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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A DIFÍCIL TAREFA DE DEIXAR QUE OS FILHOS COMETAM ERROS

 


Nós, mães, somos programadas para proteger os filhos sempre. Desde o ventre, nossa missão é fazer com que aquelas criaturinhas cresçam e se desenvolvam saudáveis, alimentando, cuidando, educando e principalmente protegendo de todos os perigos. Em qualquer situação de dor, desde um joelho ralado até um coração partido, é para os braços da mãe que o filho corre. E nós fazemos de tudo para vermos nossos filhos felizes.

Porém, chega a hora que precisamos aprender a deixar que eles cometam erros. Como é difícil essa tarefa! Se dependesse de nós, certamente tomaríamos todas as decisões por eles e sofreríamos as consequências por eles. Mas é preciso permitir que eles cresçam e amadureçam; escolher errado e cometer erros faz parte desse processo.

Aqui em casa sempre tentei ensinar os filhos a fazerem escolhas. Desde pequenos, entendi que a melhor coisa que poderia fazer por eles é ensiná-los a escolher. A vida é repleta de escolhas. Escolhemos a todo momento: desde a roupa que vamos vestir, o que vamos comer até a profissão que seguiremos ou a pessoa que decidimos passar a vida juntos. Toda escolha tem uma consequência e enquanto eram crianças, era mais fácil mostrar a consequência e permitir que sofressem com ela.

Agora que estão se tornando adultos, as coisas são mais complicadas. As consequências são mais graves e podem ser irreversíveis. Como lidar com isso? Como não interferir nas escolhas dessas pessoas que amamos mais que tudo? O melhor exemplo que podemos seguir é de Deus Pai.

O Pai nos ama com amor infinito e nos criou para, um dia, estar com Ele na glória do Céu. Para sermos capazes de amar, Ele nos deu a liberdade. Ele nos deu Jesus Cristo como nosso exemplo a seguir, que mostrou o caminho que leva ao Céu e morreu na cruz para nos salvar. Ele nos deu a Igreja, nossa Mãe e Mestra, que nos orienta nesse caminho. Ele nos deu todos os sacramentos que fortalecem nossa fé e nos alimentam nessa caminhada. Ele nos deu Maria Santíssima, nossa Mãe e Educadora, para nos socorrer em todas as nossas necessidades. Ele nos deu nosso santo anjo da guarda, poderoso protetor, que nos acompanha desde que fomos concebidos e estará conosco até o nosso julgamento, no dia de nossa morte.

Ele nos sustenta e nos enche de graças todos os dias, mas, por causa de nossa liberdade, podemos escolher outro caminho. Podemos escolher rejeitar esse amor. E o que o Pai faz? Continua nos amando, cuidando de nós e esperando que possamos voltar ao caminho da verdadeira felicidade. Ele não impede que soframos as consequências de nossas escolhas, inclusive a pior de todas, a condenação ao inferno, caso morramos em estado de pecado mortal. Mas Ele está sempre pronto a nos receber de braços abertos, como o Pai do filho pródigo, cada vez que nos arrependemos e decidimos voltar a comunhão de amor com Ele.

Esta é a atitude que devemos ter com nossos filhos. Orientá-los da melhor forma possível, explicar sobre as consequências de suas escolhas, mas deixar que eles tomem suas próprias decisões. Mesmo que isso signifique escolher um caminho longe de Deus que possa levá-los ao inferno. E se realmente essa for a escolha deles, o que cabe a nós é rezar muito, dobrar nossos joelhos e implorar ao Pai de Misericórdia que toque o coração deles para que se arrependam e voltem ao caminho da vida, da felicidade. Podemos entregá-los nas mãos de Maria Santíssima e pedir a Ela que os eduque, que supra as nossas falhas na educação deles e que os proteja de todo Mal.

E quando eles decidirem voltar, nossa atitude deve ser recebê-los de braços abertos, com muita alegria, pois como disse Jesus "assim have­rá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento" (Lc 15,7)



sábado, 22 de fevereiro de 2020

"SAIDINHA" COM OS FILHOS


A Nicole e eu em nossa "saidinha" da semana

Quando meus filhos eram pequenos, li sobre a importância de ter um tempo individual com cada um deles para conhecê-los melhor e aumentar o vínculo entre mãe e filho. Na época aquele conselho pareceu meio estranho, pois passava todo o meu tempo com eles e não conseguia imaginar como eles não estariam tão vinculados a mim no futuro.

Porém, eles foram crescendo, tendo suas próprias atividades e ficando menos tempo comigo. Foi então que iniciamos o costume da “saidinha com a mãe”. Combinamos que uma vez na semana eu levaria um deles para um passeio, onde eles escolhessem. Nesse tempo, nós conversaríamos sobre o que eles quisessem. Para que desse certo, o celular ficava desligado (tanto o meu quanto o deles).

Eles ficaram empolgados com a ideia, mais pelo fato de ir num lugar que eles gostam e que possam comer “porcarias”, do que pela conversa em si. O lugar tem que propiciar um ambiente de diálogo, então normalmente é uma lanchonete ou sorveteria. Cinema não conta, a menos que tenha um tempo para conversar antes ou depois do filme. O tempo gira em torno de uma hora.

A regra é sair com um filho de cada vez, então todos sabem que terão esse tempo comigo, com atenção exclusiva e em determinada semana do mês. Quando começamos, meu filho mais velho já tinha 14 anos, e os outros tinham 11 e 10. Com os menores foi mais fácil, porque a conversa fluía mais naturalmente, mas com o adolescente, demorava um certo tempo para “engrenar”.

Quando não há nenhum fato específico que eles queiram conversar, daí o assunto é comigo. Eu conto da minha vida, do que tem acontecido ou de como foi minha infância, adolescência, juventude... Falo também sobre o pai, os tios, os avós, enfim, sobre a nossa família. As vezes conto fatos da infância deles que eles não lembram mais. Esses são os assuntos preferidos deles. Conhecer a história, ver como as épocas eram diferentes e como as coisas aconteceram para chegarem até eles hoje.

Essa troca de experiências é super importante, porque não só os pais precisam conhecer melhor os filhos, mas também os filhos precisam conhecer o que seus pais pensam, o que gostam, o que não gostam, quem admiram etc. Só é possível amar quem conhecemos, assim o fato de gastar tempo para nos conhecer, aumenta e fortalece o amor e consequentemente o respeito entre nós. Nesses anos, fui surpreendida várias vezes com a profundidade da troca de experiências que esses diálogos proporcionaram.  

Esse ano o mais velho completa 18 anos e veio me perguntar esses dias se as nossas “saidinhas” iriam acabar porque ele já será oficialmente um adulto. Tranquilizei-o dizendo que iríamos continuar com as “saidinhas” até quando ele quisesse...

Assim, meu testemunho é que ter esse tipo de experiência e relacionamento com cada filho é muito importante e gratificante também. Na correria do dia a dia, acabamos não dialogando, só falamos sobre o cumprimento das obrigações, acabamos por resumir o relacionamento de pai e filho como ordens e obrigações por parte dos pais e pedidos de coisas por parte dos filhos. Tudo muito mecânico.

Não somos pais perfeitos, sabemos que muitas vezes erramos na educação dos filhos, mas vejo que ter esse momento de intimidade com cada um deles tem feito a diferença nessa época mais conturbada da adolescência.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

COMO TIRAR UM ADOLESCENTE DE UMA ENRASCADA



Há algum tempo li uma matéria com uma dica muito boa para ajudar seu filho adolescente em um momento de perigo. Infelizmente não lembro onde foi publicada, por isso não trago os créditos aqui.

A dica foi dada por um pai que trabalhava num centro de reabilitação para adolescentes com problemas com álcool e drogas. Ele percebeu que a grande maioria dos jovens que lá estavam havia se envolvido nesses comportamentos destrutivos por causa de uma ocasião mais propícia, junto com a pressão da turma.

Então, ele desenvolveu uma técnica para ajudar seus próprios filhos a saírem de uma situação onde haja algum tipo de perigo, ou onde eles se sintam desconfortáveis, sem que os outros amigos percebam. É o chamado “código X”. Ele combinou com seus filhos que se por acaso se encontrassem em alguma situação dessas, bastava mandar a letra “X” por mensagem ou para ele, ou para a mãe, ou para os irmãos mais velhos. Assim que a mensagem fosse recebida, os pais ligariam imediatamente para o telefone do jovem, perguntando onde ele estava, dizendo que iriam busca-lo.

Para os amigos, ele diria simplesmente que os “velhos” ligaram e ele iria embora. Mas aqui está o grande segredo para que esse “esquema” dê certo: ficava combinado entre pais e filhos que os pais não perguntariam absolutamente NADA sobre o que estaria acontecendo e que levou a acionar o “código X”. Dessa forma, o filho tem a confiança que pode contar com o apoio de seus pais para tirá-lo de uma situação de perigo, não importa o que seja, sem a pressão de precisar contar efetivamente o que estava acontecendo e correr o “risco” de ouvir algum sermão ou ser impedido de sair em outra oportunidade.

Claro que se o filho quiser se abrir, os pais ouvirão com o maior amor e cuidado, porém essa atitude tem que partir exclusivamente do filho. Nessa matéria, o autor conta que algumas vezes esse código foi acionado em sua casa e que pode tirar seus filhos de situações de risco, o que aumentou em toda família o clima de confiança e cumplicidade. Ainda não tenho experiência pessoal no assunto, mas meu filho mais velho já sabe do código X, caso venha a precisar algum dia.

Outra dica importante que aprendi para a segurança dos filhos, não importa a idade, é combinar com eles uma “senha”, caso algum desconhecido venha oferecer carona ou ajuda em nome dos pais. Seria a situação onde um adulto vá falar com a criança na escola, parque, clube, etc., dizendo que é amigo do pai ou da mãe e que os pais pediram para ele levar a criança pra casa. Meus filhos já sabem que se por acaso isso acontecer algum dia, eles precisam perguntar para o adulto em questão, qual é a “senha” que foi combinada para essa situação. Caso a pessoa não saiba, a criança deve sair de perto e pedir ajuda. Essa senha pode ser qualquer palavra, nome do cachorro, nome da avó, etc. Sempre que eles irão ficar sozinhos por algum tempo, lembramos da “senha”. Graças a Deus também nunca foi necessário usá-la, mas diz o ditado “seguro morreu de velho”.                              

photo credit: amira_a <a href="http://www.flickr.com/photos/46646401@N06/34941440550">#08</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ADÃO E EVA TINHAM UMBIGO?


Essa e outras questões levantadas por adolescentes, foram compiladas num livro de Mathew Pinto, chamado “Did Adam and Eve have belly buttons?” e respondidas de acordo com a doutrina católica. No post de hoje, colocarei algumas dessas questões muito interessantes para quem lida com jovens. Não é uma tradução literal do livro e possui alguns acréscimos feitos por mim. 

A teoria do Big Bang não explica a existência do mundo sem um Criador? 

Não, porque mesmo que a teoria do Big Bang seja verdadeira, ela não explica de onde a matéria que causou o Big Bang veio. E mesmo que você aceite, como alguns cientistas, que antes do Big Bang que iniciou o nosso universo, existia um número infinito de Big Bangs e Big Collapses ou universos anteriores, explodindo e se chocando, você ainda tem o mesmo problema. De onde essas coisas que os Big Bangs foram feitos vieram? 

Assim, já que o universo não explica sua própria existência, a explicação deve vir de algo a mais. E esse algo a mais só pode ser algo – na verdade, Alguém – que tem a existência em si mesmo, ou seja, Deus.

Se o sol e a lua marcam os dias e só foram criados no 4º dia, como eram definidos os primeiros dias?

Essa pergunta mostra um dos problemas de aceitar as histórias do Genesis como se fosse uma história completa e literal sobre a criação do mundo. Claro que algumas partes do Gênesis são históricas, como a existência de Abraão. Mas o catolicismo nos permite interpretar outras partes figurativamente, desde que nossa interpretação não contradiga outras doutrinas católicas.

Não precisamos presumir que as narrativas dos primeiros capítulos do Gênesis são estritamente históricos ou históricos em cada detalhe, para crer que houve uma Criação e a Queda do Humanidade, por exemplo. Quando pensamos no autor do Gênesis expressando a criação do mundo com licença poética, essa pergunta desaparece. 

De acordo com o primeiro capítulo do Gênesis, Deus criou e distinguiu a luz da escuridão no “primeiro dia”. Esse “dia”, entretanto, não é literalmente um período de 24 horas, mas uma forma poética de expressar que Deus criou as coisas em estágios, de uma forma ordenada, colocando cada coisa em seu devido lugar. Primeiro veio a luz, depois ele criou os lugares para as coisas, como o céu; separou a terra da água; encheu esses lugares com coisas, primeiro plantas na terra, depois o sol e a lua no céu, depois criaturas marinhas e pássaros. No último dia, criou os animais terrestres e por último, o ser humano.

Como o autor do Gênesis descreve, Deus partiu das criaturas mais básicas para a mais complexa, o ser humano – sua imagem e semelhança. O ser humano é o “resumo” da Criação, pois possui a matéria, como os minerais, a vida, como os vegetais, a inteligência, como os animais e a alma como os anjos.

Assim, a verdade histórica da criação narrada em Gênesis é uma coisa – Deus realmente criou o mundo e o ser humano. Porém, o quanto essa verdade é contata poeticamente, é outra coisa.

Adão e Eva tinham umbigo?

Por mais engraçada que essa pergunta possa parecer, ela é muito inteligente. Significa perguntar: “Se Deus criou diretamente Adão e Eva, eles não deveriam ter umbigos. Mas se eles evoluíram dos primatas, então eles teriam umbigo”.

Francamente ninguém sabe se Adão e Eva tinham umbigo. A Igreja não fala nada sobre isso porque ela não fala oficialmente de como ocorreu a criação. A Igreja está preocupada principalmente no porque a criação ocorreu e em quais implicações de nossa criação.

Deus pode ter criado Adão e Eva com umbigos, da mesma forma que os criou já adultos e não como crianças. Tem gente que afirma que eles tinham umbigos, porque Jesus é a considerado o “segundo Adão”, que redimiu toda a humanidade. Assim, como Jesus teve umbigo, para ser semelhante a Adão, este também deve ter tido umbigo...

Para mim parece que ou você acredita em Deus ou você acredita na teoria da evolução. Como é possível crer nos dois?

Acreditando que Deus usou a evolução como sua maneira de formar os seres humanos. Nesse sentido, você pode dizer que a única maneira que um católico pode acreditar na evolução é também acreditar na criação.

Quando as pessoas opõem a criação com a evolução, normalmente estão considerando a evolução como simples acaso e a criação como Deus literalmente formando o homem do pó e soprando a vida em suas narinas. Obviamente, considerando dessa maneira, criação e evolução não podem as duas serem verdadeiras. Mas se a evolução for considerada como um processo designado por Deus e a criação como um simples ato de Deus trazer o ser humano à existência, então não precisa haver conflito. Assim, não precisa ser criação ou evolução; podem ser ambas.

Existem, todavia, algumas afirmações, que são necessárias para um católico aceitar a teoria evolução. São elas:

1) Todas as coisas foram criadas por um Deus de amor

2) O ser humano é criado à imagem de Deus, o que significa, entre outras coisas, que ele é um ser espiritual, com os poderes de ter consciência de si mesmo e fazer escolhas livremente

3) Mesmo se o corpo do ser humano evoluiu, Deus ainda criou o ser humano porque Deus criou o processo de evolução e sua providência o conduziu para nascer a raça humana

4) Não importa a origem do corpo do ser humano, sua alma é uma criação especial de Deus, não o resultado de um processo de evolução. Isso acontece porque o espírito, ao contrário da matéria, é impossível de evoluir, já que não possui partes para evoluir de uma coisa para outra

5) Nós todos descendemos de um mesmo casal de pais

6) Nossos pais originais foram criados num estado de felicidade

7) Sua obediência foi testada e eles transgrediram a lei divina ao serem tentados pelo demônio

8) Eles perderam os dons sobrenaturais dados por Deus à raça humana

9) Eles transmitiram o pecado original para toda a humanidade

10) A eles foi prometido um redentor

Desde que as afirmações acima sejam aceitas, um católico pode adotar a teoria da evolução. Porém, ninguém é obrigado a aceitar essa teoria, se achar que não há evidencias suficientes. Qualquer católico pode aceitar que o Gênesis é uma narração literal, se ele quiser.

photo credit: jimforest <a href="http://www.flickr.com/photos/78953420@N00/12309449573">Adem & Eve: Rijksmuseum Amsterdam 4 Feb 2014 if</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 18 de maio de 2016

ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES



Hoje, dia 18 de maio, celebramos o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que tem como objetivo mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. 

Os números de vítimas de abuso e exploração sexual infanto-juvenis são alarmantes e ainda assim não refletem toda a realidade, porque muitos casos não chegam ao conhecimento dos órgãos competentes. Só no ano de 2015 foram mais de 40 denúncias por dia[1]! 

A violência sexual praticada contra a criança e o adolescente envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade. Normalmente é nas famílias mais pobres e sem estrutura que a maior parte dos abusos acontecem, pois os aliciadores aproveitam da ingenuidade e da situação financeira das vítimas para induzi-las a se rebelarem contra sua família e serem exploradas comercialmente como se fossem coisas.

Essa situação é gravíssima e sempre deve ser denunciada. Através do Disque 100 qualquer pessoa pode fazer anonimamente uma denúncia de abuso ou exploração sexual de crianças ou adolescentes. É nosso dever como cristãos sempre e lutar contra o crime e a injustiça. 

Porém, precisamos pensar também em outros tipos de abusos que ocorrem frequentemente com todas as crianças e adolescentes, não importando a classe ou condição social em que se encontram. Esses abusos, como por exemplo, a exposição das crianças e adolescentes a certos tipos de música com letras altamente sexualizadas e as danças que as acompanham, as roupas que erotizam precocemente, os programas de televisão que estimulam a relação sexual fora do casamento, contribuem para a perda da inocência e o aumento da promiscuidade entre os jovens.

A banalização do sexo, como se fosse um “simples” divertimento sem maiores consequências e que todos, inclusive as crianças, teriam direito a esse tipo de prazer é nefasto para a nossa sociedade. Ela produz pessoas desvinculadas e frustradas, pois usam e são usadas como objetos descartáveis, minando a autoestima e o sentimento de valor pessoal. 

Precisamos proteger nossas crianças e adolescentes dessa influência cultural, educando-os (e também a nós mesmos) sobre o real sentido da sexualidade conforme desejada por Deus. Apenas quando seguimos os planos de Deus para a nossa vida é que somos realmente felizes. 

São João Paulo II sabia que se quisermos sair desta cultura de morte e construir uma cultura da vida o ponto de partida é a restauração do plano de Deus sobre a união do homem e da mulher numa só carne. "É o mais profundo fundamento da ética humana", diz o Papa. É por isso que disse em sua encíclica Evangelho da Vida: "É uma ilusão pensar que se pode construir uma verdadeira cultura da vida humana se não aceitarmos e viermos a sexualidade, o amor e a existência inteira de acordo com seu verdadeiro significado e sua íntima correlação." (Evangeli Vitae No. 97). 

A verdadeira razão pela qual fomos criados, a verdadeira razão pela qual existimos, é porque estamos destinados à comunhão. Estamos destinados ao amor. E para amarmos e sermos amados precisamos saber respeitar nossos corpos como templos do Espírito Santo. Precisamos ensinar nossas crianças e adolescentes a se vestirem e se comportarem mostrando que desejam ser pessoas para serem amadas e não coisas para serem usadas. Precisamos ensiná-los também a ver o outro como uma pessoa digna de amor e de respeito e não como uma coisa que pode ser usada e depois descartada.

Sabemos que não é fácil nadar contra a corrente, mas não podemos desanimar! Nosso futuro depende das ações que tomamos no presente. Nossas crianças e adolescentes precisam de nossa ajuda. Sem o nosso apoio, eles são presas fáceis dessa sociedade que não se preocupa com a felicidade deles. 

Sozinhos, não conseguiremos, mas temos uma grande intercessora, uma Mãe que cuida com amor e atenção de cada filhinho seu. Consagremos nossas crianças e adolescentes ao Imaculado Coração de Maria. Ela é a Esmagadora da Serpente, ela é a Imaculada, que triunfará sobre todo o mal! 

Imaculado Coração de Maria, conserva puro meu corpo e minha alma! Imaculado Coração de Maria, conserva puro o corpo e a alma do meu filho, da minha filha! 

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/51593568@N06/5111553020">Depressed Boy</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>


[1] http://www.sdh.gov.br/noticias/2015/maio/disque-100-quatro-mil-denuncias-de-violencia-sexual-contra-criancas-e-adolescentes-foram-registradas-no-primeiro-trimestre-de-2015

sexta-feira, 15 de abril de 2016

PROMOVENDO A ESPIRITUALIDADE PRÓPRIA DO ADOLESCENTE


Eu sempre procuro ler a respeito da educação dos filhos e agora, com meu mais velho na adolescência, esta fase do desenvolvimento tem chamado a minha atenção. O post de hoje foi baseado no livro Parenting with Grace, de Gregory Popcak e tem como objetivo orientar os pais de como lidar com a fé durante a adolescência. Já escrevi algumas dicas de como manter seu filho católico e as orientações de hoje vem completar aquelas ideias.

Até agora, seu filho teve fé porque você disse a ele que era verdade. Agora, como adolescente começa a exibir o que é conhecido como "pensamento formal operacional" (ou seja, a habilidade de analisar criticamente, pensar teoricamente e pensar sobre o pensamento em si), seu filho irá testar a Fé por si mesmo.

Para fazer essa transição, da fé que foi ensinada pelos pais para a fé que o adolescente se apropriará como sua, são necessários três componentes básicos: sentir a fé, defender a fé e aplicar a fé.

Sentir a Fé

Adolescentes, como regra, confiam muito fortemente em seu "sentido" para as coisas. Apesar já possuírem esse “pensamento formal operacional" eles ainda não são mestres nisto, e então eles confiam mais em seus instintos e paixões para dizer a eles o que é "verdade". Apesar de isto estar longe do ideal, é a ferramenta que Deus nos deu para trabalhar com nossos filhos nesse estágio de seu desenvolvimento.

Considerando estes fatos, é absolutamente fundamental que sejam dadas a seu adolescente todas as oportunidades possíveis para ter um encontro pessoal com Jesus Cristo e se apaixonarem por ele. Uma forma eficiente de fazer isso é introduzir seu filho em alguns elementos da espiritualidade mais "carismática", ou seja, mais emotiva, que mexa com seus sentimentos e emoções.

A forma como fazer isso pode ser encorajando sua participação em grupos de jovens, Movimentos, retiros para a juventude, entre outros. Forneça várias opções, ele talvez não goste de uma, mas se interesse por outra. Mesmo que isso signifique leva-lo ao outro lado da cidade para participar de um grupo de jovens onde ele se sinta mais confortável. Peça que pelo menos experimente antes de se negarem a participar. O importante é que eles se envolvam nessas atividades, o quanto antes, assim que os primeiros sinais da adolescência começarem a aparecer.

A própria Igreja sabe dessa necessidade dos adolescentes e jovens de “sentirem” a fé, por isso promove as Jornadas Mundiais da Juventude que tem como objetivo fomentar a noção de que Deus e a Igreja não querem apenas serem ministros da mente, corpo e comunidade das pessoas, mas também de seus corações e emoções.

Claro, será importante amarrar isso emocionalmente à vida sacramental da Igreja. Bons sentimentos espirituais são insignificantes a menos que eles estão trabalhando para dar a seu filho um entendimento e apreciação mais profundos do trabalho de Cristo através dos sacramentos.

Ao desenvolver sua própria capacidade de uma fé emocional, apoiando seus filhos na busca de tal fé e deixando que eles se animem emocionalmente com os sacramentos, você estará dando a seus filhos uma razão para permanecerem fiéis à Igreja até eles se desenvolverem e serem capazes de envolver suas mentes com a grandeza da teologia e espiritualidade mais tradicional da Igreja.
           
Defender a Fé

Ao mesmo tempo que o adolescente precisa sentir a fé ele também precisa desenvolver a habilidade de entender a fé, para então, poder defende-la. E o papel dos pais nesse momento é estarem preparados para responder corretamente e com profundidade toda e qualquer pergunta relacionada a fé. Claro que não precisa ser exatamente no momento da pergunta, pois muitas vezes será necessário uma pesquisa, mas não pode dar respostas genéricas e nem superficiais.

Algumas perguntas frequentes são "Como você sabe que Jesus era o Filho de Deus e não apenas um homem bom?" "Jesus realmente ressuscitou dos mortos?" "Existem tantas igrejas e cada uma penas que possui 'a Verdade' - como você sabe em quem acreditar?" E francamente, estas são algumas das questões mais fáceis que eles irão perguntar.

Nas ideologias conflitantes do mundo atual, não é mais suficiente para os pais oferecer sua opinião sobre o ensinamento da Igreja, seja ele a favor ou contra. Nós precisamos ser capazes de explicar o porquê a Igreja acredita naquilo e como a Igreja chegou a tal entendimento.

A teologia católica já foi chamada de rainha das ciências, não por causa do estado pobre da ciência "naquele tempo", mas porque a teologia católica é mais parecida com a física quântica do que qualquer outra disciplina menos religiosa. A física quântica faz declarações absolutamente bizarras sobre a maneira que o universo foi constituído; e poucas, se alguma destas declarações podem ser provadas por observação direta. Ao invés disso, os cientistas constroem a partir do que eles conhecem ser verdade e deixam as verdades conhecidas os conduzirem à próxima verdade: "Se isso é verdade e aquilo é verdade, então isto e aquilo devem ser também". Da mesma forma, a teologia católica começa com o que é conhecido sobre o mundo criado, acrescenta a verdade das Escrituras, examina os registros históricos e constrói a partir daí, passo a passo para apoiar os preceitos que ela ensina. É importante entender isso - de outra forma você não será capaz de comunicá-lo a seus filhos. E se você não puder comunicar isto a seus filhos, você não será capaz de dar a eles o que eles precisam para fazer a transição de uma fé baseada mais emocionalmente a uma fé baseada mais crítica e racionalmente que irá sustentá-los nos "tempos áridos"

Aplicar a Fé

A adolescência é uma época quando jovens se tornam sensíveis a ideais; ou seja, a maneira como as coisas devem ser. Eles estão constantemente comparando como o mundo é com sua visão de como o mundo deveria funcionar. Esta é uma época perfeita para educar seu filho nos ensinamentos sociais da Igreja.

Desafie seu adolescente com questões como: "Como o mundo seria se as pessoas se aproximassem do trabalho e da carreira da maneira que a Igreja diz que eles devem se aproximar?" "Como o mundo seria se as famílias funcionassem da forma em que a Igreja diz que elas devem funcionar? "Como as pessoas e os relacionamentos seriam se eles seguissem os ensinamentos da Igreja sobre ética sexual?" "Como o mundo se beneficiaria se seguissem os ensinamentos da Igreja sobre a maneira pela qual o dinheiro deve ser gasto e distribuído?" "Como o mundo seria um lugar melhor se respeitasse a vida em todos os estágios e sobre qualquer condições, ao invés de simplesmente decidir que o feto ou aquele criminoso não tem direito à vida?"

Se você não sabe qual é o ensinamento da Igreja, ou se você apenas pensa que sabe mas não tem certeza, procure. Comece com o Catecismo da Igreja Católica e passe para as passagens relevantes da Escritura e documentos da Igreja. Uma ótima fonte é o site do Pe. Paulo Ricardo, que explica tudo de maneira muito didática e fácil de entender (www.padrepauloricardo.org). A Canção Nova (www.cancaonova.com) também possui vários recursos para aprender mais sobre a nossa fé católica. Você até pode fazer um projeto de olhar estes tópicos junto com seu adolescente para que possam aprender juntos. Afinal, você não deve saber tudo para ser o professor de seu filho; você apenas deve ter algumas ideias sobre onde procurar as respostas. E claro, será de muita ajuda procurar oportunidades para você e seu filho se envolverem em organizações que promovam os ensinamentos sociais da Igreja.

Ao mostrar a seu filho que o ensinamento da Igreja não é preocupado apenas com matérias espirituais mas também tem relevância social, você estará ajudando seu filho a experimentar a sabedoria prática da Igreja. Você estará demonstrando que a Igreja está muito "em contato" com o mundo ao redor dela.
Enquanto ser capaz de sentir a Fé, defender a Fé e aplicar a Fé é essencial para qualquer católico em qualquer estágio da vida, é crítico na adolescência, onde tanto é incerto e tanto ainda deve ser testado. 

Adolescentes somente irão aderir a uma Igreja que eles experimentam ser pessoalmente significante, solidamente baseada na verdade objetiva e socialmente releva

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/76850153@N07/8727148681">10/05/2013 - Vigília dos Jovens Adoradores</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

JEJUM, ESMOLA E ORAÇÃO: VÁRIAS IDEIAS SOBRE O QUE AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES PODEM FAZER NA QUARESMA



O post de hoje é uma tradução e adaptação autorizada. Iremos dividir em duas partes, para não ficar muito longo. Veja o post original neste link: http://www.pbgrace.com/lent-ideas/
O jejum, a esmola e a oração são o coração dos quarenta dias de Quaresma. Aqui estão algumas estratégias para ajudar seus filhos a se envolverem nessas práticas tradicionais penitenciais.
A maioria dessas ideias são para crianças de 6 anos ou mais. (A melhor maneira de introduzir as crianças mais jovens nas práticas da Quaresma é elas verem os adultos e crianças mais velhas praticando; use a curiosidade natural delas e a vontade de serem “gente grande” para falar sobre o que você está fazendo e o porquê).
 O que é Quaresma?
Uma boa maneira de começar a Quaresma é simplesmente perguntar a seus filhos, no jantar ou mesmo no carro, o que é a Quaresma. Aqui estão alguns tópicos para a conversa:
- as raízes da Quaresma vão até a Igreja primitiva, onde aqueles que desejavam se tornar cristãos eram submetidos a um período de preparação antes de seu batismo. Era limitado apenas aos catecúmenos (aqueles que estavam se preparando para entrarem na Igreja), mas depois toda a Igreja adotou a prática de “renovação” do batismo através de um período de penitência e um novo comprometimento à vida cristã.
- atualmente a Quaresma é um tempo quando todos os batizados são chamados a renovar seu compromisso batismal. A chave para uma observância fecunda dessas práticas é reconhecer seu vínculo com a renovação do batismo. Somos chamados não só a nos afastarmos do pecado durante a Quaresma, mas para um verdadeira conversão de nossos corações e mentes como seguidores de Cristo.
- tradução para crianças mais novas: “A quaresma é um tempo onde lembramos nosso batismo ao nos afastarmos do pecado e fazendo o bem no nosso dia a dia”
- as práticas tradicionais da quaresma que são extraídas do Sermão da Montanha de Jesus são: esmola (Mt 6, 2-4), oração (Mt 6, 5-15) e jejum (Mt 6, 16-18)
Ideias para o Jejum de Crianças e Adolescentes
O jejum e a abstinência são as práticas de abrir mão de algo (p. ex., comida ou carne) para nos afastarmos do pecado e nos aproximarmos de Deus. Não é apenas uma forma de penitência, mas uma disciplina spiritual que nos ajuda a criarmos espaço para Deus, fortalecermos nossa vontade, nos preparamos para a nossa missão, e nos colocarmos em solidariedade com os sofrimentos de Cristo e as pessoas que sofrem ao redor do mundo.
Apenas os adultos (18 a 59 anos) são obrigados a jejuar (apesar que adolescentes maiores que 14 anos são obrigados a se absterem de carne na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa). Além dessa obrigação, todos são convidados a escolher práticas penitenciais individuais durante a Quaresma. Começando na idade de 5 ou 6 anos, as crianças podem ser estimuladas a “fazer algum sacrifício” ou adotar uma prática positive, como uma forma de entrarem no espírito da Quaresma.
Quando encorajarem seus filhos a jejuar, ajude-os com algumas ideias criativas. O ideal é fazer desse jejum algo concreto e mensurável. Por exemplo, ao invés de falar “eu não vou mais brigar com minha irmã”, sente-se com a criança e veja algumas ações específicas que podem levar a uma “conversão” nessa área. O que causa as brigas? Se o problema for pegar algo emprestado sem pedir, faça disso o propósito da Quaresma: “pedir emprestado antes de pegar algo da minha irmã”. É bom colocar algum tipo de lembrete, por exemplo, no quarto ou guarda-roupas da criança, para que ela lembre-se de que tem um propósito a cumprir.
Aqui estão algumas ideias sobre o que seus filhos podem abrir mão para a Quaresma:
1. Abra mão dos “suspeitos” tradicionais: doces, videogames, celulares (ou crie “zonas de silêncio” sem eletrônicos), refrigerantes, “porcarias”, media social, ou algum outro tipo de conforto.
2. Silêncio: os monges praticam o silêncio para ouvirem melhor a Deus. Sua família também pode fazer isso, ao desligar o rádio (talvez apenas no carro), desligar a TV, fazer uma refeição em silêncio (ou enquanto ouvem música sacra), ficar em silêncio nos 15 primeiros minutos do dia, ou até mesmo fazer um dia de silêncio.
3. Fazer do seu quarto um deserto: Jesus passou 40 dias no deserto. Crianças e adolescentes podem imitar seu exemplo ao fazer do seu quarto mais parecido com um deserto, ao remover fotos e pôsteres das paredes, tirar o tapete, esvaziar o guarda roupas das coisas supérfluas, deixando só o essencial, guardar as decorações do quarto (brinquedos, pelúcias, etc) durante esse período.
4. Enxugue seu guarda roupa: as crianças podem contar o número de roupas que possuem e selecionar 10% para usarem durante a Quaresma (para inspirações, leiam as histórias dos santos que deram todas suas roupas para os pobres). No final da Quaresma, eles podem considerar doar algumas das roupas que eles não usaram.
5. Escreva sua briga: crianças mais velhas podem diminuir as discussões entre os irmãos ao escrever suas queixas ao invés de faze-las verbalmente. Você pode imprimir “formulários de reclamação” que incluam guias para reformularem suas queixas usando uma linguagem apropriada (sem agressões).
6. Ceda o seu lugar: se os “lugares”, por exemplo, sempre ter um lugar específico no carro ou na mesa, ou brigar constantemente por causa de quem será o “primeiro” for uma questão importante para seus filhos, isso é uma opção para abrir mão na Quaresma. Leia e fale sobre o ensinamento de Jesus sobre o “primeiro” e o “último” lugar (Mc 10, 41-46)
7. Coloque-se no lugar do pobre: durma no chão: um dos objetivos de jejuar é nos lembrar da condição do pobre, especialmente daqueles que não tem o necessário para as necessidades básicas da vida. Seus filhos podem destacar esse elemento ao abrir mão de algo que simbolize uma necessidade básica que o outro pode não ter. Por exemplo:
- dormir no chão, e não na cama, para praticar a solidariedade com aqueles que não tem casa
- beber apenas água e leite, em solidariedade com aqueles que não tem água limpa para beber
- não comprar nada para si mesmo (exceto o que seja estritamente necessário), em solidariedade com aqueles que devem viver com menos de R$ 5,00 por dia
olidariedade com aqueles que devem viver com menos de R$ 5,00 por dia
8. Abra mão de seu cabelo: o que você faz com seu cabelo é uma expressão de sua identidade, por isso muitas histórias da Bíblia (como a de Sansão) e da vida de santos (como de Sta. Clara de Assis) envolvem o cabelo. Se o cabelo for muito importante para os adolescentes, eles podem considerar abrir mão dele na Quaresma. Uma ideia é doar para o Cabelegria (http://www.cabelegria.com.br/), uma ONG que faz perucas para crianças e mulheres com câncer.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

EDUCANDO ADOLESCENTES: DESENVOLVER UMA SEPARAÇÃO RESPEITOSA DA MÃE E DO PAI



Cada etapa da educação dos filhos é um novo desafio e exige dos pais flexibilidade e sabedoria para continuar sempre proporcionando aos filhos oportunidades de desenvolver suas potencialidades para ser um ser humano feliz e capaz de servir a comunidade.

Hoje falaremos sobre maneiras de tratar da necessidade de independência do adolescente. Seu adolescente pode estar esperando para sair no mundo e testar a si mesmo. Em geral, isto deve ser encorajado e ativamente apoiado, enquanto seu filho fizer uso destas experiências para construir blocos para sua própria identidade. Mas apesar do empurrão do adolescente para a independência, seria um erro pensar que os adolescentes não precisam mais da mãe e do pai. De fato, eles precisam de nós mais do que nunca. De uma maneira diferente, talvez, mas tanto quanto antes.

Acreditamos que existem algumas atividades que deveriam ser sacrossantas em todo lar católico, especialmente um lar com um adolescente ou pré-adolescente. (Por sacrossanto queremos dizer que nenhum membro da família deveria ter a opção de não praticar estas atividades, apesar que convidados podem eventualmente ser bem vindos)
(a) refeição em família
(b) dia em família
(c) missa semanal e oração diária

A primeira é refeição em família. Todos os dias, precisamos ter pelo menos uma refeição juntos - preferencialmente o jantar - quando podemos nos conectar. Nós sabemos que isto está cada vez mais difícil neste mundo ocupado, mas se não podemos ficar juntos como família por quarenta e cinco minutos para o jantar, então provavelmente nossa família é muito ocupada. Atividades como trabalho, esportes e clubes são para adicionar vida à família, não competir com ela. Se permitirmos que atividades externas espremam nosso tempo com a família, estamos passando a mensagem a nossos filhos que a vida familiar deve ser colocada no fim das prioridades. Esta é uma lição que seu filho definitivamente carregará para seu próprio matrimônio. Lembre-se, para o católico, não há atividade mais importante do que aprender a amar, e isto é feito melhor em família, a qual a Igreja chama de "escola de amor".

A segunda coisa que recomendamos é possuir um dia por semana que é reservado especificamente para atividades da família. Como João Paulo II observou em seu documento sobre o Dia do Senhor (Dias Domini), estes dias são importantes porque eles dão à família tempo para brincarem juntos e se reconectarem antes de retornarem ao dia-a-dia da semana. Ocasionalmente, os pais poderão dar permissão para que os amigos de seus filhos participem deste dia, mas deve estar claro e entendido que seu filho não poderá passar o dia excluindo os membros da família para que ele possa ficar com seu amigo exclusivamente. Se seu filho reclamar, lembre-o de que existem outros seis dias na semana durante os quais ele pode estar com outros. Seu filho ou filha não tem que sempre amar estes dias em família, mas eles devem ser considerados - pelo menos - como uma obrigação importante e uma oportunidade para o adolescente desafiar seu próprio egoísmo e lembrar de onde ele veio.

A última, mas mais importante recomendação é que as famílias devam participar da missa dominical juntas e engajar algum tipo de tempo de oração diária além das orações nas refeições. Se atividades externas atrapalham a família a participar da missa dominical junta, estas atividades devem ser contornadas para que todos possam participar juntos ou devem ser excluídas. Devemos lembrar que a Eucaristia não é "fast food" que você pega a caminho de alguma outra coisa. É uma refeição familiar - para ser dividido com sua carne e osso, bem como com seus irmãos e irmãs espirituais. Se a Real Presença na Eucaristia não é declarada como o centro da vida espiritual da nossa família, então nossa família simplesmente está brincando de ser católica. Claro que amigos serão sempre bem vindos a acompanhar nossa família para a Igreja, mas amigos e outras atividades não devem afastá-los de participar da missa juntos. Da mesma forma, quando buscamos tempo para uma oração diária familiar e oração individual, ensinamos a nossos filhos que a fé não é algo que se aplica apenas aos domingos.

Ao assentar estas três como as três atividades essenciais que seu adolescente deve participar (algumas vezes quer ele queira ou não - mas frequentemente quando eles chegam lá eles gostam) ajudaremos nosso adolescente a se manter grudado no amor pela família. Isto também diminuirá as chances de ele se engajar em comportamentos que precise de mais punição de nossa parte. Muitas vezes o castigo é geralmente usado como estratégia pelos adolescentes para ter mais tempo com a família quando percebem que são ameaçados por forças externas ou a optar por atividades que eles não tem certeza que conseguem lidar. Afirmar a importância da vida familiar oferece uma maneira mais direta e respeitosa de suprir suas necessidades. E mais, isto nos dá o benefício de se manter em contato com a vida do nosso adolescente, algo que pode ser muito difícil de fazer em uma semana boa, menos ainda em uma semana que você não teve nem tempo de dizer "oi" um ao outro.

O quanto antes introduzirmos estes rituais na fábrica de sua vida familiar, é menos provável que o adolescente resistirá a eles. Mas se você está começando tardiamente, você ainda deve decretar estas intervenções. Você apenas precisará de mais coragem para vê-las se tornar realidade. Não desista. O esforço valerá a pena.

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/40215657@N03/19284874760">4th of July 2015</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ELABORANDO A DECLARAÇÃO PESSOAL DE IDENTIDADE DE SEU FILHO

Este post foi inspirado pelo livro Parenting with Grace, de Gregory Popcak.

O que você quer ser quando crescer? Fazemos muitas vezes este tipo de pergunta para nossos filhos procurando saber qual profissão eles são chamados a seguir. Como pais, nos preocupamos em dar um bom estudo para que eles possam seguir a carreira que desejarem e assim serem felizes. Mas será que pensamos também no tipo de pessoa eles querem ser quando crescerem? Quais as virtudes que eles acham importante seguir em suas vidas?
Possuir uma Declaração Pessoal de Identidade é ter um caminho a seguir, uma direção segura para se tornar o tipo de pessoas que desejamos ser. Para isso, existe um exercício que pode ser feito com cada filho, a partir até da pré-adolescência, que ajudará seu filho a ter um propósito mais definido em sua vida.

Comece um diálogo com seu filho sobre "Que tipo de pessoa você gostaria de ser quando crescer?" Dê a seu adolescente uma lista de virtudes cristãs e pergunte a ele quais destas são mais importantes. Pode perguntar também como ele gostaria de ser lembrado depois que morresse.

Exemplo de virtudes: altruísmo, gentileza, moderação, confiabilidade, assertividade, graça, modéstia, vitalidade, benevolência, gratidão, franqueza, sabedoria, cuidado, generosidade, paciência, admiração, castidade, honestidade, piedade, zelo, compromisso, honra, prudência, compaixão, humildade, pureza, confiança, humor, objetividade, criatividade, idealismo, desenvoltura, confiança, integridade, respeito, devoção, assiduidade, responsabilidade, diligência, alegria, reverência, disciplina, justiça, abnegação, empatia, generosidade, sobriedade, entusiasmo, lealdade, espontaneidade, fé, magnanimidade, tato, indulgência, misericórdia, temperança, amor, hospitalidade, compreensão, bondade, fortaleza, temor de Deus, santidade, serviço.

Peça que escolha entre 3 ou 4 destas virtudes para serem colocadas em prática na sua vida. Então peça que elabore um propósito para cada virtude escolhida. Por exemplo, se escolheu a virtude do serviço, este propósito poderia ser perguntar, ao menos uma vez ao dia, para algum membro da família, como ele pode ajudá-lo. Ou se a virtude for honestidade, o propósito poderia ser procurar falar sempre a verdade, etc.

Depois, elabore um documento, mais ou menos nestes termos:
Eu, _______________ (nome do adolescente), com a ajuda de Deus, eu irei passar a minha vida buscando as seguintes virtudes: ______ (enumerar as virtudes). Eu me comprometo a praticar estas virtudes fazendo as seguintes escolhas no dia-a-dia (listar os propósitos):
Data e assinatura do adolescente.

Este documento pode ser emoldurado ou colado na porta do guarda roupa de seu filho ou no lugar que ele achar melhor. O objetivo é que ele seja lido regularmente.

ADVERTÊNCIAS: esta conversa com seu filho deve ser feita com calma e não precisa ser de uma só vez. Dê-lhe tempo para refletir sobre cada uma das virtudes. Dê oportunidade para que ele pergunte o que significa cada uma delas. Ele é quem tem que escolher estas virtudes, não você. De maneira alguma critique as virtudes escolhidas. Nunca em uma discussão "jogue na cara" essa declaração; a reflexão sobre estas virtudes deve sempre ser feita em um momento de tranquilidade.

Depois que tiver elaborado essa Declaração de Identidade, pode continuar a conversa com ele perguntado a seu adolescente o que pode significar viver estas virtudes diariamente. Por exemplo, quais atividades (trabalhos na escola, igreja, grupo de jovens, oração pessoal, etc) estas virtudes podem requisitar que ele faça? Quais circunstâncias (algumas festas, moda, namoro) estas virtudes podem obrigá-lo a evitar?

Para os pais, o benefício real em ajudar seu adolescente a desenvolver sua própria declaração de identidade é que torna a disciplina muito mais fácil - não magicamente simples, como possa pensar - mas significativamente mais fácil. Como? Bem, uma vez que seu adolescente tenha identificado as virtudes, valores e ideais espirituais que ele deseja perseguir em sua própria vida, você pode simplesmente se referir a sua declaração de identidade quando ele pedir sua permissão para se engajar em atividades questionáveis. "Fazer isso o tornará uma pessoa mais (coloque aqui a virtude) ou menos?"

Usar este exercício nos permite ser muito mais diretos e até desafiantes como conselheiros do que poderíamos ser de outra forma, porque "nós apenas estamos mostrando isso, porque você disse que queria ser um pessoa (coloque aqui a virtude) e claramente, esta escolha não fará de você este tipo de pessoa. Parece que você tem uma escolha a fazer." Nós podemos ser francamente chatos se necessário, mas a coisa mais incrível é o jovem não se ressentirá conosco por isso, porque ele sabe que nós apenas estamos pregando suas próprias palavras de volta para ele. Ele não pode se ressentir conosco sem ressentir-se de si mesmo. E então, muitas vezes relutantemente, ele começa a ver a sabedoria e benefício de fazer escolhas mais saudáveis e mais amorosas.


Um adolescente é, na maioria, muito velho para dizermos o que deve fazer, mas muito jovem para ser deixado sozinho. Enquanto ainda haverá vezes que você deverá educá-lo por uma "decisão executiva" (não pode porque eu não quero), ajudar seu adolescente a permanecer fiel a sua própria declaração de identidade é, em geral, uma maneira mais respeitosa de motivá-lo a fazer escolhas saudáveis e respeitáveis. E mais tarde, o ajudará a descobrir seu Ideal Pessoal, que é a ideia que Deus teve sobre ele desde toda a eternidade; o motivo para o qual foi criado e a missão que tem cumprir aqui na Terra.

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/59521823@N00/2315629800">with walls of the purest white</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>