terça-feira, 30 de setembro de 2014

FECUNDIDADE DO MATRIMÔNIO

Veremos hoje a quarta pergunta que é feita aos noivos na celebração de seu matrimônio
: Estais dispostos a receber com amor os filhos que Deus vos confiar, educando-os na lei de Cristo e da Igreja?diz respeito à FECUNDIDADE matrimonial.
Todo amor verdadeiro é fecundo, produz frutos, pois ao se doar inteiramente ao outro, para que o outro seja feliz, aquele que ama vê seu amor frutificar, se reproduzir, vê o crescimento e amadurecimento do outro.
O amor conjugal é um “amor fecundo que não se esgota na comunhão entre os cônjuges, mas que está destinado a continuar-se, suscitando novas vidas. ‘O matrimônio e o amor conjugal estão por si mesmo ordenados para a procriação e educação dos filhos. Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais.’”[1]
O primeiro aspecto da fecundidade é a geração e educação dos filhos e infelizmente, na cultura atual, os filhos muitas vezes são vistos mais como um “mal necessário” do que uma benção de Deus.
“Na sociedade moderna, ao falar-se dos filhos, dá-se, sempre, uma conotação de algo problemático. Chega-se até a denominá-los ‘peso familiar’, certamente sem nenhuma intenção, mas nem por isso a expressão se torna mais feliz. O que antigamente constituía um grande sonho dos esposos, agora chega a transformar-se em pânico. Sejam quais forem as causas sociais ou econômicas que originaram esta situação psicológica, sejam quais forem as implicações morais que este problema suscita, a realidade é que, no ambiente atual, o filho não é mais um alegre sinal de fecundidade e de bênção. (...) Os esposos que não superarem interiormente o trauma psíquico da fecundidade, fruto de uma cultura decadente, se expõem a experimentar na vida matrimonial, tarde ou cedo, o sentimento de frustração.[2]
Os cônjuges são chamados a gerar novos filhos de Deus, a preparar novos membros para o Corpo de Cristo, a preparar novos cidadãos para o Reino dos Céus, assim como Cristo e a Igreja geram novos filhos de Deus. Os pais dão vida ao corpo e Deus dá vida à alma. Essa missão é sublime: os pais são co-criadores com Deus dos seres humanos! 
“Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: ‘Não convém ao homem ficar sozinho’ (Gn 2,18), e ‘criou de início o homem como varão e mulher’ (Mt 19,4); querendo conferir ao homem uma participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: ‘Crescei e multiplicai-vos’ (Gn 1,28). Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente com o amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.”[3]
Os casais devem ter a coragem de serem generosos com Deus e não colocar muitos obstáculos na geração dos filhos. Cada família deve pensar com muita responsabilidade quantos filhos tem condições de criar e não limitar os nascimentos por pensamentos egoístas ou apenas pensando no lado material, no “custo” de cada filho.
As famílias numerosas são uma benção para a sociedade e geralmente são mais felizes, pois a educação da criança com vários irmãos é facilitada, já que a vida comunitária dentro da família auxilia na socialização, na consciência de que não se pode ter tudo na hora que se quer (afinal são vários filhos para serem atendidos), que é necessário dividir e ajudar um ao outro.
Certo dia, uma senhora que tinha uma filha única de 15 anos, estava comentando com seu marido como havia sido importante para ela o apoio de seus irmãos quando sua mãe falecera. Então, a filha lhe perguntou: “E eu, mãe, como ficarei quando você falecer se não tenho nenhum irmão para me apoiar?” Esta é uma questão que aqueles adeptos da filosofia do filho único deveriam refletir.
“Imagem de Deus pode considerar-se, também, a própria geração, que faz de cada família um santuário da vida. O apóstolo Paulo diz-nos que toda a paternidade e maternidade recebem o nome de Deus (Ef 3,15). É Ele a fonte última da vida. Por isso, pode-se afirmar que a genealogia de cada pessoa tem as suas raízes no eterno. Ao gerar um filho, os pais atuam como colaboradores de Deus. Missão verdadeiramente sublime! Não nos surpreendamos, consequentemente, de que Jesus tenha querido elevar o casamento à dignidade de sacramento, e de que São Paulo se lhe refira como um «grande mistério», pondo-o em relação com a união de Cristo com a Igreja (Ef 5,32).[4]
 Os casais aos quais Deus não concedeu ter filhos, todavia, também podem ter um matrimônio muito fecundo. Podem optar pela adoção de tantas crianças abandonadas ou frutificar seu amor através do trabalho comunitário, do acolhimento e do sacrifício.
A fecundidade do amor conjugal diz respeito ainda àquilo que a família pode contribuir com a Igreja e com a sociedade. Os cônjuges devem buscar conquistar um patrimônio espiritual para ser compartilhado com os demais.
Muitas vezes a preocupação principal gira em torno dos bens materiais, de comprar uma casa, carro, enfim, dar o conforto físico aos membros da família. É claro que tudo isso é muito importante, todavia, precisa existir a preocupação em criar este patrimônio espiritual, com um estilo de vida próprio, com bens espirituais e afetivos.
Os esposos devem cuidar para criar no lar uma atmosfera própria, de comum acordo, e não deixar apenas que influencias externas, como da televisão ou da internet, determinem como deve ser e se comportar sua família. O tipo das amizades, os livros, os locais que frequentam, tudo deveria ser conscientemente decidido pelo casal, pois o ambiente que vivem influencia muito em seu comportamento.
“Muito poucos são os homens conscientes do valor que tem a gestação livre do ambiente que os rodeia. É normalmente esse ambiente que determina muitas de nossas decisões de cada dia. (...)Se quero chegar até meu subconsciente, possuir-me plenamente, determinar-me a mim mesmo tenho que influir, como eu quero, em meu ambiente mais próximo. Se o deixo ao ‘acaso’ ou deixo a outros a tarefa de determinar meu ambiente próximo, estou abdicando de uma possessão profunda de mim mesmo; estou abrindo brecha a uma verdadeira alienação”.[5]
Dessa forma, ao gestarem um ambiente próprio da família, com seus valores e costumes, os esposos devem comunicar aos demais esta sua verdadeira riqueza familiar, através de seu exemplo e da sua convivência, tornando realmente fecundo seu matrimônio.








[1] Cf Carta Encíclica Humanae Vitae de sua Santidade o Papa Paulu VI sobre a regulação da natalidade – item 9
[2] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pg.114, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS 
[3] Cf Catecismo da Igreja Católica, no. 1652, citando a Constituição Pastoral  Gaudium et Spes, no. 50, 1, do Concilio Vaticano II
[4] Beato João Paulo II, Angelus de 06.02.1994, in www.evangelioquotidiano.org
[5] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pg.112, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

UNIDADE, INDISSOLUBILIDADE E FIDELIDADE DO MATRIMÔNIO

Ao contraírem o sacramento do matrimônio, os noivos dizem quatro vezes “sim” no altar, às perguntas realizadas pelo sacerdote e estes “sim” correspondem às condições para que aquele matrimônio seja realizado plenamente. Hoje analisaremos três destas respostas e amanhã a quarta.
A primeira pergunta: “Viestes aqui para unir-vos em matrimônio. É de livre e espontânea vontade que o fazeis?”, corresponde a UNIDADE que o noivo e a noiva se comprometem, pois estão assumindo aquele compromisso sem qualquer tipo de coação, tendo escolhido um ao outro, livremente, para trilhar o caminho do matrimônio.
O amor conjugal elevado a sacramento pelo matrimônio é realizado entre um homem e uma mulher, ambos são chamados a ser “uma só carne”, pois como é reflexo do amor de Cristo para a Igreja, Cristo é um só e a Igreja uma só; não há qualquer espaço para a poligamia ou poliandria.
A segunda pergunta: “Abraçando o matrimônio, ides prometer amor e fidelidade um ao outro. É por toda a vida que o prometeis?”, corresponde a INDISSOLUBILIDADE do vínculo matrimonial. Esta indissolubilidade é também consequência do amor conjugal como reflexo de Cristo e da Igreja, pois sendo Cristo a cabeça e a Igreja o seu corpo, não há como separar a cabeça do corpo sem destruí-lo.
“Em virtude da sacramentalidade do seu matrimônio, os esposos estão vinculados um ao outro da maneira mais profundamente indissolúvel. A sua pertença recíproca é a representação real, mediante o sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja.”[1]
Desta forma, unidade e indissolubilidade andam juntas: o matrimônio é realizado entre um homem e uma mulher, para juntos construírem sua família, permanecendo unidos até a morte. “Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não separe o homem”[2]
 “O homem e a mulher, unidos em matrimónio, refletem a imagem de Deus e são, de algum modo, a revelação do Seu amor. Não só do amor que Deus nutre pelo ser humano, mas também da misteriosa comunhão que caracteriza a vida íntima das três Pessoas divinas.”[3]
A terceira pergunta: “Prometem ser fiéis, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se por todos os dias das suas vidas?”, corresponde à exigência da FIDELIDADE.
A unidade e indissolubilidade do matrimônio exigem dos cônjuges uma fidelidade inviolável. Esta fidelidade também se fundamenta no amor de Cristo pela Igreja, que é absolutamente fiel e que chegou a dar a própria vida para a salvação da Igreja.
A fidelidade abrange muito mais do que simplesmente não sair com outra pessoa, pois a traição propriamente dita é o ápice da infidelidade, mas existem várias outras formas de infidelidade dentro do casamento, as quais é preciso conhecer e se prevenir.
“A fidelidade é a permanência ou conservação pura, viçosa e criadora do primeiro amor, quer dizer, quando o amor que juraram se mantém puro, viçoso e criativo através das provas do tempo.”[4]
Para se manter fiel, o casal deve se preocupar em conservar o primeiro amor, aquele amor que os uniu, sempre puro, viçoso e criador. Esta fidelidade muitas vezes custa muito sacrifício, mas é um sacrifício extremamente necessário para a felicidade da família.
O amor se mantem puro quando vence todo o egoismo que instrumentaliza o outro e também quando afasta todos os outros “amores” que o afasta do outro. Esses outros “amores” podem ser o trabalho, as amizades, as convicções políticas ou religiosas, os próprios pais ou parentes, as preferências de lazer, etc. Tudo aquilo que não pode ser integrado, que não pode conviver com o cônjuge, deve ser repelido.
Não se deve brincar com fogo, nem “baixar a guarda”. O casal sempre deve estar alerta para não deixar que nada e ninguém os separe interiormente de seu cônjuge, pois já seria uma infidelidade.
O amor permanece viçoso, saudável, forte, quando os cônjuges se preocupam em não deixar que a rotina os sufoque, que o amor se transforme em tolerância ou compaixão. Estão sempre dispostos a conhecer cada dia mais o outro, interessar-se pelo que o outro faz e pensa, suas preocupações e anseios.
Os casais devem cuidar de seu amor como se cuida de um jardim: regá-lo com o carinho, realizar as podas necessárias através de um diálogo cordial, colocar adubo da compreensão e do interesse,  e ter paciência com as limitações e frustrações para ver a sua florescência colher seus frutos de uma vida conjugal feliz.
A fidelidade consiste ainda em cuidar que o amor conjugal seja um amor criador, no sentido de que cada cônjuge se preocupe em melhorar sempre, em se aperfeiçoar para o bem do outro. Toda vez que a pessoa procura se apresentar melhor, ser mais educado com alguém de fora, com o chefe ou com os amigos, está cometendo uma infidelidade. O melhor sempre deve  ser para o cônjuge.
Significa ainda procurar criar um ambiente no lar que seja agradável ao outro, buscando tornar-se sempre mais interessante ao outro, mais delicado, mais oportuno, enriquecendo o diálogo, vencendo a tentação do amor que atua por dever.



[1] Exortação Apostólica de João Paulo II – A missão da Família Cristã no mundo de hoje – item 13
[2] Cf  Mt 19,6
[3] Beato João Paulo II, Angelus de 06.02.1994, in www.evangelioquotidiano.org
[4] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pg. 73, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS

domingo, 28 de setembro de 2014

EU QUERIA SER "APENAS UMA MÃE"?

Este post foi escrito por uma mãe católica que também escreve no blog CatholicMom.com, chamada Courtney Vallejo e foi publicado no dia 23.09.14. Gostei muito do que ela falou e compartilho de suas ideias, por isso reproduzo parte dele aqui. Espero que gostem! E vamos começar nossa revolução!

Enquanto eu crescia, na maior parte da minha infância, minha mãe não trabalhava fora de casa. Aos olhos das pessoas que lutavam pelos direitos das mulheres, ela estava desperdiçando sua educação e suas credenciais de professora ao ficar em casa para lavar roupa e cozinhar. Mas realmente, ela estava usando aquelas credenciais para ensinar a mim e a minha irmã a serem pessoas melhores para o mundo. Eu acredito que ela concordaria que estava utilizando sua educação para fazer pessoas melhores para o mundo. Ela esperava que nós seríamos o tipo de pessoas que iriam amar e inspirar e criar e inventar e perseguir nossos sonhos a qualquer custo. Enquanto eu crescia as pessoas me perguntavam o que eu gostaria de ser (...) e eu dizia que queria ser mãe. Tristemente, esta resposta encontrava hostilidade. Os questionamentos incluíam questões como: "Você quer ser apenas uma mãe?", "Você não quer ser 'alguma' coisa?" ou "Não, eu quero dizer que carreira você quer?"

Eu gostaria de dizer que seus comentários não importaram e que eu me mantive verdadeira aos meus sonhos, mas suas opiniões balançaram meus sonhos. Eu decidi que precisava de uma carreira "verdadeira", O que realmente me preenchia era cuidar de outras pessoas e estar a serviço, mas coo isso não era bom "o suficiente" eu me formei em jornalismo. Minha família promoveu uma educação superior, então gastei $80.000 (dólares) em um mestrado em Produção de Filmes, porque eu não sabia o que fazer com o diploma de jornalismo no mercado de Los Angeles, e embora meu orientador na graduação tenha me avisado sobre frequentar o mestrado apenas pelo título, eu decidi que iria me ajudar a guiar no jornalismo. Apesar do programa ser incrível, e eu ter amado quase todos os momentos dele, incluindo um intercâmbio no Festival de Filmes de Cannes, hoje eu tenho um empréstimo estudantil mensal de $ 470 (dólares) para pagar e nenhuma "carreira real" para esta conta. 

Mais tarde em minha vida, a minha busca por uma carreira (e realmente uma forma de prover a mim mesma) me conduziram ao ensino. Se eu tivesse ouvido a minha mãe anos atrás quando ela me disse para me tornar professora! Então agora, quando eu estou em um evento para o meu marido e as pessoas me perguntam: "Então, o que você faz?" minha resposta é, "eu sou uma mãe que fica em casa." E porque eu não estou segura com esta resposta, 1o. porque eu acho que não sou boa nisso pela metade do tempo; 2o. porque a sociedade não considera isso uma carreira "real", eu rapidamente completo meu comentário com "mas eu sou professora de profissão." Isto claro urge a conversa sobre onde eu ensino, o que me leva de volta a parte sobre como eu não "trabalho", porque eu estou em casa com meus filhos. Depois geralmente me perguntam se eu voltarei a lecionar quando meus filhos forem para a escola, eu não planejo isso, mas se eu responder que não, eles me olham como se eu fosse louca. O que eu percebi foi que eu esqueci meu sonho de ser uma mãe, e desde que me tornei uma mãe, eu me desiludi com as constantes limpezas, lavar roupa, cozinhar e os trabalhos sem agradecimento e comecei a presumir que eu estava desperdiçando meu tempo e também perdendo quem eu "era" e me perguntei se realmente eu precisava readquirir a mim mesma? 

Recentemente (...) eu comecei a reavaliar meu sonho de ser uma mãe. E se eu parasse de pensar sobre todas as maneiras que eu estou "perdendo" de fazer diferença no mundo e começar a focar em fazer diferença em meu próprio mundo, dentro do meu lar? E se eu der meu melhor esforço? E se eu mostrasse para meus filhos o que significa ser servido e amado, como minha mãe me mostrou enquanto eu crescia? No livro Momnipotent, a autora Danielle Bean diz: "Uma das vítimas de nossa incapacidade de reconhecer nossas características exclusivamente femininas é a nossa própria felicidade." E se eu recuperar a minha felicidade, ao servir a minha família? E se nós recuperarmos nossa dignidade como mães? E se nós começarmos nossa própria revolução?

sábado, 27 de setembro de 2014

OS DEMÔNIOS DA VIDA CONJUGAL

No post de hoje iremos refletir um pouco sobre as dificuldades da vida matrimonial. Ele foi escrito pelo Pe. Nicolás Schweizer e publicado em suas Reflexões, No. 09, de 15.04.2007. A vida conjugal é dividida em fases e em cada fase é apontada uma dificuldade a ser superada, um "demônio". Esperamos que estas reflexões ajudem a todos, independente da fase em que se encontram, a ter um matrimônio mais feliz. 

A infância do amor conjugal. O início é sobretudo alegria e esperança. O amor é novo e está intacto. Os dois vivem em estado de descoberta permanente. Entretanto, o amor não escapa aos ataques do tempo. Uma primeira crise, a da desilusão, sacode o lar nascente. O demônio da desilusão faz que a imagem ideal que um havia construído do outro, comece a desvanecer-se. Para vencer esta crise terão que aceitar-se em suas imperfeições. Nesta época o matrimônio se constitui realmente.

A juventude do amor. Ao final da fase de adaptação, um mútuo conhecimento impede maiores atritos. O amor se instala. Mas, se a crise da desilusão não foi superada, o tempo precipita a segunda crise, a do silêncio. Se o demônio mudo se apodera dos dois, caem em uma espécie de letargia. O casal vive, então, em retrocesso, sem crescer, sem um ritmo seguro, sem dinamismo. Vencer esta segunda crise é indispensável para que o amor sobreviva.

A maturidade do amor. Por volta dos 15 anos, os esposos adquiriram maturidade. Com uma juventude madura vivem com serenidade. São os anos mais belos da vida conjugal. Já não se fala de felicidade, como quando se é jovem, simplesmente é feliz. Mas, também pode produzir-se o contrário, se não encontraram o caminho do diálogo e de sua unidade.

Uma terceira crise, com frequência fatal, é a da indiferença. O amor se transformou em hábito, o hábito em rotina, e a rotina, enfim, em indiferença. Vive-se junto ao outro, mas os corações já não estão em contato: o tempo paralisou ou inclusive matou o amor. A vida em comum não é mais que uma aparência que se mantém, seja por obrigação já que estão os filhos, seja por conveniência social. Com o demônio da indiferença instalado, sempre existe lugar para um novo amor e, por isso, para a infidelidade e a separação.

O meio dia do amor. Entre os 45 e 50 anos, surge um novo perigo. Em ambos é o difícil momento das mudanças físicas e psicológicas. A mulher perde um atributo de sua feminilidade, a fecundidade. O homem vai perdendo um caráter de sua virilidade: o vigor sexual. Mas, antes que se produza esse declive, muitas vezes se dá uma espécie de volta à adolescência.

A essa crise da metade da vida chamamos de: demônio do meio dia. Se o matrimônio entra nessa etapa minado pela indiferença e pela rotina, o demônio do meio dia tem grandes possibilidades de triunfar.

O renascimento do amor. Se o casal, soube superar essa época turbulenta, entra num período de uma segunda maturidade. É o crepúsculo do amor, o momento em que o matrimônio desfruta da unidade conquistada, de una harmonia, profunda e de uma nova paz. É a hora de uma felicidade serena, sem choques e sem conflitos. O tempo, que não perdoa, oferece então aos cônjuges a inapreciável recompensa do renascimento do amor.


O repouso do amor. Virá, por último, a hora do repouso em que envelhecidos no amor ambos só terão reconhecimento um para o outro. Nem sequer a dolorosa perspectiva da morte poderá perturbar a maturidade do amor. Haver-se amado até o final converte a morte num ápice, numa vitória. Diante dos homens, como diante de Deus, não existe um amor mais perfeito que o de dois seres que envelheceram juntos e que deram a mão para vencer as últimas dificuldades, para gozar das últimas claridades do dia.


Perguntas para a reflexão

1.      Algum desses demônios me é conhecido?
2.      Que posso fazer para enfrentá-los?
3.      Como andamos com o diálogo conjugal?

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A MISSÃO DO HOMEM

O Padre José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, indica como ideal e missão do homem a expressão em latim “Puer et Pater”, que significa ser filho e ser pai. Ser filho perante Deus e pai diante dos outros, para os outros.[1]
Muito da crise que é vivenciada nos tempos modernos se deve à renúncia por parte do homem de se colocar como filho diante de Deus. Busca a sua própria independência, sente-se autônomo, que não precisa de Deus para atingir seus objetivos. Essa atitude, ao contrário de alcançar a sua plena realização, leva o homem a angustiar-se e a ficar estressado, pois corta a sua raiz, a sua origem, que é o próprio Deus.
“O coração do homem atual está inquieto, mais ainda, está angustiado, estressado, porque, à semelhança do filho pródigo da parábola do Evangelho, abandonou a casa do Pai. Nessa parábola, Cristo descreve em forma clássica o drama de nossa cultura: Deixamos a casa do Pai, cortamos o cordão umbilical, o vínculo filial que nos une ao Pai, em busca do que cremos é nossa plena e "verdadeira" liberdade.”[2]
O homem, por mais que busque esta independência de Deus, é e sempre será uma criatura. Ele não gerou a si mesmo e também não consegue, sozinho, gerar outro ser humano. Pode até tentar muitas vezes, inclusive pela manipulação genética, mas uma vida humana só é criada quando Deus infunde nela sua alma imortal.
Assim, quanto mais se afasta de Deus, quanto mais nega a sua relação filial com seu Criador, mais se torna frágil e inseguro, ficando à mercê das tendências e ideologias que o mundo apresenta, caindo muitas vezes nos vícios e nos prazeres vazios que lhe são oferecidos.
Jesus veio ao mundo para mostrar a face de Deus como Pai, aquele que se preocupa individualmente com cada filho seu, que é objeto de seu amor infinito e de seu cuidado paternal. Ele ensina também que só entra no Reino do Céu quem se faz criança, quem se torna filho.
"Eu lhes asseguro que se não se tornarem como as crianças, não entrarão no Reino dos céus" [3]“porque quem não recebe o Reino dos céus como uma criança, não entrará nele "[4]

Para ser filho, o homem precisa se espelhar em Jesus Cristo e ver nele seu grande ideal, pois Jesus só fez o que agrada ao Pai. O filho confia que o Pai somente quer o seu bem, mesmo que permita dor e sofrimento. E em cada acontecimento de sua vida, precisa aprender a dizer: “Sim, Pai!”.
“Jesus Cristo é o Filho Unigênito e fiel do Pai, que sempre gira em torno de Deus Pai. Cristo em sua condição de Filho se entrega plenamente à vontade do Pai e experimenta assim, seu profundo arraigo e abandono confiando a si mesmo em Deus, seu Pai.Essa vivência de Jesus nos revela que a filialidade madura é a que experimenta, sobretudo, a misericórdia infinita de Deus Pai. Enraizar-nos em seu coração paternal é o que nos dá confiança e segurança, porém também é a entrega total a sua vontade e a seus desejos o que move a viver a obediência, a disponibilidade para o sacrifício e a entrega heroica.Só quem se sabe filho e se sente abrigado no coração de Deus Pai tem a força para sair vitorioso da vida. O homem que é filho em seu coração resiste com inteireza as dificuldades da vida.”[5]
Um caminho para chegar a esta atitude filial é através de uma vivência sadia da relação pai e filho no plano natural. Aquele que não sentiu e experimentou o que significa possuir um pai de verdade no plano natural, muito dificilmente conseguirá se portar como filho diante de Deus.
Portanto, é urgente também que o homem se torne verdadeiro pai. Pai para seus filhos biológicos, mas também pai para todos aqueles que conviverem com ele. A paternidade é o outro lado da moeda da filialidade. Só sabe ser pai, quem realmente se coloca como filho diante do Pai do Céu.

“Se a paternidade é o núcleo central do ser homem, a filialidade é sua raiz. Para poder se pai, primeiro precisa sentir-se profundamente filho.”[6]


photo credit: PakoGONZO <a href="http://www.flickr.com/photos/32381168@N03/28261164905">True love</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>



[1] Informação postada no site do Youtube, por lucasjs2, no vídeo  http://www.youtube.com/watch?v=hvggjVdOWXU
[2] Trecho extraído da matéria “O homem filial”, publicado no site http://www.maeperegrina.com.br/
[3] Mt 18,3
[4] Mc 10,14
[5] Trecho extraído da matéria intitulada “Puer et Pater”, publicada em  http://wikischoenstatt.org/Puer_et_Pater. Tradução livre da Autora.
[6] Trecho extraído da matéria intitulada “Puer et Pater”, publicada em  http://wikischoenstatt.org/Puer_et_Pater. Tradução livre da Autora.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A MISSÃO DA MULHER


“A mulher é toda alma, toda pureza e toda dedicação.” (Pe. Kentenich)

O ser feminino é voltado para o amor, para a receptividade à vida e o cultivo da vida, desta forma a mulher só poderá encontrar sua plena realização na medida em que cumpra sua missão de doar amor aos outros.

São João Paulo II nos diz: “A dignidade da mulher está intimamente ligada com o amor que ela recebe pelo próprio fato da sua feminilidade e também com o amor que ela, por sua vez, doa. Confirma-se assim a verdade sobre a pessoa e sobre o amor. Acerca da verdade da pessoa, deve-se uma vez mais recorrer ao Concílio Vaticano II: « O homem, a única criatura na terra que Deus quis por si mesma, não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesmo ». Isto se refere a todo homem, como pessoa criada à imagem de Deus, quer homem quer mulher. A afirmação de natureza ontológica aqui contida está a indicar também a dimensão ética da vocação da pessoa. A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros.”[1]

A vocação da mulher abrange mais especificamente o cuidado pelo homem, pela sua salvação. Toda mulher precisa adquirir esta consciência de que Deus lhe confiou de uma maneira especial o homem, para que ela o auxilie a permanecer firme no caminho que conduz novamente ao Pai, ao Paraíso e eterna felicidade.

O próprio Deus, ao se fazer homem, se confiou ao cuidado de uma mulher: Maria. Ela gerou Jesus em seu seio e o trouxe ao mundo para que ele cumprisse sua missão de Redentor do homem.

A força moral da mulher, a sua força espiritual une-se à consciência de que Deus lhe confia de uma maneira especial o homem, o ser humano. Naturalmente, Deus confia todo homem a todos e a cada um. Todavia, este ato de confiar refere-se de modo especial à mulher — precisamente pelo fato da sua feminilidade — e isso decide particularmente da sua vocação.(...)

A mulher é forte pela consciência dessa missão, forte pelo fato de que Deus « lhe confia o homem », sempre e em todos os casos, até nas condições de discriminação social em que ela se possa encontrar. Esta consciência e esta vocação fundamental falam à mulher da dignidade que ela recebe de Deus mesmo, e isto a torna « forte » e consolida a sua vocação. Deste modo, a « mulher perfeita » (cf. Prov 31, 10) torna-se um amparo insubstituível e uma fonte de força espiritual para os outros, que percebem as grandes energias do seu espírito. A estas « mulheres perfeitas » muito devem as suas famílias e, por vezes, inteiras Nações.”[2]

O mundo de hoje precisa cada vez mais de mulheres autênticas, que assumam sua vocação de serem portadoras do amor, que se responsabilizem pelo cuidado do homem e que não permitam que as conquistas alcançadas na ciência e da tecnologia façam desaparecer a sensibilidade e o verdadeiro valor da vida humana, pelo que é essencialmente o ser humano: imagem e semelhança de Deus.

A mulher deve sempre cultivar o seu coração, seu amor. Purificá-lo e distribuí-lo para todos que a cercam. “Todo o seu trabalho dentro e fora do lar deve ser dirigido pelo coração, pelo amor. Por isso, a obra-mestra de educação da mulher e da mãe é a educação do amor, a educação do coração”. [3]

“A mulher atual é chamada a uma ação de salvamento dos valores femininos, tanto em si mesma como na cultura, desenvolvendo ao máximo sua capacidade para a criação de vínculos. Por sua tendência inata à vida e às pessoas, ela tem a missão de integrar, de estabelecer coesão, de unir. A mulher deve ser toda alma, personalizando todas as suas manifestações e animando todos os âmbitos de seu ser e atuar.”[4]



[1] Mulieris Dignitatem No. 30
[2] idem
[3] Reflexões Pe. Nicolás Schweizer, No. 10, de 01.05.2007
[4] “Maria: um exemplo de Mulher”, STRADA, Angel L., pgs. 241 e 242, 3ª edição, Editora Ave-Maria, São Paulo, 1998

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO - PARTE 2

Outro elemento do sacramento do matrimônio é que ao recebê-lo, o casal convida Cristo a viver com eles, a sustentar este vínculo de amor que os uniu. Eles não estarão sós neste caminho: Jesus faz parte deste compromisso.
“Pelo Sacramento do Matrimônio, Cristo concede a Sua graça para que o casal possa viver as virtudes necessárias e atingir o seu pleno ajustamento físico, mental e espiritual. Por meio dele, a fraqueza é alimentada com a força de Deus e o egoísmo pouco a pouco é purificado.”[1]
“Em seu estado de vida e função (os esposos cristãos) têm um dom especial dentro do povo de Deus. Esta graça própria do sacramento do Matrimônio se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Por esta graça ‘eles se ajudam mutuamente a santificar-se na vida conjugal, como também na aceitação e educação dos filhos’.
Cristo é a fonte desta graça. ‘Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimonio’. Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo um dos outros, ‘submeter-se uns aos outros no temor de Cristo’ (Ef 5,21) e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro.”[2]
O sacramento do matrimônio deve ser o centro de gravidade do casal, seu ponto de referência na fé, que vai nutrir seu amor para conseguirem atravessar tempos difíceis, cumprindo sua missão no mundo sem se perderem nele.
“Se o esposo (ou a esposa) tiver tido um dia mau e estiver talvez desanimado pela pressão de um problema doméstico sério, sentindo-se tentado a se autocompadecer e a pensar que foi um erro casar-se, esse é o momento de recordar que o matrimônio é um sacramento. É o momento de recordar que tem o absoluto direito a qualquer graça que possa necessitar para fortalecer a sua humana fraqueza e chegar à solução do problema. Aos esposos que fazem tudo o que está em suas mãos para que o seu matrimônio seja verdadeiramente cristão, Deus comprometeu-se a dar todas as graças de que necessitam e quando as necessitem, e Deus é sempre fiel aos seus compromissos. (...)
Além do aumento da graça santificante (...) o matrimônio confere também a sua própria graça especial, a graça sacramental que consiste no direito de receber de Deus as graças atuais de que os esposos possam necessitar através dos anos para assegurarem uma união feliz e frutuosa. Para que possa produzir plenamente seus efeitos, esta graça necessita da cooperação de ambos os cônjuges. (...) Mas se uma das partes falta ao cumprimento dos seus deveres cristãos, o outro cônjuge poderá contar ainda com graças excepcionais de fortaleza e sabedoria.
Concretizando mais, a graça sacramental do matrimonio aperfeiçoa o amor natural entre marido e mulher, elevando-o a um nível sobrenatural que ultrapassa indizivelmente a mera compatibilidade mental e física. Dá ao amor conjugal uma qualidade santificante que o torna instrumento e caminho para crescer e alcançar a santidade. Confere, além disso, generosidade e responsabilidade para gerar e criar os filhos, prudência e discernimento para enfrentar os inúmeros problemas que a vida familiar traz consigo. Ajuda os esposos a adaptarem-se aos defeitos um do outro e a desculpá-los. E tudo isso é apenas uma parte do que a graça do matrimônio pode fazer por aqueles que, com a sua cooperação, dão a Deus ocasião de mostrar o seu poder.”[3]
Essa é a grande diferença entre o casal que busca o sacramento do matrimônio e que aqueles que preferem apenas “se juntar” ou somente casam no civil: os primeiros possuem esta força, esta graça, que os auxilia por toda a sua vida.
Os casais precisam se conscientizar cada vez mais deste dom, lembrarem de que não estão sozinhos na luta do dia-a-dia, que Jesus caminha com eles, que Nossa Senhora, sua Mãe, os acolhe e os protege e ter a fé no sacramento, acreditando que Deus não permitirá que o casamento sucumba diante das dificuldades.






[1] Sereis uma só carne, pg. 45-46, 11ª edição, Prof. Felipe Aquino, Editora Cléofas, 2003
[2] CIC 1641-1642
[3] “A fé explicada”, TRESE, Leo J.  p. 430-431, Editora Quadrante, 9ª edição, São Paulo 2005

terça-feira, 23 de setembro de 2014

SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO - PARTE 1

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto naqueles que os recebem com as disposições exigidas”[1]
Os sacramentos foram instituídos por Jesus para ajudar na caminhada rumo ao Céu, para sinalizar este caminho, pois transmitem as graças necessárias para cumprir a missão de cada um.
No caso do sacramento do matrimônio, a graça que se recebe é a santificação do vínculo que une marido e mulher para sempre. A aliança de amor que é selada com o sacramento do matrimônio, este laço que unirá aquele homem e aquela mulher eternamente, se transforma num sinal eficaz da união de Cristo com sua Igreja.
“O matrimônio, segundo o que foi dito, não é a consagração de duas pessoas, mas a consagração do laço que as une. A relação entre ambas é elevada sacramentalmente. Nisso consiste precisamente a sacramentalidade conjugal. O amor que os une e o vínculo que se gera se faz sinal e sacramento. O amor conjugal puramente humano se faz amor consagrado e por isso mesmo já é uma realidade religiosa. A comunidade conjugal entre ambos se faz comunidade de Deus e com Deus. Neste contexto podemos dizer que o amor redentor de Cristo, que desperta em nós uma resposta proporcional, se desdobra no matrimônio através do amor recíproco dos esposos.”[2]
Os esposos, tendo recebido o sacramento do matrimônio, são chamados a ser sinais do amor de Cristo por sua Igreja e do amor da Igreja para o seu Senhor. Quem vê um casal cristão deve poder ver a presença de Deus, sua atuação na vida daquela família. O casal também deve permitir que Deus influencie as pessoas que os rodeia, através de seu matrimônio.
Segundo Nicola de Martini: “O sacramento do matrimônio não é somente um sinal do matrimônio entre Cristo e a Igreja, mas introduz realmente os dois cônjuges no matrimônio entre Cristo e a Igreja. Assim, o matrimônio torna-se um ‘acontecimento de salvação’. O homem torna-se ‘Cristo que salva a esposa’(...) A esposa torna-se, então, ‘a Igreja que salva o esposo’, a Igreja que ‘forma Cristo no coração do esposo’”.(grifos nossos)
Veja como São Paulo descreve como deve ser este amor, reflexo do amor conjugal:
“Mulheres, sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor. De fato, o marido é a cabeça da sua esposa, assim como Cristo, salvador do Corpo, é a cabeça da Igreja. E assim como a Igreja está submissa a Cristo, assim também as mulheres sejam submissas em tudo a seus maridos.
Maridos, amem suas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela; (...) Portanto, os maridos devem amar suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, está amando a si mesmo. Ninguém odeia a sua própria carne; pelo contrário, a nutre e dela cuida, como Cristo faz com a Igreja, porque somos membros do corpo dele. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Este mistério é grande: eu me refiro a Cristo e à Igreja. Portanto, cada um de vocês ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido.”[3]
É preciso ressaltar que a interpretação deste primeiro versículo, onde diz que as mulheres devem ser submissas a seus maridos muitas vezes é mal interpretado, tendo um caráter depreciativo. Todavia a interpretação mais adequada é a da análise da etimologia da palavra SUBMISSÃO, onde SUB quer dizer “debaixo de” e MISSÃO quer dizer “profissão ou vocação”, ou seja, estar debaixo da mesma vocação, da mesma missão.
Assim, a mulher deve ser o apoio do homem, ajudá-lo em seu caminho, pois ambos tem a mesma missão, formar uma família de acordo com os planos de Deus. A submissão, analisada sobre esta ótica, deve ser a mais forte demonstração de amor da mulher para com o marido.
O marido, por sua vez, deve amar a sua mulher como a seu próprio corpo, ou seja, deve cuidar dela com o mesmo cuidado que dispensa a si mesmo, a seus desejos e necessidades. E vai muito além, pois o amor de Cristo pela Igreja é um amor que deu a própria vida. Portanto, o marido deve estar disposto a dar a sua própria vida, aniquilar todo o seu egoísmo, para o bem de sua esposa.






[1] Cf CIC No. 1131
[2] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pgs. 8-9, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS 
[3] Cf Ef 5,22-25; 26-33