quinta-feira, 6 de agosto de 2020

DEUS NÃO É COMUNISTA!

O comunismo é uma ideologia que propõe a abolição de toda e qualquer diferença entre os indivíduos para se chegar em uma total igualdade, pois seus defensores acreditam que toda a desigualdade gera conflitos. Assim, numa sociedade comunista, tudo seria de todos, sem propriedade privada, sem classes sociais e nem diferença entre as pessoas. Para eles, numa sociedade assim, não haveria motivo para a inveja, que é a causa de muitos conflitos.

Porém, essa ideologia confronta diretamente com a natureza humana, com a forma pela qual fomos criados. Cada um de nós é um ser único e irrepetível, com um DNA exclusivo, com suas características físicas e psicológicas, sua história, sua educação, assim ninguém é igual a ninguém e forçar uma igualdade, ao contrário de ajudar a sociedade, vai apenas empobrecê-la em todos os sentidos.

Certa vez, Santa Terezinha do Menino Jesus, se perguntava o porquê somos tão diferentes, qual a razão de Deus dar mais graças e dons para uns e não para outros. Então, em sonho, viu um lindo jardim, com suas diferentes flores, frutos, cores, perfumes, com a grama, as pequenas ervas, enfim, todos os pequenos detalhes da natureza. E compreendeu que se só houvesse rosas ou lírios, não haveria tanto encanto; que é o conjunto da criação, com os pequenos e os grandes, os fortes e os fracos, que formam essa beleza exuberante.

Assim, cada um de nós foi criado com amor infinito para cumprir uma determinada missão. Alguns tem uma incumbência mais nobre, como seria a da rosa, outros tem uma missão mais simples como a da grama; outros ainda podem ter a responsabilidade do esterco, que mesmo sendo desprovido de beleza e odor agradável, tem um papel essencial para a fecundidade de todo o jardim.

O importante é cada um de nós descobrir essa missão e se esforçar por realiza-la, sem se preocupar com o que a outra pessoa é chamada a fazer, inexistindo qualquer razão para invejar os dons do outro, já que as responsabilidades do outro também são diferentes.

Ademais, fomos criados à imagem e semelhança de Deus, então tudo o que é bom, belo e verdadeiro em cada um de nós é reflexo da Beleza, Bondade e Verdade de Deus. Por nós mesmos, somos apenas pó. Então, quando vemos em alguém algo de bom, belo e verdadeiro, na verdade, estamos enxergando os traços divinos naquela pessoa. Nossa atitude deve ser admiração e de agradecimento, pois é uma forma de Deus se revelar a nós, através das “causas segundas” que são todas as coisas criadas.

São Pio de Pietrelcina nos ensina: "Nunca devemos nos orgulhar de um Bem que reconheçamos em nós mesmos. Tudo nos vem de Deus e só a Ele devemos dar honra e glória, sem esperarmos coisa alguma além da recompensa pelo Bem que descobrimos em nós."

A inveja pode ser definida como um desgosto, uma tristeza provocada pela felicidade ou prosperidade de outra pessoa. Se começarmos a ver nos bens e dons do outro, reflexos de Deus, não há espaço para sentirmos inveja. Afinal, aquilo que ele possui, na verdade, não é dele, vem de Deus. E se Deus permitiu que ele gozasse dessas coisas (tanto materiais como espirituais) é porque essa pessoa precisa disso para cumprir sua missão.

Isso não significa que eu não deva me esforçar para ser uma pessoa melhor, para ter mais virtudes ou até mais bens materiais, pois temos a responsabilidade de desenvolver todos os talentos que Deus nos deu. Mas devo fazer isso no meu ritmo, na minha realidade, sem angústia ou tristeza se não consigo tudo o que desejo na hora em que desejo ou se olho ao redor e vejo outras pessoas que já possuem aquilo que almejo.

Não devemos buscar a igualdade em tudo. Cada um tem a sua originalidade, o seu potencial que deve ser desenvolvido e sem o qual a obra da criação ficará imperfeita. Alegremo-nos com as nossas diferenças e agradeçamos pelas graças e dons recebidos pelos outros, pois é uma forma de Deus se comunicar conosco, mostrando toda a sua generosidade e sabedoria na distribuição de suas maravilhas.

photo credit: Onasill ~ Bill <a href="http://www.flickr.com/photos/7156765@N05/50145458361">Toronto Ontario ~ Canada ~ Edwards Gardens ~ Botanical Garden - Heritage</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>


segunda-feira, 13 de julho de 2020

NÃO TENHA MEDO!



Já me falaram que a expressão “não tenha medo” está escrita 365 vezes na Bíblia, uma para cada dia do ano, reforçando a mensagem que devemos confiar na bondade e misericórdia de Deus, confiar em sua Divina Providência que cuida de cada um de nós como a preciosa pupila de seus olhos.

O medo faz parte de nossa natureza animal, do nosso instinto de autopreservação. Sentimos medo quando percebemos algum tipo de ameaça à nossa integridade física ou emocional. Quem sente medo está em um estado de alerta e preocupação, sua atenção está focada naquele elemento que está causando o medo, sendo essa a prioridade imediata em sua vida, deixando as outras coisas de lado.

Porém, como cristãos, somos convidados a dar um passo para fora do medo, um passo de coragem, um passo de fé e confiança de que existe Alguém que permanentemente está cuidado de cada um de nós, como sua ocupação predileta. Quem consegue ter essa visão sobrenatural dos acontecimentos da vida, experimenta uma sensação de paz e de tranquilidade e encara todos os desafios com coragem e na segurança de que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

Isso não significa que, num passe de mágica, as preocupações e receios desaparecem. As pessoas que sabem que são amadas e cuidadas por Deus, num primeiro momento podem até sentir um certo medo e insegurança, mas logo esse sentimento é substituído pela confiança de que, se Deus Pai está permitindo essa situação em suas vidas, é porque ela é necessária para a sua salvação, para sua felicidade eterna.

Para podemos chegar a essa atitude de confiança irrestrita na Divina Providência precisamos começar a enxergar, em nossa história de vida, tudo o que o Bom Deus já fez e continua fazendo para nos conduzir a Ele. Precisamos literalmente parar e contemplar. Tirar alguns minutos por dia e nos perguntar: como Deus cuidou de mim hoje?

A doutrina da Igreja nos ensina que Deus, porque nos ama, quer se comunicar diariamente conosco, seja através da natureza, das pessoas que encontramos, dos acontecimentos simples do dia a dia e até dos grandes acontecimentos da história do mundo. Quando incluímos em nossa rotina diária esse tempo de meditação, aos poucos começamos a sentir (e não só saber) que somos muito amados e assim, conseguimos também começar a retribuir esse amor.

Desta forma, quando somos surpreendidos com algum acontecimento que nos estremece, como a perda de um ente querido, um problema econômico, uma doença, uma pandemia que nos força a mudar a forma de viver as coisas mais simples como sair de casa, conseguimos ter a tranquilidade de quem sabe que é seu Pai quem está no controle de tudo, que no meio da tempestade, é seu Pai quem está no leme do barquinho da sua vida, te conduzindo para o porto seguro.

Sentir-se assim, verdadeiramente amado e cuidado pelo Pai, é uma graça extraordinária, mas que está à disposição de cada um de nós. Precisamos pedi-la diariamente e fazer a nossa parte, o nosso 1%, que é essa meditação da vida diária, esse olhar para a nossa vida procurando onde e quando Deus está falando conosco,  “pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta.” (Mt 7,8)

sexta-feira, 5 de junho de 2020

PREPARAR OS FILHOS PARA O MARTÍRIO


Eu sempre me impressionei com a história da mãe e de seus sete filhos narrada em 2 Macabeus, capítulo 7. O relato bíblico nos conta que, para não ceder à pressão do rei e comer carne de porco que era proibida para os judeus, a mãe viu cada um de seus filhos serem torturados e mortos, sendo por fim, martirizada também. Um dos trechos que me chama a atenção é o seguinte:

“Ela, vendo morrer seus sete filhos num só dia, suportou tudo corajosamente, esperando no Senhor. Ela encorajava cada um dos filhos, na língua de seus antepassados. Com atitude nobre, e animando sua ternura feminina com força viril, assim falava com os filhos: ‘Não sei como vocês apareceram em meu ventre. Não fui eu que dei a vocês o espírito e a vida, nem fui eu que dei forma aos membros de cada um de vocês. Foi o Criador do mundo, que modela a humanidade e determina a origem de tudo. Ele, na sua misericórdia, lhes devolverá o espírito e a vida, se vocês agora se sacrificarem pelas leis dele.’” (2Mc 7, 20-23)

Que fé extraordinária possui essa santa mulher! Sabemos que o instinto materno tende a proteger os filhos de todo o sofrimento, mas ela, pensando no bem maior, na felicidade eterna de seus filhos, os encorajou ao martírio!

Isso me faz pensar até que ponto eu, como mãe, estou preparando meus filhos para um eventual martírio. Não falo aqui necessariamente de um martírio sangrento, de dar a vida pela fé em Jesus Cristo (apesar que, nos tempos difíceis e extraordinários em que vivemos, essa não é uma hipótese tão absurda). Mas talvez de um martírio da própria reputação, um martírio de ser considerado fundamentalista, radical, louco... Até que ponto meus filhos (e nós também, como pais) estão dispostos a abrir mão de ter a tranquilidade e paz daqueles que seguem os ensinamentos do mundo para viver a radicalidade exigida no seguimento de Jesus?

Essa entrega total só é possível se temos uma fé sólida no amor infinito que Deus Pai tem por cada um de nós e de que a felicidade completa só teremos quando chegamos no Céu. Para isso precisamos basicamente de duas coisas: oração incessante pedindo o dom da fé (“eu creio, Senhor, mas aumentai a minha fé”) e o aprofundamento na vida e nos ensinamentos de Jesus. Só podemos amar quem conhecemos. Só nos sentiremos amados se meditarmos e enxergarmos o que Jesus fez por nós, fez por mim, ao se entregar livremente para ser torturado e morto na cruz.

Assim é importante, desde que os filhos são pequenos, a mostrar para eles como são amados por Deus, como são preciosos aos olhos de Deus, o quanto Jesus sofreu para que eles pudessem estar, um dia, no Céu. Conforme eles vão crescendo, devemos estimular que tenham também um relacionamento pessoal e íntimo com o Senhor, através da oração pessoal e frequência aos sacramentos, afinal, Deus não tem netos, só filhos...

Devemos também estudar a doutrina da Igreja, as razões da nossa fé, o porquê defendemos determinada causa ou somos contra outras. Nossa inteligência precisa ser iluminada pela luz natural da razão e pela luz sobrenatural da graça. As duas coisas andam juntas. Nossa fé tem fundamento racional, na inteligência, não é apenas um “sentimento”. Sem alimentarmos esse lado racional da nossa fé, na hora da tentação, na hora que precisamos justificá-la ou tomar um posicionamento mais firme, podemos fraquejar. “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade”, nos ensina o S. João Paulo II. Todo esse estudo deve ter como objetivo sempre a busca da Verdade, que é o próprio Jesus Cristo. “Conhecerão a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

Desta forma, com uma vida de oração e de busca da verdade, com a força e as graças que recebemos através dos sacramentos, especialmente da Confissão e da Eucaristia, nós e nossos filhos estaremos preparados para enfrentarmos as dificuldades que o mundo nos apresenta e até o martírio, se assim estiver nos planos amorosos do Pai.



photo credit: babasteve <a href="http://www.flickr.com/photos/64749744@N00/25941203631">Easter Week No. 5</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 22 de abril de 2020

A IMPORTÂNCIA DA ROTINA (PARA ADULTOS E CRIANÇAS)


Normalmente associamos a palavra “rotina” com algo monótono do qual muitas vezes queremos “fugir”. Porém, uma rotina bem estruturada nos ajuda a organizar as nossas vidas e não perdermos tempo. O tempo é o bem mais precioso que recebemos (depois do dom da nossa vida). Depois que ele passa, não podemos voltar atrás e o único tempo que realmente possuímos é o agora. O ontem já foi e o amanhã não sabemos se virá.

Para as crianças, principalmente as menores, ter uma rotina com horários fixos para as várias atividades do dia, como acordar, banho, refeições, brincadeiras e sono, ajuda a dar segurança, elas ficam menos ansiosas, pois sabem o que vai acontecer depois. Para as maiores e para os adolescentes, seguir uma rotina é essencial para aprenderem a organizar o seu tempo e aproveitar melhor os momentos de estudos e de lazer.

Quem não tem uma rotina, vive sempre correndo, atribulado, querendo fazer tudo ao mesmo tempo e chega ao final do dia com a sensação de que não conseguiu fazer nada do que havia planejado. Isso gera muita frustração e desânimo. Ao contrário, quem tem horário para cada atividade, chega ao fim do dia sentindo a paz do dever cumprido.

Dependendo do seu temperamento, organizar e cumprir uma rotina pode ser um grande desafio. É preciso começar aos poucos e não desanimar com as falhas. Recomeçar com determinação no dia seguinte. A sugestão é organizar primeiro um período do seu dia, como por exemplo, a parte da manhã. Depois que conseguir cumprir por um bom tempo (algumas semanas) essa rotina, então acrescente os outros períodos (tarde e noite).

O que deve fazer parte da rotina?

A primeira coisa a se estabelecer é um horário para acordar. Depois, acrescente a cada meia hora as atividades do seu dia. É importante ter horários para refeições, para orações, para lazer/descanso e para atividades físicas. Você pode elaborar a rotina de cada dia da semana, não sendo necessário que todos os dias sejam exatamente iguais. Por exemplo, pode colocar horário para atividade física três vezes na semana e nos outros dias, nesse mesmo horário, colocar um momento de leitura. É muito importante também estabelecer o horário que vai dormir.

O ideal é que, após estabelecidos os horários, eles sejam rigorosamente cumpridos, na medida em que você saiba exatamente o que deve fazer em cada momento do dia. Pe. José Kentenich fala no “fiel e fidelíssimo cumprimento do dever” e S. Josemaria Escrivá tem uma frase que nos ajuda a focar na rotina: “Faze o que deves e estás no que fazes”. Ou seja, faça o que deve ser feito no horário que você mesmo estabeleceu e, naquele horário, esteja 100% concentrado naquela atividade, sem ficar pensando ou se distraindo com o que fez antes ou com o que irá fazer depois. Desta forma, cumprirá fielmente o seu dever.

Um paradoxo de quem cumpre a sua rotina é que quanto mais “escrava” a pessoa é dos horários estabelecidos, quanto mais fielmente cumpre os mesmos, mais livre se sente ao fim do dia, sabendo que fez tudo o que deveria ter feito e no momento em que deveria ter feito.

A virtude que está por trás da rotina é a virtude da ordem. Apesar de não ser considerada uma virtude de “primeira grandeza”, quem não se esforça para conquista-la, acaba por não conseguir também praticar bem as outras. Sem ordem, o tempo se perde, a vida passa e nós “somos vividos” ao invés de vivermos.

Nesse tempo de quarentena e confinamento que estamos vivendo, a rotina se torna fundamental até para mantermos nosso equilíbrio psicológico. Assim, incentivo a todos a fazerem essa experiência, também com os filhos, pois quanto antes aprenderem a gerenciar o tempo, mais livres serão quando se tornarem adultos.

photo credit: verchmarco <a href="http://www.flickr.com/photos/160866001@N07/48787135071">Calendar with pen and tablet symbolizes appointments</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 8 de abril de 2020

JESUS QUER CELEBRAR A PÁSCOA NA SUA CASA!



Na narrativa sobre os preparativos para a Última Ceia, São Lucas informa que Jesus pediu a Pedro e João que fossem preparar a Páscoa. O versículo 11, do capítulo 22 nos diz: “E direis ao dono da casa: o Mestre pergunta-te: Onde está a sala onde comerei a Páscoa com meus discípulos?” Esta pergunta que os apóstolos Pedro e João fizeram ao dono da casa onde foi celebrada a última ceia deve ser feita a cada um de nós, nesse ano tão conturbado onde não poderemos ir até a Igreja para celebrar a Páscoa. Nós não poderemos ir até a Igreja, mas Jesus quer vir celebrar a Páscoa em nossa casa!

Jesus então nos pergunta: onde está a sala onde comerei a Páscoa com vocês? Como vocês estão preparando esse momento tão único, o ponto alto do ano litúrgico na igreja doméstica de vocês? Esse ano será diferente, mas não significa que não possamos viver o Tríduo Pascal e o Domingo de Páscoa de forma muito rica e profunda, talvez até mais intensamente do que nos outros anos.

Todos estamos sofrendo pelo fato de as igrejas estarem fechadas, de não podermos nem visitar Jesus Eucarístico. O Pe. José Kentenich nos lembra que os governos podem até fechar ou destruir todas as igrejas, mas na igreja doméstica, no santuário de nosso lar, a fé continuará viva e ninguém pode destruir!

Devemos aproveitar esse momento único na história e preparar de forma extraordinária a vivência da Páscoa em nosso lar. Podemos encontrar na internet muitas sugestões criativas de como tornar essa vivência de Páscoa em nossa igreja doméstica um momento inesquecível. Vou elencar algumas sugestões:

5ª Feira Santa
- cobrir as imagens e crucifixo que tenham em casa, pode ser com fronhas, toalhas ou tecido TNT
- fazer um momento de “lava-pés” em família. Podem encenar esse momento da última ceia, com o marido lavando os pés da esposa e dos filhos, ou se revezando um lavando os pés do outro. Podem também fazer um momento de pedido de perdão, cada um pedindo perdão ao outro por alguma ofensa cometida ou por deixar de fazer algo que causasse alegria ao outro.
- assistir a missa pela TV ou internet em família

6ª Feira Santa
- lembrar que é um dia de silêncio, jejum e abstinência de carne
- fazer um momento de adoração espiritual, pedindo ao seu Santo Anjo da Guarda que vá até um Sacrário e adore a Jesus Sacramentado. Santo Antonio Maria Claret elaborou uma oração muito bonita para fazer diante de Jesus Sacramentado e pode ser vista aqui
- oração dos mistérios dolorosos do Santo Terço em família
- assistir pelos meios de comunicação a celebração da Paixão de Cristo às 15h
- preparar as estações da Via Sacra nos cômodos da casa, pode ser com cruzes de papel ou gravetos, ou imprimir as fotos de cada estação. Na Sexta Feira Santa, rezar a Via Sacra com os membros da família, caminhando para cada estação.

Sábado Santo
- preparar alguns enfeites para colocar na casa no Domingo de Páscoa. Podem usar a criatividade para fazer coisas com material reciclável
- como ainda é dia de silêncio, determinar os horários que poderão assistir TV ou usar o computador e celular. Manter as luzes da casa todas apagadas, para acende-las apenas no momento da Vigília Pascal
- assistir a missa da Vigília Pascal pelos meios de comunicação, podendo utilizar velas. Levar uma bacia com água e alguns ramos para o momento da renovação das promessas do Batismo. Descobrir as imagens e crucifixos que ficaram velados nesses dias
- preparar um jantar festivo em família

Domingo de Páscoa
- colocar os enfeites preparados no sábado para deixar a casa bem alegre
- assistir a missa de Páscoa pelos meios de comunicação
- almoço festivo em família, colocando na mesa o que há de melhor com relação a toalhas, pratos, talheres. Se possível, enfeitar com flores
- fazer uma vídeo chamada com os membros da família estendida: avós, tios, primos, para desejar uma Feliz Páscoa
- rezar os mistérios gloriosos do Santo Terço

Então, sem desânimo! Esse é o tempo favorável, o tempo para a nossa conversão, o tempo de intensificarmos nossas orações e o tempo de celebrarmos com muito amor a Páscoa em nossa família!




quinta-feira, 2 de abril de 2020

FOMOS COLOCADOS NO “CANTINHO” PARA PENSAR



A maioria dos pais conhece a técnica pedagógica de colocar o filho em um “cantinho”, quando a criança apresenta algum comportamento errado. Tirar do local onde o mau comportamento está ocorrendo e levá-lo a outro lugar para que fique por um tempo “pensando” no que fez de errado. Geralmente o tempo nesse “cantinho” é contado em minutos, de acordo com a idade da criança. Essa técnica tem se mostrado eficiente (pelo menos é a minha experiência quando tinha os filhos pequenos), pois a criança passa a entender que determinadas formas de agir podem ter como consequência a ida para o “cantinho”.

A parte que provavelmente não é muito eficaz é a de que a criança deva pensar na atitude errada que estava fazendo. Eu realmente não acredito que meus filhos ficavam pensando no que o comportamento deles não estava correto, principalmente por serem muito novos. Mas como o resultado era atingido, nunca dei muita importância para essa parte da técnica.

Agora, porém, com essa quarentena obrigatória que o mundo inteiro está passando, fiquei pensando se Deus, como um bom Pai, não achou que era hora de colocar cada um de nós no “cantinho” para pensarmos em nossas atitudes, para refletirmos como estamos preparando nosso encontro com Ele, nossa vida futura na eternidade.

O “cantinho” é o nosso próprio lar, a nossa família. Estamos todos confinados em casa, com um tempo que jamais imaginamos que possuíamos, muitos estão ansiosos, outros entediados, outros super atarefados com as questões domésticas e também do teletrabalho, mas será que esse tempo no “cantinho” está realmente sendo eficiente? Será que estamos aproveitando para pensar no “para que” de tudo isso?

Sabemos que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28) e que a Divina Providência tudo conduz para que cada ser humano possa, um dia, gozar da alegria eterna no Céu, respeitando sempre a liberdade de cada um de querer ou não seguir esse caminho. Deus nunca quer o mal, mas muitas vezes o permite para tirar um bem maior. Acredito que essa é a nossa situação atual. Deus está falando “alto”, como que bradando para o mundo (e cada um de nós) acordar e refletir que caminho está seguindo.

Proponho aqui que façamos uma séria reflexão sobre a nossa vida, o caminho que estamos trilhando. Será que nossa meta é o Céu? Será que estamos mais preocupados com nosso bem estar físico do que com o nosso bem estar espiritual? Será que me relaciono com Deus como a um pai amoroso, que deseja o meu bem e que um dia quer me ver com Ele no Paraíso? Eu pelo menos converso com ele todo dia através de uma oração pessoal?

Outra reflexão que precisamos fazer é sobre nossa vida sacramental. A grande maioria de nós está privada da recepção dos sacramentos, especialmente aqueles que nos ajudam em nossa caminhada espiritual, a Confissão e a Eucaristia. Daí a pergunta: será que eu aproveitei bem as oportunidades de receber a Santa Eucaristia? Será que sempre a recebi com o devido respeito e amor? Confessei-me regularmente ou só uma vez ao ano como pede a Santa Igreja? Como fazia minhas confissões? Tinha arrependimento e o firme propósito de não mais pecar?

Precisamos levar esse tempo muito a sério. Já diz o ditado que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Não podemos desperdiçar nosso tempo, que é um dos bens mais preciosos que possuímos. Sabemos que, cedo ou tarde, essa quarentena irá acabar e a pergunta que fica é se fizemos aquilo que Deus gostaria que fizéssemos nesse período. Ainda estamos gozando do tempo da misericórdia de Deus, mas sabemos que um dia virá o tempo da justiça. Vamos dar a resposta que o nosso Pai espera de nós: acertar nosso rumo, fazer as mudanças de vida necessárias, para que possamos a cada dia amar mais e melhor a Deus e a nosso próximo e assim cumprir a missão para a qual cada um de nós foi criado.

photo credit: donnierayjones <a href="http://www.flickr.com/photos/11946169@N00/25771614245">Reese is Sad</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>



sábado, 22 de fevereiro de 2020

"SAIDINHA" COM OS FILHOS


A Nicole e eu em nossa "saidinha" da semana

Quando meus filhos eram pequenos, li sobre a importância de ter um tempo individual com cada um deles para conhecê-los melhor e aumentar o vínculo entre mãe e filho. Na época aquele conselho pareceu meio estranho, pois passava todo o meu tempo com eles e não conseguia imaginar como eles não estariam tão vinculados a mim no futuro.

Porém, eles foram crescendo, tendo suas próprias atividades e ficando menos tempo comigo. Foi então que iniciamos o costume da “saidinha com a mãe”. Combinamos que uma vez na semana eu levaria um deles para um passeio, onde eles escolhessem. Nesse tempo, nós conversaríamos sobre o que eles quisessem. Para que desse certo, o celular ficava desligado (tanto o meu quanto o deles).

Eles ficaram empolgados com a ideia, mais pelo fato de ir num lugar que eles gostam e que possam comer “porcarias”, do que pela conversa em si. O lugar tem que propiciar um ambiente de diálogo, então normalmente é uma lanchonete ou sorveteria. Cinema não conta, a menos que tenha um tempo para conversar antes ou depois do filme. O tempo gira em torno de uma hora.

A regra é sair com um filho de cada vez, então todos sabem que terão esse tempo comigo, com atenção exclusiva e em determinada semana do mês. Quando começamos, meu filho mais velho já tinha 14 anos, e os outros tinham 11 e 10. Com os menores foi mais fácil, porque a conversa fluía mais naturalmente, mas com o adolescente, demorava um certo tempo para “engrenar”.

Quando não há nenhum fato específico que eles queiram conversar, daí o assunto é comigo. Eu conto da minha vida, do que tem acontecido ou de como foi minha infância, adolescência, juventude... Falo também sobre o pai, os tios, os avós, enfim, sobre a nossa família. As vezes conto fatos da infância deles que eles não lembram mais. Esses são os assuntos preferidos deles. Conhecer a história, ver como as épocas eram diferentes e como as coisas aconteceram para chegarem até eles hoje.

Essa troca de experiências é super importante, porque não só os pais precisam conhecer melhor os filhos, mas também os filhos precisam conhecer o que seus pais pensam, o que gostam, o que não gostam, quem admiram etc. Só é possível amar quem conhecemos, assim o fato de gastar tempo para nos conhecer, aumenta e fortalece o amor e consequentemente o respeito entre nós. Nesses anos, fui surpreendida várias vezes com a profundidade da troca de experiências que esses diálogos proporcionaram.  

Esse ano o mais velho completa 18 anos e veio me perguntar esses dias se as nossas “saidinhas” iriam acabar porque ele já será oficialmente um adulto. Tranquilizei-o dizendo que iríamos continuar com as “saidinhas” até quando ele quisesse...

Assim, meu testemunho é que ter esse tipo de experiência e relacionamento com cada filho é muito importante e gratificante também. Na correria do dia a dia, acabamos não dialogando, só falamos sobre o cumprimento das obrigações, acabamos por resumir o relacionamento de pai e filho como ordens e obrigações por parte dos pais e pedidos de coisas por parte dos filhos. Tudo muito mecânico.

Não somos pais perfeitos, sabemos que muitas vezes erramos na educação dos filhos, mas vejo que ter esse momento de intimidade com cada um deles tem feito a diferença nessa época mais conturbada da adolescência.