quinta-feira, 3 de setembro de 2026

SEJA PARCEIRA DO ANJO DA GUARA DO SEU FILHO



Os anjos são criaturas muito poderosas que veem Deus face a face. Em todas as vezes que eles aparecem na Bíblia, causam espanto e admiração. Eles são mensageiros que levam nossas orações aos Céus e também trazem inspirações da parte de Deus. Eles intercedem por nós e podemos pedir sempre sua proteção. 

O Catecismo da Igreja Católica (336) nos ensina que cada pessoa tem um anjo da guarda que nos acompanha desde a nossa concepção até a morte e tem como missão nos guardar, proteger, inspirar, e principalmente nos ajudar a um dia estarmos na glória dos Céus.

Eu comecei a ter devoção pelo meu anjo da guarda ainda nos anos da juventude, depois de ler um livro sobre o S. Pe. Pio, que recomendava a cada pessoa que desse missões para o seu próprio anjo da guarda, para não o deixar ocioso. Essas missões pode ser, por exemplo, conversar com o anjo de outra pessoa que precisamos falar algo difícil, que ele vá na frente e abra o caminho para nós. Ou ainda coisas práticas, como ajudar a encontrar uma vaga de estacionamento, ou ajudar que acordemos no horário. Ultimamente ele tem me ajudado muito a lembrar das coisas que esqueço.

Tenho muitas histórias para contar sobre o meu anjo, de como ele realmente se faz presente em minha vida. Uma delas é que no início do de outubro de 2014 estava internada com problemas pulmonares, ainda uma sequela do transplante de medula que havia feito em fevereiro daquele ano. Sou consagrada no Movimento Apostólico de Schoenstatt que no dia 18 de outubro de 2014, completaria 100 anos de fundação. Era um dia muito importante para mim e se não estivesse doente, estaria na Alemanha para as comemorações. Como não pude viajar, gostaria pelo menos de participar das comemorações no Santuário de Schoenstatt mais próximo. Os dias foram passando e não tinha previsão de alta. No dia 17, então liguei para a casa dos sacerdotes que atendiam ao hospital, para ver se no dia 18 pelo menos eu poderia receber a Sagrada Eucaristia.

Fiquei muito triste quando o secretário avisou que a procura por sacerdotes estava muito grande naquele fim de semana e eles só estavam atendendo a hospitais se fosse caso muito grave, de risco de morte. Desliguei o telefone e imediatamente reclamei com meu anjo da guarda. Falei para ele que ele sabia o quanto era importante para mim aquele dia e que nem a eucaristia eu poderia receber. No outro dia, recebi um telefonema logo cedo. Era o secretário dos padres que me disse exatamente assim: “Seu anjo da guarda deve ser muito poderoso. Recebemos um chamado urgente do hospital onde você está para atender uma pessoa que está na UTI. E já que o sacerdote vai até aí, ele também poderá levar a comunhão para você”.

Fiquei muito emocionada e agradeci imensamente ao meu querido anjo da guarda. E as boas notícias continuaram: um pouco mais tarde o médico passou no quarto e disse que eu tive uma melhora inesperada e que naquele dia ainda eu poderia voltar para casa! Mais agradecimentos ao meu santo anjo que ainda me proporcionou esta alegria de poder voltar para casa depois de mais de 10 dias no hospital. 

Quando meu filho mais velho entrou na adolescência, pensei em entrar em contato também com o anjo da guarda dele e dos outros filhos. Pedi que eles me contassem sempre que algum dos filhos estivesse com alguma questão que eu precisasse saber e intervir. Eles sempre me atenderam. Certa vez meu filho mais velho começou a sair com uma menina sem que soubéssemos. Mais uma vez o anjo dele entrou em ação e eu tive a intuição de perguntar. Falei para ele: “Sei que você tem que me contar algo porque seu anjo me avisou”. Na hora ele reclamou, falou que o anjo dele era um dedo-duro e me contou o que estava acontecendo. Eu expliquei que o anjo dele só quer o bem dele, que o ama com amor infinito e quer que um dia ele esteja no Paraíso, por isso ele me contava as coisas que eu precisava saber para ajudá-lo. 

Meus filhos aprenderam a desenvolver um profundo relacionamento com o anjo da guarda deles, mesmo sabendo que eventualmente eu possa descobrir algo que eles não quisessem me contar. Eles já experimentaram o poder protetor dos seus anjos e como eles podem ajudar no crescimento espiritual e na vida prática. Quando os dois mais velhos estavam preocupados em encontrar uma boa pessoa para se casar, pediram ao anjo da guarda que fosse falar com o anjo dessa pessoa que já estava nos planos de Deus para eles e que providenciasse o encontro entre eles. O mais velho se casou esse ano e a filha já planeja o casamento para 2028...

Então, faça essa parceria com o anjo da guarda de seu filho. Ele o ama até mais que você, pois seu filho foi dado a ele por Deus, para que o ajude no caminho para a verdadeira felicidade. A missão dele é que seu filho seja santo e ame a Deus sobre todas as coisas. E, claro, dê muitas missões ao seu próprio anjo... Ele certamente irá ajudar você nessa árdua missão de ser mãe. 


sábado, 9 de agosto de 2025

MATERNIDADE ESPIRITUAL DOS SACERDOTES

 

                                  

Há alguns anos li a biografia da beata Conchita (María Concepción Cabrera Arias de Armida) uma mexicana mãe de 9 filhos que possuía uma profunda vida mística entre os afazeres de esposa e mãe. Ela recebeu um chamado especial para ser “mãe espiritual dos sacerdotes”. Todas as obras que fundou tinham o objetivo de ajudar e rezar pelos sacerdotes.

Muitas vezes pensei que ter uma vida mais contemplativa não é para mim, afinal sou esposa, mãe agora de filhos adultos e há algum tempo voltei à vida profissional, então esse estilo de vida espiritual seria reservada às religiosas que vivem no convento. Então, olho para a vida da beata Conchita e vejo que, se me entregar inteiramente a Cristo através dos meus afazeres diários, conseguirei contemplar e viver a busca pela santidade nas minhas circunstâncias.

Conchita recebeu graças extraordinárias e tinha uma vida verdadeiramente mística, mas mesmo assim é exemplo, pois se Deus escolheu uma esposa e mãe para uma missão tão grande, também chamou a cada esposa e mãe para cumprir sua própria missão, com uma vida espiritual plena, sem a qual o mundo não será tão bom e tão belo.

A importância de rezar pelos sacerdotes

Outra coisa muito importante que aprendi com a Beata Conchita foi a importância de rezarmos pelos sacerdotes. Ela chama de “maternidade espiritual dos sacerdotes”. É como se adotássemos os sacerdotes como verdadeiras mães espirituais, para rezarmos e nos sacrificarmos por eles.

Santa Teresinha do Menino Jesus também dedicou muitas orações aos sacerdotes. Em uma carta à sua irmã Celine, escrita em 14 de outubro de 1890 ela diz: Celine querida, é sempre a mesma coisa que tenho para te dizer. Ah! rezemos pelos sacerdotes, cada dia mostra como são raros os amigos de Jesus... Parece-me que deve ser isso que deve ser mais sensível a ele do que a ingratidão, principalmente ver as almas consagradas a Deus darem a outros o coração que lhe pertence tão absolutamente... (LT 122)

Rezar e cuidar espiritualmente dos sacerdotes é também uma forma de cuidar de nós mesmas, afinal, sem o sacerdote não temos os sacramentos, que são fundamentais para a salvação das nossas almas e das almas de todos os que amamos. Existe uma verdadeira batalha espiritual, onde o demônio quer afastar os sacerdotes de sua verdadeira vocação, de seu chamado para serem os instrumentos de Cristo para salvar as almas. E cada uma de nós pode ajudá-los, rezando e nos sacrificando por eles.

Salvar os outros

Imagine que você vê uma criança se afogando numa piscina. Imediatamente a reação é pular na piscina para salvá-la, mesmo se você não sabe nadar muito bem. Nosso instinto nos impele a tentar salvar a vida dessa criança.

Se tivéssemos olhos para enxergar o mundo sobrenatural, veríamos muitas almas literalmente se afogando num mar de pecados e se arriscando a morrer uma morte muito pior que a morte física, a morte eterna no inferno, um local de sofrimento, dor e ódio que jamais passarão. Nosso instinto também deveria nos levar a tentar salvar essas almas e uma das formas que podemos fazer isso é rezando pelos sacerdotes, que são os salva-vidas dessas almas, os paramédicos que tem o poder de restaurar a vida da graça àqueles que estão mortos pelo pecado.

Como praticar a maternidade espiritual

Existem algumas formas de viver essa maternidade espiritual dos sacerdotes. Você pode incluí-los nominalmente (os padres que você conhece) em suas orações, terços, adorações. Pode incluir os padres e todo clero em geral. Pode ainda fazer orações específicas pelos sacerdotes. Existem várias que pode encontrar online. Aqui vou mencionar uma que foi composta por Sta. Teresinha do Menino Jesus:

Ó Jesus, Sacerdote Eterno, guardai os Vossos sacerdotes no Vosso sagrado Coração, onde nada de mal lhes possa acontecer, conservai imaculadas as suas mãos ungidas, que tocam todos os dias o Vosso sagrado Corpo.

Conservai imaculado os seus lábios, diariamente, tingidos com o Vosso Preciosíssimo Sangue. Conservai os seus corações, que selastes com o sublime Sacramento da Ordem, puros e livres de todo o terreno.

Que o Vosso amor os proteja e os preserve do contágio do mundo. Abençoai os seus trabalhos apostólicos com abundantes frutos.

Fazei que as almas confiadas aos seus cuidados e direção sejam a sua alegria na Terra e formem no Céu a sua gloriosa e imperecível coroa. Amém. (PR 8)

A maternidade espiritual dos sacerdotes é acima de tudo uma preocupação com a santificação de todo o clero, a mesma preocupação que temos com nossos próprios filhos. Pode incluir cuidados materiais, se você tiver a oportunidade de ajudar algum sacerdote concretamente, seja oferecendo uma refeição, roupas, presentes em datas especiais. Muitos padres sentem-se solitários, então convidar para visitar a sua casa e passar algum tempo com a sua família pode ser uma forma de cuidar maternalmente deles.

A maternidade espiritual é uma devoção privada, não é preciso nenhum ato externo e ninguém precisa saber que você assumiu essa missão. Por ser espiritual, pode ser assumida também por aquelas mulheres que não são mães, sejam consagradas à vida religiosa ou não. Incentivo você a discernir em oração se esse seria um apostolado que possa assumir, juntando-se a muitas mães espirituais de sacerdotes em todo o mundo.




crédito da foto: 

Foto de Shannon Douglas na Unsplash

domingo, 18 de maio de 2025

A MÃE RUIM

 


A figura materna normalmente remete a uma sensação de carinho, aconchego, cuidado e ternura. A mãe é aquela que, desde que o filho se encontra em seu ventre, protege, nutre, acolhe. Oferece todas as dores e sofrimentos oriundos da maternidade para o bem do filho, para que ele se sinta amado e feliz e assim possa cumprir a missão para qual ele foi criado.

A mãe vibra com cada pequena conquista do filho, cada nova habilidade que adquire. Os primeiros rabiscos são verdadeiras obras de arte, a primeira prova de matemática bem-feita já merece o prêmio Nobel, o “brilha, brilha estrelinha” tocado no piano já é um lindo concerto.

Conforme o filho cresce, a mãe vai entendendo que sua função muda, não é mais a principal fonte de informação e cuidado, mas sempre será o apoio que o filho precisa para se sentir acolhido e amado. Ela aprende a opinar quando é solicitada e a calar, muitas vezes quando desejaria gritar para ajudar o filho, mas sabe que o erro faz parte do amadurecimento e crescimento do filho.

Quando o filho constitui sua própria família, a mãe respeita o espaço e as decisões desse novo casal, acolhe a nora como própria filha e quando chegam os netos... aí ela pode reviver todos os momentos maravilhosos da infância sem a responsabilidade pela educação e pode mimar aquelas fofuras. E quando chega a hora de partir desse mundo, deixa uma lembrança doce e suave e uma inspiração para a nova geração de mães...

A mãe ruim

Mas... e se na vida real a sua mãe não for assim? Existem muitas mulheres que não sabem exercer essa maternidade abnegada e acabam prejudicando a vida dos filhos. Pode ser por falhas de caráter, por alguma condição mental, abuso de álcool ou drogas, ou puro egoísmo. O filho normalmente começa a perceber isso a partir da adolescência, mas é só na vida adulta que realmente pode conseguir enxergar que sua mãe não cumpre as funções de uma verdadeira mãe e que pode ser considerada uma mãe ruim.

O primeiro sentimento que aparece é o de culpa. O filho se sente culpado por não admirar a mãe como uma mãe deve ser admirada e amada. É um sentimento confuso: amo minha mãe, mas não gosto dela... A convivência é difícil, discussões e brigas, muitas vezes ofensas, fazem parte desse relacionamento. E o filho sabe que não deveria ser assim, por isso se sente culpado.

Então, o primeiro passo deve ser aceitar a sua própria realidade. Minha mãe é assim e não há nada que eu posso fazer para mudar o jeito dela. Não cabe a mim julgá-la, isso é papel somente de Deus que vai analisar as circunstâncias da vida dela, mas simplesmente aceitar a minha realidade: a minha mãe não é uma boa mãe.

Lidando com o trauma

O segundo passo é talvez o mais difícil: o perdão. Preciso aprender a perdoar a minha mãe pelos males que ela possa ter causado em minha vida. Perdoar não significa que preciso aceitar agressões e maus tratos, muitas vezes será necessário um afastamento, mas perdoar é aceitar que ela tem as dificuldades e os traumas dela e que por isso não conseguiu ser a mãe que eu precisava que fosse.

Perdoar é lembrar que, talvez se eu tivesse tido as mesmas circunstâncias da vida dela, tivesse sofrido os mesmos traumas e carências, pode ser que eu seria muito pior... Muitas vezes se não consigo perdoar a atitude, devo ao menos tentar perdoar a intenção: o que ela fez ou faz, na mente dela, é para o meu bem, é porque me ama do jeito dela.

Devemos rezar muito nessa intenção de conseguir perdoar uma mãe ruim e também rezar por ela, para que receba as graças necessárias para conseguir ter paz e quem sabe superar os próprios traumas e ser uma mãe melhor.

Eu tenho uma Mãe perfeita

Para ajudar a superar esses traumas e para ter um mínimo de convivência pacífica com uma mãe ruim, devemos lembrar que Jesus nos deu uma Mãe perfeita: sua própria Mãe, Maria Santíssima. A Mãe de Deus é verdadeiramente minha mãe e nunca vai me decepcionar, sempre vai cuidar de todas as minhas necessidades e posso pedir colo a ela sempre que precisar que ela vai me atender.

Nossa Senhora deve ser também o melhor exemplo de mãe para eu seguir e não repetir os erros da minha própria mãe. Isso é um cuidado que quem não teve uma boa mãe precisa ter, não fazer com os próprios filhos o que sofreu com sua mãe. Devo lembrar de pedir ajuda a Maria em todos os momentos para a educação dos meus filhos. Consagrar os filhos aos cuidados de Nossa Senhora desde pequenos também é de grande ajuda para a mãe.

O dever de cuidado na velhice

Conviver e aprender a lidar com uma mãe ruim é uma cruz que o filho deve carregar com resignação. Esse sofrimento, suportado por amor a Jesus, é uma grande fonte de santificação e de bons frutos para toda sociedade. E pode chegar o momento em que a cruz pode ficar mais pesada, quando o filho precisa cuidar mais intensamente dessa mãe na velhice.

O 4º mandamento da Lei de Deus nos manda honrar pai e mãe, ou seja, não importa a situação, por ser filho, tenho responsabilidade no cuidado e sustento dos meus pais. E o Senhor orienta: “Se seu espírito desfalecer, sê indulgente, não o desprezes porque te sentes forte, pois tua caridade para com teu pai não será esquecida, e, por teres suportado os defeitos de tua mãe, ser-te-á dada uma recompensa. (Eclo 3,15-16)

Deus é sempre fiel às suas promessas. Não sabemos o que ainda termos que enfrentar nessa vida, inclusive os problemas com nossos próprios filhos, então, devemos cuidar da melhor forma de uma mãe idosa, mesmo que ela tenha sido ruim durante sua vida, pois teremos uma recompensa. Essa recompensa, ao final, podem ser frutos de vida eterna, inclusive para a sua própria mãe.


Foto de Teslariu Mihai na Unsplash


quarta-feira, 23 de abril de 2025

50 DIAS DE ALEGRIA

 


O período litúrgico da Páscoa abrange 50 dias: inicia no domingo da Ressurreição e vai até o domingo de Pentecostes. São 50 dias celebrando a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte, por isso um tempo de muita alegria. A igreja se veste de branco que representa essa alegria e a paz oriunda da libertação do pecado e da abertura das portas do Céu para cada um de nós.

Celebrar esse período é muito importante, pois é uma forma de agradecer a Deus por esse grande dom de um dia poder passar a eternidade com a Santíssima Trindade nas alegrias do Paraíso. Festejar, comemorar é algo que aparece na Bíblia várias vezes. Por exemplo, no retorno do filho pródigo, o pai explica ao irmão mais velho: “Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (Lc 15,32). O livro do Apocalipse também fala de uma grande festa: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada.” (Ap 19,7)

Alegria em meio às dificuldades

É por isso que a Igreja nos convida a passar esse tempo com espírito alegre, mesmo em meio às dificuldades e sofrimentos do dia a dia. Essa alegria deve decorrer da nossa esperança da felicidade eterna que nos foi prometida e conquistada por Jesus. Então, para alimentar nossa esperança e fortalecer nossa alegria, devemos pensar muito no Céu e comunicar essa boa nova aos outros.

O Céu é tão maravilhoso que é quase impossível de descrever. Muitos santos tiveram o privilégio de poder ver o Céu por alguns instantes. Santa Faustina nos conta: “27.11.[1936]. Hoje estive no Céu, em espírito, e vi as belezas inconcebíveis e a felicidade que nos espera depois da morte. Vi como todas as criaturas prestam incessantemente honra e glória a Deus. Vi como é grande a felicidade em Deus, que se derrama sobre todas as criaturas, tornando-as felizes, e então toda a honra e glória precedente da felicidade voltam à sua fonte e penetram na profundeza de Deus, contemplando a Sua vida interior - o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Quem jamais compreenderão ou aprofundarão. Essa Fonte de felicidade é imutável em Sua Essência, mas sempre nova, jorrando para a felicidade de toda a criatura. Compreendo agora São Paulo, que disse: “Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais imaginou o coração do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam.” (Diário de Santa Faustina – 777)

Quando o sofrimento bater a nossa porta, devemos lembrar das palavras de São Paulo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18). E ainda: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4)

Ser anunciador do Céu

Pensar no Céu, desejar o Céu, falar do Céu, especialmente para quem mais amamos, deve ser uma ocupação predileta nesse tempo pascal. Levar essa mensagem de esperança também para os que não tem fé e que estão sofrendo. A mensagem da conversão é uma mensagem de libertação do jugo do pecado. Fomos resgatados por um alto preço e isso deve causar grande alegria.

A alegria é contagiante. Quando nos aproximamos de uma pessoa que está alegre, automaticamente nos sentimos melhor e até esboçamos um sorriso. Como cristãos, devemos ser essa fonte de alegria para os outros, pois sabemos o que existe um Céu com a felicidade infinita que nos espera.

Formas de celebrar em família

O tempo Pascal deve ser celebrado especialmente no seio familiar e o foco deve ser manter o ambiente familiar sempre alegre. Elencamos aqui algumas sugestões para ajudar a manter esse ambiente pascal em nossas casas:

- Sugerir um propósito para os membros da família de procurar, pelo menos uma vez ao dia, causar alegria a alguém da família. Pode ser um sorriso, um abraço, uma mensagem inesperada de carinho, um telefonema, prestar um serviço, como guardar a louça ou arrumar a cama do outro... Enfim, são inúmeros pequenos gestos que podem causar alegria à nossa família

- Fazer uma refeição especial durante a semana, com direito a sobremesa caprichada

- Fazer um passeio no parque ou uma noite de cinema em família

- Reunir a família para contarem as bênçãos que tem recebido e serem gratos por elas. Cada um deve falar pelo menos uma coisa boa que recebeu de Deus nos últimos dias

- Ajudar o próximo, seja levando doação de alimentos, visitando lares de idosos ou ligando para alguém que há muito não conversamos e pode estar se sentindo solitário


crédito da foto: Foto de Allef Vinicius na Unsplash

sexta-feira, 28 de março de 2025

SATANÁS TEM UM PLANO PARA A SUA VIDA

 



As pessoas, em geral, não gostam de pensar no demônio e muito menos falar dele. Para muitas, inclusive, ele não existe... Essa é uma grande arma a favor do demônio: quem não acredita em sua existência está muito mais vulnerável para receber sua influência. Porém, quem é cristão sabe muito bem, pelas palavras do próprio Jesus, que o demônio é real e como diz S. Pedro: “anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.” (1Ped 5,8)

Pensar no demônio não deve nos trazer medo, como vemos em alguns filmes de terror, mas deve nos deixar muito alertas. Nossa realidade é um grande campo de batalha entre o Bem e o Mal. Deus já venceu essa batalha, mas nós, seres humanos, é que estamos sendo disputados para saber qual lado vamos escolher para passar a eternidade.

O livre arbítrio nos foi dado para termos a capacidade de amar. Quem não é livre, não pode amar, mas essa mesma liberdade pode ser usada para escolher o mal, e assim, escolher o lado do inimigo do Amor. O plano de amor de Deus para cada um de nós é que um dia, estejamos com Ele, na felicidade eterna no Céu. E Satanás, por ser um anjo dotado de uma inteligência aguçadíssima, também tem um plano para cada um de nós, que é fazer que escolhamos passar a eternidade com ele, sofrendo e odiando no inferno.

Poder de Satanás

O poder de Satanás é limitado ao que Deus permita que ele faça. E Deus só permite a ação dele, para que nós possamos provar nosso amor e assim, escolher o Céu. Jesus, por sua paixão e morte na cruz, abriu o Céu para nós. Ele já nos libertou da escravidão do pecado, mas nós precisamos aderir a esse plano de Deus, escolher fazer a sua amorosa vontade para nossa vida.

A ação ordinária de Satanás e seus demônios é através da tentação. Ele nos influencia a escolhermos o pecado. O pecado é uma recusa em amar, pois escolhemos um prazer ou uma vantagem material em detrimento dos planos de amor que o Pai tem para nós. É escolher o egoísmo, que é o oposto do amor. Ao pecar, dizemos sim ao demônio e um não a Deus.

Deus, ao nos dar os 10 mandamentos, está pensando apenas no nosso bem, em nossa salvação. Ao escolhermos ir contra esses mandamentos, estamos fazendo um mal para nós mesmos, tanto para a nossa vida aqui na terra, como especialmente para a nossa vida eterna, que será nos horrores do inferno.

Combater as tentações

A primeira coisa que precisamos ter certeza é que nenhum de nós é tentando acima de suas capacidades de resistir a essa tentação. Satanás é como um sniper que fica observando qual é o melhor momento e a melhor forma de atirar uma tentação. Mas sempre temos a capacidade de resistir a esse tiro.

Para combater as tentações, primeiro precisamos estar conscientes delas, então devemos pedir a Deus, na oração, para nos mostrar onde o demônio está entrando em minha vida, qual brecha posso estar dando para que ele influencie as minhas ações, caindo na armadilha de suas tentações.

Quaresma: tempo propício para combater as tentações

O tempo quaresmal é um período propício que a Igreja nos convida a combatermos mais fortemente o pecado e as tentações. Somos lembrados que Jesus também foi tentado no deserto e nos ensinou como lutar contra as tentações especialmente as do ter, do prazer e do poder

As práticas quaresmais que nos incentivam a intensificar o jejum, a esmola e a oração devem nos fortalecer no combate especialmente contra essas três tentações. O jejum nos ajuda a dominar nossos instintos e dessa forma nos fortalece contra a tentação da busca do prazer. A esmola nos ajuda no desprendimento dos bens materiais, pois damos a quem não pode nos retribuir. E nos ajuda contra a tentação do ter. E a oração nos ajuda a reconhecermos que somos criaturas, que todo o poder é de Deus, nos ajudando contra a tentação do orgulho e do desejar o poder.

Assim, não desperdice mais essa oportunidade que o Pai lhe dá para crescer no amor e vencer todo egoísmo. Aproveite esse tempo de Quaresma para lutar mais seriamente contra aquela tentação que te afasta do caminho que vai te levar ao Céu. Nas dificuldades, nas quedas, levante e recomece. “A esperança não nos decepciona” (Rm 5,5). Jesus venceu a morte e nos ajuda a frustrar o plano que satanás tem para a nossa vida.


 Foto de Marek Piwnicki na Unsplash

domingo, 23 de fevereiro de 2025

VISITA À NOSSA MÃE DE GUADALUPE

 




No dia 10 de janeiro de 2025 nossa família recebeu a grande graça de poder visitar a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México. Foi uma viagem sonhada há muito tempo e fazer essa peregrinação com meu marido e meus três filhos foi uma experiência maravilhosa.

A história das aparições de Nossa Senhora ao índio Juan Diego sempre me cativou. Para quem não conhece a história, eu incentivo muito que pesquisem sobre essas aparições. Vou descrever aqui apenas algumas partes que me marcaram mais.

A primeira coisa que me chamou atenção foi a idade de Juan Diego quando ele recebeu a missão de levar ao Bispo o pedido de Nossa Senhora para a construção de uma igreja dedicada a ela: 56 anos! E 56 anos em 1531 já podia ser considerada uma pessoa idosa. Isso para mim significa que nunca é tarde para seguirmos o chamado de Deus em nossa vida, mesmo não sendo um chamado sobrenatural como foi o de S. Juan Diego.

A simplicidade e humildade desse índio são impressionantes, pois nunca duvidou de quem ele estava vendo e nunca se sentiu digno nem capaz de cumprir o que Nossa Senhora havia pedido. Mas Deus sempre escolhe os pequeninos e humildes para as maiores missões e os capacita para que consigam realizar.

O que realmente faz meu coração transbordar e me marcou desde a primeira vez que ouvi, foi o que Nossa Senhora disse a ele na terceira aparição: “Não estou eu aqui, que sou tua Mãe? Você não está debaixo da minha sombra e sob o meu cuidado? Não sou eu a fonte da sua alegria?” Sempre que estou com alguma preocupação, lembro dessas palavras e me sinto confortada. Nossa Mãe querida também dirige essa mensagem a cada um de nós, sempre que precisamos dela.

E por fim a prova do milagre, a imagem estampada num tecido rudimentar, que em condições normais se desmancharia em 30 anos, está lá, intacto, há quase 500 anos... A cada novo estudo sobre essa imagem, mais maravilhas são descobertas. Vou mencionar apenas algumas: a tinta utilizada não existe nada parecido conhecido em nosso planeta (atestado por químicos renomados); os olhos da imagem, quando observados por oftalmologistas, parecem olhos de alguém vivo; e na córnea da imagem, que tem cerca de 7mm (0,27inches) está estampada a cena de Juan Diego mostrando o manto com as rosas ao Bispo.

Nossa experiência



Chegamos na Basílica pela manhã. O tamanho já impacta e no complexo todo, há outras igrejas mais antigas, além do museu e uma área imensa onde é possível montar acampamento. Entramos primeiro na Basílica onde está o manto, vimos de longe e a emoção foi grande. Estava acabando uma santa missa (que lá tem de hora em hora das 6h da manhã até as 8h da noite todos os dias).

Fomos até o local onde poderíamos ver mais de perto a imagem. Tem algumas esteiras rolantes para as pessoas não ficarem paradas, mas você pode passar quantas vezes quiser para ver e rezar. Não tem como descrever a emoção. Rezamos em família, cada um também fez seu momento de oração individual. Ver a emoção dos meus filhos é maravilhoso. Ela é Mãe deles também.

Assistimos a missa das 10h e logo depois encontrar a guia que nos levou conhecer todo o complexo e contar toda a história. Essa visita guiada vale muito a pena, então é uma coisa que recomendo para quem for até lá. Subimos o cerro até o local das aparições, vimos as outras igrejas mais antigas e o local onde estão os restos mortais de S. Juan Diego.



Conforme o tempo ia passando, mais pessoas chegavam e as demonstrações de fé eram as mais variadas. Grupos de crianças e jovens, muitos idosos, caravanas de outras cidades e países. Algumas pessoas caminhando de joelhos (isso foi bem impressionante). Depois do almoço, voltamos para rezar mais um pouco e levar todas as intenções de pedidos que nossos amigos e parentes haviam nos entregue. Voltamos aos pés de Nossa Senhora e entregamos tudo.

Depois fomos comprar algumas lembranças para trazer para casa. Uma coisa muito interessante que tem por lá é a “Capela das Bênçãos”. Na verdade, é um local semi-aberto onde um sacerdote fica o dia todo esperando que as pessoas levem objetos para serem abençoados. Quando chegamos, ele fez a oração da bênção e aspergiu muita água benta em tudo o que compramos. Antes de terminar, já estavam chegando mais pessoas. E é assim durante todo o dia.

Apesar do cansaço, não dava vontade de ir embora. Ficamos um tempo em adoração na Capela do Santíssimo, que tem um sacrário gigantesco. Não sei se em algum lugar do mundo pode ter algum maior, mas é impressionante o tamanho. Depois passamos pela última vez em frente ao manto, nos despedimos e agradecemos por tão imensa graça.



Meu marido e eu já tivemos a graça de conhecer o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal e o de Nossa Senhora de Lourdes, na França. Mas nós dois chegamos à conclusão de que Guadalupe é especial, porque é o único lugar onde existe uma prova física deixada pela Mãe de Deus, seu autorretrato. Para nós essa peregrinação também foi mais especial pois nossos filhos estavam conosco e puderam compartilhar desse momento extraordinário juntos.

 





 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

O PONTO PERSA

 



O tapete persa é considerado um dos mais belos do mundo e é confeccionado desde 500 anos antes de Cristo. Há uma história sobre esses tapetes que diz que o artesão sempre deixa um ponto feito de maneira errada, o chamado “ponto persa”, para lembrar que perfeito, só Deus.

Achei muito interessante essa história, pois é uma forma de exercitar nossa humildade. O artesão, mesmo propositadamente, não deixa seu trabalho perfeito, para não ficar orgulhoso. Essa lição devemos ter em mente especialmente em nossa luta contra nossos pecados, defeitos e imperfeições, já que, enquanto vivemos nesse mundo, sempre poderemos falhar.

Reconhecer nossa impoerfeição

Como é difícil reconhecer que caímos no mesmo erro, aquele que já caímos tantas vezes e nos arrependemos outras tantas! Podemos ter a tentação do desespero, de achar que é impossível melhorar, ser santo... Mas não é isso que Deus Pai espera de nós. São Paulo pediu inúmeras vezes a Deus que lhe tirasse um “espinho da carne”, e qual foi a resposta do Pai? “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força”. (2Cor 12,9)

Ele deseja especialmente a nossa confiança em sua infinita misericórdia e principalmente que peçamos humildemente a sua ajuda. São Paulo continua nos ensinando: “Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte”. (2 Cor 12,10)

É em nossa fraqueza, em nossa pequenez, que Deus pode revelar suas maravilhas. Quando nos entregamos, como uma criança, nos braços do Pai, sabendo que sem ele nada somos, aí então Ele se derrete de amor por nós e realiza em nós o milagre da nossa santificação.

Claro que precisamos fazer a nossa parte, nos esforçar a cada dia por vencer em nós as fraquezas e limitações, de preferência de um modo bem concreto, escolhendo uma mortificação ou penitência para vencer aquilo que sabemos não agrada ao Pai. Mas principalmente precisamos pedir ao Pai que nos ajude nessa luta. Pedir com humildade e com insistência.

O que podemos aprender das escrituras?

A parábola da viúva e do juiz injusto nos ensina que devemos pedir sempre, insistentemente, para que Deus nos ajude em todas as nossas necessidades. “Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los?”  (Lc 18,7). Jesus insiste na necessidade de pedirmos: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, se abrirá.” (Mt 7,7-8) E ainda: “Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis” (Mt 21,22)

Assim, vamos seguir confiantes nesse caminho que nos leva ao Céu. Lutando e pedindo, sem desânimo, mas com confiança. Se ainda não conseguimos avançar muito, ou se escorregamos e acabamos voltando aonde começamos, isso não importa. O fundamental é recomeçar sempre. Com humildade e perseverança. O Pai é o maior interessado em nossa santificação, então não precisamos nos preocupar. Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus! (Rm 8,28)

 crédito da foto: Foto de Ashkan Forouzani na Unsplash

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

SURSUM CORDA - CORAÇÕES AO ALTO



No início da liturgia eucarística na Santa Missa, o sacerdote faz um convite a todos para elevarmos nossos corações a Deus. Em latim “sursum corda”, corações ao alto. E a nossa resposta é: “nosso coração está em Deus”. Esse é um momento importante, pois elevamos nosso coração ao Céu, para participarmos de alguma forma também da liturgia celeste, pois na Santa Missa o sacrifício de Jesus na Cruz é renovado na presença dos anjos e dos santos, então é como se o Céu estivesse ali conosco.

Esse chamado para elevar nossos corações a Deus não deve se restringir ao momento da liturgia eucarística. Os santos, aqueles que aprenderam a viver unidos a Deus ainda aqui na terra, estavam sempre com o coração no Céu. Por isso que São Paulo podia dizer: “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21). Ele estava tão unido a Jesus e ao mundo sobrenatural, que enxergava o momento de sua morte como um ganho, pois poderia contemplar eternamente a face de Deus.

Significado do “sursum corda”

O que significa então o “sursum corda”? Algumas poucas pessoas são chamadas a viver isso de maneira radical, abandonando as coisas desse mundo e vivendo enclausuradas ou isoladas, apenas adorando e servindo a Deus com essa renúncia das coisas materiais. Assim, seus corações e suas mentes estão exclusivamente no Céu.

Como viver o “sursum corda”

Porém a grande maioria de nós é chamada a viver o “sursum corda” no meio dos afazeres do nosso cotidiano. Viver no mundo, sem negligenciar nossas obrigações profissionais, familiares e sociais, mas com o coração no Céu, lembrando sempre que estamos num caminho cuja meta é o Céu.

As nossas obrigações do dia a dia são sementes da vida eterna. A forma como cumprimos com essas obrigações podem trazer o fruto de uma eternidade feliz no Paraíso. Ganhamos o Céu não apesar das nossas tarefas mundanas, mas justamente por causa dessas tarefas.

O Pe. José Kentenich costumava dizer que precisamos fazer o ordinário extraordinariamente bem e um fiel e fidelíssimo cumprimento do dever. (1º Documento de Fundação – Documentos de Schoenstatt, Atibaia 2002 e Santidade de Todos os Dias, Santa Maria 2018) Procurar o máximo de cuidado em cada coisa que precisamos fazer durante o dia e oferecer esse cuidado para Deus, é a forma de elevarmos sempre nossos corações ao alto.

Em nossa rotina agitada tudo quer chamar nossa atenção. As redes sociais com inúmeros estímulos a cada segundo podem tirar o nosso foco daquilo que é o mais importante, nossa salvação eterna. Nossas paixões e fraquezas também podem nos arrastar para baixo, para prender nosso coração nas coisas passageiras desse mundo. Então, para vivermos o “sursum corda” precisamos de coragem e de força para lutar contra tudo aquilo que nos afasta de Deus.

Essa luta vai durar toda a nossa vida, pois também o inimigo de Deus quer possuir nosso coração e nossa vontade. Mas com a ajuda constante da graça e a nossa firme vontade de viver com nosso coração no Céu, isso será possível. É preciso recomeçar a cada queda, pedindo perdão e tendo confiança na infinita misericórdia de Deus, sabendo que Ele deseja nossa salvação muito mais do que nós mesmos.

Na prática

Para incorporamos essa cultura do “sursum corda” em nossa vida, é preciso começar, logo que acordamos, com uma pequena oração oferecendo todo o nosso dia. Agradecer por termos acordado e ter mais uma chance de amar a Deus através das nossas atitudes e do fiel cumprimento dos nossos deveres. Aos poucos podemos incorporar em nossa rotina pequenas pausas, de alguns minutos, para renovar essa vontade de viver com o coração no Céu, oferecendo a próxima tarefa a realizar, por mais banal que seja. Podemos também preencher o nosso dia com as jaculatórias, que são pequenas frases (orações) que mandamos para Deus. E no final do dia, antes de dormir, agradecemos pelas conquistas e pedimos perdão pelas falhas no nosso dia, renovando o propósito de no dia seguinte, sermos melhores ainda.

Assim, no dia em que o Pai nos chamar para prestarmos conta de nossa vida, estaremos tranquilos pois passamos nossa vida junto Dele e o Céu não será um lugar estranho para nós. Nosso coração sempre esteve lá!

Foto de Christopher Beloch na Unsplash

segunda-feira, 15 de julho de 2024

O CANSAÇO É PEDAGÓGICO

 


Vivemos em uma época muito agitada. Corremos para todos os lados o dia inteiro. Para quem é mãe, principalmente de crianças pequenas, a impressão é que não temos tempo para nada, passamos o dia (e muitas vezes a noite) indo de uma atividade para a outra, sem descanso. O resultado é que vivemos cansados. Muito cansados.

O cansaço nos ensina a ser humildes

Será que podemos aprender alguma coisa com nosso cansaço? Afinal, por que Deus nos fez de uma forma que precisamos descansar? Talvez a resposta seja para sermos mais humildes, entendermos nossa condição de criaturas limitadas. Não somos super-homens que podem fazer tudo o que quiserem, quando quiserem, como quiserem, sem consequências e sem cansaço.

O cansaço nos obriga a parar. O cansaço nos obriga a nos render, a nos entregar. É por causa do cansaço que “treinamos” a nossa morte, afinal quando dormimos, desligamos nossa consciência no mundo em que vivemos. Quantas pessoas encontraram com a morte durante o sono! Mesmo se temos a graça de acordar no dia seguinte, aquele momento do sono, foi um momento de morte, de separação das inúmeras preocupações de nosso dia a dia.

Deus nos quer no Céu

Deus é infinitamente sábio e nos ama também com amor infinito. O desejo dele para cada um de nós é que um dia possamos passar a eternidade com ele, com uma felicidade sem fim. Para isso ele procura nos educar ao longo de nossas vidas, para que percorramos o caminho que leva ao Céu. E o cansaço faz parte dessa pedagogia, desse chamado a voltar nosso olhar para Ele, lembrando que aqui só estamos passando um tempo e que as dificuldades e sofrimentos que experimentamos, devem ser um degrau que nos aproxima mais do seu amor e de sua misericórdia. O cansaço deveria constantemente nos lembrar do momento decisivo que será a nossa morte, para vivermos de uma forma que nossa eternidade seja no Céu.

Vós encontrareis descanso

Como é bom poder descansar no colo da Mãe, no colo do Pai! Jesus nos diz: " Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve”. (Mt 11,28-30)

É muito difícil mudar o estilo de vida para nos cansarmos menos. Provavelmente, em nossas circunstâncias, reduzir o ritmo, descansar mais, ter um tempo para somente fazer o gostamos, é impossível. Então precisamos aprender a entregar nosso cansaço para Jesus. O cansaço entregue para Jesus fica mais suave, mais leve.

Aprender com o cansaço

Vamos procurar aprender com nosso cansaço, a termos o olhar voltado para a eternidade, para o Céu, pois “a nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável” (2Cor 4,17). Podemos nos colocar como filhos pequenos pedindo o colo do Pai, sendo humildes, reconhecendo nossa fraqueza e confiando na infinita bondade e misericórdia daquele que nos ama com amor infinito.

 




Foto de Debashis RC Biswas na Unsplash

sábado, 8 de junho de 2024

VOLTAR A ESTAR NUS

 


No relato da Criação, vemos que “o homem e a mulher estavam nus e não se envergonhavam(Gn 2,25). Porém, após a tragédia do pecado original, da rebeldia dos nossos primeiros pais em não aceitarem serem criaturas e quererem ser “outros deuses”, caindo na armadilha do demônio e desobedecendo ao Criador, ouvimos Adão dizer: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me” (Gn 3,10). E Deus responde: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?” (Gn 3,11)

Qual foi essa consequência do pecado que fez com que o homem tivesse medo por estar nu? Antes do pecado, não se envergonhavam; mas depois, tiveram medo e se esconderam de Deus... Essa nudez significa muito mais do que simplesmente estar sem roupa. É uma atitude perante Deus de total despojamento e de confiança, de entrega em sua amorosa providencia.

O pecado fez com que o ser humano perdesse essa pureza e singeleza de ser criatura diante de Deus, de saber que é cuidada e amada com amor infinito. O medo por estar nu representa a desconfiança no amor e proteção de Deus, o desejo de autossuficiência, de assumir o controle da própria vida sem a interferência divina, frutos desordem causada pelo pecado.

Então, nós precisamos lutar para voltar a estar nus, para retomar aquela confiança filial que nossos primeiros pais tinham perante Deus. O primeiro passo é buscar conhecer melhor a Deus, pois não é possível confiar em quem não conhecemos... Para conhecer melhor, é preciso passar tempo com Deus, dialogar com Ele e principalmente buscar ouvir o que Ele nos diz, através das circunstâncias, dos acontecimentos em nossa vida, das pessoas com quem nos encontramos, da natureza, das coisas... Enfim, tudo pode ser um sinal do amor de Deus para conosco.

A oração meditativa é fundamental para esse maior conhecimento de Deus. Reservar alguns minutos por dia, escolher um texto de um livro espiritual ou da Bíblia, ou até um acontecimento da nossa vida e perguntar: o que Deus quer me dizer com isso? O que eu digo a mim mesmo? O que eu respondo a Deus? Essa prática, com o tempo, vai abrindo nossos olhos, nossa mente e nosso coração para perceber o amor e o cuidado de Deus Pai em nossa vida.

Os santos aprenderam esse caminho de entrega total e incondicional à divina providência. Sabiam que eram amados e queridos, mesmo em sua miséria, e assim, com esforço e ajuda da graça, conseguiram responder a esse amor divino, com atitudes de luta contra as imperfeições para um dia desfrutarem eternamente da presença do Pai.

Vejamos alguns exemplos de ensinamentos desses nossos amigos do Céu:

“Espero tudo do Bom Deus, como uma criancinha espera tudo de seu pai. Meu caminho é o caminho da infância espiritual, o caminho da confiança e da entrega absoluta” (Santa Terezinha do Menino Jesus”

Corre no caminho da perfeição quem possui o coração dilatado na confiança em Deus”. (Santo Afonso de Ligório)

Quanto mais confiamos em Deus, tanto mais progredimos no seu amor”. (São Vicente de Paulo)

Todos os esforços pouco valem, se não deixarmos de confiar em nós para confiar somente em Deus.” (Santa Teresa)

Peçamos a ajuda de Maria Santíssima, a pessoa que mais confiou e amou a Deus, para que aos poucos possamos reconquistar essa atitude de filhos obedientes e fiéis, que confiam e se entregam ao Pai totalmente, pois sabem que são amados e que tudo o que o Pai provê e permite é para o seu bem, a sua santidade e para conquistar seu lugar na felicidade eterna do Céu.

crédito da foto: pixabay.com

domingo, 21 de abril de 2024

ESTE MISTÉRIO É GRANDE

 





Ano passado comemoramos 25 anos de casados. Foi um momento maravilhoso de agradecimento por todas as graças e bênçãos recebidas durante todos esses anos, especialmente pelo dom da vida de nossos quatro filhos: Gabriel (21), Nicole (18) Matias (17) e a Júlia que já nos precede no Paraíso.

Os jubileus são momentos de alegria e essa palavra vem do latim “iubilatio” que é justamente uma das formas de alegria. Além da alegria, são momentos de reflexão e uma das coisas que refleti foi sobre a grandeza do sacramento do matrimônio.

Reflexões sobre os sacramentos da confissão e da eucaristia são mais frequentes para mim. Lembro também sempre do sacramento do batismo, que me tornou filha de Deus. Mas o sacramento do matrimônio raras vezes fez parte das minhas meditações e gostaria de compartilhar com vocês sobre o que pensei.

Este mistério é grande (Ef 5,32)

São Paulo, na carta aos Efésios, fala sobre o matrimônio: “Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne. Esse mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja. Em resumo, o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido” Ef 5,31-33

O sacramento do matrimônio é um grande mistério porque, ao ver um casal, deveríamos poder enxergar o amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo. Um amor tão grande que é capaz de dar a vida um pelo outro.

A importância da indissolubilidade

O matrimônio ser indissolúvel significa que o compromisso assumido no altar perante Deus e a comunidade só se desfaz com a morte de um dos cônjuges. Essa característica do sacramento foi determinada pelo próprio Jesus, quando ele disse: “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.” (Mt 19,6)

Essa indissolubilidade é uma exigência do próprio amor, afinal ninguém diz ao outro: “vou te amar só por 5 anos...” O amor verdadeiro é para sempre, enquanto o outro viver. Principalmente quando a convivência está difícil, é importante recordar dessa promessa feita no altar, pois o motivo de se casarem foi para ajudarem um ao outro chegarem um dia ao Céu e o caminho para o Céu passa pela porta estreita.

A prova maior que os dois realmente se tornaram uma só carne é a vida do filho. Marido e mulher se uniram no amor e dessa união resultou uma nova pessoa, uma nova alma imortal, que foi feita da carne de um e de outro e agora é impossível separar. Olhar o filho, o fruto de seu amor, deve dar as forças necessárias para cada cônjuge resistir à tentação de pensar em separação.

Uma graça especial

Sem a ajuda da graça, isso é impossível, pois tanto o marido como a esposa são seres com defeitos e limitações e amar exige alto grau de heroísmo e de luta contra o egoísmo. Por isso, o casal ao receber o sacramento do matrimônio, recebe também uma graça específica que só esse sacramento pode dar: a graça da santificação do vínculo

Isso significa que quem recebe esse sacramento tem o direito de pedir a Jesus essa graça toda vez que o relacionamento estiver difícil. Essa graça vai ajudar a moldar tanto o homem como a mulher para que efetivamente se tornem uma só carne, um só coração.

É através dessa graça também que o casal poderá realizar a primeira finalidade do matrimônio, que é o bem dos cônjuges. É ela que possibilita que um faça o outro feliz e que ambos caminhem juntos rumo ao Céu.

Ultimamente vemos tantos casais que decidem morar juntos sem receber o sacramento do matrimônio. Meu marido e eu fazemos parte da equipe de preparação para o matrimônio de nossa paróquia e no último encontro de noivos, dos 12 casais presentes, todos já moravam juntos; alguns inclusive há mais de 10 anos e estavam ali para regularizar sua situação perante a Igreja.

Claro que é uma alegria quando um casal procura a Igreja para receber o sacramento, mas é importante sabermos a grande diferença dos casais que simplesmente decidem morar juntos daqueles que optam por receber o sacramento do matrimônio. Quem recebe o sacramento, recebe essa graça tão especial e tem muito mais chances de que o casamento seja mesmo duradouro. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos atesta que morar juntos, sem o sacramento do matrimônio, aumenta as chances de divórcio[1].

Tenho certeza de que essa graça que recebemos há mais de 25 anos e a consagração que fizemos de nossa família a Nossa Senhora é que nos sustenta, aumentando a cada dia nosso amor. Hoje meu maior desejo é que meus filhos também possam receber essa graça e formar santas famílias católicas, caso não sejam chamados a consagrarem suas vidas inteiramente a Deus como religiosos ou sacerdotes...

domingo, 10 de março de 2024

A beleza é fundamental

 


A beleza existe em si, ou depende de quem vê? Devemos nos preocupar com a beleza ou é uma futilidade? Existe uma razão para a beleza existir? Como podemos cultivar a beleza? Essas são algumas perguntas que este artigo quer ajudar a refletir.

Conceito de beleza

O conceito clássico de beleza a define como sendo belo aquilo que possui harmonia, proporção e grandeza. Neste conceito, a beleza é objetiva, ou seja, existe em si mesma e não depende de quem está observando.

A beleza deriva do bem, do verdadeiro. Ela tem uma conotação moral, ou seja, para afirmarmos que alguma coisa é bela, ela também precisa ser boa e verdadeira. Por exemplo, quando repreendemos uma criança que está batendo num amiguinho, normalmente dizemos: “não faça isso que é feio”. Ou quando elogiamos alguém, dizemos: “nossa, que bela atitude”.

A beleza também tem o sentido de integralidade, de plenitude. Aquilo que é belo, está completo, não falta nada. Um cavalo sem uma perna ou um carro sem uma roda não são bonitos, pois lhes falta algo. Já uma pessoa, por mais que possa ter um corpo bonito, se possuir graves falhas de caráter, não é considerada bela, pois lhe falta algo.

O belo possui harmonia, proporção.

Mais uma característica da beleza é ter um aspecto de saída de si mesmo, de comunicar a sua essência. Aquilo que é belo chama a atenção para si mesmo, pois está comunicando o que é. A beleza não deve passar desapercebida. Ela existe para ser contemplada.

A razão de ser da beleza

Tudo que é belo, ao ser contemplado, deve remeter a algo maior, a uma beleza superior e eterna. Deus, o Criador, é a Beleza eterna e comunicou algo de si para as suas criaturas. Por isso, a beleza que percebemos com nossos sentidos é como uma flecha que aponta para o Criador e a alegria e satisfação que sentimos deve nos lembrar que é só uma pequena amostra do que sentiremos ao contemplar a pura Beleza na eternidade.

As coisas belas existem para serem um bálsamo em nossa jornada; para nos causar alegria e um sentimento de gratidão. A beleza nos lembra também de como devemos buscar essa harmonia, proporção e doação de si mesmo, para participarmos refletirmos melhor a Beleza eterna e nos tornarmos um canal de alegria para os outros.

Ataque contra a beleza

A idade moderna, principalmente através da arte, iniciou um processo de ataque contra a beleza. Em uma atitude de rebeldia, começaram a retratar a desordem, a confusão, o abstratismo, demonstrando como estavam sentindo e esse sentimento era ruim. A partir daí, iniciou a tentativa de tirar a objetividade da beleza, passando para uma área totalmente subjetiva ao afirmar que “a beleza está nos olhos de quem vê”.

Esse ataque contra a beleza tem o objetivo de nos tirar a possibilidade de contemplação do Criador e assim nos afastar do caminho que nos leva a Ele. Infelizmente essa mentalidade já está muito entranhada em nossa sociedade e se reflete não só na arte, mas até na maneira de vestir, sendo comum o uso de roupas rasgadas, desbotadas, manchadas. As pessoas não se preocupam mais em se vestir bem e muitas ainda querem chamar a atenção usando roupas estravagantes.

A busca da Beleza

A busca da beleza deve ser encarada de uma maneira correta e está relacionada com a virtude da ordem. É possível perceber a beleza nas coisas pois nosso cérebro busca a ordem e a harmonia. A maneira como pensamos melhor é quando o ambiente está organizado. Não só o ambiente externo, mas principalmente o nosso interior. A desordem causa estresse, nervosismo, frustração.

Buscar a beleza significa buscar harmonizar nossa vida, nossos relacionamentos e também o ambiente em que vivemos. Colocar as coisas em ordem, saber que existe uma hierarquia de valores que precisamos seguir, se desejamos ter uma vida mais plena, mais saudável, mais bela. Saber que é importante ter a beleza em nosso dia a dia para nos ajudar a contemplar o Criador e nos lembrar para que fomos criados: para um dia, gozar da alegria eterna no Céu.

Alguns cuidados

Precisamos cuidar para não exagerar nessa busca da beleza. Muitas vezes esse anseio pelo belo é confundido com uma necessidade de aparentar uma eterna juventude, onde as marcas da idade são desprezadas. São realizados inúmeros procedimentos estéticos para tentar alcançar uma suposta beleza exterior, porém os resultados muitas vezes são bizarros.

Devemos lembrar que a beleza é harmonia, é proporção, é ordem. Uma pessoa de 60 anos que quer aparentar ter 30, não é harmônica, está em desordem. Assim, não importa a quantidade de procedimentos estéticos que faça, não será bela.

A beleza exterior deve refletir a beleza interior. Assim, a maior preocupação deve ser com ter uma alma bela, com os sentimentos e emoções ordenados, com os instintos controlados e com uma vida sobrenatural abundante. Quanto mais próximos estivermos de Deus, melhor poderemos refletir sua Beleza. Esse é o verdadeiro segredo.

Foto de Sean Oulashin na Unsplash

sábado, 27 de janeiro de 2024

QUEM ESTAMOS IMITANDO?

 


A maneira mais eficiente de adquirir uma habilidade é praticando aquilo que queremos aprender. Nós sabemos andar porque alguém nos pegou pela mão e nos mostrou como se anda. Nós imitamos seus passos. A grande maioria dos hábitos que temos, os adquirimos observando alguém, imitando seu comportamento. Desde crianças observamos as pessoas ao nosso redor e tentamos fazer o que o outro está fazendo.

Na fase da adolescência é mais fácil de percebermos essa imitação. Normalmente os jovens se reúnem em “tribos” que falam da mesma maneira, se vestem da mesma maneira, ouvem as mesmas músicas, frequentam os mesmos lugares e praticamente pensam da mesma maneira. Conversar com um da turma é a mesma coisa que conversar com todos.

Mesmo quando adultos, frequentemente nos pegamos imitando a atitude de alguém sem perceber. Quantas vezes você não disse algo para seu filho e depois pensou: “nossa, falei igualzinho meu pai/minha mãe?”

Somos seres sociais

O ser humano sempre está buscando referências. Somos seres sociais, nascemos para viver em comunidade e essa imitação de comportamento acaba criando uma certa harmonia social, nos sentimos mais seguros em um ambiente onde sabemos como o outro vai se comportar. Mesmo sendo seres únicos e irrepetíveis, com um DNA exclusivo, nossa tendência é nos conformarmos com o ambiente e quem é muito diferente acaba ficando marginalizado.

No mundo agitado em que vivemos, fazer o que os outros fazem sem muita reflexão, acaba sendo um comportamento comum, pois agir por si mesmo requer esforço e reflexão. Só consegue nadar contra a corrente quem tem uma personalidade firme e livre: firme porque está enraizada em princípios sólidos e livre porque não está presa nos sentimentalismos ou nos próprios instintos e desejos.

Porém, mesmo essa pessoa com personalidade firme e livre, que não está seguindo a “massa”, possui um modelo, uma referência que procura imitar. O ser humano imita e essa é uma realidade da qual não podemos fugir. Assim a grande questão é: quem estamos imitando?

Nosso modelo: Jesus Cristo

Para o cristão, nosso grande modelo é Jesus Cristo. É a ele quem devemos procurar imitar, mesmo se nos tornarmos excluídos por causa disso. Imitar Jesus Cristo diretamente pode parecer um pouco intimidador, afinal Ele é Deus. Mas existem muitas pessoas que conseguiram conformar sua vida aos ensinamentos de Jesus, e estas são um pouco mais acessíveis a nós. A Virgem Maria, em primeiro lugar é um grande exemplo a ser imitado, com sua disponibilidade para fazer a vontade de Deus e todas as virtudes que desenvolveu em sua vida. Podemos nos inspirar ainda na vida de tantos santos, que em diferentes épocas e estados de vida, cada um com a sua originalidade, também foram fiéis imitadores de Jesus.

Hoje temos acesso à vida e ao comportamento de milhares de pessoas através das redes sociais. Ser “influencer” se tornou até uma profissão! Porém precisamos ficar atentos a quem deixamos influenciar a nossa vida e a nossa família. E nós também precisamos nos formar e fortalecer para sermos boa influência para quem nos rodeia, principalmente para nossa família.

Na prática

Como fazer isso? Em primeiro lugar tomando consciência de que temos essa tendência de imitar e fazendo uma análise de nossa vida para ver quem são os nossos modelos, quem estamos imitando ou gostaríamos de imitar. Depois podemos conhecer melhor a vida dessas pessoas, suas lutas, suas circunstâncias para ver em que grau é possível a imitação. E por último ter a consciência de que podemos tentar imitar as atitudes, mas sempre teremos nossa originalidade. Nunca seremos exatamente iguais a ninguém, então o mais importante é ver como podemos reproduzir aquele comportamento em nossa realidade, no estágio da vida em que estamos.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

UMA NOVA OPORTUNIDADE

 

Logo após as comemorações do Natal, já nos preparamos para comemorar a chegada de mais um ano. Mais uma vez nos enchemos de esperança, de planos e projetos, afinal é um ano NOVO. O que será que acende em nós essa esperança? Por que ficamos tão animados e empolgados? O dia 1º de janeiro não é um dia como outro qualquer?

Deus é um exímio pedagogo, que educa seus filhos para que possamos buscar encontrá-lo em nossa vida e andar no caminho que nos conduzirá à eternidade com Ele no Céu. Pensando nisso, Deus criou a natureza de forma cíclica: percebemos a passagem do tempo não só em nosso corpo, com o envelhecimento, mas principalmente com as diferentes estações do ano.

As diferentes estações do ano são uma forma maravilhosa que Deus utiliza para nos ensinar sobre a transitoriedade da vida e também para nos ajudar a termos esperança de uma nova fase, de um novo começo. Ficamos felizes na primavera ao ver as flores crescendo; super empolgados no verão com tanta vida nascendo, tantos frutos; começamos a ficar mais introspectivos no outono com a vida indo embora e mais apreensivos no inverno, onde parece que tudo está morto.

Mas mesmo no inverno, sabemos que não precisamos ficar apreensivos por muito tempo, pois temos a certeza de que a primavera virá. E essa certeza da primavera, essa esperança que no seu tempo o inverno acaba, é que nos move a seguir em frente, vivendo um dia de cada vez.

Aqueles que vivem em lugares onde as estações do ano não são tão bem definidas (como é aqui no Brasil), podem perceber essa passagem do tempo através do calendário, com a contagem dos meses e podemos entender esse ciclo da vida mais especialmente com o calendário litúrgico.

O ser humano, com suas limitações e falhas, precisa de esperança (uma das virtudes teologais) para conseguir progredir, tanto na vida material, mas principalmente na vida espiritual. E justamente vivermos de forma cíclica, experimentando as diferentes estações e contando os meses do ano, nossa esperança aumenta ao lembramos que no dia 1º de janeiro, inicia o ano novo, recebemos uma nova oportunidade.

Uma nova oportunidade de fazermos melhor, de mudar algum aspecto da nossa vida material, como um novo emprego, um novo carro, uma nova casa. Pode ser uma nova oportunidade para nos reconciliarmos com alguém, para fazer novos amigos, para abrir nossa família para a vinda de outro filho ou para a chegada de genros e noras. Ou ainda uma nova oportunidade para vencermos algum defeito de nossa personalidade, estimularmos ainda mais alguma qualidade que podemos fazer frutificar.

Eu fico encantada em pensar na bondade da providência divina em colocar o dia 1º de janeiro bem no meio do inverno para quem vive no hemisfério norte, justamente onde essa estação é sentida de maneira mais forte... Um impulso quente de esperança no meio do frio do inverno...

Nessas resoluções e projetos para o novo ano, talvez a mais importante seja relativa ao nosso relacionamento com a Santíssima Trindade, afinal nossa meta é o Céu. No fim de nossa jornada na terra, seremos julgados pelo Amor e o que levaremos em nossa bagagem é somente aquilo que fizemos por amor, para o amor e através do amor.

Então coragem! Vamos aproveitar essa nova oportunidade de recomeço, vamos fazer um balanço de como foi o nosso ano e escolher alguma forma de crescermos em nosso amor a Deus. Pode ser melhorar nossa oração diária, fazer alguma leitura espiritual regularmente, rezar o terço diariamente (ou pelo menos uma dezena), talvez incluir a santa missa um dia a mais na semana, ler regularmente a Bíblia, enfim, cada um precisa ver o que pode ser feito. E escolher uma coisa só para começar, sendo fiel nesse pouco, nesse único propósito. Depois, no fim do ano, agradecer pelas conquistas, pedir perdão pelas falhas e sempre ter coragem de recomeçar!

 

Foto de BoliviaInteligente na Unsplash