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quarta-feira, 7 de março de 2018

PORNOGRAFIA: A NOVA DROGA QUE ESTÁ ACABANDO COM OS JOVENS E ADOLESCENTES



Há cerca de dois anos, demos um celular para nosso filho mais velho, então com 14 anos. A partir de então, através dos grupos de Whatsapp que ele participa, fiquei estarrecida em ver o nível de promiscuidade dos adolescentes da sua geração e da quantidade de material pornográfico a que eles estão expostos.

A pornografia é uma indústria multibilionária que a partir da disseminação da internet de alta velocidade constatou um aumento incrível em seu lucro. Até então, o acesso aos materiais pornográficos (revistas e filmes) era bem mais restrito. Havia certa dificuldade para os adolescentes conseguirem estes materiais, seja porque precisavam de um “adulto” para adquiri-los ou ainda porque precisavam pagar pelos mesmos.

Agora, porém, tudo está ao alcance das mãos em apenas um click. E gratuitamente. Estudos recentes demonstram que a pornografia (e consequente masturbação) tem o mesmo potencial de vício que a cocaína. O efeito no cérebro é o mesmo. E as consequências desastrosas também. Quanto mais acesso à pornografia, mais necessidade o cérebro tem e cada vez de cenas mais fortes, mais picantes, chegando muitas vezes a verdadeiras aberrações.

A pornografia mata o amor e a indústria pornográfica é uma verdadeira “máquina de moer carne humana”. Aqueles que já estão viciados, tem uma grande dificuldade de relacionamento, acabam vendo a outra pessoa como um objeto para se obter o prazer. O que se mostra no material pornográfico é uma ilusão e as pessoas acabam pensando que aquilo pode e deve ser reproduzido na vida real. Conheço alguns casamentos jovens que sofrem com este mal. Do outro lado da tela, os atores que se prestam a esse serviço são explorados, muitas vezes viciados em entorpecentes e morrem cedo.

Vivemos numa sociedade hipersexualizada, onde praticamente tudo remete à sensualidade, à sedução. Nem mesmo as crianças são poupadas. A relação sexual é banalizada e vista como simples fonte de prazer e os jovens e adolescentes são as primeiras vítimas dessa mentalidade utilitarista. Desta forma a pornografia e a masturbação são vistas como uma coisa normal, que deve ser, inclusive, estimulada. Até mesmo em escolas católicas essa ideia errada sobre a masturbação é transmitida aos nossos filhos.

Os meninos são os mais atingidos por esse mal, porque a excitação masculina se dá através da visão. Todavia, cada vez mais meninas também estão se viciando na pornografia e masturbação, principalmente como forma de suprir carências afetivas. Como pais e educadores, precisamos ficar muito atentos aos nossos filhos, conversar MUITO com eles sobre todas essas questões. Explicar as razões pelas quais consumir pornografia e se masturbar NÃO É NORMAL e muito menos FAZ BEM para eles. O risco de adquirir um vício e destruir sua capacidade de amar verdadeiramente e de se relacionar com o outro é muito grande.

Algumas coisas que podemos fazer para diminuir o risco deles acessarem material pornográfico é estabelecer algumas regras: não levar o celular para o banheiro; se estiver usando o computador no quarto, a porta deve estar sempre aberta; limitar o tempo de acesso à internet (quanto maior o tempo, mais chances de acesso haverá); acessar o histórico de navegação, bem como checar as conversas em grupos do whatsapp e outras mídias sociais; etc. 

Recomendo a todos que acessem o site Fight the New Drug (combata a nova droga). Lá tem todo o material com as pesquisas científicas que comprovam essas alegações, bem como orientações de como se livrar desse vício e material de apoio para os pais. O site principal é em inglês, mas já tem bastante coisa traduzida. O link está aqui:http://pt.ftnd.org/

Recomendo também um curso do Pe. Paulo Ricardo, de apenas quatro aulas, que explica minuciosamente todo esse problema da pornografia e masturbação. Dessas quatro aulas, apenas uma fala sobre os problemas espirituais. As outras todas explicam das questões físicas, emocionais e sociais que o acesso à pornografia e prática da masturbação acarretam para as pessoas. Foi fazendo esse curso que me dei conta de tudo que envolve essa problemática. Colocarei aqui o link das quatro aulas. Aproveitem enquanto o acesso é livre!


photo credit: COMSALUD <a href="http://www.flickr.com/photos/69021332@N06/13966920065">I Congreso Juegos de Salud</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

ESCRAVIDÕES EXTERIORES E O NÃO APOSTÓLICO


O artigo de hoje foi extraído das Reflexões No. 21, do Pe. Nicolás Schweizer, IPSch, publicado em 01.11.2007.

Um campo que influi fortemente sobre nossa liberdade interior são as pressões que nos chegam de parte de outros. São por exemplo: pressões de pessoas próximas “que querem apenas o melhor para nós”. E com esse motivo nos invadem. 

Muitas vezes o permitimos, porque nos sentimos inseguros, não sabemos que fazer. Ou nós mesmos olhamos de soslaio aos outros, para ver como eles fazem, como faz a maioria. Ou queremos aparecer bem diante dos demais, para que não nos critiquem.

Mas eu sou eu mesmo. Tenho que viver minha própria vida, com meu estilo e ritmo particulares, meus limites e minhas originalidades. Minhas prioridades determinam minhas decisões. Os outros não podem decidir sobre mim, com seus pedidos, sugestões e pressões. 

É verdade, tenho que manter-me sensível frente às necessidades dos demais. Mas não podem atropelar minha liberdade interior, obrigar-me a fazer algo que não quero fazer. Nisso temos que unir ternura e firmeza.

Outro perigo são os meios de comunicação que nos querem pressionar e manipular. Resulta que esses meios, muitas vezes, pensam por nós, decidem por nós, planificam o futuro por nós. E permitimos que nos imponham tudo. E assim nos convertemos, aos poucos, em escravos da opinião pública ou como diria o Pe. José Kentenich, em homens massificados. Assim vamos perdendo a capacidade de tomar interiormente posição frente ao que escutamos ao que vemos ou lemos.

Fruto dessa mentalidade é o que o Pe. Kentenich chama de homem-cinema ou homem-televisão. É o homem descontínuo que vive de sensação em sensação, de impressão em impressão, a toda velocidade, sem parar, sem bússola e sem sentido. 

Um símbolo típico disso é o “zapping”. Desse homem, diz o Padre Kentenich, que perdeu sua alma, que é a descontinuidade personificada, a perfeita despersonalização. Aqui temos, com poucas palavras, a enfermidade e a cruz do homem moderno: é um homem que vive e depende de sensações superficiais.

Aí está também a moda, eixo ao redor do qual gira a sociedade pós moderna. As “revistas do coração” são as transmissoras: por exemplo, a mulher light imita a forma de vestir dos personagens que aparecem nelas, suas expressões, seu tipo de vida vazio. E tudo isso termina na frivolidade e superficialidade.

Devemos ser mais críticos frente à sociedade moderna, e frente aos valores ou anti-valores que propaga. E também devemos procurar fazer uma síntese serena de todas as notícias e opiniões que nos bombardeiam.

Outro tema importante para nós é o das ocupações, compromissos e tarefas apostólicas. Muitos de nós somos gente muito ocupada, e gente ocupada é gente importante. Entretanto, pode ser que sejamos simplesmente adictos ao trabalho. Ao melhor temos muito de Marta e pouco de Maria. E apesar disso talvez não possamos cumprir com tudo. Então, o que podemos fazer?

Primeiro teríamos que ter clareza sobre nossas prioridades pessoais. Ajuda muito, sobretudo em tempos de sobrecarga. E ao outro: será que não sabemos dizer não, quando nos pedem algo? 

Também no apostolado: “o não apostólico” é tão importante como “o sim apostólico”. Assim posso dedicar-me àquele apostolado para o qual tenho aptidão e carisma. Quando me propõem alguma tarefa, convém não aceitá-la logo senão pedir tempo para pensar ou conversar com o cônjuge.

Perguntas para a reflexão

1. Repito o que dizem os meios de comunicação, como verdades absolutas?
2. Quanto influi em mim a roupa de moda?
3. É-me difícil dizer não aos pedidos? Ou digo que sim e depois não cumpro?

photo credit: .v1ctor Casale. <a href="http://www.flickr.com/photos/49699516@N06/6711234961">Handcuffs</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>