quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ELABORANDO A DECLARAÇÃO PESSOAL DE IDENTIDADE DE SEU FILHO

Este post foi inspirado pelo livro Parenting with Grace, de Gregory Popcak.

O que você quer ser quando crescer? Fazemos muitas vezes este tipo de pergunta para nossos filhos procurando saber qual profissão eles são chamados a seguir. Como pais, nos preocupamos em dar um bom estudo para que eles possam seguir a carreira que desejarem e assim serem felizes. Mas será que pensamos também no tipo de pessoa eles querem ser quando crescerem? Quais as virtudes que eles acham importante seguir em suas vidas?
Possuir uma Declaração Pessoal de Identidade é ter um caminho a seguir, uma direção segura para se tornar o tipo de pessoas que desejamos ser. Para isso, existe um exercício que pode ser feito com cada filho, a partir até da pré-adolescência, que ajudará seu filho a ter um propósito mais definido em sua vida.

Comece um diálogo com seu filho sobre "Que tipo de pessoa você gostaria de ser quando crescer?" Dê a seu adolescente uma lista de virtudes cristãs e pergunte a ele quais destas são mais importantes. Pode perguntar também como ele gostaria de ser lembrado depois que morresse.

Exemplo de virtudes: altruísmo, gentileza, moderação, confiabilidade, assertividade, graça, modéstia, vitalidade, benevolência, gratidão, franqueza, sabedoria, cuidado, generosidade, paciência, admiração, castidade, honestidade, piedade, zelo, compromisso, honra, prudência, compaixão, humildade, pureza, confiança, humor, objetividade, criatividade, idealismo, desenvoltura, confiança, integridade, respeito, devoção, assiduidade, responsabilidade, diligência, alegria, reverência, disciplina, justiça, abnegação, empatia, generosidade, sobriedade, entusiasmo, lealdade, espontaneidade, fé, magnanimidade, tato, indulgência, misericórdia, temperança, amor, hospitalidade, compreensão, bondade, fortaleza, temor de Deus, santidade, serviço.

Peça que escolha entre 3 ou 4 destas virtudes para serem colocadas em prática na sua vida. Então peça que elabore um propósito para cada virtude escolhida. Por exemplo, se escolheu a virtude do serviço, este propósito poderia ser perguntar, ao menos uma vez ao dia, para algum membro da família, como ele pode ajudá-lo. Ou se a virtude for honestidade, o propósito poderia ser procurar falar sempre a verdade, etc.

Depois, elabore um documento, mais ou menos nestes termos:
Eu, _______________ (nome do adolescente), com a ajuda de Deus, eu irei passar a minha vida buscando as seguintes virtudes: ______ (enumerar as virtudes). Eu me comprometo a praticar estas virtudes fazendo as seguintes escolhas no dia-a-dia (listar os propósitos):
Data e assinatura do adolescente.

Este documento pode ser emoldurado ou colado na porta do guarda roupa de seu filho ou no lugar que ele achar melhor. O objetivo é que ele seja lido regularmente.

ADVERTÊNCIAS: esta conversa com seu filho deve ser feita com calma e não precisa ser de uma só vez. Dê-lhe tempo para refletir sobre cada uma das virtudes. Dê oportunidade para que ele pergunte o que significa cada uma delas. Ele é quem tem que escolher estas virtudes, não você. De maneira alguma critique as virtudes escolhidas. Nunca em uma discussão "jogue na cara" essa declaração; a reflexão sobre estas virtudes deve sempre ser feita em um momento de tranquilidade.

Depois que tiver elaborado essa Declaração de Identidade, pode continuar a conversa com ele perguntado a seu adolescente o que pode significar viver estas virtudes diariamente. Por exemplo, quais atividades (trabalhos na escola, igreja, grupo de jovens, oração pessoal, etc) estas virtudes podem requisitar que ele faça? Quais circunstâncias (algumas festas, moda, namoro) estas virtudes podem obrigá-lo a evitar?

Para os pais, o benefício real em ajudar seu adolescente a desenvolver sua própria declaração de identidade é que torna a disciplina muito mais fácil - não magicamente simples, como possa pensar - mas significativamente mais fácil. Como? Bem, uma vez que seu adolescente tenha identificado as virtudes, valores e ideais espirituais que ele deseja perseguir em sua própria vida, você pode simplesmente se referir a sua declaração de identidade quando ele pedir sua permissão para se engajar em atividades questionáveis. "Fazer isso o tornará uma pessoa mais (coloque aqui a virtude) ou menos?"

Usar este exercício nos permite ser muito mais diretos e até desafiantes como conselheiros do que poderíamos ser de outra forma, porque "nós apenas estamos mostrando isso, porque você disse que queria ser um pessoa (coloque aqui a virtude) e claramente, esta escolha não fará de você este tipo de pessoa. Parece que você tem uma escolha a fazer." Nós podemos ser francamente chatos se necessário, mas a coisa mais incrível é o jovem não se ressentirá conosco por isso, porque ele sabe que nós apenas estamos pregando suas próprias palavras de volta para ele. Ele não pode se ressentir conosco sem ressentir-se de si mesmo. E então, muitas vezes relutantemente, ele começa a ver a sabedoria e benefício de fazer escolhas mais saudáveis e mais amorosas.


Um adolescente é, na maioria, muito velho para dizermos o que deve fazer, mas muito jovem para ser deixado sozinho. Enquanto ainda haverá vezes que você deverá educá-lo por uma "decisão executiva" (não pode porque eu não quero), ajudar seu adolescente a permanecer fiel a sua própria declaração de identidade é, em geral, uma maneira mais respeitosa de motivá-lo a fazer escolhas saudáveis e respeitáveis. E mais tarde, o ajudará a descobrir seu Ideal Pessoal, que é a ideia que Deus teve sobre ele desde toda a eternidade; o motivo para o qual foi criado e a missão que tem cumprir aqui na Terra.

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sábado, 22 de agosto de 2015

PARA QUE REALMENTE FORAM CRIADOS OS CONTRACEPTIVOS?

Essa é uma pergunta que, a primeira vista, parece óbvia: os contraceptivos foram inventados para evitar uma gravidez indesejada. Será??? Para evitar uma gravidez sempre existiu um método cem por cento seguro e eficaz, chamado abstinência. Portanto, a única conclusão possível é que os métodos contraceptivos foram criados para justificar nossa entrega à luxúria, pois querem nos poupar do trabalho que experimentamos ao ter que optar pela abstinência.[1]

Os animais não possuem controle sobre a sua vontade e seus instintos, por isso precisamos castrá-los caso não desejamos que eles se reproduzam. Ao utilizar os contraceptivos, estamos nos rebaixando ao nível dos animais, pois estamos dizendo que porque não conseguimos controlar o nosso instinto sexual, então precisamos nos "castrar" (temporária ou permanentemente) para não procriarmos.

Desta forma a contracepção está nos negando a liberdade que nos foi dada por Deus para amar, pois está afirmando que a pessoa não pode se abster.

Esses métodos são ilícitos porque desvirtuam as leis da natureza e as leis de Deus; podem também prejudicar a saúde e alguns deles chegam a provocar o aborto. Por isso São João Paulo II diz que "os métodos anticoncepcionais são algo profundamente ilícito, que nunca, por nenhuma razão, poderão ser justificados" (Audiência de 17.09.83)

Os meios contraceptivos ainda facilitam a infidelidade conjugal; cooperam para o descontrole sexual ou fomentam a falta de domínio dos impulsos mais primários; propiciam o perigo de instrumentalizar a mulher colocando-a ao serviço do egoísmo masculino; facilita-se à autoridade pública invadir com diferentes métodos a intimidade conjugal.

"Portanto, se não se quer expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e sobre as suas funções; limites que a nenhum homem, seja ele simples cidadão privado ou investido de autoridade, é lícito ultrapassar. E esses mesmos limites não podem ser determinados senão pelo respeito devido à integridade do organismo humano e das suas funções." (HV 17)

Os métodos contraceptivos abriram a porta a uma sexualidade cada vez mais egoísta e impessoal. Se usa e abusa da relação sexual "segura", pois já não existe o "perigo" de uma gravidez indesejada. Isto ajudou a aumentar a trágica realidade que se dá na vida íntima dos esposos, na qual o ato conjugal se pratica desligado da comunicação pessoal, do diálogo e da afetividade.

Enquanto nossa cultura ensina que usar a contracepção é a coisa responsável a se fazer, que torna o casamento melhor e uma sociedade melhor, a Igreja Católica está como a voz solitária dizendo que a contracepção é sempre errada e terrivelmente danosa para o casamento e a sociedade.

Ao contrário da crença popular, a Igreja não se opõe ao controle da natalidade porque ele é artificial. Ela se opõe porque ele é contraceptivo. Contracepção é a escolha que por qualquer meio impede o potencial procriativo de um ato sexual. Em outras palavras, o casal que escolhe a contracepção escolhe ter uma relação sexual e vendo que seu ato pode gerar uma nova vida, eles intencionalmente suprimem sua fertilidade.

Isto pode ser feito ao empregar uma grande variedade de dispositivos artificiais e hormônios, ou a esterilização por procedimentos cirúrgicos. Isso pode ser feito sem usar nada artificial, como o caso do coito interrompido. Então para evitar uma grande confusão, contracepção é a melhor palavra para ser usada quando descrever o que a Igreja especificamente se opõe.

Além disso, a Igreja aprova o Planejamento Familiar Natural (quando houver justa razão para evitar a gravidez) não porque é "natural" como oposto a "artificial", mas porque não é de maneira alguma  contraceptivo. Nunca um casal praticando o PNF escolhe impedir o potencial procriativo de um ato sexual - nunca. PNF não é "contracepção natural". Não é de nenhuma forma contracepção..

A promiscuidade sexual tem conexão direta com a cultura atual, onde se vende a relação sexual como algo que se deve ter e sem qualquer limite ou barreira. Tudo é permitido, desde que a pessoa tenha prazer. Partindo dessa premissa, se devemos ter a relação sexual quando queremos, devemos também ter a contracepção para atender essa demanda. E seguindo os passos da contracepção, temos o aborto como plano alternativo caso a contracepção falhe. As mulheres são as que mais sofrem as consequências nefastas deste comportamento e o advento da pílula anticoncepcional foi o catalisador do aumento de outros grandes males sociais, como o divórcio, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez fora do casamento e o aborto.[2]

Usar a contracepção é ter a mentalidade do "toma lá da cá" dentro do casamento, tornando-o mais como um relacionamento contratual do que um matrimônio  fundado na vontade de tornarem-se "uma só carne".

"(...) um ato conjugal imposto ao próprio cônjuge, sem consideração pelas suas condições e pelos seus desejos legítimos, não é um verdadeiro ato de amor e nega, por isso mesmo, uma exigência da reta ordem moral, nas relações entre esposos. Assim, quem refletir bem, deverá reconhecer de igual modo que um ato de amor recíproco que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana. Usar deste dom divino destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem, bem como com a da mulher e da sua relação mais íntima; e, por conseguinte, é estar em contradição com o plano de Deus e com sua vontade." (Humanae Vitae no. 13)

O Papa Paulo VI, fez ainda previsões muito acertadas em 1968, pois na Encíclica Humanae Vitae, disse que aconteceriam quatro grandes problemas sociais  caso a contracepção fosse disponível amplamente: (1) haveria um rebaixamento generalizado da moralidade; (2) o respeito à mulher decairia dramaticamente; (3) os governos adotariam políticas coercitivas de controle da natalidade; (4) nós "perderíamos a reverência ao organismo como um todo e suas funções naturais." Infelizmente todas estas previsões se concretizaram, como facilmente se comprova hoje.

Pelo bem de sua família, diga não à contracepção!!




[1]WEST, Christopher Teologia do Corpo para Principiantes - Uma introdução básica à revolução Sexual de João Paulo II. Ed. Myriam. Porto Alegre. 2008 pg 119
[2] http://www.eumed.net/rev/cccss/11/ntrs.htm, acessado em 05.01.2015
http://new.d24am.com/noticias/saude/pesquisa-revela-que-pilula-anticoncepcional-pode-aumentar-incidencia-de-dsts/16410, acessado em 05.01.2015
http://providafamilia.org/doc.php?doc=doc58376, acessado em 05.01.2015
http://www.providafamilia.org.br/doc.php?doc=doc97368, acessado em 05.01.2015
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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CORRESPONSABILIDADE FAMILIAR

A reflexão de hoje é um texto do Pe. Nicolás Schweizer, publicado em suas Reflexões, No. 122, de 01.01.12. 

Um dos problemas que vejo no caminho para a santidade é o que poderíamos chamar uma falta de corresponsabilidade pelo outro. Muitos aspectos de nossa vida nos custam muito, seja na vida espiritual (p.ex. a oração serena e profunda, a fidelidade nos propósitos), ou seja, na vida natural (por exemplo, nos dominar na comida ou bebida, com o cigarro, fazer caminhadas).

Percebemos que superam nossas forças, que sozinhos não podemos conquistá-los. Tentamos muitas vezes e não conseguimos. E então, o que podemos fazer? Temos que nos ajudar uns aos outros todos, nos aconselhar, chamar mutuamente a atenção. Porque cada um é corresponsável pela santidade de sua família.

O problema do tempo. Trata-se da falta permanente de tempo de muitos. Acontece que o tempo passa sem deter-se. Podemos perdê-lo, mas não ganhá-lo. Só podemos aproveitá-lo melhor. Dominar o tempo é, na realidade, dominar-se a si mesmo, não se deixar derrubar nem arrastar por si mesmo e pelos demais. É saber tomar distância, meditar serenamente sobre a maneira como empregamos nosso tempo. Trata-se da arte de viver plenamente o momento presente.

A muitos lhes é difícil a distribuição adequada de seu tempo, o equilíbrio racional entre as distintas atividades da vida: família, trabalho, descanso, vida espiritual e apostólica. Todos nós conhecemos o poder escravizador do trabalho. É como uma droga que intoxica e depois exige aumentar a dose. O trabalho excessivo pode atrofiar o crescimento, murchar a alegria, afogar a vida. Também as atividades sociais ou apostólicas podem se tornar obstáculos para a santidade. Principalmente se não aprendemos a dizer não; e sempre é melhor um não amável a um sim não cumprido.

Creio que a muitos lhes falta também mais ordem e disciplina em sua vida diária; falta-lhes definir claramente suas prioridades pessoais, sua escala de valores.

Um ponto fundamental é o descanso. Há um cansaço normal, ao fim do dia ou do ano. Mas também há uma fadiga que arrasta toda a pessoa, um esgotamento nervoso que tem a ver com a falta de descanso, de ócio, de exercícios. Muitos se sentem estressados, porque querem fazer muitas coisas em pouco tempo e sofrem, por isso, tensões, irritações e raivas. E isso lhes impede gozar a vida. É recomendável controlar nossas horas de sono ou descanso. E para nos ajudar, devemos fixar uma hora certa para dormir; e se a superamos tratar de recuperar o tempo de descanso perdido.

Muitos nos descuidamos seriamente nosso corpo ao não praticar nenhum esporte, nenhum exercício físico. Alguns nem sequer seguem a clara prescrição médica de fazer caminhadas diárias. Nosso corpo, “o irmão asno”, não só é teimoso e comilão, mas também preguiçoso.

Outra forma de atentar contra a saúde mental é não respeitar um tempo de ócio pessoal. Todos nós temos que aprender a reservar um tempo diário para nós mesmos, sem sentimentos de culpa. Pode ser para ler, escutar música, caminhar, fazer uma visita - enfim, fazer algo que goste que me distraia.

Penso que em tudo isto temos que nos sentir responsáveis por cada integrante da família, nos acompanhar e ajudar um ao outro. Assim todos juntos poderemos mudar com mais facilidade nossos maus hábitos e superar os obstáculos em nossa rota de vida. É um aporte valioso e necessário para que possamos seguir caminhando e conquistar a plena maturidade natural e sobrenatural. É nossa maneira de nos apoiar e estimular mutuamente em nosso grande desejo e desafio de chegar a ser, algum dia, todos juntos uma família santa.

 Perguntas para a reflexão

1.      De que maneira nos ajudamos a crescer?
2.      Respeitamos as horas de sono, os fins de semana livres?
3.      Tenho momentos de ócio?


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terça-feira, 11 de agosto de 2015

ENSINANDO SEUS FILHOS SOBRE NAMORO SAUDÁVEL

Nós pais nos preocupamos muito com a educação formal de nossos filhos, os colocamos em boas escolas e proporcionamos o melhor em relação a cursos extra curriculares. Tudo isso pensando em sua futura vida profissional. Mas e a vida afetiva? E o relacionamento deles com o sexo oposto? E a busca por um companheiro (a) para a vida toda? Precisamos nos ocupar disso também e a educação para um namoro saudável começa na pré-adolescência, antes mesmo deles começarem a pensar em namorar.

Baseado no livro Parenting with Grace, de Gregory e Lisa Popcak, podemos dizer que existem cinco passos para ensinar o seu filho a buscar um relacionamento saudável:

1. Ajude seu/sua filho/filha a desenvolver uma declaração de identidade ao redor da qual construir seus relacionamentos. Essa declaração de identidade é o conjunto específico de virtudes, valores, ideais espirituais e objetivos pessoais que seu adolescente gostaria de defender e esforçar-se para alcançar no curso de sua vida. Em outras palavras, seu ideal pessoal, aquilo para o qual Deus o criou para realizar.
Tendo este ideal em vista, eles precisam saber que o objetivo principal de um namoro é procurar alguém com quem possam casar e esta pessoa deve ajudá-lo a cumprir todas estas virtudes que são caras para seu coração.
Ensine seu filho que tanto nas amizades como no namoro, as melhores pessoas para se associar devem ser aquelas que ajudam você a se sentir mais como você mesmo quando está com elas. Ensine seu adolescente a perguntar a si mesmo: "Esta pessoa que estou andando (ou namorando) me faz ter vontade de esconder aqueles valores, ideais e objetivos que formam minha declaração de identidade, ou eles me fazem querer colocar estes valores e ideais para fora, lustrá-los e mostrá-los ainda mais? Ensine seu adolescente que os únicos bons amigos são aqueles que se encaixam na segunda categoria.

2. Ajude seu/sua filho/filha a identificar qualidades específicas ou virtudes que ele ou ela deseja em um futuro companheiro/companheira. Além de ajudar seu filho/filha a desenvolver sua declaração de identidade, é essencial que você gaste mais tempo ajudando seu adolescente a descobrir quais qualidades procurar em outra pessoa. Isso ressalta a noção de que amizade, especialmente amizades românticas, é sobre cada parceiro ajudar o outro a se tornar a pessoa que Deus quer que ele seja quando crescer. Quando você ajuda o seu adolescente a desenvolver uma lista de virtudes para procurar num possível namorado/namorada, você dá ao seu adolescente as ferramentas necessárias que ele precisa para decidir se uma amizade em particular (romântica ou não) é saudável ou não.
            
3. Procure oportunidades para que seu/sua filho/filha aprenda a ser amigo de membros do sexo oposto antes de dar permissão para namorar. Muito frequentemente, as crianças correm para o namoro sem nunca terem tido a oportunidade de aprender o que é preciso para ser amigo de uma pessoa do sexo oposto. Isto leva a adolescentes e jovens adultos que tem um largo repertório romântico, mas não tem ideia de como realmente se relacionar um com o outro.
Para ensinar seu filho ter as habilidades que ele precisa para ser um bom amigo antes de se tornar o namorado de alguém, é uma boa ideia encorajá-los a participar de atividades nas quais os dois gêneros se misturam livremente. As melhores destas atividades requerem que jovens homens e mulheres trabalhem juntos para resolver problemas ou completar um objetivo comum, como por exemplo clubes ou grupos de serviço que requeiram que seus membros funcionem como um time, para aprender a linguagem um dos outros, e alcançar um objetivo juntos. Obviamente, estas são habilidades importantes que traduzirá bem em relacionamentos longos.

4. Entreviste aquele/aquela com o qual seu/sua filho/filha está romanticamente interessado. Pode parecer antiquado, mas conversar com o pretenso namorado ou namorada é de grande valor para seu adolescente. Como isso funciona? A mãe ou o pai diz que quer conhecer a pessoa que quer namorar sua filha. (mas pode ser usado para o filho também). Este encontro deve acontecer logo no início do relacionamento, para poder demonstrar que você e sua filha estão elevando o menino para um padrão mais elevado de comportamento desde o começo. Na preparação para este encontro, a mãe e o pai podem fazer um jantar para o jovem casal ou planejar outra atividade que possa acomodar a natureza casual mas séria deste encontro.
No decurso da noite, o pai deve amavelmente, gentilmente, mas firmemente tomar a liderança e falar para o jovem menino namorando sua filha (ou a jovem menina namorando seu filho), "Eu quero que saiba como estou feliz que minha filha encontrou alguém que a ajude a se sentir tão feliz como ela está com você. Eu ouvi boas coisas sobre você de minha filha, e eu posso dizer que ela realmente respeita você. Eu queria te conhecer porque eu preciso te dizer uma coisa: eu amo esta jovem mulher (ele aponta para sua filha). Eu daria minha vida por ela, pois ela é mais especial para mim do que qualquer coisa que eu tenha. Minha esposa e eu trabalhamos muito para ensinar valores a ela que irão assegurar a ela uma vida feliz e abençoada, e ela mesma diz todos os dias que ela quer trabalhar para ser (insira aqui as qualidades da declaração de identidade dela). Eu realmente a respeito por isso.
"Eu preciso que você entenda que quando você está lá fora com ela, eu estou confiando a você meu tesouro especial. Homem pra homem, eu quero que você prometa que você nunca a levará a um lugar em que ela possa se machucar, fará qualquer coisa intencionalmente para machucá-la ou a você mesmo, ou desrespeitar os valores e virtudes que são importantes para ela. Você pode prometer isso para mim?"
Esta é uma ação intensa e amorosa que é melhor conduzida pelo pai. Ela faz duas coisas. Primeiro, é uma proclamação pública de seu amor por seu filho ou filha. Você está mostrando ao pretendente o exato valor do tesouro que ele encontrou. Isto é uma experiência extraordinariamente bonita para seu filho ou filha, que realmente se sente estimado sendo falado desta forma.
Segundo, isto manda uma mensagem clara que você não está brincando. Relacionamento é assunto sério. Autoestima, futuros objetivos, e até mesmo vidas podem ser mudadas para sempre - para o bem ou para o mal - pelo menor encontro entre um homem e uma mulher. Isto deixa o jovem casal saber que há mais num relacionamento sério do que ter um par garantido para na noite de cinema - que um relacionamento cristão é em último caso sobre acreditar que você tem mais chance com o seu parceiro do que sem ele de se tornar a pessoa que Deus quer que você seja no final da sua vida e vice versa. 

5. Ajude seu/sua filho/filha a aprender a checar o efeito de seu namoro com a sua declaração de identidade (p. ex.: "Esta pessoa está ajudando você a se tornar mais - ou menos - da pessoa amável/confiante/honesta/alegre/boa/criativa/casta/etc que você disse que queria ser quando crescesse?") Você pode dar a seu jovem as ferramentas que ele ou ela precisa para fazer decisões educadas para ele ou ela mesma se tirar um tempo para ajudar o seu adolescente a desenvolver uma declaração de identidade e uma lista de qualidades que ele ou ela gostaria de ter num parceiro,
O jovem pode então utilizar o primeiro ou segundo encontro para perguntar questões simples no curso da conversação que irá ajudá-lo a decidir se esta pessoa se encaixa em seus critérios.
Quando você tirou um tempo para ajudar seu jovem a desenvolver uma declaração de identidade, você dá a ele uma maneira de checar seus próprios relacionamentos, e você dá a você mesmo uma maneira legítima de inquirir sobre a saúde de um relacionamento sem parecer intrometido. Tudo que você deve fazer é perguntar: "Quando você está com (coloque o nome aqui), você sente que ele/ela está ajudando você a se tornar mais você mesmo, ou menos?" Seu jovem não irá se ressentir desta intromissão, porque, se feito no espírito correto, ele ou ela irão saber que você apenas está ajudando-os a se manter firmes nos valores que eles mesmos disseram ser importantes.


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terça-feira, 4 de agosto de 2015

DEZ DICAS PARA TRATAR O TEMA DA SEXUALIDADE COM SEUS FILHOS

O tema de hoje foi inspirado no livro Beyond the Birds and the Bees, de Gregory Popcak e tem o objetivo de ajudar os pais a lidar com o delicado tema da sexualidade com seus filhos.

1. Cada criança tem diferentes necessidades, desafios e forças. Todas as crianças possuem diferentes níveis de maturidade e capacidade intelectual. A Teologia do Corpo nos lembra da "irrepetibilidade" de cada pessoa. Cabe a você, como pais, saber quando dividir informações sobre sexualidade, ser sensível às necessidades particulares e níveis de cada um de seus filhos (não é um método de "produção em massa").

2. Você é o primeiro e mais importante exemplo para seu filho de masculinidade e feminilidade. Falando em geral, é responsabilidade primária do pai ensinar e modelar uma sexualidade saudável para seus filhos, enquanto é responsabilidade primária da mãe ensinar e modelar uma sexualidade saudável para suas filhas. Claro, ambos os pais tem algo importante para ensinar para todos os seus filhos, a despeito do gênero. De fato, uma das coisas que descobrimos na Teologia do Corpo é que o homem nunca é mais masculino do que quando ama e serve sua mulher, e a mulher nunca é mais feminina do que quando ela ama e serve seu homem, e a humanidade nunca é mais completamente expressa quando estas duas realidades existem ao mesmo tempo. A essa luz, o pai e a mãe devem sempre se lembrar de seu dever de ser um bom exemplo e educador sobre o que significa ser um homem ou uma mulher cristã.

3. Quando falar sobre sexo, nós devemos sempre tomar cuidado para conectá-lo às suas dimensões espirituais e morais. Transmitir a visão católica sobre o amor envolve mais do que ensinar as crianças sobre sexo. É o processo de formar o caráter inteiro da criança. Sexo é algo que envolve o todo espiritual, emocional e físico da pessoa. Não é suficiente dar informações mecânicas. Nós devemos ensinar nossos filhos como ter uma sexualidade integrada que é enraizada na oração, fundada em um caráter sólido e que expressa todas as virtudes que ajudam as pessoas a viver a vida e o amor como os presentes que Deus quis que fossem.

4. Não é suficiente dizer: "Não faça isto!". Quando corrigimos nossos filhos por utilizar comentários sexuais inapropriados, auto tocar-se, ou outros comportamentos, devemos evitar medidas corretivas que deem a impressão que sexo é algo ruim ou algo para se temer. Nós devemos sempre lutar para dar uma explicação sensível e moral do motivo pelo qual o comportamento é errado e ser capaz de explicar porque as alternativas morais que estamos oferecendo são melhores para o corpo, mente, alma e relacionamento da criança. Este último ponto é extremamente importante.

5. Cultivar uma sexualidade saudável e santa é um processo para toda a vida. Não é suficiente apenas dar informações a seus filhos sobre sexo e moral. Nós devemos sempre estar dispostos a servir como exemplos pacientes, professores e confidentes a eles. Conforme a sexualidade de nossos filhos se desdobra, nós devemos participar ativamente em cada estágio, provendo orientação e assistência. A Igreja se refere a este processo como procriação integral. Por este termo, a Igreja quer dizer que os pais católicos devem fazer mais do que conceber crianças. Nós devemos formá-los satisfazendo suas necessidades em cada estágio de suas vidas para que possamos criar não apenas adultos, mas santos. Nós devemos trabalhar para sermos autoridades sensíveis e críveis em questões sexuais aos olhos de nossos filhos.

6. Nós devemos modelar e ensinar o respeito por nós mesmos e pelas outras pessoas. Nós devemos ensinar nossos filhos a respeitar seus próprios corpos, mente e alma, e ter um respeito genuíno pelos corpos, mentes e almas das pessoas que Deus colocar em seus caminhos.

7. O objetivo de toda disciplina deveria ser ensinar a criança a ter uma autodisciplina. São Paulo escreve "A vontade de Deus... é que cada um saiba usar o próprio corpo" (1Tess 4,3-5). Nós devemos dar a nossos filhos ferramentas que eles precisam para avaliar o seu ambiente de uma perspectiva amorosa e cheia de fé.

8.Castidade não é a mesma coisa que repressão. Castidade é uma virtude positiva e capacitante que nos ajuda a amar a pessoa certa, da maneira certa e no tempo certo. Castidade é o poder de ser livre de necessidades que me forçariam a agir de maneira que é contrária ao meu melhor interesse e o melhor interesse da pessoa que eu amo. Nós devemos ensinar nossos filhos sobre a força e alegria que vem do autodomínio. Devemos ensinar a eles que a castidade, longe de ser sufocante ou repressiva, aumenta suas chances de ter um casamento mais feliz, uma vida mais saudável e uma alma mais bonita.

9. Como pais não podemos fazer tudo sozinhos. Nós devemos estar dispostos a aceitar a ajuda competente de fontes qualificadas. Isto inclui a leitura de bons livros no assunto da sexualidade e esta dispostos a consultar com pessoas experientes em educação, psicologia, teologia e desenvolvimento infantil conforme as necessidades surgem.


10. Em tudo que fazemos e ensinamos que Deus trabalha ao nosso lado. Sua graça nos sustenta. Conforme nossos filhos crescem em virtude a cada dia, sua misericórdia estará lá para nós quando falharmos como pais. Através da oração e participação nos sacramentos, nós devemos sempre buscar a orientação de Deus e ensinar nossos filhos a fazer o mesmo.