domingo, 8 de dezembro de 2019

“EU TENHO DIREITO DE SER FELIZ”



“Eu tenho direito de ser feliz!” Essa frase tem justificado muitas atitudes em nossos dias. Mas será que ela é verdadeira? Será que realmente cada um de nós tem o “direito” de ser feliz?
Possuir um direito significa que posso exigi-lo, que tenho ferramentas para obrigar que ele seja respeitado. Mas quando falamos em felicidade, como podemos exigir tal direito? Quem podemos obrigar a nos fazer felizes? A resposta é simplesmente: não podemos. E se não podemos exigir, não podemos falar em direito.

Nós nascemos para sermos felizes, mas a nossa estrutura humana, a forma que fomos criados, não foi feita para que consigamos ser felizes por nós mesmos. Precisamos do outro para realmente atingir a felicidade. É como aquela história de várias pessoas numa mesa, cada um com seu prato de sopa, mas com uma colher de 2 metros de comprimento. Se cada um tentar se alimentar sozinho, todos vão morrer de fome. Mas se um pegar a sua colher e colocar na boca do outro, todos se alimentam e ficam satisfeitos.

Da mesma forma, a nossa felicidade depende do nosso empenho em fazer o outro feliz. Nosso esforço, nossa luta deve ser para tentar proporcionar o máximo de felicidade para aqueles que convivem conosco. A felicidade do meu marido, da minha esposa, dos meus filhos, dos meus netos, dos meus pais, dos meus irmãos, dos meus avós, dos meus amigos deve ser prioridade. E o que veremos é que a nossa felicidade vem como consequência desse empenho na felicidade dos outros.

Então, por trás da frase: “Eu tenho o direito de ser feliz”, encontramos, no fundo, uma motivação egoísta, que está pensando em seu próprio bem em primeiro lugar, e o egoísmo é o contrário do amor, é aquilo que mata o amor. Quem busca a própria felicidade sem se preocupar com a felicidade de quem está ao seu redor, no final, acabará infeliz.

Obviamente é impossível agradar a todos e também é impossível ser feliz o tempo todo enquanto vivermos nesse mundo. Dificuldades, sofrimento, decepções fazem parte da vida de todos. Mas a felicidade é muito maior do que momentos de alegria e de prazer. A felicidade é a paz que temos em estar cumprindo bem o nosso papel, em estar cumprindo a missão, o ideal para o qual Deus nos criou.

Assim, a primeira pessoa que temos que nos preocupar em agradar é a Deus. Ele nos deu os Mandamentos e a doutrina moral da Igreja para nos ajudar nessa caminhada rumo ao Céu. Ele nos enviou seu próprio Filho para nos dar o modelo de amor e serviço. Ele nos alimenta e fortalece através dos sacramentos, em especial da confissão e da eucaristia. Ele é a fonte última de nossa felicidade, porque foi Ele quem nos criou para a felicidade sem fim que experimentaremos, um dia, no Céu.

Portanto, não nos deixemos iludir pela mentalidade egoísta de nossa sociedade que prega esse falso “direito” à felicidade. Isso é armadilha do inimigo, que deseja o ser humano cada vez mais egoísta, pois quanto mais egoísmo existir no mundo, menos amor haverá. E Deus é Amor. Menos amor, menos Deus...

photo credit: Gareth1953 All Right Now <a href="http://www.flickr.com/photos/40837632@N05/44073174905">Hyde Park - June 2018 - Smile For Daddy</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>





terça-feira, 3 de dezembro de 2019

ADVENTO: NÃO DEVEMOS PERDER TEMPO!


Iniciamos mais um ano litúrgico com as semanas que nos preparam para a vinda do Menino Jesus no Natal. Mais do que nos lembrar de um nascimento fora do comum de milênios passados, esse tempo do Advento deve nos ajudar a estarmos preparados para o nosso encontro pessoal com Cristo que ocorrerá no dia de nossa morte ou no dia de sua segunda vinda (o que acontecer primeiro!).

É um tempo de reflexão e de penitência, não tão forte quanto a Quaresma, mas também somos convidados a fazer um balanço de nossa vida de vinculação com Deus, pedir perdão pelas falhas, oferecer algum tipo de sacrifício em reparação e fazer o firme propósito de melhorar, pelo menos um pouquinho. Intensificar nossa luta contra o “homem velho” que existe dentro de nós, abraçando a salvação que Jesus já mereceu por cada um, fazendo a nossa parte, colocando a “mão na massa” e cumprindo fielmente nossos propósitos de ser uma pessoa melhor, que procura amar mais e servir melhor quem está ao nosso redor.

Para quem tem filhos (ou netos), esse é um tempo privilegiado para cultivar a fé no coração de cada um deles. Eles precisam saber e também experimentar na prática, que fazem parte de uma família maior, a Igreja, que são membros do Corpo Místico de Cristo. Participar da novena de Natal com amigos e vizinhos, montar o presépio em casa, fazer as orações da coroa do advento acendendo cada domingo uma vela, montar a Árvore de Jessé, fazer um ato concreto de caridade para uma família mais carente, enfim, são muitos meios que a Igreja proporciona para vivermos intensamente essa época.

Para os filhos maiores, é importante salientar a importância de preparar o coração para receber Jesus no Natal, através de uma boa confissão. Quem sabe participar de mais alguma missa durante a semana ou rezar mais vezes o terço como forma de preparar um presente espiritual para o aniversariante, com o estímulo de saber que no mundo todo, a família cristã inteira, está se preparando para esse grande momento.

O Papa Bento XVI, em sua mensagem Urbi et Orbi de 2006, fala dessa realidade do Corpo Místico de Cristo: “Em Belém nasceu o povo cristão, corpo místico de Cristo no qual cada membro está unido intimamente ao outro por uma total solidariedade. O nosso Salvador nasceu para todos. Devemos proclamá-lo não somente com palavras, mas também com toda a nossa vida, dando ao mundo o testemunho de comunidades unidas e abertas, nas quais reina a fraternidade e o perdão, a acolhida e o serviço recíproco, a verdade, a justiça e o amor.”

Nós precisamos saber e nossos filhos também precisam saber que, cada ato de amor, cada oração, cada sacrifício que eu faça, mesmo que ninguém veja, faz bem para toda a Igreja, para todo o Corpo de Cristo. Então não devemos perder tempo! Nossa meta é o Céu! E para chegarmos um dia lá, precisamos viver bem o nosso hoje, o nosso agora.

photo credit: Joe Shlabotnik <a href="http://www.flickr.com/photos/40646519@N00/46478200181">Fourth Sunday Of Advent</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 5 de novembro de 2019

OS PILARES PARA A NOSSA SALVAÇÃO

Não há nada mais importante em nossa vida do que cuidar da salvação de nossa alma. Sabemos que tudo nessa vida passa e que só a nossa alma é eterna, então cuidar do lugar onde passaremos a eternidade deve ser nossa prioridade.

O Céu pode ser definido como uma união completa com Deus, nosso Criador, que é Amor. Então, para um dia estarmos unidos ao Amor, precisamos procurar, ainda aqui nessa vida, um pouco dessa união. Para isso, a Igreja, nossa Mãe e que deseja que todos os seus filhos sejam salvos, oferece todos os meios necessários para que isso seja possível.

Além dos requisitos essenciais (ser batizado e ter fé), existem três pilares sobre os quais a nossa salvação se sustenta: a oração, a confissão e a eucaristia. Sem eles, a união total com o Amor na eternidade é muito difícil, ou praticamente impossível.

A oração é o diálogo pessoal com Deus. Não é possível passar a eternidade com uma pessoa com quem nunca conversamos, ou falamos muito pouco, ou ainda só falamos quando precisamos de alguma coisa. Para nos unirmos a Deus, precisamos procurar conhecê-lo, ver sua atuação em nossa vida e para isso que serve a oração. Existem muitas formas de rezar, mas a mais propícia para esse encontro com o Deus da minha vida é a oração meditativa.

São várias as técnicas para uma boa meditação e a vida dos santos está repleta delas. A que sugiro aqui é uma ensinada pelo Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ele ensina que devemos saborear os acontecimentos da nossa vida, tentando enxergar a mão de Deus em cada coisa que nos acontece, tanto as boas como as que não são agradáveis.

Para isso, precisamos reservar algum tempo do nosso dia (no mínimo 15 minutos) onde nos colocamos em um lugar calmo, pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos ajude a encontrar com o Pai e escolhemos um acontecimento do dia anterior para meditarmos. Em vista desse fato, fazemos três perguntas: 1) O que Deus quer me dizer com isso? 2) o que eu digo a mim mesmo? 3) O que respondo a Deus?

A resposta a essas perguntas nos ajuda a enxergar a divina providência em nossa vida. O objetivo principal da meditação é conhecer para amar. Se conseguimos ver Deus por trás desses acontecimentos, vemos como Ele cuida de nós com amor infinito e assim, conseguimos também responder a esse amor. Só ama quem se sente primeiro amado. E Deus nos amou primeiro!

Outro pilar para a nossa salvação é o sacramento da confissão. O pecado nos afasta de Deus, pois escolhemos a satisfação de um desejo que nos faz mal, ao invés de permanecermos fiéis aos ensinamentos de nosso Pai. Assim, a confissão nos reconcilia com Deus, retoma o estado de amizade que o pecado havia desfeito. Devemos recorrer a esse sacramento com a maior frequência possível, mesmo que não tenhamos pecado gravemente, pois ele também nos ajuda a crescer em santidade, nos dando forças para resistirmos às tentações.

Por fim temos o mais importante, o mais sublime ato de amor que Deus poderia ter feito: a eucaristia. Na Sagrada Comunhão Deus se dá a si mesmo como alimento, para se unir a nós e se tornar uma só carne conosco! Nossa inteligência é muito limitada para entender a grandeza da eucaristia e nossa fé também é muito fraca. Quem realmente tem um pequeno vislumbre dessa maravilha, não quer passar um dia sequer sem receber Jesus Eucarístico.

Receber a eucaristia é já possuir o Céu aqui na terra. É unir-se a Jesus da maneira mais perfeita possível que podemos ainda nesse mundo. Durante os cerca de quinze minutos que a sagrada espécie está em nosso corpo, mesmo que nossos sentidos não percebam, somos um com Deus, como seremos um dia na eternidade. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20). A forma pela qual Jesus cumpre essa promessa é através da sua Real Presença do Santíssimo Sacramento.

Assim, para chegarmos um dia ao Céu, precisamos buscar incessantemente a santidade, que consiste basicamente em aprendermos a amar para podermos nos unir ao Amor. Para isso, precisamos, pouco a pouco, acabar com o nosso egoísmo que nos aprisiona em nossos desejos, buscando uma maior vinculação a Deus, procurando amá-lo cada dia mais e provando nosso amor saindo de nós mesmos para nos entregar ao serviço do outro.

photo credit: Tom Van de Peer <a href="http://www.flickr.com/photos/110112922@N02/40175277705">Laon Cathedral France</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

MATRIMÔNIO: ENTREGA TOTAL



A definição do sacramento do matrimônio, segundo o Catecismo da Igreja Católica, é “o pacto (...), pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole” (No. 1601)

Da expressão “comunhão íntima por toda a vida” podemos entender que o matrimônio é irrevogável e exige uma entrega total de um cônjuge ao outro, sem a qual é impossível haver uma comunhão. Hoje em dia é muito difícil as pessoas entenderem esse conceito de entrega total, pois vivemos numa sociedade  egoísta, onde o “eu” está em primeiro lugar.

Porém, para que seja possível um matrimônio feliz, é importante que tanto o marido como a mulher estejam dispostos a se entregarem totalmente um ao outro e façam esse exercício durante toda a vida matrimonial. Sem exigir nada em troca, procurando cada dia dar um pouco mais de si, pois foi isso que prometeram um ao outro, no altar, diante de Deus.

No dia do casamento, na verdade, não entregamos nada ao outro, apenas fazemos a promessa de sermos fiéis, na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença, em todas as circunstâncias que a vida apresentar, até a morte. É preciso levar essa promessa a sério, pois é dela que depende a própria felicidade, a felicidade do outro e principalmente a felicidade dos filhos, frutos desse amor conjugal.

O amor não é um sentimento, mas um compromisso de trabalhar e cuidar do outro; é como uma fogueira que precisa ser continuamente alimentada com pequenos gravetos, senão, apaga. E esses gravetos são os sacrifícios que fazemos pelo bem do outro, matando o nosso egoísmo para fazer o outro feliz.

Como prometemos uma entrega total, não podemos colocar nenhuma condição para ela. As condições que normalmente aparecem e nos tentam são as seguintes:

- condições de tempo: não tenho tempo para dedicar ao meu cônjuge, sempre tem algo mais importante para fazer, como cuidar dos filhos, da casa, da família estendida, do trabalho. Preciso ter a consciência de que meu marido (minha esposa) é a minha primeira prioridade. Se não cuidar disso, tudo mais desmorona.

- condições de disposição: agora não posso porque estou cansada(o)”. Ou seja, só faço algo para agradar ou cuidar do outro quando estou disposto. Essa condição também revela que o “eu” vem antes do “tu” e não ajuda a construir um matrimônio saudável.

- condições de gosto: não faço isso porque não gosto”, é mais uma expressão do egoísmo que mata o amor. Devo procurar fazer o que agrada ao outro, mesmo que não seja agradável para mim.

- condições para perdoar: só perdoo se me pedir desculpa” ou “só perdoo se fizer isso ou aquilo”. O perdão tem que ser sempre incondicional. Perdoo porque amo e ponto! Perdoo porque também preciso de perdão. Preciso buscar o autoconhecimento para enxergar que também tenho defeitos que o outro acaba por suportar. Quem se dá conta da miséria pessoal tem mais misericórdia dos defeitos alheios.

Essa entrega total não é possível se contarmos apenas com nossas próprias forças. Nossa natureza é egoísta em virtude da mancha do pecado original, então somente com a graça de Deus e a graça específica que recebemos no dia do sacramento do matrimônio é que podemos ser vitoriosos nessa luta.

Quando contraímos matrimônio, a aliança não é apenas entre o marido e a mulher, mas entre ambos e Deus. Então, precisamos sempre recorrer a esse parceiro essencial de nossa aliança matrimonial pedindo todas as graças necessárias para vivermos o sacramento da forma que ele foi sonhado para nós. Podemos contar também sempre com a ajuda de Nossa Senhora, que desde as bodas de Caná, ajuda os cônjuges para que não falte nada, principalmente o vinho do amor verdadeiro.


photo credit: _.Yann Cœuru ._ <a href="http://www.flickr.com/photos/132252613@N08/28917891918">Wedding  day</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

VIVEMOS NA "MATRIX"?

Acredito que todos conhecem o filme “Matrix”, onde um sistema inteligente e artificial manipula a mente das pessoas e cria a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. O personagem Neo, porém, percebe que algo está errado e ajudado por Morpheus, decide tomar a “pílula vermelha” e finalmente enxerga a realidade: grande parte da humanidade é escrava da Matrix e nem se dá conta disso. 

Gostaria de usar essa ficção científica para fazer uma analogia com a nossa vida nesse mundo. Ao observarmos nossa sociedade, percebemos que um grande número de pessoas vive suas vidas como se elas se resumissem ao que conseguem perceber: os bens e prazeres materiais. Trabalham, se esforçam para conseguir as coisas que deveriam torná-las felizes e realizadas. E quando a vida chega ao fim, simplesmente acaba, ponto final. 

Infelizmente muitos católicos, sem se darem conta, vivem dessa forma. Apesar de teoricamente acreditarem em Deus e na vida futura, se comportam como se não acreditassem, vivendo tranquilamente na “Matrix”. Acabam se tornando escravas do próprio eu, das suas vontades, do pecado e não param para pensar que a nossa vida aqui serve para preparar a passagem para onde nossa alma ficará por toda eternidade. 

Precisamos “tomar a pílula vermelha” e acordar desse “transe”! Enxergar que se não lutarmos, seremos sempre escravos do pecado. Ver que esse mundo é passageiro e quando menos esperamos iremos prestar conta da nossa vida diante do Justo Juiz. Precisamos também ajudar a outras pessoas a enxergarem essa realidade, trazê-las para a verdade e mostrar que só assim, vivendo nesse mundo mas como se não fossem desse mundo (Jo 17, 15-16), é que serão realmente felizes. 

Devemos saber ainda que viver dessa forma não é fácil, pois tudo conspira para que permaneçamos ligados à “Matrix”. Porém, nossa Santa Mãe Igreja, possui toda uma gama de sacramentos que nos ajuda a permanecer firmes na vida real, na perspectiva do Céu. A confissão regular e frequente e a comunhão eucarística, junto com uma vida de oração, são os meios mais eficazes para conseguirmos viver com a consciência de que nossa meta é o Céu. 

No filme, quando Neo acorda no mundo real, este é um horror pós apocalíptico. Para nós, isso pode ser uma realidade bem pior: o inferno. Quando morrermos iremos nos deparar com a vida eterna que será de acordo com as escolhas que fizemos enquanto estávamos no mundo. E se não lutarmos para preparar nossa eternidade no Céu, acabaremos por viver num mar de tormento eterno. 

Não devemos temer falar do inferno, pois ele existe e os demônios também. Nossa Senhora veio até nós e MOSTROU o inferno para três CRIANÇAS, em Fátima. Ora, se nossa Mãe usou dessa pedagogia para alertar todos os seus filhos pedindo a oração do Santo Rosário e penitências para livrar as almas do inferno, como podemos nos esquivar desse assunto tão sério? 

Então precisamos acordar-nos e despertarmo-nos mutuamente! Vivamos nesse mundo, trabalhemos, utilizemos das coisas que Deus provê para a nossa vida, mas tenhamos a consciência de que nossa vida real, aquela que vai durar eternamente, não é aqui. Fomos criados para o Céu, mas precisamos nos esforçar para nos livrarmos do egoísmo, do amor próprio, das preocupações fúteis, para conseguir chegar lá. Em outras palavras, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. 

"Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda em redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos." 1 Pedro 5,8-9 

photo credit: kirainet <a href="http://www.flickr.com/photos/69078600@N00/4444673930">This is your LAST CHANCE. After this, there is no turning back. You take the blue pill, the story ends. You wake up and believe whatever you want to believe. You take the red pill and you stay in wonderland, I show you just how deep the rabbit hole goes</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 5 de junho de 2019

QUAL O VALOR DO TRABALHO?



O trabalho normalmente é associado a uma pena, uma punição, uma coisa muito ruim que somos “obrigados” a fazer. Por outro lado, o trabalho, para algumas pessoas, se tornou um verdadeiro vício, sugando todo o tempo disponível e todas as energias. Mas qual é então o verdadeiro valor do trabalho?

O trabalho pode ser definido como o conjunto das atividades, produtivas ou criativas, que o ser humano exerce para atingir determinado fim. É a forma de colaborarmos no trabalho criador de Deus e é um aspecto fundamental da vocação humana. Ele é necessário para a plena realização e a felicidade humana e nele está intrínseca a responsabilidade pela administração de todas as coisas do mundo. 

Desta forma, o trabalho precisa ser devidamente valorizado, como forma de colaboração para o bem-estar de todos e deve ser executado com o máximo zelo e responsabilidade, não importando a sua natureza. “Qualquer trabalho, ainda que ingrato, oferece ao cristão um meio de louvar a Deus”, ensina o Pe. José Kentenich. As crianças, desde pequenas, precisam aprender o devido valor do trabalho, realizando tudo o que os pais pedirem, da melhor forma possível e sem reclamações. 

Essa parte, de fazer o que deve ser feito, sem reclamar, realmente não é fácil. Nossa tendência é buscar sempre o mais cômodo, o mais fácil e quando precisamos empregar algum tipo de esforço, a vontade é se rebelar reclamando. Porém, uma vez que entendemos que aquilo que nos é solicitado pode ser feito como prova de amor, é mais fácil conter a rebeldia da vontade. Os filhos normalmente seguem o exemplo dos pais: se ouvem os pais resmungarem, vão resmungar; mas se percebem que os pais, mesmo cansados, realizam o trabalho com alegria, aprendem também a enxergar as obrigações da mesma forma. 

Nós podemos demonstrar o nosso amor a Deus e aos outros através da forma que executamos nosso trabalho, seja ele qual for. Se colocamos uma boa dose de sacrifício, procurando fazer tudo da melhor forma, certamente nos aproximamos mais de Deus e daqueles a quem estamos servindo com nosso trabalho.

É claro que o trabalho também pode ser uma fonte de prazer, quando fazemos aquilo que gostamos. Neste caso, precisamos cuidar para não cair no extremo oposto: supervalorizar o trabalho e deixar nossas outras responsabilidades, como o relacionamento com Deus e com o próximo (especialmente nossa família), em segundo plano. Portanto, para ter uma correta relação com o trabalho, precisamos fazer as seguintes perguntas:

1. Estou realizando esse trabalho da melhor forma possível, com zelo, diligência, sem procrastinação?

2. Com a dedicação a esse trabalho, também disponho de tempo para me relacionar com Deus e com o próximo?

3. Faço o trabalho com boa disposição, oferecendo o sacrifício como forma de demonstrar meu amor, ou sempre reclamo de cumprir minhas obrigações?

Peçamos a S. José que nos ajude sempre a cumprir nossos deveres da forma que mais agrada a Deus.

crédito da foto: <a href="https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/negocio">Negócio foto criado por senivpetro - br.freepik.com</a>

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A IMPORTÂNCIA DE CULTIVAR A ALEGRIA


Todos nós buscamos a alegria. A alegria é um anseio profundo de nossa alma, então precisamos aprender a encontrá-la e a cultivá-la. Um lar alegre é um ambiente onde as virtudes podem se desenvolver e frutificar.

Existem diferentes tipos de alegria. A alegria como sentimento aparece quando alcançamos aquilo que desejamos. Porém, como todo sentimento, ela é passageira e quando vai embora, deixa uma certa nostalgia na alma. Precisamos ter cuidado com esse tipo de alegria para não se tornar um vício, um buscar o sentimento a qualquer custo, pois senão será uma fonte de amargura e desilusão. 

A alegria como sentimento pela posse de um bem será mais nobre e duradoura de acordo com o tipo de bem que almejamos. O bem maior que podemos desejar é ser amado e querido, assim a maior alegria é saber que se é amado e querido.

Outro tipo de alegria é aquela que obtemos pela convicção de termos cumprido bem o nosso dever. Quando nos esforçamos para fazer bem a nossa obrigação, possuímos uma alegria mais estável, que não vai embora tão facilmente. Mesmo se estamos exaustos, ou se estamos sofrendo, mas cumprindo nosso dever, temos em nossa alma essa alegria, esse sentido de que todo esforço vale a pena.

Além do sentimento pela posse de um bem e da convicção do dever cumprido, a alegria ainda é uma atitude. Podemos escolher ter uma atitude alegre, independente do que está acontecendo em nossa vida. Podemos dar essa alegria a quem amamos, mesmo se não estamos nos sentindo bem. Essa atitude de alegria é uma demonstração do domínio de si mesmo. E não existe maior alegria que podemos experimentar do que a do autodomínio, de saber que não é escravo das paixões, dos sentimentos, das vontades, do humor.

Devemos lutar muito para conseguirmos ter esse tipo de alegria, de poder dar um sorriso a todos que se encontram conosco, independente de como nos sentimos. Isso é uma grande prova de amor ao próximo, pois deixar-se guiar pelo sentimento, pelo humor é um tremendo egoísmo.

Todos os dias podemos procurar fazer algo que traga alegria aos que moram conosco. Um dia preparar um prato que o marido gosta, outro dia deixar um bilhetinho na agenda do filho, outro dia trazer uma flor para a esposa sem nenhuma data especial, arrumar a cama sem a mãe ter que pedir, enfim são vários pequenos gestos que todos podemos fazer para deixar o ambiente do lar mais leve e alegre.

Por fim, existe ainda a alegria sobrenatural, aquela que ninguém pode nos tirar. Essa alegria, a verdadeira alegria, brota da união com Deus, da “posse” de Deus, de saber que Deus habita em nossa alma, que nos ama infinitamente e que nos transforma.

Assim, para termos essa alegria em plenitude, devemos perseverar no amor de Deus, através da oração e da frequência aos sacramentos, especialmente na Sagrada Eucaristia. Através da comunhão do corpo e sangue de Cristo, ele realmente está em nós, não havendo união mais perfeita entre Deus e o ser humano nesse mundo.

photo credit: smolarek.janusz <a href="http://www.flickr.com/photos/125415920@N08/22834229942">Dorota & Konrad</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>