segunda-feira, 20 de março de 2017

CASAR PRA QUÊ?

Muitos casais hoje se afastam do sacramento do matrimônio não encontrando nenhuma razão para se casar na Igreja. E muitos outros só casam na Igreja por causa da festa, ou do sonho de entrar na igreja de véu e grinalda. Mas afinal, qual é a importância para um casal receber esse sacramento?

Ninguém casa para ser infeliz, isso é fato mais do que evidente. Mas o que é necessário para sermos felizes? Só existe um caminho para a verdadeira felicidade, aquela que completa o nosso coração e nos deixa extasiados, mesmo se estivermos passando pelas maiores dificuldades e sofrimentos. A única maneira de sermos realmente felizes é se descobrirmos e buscarmos viver o ideal para o qual Deus nos criou. Se não buscarmos cumprir nossa missão, a razão pela qual fomos criados e existirmos, não encontraremos nunca a felicidade. Poderemos até ter muitos prazeres, mas felicidade real não.

Tendo isso em mente, o autor Gregory Popcak afirma que só existe uma única razão para se casar que garante uma vida longa de felicidade e torna o casamento relevante e que se os noivos não tiverem isso em mente, é melhor nem casar mesmo. Mais do que amor e companheirismo, a função real do matrimônio cristão é para marido e mulher se ajudarem mutuamente a se tornarem as pessoas que Deus os criou para serem.

A real dignidade do matrimônio cristão vem da promessa de passar cada dia de suas vidas descobrindo e realizando suas identidades em Cristo. Em outras palavras, o casamento é trilhar o caminho para o Céu com um companheiro.

Através do matrimônio, Deus dá a cada um de nós uma responsabilidade sagrada: preparar seu esposo, sua esposa para passar a eternidade no Céu com Ele. Deus diz a cada pessoa que se casa na Igreja: “Eu estou escolhendo você para ter um papel central na santificação de seu esposo, de sua esposa. Ele ou ela talvez não consiga se santificar sem você. Certifique-se de que seu esposo, sua esposa se santifique com você.”

Essa responsabilidade não deveria ser surpresa para você, porque a santificação é o trabalho principal de qualquer sacramento. Quando você se casa na Igreja, você está reconhecendo que daquele dia até o dia da sua morte, Deus te fez responsável, abaixo apenas do trabalho salvador de Jesus Cristo e do livre arbítrio de seu cônjuge, de ver que seu marido ou sua esposa se torne a pessoa que Deus o(a) criou para ser. E você está reconhecendo que você sinceramente acredita que tem uma chance melhor, com seu cônjuge do que sem ele ou ela, de se tornar tudo o que Deus pretende que você seja.

Porém Deus não nos dá essa grande responsabilidade e nos abandona para nos virarmos sozinhos. Aí é que vem a grande ajuda do sacramento do matrimônio. O sacramento que recebemos no dia do casamento nos dá todas as forças necessárias para cumprirmos essa missão. Esse sacramento tem o poder de santificar o vínculo entre marido e mulher e assim, ajudar a cada um dos cônjuges a se santificar também.

Sempre que estivermos passando por alguma dificuldade no matrimônio devemos recorrer ao sacramento do matrimônio, às graças que recebemos e continuamos receber todos os dias de nossa vida de casados. Na prática, devemos lembrar em nossas orações do sacramento que recebemos, pedindo a Deus que pela força desse sacramento, envie as graças necessárias para superarmos as crises que enfrentamos.

Outra forma de lembrar que temos direito a essas graças, é renovarmos, ao menos por ocasião do aniversário de casamento, as promessas que fizemos diante do altar. Falar novamente ao esposo, à esposa: “Eu te recebo por minha esposa, por meu esposo e te prometo ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida.”


Assim, quando alguém perguntar por que casar, você pode responder que o sacramento do matrimônio é a forma pela qual Deus quer dar a você uma pessoa que ficará responsável por toda sua vida a ajuda-lo a ser realmente feliz, a cumprir a sua missão aqui na terra para um dia poder gozar da alegria eterna no Céu. Quer razão melhor??

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O QUE NOSSOS FILHOS PENSAM E FAZEM?



Essa pergunta deveria sempre inquietar nossos corações, não no sentido de queremos controlar os pensamentos e ações de nossos filhos, mas para avaliarmos se realmente estamos cumprindo nossa tarefa como verdadeiros educadores.

Sabemos que a influência do mundo na vida deles é muito grande, então é imprescindível que nos preocupemos sempre em verificar como ele estão se posicionando frente aos vários desafios do dia a dia, mesmo se ainda são pequenos. Podemos pensar que por conviverem conosco em um lar católico, frequentarem a Igreja, eles “automaticamente” sabem se posicionar sobre o que acreditamos ser certo ou errado, de acordo com nossa fé.

Uma família católica praticante testemunha que foram surpreendidos, um tempo atrás, em uma conversa com o filho de 14 anos em que ele não via qualquer problema em incentivar um relacionamento homossexual entre amigos da sua idade. Depois do choque inicial (que tentaram não demonstrar), começaram a questionar o porquê ele pensava daquela forma e a resposta foi: “Ué, não pode? Mas não é amor? Qual o problema?”

Eles perceberam que o filho genuinamente não entendia a razão dos pais não apoiarem um relacionamento homossexual; não era aquela questão de adolescente querer enfrentar a opinião dos pais. Simplesmente o meio em que ele vive, mesmo em uma escola católica, vê tudo isso com muita normalidade. Então, os pais começaram a explicar o que significava realmente o amor humano, quais são as suas características, o que cada um deve buscar em um relacionamento e o que deve oferecer.

Esse testemunho nos fez começar a checar também os nossos filhos, mesmo os mais novos, algumas outras questões além do homossexualismo, como o papel do homem e da mulher na família, a indissolubilidade do matrimônio, como devemos lidar com os nossos bens e com o dinheiro, qual a importância da fé e da prática da religião em nossas vidas, enfim, tudo aquilo que muitas vezes nos preocupamos em ensinar para as outras famílias em nossas diversas formas de apostolado e que não estávamos nos preocupando muito em verificar dentro de nossa própria casa. 

Claro que não foi tudo de uma vez e também usamos numa linguagem apropriada para a idade deles e esse trabalho está apenas começando! Então nosso alerta aqui fica para todos: saibam o que eles pensam e o que eles fazem. Não se assustem com as respostas, se preparem para contestá-las se for necessário, COM MUITO FUNDAMENTO, não adianta falar que é assim porque a Igreja manda. Hoje temos a nossa disposição uma enormidade de material que explica as razões da fé e dos ideais que professamos, e também devemos procurar o apoio de outras famílias que pensam como nós, para nos apoiarmos e trocarmos experiências.

Uma última questão: sabemos que já erramos muito como pais e ainda erraremos mais. Consagramos nossos filhos a nossa Mãe e Rainha e confiamos que ela fará o que não conseguimos. Mas entre a nossa miséria e o milagre da graça da educação pelas mãos de Maria, podemos fazer muito. Não devemos nos conformar com o que diz o mundo, principalmente no tocante a sexualidade, que a castidade é uma utopia, que usar contraceptivos é normal, mesmo se já forem casados. Não é. Se estão vivendo essa dimensão de sua vida de forma equivocada, CABE A NÓS PAIS mostrar a eles toda a beleza da doutrina da Igreja a esse respeito. E que não é apenas uma questão relacionada a religião, mas ao BEM ESTAR FÍSICO E EMOCIONAL deles. Não tenham medo de mostrar a verdade. Se estiverem inseguros, busquem mais conhecimento, mais argumentos. A felicidade deles e, mais ainda, a salvação de suas almas, depende disso!

domingo, 29 de janeiro de 2017

RECONCILIE-SE COM SUA MORTE!


Esse foi o tema de uma palestra do Pe. Léo que me fez refletir muito (quem quiser assistir, é só clicar aqui). Realmente, a realidade que vamos morrer um dia é a única certeza que temos na vida. Mas como em nosso corpo, existe uma repulsa natural ao que nos causa sofrimento e também, instintivamente lutaremos sempre para permanecermos vivos, não gostamos muito de falar sobre a nossa própria morte.

Além disso, em nosso mundo moderno, a morte ficou mais distante do que era há algumas décadas. Antigamente, as mães tinham muitos filhos e era comum que alguns deles morressem ainda bebês ou crianças. Tanto os pais, como os outros irmãos, sofriam muito, mas viam esse processo como sendo natural (o que realmente é). E ainda, os velórios eram feitos em casa, assim, as crianças também participavam desse momento de dor e despedida, vendo que a morte, faz parte da vida de todo mundo.

Hoje, com a cultura do prazer, onde devemos evitar qualquer sofrimento a todo custo, falar de morte é um absurdo, um assunto que ninguém quer tocar. E isso não faz bem, porque precisamos ter a consciência de que esta vida é passageira e uma hora vai acabar e teremos que prestar contas do que fizemos com ela, para ver com quem passaremos a eternidade.

Não estou sugerindo que precisamos viver num ambiente macabro onde tudo lembra a morte, mas como o Pe. Leo ensinou, precisamos nos reconciliar com a nossa própria morte, pois é ela quem vai nos levar ao encontro de nosso Criador. O ideal é todas as noites antes de dormirmos, fazermos uma pequena reflexão, um exame de consciência, para ver como vivemos aquele dia. Pedir perdão se fizemos algo de errado e ter o firme propósito de ser melhor no dia seguinte. Isso é uma preparação para a morte, que se chegar durante o sono, não nos pegará de surpresa e estaremos prontos para prestarmos conta de nossa vida a Deus.

A expressão “carpe diem” (aproveite o dia) ficou famosa naquele filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”. Só que lá, não conta que a origem dessa expressão era dos monges antigos, que ao se encontrarem, um falava “memento moris” (vais morrer) e o outro respondia “carpe diem”. Ou seja, aproveite o dia, viva-o da melhor forma possível amando a Deus e ao próximo, fazendo o bem, porque você vai morrer, e pode ser hoje!

Outra coisa que me ensinou a ver a morte como realmente é, um fato inevitável e natural e que acontecerá com todo mundo, foi a experiência de enterrar uma filha. Quando soube do problema da Júlia (história completa aqui), parecia que era a única mãe no mundo a passar por isso. Depois, no tempo em que ela ficou na UTI, vi que não era a única, que havia muitas mães passando pelo mesmo sofrimento. E que eu não fui a primeira e nem seria a última.

Todo mundo fala que um pai enterrar um filho é “antinatural”, que é “contra a ordem das coisas”, mas na verdade, se pensarmos bem, é claro que é um sofrimento horroroso e que estamos mais “preparados” para enterrarmos nossos pais do que nossos filhos, mas faz parte da vida. Cada um de nós tem um tempo determinado em que vamos viver aqui na terra: alguns podem ser poucos dias e morrerem ainda no ventre de suas mães e outros podem viver mais de um século. O Pr. Claudio Duarte comenta que cada um tem uma senha, e quando chega a hora, quando Deus chama seu número, não tem o que fazer, você vai morrer. Ninguém sabe quanto tempo tem (ainda bem!), então se a morte chegar muito cedo, é triste para quem fica, mas acontece, é natural, todo mundo morre um dia. E acontece com muita gente.

Alguns tem a graça de terem algum tempo para se preparar para a sua morte, pois ela vem através de uma doença que leva um tempo para chegar ao fim. Mas não sabemos se este será o nosso destino, então precisamos aprender a dizer como São Paulo: “Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro!” (Fl 1,21)

Enfim, a Divina Providência está sempre tentando nos lembrar dessa realidade, de que um dia iremos morrer, seja através de uma tragédia, como a queda de um avião, um acidente, uma doença, a morte de alguém próximo. Não para ficarmos com medo, mas para estarmos o mais preparados possível para quando chegar a nossa hora. É Deus Pai nos dizendo: “Meu filho, minha filha, não se apegue muito às coisas desse mundo, você está aí só de passagem, seu lugar é aqui comigo, na glória do Céu!”

photo credit: elviskennedy <a href="http://www.flickr.com/photos/39734516@N00/5771788449">Memorial Day - Galen Kittleson</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

AFINAL, O QUE AS MULHERES FAZEM MELHOR QUE OS HOMENS?




Um amigo meu fez essa pergunta no Facebook e gerou a maior polêmica, havendo todo tipo de resposta, variando desde “tudo” até “nada”. E evidenciou para mim uma triste realidade: grande parte das pessoas encara a questão do ser homem e ser mulher como uma competição, para mostrar qual dos sexos é melhor que o outro.

Essa luta entre homens e mulheres, para mostrar quem é “melhor”, começou nas últimas décadas, com o avanço do feminismo que, para tentar valorizar a mulher, acabou querendo igualar ao ser do homem, querendo fazer tudo o que o homem fazia, do jeito que o homem fazia. Essa atitude, em alguns aspectos, pode ter até “forçado” os homens a aceitarem que as mulheres poderiam fazer as mesmas coisas, porém, causou uma grande confusão no relacionamento entre os sexos.

Antes dessa revolução, cada um tinha o seu “reino”: a mulher era a rainha do lar, do cuidado com a casa e com os filhos, responsável por criar o ambiente de família. Já o homem era o rei do mundo exterior, do trabalho fora de casa, das conquistas materiais, responsável por prover o sustento material da família.

O grande problema foi que os homens, pelo fato de terem nas mãos o poder econômico, muitas vezes abusavam dele e se sentiam “donos” de suas esposas, não valorizando adequadamente o papel que elas tinham na dinâmica familiar. Algumas mulheres, na tentativa de provarem que tinham valor, começaram a querer mostrar que podiam também ser como os homens.

Aí que foi o grande erro: ao invés de provarem que a mulher deveria ser valorizada por aquilo que é, ou seja, um ser feminino, com características femininas e modo de fazer as coisas feminino, passaram a desvalorizar tudo o que era próprio do feminino, criando uma competição insana para ver quem era o melhor “homem”.

E agora, nós estamos nessa triste situação de que a mulher não sabe o que significa ser mulher e o homem não sabe o que significa ser homem, a família está desmoronando, a sensação de insegurança é gigantesca, os níveis de depressão são altíssimos e vivemos numa sociedade doente.

Para modificar isso, as mulheres precisam reconquistar o lugar que abandonaram e os valores femininos que elas mesmas desprezam. A mulher precisa se orgulhar de ser mulher, de saber que ela é a pessoa mais qualificada para cuidar e educar seus próprios filhos e de que seu valor não está em conquistar o mundo, mas em construir um lar saudável e acolhedor. E de que ter um homem que a sustente e a proteja é uma imensa prova de amor e não uma opressão.

E o homem, precisa assumir seu papel de provedor e de cuidador, de apoio. Não ter medo de agir como homem, sabendo que a mulher é sua colaboradora, porém não da parte material, mas é responsável pelo cuidado com maior tesouro que vocês possuem, os seus filhos.

É claro que a mulher pode trabalhar fora, principalmente se não tiver filhos pequenos. O problema não está no trabalho em si, mas na supervalorização do que é externo ao lar, em detrimento do trabalho dentro de casa. Porém, é necessário um cuidado para que é próprio do feminino seja valorizado também no ambiente de trabalho. Qualidades como a capacidade de criar um ambiente acolhedor, saber ouvir a opinião do outro, cuidar do mais fraco e debilitado, preocupar-se com os detalhes, devem ser cultivadas. Se a própria mulher não valoriza o que é feminino, ninguém mais vai valorizar. 


A mulher não faz nada melhor que o homem. O homem não faz nada melhor que a mulher. Cada um faz as coisas de maneira diferente, nem melhor, nem pior. Cada um tem suas características próprias, seu jeito de ser e fomos feitos para nos complementarmos, e não para competirmos!

photo credit: emden09 <a href="http://www.flickr.com/photos/93144534@N03/28780554393">Dom Aachen</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

OS SANTOS INOCENTES E O ABORTO



No dia 28 de dezembro comemoramos os Santos Inocentes, os meninos que foram mortos por Herodes na tentativa dele matar Jesus. Eles são os primeiros mártires, porque mesmo sem saberem, morreram por causa de Jesus.

O Pe. Léo comentou uma vez que esse exército dos Santos Inocentes aumenta a cada dia no Céu, pois as crianças que são abortadas também são mártires, que mesmo sem saber, morrem por causa do pecado original, pelo egoísmo, covardia e até ignorância de seus próprios pais. E se morrem em consequência do pecado do mundo, morrem no lugar de Jesus. E o mais incrível é que esse filho que foi abortado, um Santo Inocente, do Céu, intercede por seus pais, para que encontrem o caminho da misericórdia de Deus.

Muita coisa tem sido falada aqui no Brasil sobre o aborto nestas últimas semanas, pois infelizmente estão tentando legalizar essa prática por aqui. Os que defendem o aborto afirmam que a intenção seria “proteger” as mulheres que já fazem o aborto ilegalmente, para que possa ter mais “segurança” em abortar. Porém, ninguém fala sobre os enormes traumas que essas mulheres sofrem ao abortar e que o melhor para elas seria dar condições para que pudessem levar sua gestação adiante e ter os seus bebês.

Caso o aborto seja legalizado, muitas mulheres serão coagidas a abortar, seja pelo pai de seu filho, pela família e até pelo médico, que lucrará com isso. O fato é que por ser ilegal, a mulher pensa duas vezes antes de se submeter a um procedimento de risco e tem a lei a seu favor para convencer quem poderia lhe pressionar a fazer o aborto.

Quando estava grávida da Júlia, minha quarta filha que tinha um problema genético e que provavelmente morreria no parto (a história inteira você pode ler aqui), sofri uma pressão enorme por parte do médico geneticista para que a abortasse. Mesmo sendo ilegal, ele “daria um jeito”. Ele chegou até a falar que eu poderia morrer se levasse a gravidez adiante e deixaria meus outros três filhos órfãos. Se eu tivesse a mínima dúvida sobre abortar ou não, ele teria me convencido. E eu teria sido privada do imenso privilégio que foi ser mãe da Júlia e ter o coração em paz, pois a amamos acima de tudo e fizemos tudo o que pudemos enquanto ela esteve aqui conosco. Essa paz que é roubada de toda mãe que aborta e que causa imensos danos psicológicos para toda a vida.

Durante a minha vida conheci três mulheres que pensaram em abortar quando descobriram a gravidez. Por graça divina, consegui convencer as três a terem seus bebês. Eu ainda tenho contato com duas delas, que me agradecem por tê-las apoiado num momento delicado de suas vidas e hoje podem ver seus filhos crescerem saudáveis. Hoje não conseguem imaginar suas vidas sem seus filhos.

Mas o que podemos fazer então frente a uma situação tão grave que é a possibilidade da legalização do aborto? Primeiro, rezar, fazer jejuns e sacrifícios para que os políticos sejam convencidos que a vida deve prevalecer sempre. Podemos também nos informar mais profundamente sobre os argumentos dos que defendem o aborto, para podermos rebater a cada um. Vários sites católicos já possuem esse material disponível.

E por fim, uma prática que conheci no começo do ano é a adoção espiritual de bebês que estão em risco de serem abortados. É muito simples fazer essa adoção: 1º) escolha um nome para o bebê que você está adotando espiritualmente; 2º) anote o dia em que está começando a adoção; 3º) anote a data provável do parto, que será 9 meses após o dia em que você começou a adoção; 4º) reze todo os dias a seguinte oração: “Jesus, Maria e José, eu os amo muito e imploro que poupem a vida de (nome do bebê), o bebê ainda não nascido que eu adotei espiritualmente e que está em perigo de ser abortado.”
Quem desejar mais informações sobre essa adoção espiritual, pode acessar aqui. Termino esse post com uma oração aos Santos Inocentes:


Ó Santos Inocentes, intercedei a Deus em favor de tantos bebês que continuamente são ameaçados pelo aborto. Abri o coração dessas mães e desses pais para que aceitem o grande presente que receberam, que é cuidar de uma alma imortal. Intercedei a Deus para que nos livre da aprovação de uma lei permitindo o aborto em nosso país. Intercedei também por todos os profissionais da saúde que praticam aborto, para que sua consciência mostre o mal que estão fazendo. Ó Santos Inocentes, intercedei por nós para que tenhamos sempre a força para lutar contra o aborto, sabendo que é uma guerra espiritual contra o demônio, revestindo-nos com a armadura de Deus. Amém.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O DESAFIO DE LIDAR COM FILHOS ADULTOS


Chega o momento para todo pai e mãe em que os filhos crescem e começa uma nova fase no relacionamento, onde precisamos aprender a lidar com a realidade de que nossos “bebês” se tornaram adultos. São muitos os desafios dessa nova fase, tanto para os pais como para os filhos.

A primeira questão é saber quando efetivamente eles se tornam adultos... Como pais, parece que nunca estão maduros o suficiente. E para cada filho, essa maturidade pode chegar em um momento diferente. Porém, se formos pensar no aspecto legal em nosso país, adulto é toda a pessoa maior de 18 anos. Assim, devemos presumir que nossos filhos são adultos a partir dessa idade.

Durante toda a vida da criança e do adolescente, demos conselhos e mais conselhos, às vezes até sermões, afinal é nosso dever educa-los no caminho do bem. Mas agora na fase adulta, precisamos tomar cuidado com nossas palavras, mesmo que seja com a melhor das intenções. Para um filho adulto, não devemos já chegar falando o que pensamos. O ideal, em primeiro lugar, é pedir sua permissão. Isso mesmo: perguntar ao filho se pode dar sua opinião sobre determinada questão.

Claro que é estranho como pais, de repente pedir a permissão do filho para falar com ele, mas isso demonstra ao filho que você está reconhecendo que ele cresceu, que é um adulto, que tem livre arbítrio para tomar suas decisões e o máximo que você pode fazer nessa fase, é aconselhar SE ELE PERMITIR. E assim, pedindo permissão antes de falar, a chance dele escutar efetivamente seu conselho aumenta muito.

Outra questão é sobre obedecer as regras da casa. Isso você pode ser enfática: enquanto morar com você, o filho PRECISA OBEDECER as regras do lar, independentemente de que idade tenha. A casa é sua, então as regras também são. Você tem direito de exigir horário para chegar em casa, quem pode visitar ou dormir na sua casa, a necessidade de avisar se fará as refeições com a família (sob pena de ter que se arranjar na cozinha para comer depois), entre outras. Isso é questão de respeito e se ele morasse em qualquer outro lugar, com outras pessoas, também precisaria obedecer as regras.

Um aspecto que é particularmente difícil para as mães é com relação à independência emocional. Dependendo do temperamento do filho, mesmo adulto, poderá continuar com uma dependência emocional de seus pais que não é saudável. O filho precisa saber que deve assumir as consequências das escolhas que fizer e não pode ficar perguntando toda hora se deve fazer isso ou aquilo. No fundo, o que o filho deseja, é aprovação dos pais sobre suas decisões e isso pode ser resultado de carência afetiva e imaturidade emocional.

Portanto, cabem aos pais garantirem a seus filhos que eles são amados INDEPENDENTE DE SUAS ESCOLHAS e que se errarem, estarão a seu lado para ajudarem no que precisarem. Mas as decisões precisam ser tomadas pelos filhos e por mais que seja gostoso ter um filho adulto que está sempre pedindo a sua opinião, essa atitude não faz bem para ele.

A última dica é para quem tem filho ou filha casado. Os pais, especialmente aqueles que tem uma condição financeira melhor, tem a tentação de querer ajudar economicamente seus filhos casados. E isso também não é aconselhável. Querendo ou não, o pai que dá mesada para o filho casado, mesmo que seja na melhor das intenções ou para necessidades justas, como seria pagar a escola dos netos, tende a se intrometer mais na vida do casal, pensando que tem o direito de opinar sobre as decisões que seus filhos (com as noras e genros) tomam. Os filhos tem que aprender a viverem de acordo com sua própria renda. Depender economicamente dos pais é uma vida de ilusão e pode trazer muita discórdia no relacionamento do casal.

É claro que numa situação de emergência, como doença ou desemprego, os pais podem e até devem dar uma força. Mas não pode ser uma ajuda permanente, sem data para acabar. Desta forma, antes até dos filhos se casarem, precisam saber que não poderão mais contar com o dinheiro dos pais e deverão viver na condição financeira que a renda deles proporcionar.


Por fim, uma atitude que os pais com filhos de qualquer idade devem sempre fazer é REZAR por cada um de seus filhos, pelas noras e genros e pelos netos. A oração nunca é demais. Através da oração, mantemos uma vinculação espiritual saudável com nossos filhos e ela os sustentará em todos os momentos de suas vidas. A oração faz muito mais pelo filho do que nós podemos fazer. Ela os acompanha sempre, onde não podemos ir, até o mais profundo de seus corações. Então, rezem muito e sem cessar! Pais de joelhos, filhos em pé!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

É POSSÍVEL UMA MÃE MEDITAR?

Vivemos num mundo muito agitado, com muitas coisas pedindo nossa atenção: marido, filhos, casa, talvez ainda o trabalho fora e os compromissos com o apostolado. Assim, não devemos estranhar que surja em nós um desejo por paz e tranquilidade. Mas será que isso é possível na vida de uma mãe muito ocupada?

Precisamos de um tempo para nos encontrar conosco mesmas e nos confrontar com aquilo que dá o sentido verdadeiro a nossa existência e que nos conduzam a um contato mais profundo com Deus. E é aqui que entra a prática da meditação.

A meditação, nos moldes ensinados pelo Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, a chamada “meditação da vida diária”, vem responder a esse anseio e essa necessidade. Sua preocupação constante era conduzir o ser humano atual até um encontro com o Deus vivo através das criaturas e das circunstâncias concretas que o rodeiam.

Precisamos cultivar nossa vida interior, nossa dimensão sobrenatural, pois não devemos cuidar apenas do nosso corpo e da nossa mente, mas nosso espírito também precisa ser devidamente nutrido, caso contrário, corremos o risco de perder a vitalidade da nossa fé. A fé só se mantem e se alimenta através do contato íntimo e pessoal com o Senhor.

Pe. Kentenich ensina um método de meditação especialmente apto para as pessoas que estão chamadas a encontrar a Deus no meio do mundo, através das criaturas, e nós, mães, estamos incluídas neste grupo. Ou seja, um método para quem não pode nem deve abandonar as realidades desse mundo: sua família, seu cônjuge, seus filhos, seus negócios e tudo o que isso implica, para se retirar e contemplar a Deus na solidão.

Esse tipo de meditação não é um aprofundamento intelectual das verdades da fé, mas sim encontrar com Deus na nossa vida, perceber onde e como ele se comunica conosco em nosso dia a dia. Ao percebemos o quanto Deus se esforça para se fazer presente na nossa vida, o quanto ele cuida, com muito amor de cada uma de nós, nosso amor por ele cresce e dá frutos. Assim, o objetivo da meditação não é conhecer mais, mas AMAR mais.

O primeiro passo para colocar a meditação na prática é decidir que meditar é importante, e dedicar alguns minutos do dia para isso. Pode ser, no início de 10 a 15 minutos. Podemos começar fazendo uma vez por semana, e depois, gradativamente, aumentando a frequência.

Escolhemos um lugar adequado, onde não seremos interrompidos. Sei que isso pode ser especialmente difícil se temos crianças muito pequenas em casa, mas usando a criatividade e quem sabe até a ajuda de nosso esposo, conseguiremos encontrar um momento e um local apropriado. É bom ter um caderno pessoal para anotar as inspirações que a meditação pode trazer. De preferência, com alguma cruz ou imagem que nos remeta à realidade sobrenatural. Fechar um pouco os olhos, respirar calmamente e nos colocar na presença de Deus, então fazemos uma oração implorando as luzes do Espírito Santo.

Em seguida, escolher sobre o que se vai meditar. Se ainda somos iniciantes nessa prática, é mais fácil escolher um passagem bíblica ou um trecho de uma oração. Depois, com a prática, pode ser um acontecimento da vida (uma situação concreta de nossa vida), que é efetivamente a meditação da vida diária proposta pelo Pe. Kentenich.

Não é necessário que em cada meditação escolhamos um tema diferente, podemos por várias vezes meditar sobre a mesma coisa, pois encontramos algo que captou nosso coração, que nos une a Deus de forma especial. O objetivo é precisamente este: repousar no amor de Deus, crescer nesse amor, expressar nossa entrega, nossa disposição de segui-lo ou nossa vontade de abraçar a cruz que nos presenteia.

O Pe. Kentenich propõe três perguntas que constituem uma excelente ajuda para desenvolver esse encontro com o Senhor:
1.     O que Deus quer me dizer com isso? (através desse texto ou desse fato ou circunstância)
2.     O que digo a mim mesmo?
3.     O que respondo a Deus?

A pergunta mais importante é esta última. É nela que entramos na oração meditativa. Quando falamos de resposta, não significa uma ação ou propósito, mas de uma resposta “de amor”, uma resposta do coração, falando pessoalmente com o Senhor. Expressamos nosso amor de gratidão, de arrependimento, de pedido. Terminamos a meditação com uma oração de ação de graças. É conveniente anotar no caderno pessoal sobre o que meditamos e o que foi mais importante para nós na meditação.


Além de agradecer ao Senhor e a Nossa Senhora pela meditação (ou pedir perdão se não a realizamos bem), as vezes podemos concluir com alguma intenção ou propósito que venha ao encontro do que meditamos. Assim, pouco a pouco, com a dedicação de alguns momentos por dia para meditar, vamos aumentando nosso amor e nossa vinculação ao nosso Pai do Céu que nos ama com amor infinito.

photo credit: sicknotepix <a href="http://www.flickr.com/photos/128658155@N08/20163424394">Mirka</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>