quarta-feira, 25 de maio de 2016

QUEM ESTÁ NO COMANDO?


O casamento é o espelho do amor de Cristo pela sua Igreja, conforme S. Paulo descreve em Efésios, 5: “Maridos, amem suas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela...Esse mistério é grande: eu me refiro a Cristo e à Igreja. Portanto, cada um de vocês ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido.” (Ef 5,25; 32-33).

Em algumas traduções da Bíblia, essa passagem diz que a mulher tem que ser submissa ou obedecer a seu marido e frequentemente é mal interpretada. São Paulo não está falando de escravizar a mulher; ele está falando da própria essência do sacramento do matrimônio: o amor de Cristo. A Igreja sempre ensinou que homens e mulheres são iguais em dignidade, mas possuem diferentes papéis, responsabilidades, aptidões e inclinações. Deus não criou “acidentalmente” dois gêneros; Ele fez isso em virtude de seu plano divino.

Quando S. Paulo recomenda que as esposas sejam submissas a seus maridos, ele está comparando o amor de Cristo pela Igreja com o amor do marido por sua esposa e vice versa. Tudo o que Jesus fez, ele fez para o benefício da Igreja, incluindo sua morte na cruz. Tudo o que um bom marido faz, ele faz para o benefício de sua esposa. Um marido verdadeiramente piedoso faz tudo o que está em seu poder para prover, proteger e respeitar sua esposa. Ele procura a orientação do Espírito Santo em tudo o que ele faz como cabeça da família.

Uma esposa se submete a seu marido, não ao rastejar em seus pés, mas ao apoiá-lo em seu trabalho e responsabilidades. S. Paulo diz que as esposas devem se submeter a seus maridos como se submetem ao Senhor. Essas últimas palavras “como se submetem ao Senhor” são a chave para entender esse conceito. Como nos submetemos ao Senhor? Nós amamos, honramos e respeitamos ao Senhor porque sabemos que tudo que ele faz, ele faz porque nos ama. Uma esposa ama, honra e respeita seu marido porque ela sabe que tudo o que ele faz, ele faz porque a ama.

Isso requer não uma ditadura, onde um só manda, mas uma corte real onde o amor mútuo, respeito, obediência, honra e confiança reinam supremas.

Nunca devemos falar mal de nosso cônjuge a outras pessoas. Alguns podem falar que é apenas “ventilar os problemas”, mas na verdade é uma humilhação para o outro (mesmo que nunca venha a saber disso) e pode corromper nosso matrimônio, pois com o tempo podemos acreditar no que estamos falando e criar ressentimento. Como podemos falar mal da pessoa que nós prometemos estimar sobre todas as outras? Esposas, submetam-se ao direito de seu marido de ter seu respeito e confiança. Maridos, defendam a sensibilidade e reputação de sua esposa ao máximo. Isso é o que significa o casamento ser um reflexo do amor de Cristo por sua Igreja.

O matrimônio é o caminho para o Céu com um companheiro. Trabalhamos pela santificação um do outro; trabalhamos pela nossa auto santificação pelo bem do outro. Através de nosso ser e agir, esperamos levar o outro mais perto de Deus. Através dessa santificação mútua, nós damos ao Pai a honra e glória que Ele merece.

Não é fácil ser um casal verdadeiramente santo. Podemos nos desapontar com nosso cônjuge ou com nós mesmos; nossa fragilidade humana e os efeitos do pecado original faz com que isso seja quase inevitável. Teremos cruzes para carregar e sofrimentos para suportar. O que faz a diferença é como abordamos cada dificuldade: podemos deixar que nos fortaleça ou nos separe.

A Igreja nos garante que o Sacramento do Matrimônio dos dá as graças necessárias para vivermos a totalidade de nossa vocação matrimonial. O Sacramento não nos faltará mesmo nas épocas mais difíceis se nós pedirmos essas graças e buscar na Igreja o auxílio e a orientação que necessitarmos.
O matrimônio é uma instituição nobre, vital e sagrada e não devemos deixar ninguém tentar nos convencer do contrário. Tudo o que pudermos fazer para testemunhar esse fato, seja algo grande ou pequeno, vale o esforço.
“O matrimônio é um sacramento que torna uma só carne dois corpos. A teologia nos explica esse fato de uma maneira impressionante quando nos ensina que a matéria do sacramento são os corpos do marido e da esposa. Nosso Senhor santifica e abençoa o amor mútuo do marido e da mulher. Ele pressupõe, não apenas uma união de almas, mas também a união dos corpos. Nenhum cristão, seja ele ou não chamado ao estado matrimonial, tem o direito de subestimar o valor do matrimônio” (S. Josemaria Escrivá, fundador da Opus Dei)
Para refletir:

1.  O que a expressão “igual dignidade mas diferentes papéis” significa, em termos práticos, na sua família?
2.  Vocês defendem e protegem a reputação um do outro? De que maneira?
3.  O que as passagens de Efésios 5, 25 e Colossenses 3,18-19 significam para você?

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quarta-feira, 18 de maio de 2016

ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES



Hoje, dia 18 de maio, celebramos o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que tem como objetivo mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. 

Os números de vítimas de abuso e exploração sexual infanto-juvenis são alarmantes e ainda assim não refletem toda a realidade, porque muitos casos não chegam ao conhecimento dos órgãos competentes. Só no ano de 2015 foram mais de 40 denúncias por dia[1]

A violência sexual praticada contra a criança e o adolescente envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade. Normalmente é nas famílias mais pobres e sem estrutura que a maior parte dos abusos acontecem, pois os aliciadores aproveitam da ingenuidade e da situação financeira das vítimas para induzi-las a se rebelarem contra sua família e serem exploradas comercialmente como se fossem coisas.

Essa situação é gravíssima e sempre deve ser denunciada. Através do Disque 100 qualquer pessoa pode fazer anonimamente uma denúncia de abuso ou exploração sexual de crianças ou adolescentes. É nosso dever como cristãos sempre e lutar contra o crime e a injustiça. 

Porém, precisamos pensar também em outros tipos de abusos que ocorrem frequentemente com todas as crianças e adolescentes, não importando a classe ou condição social em que se encontram. Esses abusos, como por exemplo, a exposição das crianças e adolescentes a certos tipos de música com letras altamente sexualizadas e as danças que as acompanham, as roupas que erotizam precocemente, os programas de televisão que estimulam a relação sexual fora do casamento, contribuem para a perda da inocência e o aumento da promiscuidade entre os jovens.

A banalização do sexo, como se fosse um “simples” divertimento sem maiores consequências e que todos, inclusive as crianças, teriam direito a esse tipo de prazer é nefasto para a nossa sociedade. Ela produz pessoas desvinculadas e frustradas, pois usam e são usadas como objetos descartáveis, minando a autoestima e o sentimento de valor pessoal. 

Precisamos proteger nossas crianças e adolescentes dessa influência cultural, educando-os (e também a nós mesmos) sobre o real sentido da sexualidade conforme desejada por Deus. Apenas quando seguimos os planos de Deus para a nossa vida é que somos realmente felizes. 

São João Paulo II sabia que se quisermos sair desta cultura de morte e construir uma cultura da vida o ponto de partida é a restauração do plano de Deus sobre a união do homem e da mulher numa só carne. "É o mais profundo fundamento da ética humana", diz o Papa. É por isso que disse em sua encíclica Evangelho da Vida: "É uma ilusão pensar que se pode construir uma verdadeira cultura da vida humana se não aceitarmos e viermos a sexualidade, o amor e a existência inteira de acordo com seu verdadeiro significado e sua íntima correlação." (Evangeli Vitae No. 97). 

A verdadeira razão pela qual fomos criados, a verdadeira razão pela qual existimos, é porque estamos destinados à comunhão. Estamos destinados ao amor. E para amarmos e sermos amados precisamos saber respeitar nossos corpos como templos do Espírito Santo. Precisamos ensinar nossas crianças e adolescentes a se vestirem e se comportarem mostrando que desejam ser pessoas para serem amadas e não coisas para serem usadas. Precisamos ensiná-los também a ver o outro como uma pessoa digna de amor e de respeito e não como uma coisa que pode ser usada e depois descartada.

Sabemos que não é fácil nadar contra a corrente, mas não podemos desanimar! Nosso futuro depende das ações que tomamos no presente. Nossas crianças e adolescentes precisam de nossa ajuda. Sem o nosso apoio, eles são presas fáceis dessa sociedade que não se preocupa com a felicidade deles. 

Sozinhos, não conseguiremos, mas temos uma grande intercessora, uma Mãe que cuida com amor e atenção de cada filhinho seu. Consagremos nossas crianças e adolescentes ao Imaculado Coração de Maria. Ela é a Esmagadora da Serpente, ela é a Imaculada, que triunfará sobre todo o mal! 

Imaculado Coração de Maria, conserva puro meu corpo e minha alma! Imaculado Coração de Maria, conserva puro o corpo e a alma do meu filho, da minha filha! 

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/51593568@N06/5111553020">Depressed Boy</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>


[1] http://www.sdh.gov.br/noticias/2015/maio/disque-100-quatro-mil-denuncias-de-violencia-sexual-contra-criancas-e-adolescentes-foram-registradas-no-primeiro-trimestre-de-2015

quarta-feira, 11 de maio de 2016

NUTRINDO A SEXUALIDADE DE SEU FILHO DURANTE A INFÂNCIA

Neste post, usaremos as sugestões de Gregory Popcak, em seu livro Parenting with Grace. Ele afirma que, para uma educação sexual católica saudável para crianças entre 6 e 10 anos de idade é necessário transmitir um senso saudável da identidade de gênero, fazer do seu casamento um modelo e dar respostas diretas às questões sexuais.

1. Transmita um senso saudável da identidade de gênero

Primeiro, este é o momento em que seu filho estará se identificando com o pai do mesmo sexo para aprender o que significa ser homem ou mulher. A Igreja dá algumas diretrizes para fazer isso na Verdade e Significado da Sexualidade Humana:
“Um menino ou menina em fase de crescimento está aprendendo do exemplo adulto e experiência familiar o que significa ser homem ou mulher. Certamente, expressões de ternura natural e sensibilidade não devem ser desencorajadas entre meninos, nem as meninas devem ser excluídas de atividades físicas vigorosas.”
A Igreja ensina que os papeis dos homens e mulheres são complementares e as diferenças de gênero são melhores entendidas como diferenças nas ênfases mais do que qualquer outra coisa. Em outras palavras, homens e mulheres não são definidos tanto pelos trabalhos que fazem mas são definidos pelas formas únicas com que seus corpos permitem que eles se aproximem de certos trabalhos e papéis. Por exemplo, tanto o homem como a mulher são encorajados a nutrir e amar seus filhos, da mesma forma que Deus nos ama e nos nutre. Mas Deus deu à mulher a habilidade de amamentar, então a mulher se aproximará deste trabalho de nutrir seu bebê diferentemente do homem, que irá se aproximar disso ao brincar de "brigar" ou passar a barba na barriga do bebê, ou um milhão de outras coisas que apenas o homem pode fazer através de seu corpo para seu filho ou filha. Como você pode ver por esse exemplo, ambos homem e mulher estão fazendo um trabalho similar (o trabalho de nutrir), porém eles estão enfatizando diferentes aspectos deste trabalho em particular, esta ênfase sendo baseada nas formas únicas que Deus fez seus corpos.

A melhor maneira dos pais ensinarem seus filhos a serem homens e mulheres é ensiná-los como serem primeiramente bons seres humanos, ao modelar amor, responsabilidade, serviço generoso e competência geral em todas as tarefas da vida diária. Então, ao permitir que nossas filhas trabalhem junto com suas mães e nossos filhos trabalhem junto com seus pais, estamos ensinando a eles as maneiras peculiares de cada sexo realizam as diferentes tarefas necessárias para o bem geral da família. Quer sejamos homens ou mulheres, Deus espera que exibamos todas as qualidades que Ele exibe, como atenção amorosa, serviço generoso, emotividade  saudável, racionalidade, comunicabilidade, e por aí em diante. A única diferença é que, porque Deus nos deu corpos diferentes, cada um de nós sendo homem ou mulher, viveremos estas qualidades com uma ênfase diferente.

2. Faça do seu casamento um modelo

Segundo, a melhor maneira de ensinar seu filhos a como ter um relacionamento adulto amoroso e responsável é trabalhar para você mesmo ter um. Seu casamento é o melhor professor que seu filho jamais poderá ter. Você pode fazer tudo certo como pai, mas se você não está trabalhando para manter um casamento amoroso e responsável de forma constante, então você está dando um tiro no pé. Lembre-se, o principal objetivo da disciplina é ensinar seus filhos como ter um relacionamento adulto saudável com outros e com Deus que os criou. Mas você não pode dar aquilo que não tem.

3. Dê respostas diretas sobre questões sexuais

Terceiro, enquanto São João Paulo II se referiu as idades entre cinco e onze como os "anos da inocência", as crianças estão aprendendo e se envolvendo com comportamentos sexuais mais cedo do que nunca. Não é incomum para nós ouvirmos sobre crianças tendo suas primeiras experiências sexuais sérias na quinta série. Mesmo se seu filho - queira Deus - não está se envolvendo em tais práticas, é inevitável que ele tenha questões diretas sobre sexo, as quais você deve estar preparado para responder honestamente, casualmente e respeitosamente.

Quando seu filho perguntar sobre sexo, sua atitude vai transmitir mais que suas palavras. Se você estiver com medo e tenso, é isso que seu filho se lembrará mais do que qualquer coisa que você diga. Se, de outro lado, você for inapropriadamente brincalhão e desrespeitoso sobre isso, eles também se lembrarão disso. Como o Pe. Trese sugere, e a Verdade e Significado da Sexualidade Humana ensina, é melhor abordar estas questões respeitosamente, mas com afeição e humanidade.

Deixe seu filho liderar as discussões sobre sexo. Não se lance em grandes explicações sobre a mecânica ou até mesmo de manifestações pecaminosas do sexo. Mantenha suas respostas simples, como por exemplo: "Sexo é um tipo especial de abraço que Deus deixa que os pais e mães se deem um ao outro onde todas as suas partes se encaixam e Deus pode fazer um bebê. Vocês não podem fazer bebês uns com os outros em um abraço normal. Mas quando jovens homens e mulheres estão prontos para terem bebês, eles se casam e é permitido que eles dividam esse tipo especial de abraço um com o outro. E esse abraço faz Deus muito feliz."


Você pode desenvolver esta linha de pensamento conforme os anos passam, mas apresente isso cedo o suficiente para que seus filhos não ouçam algo do seus pares primeiro. (Uma idade específica é difícil de dizer. Como sempre, é melhor deixar que seu filho diga quando ele estiver pronto. Mas é mais seguro apresentar essas questões um ano antes do que eles precisariam do que um dia depois de já terem ouvido sobre isso de outras pessoas). Esta explicação cobre todas as bases. Sexo é um dom divino; sexo é intimamente ligado com filhos; sexo é um direito exclusivo de homens e mulheres que são casados; sexo e casamento são para pessoas crescidas o suficientes para desejarem ter seus próprios filhos.

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/35188158@N00/292938407">Smile</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>