quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

OS SANTOS INOCENTES E O ABORTO



No dia 28 de dezembro comemoramos os Santos Inocentes, os meninos que foram mortos por Herodes na tentativa dele matar Jesus. Eles são os primeiros mártires, porque mesmo sem saberem, morreram por causa de Jesus.

O Pe. Léo comentou uma vez que esse exército dos Santos Inocentes aumenta a cada dia no Céu, pois as crianças que são abortadas também são mártires, que mesmo sem saber, morrem por causa do pecado original, pelo egoísmo, covardia e até ignorância de seus próprios pais. E se morrem em consequência do pecado do mundo, morrem no lugar de Jesus. E o mais incrível é que esse filho que foi abortado, um Santo Inocente, do Céu, intercede por seus pais, para que encontrem o caminho da misericórdia de Deus.

Muita coisa tem sido falada aqui no Brasil sobre o aborto, pois infelizmente estão tentando legalizar essa prática por aqui. Os que defendem o aborto afirmam que a intenção seria “proteger” as mulheres que já fazem o aborto ilegalmente, para que possa ter mais “segurança” em abortar. Porém, ninguém fala sobre os enormes traumas que essas mulheres sofrem ao abortar e que o melhor para elas seria dar condições para que pudessem levar sua gestação adiante e ter os seus bebês.

Caso o aborto seja legalizado, muitas mulheres serão coagidas a abortar, seja pelo pai de seu filho, pela família e até pelo médico, que lucrará com isso. O fato é que por ser ilegal, a mulher pensa duas vezes antes de se submeter a um procedimento de risco e tem a lei a seu favor para convencer quem poderia lhe pressionar a fazer o aborto.

Quando estava grávida da Júlia, minha quarta filha que tinha um problema genético e que provavelmente morreria no parto (a história inteira você pode ler aqui), sofri uma pressão enorme por parte do médico geneticista para que a abortasse. Mesmo sendo ilegal, ele “daria um jeito”. Ele chegou até a falar que eu poderia morrer se levasse a gravidez adiante e deixaria meus outros três filhos órfãos. Se eu tivesse a mínima dúvida sobre abortar ou não, ele teria me convencido. E eu teria sido privada do imenso privilégio que foi ser mãe da Júlia e ter o coração em paz, pois a amamos acima de tudo e fizemos tudo o que pudemos enquanto ela esteve aqui conosco. Essa paz que é roubada de toda mãe que aborta e que causa imensos danos psicológicos para toda a vida.

Durante a minha vida conheci três mulheres que pensaram em abortar quando descobriram a gravidez. Por graça divina, consegui convencer as três a terem seus bebês. Eu ainda tenho contato com duas delas, que me agradecem por tê-las apoiado num momento delicado de suas vidas e hoje podem ver seus filhos crescerem saudáveis. Hoje não conseguem imaginar suas vidas sem seus filhos.

Mas o que podemos fazer então frente a uma situação tão grave que é a possibilidade da legalização do aborto? Primeiro, rezar, fazer jejuns e sacrifícios para que os políticos sejam convencidos que a vida deve prevalecer sempre. Podemos também nos informar mais profundamente sobre os argumentos dos que defendem o aborto, para podermos rebater a cada um. Vários sites católicos já possuem esse material disponível.

E por fim, uma prática que conheci há algum tempo é a adoção espiritual de bebês que estão em risco de serem abortados. É muito simples fazer essa adoção: 1º) escolha um nome para o bebê que você está adotando espiritualmente; 2º) anote o dia em que está começando a adoção; 3º) anote a data provável do parto, que será 9 meses após o dia em que você começou a adoção; 4º) reze todo os dias a seguinte oração: “Jesus, Maria e José, eu os amo muito e imploro que poupem a vida de (nome do bebê), o bebê ainda não nascido que eu adotei espiritualmente e que está em perigo de ser abortado.”
Quem desejar mais informações sobre essa adoção espiritual, pode acessar aqui. Termino esse post com uma oração aos Santos Inocentes:


Ó Santos Inocentes, intercedei a Deus em favor de tantos bebês que continuamente são ameaçados pelo aborto. Abri o coração dessas mães e desses pais para que aceitem o grande presente que receberam, que é cuidar de uma alma imortal. Intercedei a Deus para que nos livre da aprovação de uma lei permitindo o aborto em nosso país. Intercedei também por todos os profissionais da saúde que praticam aborto, para que sua consciência mostre o mal que estão fazendo. Ó Santos Inocentes, intercedei por nós para que tenhamos sempre a força para lutar contra o aborto, sabendo que é uma guerra espiritual contra o demônio, revestindo-nos com a armadura de Deus. Amém.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O DESAFIO DE LIDAR COM FILHOS ADULTOS


Chega o momento para todo pai e mãe em que os filhos crescem e começa uma nova fase no relacionamento, onde precisamos aprender a lidar com a realidade de que nossos “bebês” se tornaram adultos. São muitos os desafios dessa nova fase, tanto para os pais como para os filhos.

A primeira questão é saber quando efetivamente eles se tornam adultos... Como pais, parece que nunca estão maduros o suficiente. E para cada filho, essa maturidade pode chegar em um momento diferente. Porém, se formos pensar no aspecto legal em nosso país, adulto é toda a pessoa maior de 18 anos. Assim, devemos presumir que nossos filhos são adultos a partir dessa idade.

Durante toda a vida da criança e do adolescente, demos conselhos e mais conselhos, às vezes até sermões, afinal é nosso dever educa-los no caminho do bem. Mas agora na fase adulta, precisamos tomar cuidado com nossas palavras, mesmo que seja com a melhor das intenções. Para um filho adulto, não devemos já chegar falando o que pensamos. O ideal, em primeiro lugar, é pedir sua permissão. Isso mesmo: perguntar ao filho se pode dar sua opinião sobre determinada questão.

Claro que é estranho como pais, de repente pedir a permissão do filho para falar com ele, mas isso demonstra ao filho que você está reconhecendo que ele cresceu, que é um adulto, que tem livre arbítrio para tomar suas decisões e o máximo que você pode fazer nessa fase, é aconselhar SE ELE PERMITIR. E assim, pedindo permissão antes de falar, a chance dele escutar efetivamente seu conselho aumenta muito.

Outra questão é sobre obedecer as regras da casa. Isso você pode ser enfática: enquanto morar com você, o filho PRECISA OBEDECER as regras do lar, independentemente de que idade tenha. A casa é sua, então as regras também são. Você tem direito de exigir horário para chegar em casa, quem pode visitar ou dormir na sua casa, a necessidade de avisar se fará as refeições com a família (sob pena de ter que se arranjar na cozinha para comer depois), entre outras. Isso é questão de respeito e se ele morasse em qualquer outro lugar, com outras pessoas, também precisaria obedecer as regras.

Um aspecto que é particularmente difícil para as mães é com relação à independência emocional. Dependendo do temperamento do filho, mesmo adulto, poderá continuar com uma dependência emocional de seus pais que não é saudável. O filho precisa saber que deve assumir as consequências das escolhas que fizer e não pode ficar perguntando toda hora se deve fazer isso ou aquilo. No fundo, o que o filho deseja, é aprovação dos pais sobre suas decisões e isso pode ser resultado de carência afetiva e imaturidade emocional.

Portanto, cabem aos pais garantirem a seus filhos que eles são amados INDEPENDENTE DE SUAS ESCOLHAS e que se errarem, estarão a seu lado para ajudarem no que precisarem. Mas as decisões precisam ser tomadas pelos filhos e por mais que seja gostoso ter um filho adulto que está sempre pedindo a sua opinião, essa atitude não faz bem para ele.

A última dica é para quem tem filho ou filha casado. Os pais, especialmente aqueles que tem uma condição financeira melhor, tem a tentação de querer ajudar economicamente seus filhos casados. E isso também não é aconselhável. Querendo ou não, o pai que dá mesada para o filho casado, mesmo que seja na melhor das intenções ou para necessidades justas, como seria pagar a escola dos netos, tende a se intrometer mais na vida do casal, pensando que tem o direito de opinar sobre as decisões que seus filhos (com as noras e genros) tomam. Os filhos tem que aprender a viverem de acordo com sua própria renda. Depender economicamente dos pais é uma vida de ilusão e pode trazer muita discórdia no relacionamento do casal.

É claro que numa situação de emergência, como doença ou desemprego, os pais podem e até devem dar uma força. Mas não pode ser uma ajuda permanente, sem data para acabar. Desta forma, antes até dos filhos se casarem, precisam saber que não poderão mais contar com o dinheiro dos pais e deverão viver na condição financeira que a renda deles proporcionar.


Por fim, uma atitude que os pais com filhos de qualquer idade devem sempre fazer é REZAR por cada um de seus filhos, pelas noras e genros e pelos netos. A oração nunca é demais. Através da oração, mantemos uma vinculação espiritual saudável com nossos filhos e ela os sustentará em todos os momentos de suas vidas. A oração faz muito mais pelo filho do que nós podemos fazer. Ela os acompanha sempre, onde não podemos ir, até o mais profundo de seus corações. Então, rezem muito e sem cessar! Pais de joelhos, filhos em pé!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

É POSSÍVEL UMA MÃE MEDITAR?

Vivemos num mundo muito agitado, com muitas coisas pedindo nossa atenção: marido, filhos, casa, talvez ainda o trabalho fora e os compromissos com o apostolado. Assim, não devemos estranhar que surja em nós um desejo por paz e tranquilidade. Mas será que isso é possível na vida de uma mãe muito ocupada?

Precisamos de um tempo para nos encontrar conosco mesmas e nos confrontar com aquilo que dá o sentido verdadeiro a nossa existência e que nos conduzam a um contato mais profundo com Deus. E é aqui que entra a prática da meditação.

A meditação, nos moldes ensinados pelo Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, a chamada “meditação da vida diária”, vem responder a esse anseio e essa necessidade. Sua preocupação constante era conduzir o ser humano atual até um encontro com o Deus vivo através das criaturas e das circunstâncias concretas que o rodeiam.

Precisamos cultivar nossa vida interior, nossa dimensão sobrenatural, pois não devemos cuidar apenas do nosso corpo e da nossa mente, mas nosso espírito também precisa ser devidamente nutrido, caso contrário, corremos o risco de perder a vitalidade da nossa fé. A fé só se mantem e se alimenta através do contato íntimo e pessoal com o Senhor.

Pe. Kentenich ensina um método de meditação especialmente apto para as pessoas que estão chamadas a encontrar a Deus no meio do mundo, através das criaturas, e nós, mães, estamos incluídas neste grupo. Ou seja, um método para quem não pode nem deve abandonar as realidades desse mundo: sua família, seu cônjuge, seus filhos, seus negócios e tudo o que isso implica, para se retirar e contemplar a Deus na solidão.

Esse tipo de meditação não é um aprofundamento intelectual das verdades da fé, mas sim encontrar com Deus na nossa vida, perceber onde e como ele se comunica conosco em nosso dia a dia. Ao percebemos o quanto Deus se esforça para se fazer presente na nossa vida, o quanto ele cuida, com muito amor de cada uma de nós, nosso amor por ele cresce e dá frutos. Assim, o objetivo da meditação não é conhecer mais, mas AMAR mais.

O primeiro passo para colocar a meditação na prática é decidir que meditar é importante, e dedicar alguns minutos do dia para isso. Pode ser, no início de 10 a 15 minutos. Podemos começar fazendo uma vez por semana, e depois, gradativamente, aumentando a frequência.

Escolhemos um lugar adequado, onde não seremos interrompidos. Sei que isso pode ser especialmente difícil se temos crianças muito pequenas em casa, mas usando a criatividade e quem sabe até a ajuda de nosso esposo, conseguiremos encontrar um momento e um local apropriado. É bom ter um caderno pessoal para anotar as inspirações que a meditação pode trazer. De preferência, com alguma cruz ou imagem que nos remeta à realidade sobrenatural. Fechar um pouco os olhos, respirar calmamente e nos colocar na presença de Deus, então fazemos uma oração implorando as luzes do Espírito Santo.

Em seguida, escolher sobre o que se vai meditar. Se ainda somos iniciantes nessa prática, é mais fácil escolher um passagem bíblica ou um trecho de uma oração. Depois, com a prática, pode ser um acontecimento da vida (uma situação concreta de nossa vida), que é efetivamente a meditação da vida diária proposta pelo Pe. Kentenich.

Não é necessário que em cada meditação escolhamos um tema diferente, podemos por várias vezes meditar sobre a mesma coisa, pois encontramos algo que captou nosso coração, que nos une a Deus de forma especial. O objetivo é precisamente este: repousar no amor de Deus, crescer nesse amor, expressar nossa entrega, nossa disposição de segui-lo ou nossa vontade de abraçar a cruz que nos presenteia.

O Pe. Kentenich propõe três perguntas que constituem uma excelente ajuda para desenvolver esse encontro com o Senhor:
1.     O que Deus quer me dizer com isso? (através desse texto ou desse fato ou circunstância)
2.     O que digo a mim mesmo?
3.     O que respondo a Deus?

A pergunta mais importante é esta última. É nela que entramos na oração meditativa. Quando falamos de resposta, não significa uma ação ou propósito, mas de uma resposta “de amor”, uma resposta do coração, falando pessoalmente com o Senhor. Expressamos nosso amor de gratidão, de arrependimento, de pedido. Terminamos a meditação com uma oração de ação de graças. É conveniente anotar no caderno pessoal sobre o que meditamos e o que foi mais importante para nós na meditação.


Além de agradecer ao Senhor e a Nossa Senhora pela meditação (ou pedir perdão se não a realizamos bem), as vezes podemos concluir com alguma intenção ou propósito que venha ao encontro do que meditamos. Assim, pouco a pouco, com a dedicação de alguns momentos por dia para meditar, vamos aumentando nosso amor e nossa vinculação ao nosso Pai do Céu que nos ama com amor infinito.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O PAPEL DO PAI E DA MÃE


Numa cultura em cada vez mais os papeis do homem e da mulher estão confusos, é importante ressaltar que o ser masculino e o ser feminino são diferentes e complementares e para uma educação saudável e equilibrada, a criança precisa experimentar a influência dessas duas maneiras de ser, a masculina e a feminina, o paternal e o maternal. 

O Catecismo da Igreja Católica nos diz que devemos complementar um ao outro não apenas sexualmente, mas também como auxiliares um do outro, pois homem e mulher foram “feitos um para o outro” e “como esposos e pais cooperam de forma única na obra do criador”.

Quando uma criança cai e rala o joelho, geralmente ela vai correr para sua mãe, antes de correr para o seu pai. Isso não é uma ofensa para o seu pai; simplesmente significa que intuitivamente ela reconhece sua mãe como sendo a mais cuidadosa dos dois. Em geral, as mães são aquelas que aconchegam, abraçam e agradam. Olhem para o valor simbólico do corpo da mulher. Seus órgãos sexuais primários mostram uma forte abertura, sinalizando uma grande receptividade, ou seja, a habilidade e a necessidade de receber. Seus órgãos sexuais secundários, simbolizam a doação de si mesma. A característica espiritual da alma da mulher é uma pronunciada doação de si mesma, formando assim uma necessidade dentro dela de dar a si mesma e receber de outros.

Em virtude de suas qualidades inerentes, a mulher realiza três tarefas principais. Primeira, é ela quem dá e protege a vida. Ela cuida daquela vida antes e depois do nascimento da criança de uma maneira muito íntima e continua a desenvolver a vida através do serviço para sua família. Segundo, ela desenvolve a vida emocional e intelectual. A mãe desperta a criança para o mundo a seu redor é a principal influência para a socialização da criança no início de sua vida. Através da mãe, a criança aprende como se relacionar com outras pessoas, apesar disso ser verdade também para o relacionamento com o pai. A mãe ajuda a criança a combinar as ideias com a vida e ensina a criança sobre o amor, lealdade, preocupação, consideração, serviço e dedicação através de sua orientação e por ela assumir essas características em si mesma. Terceiro, ela tende a ser a principal influência religiosa no lar. A mãe geralmente lidera na criação de uma atmosfera religiosa em seu lar e no fornecimento de experiências religiosas tangíveis para a família. Em geral, é a mãe quem nutre os costumes religiosos no lar e inicia as práticas religiosas.

De outro lado, sempre que a criança tem o anseio de fazer alguma aventura, ela geralmente se dirige a seu pai. Os pais são destemidos, estimulam a criança a desafiar o perigo, a não temerem o mundo, mas sim desbravá-lo. Os órgãos sexuais masculinos são para fora do seu corpo, mostrando essa tendência de sair para o mundo. Homens são os conquistadores, os provedores, os protetores. Eles oferecem segurança e força. Sua maior recompensa é saber que sua esposa e seus filhos estão bem cuidados.

Em virtude disso, o pai é a autoridade fundamental da família. Como tal, ele é chamado a ser um reflexo de Deus Pai para seus filhos. As palavras de Jesus “Sejam perfeitos, como é perfeito o Pai de vocês que está no céu” (Mt 5,48) se aplicam aos pais de uma forma muito especial. Sem a experiência de um pai amoroso em nível humano, as crianças podem ter uma dificuldade muito grande de ter um relacionamento amoroso com Deus Pai quando forem adultos. O maior apostolado que um homem pode fazer como homem e como pai é mostrar Deus para seus filhos.

Os pais devem ser bons para seus filhos mesmo se seus filhos não são bons com eles, para refletirem a bondade e misericórdia de Deus Pai. Lembrem da história do filho pródigo: mesmo tendo errado, o pai recebeu o filho de braços abertos. Isso não significa que os pais (nem as mães) devem aceitar desrespeito ou mal comportamento de seus filhos. Significa que o pai carrega sua família em seu coração e age sempre com a máxima benevolência com ela enquanto guia seus filhos pelo caminho do bem.

Para reflexão:
1. De que maneiras você demonstra a paternidade/maternidade para seus filhos?
2. Como vocês podem ajudar um ao outro a ser mais paterno ou materno?
3. O pai é a autoridade fundamental em sua família? Se não é, como vocês podem trabalhar juntos para assegurar que ele seja, ao mesmo tempo mantendo o papel da mãe como uma autoridade de apoio?

* as reflexões de hoje foram inspiradas no livro "Strenghtening your family", de Marge Fenelon.
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terça-feira, 18 de outubro de 2016

SENHOR, ESCUTAI A NOSSA PRECE!


Ouvi um testemunho de uma pessoa que estava numa sala de espera de um Pronto Socorro, quando uma família chegou com uma criança doente. Assim que a criança entrou para ser atendida, os demais membros da família se abraçaram e começaram a rezar em voz alta, pedindo a Deus que tudo corresse bem e a saúde da criança fosse restabelecida.

Quando soube disso, fiquei pensando: será que faria o mesmo em tal situação? Sempre achei que nossa família fosse uma família de oração, mas esse testemunho me fez refletir de como podemos melhorar nesse quesito. Essa família não estava dando um show; eles estavam em uma necessidade e pediram ao Pai Celestial por sua ajuda. O ambiente não importava - eles fizeram o que ocorreu naturalmente a eles, e ficou óbvio que a oração era parte de suas vidas diárias.

A oração faz parte de nosso dia a dia? Ela é tão natural para nós que podemos começar a rezar em qualquer hora, em qualquer lugar? Talvez não tenhamos uma personalidade que nos leve a rezar em voz alta em lugares públicos, mesmo numa crise. Mas no mínimo rezar - ter Deus em primeiro lugar em nossos pensamentos em qualquer situação - é o que o Primeiro Mandamento requer de nós.

A oração é muito mais do que apenas pedir a Deus o que nós queremos. Na oração, reconhecemos o poder e a bondade de Deus e admitimos nossa própria necessidade e dependência dele. Quando rezamos, expressamos nossa fé e esperança em Deus. Através da oração, obtemos a graça e elevamos nossas mentes e corações para um maior conhecimento e amor por Deus. Quanto mais rezamos, mas chegamos a conhecer e amar a Deus. É como o exercício, quanto mais nos exercitamos, nossas mentes ficam mais eficientes e nossos corpos mais fortes. Eventualmente, o exercício se torna parte de nossa rotina e nós o fazemos sem mesmo refletir muito. O mesmo acontece com a oração.

O sinal mais óbvio de amor a Deus é a oração. Cada oração realmente boa contém não apenas pedidos e expressões de pesar por nossas falhas, mas também louvor e adoração a Deus.

A oração não é apenas sobre falar, mas também sobre ouvir. Aqui lembro um testemunho da Ir. Petra sobre nosso o Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ela contou que após terminar um trabalho importante, o padre pediu que ela levasse o texto ao Santuário e o apresentasse a Nossa Senhora. Ela foi, colocou sobre o altar, fez alguns minutos de oração pedindo que a Mãe de Deus cuidasse daquele trabalho e saiu. Então, o Pe. Kentenich perguntou o que a Mãe de Deus  havia dito. Ela ficou confusa e quando contou a ele como havia feito, ele respondeu que ela saiu muito rápido do Santuário, justamente quando Nossa Senhora iria dar a resposta. Então, ela voltou ao Santuário, ficou em silêncio e pediu que a Mãe de Deus lhe respondesse. Depois de algum tempo, ela começou a sentir em seu coração aquilo que a Mãe queria lhe transmitir.

Como todo bom hábito, a oração requer frequentes lembretes. Para nós católicos, os sacramentais são sinais e símbolos que nos aproximam de Deus, como por exemplo, água benta, a cruz, imagem de Nossa Senhora, terços, imagens de santos, etc. Eles são como aqueles bilhetinhos que penduramos para não esquecer um compromisso importante, nos lembrando de Deus e de sua bondade.

Não existe um manual a se seguir quando se trata de oração, principalmente oração em família. Cada um deve se ajustar de acordo com as necessidades e capacidades da família. Mas o importante é rezar junto, pelo menos uma vez ao dia. 

Para refletir:
1. Como é a nossa vida de oração em família?
2. Como podemos fazer dela um momento que dê mais fruto?
3. Que tipo de oração funciona melhor para a nossa família? Como você pode aproveitar isso para ajudar seus filhos a fomentar um relacionamento mais animado e mais pessoal a Deus?

photo credit: ashley rose, <a href="http://www.flickr.com/photos/22196205@N03/3902458347">70.365 please God hear my cries</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

FÉ PRÁTICA NA DIVINA PROVIDÊNCIA


Todos recebemos o dom da fé pelo Batismo, mas ela é só uma semente, precisamos desenvolve-la no decorrer de nossa vida. Para isso, precisamos conhecer as verdades da fé, aquilo no qual acreditamos e principalmente a pessoa na qual depositamos nossa fé.

Mas não se trata apenas de um conhecimento intelectual, mas de uma vivência, de um verdadeiro encontro com Jesus, o nosso, o meu Salvador. Precisamos aumentar sempre a consciência de que Jesus não só salvou toda a humanidade, mas Jesus salvou a mim! A oração e a frequência ao sacramentos, especialmente a Eucaristia, onde Jesus se dá a mim e deseja se tornar um só comigo e a Confissão, onde ele mesmo perdoa os meus pecados, são a chave para que nossa fé cresça e amadureça.

Possuir uma fé prática na Divina Providência significa que eu acredito que Deus é Pai, Deus é bom e bom é tudo aquilo que ele faz e permite. Eu sei que tudo aquilo que acontece em minha vida faz parte de um plano de amor que ele executa com infinita sabedoria, poder e misericórdia. O grande objetivo que Deus tem para a minha vida é que um dia eu esteja com ele no Céu, gozando das glórias do Paraíso. E tudo aquilo que acontece em minha vida, tem por trás esse plano de amor de Deus.

Deus está sempre tentando se comunicar conosco, mas muitas vezes não conseguimos escutar a sua voz. Ele nos fala através dos acontecimentos, não só na nossa própria vida, mas todos os acontecimentos da história, no mundo inteiro. Ele deseja que sejamos seus cooperadores livres para construir a história conosco. Devemos buscar interpretar esses sinais através dos quais Deus nos fala. Guiados pela luz da fé, devemos tentar entende-los, aprendendo a distinguir sua voz.

O "filho da Providencia" pergunta em todas as situações: "Pai, o que quer que eu faça? Qual é a sua vontade?" A atitude providencialista consiste na constante busca filial da vontade de Deus Pai e na disposição permanente em realizar esta vontade, mesmo que custe pesados sacrifícios.
Para descobrir a vontade de Deus devemos aprender a escutar as vozes do tempo (o que Deus nos diz através das circunstancias), as vozes da alma (o que Deus nos diz através de nossa consciência, aquilo que o Espírito Santo sussurra em nosso coração) e as vozes do ser (o que Deus nos diz através de sua Palavra e das leis naturais)

Como fazer isso na prática? Através da meditação diária dos acontecimentos da sua vida. Não podemos achar que tudo (trabalho, família, saúde) é "natural", tudo devemos agradecer a Deus. Meditar, no sentido em que entendemos aqui, não consiste em refletir, analisar ou aprofundar o conhecimento sobre uma realidade religiosa por meio do estudo. Seu objetivo não é saber mais ou conhecer mais, mas amar mais. O objetivo da meditação não se centra na aquisição de novos conhecimentos, mas do aprofundamento de nosso vínculo de amor pessoal com Deus.

No próximo post falarei mais detalhadamente sobre como colocar em prática essa meditação que nos ajuda a possuir uma fé prática na Divina Providência. Porém, apenas para dar uma dica, podemos sempre fazer três perguntas frente a um acontecimento em nossa vida:

a) O que Deus quer me dizer com isso?
b) O que devo dizer a mim mesmo? Trata-se de um tipo de exame de consciência: como compreendi esta verdade em minha vida? Como a aproveitei? Como a apliquei?
c) O que digo a Deus? Isto é o principal: que aprendamos a dialogar com Deus, que cultivemos uma vida mais profunda e interior, uma comunhão a dois com Deus.


Com essas respostas, aos poucos, nosso amor e vinculação a Deus aumentam, nossa confiança de que somos pessoalmente cuidados por um pai amoroso também crescem e experimentamos cada vez mais uma paz interior que nem as maiores tribulações podem nos tirar. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A BELEZA DO AMOR

O amor verdadeiro é de uma beleza indescritível. Supera todo sofrimento e é capaz de realizar os anseios mais profundos de nossa alma. Mas será que conhecemos esse amor? Já o experimentamos? É possível vive-lo em nossa sociedade tão individualista e utilitarista?

SIM É POSSÍVEL! E mais, todos nós devemos experimentar e viver a beleza do verdadeiro amor humano, pois para isso somos chamados! Além disso, precisamos proclamar a todos essa beleza, esse tesouro que está à disposição de quem quiser e estiver disposto a lutar por ele.

Gostaria de salientar hoje as quatro características do amor conjugal, segundo exposto tão sabiamente pelo nosso querido S. João Paulo II, em sua Teologia do Corpo. Ele revela que o verdadeiro amor é livre, fiel, total e fecundo. Faltando uma dessas características, pode ser outro sentimento, mas não é amor.

O amor livre significa que a pessoa só pode amar se livremente escolheu amar. O amor não pode ser imposto, não pode ser exigido. Não pode ser condicional também: eu amo se você me amar, ou eu amo se você fizer isso ou aquilo.

O amor exige a fidelidade, a entrega a uma só pessoa por toda a vida. Não é moralismo, nem machismo (já ouvi dizer que a fidelidade foi “inventada” pelos homens para garantir que saberiam quem eram seus filhos!!), é até uma questão de lógica. Conhecer uma pessoa leva tempo, saber como torna-la feliz também. Exige dedicação e muita energia. Como amar uma pessoa, querer se entregar a ela, mas ao mesmo tempo buscar também outra pessoa? A fidelidade está no profundo de nosso ser: ninguém deseja ser apenas mais um na vida do outro. Queremos ser os únicos.

O amor deve ser total, completo. Se não nos entregamos por inteiro, com tudo o que somos e temos, não estamos amando. Não dá pra falar: eu te amo só com o meu corpo, minha mente é só minha, não te pertence. Ou eu vou te amar só por dois anos, três meses e cinco dias. Soa até ridículo! Ou ainda posso te dar meu afeto, mas não estou disposto a compartilhar meus bens, minhas ideias, meu futuro.

Claro que a individualidade permanece, quando eu amo, continuo sendo eu mesmo, mas estou disposto a entregar todo o meu ser para a pessoa amada, para o seu bem, para a sua felicidade. Estou disposto a ser uma pessoa melhor, a buscar corrigir os meus erros, tudo para o bem do outro.

E por fim, o verdadeiro amor é fecundo, gera vida. O amor deseja se multiplicar. Ele é muito poderoso e muito grande para permanecer apenas entre duas pessoas. Isso é tão maravilhoso que um novo ser humano é gerado a partir de um ato concreto de amor. A forma que somos chamados a existência é através da celebração do amor de nossos pais!

Se isso que acabei de dizer faz sentido para você, se você concorda que para ser amor é necessário que seja livre, fiel, total e fecundo, então procure colocar isso na prática! Se isso faz sentido, então não é possível aceitar um aborto, que seria matar o fruto do próprio amor! A contracepção também não pode ser aceita, pois estou dando ao outro tudo menos a minha fertilidade. As relações sexuais pré-matrimoniais também não representam o verdadeiro amor, porque um casal nessas situações ainda não prometeram a fidelidade para toda a vida e provavelmente também usam métodos contraceptivos para impedirem que seu amor seja fecundo.

E toda vez que agimos contra essas características do verdadeiro amor, acabamos por matar o amor... Infelizmente é isso que presenciamos todos os dias em nossa sociedade. Precisamos propagar essa verdade para todos os lados, para não sermos enganados pela cultura do prazer que nos envolve e também para ajudar as outras pessoas a identificarem seu sentimentos e a lutar por um amor verdadeiro.