domingo, 27 de dezembro de 2015

NATAL: LUZ, ALEGRIA E DOM

Neste tempo de Natal, vamos refletir com o Pe. Nicolás Schweizer, neste texto publicado em Reflexões, No. 25, de 15.12.2007.

Não sei se notaram que com tão poucas palavras o evangelista nos relata o acontecimento tão extraordinário: “Estando eles ali, completaram-se os dias para o parto, e deu à luz o seu filho primogênito. Envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura...”.

A simplicidade e a pobreza destas palavras contrapõem-se ao Natal solene e ruidosa ao qual nós estamos acostumados. Nosso “rico” Natal se impôs e empobreceu o verdadeiro. Agora, o que acontece realmente no Natal? O que faz Cristo para nós no Natal?

Cristo vem trazer-nos a luz: “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz; habitavam terras de sombras, e uma luz lhes brilhou”.

Mas percebemos rápido que a sua é uma luz que incomoda, indiscreta, que descobre nossas misérias, nossas limitações, nossa mesquinhez. É uma luz que não se resigna a ser um puro adorno. Compromete, exige mudanças dolorosas em nossa existência. Mas muitos não estão dispostos a dar esse passo. E nós?

Cristo vem para satisfazer-nos de alegria. O anjo anuncia aos pastores: “Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que é para todo o povo”.

Alegria, porque sabemos que existe um Deus que pensa no homem com amor, que se aproxima do homem, que se faz homem. Um Deus que percorre nosso mesmo caminho, que compartilha nossas penas e misérias, nossas angústias e esperanças. Um Deus que vem trazer a todos a salvação.

Cristo veio a trazer-nos a felicidade, uma felicidade que ultrapassa todos os horizontes terrenos. E nós insistimos em nossa própria alegria, nossa pobre felicidade humana e terrena.

É terrível chegar ao Natal pensando ser já um homem feliz, um homem satisfeito por outros motivos. Talvez sejamos muito ricos em bens da terra e por isso nos alegramos tão pouco com os bens celestiais

Cristo nos traz seus dons. Ele mesmo se faz dom para nós, o dom por excelência. E nós queremos fingir que não percebemos tal dom. Em realidade esperamos pouco dele Quem de nós pediu a Cristo um presente espiritual, um milagre de mudança, de transformação para este Natal?

Estamos muito ocupados com nossos pacotes em que se escondem nossos dons, nossos pobres presentes. E assim sufocamos o único dom debaixo de uma montanha de papéis coloridos, de coisas sem valor e sem necessidade.

Nossa missão

Devemos converter-nos em luz. Que a luz de Cristo nos penetre intimamente, nos transforme, nos faça tão transparentes que os homens ao olhar-nos fiquem deslumbrados, sentindo todo o encanto e o atrativo dessa luz sobrenatural.

Devemos converter-nos em alegria. Nossa missão é ser testemunha da alegria cristã. Que todo mundo entenda que a mensagem de Cristo é uma mensagem de salvação, não de condenação; uma mensagem de liberação, não de opressão; uma mensagem de alegria, não de tristeza.

Temos de converter-nos em dom. É um costume presentear no Natal, muitos presentes. Queremos assim saldar nossas dívidas de gratidão com aquelas pessoas a quem devemos algum favor. Mas isso é muito cômodo.

A um cristão se exige muito mais. Tem a obrigação, não de presentear, e sim de converter-se ele mesmo em um presente converter-se em dom. Fazer de sua vida uma entrega, sem reservas, para todos. Porque todos os homens são seus credores. Porque o cristão há de sentir-se devedor perante todos os seus semelhantes e, sobretudo, devedor perante Deus.

Neste nascimento que celebraremos tem que nascer algo em cada um de nós. Somos todos chamados a nascer de novo.

Só uma coisa importa, diz São Paulo, e é que nos convertamos numa criatura nova. De nada nos serve que Cristo haja nascido há dois mil anos, se hoje nada vai nascer em nós. A maravilha da noite de Natal, irmãos, é que o Menino Deus - no coração de cada um de nós - possa voltar a nascer e voltar a viver.

Perguntas para a reflexão:
1.     O que é para mim o Natal hoje?
2.     Como festejo o Natal?
3.     O que peço de presente?

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