segunda-feira, 4 de junho de 2018

PRATICAR AS VIRTUDES DE MARIA



No próximo sábado, celebramos a festa do Imaculado Coração de Maria e somos chamados a demonstrar mais concretamente o nosso amor à querida Mãe de Deus. A melhor forma de causar alegria a nossa Mãe Santíssima é nos esforçarmos para nos parecer com seu divino Filho. Vivendo unida a Jesus, Maria foi um exemplo da vivência das virtudes desejadas por Deus e o que ela mais deseja hoje é que cada um de nós, seus filhos, também nos esforcemos para praticar essas virtudes em nossa vida diária.

Apresentaremos aqui algumas de suas virtudes numa linguagem bem simples, para que possam ser explicadas para os filhos. Acrescentamos algumas perguntas para reflexão em família e sugestão de alguns propósitos.

1. PACIÊNCIA
Maria era uma pessoa que tinha muita confiança em Deus, sabia que ele sempre quis o melhor para ela, então por isso ela era também uma pessoa com muita paciência. O que significa ter paciência? Significa saber esperar e deixar Deus agir e não ficar angustiado ou nervoso quando as coisas que queremos demoram para acontecer ou não acontecem do jeito que nós queremos.

E nós, como nos comportamos quando temos algum problema? Ficamos reclamando, querendo que tudo se resolva naquele momento? Maria nos ensina a esperar, com muita paciência. Fazer a nossa parte, o melhor que podemos, rezar bastante, mas deixar tudo nas mãos de Deus, para que ele possa resolver.

PARA PENSAR:
1. O que podemos fazer para ter mais paciência?
2. Como podemos ajudar os outros a ter mais paciência?
3. Pense numa forma de praticar a paciência. Pode ser, por exemplo, contar até 10 antes de responder a uma ofensa; ou esperar algumas horas antes de comer um doce que está com vontade; ou ainda adiar por algum tempo no momento de abrir um presente.

2. CONFIANÇA

Durante toda a sua vida, Maria foi um exemplo de perfeita confiança em Deus. Mesmo que não fizesse nenhum sentido aos olhos humanos, ela sabia que fazia sentido aos olhos de Deus e isso era o suficiente para ela.

A gente só pode confiar em quem a gente conhece. Nós sabemos que nosso pai e nossa mãe nos amam, que eles querem sempre o melhor para nossa vida, por isso confiamos neles, deixamos que eles nos conduzam e nos ensinem as coisas da vida.

A mesma coisa acontece com Deus Pai. Só iremos conseguir confiar nele, se o conhecermos e se tivermos certeza de seu amor por nós. E como podemos fazer isso? Um jeito bom de começar a conhecer a Deus é LER A BÍBLIA. A Bíblia conta a história da nossa salvação, conta a história de como Deus amou tanto o ser humano que enviou seu próprio filho Jesus para nos salvar. Ao ler a Bíblia, vamos conhecendo cada vez mais esse Deus que é Pai, que é Bom e que só quer o melhor para nós.

É importante sempre que for ler a Bíblia, fazer uma oração pedindo que o Espírito Santo ilumine esta leitura, para que consiga conhecer e amar mais a Deus através do que for lendo. Assim, aos poucos iremos adquirir cada vez mais confiança em Deus, nos entregando aos seus cuidados amorosos, tendo a certeza de que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.”

PARA PENSAR:
1. Alguma vez eu já li a Bíblia? Gostaria de ler mais vezes?
2. Para mim é difícil acreditar que Deus me ama e que cuida de mim como um filho muito especial?
3. O que posso fazer para aumentar minha confiança em Deus?

3. OBEDIÊNCIA

Maria foi uma filha muito obediente aos desejos de Deus Pai. Ela não só cumpria os mandamentos, ou seja, as ordens, mas também os mais simples desejos de Deus. Sempre que ela percebia que Deus gostaria que ela fizesse alguma coisa, ela não pensava duas vezes e obedecia esta vontade. Mesmo que precisasse fazer sacrifícios e que a coisa fosse difícil. Ela amava tanto a Deus que sempre queria agradá-lo, fazendo o que ele queria.

Nós também precisamos aprender com Maria a sermos obedientes, primeiramente a nossos pais, àqueles que cuidam da gente, porque Deus os escolheu para serem seu representante em nossas vidas, desta forma, quando obedecemos nossos pais estamos obedecendo diretamente à vontade de Deus Pai.

É importante quando formos cumprir uma ordem, que a gente faça sempre o melhor possível, nos esforçando para fazer tudo perfeitamente bem, com uma atitude de alegria e não de reclamação ou de mau humor.

Precisamos aprender a obedecer não só as ordens, mas tentar causar mais alegria a quem cuida tão bem da gente, nos oferecendo para ajudar e fazer coisas por eles sem que precisem pedir. Isso mostrará o quanto os amamos.

PARA PENSAR:
1. Eu procuro sempre obedecer aos pedidos de meus pais? De que forma posso causar mais alegrias a eles?
2. Por que é importante obedecer?


segunda-feira, 28 de maio de 2018

NECESSIDADES DA VIDA



Nossa felicidade depende na forma que usamos as coisas que Deus nos deu. Precisamos usá-las de uma maneira heroica, com uma “divina indiferença” que cria um equilíbrio entre o apego e o desapego. Somos dependentes das coisas para sobrevivermos: precisamos de moradia, transporte, alimento, roupas, e tudo isso precisa ser adquirido pelo nosso trabalho. Nossa sociedade também cria uma série de “necessidades”, coisas que tornam nossa vida mais fácil, que acreditamos que não podemos viver sem. Então, essa divina indiferença é muito difícil de se conseguir, pois nossa tendência é nos apegarmos demasiadamente aos bens materiais e deixamos de confiar na divina providência, de acreditar que o Pai cuida de cada um de nós.

Não podemos viver sem as coisas materiais, mas podemos criar uma atitude de independência frente a elas. Podemos criar também uma atitude de independência frente ao conforto físico, honra, estima e os prazeres dos sentidos. Isso não acontece de uma hora para outra, precisa de treinamento. Da mesma forma que para participar de uma Olimpíada o atleta treina seu corpo, para sermos mestres da divina indiferença, precisamos treinar nosso espírito.

O Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, disse que só conseguiu sobreviver aos horrores do campo de concentração nazista onde passou mais de 3 anos, porque durante toda a vida havia treinado seu espírito para suportar adversidades. Não sabemos o que ainda deveremos passar em nossas vidas, quais dificuldades precisaremos transpor, então um estilo de vida mais sóbrio, é sempre uma excelente opção.

Presenciamos hoje uma juventude que não suporta a menor contrariedade, uma cara feia é motivo de divórcio, uma nota baixa é motivo de suicídio. Isso acontece porque durante a infância e adolescência, tiveram todos os obstáculos e frustrações removidas pelos responsáveis por sua educação. E sem superar obstáculos ou sofrer frustrações, a pessoa não amadurece e não sabe lidar com isso no futuro. 

Assim, quanto antes começarmos a nos privar voluntariamente de alguns prazeres e confortos, mais fácil será criar essa independência e veremos que nos satisfaremos com muito pouco. Pode ser coisas simples, como tomar banho um pouco mais frio do que gostaríamos, deixar de comer aquela sobremesa depois do almoço, ir a pé até a padaria ao invés de pegar o carro, renunciar um dia a assistir sua série favorita, etc. São inúmeras pequenas renúncias no dia a dia que tornarão forte nosso caráter e nossa capacidade de suportar as adversidades da vida.

A confiança na divina providência nos ensina a fazer todo o possível para a saúde e segurança de nossa família, mas estar disposto a abrir mão de todo o resto, se Deus assim o permitir. Precisamos acreditar que Deus só irá pedir aquilo que é para o nosso bem, que em última análise, é a salvação da nossa alma. Podemos ensinar nossos filhos esse tipo de desapego através de nossas atitudes. Por exemplo, não perder a paciência se a internet está muito lenta ou se precisamos mudar o que havíamos planejado para o dia. Aos poucos os filhos irão aprender a superar suas próprias frustrações e se tornar mais desapegados do mundo para se apegarem mais a Deus.

Oração do Abandono (Pe. Charles Foucauld)
Meu Pai,
Eu me abandono a Ti.
Faz de mim o que te agradar.
Não importa o que faças de mim,
Eu te agradeço. Estou pronto a tudo,
Eu aceito tudo.
Tomara que tua vontade se faça em mim,
Em todas tuas criaturas,
Eu não desejo nada mais.
Meu Deus,
Eu coloco minha alma entre tuas mãos.
Eu a te dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque eu te amo,
E que é minha necessidade,
De me colocar em tuas mãos
Sem medida, com infinita confiança,
Pois Tu és meu Pai.  

 photo credit: Jangra Works <a href="http://www.flickr.com/photos/46488122@N05/24691532755">Handcuff and Locked With Smart Phone</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 9 de maio de 2018

DA CASTIDADE NASCE O AMOR


Castidade e amor, duas palavras tão mal interpretadas nos dias de hoje. Castidade normalmente está relacionada com repressão, falta de liberdade, puritanismo. E o amor muitas vezes é confundido com paixão, sexo, sentimento espontâneo que não exige esforço. Porém, existe uma íntima relação da castidade, entendida como a capacidade de adiar a satisfação de um desejo, com o amor conjugal verdadeiro e duradouro, que pode ser entendido como a capacidade de sacrificar a si mesmo para o bem e a felicidade do outro.

A natureza humana é tanto animal como espiritual. Possuímos corpo e espírito. O nosso corpo, para se manter vivo, possui alguns instintos básicos, como se alimentar, descansar e se reproduzir. O instinto sexual, portanto, faz parte da nossa natureza, porém, ao contrário dos outros animais, que não tem espírito e por isso não tem a capacidade de controlar seus instintos, deve ser conduzido para a realização plena (corpo e espírito) e não apenas para a satisfação imediata do corpo.

Todos temos o anseio por nos realizarmos, por sermos felizes e essa realização pessoal vai muito além da realização de nossos instintos físicos. Não basta estarmos alimentados, vestidos, descansados para nos sentirmos realizados. A realização espiritual do ser humano só acontece na medida em que se sente útil, importante, que faz diferença. E isso só se dá através dos relacionamentos que construímos durante nossa vida. O ser humano é um ser que precisa se relacionar, não foi criado para viver isolado.

O amor é a forma mais sublime do relacionamento humano, pois vai muito além de querer bem o outro, ou se alegrar com a companhia. O amor verdadeiro nos impulsiona a desejar fazer o outro feliz e somente amando dessa forma, nos livrando do egoísmo que quer nos aprisionar em nossos próprios desejos, é que nos sentimos realizados. Mas como aprendemos a amar dessa forma?

Vamos falar aqui especificamente do amor conjugal. Os outros tipos de amor (materno/paterno, filial, de amizade, etc) também precisam sem aprendidos, mas a forma é um pouco diferente e podemos falar disso em outro post. O amor não é instinto, precisa ser ensinado e aprendido. O instinto relacionado ao amor conjugal é o da atração para a satisfação do desejo sexual. Esse desejo sexual pode ser de três tipos: “vênus”, “eros” e reprodutivo.

O desejo tipo “vênus” é aquele mais animal, que quer o corpo do outro para a própria realização. Aqui não importa a pessoa, com suas qualidades intelectuais e afetivas, apenas o seu corpo. É o instinto mais primitivo.

O desejo tipo “eros” (ou cupido), é o “filho de vênus”, ou seja, parte desse primeiro instinto que quer só o corpo, para desejar também a alma, os sentimentos, os afetos. É a paixão, que envolve a pessoa como um todo.

Porém, “vênus” e “eros” ainda não estão completos, porque quando o relacionamento com a pessoa ultrapassa a fase da paixão, amadurece e quer ver aquele sentimento prolongado no tempo, através dos filhos. Assim, para chegarmos ao verdadeiro amor conjugal, a pessoa precisa, através do uso da razão, saber administrar esses três tipos do desejo sexual.

E é aqui que entra a castidade. Qualquer instinto primário que é imediatamente satisfeito, gera um certo repúdio para aquilo que o satisfez. Se estamos com muita fome e comemos um enorme prato de feijoada, estando satisfeitos não conseguimos nem mais olhar para o prato de comida. O mesmo acontece com o desejo “vênus”. Se a atração pelo corpo é satisfeita logo com a relação sexual, o natural é que, em breve, esse “corpo” que me satisfez me cause repulsa. E aí vou procurar outro corpo que me satisfaça, entrando num ciclo vicioso que jamais irá me realizar plenamente.

Adiar a satisfação do desejo sexual gera o interesse pela pessoa e não só pelo corpo. A castidade faz com que o instinto saia da fase puramente animal e se torne mais humano. O interesse passa a ser para uma pessoa específica, essa que me atraiu primeiramente pelo corpo, mas em virtude da castidade, fez com que me interessasse também pelo espírito.

A castidade permite ainda que a pessoa passe a considerar a satisfação do instinto sexual reprodutivo, ou seja, ter filhos com a pessoa amada e ajuda os dois a enxergarem que a forma mais adequada de satisfazer esse instinto é através do casamento. O casamento é um compromisso assumido publicamente que deve garantir a união daquele homem e daquela mulher, por toda a vida. Uma união exclusiva que tem como finalidade o bem dos filhos.

Os filhos são a prova que os dois se tornaram uma só carne. Com os filhos aprendemos a nos doar totalmente para o outro, sem esperar nada em troca. Aprendemos a amar de verdade, a nos sacrificarmos pelo bem do outro. Amando os filhos, aprendemos cada dia a amar mais o cônjuge.


E esse amor verdadeiro nasce da castidade. Sem a castidade, nos tornamos cada vez mais egoístas, pensando apenas na própria realização, em usar o outro para o meu prazer. Essa atitude a longo prazo (às vezes nem tão longo assim) traz frustação e infelicidade. Ser casto não é ser reprimido. Ser casto é aprender a controlar uma satisfação imediata tendo em vista a felicidade futura. Aprender a ser casto é aprender a amar. 

photo credit: taylormackenzie <a href="http://www.flickr.com/photos/34442610@N06/32526976670">Cupid's lunch break</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/">(license)</a>

terça-feira, 27 de março de 2018

DEUS NÃO PRECISA DAS SUAS ORAÇÕES!


Deus não precisa de suas orações, nem de suas penitências, nem de seus jejuns. Ele não precisa que você vá à missa, nem receba nenhum dos outros sacramentos. Deus é onipontente, onipresente e onisciente. Ele não precisa de nada! Mas então porque a Palavra de Deus e a santa Tradição da Igreja pedem que você faça tudo isso? Seria tudo invenção humana para te “oprimir”?

A razão é simples: o plano do Pai para a sua vida é que um dia, você possa gozar das alegrias do Céu, junto dele. Só que para isso, você precisa vencer a si mesmo, ao seu egoísmo. E isso é uma tarefa dificílima. Como nosso Pai é rico em misericórdia e compaixão, Ele quer te ajudar. Na verdade, a sua graça pode fazer praticamente tudo sozinha. Só é necessário que você abra seu coração e aceite que Ele te molde e cuide de você.

O Pai só precisa de uma brechinha em seu coração para realizar grandes milagres de transformação interior. Depois que a graça entra em você, é preciso um mínimo esforço para colaborar com ela, para deixar que ela aja e aumente a cada dia a sua capacidade de amar.
É o amor que vai te levar para o Céu. Os santos, nossos irmãos que cumpriram com maestria sua missão aqui na terra, foram mestres na arte de amar. O contrário do amor não é o ódio, mas o egoísmo. Assim, quanto você ama, menos egoístas é e mais aberto está para realizar o que o Pai previu para a sua vida aqui na terra.

Como aprender a amar? Como conseguir dar essa brecha para a graça de Deus penetrar em nossos corações? Como ser perseverantes na colaboração com essa graça? É aqui que entra a necessidade da oração, dos sacrifícios, dos jejuns e da frequência aos sacramentos.

Deus não precisa das suas orações, mas você precisa rezar. É através da oração, desse contato com o Pai, desse momento de intimidade com Jesus, nosso Salvador, que seu coração se abre para receber a graça. Quanto mais você reza, quanto mais você pede (você pode pedir o que quiser, mas sempre lembrando de como Jesus nos ensinou a orar: “seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu), mais seu coração se abre e se transforma.

Deus não precisa que você vá à missa, mas você precisa receber a Eucaristia. Na Eucaristia, Jesus se dá totalmente a você, em corpo, sangue, alma e divindade. Ele se torna uma só carne com você, para te fortalecer na luta para aprender a amar mais e amar melhor.

Deus não precisa que você se confesse, mas você precisa confessar para pedir perdão pelas vezes que falhou em amá-Lo e amar ao próximo, e assim se reconciliar com Ele para que Ele possa continuar agindo em seu coração, através do Espírito Santo.

Deus não precisa de seus jejuns e sacrifícios, mas você precisa jejuar e fazer penitência para conseguir se livrar do apego desordenado às coisas desse mundo e assim ficar mais livre para conseguir enxergar as necessidades do outro e ajuda-lo.

Deus não precisa que você faça nada disso, mas deseja ardentemente que você aceite esses meios que Ele mesmo providencia para a sua salvação, para que você cumpra a missão para a qual foi criado e seja também um mestre na arte de amar.

photo credit: Angela-xujing <a href="http://www.flickr.com/photos/153103713@N04/35471335134">The Church of Almighty God | Church life - Pray 04</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 15 de março de 2018

O MEDO DA CRUZ



Vejamos o que o Pe. Nicolás Schwizer, ISch, nos ensina sobre como nos livrar do medo do sofrimento. Esse texto foi publicado em Reflexões, No. 31, de 15.03.2008.

Nosso grande problema com respeito às cruzes é a entrega sem reservas. Creio que cada um de nós tem algo de que diria: “Virgem Santíssima, entrego-te tudo,… tudo menos isso!” Pensemos: quais são as dificuldades e penas que não queremos que Deus nos mande? Podem ser, por exemplo: enfermidade dos filhos, desonra, infelicidade conjugal, fracasso profissional, perda de um ser querido. 

É o medo frente a essas coisas o que nos tira a liberdade e a entrega, ou pelo menos a faz vacilante. Temos que vencer esse medo, porque é uma força que paralisa, que paralisa nossa entrega de filhos, e como conseqüência disso, nossa criatividade de pais. O Padre Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, foi um homem que não só foi capaz de dizer sim, apesar do medo, se não que nele foi tão grande a acolhida no coração de Deus e da Virgem, que perdeu o medo. 

O Padre Kentenich recebeu essa graça. E as graças do Fundador são transmitidas aos filhos. Essa graça de vencer o medo a transmitiu de maneira exemplar, por exemplo à Irmã Maria Emilie. Ela não era uma pessoa que tinha um medo normal, mas era uma pessoa psicologicamente enferma de medo, enferma de angustia desde criança. E o Padre Kentenich a curou, foi capaz de transmitir-lhe sua confiança filial.Ele também pode ajudar-nos a vencer nosso medo e nossos temores. 

Uma entrega sem medo e sem reservas seria então, dizer a Deus: podes fazer comigo tudo o que quiseres, mas especialmente isto ou aquilo ante o qual minha natureza se estremece. Isso é amor à cruz no pleno sentido da palavra.

Nossa atitude filial 

Não seremos capazes de assumir e viver esse espírito, se não estivermos convencidos de que Deus é nosso Pai, de que Ele me ama com um amor eterno e que há traçado meu plano de vida como um plano de amor. Em todo momento, também nas situações mais difíceis e dolorosas, sinto-me como um filho predileto de Deus. Sem um amor filial profundo, sem uma filiação simples e confiada, é impossível viver a entrega perfeita, sem medo nem reservas. Porque só um filho se sabe amado, seguro, acolhido. Sabe-se inscrito no coração de Deus Pai. Para um filho, sofrimento e cruz convertem-se assim em sua melhor aprendizagem, na alegria e riqueza de seu caminhar para a casa do Pai.

Qual deveria ser o fruto supremo de nosso esforço por transformar-nos em homens novos, em homens maduros e integrados? O grande fruto deveria ser: crescer decisivamente em mim o “ser filho”, conquistar uma filiação heroica ante Deus Pai. É uma filiação que me faz reconhecer com humildade heroica minhas misérias. É uma filiação que, com confiança heroica, me lança nos braços amorosos do Pai. E é uma filiação que com heroísmo leva a entregar-me ao Deus de minha vida, ao Pai das misericórdias, para sempre. 

Na opinião do Padre Kentenich, a filiação é o único caminho que em meio ao caos de nosso tempo, nos dá uma misteriosa lucidez e uma segurança instintiva. É também o grande remédio que logra sanar a enfermidade do homem de hoje: o stress com todas suas derivações. Porque stress é a perda do equilíbrio da alma. A alma perdeu seu rumo, está a deriva, não está orientada para Deus, nem amparada n’Ele. E a única solução para esse homem enfermo de hoje, é levá-lo de volta a Deus e enraizá-lo em seu coração de Pai.

Perguntas para a reflexão

1. É fácil para mim aceitar a vontade de Deus Pai nas cruzes e adversidades?

2. Que sinto hoje ante a frase: Deus faça comigo o que queiras?

3. Sou uma pessoa nervosa, que se angustia facilmente?

photo credit: lanier67 <a href="http://www.flickr.com/photos/48165069@N00/5533216942">9 Crimes</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 7 de março de 2018

PORNOGRAFIA: A NOVA DROGA QUE ESTÁ ACABANDO COM OS JOVENS E ADOLESCENTES



Há cerca de dois anos, demos um celular para nosso filho mais velho, então com 14 anos. A partir de então, através dos grupos de Whatsapp que ele participa, fiquei estarrecida em ver o nível de promiscuidade dos adolescentes da sua geração e da quantidade de material pornográfico a que eles estão expostos.

A pornografia é uma indústria multibilionária que a partir da disseminação da internet de alta velocidade constatou um aumento incrível em seu lucro. Até então, o acesso aos materiais pornográficos (revistas e filmes) era bem mais restrito. Havia certa dificuldade para os adolescentes conseguirem estes materiais, seja porque precisavam de um “adulto” para adquiri-los ou ainda porque precisavam pagar pelos mesmos.

Agora, porém, tudo está ao alcance das mãos em apenas um click. E gratuitamente. Estudos recentes demonstram que a pornografia (e consequente masturbação) tem o mesmo potencial de vício que a cocaína. O efeito no cérebro é o mesmo. E as consequências desastrosas também. Quanto mais acesso à pornografia, mais necessidade o cérebro tem e cada vez de cenas mais fortes, mais picantes, chegando muitas vezes a verdadeiras aberrações.

A pornografia mata o amor e a indústria pornográfica é uma verdadeira “máquina de moer carne humana”. Aqueles que já estão viciados, tem uma grande dificuldade de relacionamento, acabam vendo a outra pessoa como um objeto para se obter o prazer. O que se mostra no material pornográfico é uma ilusão e as pessoas acabam pensando que aquilo pode e deve ser reproduzido na vida real. Conheço alguns casamentos jovens que sofrem com este mal. Do outro lado da tela, os atores que se prestam a esse serviço são explorados, muitas vezes viciados em entorpecentes e morrem cedo.

Vivemos numa sociedade hipersexualizada, onde praticamente tudo remete à sensualidade, à sedução. Nem mesmo as crianças são poupadas. A relação sexual é banalizada e vista como simples fonte de prazer e os jovens e adolescentes são as primeiras vítimas dessa mentalidade utilitarista. Desta forma a pornografia e a masturbação são vistas como uma coisa normal, que deve ser, inclusive, estimulada. Até mesmo em escolas católicas essa ideia errada sobre a masturbação é transmitida aos nossos filhos.

Os meninos são os mais atingidos por esse mal, porque a excitação masculina se dá através da visão. Todavia, cada vez mais meninas também estão se viciando na pornografia e masturbação, principalmente como forma de suprir carências afetivas. Como pais e educadores, precisamos ficar muito atentos aos nossos filhos, conversar MUITO com eles sobre todas essas questões. Explicar as razões pelas quais consumir pornografia e se masturbar NÃO É NORMAL e muito menos FAZ BEM para eles. O risco de adquirir um vício e destruir sua capacidade de amar verdadeiramente e de se relacionar com o outro é muito grande.

Algumas coisas que podemos fazer para diminuir o risco deles acessarem material pornográfico é estabelecer algumas regras: não levar o celular para o banheiro; se estiver usando o computador no quarto, a porta deve estar sempre aberta; limitar o tempo de acesso à internet (quanto maior o tempo, mais chances de acesso haverá); acessar o histórico de navegação, bem como checar as conversas em grupos do whatsapp e outras mídias sociais; etc. 

Recomendo a todos que acessem o site Fight the New Drug (combata a nova droga). Lá tem todo o material com as pesquisas científicas que comprovam essas alegações, bem como orientações de como se livrar desse vício e material de apoio para os pais. O site principal é em inglês, mas já tem bastante coisa traduzida. O link está aqui:http://pt.ftnd.org/

Recomendo também um curso do Pe. Paulo Ricardo, de apenas quatro aulas, que explica minuciosamente todo esse problema da pornografia e masturbação. Dessas quatro aulas, apenas uma fala sobre os problemas espirituais. As outras todas explicam das questões físicas, emocionais e sociais que o acesso à pornografia e prática da masturbação acarretam para as pessoas. Foi fazendo esse curso que me dei conta de tudo que envolve essa problemática. Colocarei aqui o link das quatro aulas. Aproveitem enquanto o acesso é livre!


photo credit: COMSALUD <a href="http://www.flickr.com/photos/69021332@N06/13966920065">I Congreso Juegos de Salud</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>


sábado, 3 de fevereiro de 2018

COMO TIRAR UM ADOLESCENTE DE UMA ENRASCADA



Há algum tempo li uma matéria com uma dica muito boa para ajudar seu filho adolescente em um momento de perigo. Infelizmente não lembro onde foi publicada, por isso não trago os créditos aqui.

A dica foi dada por um pai que trabalhava num centro de reabilitação para adolescentes com problemas com álcool e drogas. Ele percebeu que a grande maioria dos jovens que lá estavam havia se envolvido nesses comportamentos destrutivos por causa de uma ocasião mais propícia, junto com a pressão da turma.

Então, ele desenvolveu uma técnica para ajudar seus próprios filhos a saírem de uma situação onde haja algum tipo de perigo, ou onde eles se sintam desconfortáveis, sem que os outros amigos percebam. É o chamado “código X”. Ele combinou com seus filhos que se por acaso se encontrassem em alguma situação dessas, bastava mandar a letra “X” por mensagem ou para ele, ou para a mãe, ou para os irmãos mais velhos. Assim que a mensagem fosse recebida, os pais ligariam imediatamente para o telefone do jovem, perguntando onde ele estava, dizendo que iriam busca-lo.

Para os amigos, ele diria simplesmente que os “velhos” ligaram e ele iria embora. Mas aqui está o grande segredo para que esse “esquema” dê certo: ficava combinado entre pais e filhos que os pais não perguntariam absolutamente NADA sobre o que estaria acontecendo e que levou a acionar o “código X”. Dessa forma, o filho tem a confiança que pode contar com o apoio de seus pais para tirá-lo de uma situação de perigo, não importa o que seja, sem a pressão de precisar contar efetivamente o que estava acontecendo e correr o “risco” de ouvir algum sermão ou ser impedido de sair em outra oportunidade.

Claro que se o filho quiser se abrir, os pais ouvirão com o maior amor e cuidado, porém essa atitude tem que partir exclusivamente do filho. Nessa matéria, o autor conta que algumas vezes esse código foi acionado em sua casa e que pode tirar seus filhos de situações de risco, o que aumentou em toda família o clima de confiança e cumplicidade. Ainda não tenho experiência pessoal no assunto, mas meu filho mais velho já sabe do código X, caso venha a precisar algum dia.

Outra dica importante que aprendi para a segurança dos filhos, não importa a idade, é combinar com eles uma “senha”, caso algum desconhecido venha oferecer carona ou ajuda em nome dos pais. Seria a situação onde um adulto vá falar com a criança na escola, parque, clube, etc., dizendo que é amigo do pai ou da mãe e que os pais pediram para ele levar a criança pra casa. Meus filhos já sabem que se por acaso isso acontecer algum dia, eles precisam perguntar para o adulto em questão, qual é a “senha” que foi combinada para essa situação. Caso a pessoa não saiba, a criança deve sair de perto e pedir ajuda. Essa senha pode ser qualquer palavra, nome do cachorro, nome da avó, etc. Sempre que eles irão ficar sozinhos por algum tempo, lembramos da “senha”. Graças a Deus também nunca foi necessário usá-la, mas diz o ditado “seguro morreu de velho”.                              

photo credit: amira_a <a href="http://www.flickr.com/photos/46646401@N06/34941440550">#08</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>