terça-feira, 24 de maio de 2022

O SEU AMIGO MAIS PODEROSO



Como está seu relacionamento com seu amigo mais poderoso? Você sabia que Deus deu a você um amigo muito poderoso, eternamente fiel e que pode te ajudar a alcançar o maior bem de todos: a salvação eterna?!

Ao contrário do que pode estar no imaginário das pessoas, o anjo da guarda não é um bebezinho fofinho de cabelos cacheados ou um anjo que cuida de nós apenas quando somos crianças.

O anjo é uma criatura de puro espírito, extremamente inteligente e poderoso. Todas as vezes que aparece nas Sagradas Escrituras causa espanto e até medo naquelas pessoas com as quais ele se comunica (Gn 19,1; Lc 1,12; Lc 2,9; etc). O Catecismo da Igreja Católica nos ensina:

“336. Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.”

Deus ama cada ser humano com amor infinito e deseja que todos, um dia, possam gozar da eterna alegria no Céu. Assim, para nos ajudar nessa jornada, recebemos de Deus um santo anjo da guarda, que tem como missão justamente nos ajudar a chegar no Céu.

O Pe. Paulo Ricardo nos ensina: “Então, os anjos da guarda querem e lutam pela salvação dos homens – inspirando-os, iluminando-os e, às vezes, até realizando milagres e lutando contra os próprios demônios. Como são instrumentos santos que possuem inteligência e são livres, eles são chamados de "ministros", pois foram colocados por Deus ao nosso serviço. São João Bosco, ao recomendar a invocação ao anjo da guarda na hora das tentações, dizia que "ele deseja ajudar você mais do que você deseja ser ajudado por ele".

Portanto, a única coisa que precisamos fazer é pedir a sua poderosa ajuda! Infelizmente nosso mundo moderno fechou os olhos para o mundo espiritual que é tão real como o mundo material. Ao vivermos olhando somente para o que é material, esquecemos de cuidar do que é mais importante: o destino eterno de nossa alma quando morrermos.

Desta forma devemos aprender a nos relacionar com nosso santo anjo da guarda. S. Pe. Pio, que tinha o dom de ver e conversar com os anjos da guarda, dizia que não devemos deixar nossos anjos “ociosos”, precisamos dar a eles muitos trabalhos! Em uma carta ele escreve: “Mantém sempre [teu anjo] diante dos olhos da alma, recorda-te com frequência da presença desse anjo. Agradece, ora, nutre sempre para com ele uma boa companhia. Abre-te e confia a ele teus sofrimentos. Toma sempre cuidado para não ofenderes a pureza do seu olhar: toma conhecimento e fixa bem esta verdade em tua alma. Ele é muito delicado, muito sensível. Dirige-te a ele em momentos de suprema angústia e experimentarás os seus benéficos efeitos.”

Já há alguns anos aprendi essa devoção e posso dizer que converso com meu anjo da guarda todos os dias. Conto aqui apenas uma das muitas experiências que tive com o meu anjo:

No dia 18 de outubro de 2014, o Movimento Apostólico de Schoenstatt, no qual sou consagrada, completaria 100 anos. Os planos eram ir para a Alemanha celebrar esse momento, mas em fevereiro/2014 precisei fazer um transplante de medula óssea para curar um linfoma. Por causa do transplante e da queda da imunidade, tive muitas intercorrências durante o ano e no dia 10 de outubro, fui internada mais uma vez com problemas pulmonares.

Meu desejo era ter alta até o dia 18, pois assim poderia, ao menos, ir à Santa Missa para comemorar uma data tão especial. Porém, até o dia 17 não tinha perspectiva de ter alta, então pedi ao meu anjo da guarda que, ao menos, eu pudesse receber a Sagrada Eucaristia nesse dia. Liguei para a pessoa responsável por enviar o sacerdote ao hospital e ela me disse que infelizmente não seria possível. Havia muitas chamadas e eles estavam atendendo só os casos graves, onde a pessoa estava na UTI.

Desligando o telefone, eu estava muito chateada e dei uma “bronca” no meu anjo da guarda. Disse que minha situação já era bem ruim e ele não tinha conseguido nem que eu comungasse...

No dia 18, a primeira boa notícia logo cedo: inexplicavelmente meus exames tinham melhorado muito de um dia para o outro e eu teria alta logo após o almoço! Fiquei super feliz, já liguei para meu marido avisando que poderia vir me buscar. Porém, teria que ficar de repouso em casa e, então, não poderia ir a Santa Missa.

Comecei a agradecer meu santo anjo, pedindo desculpas pela bronca do dia anterior quando toca o telefone. Era a pessoa responsável por enviar o sacerdote. Ele me disse exatamente essas palavras: “Olha, Flávia, seu anjo da guarda é muito poderoso. Acabamos de receber uma ligação da UTI aí do hospital onde você está e o sacerdote já está a caminho. Como ele estará por aí, levará a comunhão para você também!”

Fiquei maravilhada e muito agradecida. No fim, além de receber a sagrada eucaristia eu ainda tive alta e pude voltar para casa, para celebrar essa data tão importante junto ao meu marido e meus filhos.

Esse foi só um dos inúmeros testemunhos que poderia contar sobre as vezes que percebi a ajuda do meu anjo da guarda. Fora as vezes que ele certamente me ajudou e eu não percebi. Assim, incentivo a todos a pedirem ajuda e se deixarem inspirar por esse amigo tão poderoso e que nos ama tanto. Outra dica é pedir ajuda aos anjos da guarda das pessoas com as quais você se relaciona. Aqui, sou muito amiga dos anjos da guarda dos meus filhos. Peço sempre que me ajudem na educação de cada um deles e que me inspirem caso algum precise de uma atenção ou um auxílio mais específico. Nunca fiquei sem resposta!

Photo by Yoann Boyer on Unsplash 

quinta-feira, 31 de março de 2022

JESUS ME PREGOU UMA PEÇA


 

Um testemunho e convite a fazer adoração ao Santíssimo Sacramento

Na época da minha juventude, acreditava que a adoração eucarística era feita somente pelas freiras, aquelas que viviam na clausura. Eu frequentava o Santuário de Schoenstatt e rezava ali com Jesus no Sacrário, falava com a Mãe de Deus, mas não entendia aquela oração como verdadeira adoração.

Os anos foram passando e comecei a entender um pouco da importância da adoração. Ganhei uma oração chamada “15 minutos diante do Santíssimo Sacramento” (desconheço a autoria) e passei a tentar, pelo menos uma vez por mês, ficar diante do Santíssimo, fazer essa oração e um pouco de meditação.

Passaram vários anos e muitas vezes não cumpri esse propósito de fazer a adoração mensalmente. Mas parece que Jesus continuava me chamando. Em 2018 ganhei um livro chamado “Flores da Eucaristia”, de S. Pedro Julião Eymard, contendo meditações para cada dia do ano, falando sobre o Santíssimo Sacramento.

Necessidade de adoração

Ao ler essas palavras, entendi melhor a necessidade de adoração:

“Adorar é partilhar a vida de Maria sobre a Terra quando adorava o Verbo Encarnado em seu próprio seio virginal, e quando O adorava no presépio, na Cruz, na Divina Eucaristia. Adorar é partilhar a vida das grandes almas, cuja felicidade nesse mundo consistia em permanecer aos pés do Tabernáculo para adorar o Deus aí oculto e render-Lhe toda glória, todo amor de que eram capazes (...) Adorar é partilhar a vida dos Santos do Céu, onde eternamente louvam e bendizem o amor, a bondade, o poder, a glória, a divindade do Cordeiro imolado pela salvação dos homens e pela maior glória de Deus seu Pai. Que felicidade começar na Terra o que faremos por toda eternidade aos pés do trono de Deus! Que ventura fazer parte da coorte eucarística de Jesus Cristo neste mundo, conviver com sua Adorável Pessoa, constituir-Lhe uma guarda de honra, viver desde já uma vida celeste! Adorar é o ato soberano da virtude de religião, e que, por si só, substitui os outros todos, porque possui o valor de todos, e de todos é o fim.” (meditação do dia 10 de setembro)

Então, comecei a tentar fazer adoração uma vez por semana, por uma hora. Ficou claro para mim que se meu desejo é passar a eternidade com Jesus no Céu, tem lógica eu passar um tempo com ele diante do Sacrário. Ouvi dizer também que essa hora é entendida como aquela hora no Horto das Oliveiras, onde os apóstolos dormiram e não conseguiram rezar com Jesus. Então, fazemos esse tempo de adoração nos colocando junto a Jesus em seu momento de agonia. No começo, exigia um certo sacrifício para cumprir esse propósito, mas depois, era uma hora que eu ansiava por ficar junto a Jesus, que está prisioneiro no Sacrário.

Visitas diárias a Jesus Sacramentado

Bom, passado mais um tempo em que a adoração semanal se tornou para mim uma agradável prática, senti o chamado a todos os dias passar alguns minutos diante do sacrário. Como tenho o privilégio de morar a poucas quadras da minha paróquia, era fácil passar todos os dias lá e falar um “oi” pra Jesus. Era só isso mesmo: entrava na Igreja, ia até o Sacrário, ajoelhava, falava “oi”, as vezes rezava alguma coisa e logo ia embora. Não durava nem 5 minutos. Apenas uma vez por semana que passava a hora toda com Jesus.

Com todos os compromissos que tinha, marido, casa, filhos, apostolado, para mim já estava no limite, afinal, não era uma freira enclausurada, simplesmente era impossível passar mais tempo com Jesus eucarístico. Nessa época também já participava das missas diárias, então, no meu ponto de vista, já era o suficiente.

E aí veio a pandemia... Quanta saudade eu senti de poder fazer adoração e de receber a santa eucaristia! Por graça de Deus, alguns sacerdotes piedosos as vezes expunham o Santíssimo Sacramento em algum local e eu podia fazer um pouco de adoração. Tivemos também a graça de poder participar de algumas missas dominicais nesse tempo tão difícil do fechamento das igrejas.

Jesus me pregou uma peça!

Em julho de 2020, uma amiga me falou que em uma paróquia perto da minha casa, Jesus Eucarístico estava exposto durante todo o dia e todos os dias da semana e ela estava organizando uma escala para Jesus não ficar nenhum momento sozinho. Claro que aceitei fazer parte dessa equipe de adoradores e passei a ir todos os dias na igreja passar uma hora com meu Senhor e Salvador.

Passados dois meses, o pároco decidiu voltar Jesus para o sacrário, então não seria mais necessária nossa equipe de adoradores. Foi então que percebi que Jesus havia me pregado uma peça! Depois de todo esse tempo indo todos os dias, inclusive nos fins de semana, passar essa hora juntos, como que agora eu poderia falar que não era possível? Que não dava certo? Que não tinha tempo?

Além disso, vi que minha intimidade com Jesus havia crescido muito nesse tempo, então, não tive como parar. Atualmente só nos fins de semana que não faço a hora toda, para não tirar muito tempo do convívio familiar, mas sigo firme visitando Jesus todos os dias.

Assim, convido a todos a fazer essa experiência de passar um pouco de tempo com Jesus diante do Sacrário. Sei bem que cada um tem a sua realidade, seus compromissos, mas vale a pena fazer um pouco de esforço para ficar com Jesus. E se os seus horários são incompatíveis com os horários em que a igreja está aberta, é possível também fazer uma adoração espiritual. Existem lugares em que o Santíssimo fica exposto 24h por dia e há transmissão por Youtube (esse aqui é na Polônia https://www.youtube.com/watch?v=QVpT2mBq5Zk). Você pode visitar espiritualmente esse sacrário e fazer seu momento de adoração.

Encerro com mais algumas palavras de S. Pedro Julião Eymard:

“Admirai os sacrifícios que Jesus se impõe a Si mesmo em seu estado sacramental: oculta sua glória divina e corporal a fim de não vos amedrontar e ofuscar – oculta sua majestade para que não temais vos acercar dEle e Lhe falar como um amigo a seu amigo – retém o seu poder a fim de não vos atemorizar ou vos punir – não vos mostra a perfeição de suas virtudes para não desanimar vossa fraqueza – modera mesmo o ardor de seu Coração e de seu amor para convosco, visto que não lhe poderíeis suportar a força e a ternura – deixa-vos entrever tão somente a sua bondade que transluz e se escapa através das santas espécies como os raios do sol por entre a nuvem diáfana. Oh! Quanto Jesus Sacramentado é bom! Está disposto a vos receber a toda hora do dia e da noite, pois seu amor não conhece repouso, está sempre cheio de doçura para convosco. Esquece os vossos pecados, as vossas imperfeições, quando ides visitá-Lo, e vos fala somente de sua alegria, de sua ternura, de seu amor. Ao receber-vos, dar-se-ia que tem necessidade de vós para ser feliz.” (meditação do dia 23 de setembro)

 

Photo by Łukasz Dańczak on Unsplash

terça-feira, 15 de março de 2022

EU NÃO QUERO PERDOAR

 


Eu não quero perdoar. Não é justo. Essa pessoa me magoou demais. E o pior: não se arrependeu e não pediu perdão.

E agora? Será que essa atitude de não querer perdoar realmente me faz bem? Quando alguém me causa um mal, essa ofensa atinge diretamente o meu sentimento de justiça. E a justiça exige reparação para o mal cometido e a punição daquele que ofendeu.

Porém o perdão está além da justiça, ele entra no âmbito da misericórdia. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão a misericórdia” (Mt 5,7). A misericórdia implica em dar ao outro aquilo que ele NÃO tem direito. E o que deve nos mover a agir com misericórdia, é o amor.

São Paulo nos exorta: "Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entra­nhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição." (Col 3, 12-14)

O perdão liberta

Somos convidados a colocar em prática a misericórdia e o perdão. Mas por quê? É porque o perdão nos liberta. Aquele que fica remoendo os fatos, revivendo os acontecimentos que feriram o seu coração, permanece escravo daquele que o ofendeu. Escravo porque não se liberta e não consegue viver sem pensar naquela ofensa.

Quando conseguimos perdoar, nos sentimos mais leves, mais felizes, gerando até um sentimento de compaixão por aquele que nos ofendeu. Conseguimos também nos libertar do passado, de ficar tentando modificar o que já aconteceu ou ficar imaginando como tudo seria se aquela ofensa não tivesse acontecido.

Consciência das próprias limitações

Perdoar não é esquecer e nem fingir que não aconteceu nada. Perdoar é tomar a decisão de que aquela falta que o outro cometeu contra si não vai mais lhe incomodar. E para isso, a pessoa precisa ter a consciência de que também erra, de que também magoa e que precisa sempre do perdão do outro.

Quanto maior for a consciência de que somos seres limitados, de que frequentemente cometemos erros, de que sempre precisamos do perdão, principalmente de Deus, mais fácil será perdoar os erros do outro, principalmente os daqueles que convivem diariamente conosco.

Devemos pensar: se eu tivesse nascido na mesma família da pessoa que me ofendeu, sofrido os mesmos traumas, recebido a mesma educação, poderia até agir muito pior que essa pessoa que me magoou. Precisamos procurar remover as camadas dos defeitos e até das maldades dessa pessoa, para enxergar o bem que certamente há em seu coração.

O perdão não é uma solução para ofensa

O perdão não é ficar indiferente. Não é uma solução para ofensa, ficar frio ou insensível perante o mal. Implica sofrer, sentir a pena e depois perdoar e desculpar quem ofendeu. Perdoar significa que o amor que sentimos é tão grande que vence a ofensa.

O fato de ter perdoado a pessoa não significa necessariamente que preciso conviver com ela ou reatar o nível de intimidade que havia antes da ofensa. Não precisamos nos expor a sermos ofendidos novamente, mas devemos aprender a ter uma convivência sem rancores.

Perdoar não é fácil, mas é possível

Perdoar não é uma atitude fácil. Dependendo do grau da ofensa, da profundidade da cicatriz deixada, o perdão pode demorar muito tempo para ser alcançado.

Não é preciso ter pressa. O que é urgente é decidir que irá perdoar e que aquela falta, aquela mágoa, não irá mais lhe aprisionar. Devemos sempre pedir a Deus, a graça do perdão. Aproximar-se do coração de Jesus, que tem um bálsamo eficaz para curar as feridas do seu coração. Sem a graça de Deus, não é possível perdoar, pois a nossa natureza ferida pelo pecado original é orgulhosa e tende sempre a pensar em si mesma, em sua ferida, olhando os acontecimentos somente pelo seu ponto de vista. O orgulhoso não perdoa. É preciso humildade para pedir perdão e para perdoar.

Ferramentas para conseguir perdoar

O Sacramento da Reconciliação (Confissão) é um meio importantíssimo para conseguir o perdão, tanto de si mesmo, como perdoar os demais. É um sacramento de cura, que restaura a alma e traz a paz interior. Pode demorar muito tempo para conseguirmos perdoar, mas a Confissão é um verdadeiro remédio, que vamos tomando até fazer efeito.

Outro instrumento que podemos usar para nos ajudar a sermos misericordiosos é o “terço do perdão”. Usamos um terço comum, iniciamos com o Creio, Pai Nosso e 3 Ave Marias. Nos mistérios, rezamos o Pai Nosso e nas contas, ao invés de rezar a Ave Maria, rezamos: “eu perdoo (falar o nome da pessoa) e ela me perdoa.” Quando acabar as 5 dezenas, rezar a Salve Rainha.

Como sei que perdoei alguém?

Sabemos que realmente conseguimos perdoar quando lembramos do acontecido, sem que essa memória traga algo de ruim, de perturbação. O perdão faz com lembremos, mas ficamos leve, não pesa o coração.

O perdão é fundamental e precisa ser dado sempre e nas pequenas coisas, desde algo que o irrita e que a pessoa faz sem saber até as coisas que ela faz conscientemente para irritá-lo e magoá-lo. O perdão devolve o equilíbrio ao relacionamento e quando ele é negado, pode causar inúmeras doenças, inclusive o câncer e outras doenças autoimunes.

Vamos seguir o exemplo de Jesus que nos ensinou a rezar: "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam" (Mt 6,12). E também na Cruz, pediu: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem” (Lc 23,34).


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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

A FELICIDADE DEPENDE DAQUILO QUE TE MOTIVA

 


Fomos criados para sermos felizes e cada ser humano vive nessa constante busca da felicidade. Porém, a intensidade e a duração da sua felicidade dependem das suas motivações.

"Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.” (Jo 15,11) Jesus já nos ensina que o desejo de Deus para cada um de nós é a completa alegria, a felicidade sem fim. Por causa do pecado, esse tipo de felicidade infinita não é possível enquanto estamos aqui na terra, porém podemos chegar muito perto disso, dependendo das escolhas que fazemos.

A felicidade não é uma coisa estática, como uma foto, mas é um estado de ânimo que depende muito mais de nossas disposições interiores do que de acontecimentos externos. Por isso, dependendo de como buscamos a felicidade, de qual é a nossa motivação, podemos encontrá-la ou não.

Motivação do prazer

Podemos identificar três motivações básicas do homem para buscar a felicidade, segundo Peres Lopes: o prazer, a intelectualidade e a transcendência. A motivação pelo prazer é a motivação mais básica, que os animais também possuem. A pessoa é movida a agir para sentir prazer, como comer, beber, dormir, ter relações sexuais, entre outros. A recompensa por essa ação geralmente é imediata e pode ser muito intensa até, porém essa sensação logo passa. Isso é causada pela dopamina, um neurotransmissor, que está relacionada com esse sistema de recompensa. Quando os neurônios desse sistema são ativados, eles liberam a dopamina em regiões específicas do cérebro, causando o aumento da sensação de prazer.

Com o vazio desse prazer que já passou, a pessoa busca novamente os mesmos estímulos, porém, cada vez precisa de um estímulo maior para ter a mesma sensação e muitas vezes esse tipo de felicidade fugaz vira um vício.

Motivação intelectual

O segundo tipo de motivação é aquela que estimula o intelecto. Não é mais uma motivação externa, como é o caso da busca do prazer e também não é acessível aos animais. O tipo de alegria proporcionada por essa motivação é uma alegria tipicamente humana, de satisfação pelo crescimento das habilidades intelectuais e do desenvolvimento pessoal. Consequentemente esse tipo de felicidade é mais intensa e mais duradoura que a causada somente pelo prazer e a razão disso é que esse tipo de satisfação exige um certo esforço por parte da pessoa. Não é uma satisfação automática que responde a um estímulo. É um processo, muitas vezes penoso, mas que no fim, gera essa alegria mais sóbria. Alguns exemplos são conseguir tocar um instrumento, ganhar uma competição esportiva ou aprender alguma disciplina, como matemática, física, etc.

Motivação transcendente

O tipo mais elevado de motivação que traz realmente uma felicidade mais plena e duradoura é a motivação transcendente, aquilo que vai além das sensações físicas e intelectuais, aquilo que ultrapassa o próprio ser humano, como por exemplo, a busca da glória ou o amor verdadeiro que deseja causar alegria para outra pessoa ou ainda fazer algo que tenha um impacto positivo para muitas pessoas. Esse tipo de motivação ajuda a pessoa a superar qualquer obstáculo, a fazer os maiores sacrifícios e faz tudo isso com uma grande alegria, pois o que busca não é um simples prazer efêmero ou uma conquista intelectual, mas um bem que ultrapassa a si mesmo.

Alguns exemplos desse tipo de motivação é o jovem que dá aulas gratuitas num cursinho da periferia, ou o voluntário que alimenta os moradores de rua ou o pai de família que realiza um trabalho que lhe custa muito, mas que é importante para o sustento de sua família ou ainda aquela pessoa que está disposta a entregar a própria vida por uma causa.

Felicidade duradoura

Assim, para conseguirmos ter essa felicidade duradoura, mesmo em meio ao sofrimento (do qual ninguém escapa), é preciso que nossas motivações sejam mais elevadas, buscando fazer o bem para os outros. “Buscai as coisas do alto” (Col 3,1), já nos orienta São Paulo.

Isso não significa que não possamos sentir prazer. O prazer foi criado por Deus e é uma coisa boa, mas ele não pode ser a finalidade das nossas ações. A motivação mais elevada que podemos ter é aquela do próprio Jesus: fazer em tudo a vontade do Pai (Jo 4, 34; Jo 6, 38). Essa é a alegria de Jesus que ele quer que esteja em nós, para que a nossa alegria seja plena.

Nossa meta: a santidade

A vontade do Pai para cada um de nós é que sejamos santos! Ser santo significa desenvolver todo o potencial para o qual fomos criados e um dia gozar da felicidade plena no Céu. Assim, precisamos conhecer a nós mesmos e vermos quais virtudes precisamos conquistar. Devemos utilizar todos os meios que a Santa Igreja coloca a nossa disposição para alcançarmos a santidade, que são os sacramentos, especialmente o da confissão e o da eucaristia. Buscar uma rica vida interior, com a oração e a meditação da vida diária, enxergando como o Pai se comunica comigo e demonstra seu amor por mim no dia a dia.

Portanto, busquemos a felicidade onde ela realmente está: em uma vida santa, de amor a Deus e aos outros.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

NASCEU PARA VÓS UM SALVADOR

 


Até que ponto cada um de nós tem a consciência de que Jesus nasceu para nos salvar? Para salvar a mim?

Há mais de dois mil anos, um anjo anuncia uma grande notícia para toda a humanidade: “nasceu para vós um Salvador” (Lc 2,11). Ela foi dada primeiro a um grupo de pastores, pessoas simples que deixaram seu rebanho e foram até Belém para adorá-lo.

Para os pastores essa notícia chegou de forma extraordinária, com a aparição de um anjo e depois uma corte celestial que cantava o Glória a Deus nas Alturas! Para cada um de nós, provavelmente essa grande notícia foi nos dada por uma pessoa querida, nossa mãe, nosso pai, nossos avós, talvez ainda misturando o nascimento de Jesus com a vinda o Papai Noel para ganharmos presentes.

Então desde cedo sabemos que Jesus nasceu e seu aniversário é uma grande festa. Porém, pode ser que até hoje ainda não nos conscientizamos que esse nascimento foi por minha causa, por sua causa, por causa do amor infinito do Pai para cada um de nós que quer, um dia, estar conosco na alegria eterna do Céu.

E para que o Céu fosse possível para nós, foi preciso que Deus mesmo se encarnasse no seio virginal de Maria Santíssima e nascesse numa pobre gruta em Belém. “Nasceu para vós um Salvador”. Com quanta alegria e gratidão devemos comemorar esse dia! Com quanto amor devemos tentar retribuir esse gesto de amor infinito.

Como posso aumentar essa consciência de que Jesus nasceu por minha causa?

Vivemos numa sociedade materialista, focada no aqui e agora, que não se importa com o transcendente. Então, precisamos nos esforçar para ter essa visão de Céu, de que necessitamos de salvação e de que o Salvador é uma pessoa que me ama e quer se comunicar comigo.

Assim, o primeiro passo é parar e contemplar. Reservar alguns minutos do dia para refletir essa realidade: “Nasceu para vós um Salvador” e Ele está no meio de nós! Olhar a natureza, olhar nos olhos daqueles que amamos e convivem conosco e enxergar o amor e a bondade de Deus através dessas pessoas e de todas as coisas criadas que foram colocadas a nosso serviço.

Podemos contemplar algum acontecimento do nosso dia, da última semana e nos perguntar: o que Deus quer me dizer com isso? O que eu digo a mim mesmo? Como posso responder a Deus? Essas três perguntas nos ajudam a enxergar o agir de Deus em nossa vida concreta, como a Divina Providência conduz os acontecimentos para a realização de Seu plano de amor para a vida de cada um de nós.

Depois, devemos agradecer. Alegrar-nos por estarmos vivos, por termos a capacidade de amar e de ser amados. Agradecer também as dificuldades que servem para nos amadurecer e nos aproximar de Deus, que quer cuidar de cada pequeno detalhe da nossa vida.

E por fim, retribuir. Recebemos tanto todos os dias, podemos tentar retribuir pelo menos um pouco, causando alegria a alguém, ajudando os mais necessitados, fazendo alguma renúncia, oferecendo esse sacrifício para o bem de quem mais amamos.

Desta forma, buscando trazer para a realidade do nosso dia a dia a maravilhosa notícia de que “nasceu para vós um Salvador” e realmente fomos salvos, que somos muito amados e de que apenas precisamos aceitar essa salvação e viver de acordo com essa realidade, aos poucos seremos pessoas melhores e mais felizes.





segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A FORÇA LIBERTADORA DA ROTINA

 


Apesar de parecer contraditório, possuir uma rotina com horários fixos para fazer as coisas efetivamente nos torna mais livres para sermos quem fomos criados para ser.

A palavra “rotina” normalmente é associada a monotonia, a uma repetição sem sentido, da qual todos querem se livrar. Porém, a rotina traz ordem ao nosso dia e, de acordo com os neurocientistas, nosso cérebro é condicionado a buscar sempre a ordem, pois ela permite que ele tenha previsibilidade para executar tarefas.  Isso traz tranquilidade, gera serotonina que é um neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.

O problema da desordem

Quando estamos em um ambiente desorganizado, nosso cérebro tem duas opções: ou perdemos tempo para organizar primeiro para depois cumprir nossa tarefa, por exemplo, estudar ou cozinhar ou precisaremos nos esforçar muito mais para conseguir nos concentrarmos para realizar essa mesma tarefa no meio da bagunça.

Isso acontece também com a nossa agenda. Se não temos horários para cumprir nossos deveres, nosso cérebro está sempre em uma situação de alerta, de não saber o que vai acontecer depois, causando muito mais cansaço, esquecimentos e frustrações. Podemos verificar essa realidade facilmente na vida das crianças: aquelas que vivem numa rotina bem estruturada, com horários para tudo: acordar, brincar, comer, tomar banho, estudar, dormir, são crianças muito mais calmas e tranquilas do que aquelas que não tem essa rotina fixa.

Liberdade para grandes realizações

A ordem remete ao belo, então quando vivemos de uma maneira organizada, nossa mente fica mais aliviada e mais livre para sermos mais criativos, para acharmos soluções para os problemas e principalmente realizar nossos grandes objetivos da vida.

O primeiro passo rumo a essa liberdade é gastar um pouco do tempo para pensar e estipular uma rotina. Uma sugestão é elaborar uma agenda com períodos de 30 minutos e anotar o que você deve fazer naquele tempo determinado. Comece com o horário para se levantar e siga preenchendo até o horário estipulado para dormir. Claro que tarefas que exijam um tempo maior para ser realizadas ocuparão mais de um espaço nessa agenda.

Você pode começar estipulando a rotina de 2ª a 6ª, deixando, a princípio, os finais de semana mais livres. Porém, com o tempo, verá que é importante também estabelecer alguma ordem para o fim de semana, mesmo que não seja tão rígida como a da semana.

Depois, é importante se concentrar para realizar a tarefa determinada no tempo estipulado. Como dizia S. Josemaria Escrivá: “faz o que deves e estás onde fazes”. Ou seja, não adianta ter um horário estipulado para preencher um relatório se nesse tempo estou pensando no que preciso comprar no supermercado. Ou no tempo que estipulei para brincar com meus filhos, ficar pensando na reunião que terei no dia seguinte. Na hora do trabalho, eu trabalho. Na hora de fazer compras, eu organizo a lista e faço as compras. E assim por diante.

Para aqueles que tem muita dificuldade com estabelecer e cumprir uma rotina, uma dica é começar escolhendo um período do dia para colocar na prática. Por exemplo, organizar primeiro o período da hora de acordar até a hora do almoço. Pratique por um tempo essa rotina e quando estiver mais seguro, organize também o período da tarde. E por fim, o período da noite.

Uma vida bem vivida

Não é necessário muito tempo praticando a ordem na rotina para colher seus frutos de tranquilidade e de sensação de liberdade. O tempo é um dos maiores dons recebidos de Deus e empregá-lo bem, cumprindo fielmente o nosso dever, aquilo que estabelecemos para fazer naquele determinado momento, nos proporciona uma sensação maravilhosa de realização pessoal.

“Realiza o teu dever e ele te realizará”, nos diz D. Rafael Cifuentes. As pessoas mais felizes são aquelas que sabem que estão cumprindo bem o seu dever e por isso são mais fortes, conseguem resistir melhor aos imprevistos que a vida lhes apresenta.

Nosso tempo é finito. Chegará um momento em que ele acabará e deveremos prestar contas de nossa vida ao nosso Criador, por isso precisamos cuidar muito bem do que fazemos com ele. E como somos um organismo integrado, perceberemos que, cumprindo bem nossa rotina, outros aspectos da nossa vida também melhorarão, teremos mais facilidade de lidar com nossos defeitos e limitações, podendo, pouco a pouco, nos tornarmos pessoas mais virtuosas e chegarmos ao fim da nossa vida com a tranquilidade do dever bem cumprido.


photo credit: Photo by Covene on Unsplash

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

VOCÊ ESTÁ QUEBRANDO PEDRA OU CONSTRUINDO UMA CATEDRAL?


A importância de saber o motivo de fazer as coisas

Ouvi uma história muito interessante sobre como um mesmo fato pode gerar diferentes pontos de vista, dependendo da motivação de cada um. Havia três homens que trabalhavam na construção de uma grande catedral. Aos três foi feito a mesma pergunta: “o que você está fazendo?” O primeiro respondeu: “estou quebrando pedra”; o segundo disse: “estou sustentando a minha família” e o terceiro falou: “estou construindo uma catedral!”

As três respostas estão absolutamente corretas, porém demonstram como cada um desses homens enxerga as suas atitudes, o seu trabalho. A visão do primeiro está focada no imediato, no que está fazendo naquele instante. Esse tipo de atitude frente à vida leva a pessoa a ser muito inconstante, a ser influenciada pelas circunstâncias, a simplesmente “reagir” aos acontecimentos e não ter uma postura de ação, de fazer porque sabe o que está fazendo. Aquele que enxerga só o momento, perde a noção do todo, da história; muitas vezes se sente entediado e tende a buscar “sensações”, prazeres físicos, para se sentir feliz.

A postura do segundo já mostra um pouco mais de sentido de responsabilidade pelos outros, de saber que a sua atitude influencia na vida de outras pessoas. Ele está quebrando pedra, porém com o objetivo de sustentar a sua família. A visão é um pouco mais ampla, mas ainda falta enxergar o todo, a beleza da existência humana, o motivo do próprio existir. Se a vida se limitar a cumprir as obrigações para ter o próprio sustento, ela é muito pobre (mesmo se cheia de dinheiro) e não preenche os anseios do coração humano.

O terceiro é aquele que entendeu realmente o profundo sentido de sua existência. Ele sabe que sua ação aqui e agora, mesmo que sirva para sustentar a sua família, vai ecoar por toda eternidade. As catedrais são monumentos que duram séculos, então por mais monótono que seja aquele quebrar pedra, ele é necessário para construir uma obra espetacular que estará de pé por muitos e muitos anos depois que acabar a existência desse pequeno construtor.

O verdadeiro sentido da nossa existência

Já disse o poeta: “ao brilhar de um relâmpago nascemos e ainda brilha seu fulgor quando morremos, tão curto é o viver”. Por isso é tão necessário entender o que estamos fazendo nesse mundo, saber que enquanto estamos aqui, temos a oportunidade de preparar nossa vida futura, aquela que nunca acabará, o destino eterno de nossa alma.

Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, falava da sacralidade do momento, de que esse instante em que estamos vivendo, jamais voltará, por isso precisamos vive-lo da melhor forma possível. Ensinava ainda sobre o “fiel e fidelíssimo cumprimento do dever” e de “fazer o ordinário de forma extraordinária”. Tudo isso para nos mostrar como é importante cumprirmos de maneira excelente as nossas obrigações de cada dia, pois as nossas atitudes aqui é que determinam a nossa qualidade de vida, nossa realização como ser humano e também o futuro da nossa alma quando encerrar nossa existência nesta terra.

Nosso Senhor Jesus Cristo passou 30 anos de sua vida no ordinário de sua família, cumprindo seus deveres, para dar o exemplo de como devemos agir no nosso cotidiano. Nesses anos todos Ele já estava realizando sua obra redentora, santificando a vida familiar, mostrando a importância da família e o valor redentor do trabalho bem feito.

A santificação da vida diária

Assim, a nossa santificação ocorre na nossa vida diária, que deve ser um caminhar constante rumo ao Céu. Minha avó Amábile sempre dizia que o bem que fazemos aqui, os gestos de amor, de doação, os pequenos e grandes sacrifícios, são como “tijolos” que enviamos para a construção da nossa casa no Céu. Quanto mais fizermos aqui, melhor será nossa morada na eternidade.

Para conseguirmos santificar o nosso dia, precisamos nos conscientizar da presença de Deus ao nosso lado e para isso precisamos da ajuda de nossa imaginação e de nossa memória. Sabe aquela paradinha que você dá para olhar as mensagens do WhatsApp durante o dia? Aproveite esses momentos para dizer “oi” pra Deus.

Essa saudação pode ser através de jaculatórias, que são “flechas” de amor que mandamos para o Céu. São frases curtas e simples que demonstram nossa vinculação ao mundo sobrenatural. Alguns exemplos: “Jesus, eu confio em vós!”, “Nossa Senhora cuide de mim!”, “Jesus eu te amo e quero estar um dia contigo no Céu!”, “Vem Espírito Santo!”, “Valei-me São José!” enfim, cada um pode também criar a sua preferida ou pegar inspiração na vida dos santos e nas jaculatórias que eles usavam.

Conforme vamos nos conscientizando dessa presença divina, conseguimos cumprir melhor nossos deveres, lutar contra nossas imperfeições e pouco a pouco enxergar o sentido da nossa existência, que não é apenas “quebrar as pedras”, mas “construir uma catedral”. O santo é um monumento vivo que demonstra toda a majestade divina, muito mais que uma catedral de pedras. Então, a busca e a luta pela nossa santidade é a maior catedral que podemos construir para Deus.  

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