quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A QUESTÃO DA AUTORIDADE E A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA

 


Nossa sociedade, a cada dia mais, rejeita a questão da autoridade. A figura da autoridade é vista hoje como sendo “opressora” e, por isso, deve ser combatida. “Todos somos iguais” então ninguém tem o “direito de mandar” em ninguém. Essa imagem distorcida da autoridade se refere a pais, professores, governantes, sacerdotes, policiais, enfim, todos que, por direito, possuem alguma autoridade, mas praticamente são impedidos de exercê-la.

A palavra autoridade deriva do latim auctoritas, que vem por sua vez de auctor, aquele que faz crescer. Quem possui autoridade tem a missão de conduzir seus dirigidos para que esses cresçam, amadureçam, sejam mais livres e aprendam, se for necessário, a exercer a autoridade algum dia. A pessoa com autoridade também tem a missão de proteger quem está sob os seus cuidados, tanto de eventuais ataques externos, como de condutas da própria pessoa que possa causar algum dano a ela própria ou aos outros.

Não é fácil exercer a autoridade com essa visão, principalmente quando se é pai ou mãe e os filhos já estão crescidos. Os pais precisam “treinar” desde cedo os filhos a fazerem boas escolhas, sofrendo as consequências quando escolhem mal. Quando são crianças, o exercício dessa autoridade é um pouco mais fácil, pois, mesmo que os filhos “esperneiem” um pouco, no final, precisam acatar o que os pais decidem, afinal eles são os adultos e responsáveis pela família.

A partir da adolescência a questão fica um pouco mais complicada, porque não basta o filho obedecer, ele precisa entender o porquê daquela determinada ordem. Se ele não entende a razão de agir dessa ou daquela forma, assim que se tornar adulto ou quando achar que os pais não vão descobrir, pode agir de forma totalmente diferente da que os pais gostariam, ou entendem ser melhor.

Marge Fenelon, em seu livro “Strenghtening your Family”, explica que, quando os filhos crescidos têm algum tipo de dilema moral e são tentados a tomar decisões que os pais não concordam, os pais tendem a dois extremos: ou simplesmente ignoram o que o filho quer fazer ou partem para cima do filho tentando forçá-lo a seguir a linha de pensamento deles. Nenhuma dessas opções são realmente efetivas. Ignorar pode dar a falsa impressão de que a escolha que ele está fazendo é permissível e forçar só vai fazê-lo correr para a direção oposta. Essas duas escolhas são uma abdicação da responsabilidade como pais; o trabalho dos pais é educar os filhos para que tenham uma consciência cristã bem formada. Isso leva tempo, paciência, diligência e frequentemente algum “frio na barriga” e unhas roídas...

As consciências são desenvolvidas e formadas pela autoridade. Uma boa autoridade é muito diferente de autoritarismo, ela significa liderança. Como pais, devemos liderar os filhos através de nosso próprio exemplo e direcionamento. É preciso conversar muito. Falar de todos os assuntos polêmicos em casa. Entender a visão de cada filho e mostrar onde podem estar pensando errado, onde estão sendo manipulados pela cultura, pela mídia, pelos amigos. Sempre fazê-los refletir sobre o que estão falando, o que estão acreditando e repetindo.

O Catecismo da Igreja Católica fala sobre o papel dos pais na formação da consciência no parágrafo 1784: “A formação da consciência é tarefa para toda a vida. Desde os primeiros anos, a criança desperta para o conhecimento e para a prática da lei interior reconhecida pela consciência moral. Uma educação prudente ensina a virtude: preserva ou cura do medo, do egoísmo e do orgulho, dos ressentimentos da culpabilidade e dos movimentos de complacência, nascidos da fraqueza e das faltas humanas. A formação da consciência garante a liberdade e gera a paz do coração.”

Importante ressaltar que, como pais, precisamos estudar e entender a doutrina moral católica para poder viver e transmitir esses valores aos filhos. Atualmente temos a imensa vantagem de ter todo esse conhecimento a nosso alcance, graças a inúmeros bons livros e tecnologia da internet. Existem vários blogs e sites católicos que oferecem uma enorme gama de opções de cursos, palestras, vídeos para aprofundarmos no conhecimento da nossa doutrina, então não podemos desperdiçar essas oportunidades.

Por fim, para termos sucesso nessa empreitada de exercer bem a autoridade e formar a consciência de nossos filhos para que possam fazer escolhas condizentes com sua condição de cristão e não simplesmente decidirem baseado no medo, na pressão dos outros ou no que está na moda, precisamos pedir muito as luzes do Espírito Santo e o cuidado maternal de Maria Santíssima. Peçamos a Nossa Senhora, como Mãe e Educadora, que nos ajude a educarmos nossos filhos no caminho que os conduzirão ao Céu.

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