido como uma união completa com Deus, nosso Criador, que é Amor. Então, para um dia estarmos unidos ao Amor, precisamos procurar, ainda aqui nessa vida, um pouco dessa união. Para isso, a Igreja, nossa Mãe e que deseja que todos os seus filhos sejam salvos, oferece todos os meios necessários para que isso seja possível.

Além dos requisitos essenciais (ser batizado e ter fé), existem três pilares sobre os quais a nossa salvação se sustenta: a oração, a confissão e a eucaristia. Sem eles, a união total com o Amor na eternidade é muito difícil, ou praticamente impossível.

A oração é o diálogo pessoal com Deus. Não é possível passar a eternidade com uma pessoa com quem nunca conversamos, ou falamos muito pouco, ou ainda só falamos quando precisamos de alguma coisa. Para nos unirmos a Deus, precisamos procurar conhecê-lo, ver sua atuação em nossa vida e para isso que serve a oração. Existem muitas formas de rezar, mas a mais propícia para esse encontro com o Deus da minha vida é a oração meditativa.

São várias as técnicas para uma boa meditação e a vida dos santos está repleta delas. A que sugiro aqui é uma ensinada pelo Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ele ensina que devemos saborear os acontecimentos da nossa vida, tentando enxergar a mão de Deus em cada coisa que nos acontece, tanto as boas como as que não são agradáveis.

Para isso, precisamos reservar algum tempo do nosso dia (no mínimo 15 minutos) onde nos colocamos em um lugar calmo, pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos ajude a encontrar com o Pai e escolhemos um acontecimento do dia anterior para meditarmos. Em vista desse fato, fazemos três perguntas: 1) O que Deus quer me dizer com isso? 2) o que eu digo a mim mesmo? 3) O que respondo a Deus?

A resposta a essas perguntas nos ajuda a enxergar a divina providência em nossa vida. O objetivo principal da meditação é conhecer para amar. Se conseguimos ver Deus por trás desses acontecimentos, vemos como Ele cuida de nós com amor infinito e assim, conseguimos também responder a esse amor. Só ama quem se sente primeiro amado. E Deus nos amou primeiro!

Outro pilar para a nossa salvação é o sacramento da confissão. O pecado nos afasta de Deus, pois escolhemos a satisfação de um desejo que nos faz mal, ao invés de permanecermos fiéis aos ensinamentos de nosso Pai. Assim, a confissão nos reconcilia com Deus, retoma o estado de amizade que o pecado havia desfeito. Devemos recorrer a esse sacramento com a maior frequência possível, mesmo que não tenhamos pecado gravemente, pois ele também nos ajuda a crescer em santidade, nos dando forças para resistirmos às tentações.

Por fim temos o mais importante, o mais sublime ato de amor que Deus poderia ter feito: a eucaristia. Na Sagrada Comunhão Deus se dá a si mesmo como alimento, para se unir a nós e se tornar uma só carne conosco! Nossa inteligência é muito limitada para entender a grandeza da eucaristia e nossa fé também é muito fraca. Quem realmente tem um pequeno vislumbre dessa maravilha, não quer passar um dia sequer sem receber Jesus Eucarístico.

Receber a eucaristia é já possuir o Céu aqui na terra. É unir-se a Jesus da maneira mais perfeita possível que podemos ainda nesse mundo. Durante os cerca de quinze minutos que a sagrada espécie está em nosso corpo, mesmo que nossos sentidos não percebam, somos um com Deus, como seremos um dia na eternidade. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20). A forma pela qual Jesus cumpre essa promessa é através da sua Real Presença do Santíssimo Sacramento.

Assim, para chegarmos um dia ao Céu, precisamos buscar incessantemente a santidade, que consiste basicamente em aprendermos a amar para podermos nos unir ao Amor. Para isso, precisamos, pouco a pouco, acabar com o nosso egoísmo que nos aprisiona em nossos desejos, buscando uma maior vinculação a Deus, procurando amá-lo cada dia mais e provando nosso amor saindo de nós mesmos para nos entregar ao serviço do outro.

photo credit: Tom Van de Peer <a href="http://www.flickr.com/photos/110112922@N02/40175277705">Laon Cathedral France</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 15 de novembro de 2016

É POSSÍVEL UMA MÃE MEDITAR?

Vivemos num mundo muito agitado, com muitas coisas pedindo nossa atenção: marido, filhos, casa, talvez ainda o trabalho fora e os compromissos com o apostolado. Assim, não devemos estranhar que surja em nós um desejo por paz e tranquilidade. Mas será que isso é possível na vida de uma mãe muito ocupada?

Precisamos de um tempo para nos encontrar conosco mesmas e nos confrontar com aquilo que dá o sentido verdadeiro a nossa existência e que nos conduzam a um contato mais profundo com Deus. E é aqui que entra a prática da meditação.

A meditação, nos moldes ensinados pelo Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, a chamada “meditação da vida diária”, vem responder a esse anseio e essa necessidade. Sua preocupação constante era conduzir o ser humano atual até um encontro com o Deus vivo através das criaturas e das circunstâncias concretas que o rodeiam.

Precisamos cultivar nossa vida interior, nossa dimensão sobrenatural, pois não devemos cuidar apenas do nosso corpo e da nossa mente, mas nosso espírito também precisa ser devidamente nutrido, caso contrário, corremos o risco de perder a vitalidade da nossa fé. A fé só se mantem e se alimenta através do contato íntimo e pessoal com o Senhor.

Pe. Kentenich ensina um método de meditação especialmente apto para as pessoas que estão chamadas a encontrar a Deus no meio do mundo, através das criaturas, e nós, mães, estamos incluídas neste grupo. Ou seja, um método para quem não pode nem deve abandonar as realidades desse mundo: sua família, seu cônjuge, seus filhos, seus negócios e tudo o que isso implica, para se retirar e contemplar a Deus na solidão.

Esse tipo de meditação não é um aprofundamento intelectual das verdades da fé, mas sim encontrar com Deus na nossa vida, perceber onde e como ele se comunica conosco em nosso dia a dia. Ao percebemos o quanto Deus se esforça para se fazer presente na nossa vida, o quanto ele cuida, com muito amor de cada uma de nós, nosso amor por ele cresce e dá frutos. Assim, o objetivo da meditação não é conhecer mais, mas AMAR mais.

O primeiro passo para colocar a meditação na prática é decidir que meditar é importante, e dedicar alguns minutos do dia para isso. Pode ser, no início de 10 a 15 minutos. Podemos começar fazendo uma vez por semana, e depois, gradativamente, aumentando a frequência.

Escolhemos um lugar adequado, onde não seremos interrompidos. Sei que isso pode ser especialmente difícil se temos crianças muito pequenas em casa, mas usando a criatividade e quem sabe até a ajuda de nosso esposo, conseguiremos encontrar um momento e um local apropriado. É bom ter um caderno pessoal para anotar as inspirações que a meditação pode trazer. De preferência, com alguma cruz ou imagem que nos remeta à realidade sobrenatural. Fechar um pouco os olhos, respirar calmamente e nos colocar na presença de Deus, então fazemos uma oração implorando as luzes do Espírito Santo.

Em seguida, escolher sobre o que se vai meditar. Se ainda somos iniciantes nessa prática, é mais fácil escolher um passagem bíblica ou um trecho de uma oração. Depois, com a prática, pode ser um acontecimento da vida (uma situação concreta de nossa vida), que é efetivamente a meditação da vida diária proposta pelo Pe. Kentenich.

Não é necessário que em cada meditação escolhamos um tema diferente, podemos por várias vezes meditar sobre a mesma coisa, pois encontramos algo que captou nosso coração, que nos une a Deus de forma especial. O objetivo é precisamente este: repousar no amor de Deus, crescer nesse amor, expressar nossa entrega, nossa disposição de segui-lo ou nossa vontade de abraçar a cruz que nos presenteia.

O Pe. Kentenich propõe três perguntas que constituem uma excelente ajuda para desenvolver esse encontro com o Senhor:
1.     O que Deus quer me dizer com isso? (através desse texto ou desse fato ou circunstância)
2.     O que digo a mim mesmo?
3.     O que respondo a Deus?

A pergunta mais importante é esta última. É nela que entramos na oração meditativa. Quando falamos de resposta, não significa uma ação ou propósito, mas de uma resposta “de amor”, uma resposta do coração, falando pessoalmente com o Senhor. Expressamos nosso amor de gratidão, de arrependimento, de pedido. Terminamos a meditação com uma oração de ação de graças. É conveniente anotar no caderno pessoal sobre o que meditamos e o que foi mais importante para nós na meditação.


Além de agradecer ao Senhor e a Nossa Senhora pela meditação (ou pedir perdão se não a realizamos bem), as vezes podemos concluir com alguma intenção ou propósito que venha ao encontro do que meditamos. Assim, pouco a pouco, com a dedicação de alguns momentos por dia para meditar, vamos aumentando nosso amor e nossa vinculação ao nosso Pai do Céu que nos ama com amor infinito.

photo credit: sicknotepix <a href="http://www.flickr.com/photos/128658155@N08/20163424394">Mirka</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

FÉ PRÁTICA NA DIVINA PROVIDÊNCIA


Todos recebemos o dom da fé pelo Batismo, mas ela é só uma semente, precisamos desenvolve-la no decorrer de nossa vida. Para isso, precisamos conhecer as verdades da fé, aquilo no qual acreditamos e principalmente a pessoa na qual depositamos nossa fé.

Mas não se trata apenas de um conhecimento intelectual, mas de uma vivência, de um verdadeiro encontro com Jesus, o nosso, o meu Salvador. Precisamos aumentar sempre a consciência de que Jesus não só salvou toda a humanidade, mas Jesus salvou a mim! A oração e a frequência ao sacramentos, especialmente a Eucaristia, onde Jesus se dá a mim e deseja se tornar um só comigo e a Confissão, onde ele mesmo perdoa os meus pecados, são a chave para que nossa fé cresça e amadureça.

Possuir uma fé prática na Divina Providência significa que eu acredito que Deus é Pai, Deus é bom e bom é tudo aquilo que ele faz e permite. Eu sei que tudo aquilo que acontece em minha vida faz parte de um plano de amor que ele executa com infinita sabedoria, poder e misericórdia. O grande objetivo que Deus tem para a minha vida é que um dia eu esteja com ele no Céu, gozando das glórias do Paraíso. E tudo aquilo que acontece em minha vida, tem por trás esse plano de amor de Deus.

Deus está sempre tentando se comunicar conosco, mas muitas vezes não conseguimos escutar a sua voz. Ele nos fala através dos acontecimentos, não só na nossa própria vida, mas todos os acontecimentos da história, no mundo inteiro. Ele deseja que sejamos seus cooperadores livres para construir a história conosco. Devemos buscar interpretar esses sinais através dos quais Deus nos fala. Guiados pela luz da fé, devemos tentar entende-los, aprendendo a distinguir sua voz.

O "filho da Providencia" pergunta em todas as situações: "Pai, o que quer que eu faça? Qual é a sua vontade?" A atitude providencialista consiste na constante busca filial da vontade de Deus Pai e na disposição permanente em realizar esta vontade, mesmo que custe pesados sacrifícios.
Para descobrir a vontade de Deus devemos aprender a escutar as vozes do tempo (o que Deus nos diz através das circunstancias), as vozes da alma (o que Deus nos diz através de nossa consciência, aquilo que o Espírito Santo sussurra em nosso coração) e as vozes do ser (o que Deus nos diz através de sua Palavra e das leis naturais)

Como fazer isso na prática? Através da meditação diária dos acontecimentos da sua vida. Não podemos achar que tudo (trabalho, família, saúde) é "natural", tudo devemos agradecer a Deus. Meditar, no sentido em que entendemos aqui, não consiste em refletir, analisar ou aprofundar o conhecimento sobre uma realidade religiosa por meio do estudo. Seu objetivo não é saber mais ou conhecer mais, mas amar mais. O objetivo da meditação não se centra na aquisição de novos conhecimentos, mas do aprofundamento de nosso vínculo de amor pessoal com Deus.

No próximo post falarei mais detalhadamente sobre como colocar em prática essa meditação que nos ajuda a possuir uma fé prática na Divina Providência. Porém, apenas para dar uma dica, podemos sempre fazer três perguntas frente a um acontecimento em nossa vida:

a) O que Deus quer me dizer com isso?
b) O que devo dizer a mim mesmo? Trata-se de um tipo de exame de consciência: como compreendi esta verdade em minha vida? Como a aproveitei? Como a apliquei?
c) O que digo a Deus? Isto é o principal: que aprendamos a dialogar com Deus, que cultivemos uma vida mais profunda e interior, uma comunhão a dois com Deus.


Com essas respostas, aos poucos, nosso amor e vinculação a Deus aumentam, nossa confiança de que somos pessoalmente cuidados por um pai amoroso também crescem e experimentamos cada vez mais uma paz interior que nem as maiores tribulações podem nos tirar.