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segunda-feira, 16 de outubro de 2023

ONDE SUA RAIZ ESTÁ PLANTADA?

 



A função da raiz numa planta é fixá-la no solo e absorver água e outros nutrientes, sendo essencial para a vida da planta. A raiz fica normalmente escondida embaixo da terra e quanto maior é a árvore, mais profunda está sua raiz.

O ser humano também cultiva sua raiz, não de forma biológica como as plantas, mas de forma espiritual, emocional, intelectual. Nós também precisamos de nossas raízes para nos estabelecermos na vida e nos abastecermos para enfrentarmos as diferentes dificuldades que a vida nos traz. Então a questão é: onde a sua raiz está plantada? Onde está o alicerce da sua vida, o local de onde você retira os nutrientes para sustentar seu espírito e produzir fruto?

O primeiro local onde começamos a crescer nossas raízes é no seio de nossa família. O amor e o cuidado que recebemos durante os anos de infância estimula o crescimento e o fortalecimento de nossa vida espiritual e emocional. Se tivemos algum tipo de trauma ou negligência nesses primeiros anos de nossa vida, nossas raízes já ficam prejudicadas. Mas sempre é possível replantá-las num lugar onde possam crescer e nos ajudar a dar fruto.

Nos anos da adolescência, onde começamos a refletir sobre quem somos e o que queremos ser, ficamos desorientados e corremos o risco de fixarmos nossas raízes em solo pedregoso, aquele da busca do prazer e da satisfação imediata. Quem tem raiz em solo desse tipo, não suporta a menor adversidade: o sol forte pode queimar e um vento mais forte pode arrancar.

O único solo onde estaremos verdadeiramente seguros e de onde podemos extrair os nutrientes necessários para termos uma vida emocional e espiritual saudável e fecunda é o amor de Deus. Saber que somos infinitamente amados, que fomos desejados, que temos uma missão para cumprir, que devemos dar frutos de amor, de justiça, de paz, de misericórdia. Isso tudo se torna verdade quando nossas raízes estão fixadas no amor infinito do Pai.

Mas como transplantar nossas raízes para esse solo fecundo? O primeiro passo é o querer, é o desejo de estar enraizado em Deus. Depois precisamos nos livrar de todo pecado grave, através do sacramento da Reconciliação. Lutar para permanecer em estado de graça, mas se cair, levantar-se e correr para os braços misericordiosos do Pai que nos espera no confessionário. Fortalecer esse desejo de estar no Pai através da eucaristia, o mais frequente que pudermos. Quanto mais recebermos Jesus que está realmente presente na sagrada Eucaristia, mais nos enraizaremos no amor do Pai.

E por fim, a oração, o contato direto do nosso coração com o coração do Pai. Rezar é conversar com Deus, da mesma forma que conversamos com quem amamos. Com simplicidade, com intimidade, com reverência e profunda gratidão. Deus é uma pessoa que está constantemente tentando entrar em contato conosco, através das coisas, da natureza, das pessoas e dos acontecimentos diários de nossa vida. Se pararmos para prestar atenção, é possível perceber esses sinais e responder esse chamado de amor com nossa oração.

Peçamos ao nosso anjo da guarda, a criatura que mais nos ama nesse mundo, com amor totalmente incondicional que só quer a nossa salvação, que nos ajude a aprofundarmos nossas raízes no amor do Pai, para que cresçamos fortes e produzamos abundantes frutos. 


Foto de Jeremy Bishop na Unsplash

quinta-feira, 31 de março de 2022

JESUS ME PREGOU UMA PEÇA


 

Um testemunho e convite a fazer adoração ao Santíssimo Sacramento

Na época da minha juventude, acreditava que a adoração eucarística era feita somente pelas freiras, aquelas que viviam na clausura. Eu frequentava o Santuário de Schoenstatt e rezava ali com Jesus no Sacrário, falava com a Mãe de Deus, mas não entendia aquela oração como verdadeira adoração.

Os anos foram passando e comecei a entender um pouco da importância da adoração. Ganhei uma oração chamada “15 minutos diante do Santíssimo Sacramento” (desconheço a autoria) e passei a tentar, pelo menos uma vez por mês, ficar diante do Santíssimo, fazer essa oração e um pouco de meditação.

Passaram vários anos e muitas vezes não cumpri esse propósito de fazer a adoração mensalmente. Mas parece que Jesus continuava me chamando. Em 2018 ganhei um livro chamado “Flores da Eucaristia”, de S. Pedro Julião Eymard, contendo meditações para cada dia do ano, falando sobre o Santíssimo Sacramento.

Necessidade de adoração

Ao ler essas palavras, entendi melhor a necessidade de adoração:

“Adorar é partilhar a vida de Maria sobre a Terra quando adorava o Verbo Encarnado em seu próprio seio virginal, e quando O adorava no presépio, na Cruz, na Divina Eucaristia. Adorar é partilhar a vida das grandes almas, cuja felicidade nesse mundo consistia em permanecer aos pés do Tabernáculo para adorar o Deus aí oculto e render-Lhe toda glória, todo amor de que eram capazes (...) Adorar é partilhar a vida dos Santos do Céu, onde eternamente louvam e bendizem o amor, a bondade, o poder, a glória, a divindade do Cordeiro imolado pela salvação dos homens e pela maior glória de Deus seu Pai. Que felicidade começar na Terra o que faremos por toda eternidade aos pés do trono de Deus! Que ventura fazer parte da coorte eucarística de Jesus Cristo neste mundo, conviver com sua Adorável Pessoa, constituir-Lhe uma guarda de honra, viver desde já uma vida celeste! Adorar é o ato soberano da virtude de religião, e que, por si só, substitui os outros todos, porque possui o valor de todos, e de todos é o fim.” (meditação do dia 10 de setembro)

Então, comecei a tentar fazer adoração uma vez por semana, por uma hora. Ficou claro para mim que se meu desejo é passar a eternidade com Jesus no Céu, tem lógica eu passar um tempo com ele diante do Sacrário. Ouvi dizer também que essa hora é entendida como aquela hora no Horto das Oliveiras, onde os apóstolos dormiram e não conseguiram rezar com Jesus. Então, fazemos esse tempo de adoração nos colocando junto a Jesus em seu momento de agonia. No começo, exigia um certo sacrifício para cumprir esse propósito, mas depois, era uma hora que eu ansiava por ficar junto a Jesus, que está prisioneiro no Sacrário.

Visitas diárias a Jesus Sacramentado

Bom, passado mais um tempo em que a adoração semanal se tornou para mim uma agradável prática, senti o chamado a todos os dias passar alguns minutos diante do sacrário. Como tenho o privilégio de morar a poucas quadras da minha paróquia, era fácil passar todos os dias lá e falar um “oi” pra Jesus. Era só isso mesmo: entrava na Igreja, ia até o Sacrário, ajoelhava, falava “oi”, as vezes rezava alguma coisa e logo ia embora. Não durava nem 5 minutos. Apenas uma vez por semana que passava a hora toda com Jesus.

Com todos os compromissos que tinha, marido, casa, filhos, apostolado, para mim já estava no limite, afinal, não era uma freira enclausurada, simplesmente era impossível passar mais tempo com Jesus eucarístico. Nessa época também já participava das missas diárias, então, no meu ponto de vista, já era o suficiente.

E aí veio a pandemia... Quanta saudade eu senti de poder fazer adoração e de receber a santa eucaristia! Por graça de Deus, alguns sacerdotes piedosos as vezes expunham o Santíssimo Sacramento em algum local e eu podia fazer um pouco de adoração. Tivemos também a graça de poder participar de algumas missas dominicais nesse tempo tão difícil do fechamento das igrejas.

Jesus me pregou uma peça!

Em julho de 2020, uma amiga me falou que em uma paróquia perto da minha casa, Jesus Eucarístico estava exposto durante todo o dia e todos os dias da semana e ela estava organizando uma escala para Jesus não ficar nenhum momento sozinho. Claro que aceitei fazer parte dessa equipe de adoradores e passei a ir todos os dias na igreja passar uma hora com meu Senhor e Salvador.

Passados dois meses, o pároco decidiu voltar Jesus para o sacrário, então não seria mais necessária nossa equipe de adoradores. Foi então que percebi que Jesus havia me pregado uma peça! Depois de todo esse tempo indo todos os dias, inclusive nos fins de semana, passar essa hora juntos, como que agora eu poderia falar que não era possível? Que não dava certo? Que não tinha tempo?

Além disso, vi que minha intimidade com Jesus havia crescido muito nesse tempo, então, não tive como parar. Atualmente só nos fins de semana que não faço a hora toda, para não tirar muito tempo do convívio familiar, mas sigo firme visitando Jesus todos os dias.

Assim, convido a todos a fazer essa experiência de passar um pouco de tempo com Jesus diante do Sacrário. Sei bem que cada um tem a sua realidade, seus compromissos, mas vale a pena fazer um pouco de esforço para ficar com Jesus. E se os seus horários são incompatíveis com os horários em que a igreja está aberta, é possível também fazer uma adoração espiritual. Existem lugares em que o Santíssimo fica exposto 24h por dia e há transmissão por Youtube (esse aqui é na Polônia https://www.youtube.com/watch?v=QVpT2mBq5Zk). Você pode visitar espiritualmente esse sacrário e fazer seu momento de adoração.

Encerro com mais algumas palavras de S. Pedro Julião Eymard:

“Admirai os sacrifícios que Jesus se impõe a Si mesmo em seu estado sacramental: oculta sua glória divina e corporal a fim de não vos amedrontar e ofuscar – oculta sua majestade para que não temais vos acercar dEle e Lhe falar como um amigo a seu amigo – retém o seu poder a fim de não vos atemorizar ou vos punir – não vos mostra a perfeição de suas virtudes para não desanimar vossa fraqueza – modera mesmo o ardor de seu Coração e de seu amor para convosco, visto que não lhe poderíeis suportar a força e a ternura – deixa-vos entrever tão somente a sua bondade que transluz e se escapa através das santas espécies como os raios do sol por entre a nuvem diáfana. Oh! Quanto Jesus Sacramentado é bom! Está disposto a vos receber a toda hora do dia e da noite, pois seu amor não conhece repouso, está sempre cheio de doçura para convosco. Esquece os vossos pecados, as vossas imperfeições, quando ides visitá-Lo, e vos fala somente de sua alegria, de sua ternura, de seu amor. Ao receber-vos, dar-se-ia que tem necessidade de vós para ser feliz.” (meditação do dia 23 de setembro)

 

Photo by Łukasz Dańczak on Unsplash

quarta-feira, 2 de junho de 2021

A SANTA MISSA: UMA MÁQUINA DO TEMPO

 



Nestes tempos de pandemia, onde muitos de nós fomos privados de participar da Santa Missa e outros, infelizmente, já se acostumaram com a “missa virtual”, gostaria de lembrar o que realmente acontece nesse momento tão especial, de acordo com a doutrina da Igreja.   

A Santa Missa pode ser dividida em duas grandes partes: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, tendo como seu ápice a transubstanciação, quando o pão se torna corpo e o vinho se torna o sangue de Jesus Cristo e onde somos convidados a comungarmos desse corpo, sangue alma e divindade de Jesus, tornando-nos uma só carne com ele, nosso divino Salvador.

Gostaria de focar nossa reflexão sobre a liturgia eucarística. Assim que que ela começa e o sacerdote nos convida a elevar nossos corações, tem início à chamada “comunhão dos santos”, ou seja, a união da Igreja Militante (nós que estamos ainda aqui nesta terra), a Igreja Padecente (as almas que estão no Purgatório) e a Igreja Triunfante (as almas, os santos que já estão no Céu).

Quando respondemos: “o nosso coração está em Deus”, é como se o Céu se abrisse e nós nos transportássemos até lá, para depois nos unir aos anjos e santos para louvar a Deus, cantando ou dizendo: Santo, santo, santo...

Logo depois, o sacerdote inicia a oração eucarística, pedindo ao Pai, que santifique as oferendas do pão e do vinho que estão no altar e que irão se transformar no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo, com a força do Espírito Santo. Nesse momento, ao ouvir a sineta, os fiéis se ajoelham e são transportados no tempo, para o local e o momento da Última Ceia. Apesar de nossos sentidos não perceberem, acontece essa verdadeira “viagem no tempo” e, a partir daquele momento, o sacerdote já não é mais ele, mas sim o próprio Jesus e todos os participantes estão realmente presentes naquele momento sagrado.

Quando Jesus, utilizando-se da voz do sacerdote, diz “Isto é o meu Corpo”, a hóstia se transforma realmente no Corpo de Jesus e então já não estamos mais na Última Ceia, mas sim aos pés da Cruz no Calvário. Nesse momento, somos testemunhas do sacrifício de amor infinito que Jesus fez por cada um de nós, morrendo na Cruz.

Se prestarmos atenção nos gestos do sacerdote/Jesus poderemos captar um pouco mais da beleza infinita desse momento. Da mesma forma que Jesus, na cruz, primeiro inclinou a cabeça e depois, entregou seu espírito, dando seu último suspiro (Jo 18,1), o sacerdote primeiro se inclina sobre a hóstia e depois pronuncia as palavras da consagração, sendo o suspiro do sacerdote o mesmo suspiro de Jesus, transformando a hóstia em Corpo e o vinho em Sangue.

É importante salientar que na cruz, o sacrifício foi consumado pelo sangue sendo separado do corpo de Cristo fisicamente, quando o soldado usou a lança e abriu uma chaga no lado de Jesus, de onde jorraram sangue e água. Na Santa Missa, o sacrifício é consumado pelo sangue sendo separado do corpo de Cristo sacramentalmente, por isso são consagrados separadamente, primeiro o corpo, depois o sangue.

O Céu, a terra e o purgatório nesse momento estão unidos, testemunhando esse gesto de amor incomparável que redimiu toda a humanidade. O sacrifício do Filho, ao Pai, com a presença do Espírito Santo, a Trindade derramando torrentes de amor sobre toda a humanidade. É um momento tão sublime, que se pudéssemos captar algo com nossos sentidos, como alguns santos puderam, não poderíamos parar de chorar. 

A liturgia segue com as orações pelos fiéis presentes, pelos fiéis defuntos, pela Santa Igreja e seus ministros e para que todos, possam, um dia, participar da vida eterna com todos os anjos e santos que continuam ainda ali presentes, louvando e glorificando a Santíssima Trindade.

Chega então o momento mais esperado, quando cada um de nós é convidado a participarmos desse sacrifício de amor, a nos unirmos intimamente com Jesus, tornando-nos um só corpo com Ele. É um mistério insondável como o próprio Deus quis se unir dessa forma conosco, suas criaturas pecadoras. Ele se deu inteiramente a nós, sem reserva, e o melhor que podemos fazer para retribuir tamanha graça, é nos entregarmos inteiramente a Ele.

Esse momento tão sublime deve ser seguido de uma profunda ação de graças por parte de cada um de nós. Aproximadamente nos próximos 15 minutos depois que comungamos, Jesus está ali fisicamente conosco, então devemos aproveitar ao máximo essa presença, nos entregando a ele, agradecendo por esse momento e fazendo nossos pedidos, principalmente o de sermos filhos fiéis e amorosos.  

Vejamos o que nos falam alguns santos sobre a Santa Missa:

“Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece em ouvir devotamente uma só Missa do que distribuir todas as riquezas aos pobres e a peregrinar toda a terra” S. Bernardo

“Nosso Senhor nos concede tudo o que lhe pedimos na Santa Missa: e o que mais vale é que nos dá ainda o que nem sequer cogitamos pedir-lhe e que, entretanto, nos é necessário” S. Jerônimo

“Se conhecêssemos o valor do Santo Sacrifício da Missa que zelo não teríamos em assistir a ela!” S. Cura D´Ars

O Maravilhoso Valor da Santa Missa

“Na hora da morte, as Missas que houveres assistido serão a tua maior consolação. Toda Missa implora o teu perdão junto da justiça divina. Em toda Missa, podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados, e diminuí-la mais ou menos consoante o teu fervor. Assistindo com devoção à Missa, prestas a maior das honras à santa humanidade de Jesus Cristo. Ele compadece-se de muitas das tuas negligências e omissões. Perdoa-te os pecados veniais não confessados, dos quais, porém, te arrependeste. Diminui o império de Satanás sobre ti. Sufraga as almas do purgatório da melhor maneira possível. A missa preserva-te de muitos perigos e desgraças que te abateriam. Toda Missa diminui o teu purgatório. Toda Missa alcança-te um grau de glória maior no céu. Na Missa, recebes a bênção do sacerdote, a qual Nosso Senhor ratifica no céu. És abençoado em teus negócios e interesses pessoais. (livro As 15 Orações de Santa Brigida)

Depois de refletir sobre o valor da Santa Missa, que compromisso mais importante do que esse você pode ter no seu dia? Vamos nos esforçar para participarmos o mais frequente possível da Santa Missa, lembrando que a chamada “missa virtual” não se equipara à missa presencial, sendo apenas um momento de oração e não tendo o poder de nos transportar ao Calvário, como acontece quando estamos fisicamente presentes junto ao sacerdote.


quinta-feira, 8 de abril de 2021

JESUS CAMINHAVA COM ELES, MAS NÃO O RECONHECERAM


Shaojie on Unsplash 

"Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram." (Lc 24, 13-16)

Esse é o trecho que dá início à passagem bíblica dos discípulos de Emaús, narrando uma das aparições de Jesus depois da ressurreição. O que eu gostaria de destacar desse trecho foi comentado por um sacerdote numa homilia e diz respeito justamente ao fato de os discípulos estarem discutindo e não reconhecerem Jesus.

Isso acontece frequentemente em nossas vidas. Andamos preocupados, são muitas tarefas para realizar, decisões para tomar, conversamos com um e com outro e não percebemos que Jesus está ali, ao nosso lado, querendo nos ajudar e só esperando uma oportunidade para falar conosco, para mostrar sua presença.

Mas como podemos reconhecer a presença de Jesus em nossa vida cotidiana? O primeiro passo é a busca frequente dos sacramentos da Confissão e da Eucaristia. A Igreja nos ensina que Jesus está presente realmente, com seu corpo, sangue, alma e divindade na Sagrada Eucaristia e, quando comungamos, ele se torna uma só carne conosco. Se permitirmos e se pedirmos, ele aos poucos vai transformando nossa vida a partir de dentro do nosso coração. Para quem ainda tem alguma dúvida da presença real de Jesus na Eucaristia, eu sugiro que pesquisem sobre os vários milagres eucarísticos acontecidos ao longo dos séculos, em especial o milagre eucarístico de Lanciano, na Itália, onde, por misericórdia e para aumentar a nossa fé, Jesus mostrou que ali, na hóstia consagrada, estão presentes carne e sangue humanos. Um site interessante sobre esse tema foi elaborado pelo Beato Carlo Acutis e aqui está o link.

A Confissão é outro sacramento onde nos encontramos diretamente com Jesus, que está ali, “disfarçado” de sacerdote e deseja perdoar nossos pecados, lavar a nossa culpa e nos deixar mais leves para seguir nosso caminho rumo ao Céu. Assim, a Confissão e a Eucaristia são os primeiros locais onde podemos nos encontrar frequentemente com Jesus e pedir sua graça para nos orientar em nossas decisões do dia a dia.

Além dos sacramentos, devemos procurar Jesus em nossa vida diária, através do exercício da meditação, que nos ajuda a perceber onde e como ele se comunica conosco em nosso dia a dia. Ao percebemos o quanto Deus se esforça para se fazer presente na nossa vida, o quanto ele cuida, com muito amor de cada um de nós, nosso amor por ele cresce e dá frutos. Assim, o objetivo da meditação não é conhecer mais, mas AMAR mais.

Deus está sempre tentando se comunicar conosco, mas muitas vezes não conseguimos escutar a sua voz. Ele nos fala através dos acontecimentos, não só na nossa própria vida, mas todos os acontecimentos da história, no mundo inteiro. Ele deseja que sejamos seus cooperadores livres para construir a história conosco. Devemos buscar interpretar esses sinais através dos quais Deus nos fala. Guiados pela luz da fé, devemos tentar entendê-los, aprendendo a distinguir sua voz.

Assim, precisamos nos conscientizar da importância de fazer nossa meditação diária, esse momento de encontro com o Deus da minha vida. Para começar, pode ser apenas 15 minutos, onde nos conectamos com Deus através da oração, pedindo ao Espírito Santo e ao nosso anjo da guarda que nos ajude a ver e entender o que Deus quer falar conosco naquele dia. Escolhemos um acontecimento daquele dia ou do dia anterior e nos perguntamos: o que Deus quis falar para mim com esse acontecimento? O que eu digo a mim mesmo? O que respondo a Deus?

Essa atitude simples pode transformar a sua vida. Você pode anotar em um caderno as respostas diárias a essas perguntas simples e, depois de um tempo, ler novamente para agradecer todas as maravilhas que Deus opera em sua vida e que estavam passando desapercebidas. E, como um “bônus”, verá que tomar decisões no mundo material ficará muito mais fácil depois de ter um relacionamento mais íntimo com o mundo sobrenatural.

Viver dessa forma, consciente da presença amorosa e atuante de Jesus em nossas vidas, nos transformará em pessoas mais pacientes, mais amorosas, mais atentas às necessidades dos outros, pois Jesus também está presente no meu irmão. “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 25,40)

Peçamos a Jesus que caminhe sempre conosco e que possamos sentir sua ação em nossa história.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

OS PILARES PARA A NOSSA SALVAÇÃO

Não há nada mais importante em nossa vida do que cuidar da salvação de nossa alma. Sabemos que tudo nessa vida passa e que só a nossa alma é eterna, então cuidar do lugar onde passaremos a eternidade deve ser nossa prioridade.

O Céu pode ser definido como uma união completa com Deus, nosso Criador, que é Amor. Então, para um dia estarmos unidos ao Amor, precisamos procurar, ainda aqui nessa vida, um pouco dessa união. Para isso, a Igreja, nossa Mãe e que deseja que todos os seus filhos sejam salvos, oferece todos os meios necessários para que isso seja possível.

Além dos requisitos essenciais (ser batizado e ter fé), existem três pilares sobre os quais a nossa salvação se sustenta: a oração, a confissão e a eucaristia. Sem eles, a união total com o Amor na eternidade é muito difícil, ou praticamente impossível.

A oração é o diálogo pessoal com Deus. Não é possível passar a eternidade com uma pessoa com quem nunca conversamos, ou falamos muito pouco, ou ainda só falamos quando precisamos de alguma coisa. Para nos unirmos a Deus, precisamos procurar conhecê-lo, ver sua atuação em nossa vida e para isso que serve a oração. Existem muitas formas de rezar, mas a mais propícia para esse encontro com o Deus da minha vida é a oração meditativa.

São várias as técnicas para uma boa meditação e a vida dos santos está repleta delas. A que sugiro aqui é uma ensinada pelo Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Ele ensina que devemos saborear os acontecimentos da nossa vida, tentando enxergar a mão de Deus em cada coisa que nos acontece, tanto as boas como as que não são agradáveis.

Para isso, precisamos reservar algum tempo do nosso dia (no mínimo 15 minutos) onde nos colocamos em um lugar calmo, pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos ajude a encontrar com o Pai e escolhemos um acontecimento do dia anterior para meditarmos. Em vista desse fato, fazemos três perguntas: 1) O que Deus quer me dizer com isso? 2) o que eu digo a mim mesmo? 3) O que respondo a Deus?

A resposta a essas perguntas nos ajuda a enxergar a divina providência em nossa vida. O objetivo principal da meditação é conhecer para amar. Se conseguimos ver Deus por trás desses acontecimentos, vemos como Ele cuida de nós com amor infinito e assim, conseguimos também responder a esse amor. Só ama quem se sente primeiro amado. E Deus nos amou primeiro!

Outro pilar para a nossa salvação é o sacramento da confissão. O pecado nos afasta de Deus, pois escolhemos a satisfação de um desejo que nos faz mal, ao invés de permanecermos fiéis aos ensinamentos de nosso Pai. Assim, a confissão nos reconcilia com Deus, retoma o estado de amizade que o pecado havia desfeito. Devemos recorrer a esse sacramento com a maior frequência possível, mesmo que não tenhamos pecado gravemente, pois ele também nos ajuda a crescer em santidade, nos dando forças para resistirmos às tentações.

Por fim temos o mais importante, o mais sublime ato de amor que Deus poderia ter feito: a eucaristia. Na Sagrada Comunhão Deus se dá a si mesmo como alimento, para se unir a nós e se tornar uma só carne conosco! Nossa inteligência é muito limitada para entender a grandeza da eucaristia e nossa fé também é muito fraca. Quem realmente tem um pequeno vislumbre dessa maravilha, não quer passar um dia sequer sem receber Jesus Eucarístico.

Receber a eucaristia é já possuir o Céu aqui na terra. É unir-se a Jesus da maneira mais perfeita possível que podemos ainda nesse mundo. Durante os cerca de quinze minutos que a sagrada espécie está em nosso corpo, mesmo que nossos sentidos não percebam, somos um com Deus, como seremos um dia na eternidade. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20). A forma pela qual Jesus cumpre essa promessa é através da sua Real Presença do Santíssimo Sacramento.

Assim, para chegarmos um dia ao Céu, precisamos buscar incessantemente a santidade, que consiste basicamente em aprendermos a amar para podermos nos unir ao Amor. Para isso, precisamos, pouco a pouco, acabar com o nosso egoísmo que nos aprisiona em nossos desejos, buscando uma maior vinculação a Deus, procurando amá-lo cada dia mais e provando nosso amor saindo de nós mesmos para nos entregar ao serviço do outro.

photo credit: Tom Van de Peer <a href="http://www.flickr.com/photos/110112922@N02/40175277705">Laon Cathedral France</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/">(license)</a>

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A IMPORTÂNCIA DE CULTIVAR A ALEGRIA


Todos nós buscamos a alegria. A alegria é um anseio profundo de nossa alma, então precisamos aprender a encontrá-la e a cultivá-la. Um lar alegre é um ambiente onde as virtudes podem se desenvolver e frutificar.

Existem diferentes tipos de alegria. A alegria como sentimento aparece quando alcançamos aquilo que desejamos. Porém, como todo sentimento, ela é passageira e quando vai embora, deixa uma certa nostalgia na alma. Precisamos ter cuidado com esse tipo de alegria para não se tornar um vício, um buscar o sentimento a qualquer custo, pois senão será uma fonte de amargura e desilusão. 

A alegria como sentimento pela posse de um bem será mais nobre e duradoura de acordo com o tipo de bem que almejamos. O bem maior que podemos desejar é ser amado e querido, assim a maior alegria é saber que se é amado e querido.

Outro tipo de alegria é aquela que obtemos pela convicção de termos cumprido bem o nosso dever. Quando nos esforçamos para fazer bem a nossa obrigação, possuímos uma alegria mais estável, que não vai embora tão facilmente. Mesmo se estamos exaustos, ou se estamos sofrendo, mas cumprindo nosso dever, temos em nossa alma essa alegria, esse sentido de que todo esforço vale a pena.

Além do sentimento pela posse de um bem e da convicção do dever cumprido, a alegria ainda é uma atitude. Podemos escolher ter uma atitude alegre, independente do que está acontecendo em nossa vida. Podemos dar essa alegria a quem amamos, mesmo se não estamos nos sentindo bem. Essa atitude de alegria é uma demonstração do domínio de si mesmo. E não existe maior alegria que podemos experimentar do que a do autodomínio, de saber que não é escravo das paixões, dos sentimentos, das vontades, do humor.

Devemos lutar muito para conseguirmos ter esse tipo de alegria, de poder dar um sorriso a todos que se encontram conosco, independente de como nos sentimos. Isso é uma grande prova de amor ao próximo, pois deixar-se guiar pelo sentimento, pelo humor é um tremendo egoísmo.

Todos os dias podemos procurar fazer algo que traga alegria aos que moram conosco. Um dia preparar um prato que o marido gosta, outro dia deixar um bilhetinho na agenda do filho, outro dia trazer uma flor para a esposa sem nenhuma data especial, arrumar a cama sem a mãe ter que pedir, enfim são vários pequenos gestos que todos podemos fazer para deixar o ambiente do lar mais leve e alegre.

Por fim, existe ainda a alegria sobrenatural, aquela que ninguém pode nos tirar. Essa alegria, a verdadeira alegria, brota da união com Deus, da “posse” de Deus, de saber que Deus habita em nossa alma, que nos ama infinitamente e que nos transforma.

Assim, para termos essa alegria em plenitude, devemos perseverar no amor de Deus, através da oração e da frequência aos sacramentos, especialmente na Sagrada Eucaristia. Através da comunhão do corpo e sangue de Cristo, ele realmente está em nós, não havendo união mais perfeita entre Deus e o ser humano nesse mundo.

photo credit: smolarek.janusz <a href="http://www.flickr.com/photos/125415920@N08/22834229942">Dorota & Konrad</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>