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domingo, 21 de abril de 2024

ESTE MISTÉRIO É GRANDE

 





Ano passado comemoramos 25 anos de casados. Foi um momento maravilhoso de agradecimento por todas as graças e bênçãos recebidas durante todos esses anos, especialmente pelo dom da vida de nossos quatro filhos: Gabriel (21), Nicole (18) Matias (17) e a Júlia que já nos precede no Paraíso.

Os jubileus são momentos de alegria e essa palavra vem do latim “iubilatio” que é justamente uma das formas de alegria. Além da alegria, são momentos de reflexão e uma das coisas que refleti foi sobre a grandeza do sacramento do matrimônio.

Reflexões sobre os sacramentos da confissão e da eucaristia são mais frequentes para mim. Lembro também sempre do sacramento do batismo, que me tornou filha de Deus. Mas o sacramento do matrimônio raras vezes fez parte das minhas meditações e gostaria de compartilhar com vocês sobre o que pensei.

Este mistério é grande (Ef 5,32)

São Paulo, na carta aos Efésios, fala sobre o matrimônio: “Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne. Esse mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja. Em resumo, o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido” Ef 5,31-33

O sacramento do matrimônio é um grande mistério porque, ao ver um casal, deveríamos poder enxergar o amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo. Um amor tão grande que é capaz de dar a vida um pelo outro.

A importância da indissolubilidade

O matrimônio ser indissolúvel significa que o compromisso assumido no altar perante Deus e a comunidade só se desfaz com a morte de um dos cônjuges. Essa característica do sacramento foi determinada pelo próprio Jesus, quando ele disse: “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.” (Mt 19,6)

Essa indissolubilidade é uma exigência do próprio amor, afinal ninguém diz ao outro: “vou te amar só por 5 anos...” O amor verdadeiro é para sempre, enquanto o outro viver. Principalmente quando a convivência está difícil, é importante recordar dessa promessa feita no altar, pois o motivo de se casarem foi para ajudarem um ao outro chegarem um dia ao Céu e o caminho para o Céu passa pela porta estreita.

A prova maior que os dois realmente se tornaram uma só carne é a vida do filho. Marido e mulher se uniram no amor e dessa união resultou uma nova pessoa, uma nova alma imortal, que foi feita da carne de um e de outro e agora é impossível separar. Olhar o filho, o fruto de seu amor, deve dar as forças necessárias para cada cônjuge resistir à tentação de pensar em separação.

Uma graça especial

Sem a ajuda da graça, isso é impossível, pois tanto o marido como a esposa são seres com defeitos e limitações e amar exige alto grau de heroísmo e de luta contra o egoísmo. Por isso, o casal ao receber o sacramento do matrimônio, recebe também uma graça específica que só esse sacramento pode dar: a graça da santificação do vínculo

Isso significa que quem recebe esse sacramento tem o direito de pedir a Jesus essa graça toda vez que o relacionamento estiver difícil. Essa graça vai ajudar a moldar tanto o homem como a mulher para que efetivamente se tornem uma só carne, um só coração.

É através dessa graça também que o casal poderá realizar a primeira finalidade do matrimônio, que é o bem dos cônjuges. É ela que possibilita que um faça o outro feliz e que ambos caminhem juntos rumo ao Céu.

Ultimamente vemos tantos casais que decidem morar juntos sem receber o sacramento do matrimônio. Meu marido e eu fazemos parte da equipe de preparação para o matrimônio de nossa paróquia e no último encontro de noivos, dos 12 casais presentes, todos já moravam juntos; alguns inclusive há mais de 10 anos e estavam ali para regularizar sua situação perante a Igreja.

Claro que é uma alegria quando um casal procura a Igreja para receber o sacramento, mas é importante sabermos a grande diferença dos casais que simplesmente decidem morar juntos daqueles que optam por receber o sacramento do matrimônio. Quem recebe o sacramento, recebe essa graça tão especial e tem muito mais chances de que o casamento seja mesmo duradouro. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos atesta que morar juntos, sem o sacramento do matrimônio, aumenta as chances de divórcio[1].

Tenho certeza de que essa graça que recebemos há mais de 25 anos e a consagração que fizemos de nossa família a Nossa Senhora é que nos sustenta, aumentando a cada dia nosso amor. Hoje meu maior desejo é que meus filhos também possam receber essa graça e formar santas famílias católicas, caso não sejam chamados a consagrarem suas vidas inteiramente a Deus como religiosos ou sacerdotes...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

TRABALHANDO JUNTOS PELA NOSSA FELICIDADE



O matrimônio é a célula base de nossa sociedade e tem sido muito atacado recentemente. Todos os casamentos estão ameaçados, não importa quanto tempo de casados, o fantasma do divórcio está sempre a espreita. 

Casamos para sermos felizes, mas muitos casais não o são e acabam colocando fim ao matrimônio em busca justamente da felicidade. Quando nos casamos, acreditamos que com aquela pessoa poderíamos ser felizes, que nossa felicidade estava assegurada. Ninguém se casa para ter uma vida miserável, infeliz.

O Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, cita um adágio antigo que diz: "Todo reino se conserva com as forças que lhe deu origem." Quais foram as forças que deram origem ao nosso matrimônio? Se estas forças continuam presentes, estamos bem. Caso contrário, precisamos mudar alguma coisa.

Qual foi a primeira coisa que chamou a nossa atenção para o outro? De todas as pessoas que conhecíamos, uma nos chamou a atenção por ser especial. Pode ter sido de uma hora para outra, como um raio, ou gradativamente, pouco a pouco aquela pessoa foi nos conquistando. Se nos fixamos em alguém, era porque vimos algo valioso nele ou nela. Pode ter sido a beleza, a inteligência, a integridade. Vimos alguma qualidade que nós gostamos e na medida em que fomos conhecendo mais essa pessoa, começamos a nos fascinar e apaixonar por ela.

E como é agora? Chegamos ao ápice e nos casamos. Depois, essa pessoa que era tão trabalhadora, se torna uma viciada em trabalho; quem era tão simpática, passa a ser uma pessoa superficial; aquele que era tão inteligente, agora não consegue perceber algo básico. A imagem que tínhamos muda e já não admiramos tanto essa pessoa.

Os primeiros anos de casamento as vezes são muito duros: temos que ganhar a vida, vem os filhos, começamos também a ver os lados fracos do companheiro, as vezes de maneira muito forte. Vemos um ao outro como realmente somos: com muito valor e com muitos defeitos. Como conservar a admiração pela pessoa com quem casei?

O amor tem que amadurecer. Precisamos reconhecer que essa pessoa é um presente. Um presente que pode estar embrulhado em um papel muito feio, mas ainda é um verdadeiro presente. Eu me apaixonei por uma pessoa real. Será que ela perdeu as qualidades que tanto admirei? Será que não possui outras qualidades que ainda não descobri? Todas as pessoas possuem coisas lindas, grandes.

"Não podemos ser como as moscas que ficam parando em todas as coisas sujas. Precisamos ser como as abelhas, que buscam e extraem o bonito e o doce." (Pe. Kentenich). Nós temos que sempre voltar a buscar e a encontrar o que é lindo no outro, em meu companheiro de vida. Travar uma luta real para aflorar essa riqueza que existe no outro e não ficar somente no lado que não é tão bonito.

Não devemos ser "mártires" que apenas suportam o lado ruim do outro. Não nascemos para isso, fomos criados para sermos felizes e pelo sacramento do matrimônio recebemos todas as graças necessárias para sermos felizes um com o outro.
 
Precisamos aprender a arte de trabalhar nossos defeitos, realizar um trabalho de superação pessoal. Se tenho um defeito e o outro me mostra, devo procurar superar esse defeito. Nós trabalhamos como casal, trabalhamos nossa personalidade, para crescermos como pessoa. Estamos em um mesmo lugar para vivermos felizes. Buscamos solucionar aquilo que torna nossa vida menos agradável.

Precisamos trabalhar para ajudar ao outro a superar seu problema, sua limitação. Normalmente só reclamamos: até quando? Quantas vezes já te falei isso? Mas se mantenho essa atitude, o que menos consigo é que o outro mude. Resmungar e reclamar é a pior maneira de lidar com essa situação.

Mas a mudança é necessária. Então precisamos introduzir algo novo em nosso relacionamento. No Movimento de Schoenstatt chamamos de autoformação. Cada um de nós está em um caminho de crescimento e no matrimônio possuímos uma grande vantagem, porque um pode ajudar ao outro, com amor, primeiro a ver o seu problema para então superar suas debilidades. Assim trabalhamos juntos um para o outro.

Se vejo que o outro está se esforçando para superar um defeito, tenho mais paciência de suportar esse defeito, pois sei que as coisas não mudam de um dia para o outro. E vice-versa. Eu sei que também tenho coisas que para mim é difícil mudar e o outro tem paciência comigo. E essa dinâmica nos tranquiliza.

Uma sugestão é nos reunirmos como casal uma vez ao mês para revisarmos esse nosso esforço por superamos nossos defeitos. Em uma ou duas horas, podemos compartilhar com o outro nossos sucessos e fracassos e desta forma, nos fortalecemos.

Todavia, precisamos ter consciência que existem defeitos que não são possíveis mudar. Por mais esforços que façamos, existem coisas que simplesmente não mudam. Não nos casamos com uma pessoa perfeita, mas com um ser humano, que muitas vezes vem com defeito "de fábrica". Então precisamos pensar com muito realismo: da mesma forma que eu tenho que suportar esse defeito "imutável" do outro ele também tem que me suportar em meu defeito "imutável". Como disse S. Paulo, o amor consiste em carregar o fardo uns dos outros. Eu amo você assim como você é e aceito sua pessoa com gratidão, porque tem muitas coisas lindas. Eu te aceito e te amo porque vejo que está se esforçando por melhorar, mas também aceito que não vai conseguir mudar tudo.

Essa dinâmica não termina nunca. Nós vamos mudando durante a vida, as novas etapas apresentam novas exigências e mostram ainda novos valores e novos defeitos. Precisamos sempre ter a consciência de cuidar para não perder a admiração pelo outro. Nunca posso deixar de ver em meu cônjuge algo lindo, algo que agrada, que me enriquece, afinal esta pessoa foi o presente que Deus me deu para me ajudar a chegar ao Céu. 

photo credit: <a href="http://www.flickr.com/photos/16105263@N00/7183245889">Valentine 2012</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O CRESCIMENTO DO AMOR MATRIMONIAL


O Pe. Nicolás Schwizer nos dá dicas de como cultivar o nosso amor matrimonial. Esse texto foi publicado em suas Reflexões, No. 41, de 15.08.08.

No matrimônio, nossa tarefa permanente deve ser cultivar o amor, crescer nele até chegar a um amor perfeito e maduro. No começo, todo amor é egoísta. E só aos poucos esse amor primitivo se converte em um amor maduro.

Como temos que cultivar nosso amor matrimonial? O Padre Kentenich fundador do Movimento de Schoenstatt, nos dá três respostas:

1. Devemos querer fazer-nos felizes mutuamente. Significa fazer feliz em primeiro lugar não a mim mesmo, mas sim ao outro; passar do amor egoísta ao amor desinteressado ao tu. Exige perguntar-me permanentemente: Com o que estou fazendo, com o que estou dizendo, farei mais feliz a meu cônjuge?

É um crescimento muito grande no amor. É uma altura de entrega e generosidade fora do comum.

2. Devemos ajudar-nos mutuamente a nos aperfeiçoar. Quantas oportunidades de aperfeiçoamento se nos apresentam na vida cotidiana! Por exemplo: quando as pessoas vivem permanentemente juntas, que difícil resulta manter o respeito de um pelo outro.

De que maneira nós fazemos ver nossas faltas? É um sentir e aprofundar na debilidade do outro, um “aguentar” paciente suas limitações, ou é um gritar-se e ofender-se mutuo?

E os sacrifícios podem tornar-se una carga pesada. Todos o sabemos e o havemos sentido já em alguns momentos. E o Padre Kentenich, também o sabia e por isso disse uma vez, citando a um antigo filósofo: “Se comparamos a vida matrimonial com a vida dos mártires, encontramos poucos mártires que aguentaram tanto sofrimento como muitos casais devem suportar”.

Tudo isso exige um alto grau de amor e de santidade. É impossível chegar a isso, se nosso amor matrimonial não tem suas raízes em Deus.

3. O amor conjugal culmina numa fidelidade a toda prova. Conhecemos a descrição de fidelidade que nos dá o Padre Kentenich: a manutenção pura, vigorosa e criadora do primeiro amor. É mantê-lo através das provas do tempo para eternizá-lo. Fidelidade neste sentido profundo e amplo é presentear-lhe sempre ao cônjuge todo meu coração, doar-lhe meu tempo privilegiado, meus interesses prioritários.

É impossível ser fiel neste sentido, sem um grande espírito de sacrifício e sem um contato direto com Deus através dos sacramentos e da oração.

De toda maneira, se olharmos a vida matrimonial desde este ponto de vista, converte-se numa escola de santidade de primeira magnitude. Trata-se de viver a santidade da vida diária matrimonial e ademais viver também a espiritualidade da aliança matrimonial.

O matrimônio não é somente uma comunidade de amor, se não que se fundamenta sobre uma aliança de amor mútua. E essa aliança tende a aprofundar-se. Quer dar ao outro todos os direitos sobre mim, para que ele seja feliz: eu não quero outra coisa se não o que tu queres.

E, depois, podemos ir mais longe ainda: Estou disposto a renunciar e doar-lhe até o mais difícil, o mais pesado, se tu o desejas. Se quiseres essa renúncia, te rogo que me o peças. É assim como quero mostrar-te meu amor.

Perguntas para a reflexão

1.      Rimos como casal, como família?
2.      Ferimo-nos ao criticar-nos?
3.      Estou disposto a aceitar o que meu cônjuge me peça?

photo credit: mariadelajuana <a href="http://www.flickr.com/photos/72933117@N07/15852099057">Promise</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 27 de abril de 2015

FINALIDADE UNITIVA DO MATRIMÔNIO

No livro do Gênesis, ao narrar a criação do ser humano, vemos como Deus fez o homem e a mulher a sua imagem e semelhança. Ambos possuem a mesma dignidade e valor e foram criados um para o outro. Todavia não são seres incompletos; cada um é uma totalidade, porém são chamados para uma comunhão de pessoas, para um intercambio de vida e de amor e juntos se complementarem.
"Cada um dos dois sexos é, com igual dignidade, embora de modo diferente, imagem do poder e da ternura de Deus. A união do homem e da mulher no matrimônio é um modo de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador: «O homem deixará o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Desta união procedem todas as gerações humanas." (CIC 2335).
O modo de ser do homem e da mulher se diferenciam pela maior ou menor acentuação de determinados valores que ambos possuem, mas que, via de regra, cada sexo vive com uma intensidade diferente. Por isso mesmo, não há nenhum valor humano que possamos catalogar como exclusivamente “masculino” ou “feminino”. Porém, podemos afirmar que algum destes valores se dão “normalmente” com maior força no homem ou na mulher[1]. 
Desta forma, cada ser humano possui características do ser masculino e do ser feminino, porém em graus diversos. O homem possui mais características do ser masculino e necessita ser complementado pela mulher, com suas características predominantes do ser feminino e vice-versa.

Esta aparente "confusão" existente entre os sexos é mais um dos efeitos do pecado original. Antes do pecado, Adão e Eva se comunicavam e se complementavam sem qualquer dificuldade. Porém, o sacramento do matrimônio é o meio pelo qual Deus nos dá a graça de restaurarmos esta verdadeira parceria entre o homem e a mulher.
Homem e mulher só chegarão à perfeição de sua personalidade em dependência mútua, um complementando o outro. Assim foi querido por Deus, que criando tudo por amor e para o amor, não permite que o ser humano se aperfeiçoe senão através do caminho de abertura e doação mútua dos sexos.
A graça desse aperfeiçoamento e complementaridade é conhecida como a finalidade unitiva do casamento. Quando um homem e uma mulher livremente aceitam partilhar suas vidas e se doarem totalmente um ao outro, a permanência do seu vínculo os capacita para se tornarem fluentes na linguagem um do outro e desta forma, com o tempo, tornarem-se "uma só carne" (Mt 19,5). Essa linguagem é de um alegre amor e serviço mútuo, uma linguagem criada pelo Pai, exemplificada pelo Filho e sustentada pelo Espírito Santo.
Quando o Pe. Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, se refere ao instinto sexual, explica que a sexualidade humana compreende, primeiro, a tendência a um encontro espiritual e pessoal com o outro, ou seja, a alma do outro, a comunhão de um com o outro no amor. Segundo, a tendência ao contato físico, a atração pelo corpo do outro, como meio de expressão e cultivo do amor; e. em terceiro lugar, a tendência ao filho, a fecundidade na paternidade e na maternidade; ou seja, a tendência a ser fecundos além de si mesmos, como fruto de seu amor.




[1] Fe y vida matrimonial, Cuadernos de Pastoral Familiar, No. 1, P. Hernán Alessandri Morandé,pg. 36,  Ed. Nueva Patris, Chile, 2009
CRÉDITO DA FOTO: PHOTOPIN.COM

segunda-feira, 20 de abril de 2015

AS FINALIDADES DO MATRIMÔNIO E A FECUNDIDADE DO AMOR CONJUGAL

Consoante os ensinamentos de João Paulo II, o amor carnal (sexual) deve expressar a linguagem do amor ágape, ou seja, daquele amor que Cristo tem por cada um de nós.

Este amor possui quatro características. "Primeira: Cristo dá livremente seu corpo ('Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade' Jo 10,18). Segunda: entrega seu corpo totalmente, isto é, sem resevas, condições ou cálculos egoístas ('até o extremo ele os amou' Jo 13,11). Terceira: dá seu corpo fielmente. ('Estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos' Mt 28,20). Quarta: entrega seu corpo frutuosamente ('Eu vim para que tenham vida' Jo 10,10). Se homens e mulheres souberem evitar as armadilhas do falso amor e viver plenamente sua vocação, a união deles deve expressar o mesmo amor - livre, total, fiel e frutuoso que Cristo expressou.
Outro nome para este tipo de amor é matrimônio. E isto é precisamente o que uma noiva e um noivo fazem diante do altar. Quando o celebrante pergunta:'"Vieste aqui livremente e sem reservas para vos entregardes um ao outro no matrimônio? Prometeis ser fiéis até a morte? Prometeis receber amorosamente os filhos que Deus vos mandar?' Noivo e noiva, cada um, por sua vez, responde: 'sim!'"[1]

Assim, o matrimônio é uma aliança, um contrato pelo qual o homem e a mulher se comprometem a amarem-se com este grau de amor, da mesma forma que Cristo ama a sua Igreja. Para conseguirem isto, o próprio Jesus elevou esta aliança ao nível de Sacramento. Os efeitos principais deste sacramento são: ele dá graças para fortalecer o amor dos esposos, para compreenderem mutuamente seus defeitos, superarem as dificuldades na vida conjugal e na educação dos filhos e, especialmente para santificar os esposos até o fim da vida.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto naqueles que os recebem com as disposições exigidas”[2]
Os sacramentos foram instituídos por Jesus para ajudar na caminhada rumo ao Céu, para sinalizar este caminho, pois transmitem as graças necessárias para cumprir a missão de cada um.
No caso do sacramento do matrimônio, a graça que se recebe é a santificação do vínculo que une marido e mulher para sempre. A aliança de amor que é selada com o sacramento do matrimônio, este laço que unirá aquele homem e aquela mulher eternamente, se transforma num sinal eficaz da união de Cristo com sua Igreja.
“O matrimônio, segundo o que foi dito, não é a consagração de duas pessoas, mas a consagração do laço que as une. A relação entre ambas é elevada sacramentalmente. Nisso consiste precisamente a sacramentalidade conjugal. O amor que os une e o vínculo que se gera se faz sinal e sacramento. O amor conjugal puramente humano se faz amor consagrado e por isso mesmo já é uma realidade religiosa. A comunidade conjugal entre ambos se faz comunidade de Deus e com Deus. Neste contexto podemos dizer que o amor redentor de Cristo, que desperta em nós uma resposta proporcional, se desdobra no matrimônio através do amor recíproco dos esposos.”[3]
Os esposos, tendo recebido o sacramento do matrimônio, são chamados a ser sinais do amor de Cristo por sua Igreja e do amor da Igreja para o seu Senhor. Quem vê um casal cristão deve poder ver a presença de Deus, sua atuação na vida daquela família. O casal também deve permitir que Deus influencie as pessoas que os rodeia, através de seu matrimônio.

A Igreja defende, em primeiro lugar, a dimensão da comunhão ou finalidade unitiva da sexualidade conjugal, expressa na comunhão de corações e de vontades na relação íntima dos esposos. De outra parte, a Igreja defende, ao mesmo tempo, a finalidade procriativa inerente ao amor conjugal. O amor dos esposos quer ver-se prolongado no filho. Existe neles um anseio natural de se perpetuar criadoramente. Seu amor é transcendente, não estéril.



[1] WEST, Christopher Teologia do Corpo para Principiantes - Uma introdução básica à revolução Sexual de João Paulo II. Ed. Myriam. Porto Alegre. 2008 Pg. 103
[2] Cf CIC No. 1131
[3] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pgs. 8-9, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS
crédito da foto: photopin.com 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

SEREIS UMA SÓ CARNE

Para alcançarem a verdadeira felicidade no matrimônio os esposos necessitam entender os planos de Deus para a família, pois só é feliz aquele que busca cumprir a vontade do Pai em sua vida.
A Sagrada Escritura assim dispõe a respeito do matrimônio: “Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e eles dois se tornam uma só carne” (Gn 2, 24).
Da análise deste pequeno, porém, importantíssimo versículo, pode-se extrair três condições para que efetivamente um casamento seja concretizado consoante a vontade de Deus: deixar pai e mãe, unir homem e mulher e tornar-se uma só carne.
DEIXAR PAI E MÃE
Uma leitura rápida desta expressão pode parecer contraditória ao ordenado pelo Criador no 4º Mandamento: Honrar Pai e Mãe. Ora, se é preciso honrar os pais, como se deve “abandoná-los” para contrair matrimônio?
Na verdade, a intenção de Deus Pai ao afirmar que o casal deve “deixar pai e mãe” significa que devem abrir mão de tudo aquilo que trouxeram de sua criação, de sua educação, que possa atrapalhar sua união com o cônjuge.

Significa ainda que, após o “sim” no altar, devem se preocupar em primeiro lugar com o seu consorte, com o lar que estão formando, com as necessidades e ocupações dele e não com os problemas e preocupações de seus pais, irmãos e familiares.
É necessário mencionar ainda aspetos um pouco mais complexos da educação de cada um que precisam ser conhecidos, analisados e muito bem conversados entre o futuro casal, para que cada um se esforce por abandonar tudo o que não é saudável para o relacionamento.
A forma de lidar com o dinheiro, tom de voz nas conversas, o que compartilhar com os outros, frequência das visitas em casa, o que fazer nos momentos de folga, como educar os filhos, como lidar com o stress, enfim, cada um recebeu um tipo de criação e possui hábitos relacionados a estas questões e se não forem elaboradas de uma maneira madura e responsável, poderão destruir a família.
Mesmo hábitos que sejam considerados bons e que funcionaram enquanto estava na casa paterna, poderão precisar ser abandonados caso não se ajustem ao cônjuge e a nova realidade do lar.
Existe também o aspecto físico de deixar pai e mãe. Já diz o ditado: “quem casa quer casa!”. Desta forma, é importantíssimo ao novo casal que viva em uma casa própria (mesmo que seja alugada), longe dos pais, ainda que seja bem simples e humilde, para poderem iniciar sua vida conjugal de uma maneira mais livre, construindo o seu lar.
Aliado a este aspecto físico de deixar pai e mãe, está o aspecto financeiro. Não é saudável à construção do matrimônio que o casal permaneça dependente financeiramente dos pais, seja de um dos cônjuges ou de ambos.
Não é fácil sustentar um lar. Muitas vezes com a ajuda dos pais o novo casal pode ter um padrão de vida melhor do que se contassem apenas com seus proventos, porém é muito melhor para o casamento que vivam dentro do que o próprio casal produz e tenham um padrão de vida inferior, do que dependam financeiramente dos pais para manter uma vida que não é sua.
Esta dependência financeira pode dar a impressão aos pais de que tem o direito de interferir na vida do casal, posto que continuam a exercer o domínio econômico sobre seus filhos e esta interferência é muito prejudicial ao casamento.
Por mais que sejam boas as intenções dos pais em ajudarem financeiramente seus filhos no início do casamento, esta ajuda deve ser educadamente recusada, pois o que pode parecer bom por facilitar a vida dos dois, certamente irá se tornar um martírio para o casal no futuro.
Não se quer dizer aqui que toda a ajuda dos pais deva ser recusada, pois há situações em que ela possa ser realmente necessária. Um incentivo inicial ao casal, como por exemplo, dar uma casa ou um carro, pode ser considerado um presente de casamento e não prejudica o relacionamento. Há o caso também de desemprego, ou de uma situação de problema de saúde, onde a ajuda dos pais pode ser fundamental, porém, o importante é que seja provisória e aceita de comum acordo entre marido e mulher.
Este “deixar pai e mãe” é um processo, que pode ser mais longo ou curto, dependendo do grau de maturidade de cada um. Quanto mais a pessoa tem a consciência de que, após o casamento, deverá se ajustar ao seu cônjuge, o que significa, muitas vezes, abrir mão daquilo que lhe é confortável, mais rápido consegue esta harmonia no lar.
É preciso contar também, muitas vezes, com a incompreensão dos próprios pais, que não entendem e não aceitam que os filhos “cortem o cordão umbilical” e passem a tomar suas decisões sozinhos, consultando apenas o cônjuge, ou que os visitem apenas nos fins de semana. Porém, nesta hora, a união e determinação dos dois, como casal, é fundamental para que esta transição entre ser filho solteiro e ser filho casado, seja mais tranquila.    
Ressalta-se que aos pais é devido todo o respeito e cuidado, deve-se fornecer todo o apoio, principalmente na velhice, porém essa consideração não pode interferir negativamente na vida do novo casal.
Assim, um casal que deseja ser verdadeiramente feliz no matrimônio, deverá aprender a “deixar pai e mãe”, ou seja, renunciar tudo aquilo que recebido em sua formação pessoal, possa atrapalhar a perfeita união conjugal.

CRÉDITOS DAS FOTOS: PHOTOPIN.COM

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

OS 10 MANDAMENTOS DO CASAL FELIZ

A prática das virtudes constroem o caminho que não deixa o amor nunca envelhecer e  os 4R (rezar, reencantar, revisar, renovar) do relacionamento são as placas que indicam que estão trilhando este caminho.
Hoje o post é curtinho, mas muito profundo e nem sempre fácil de colocar em prática. Seguem os 10 mandamentos do casal elencados pelo Prof. Felipe Aquino, que se colocados em prática, tornarão o relacionamento conjugal plenamente feliz[1]:
1.                     Nunca irritar-se ao mesmo tempo.
2.                     Nunca gritar um com o outro.
3.                     Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro.
4.                     Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor
5.                     Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado.
6.                     A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge.
7.                     Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo.
8.                     Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa.
9.                     Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas.
10.                Quando um não quer, dois não brigam.





[1] Prof. Felipe Aquino, in http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo021.shtml
CRÉDITO DA FOTO: PHOTOPIN.COM

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

4o R: RENOVAR - CADA ANO

Os posts sobre os 4R foram baseados na palestra dada pela Ir. M. Tersila Patres, chamada Os 4 R do matrimônio, no  Projeto A Família, a mais bela Comunidade de Amor, Jundiaí/SP abril/2011 e no livreto Os ‘4R’ – material da Liga de Famílias de Schoenstatt. Uma oferta às famílias, para percorrerem seu caminho de aliança. (Secretariado da Liga de Famílias de Schoenstatt, www.maeperegrina.org.br)

A última placa que orienta o caminho do amor que nunca envelhece é a renovação do vínculo matrimonial. Renovar significa tornar novo, dar nova aparência, revigorar, reafirmar, por novamente em vigor.
No relacionamento muitas vezes sentem o cansaço da caminhada, dias, semanas e até meses muito difíceis. Então, é preciso parar, procurar um oásis para refazer as forças, brincar, se divertir e até mesmo, quando possível, conhecer novos lugares. É o tempo de renovar, de sair de férias.
As férias são um momento privilegiado para partilhar em família, se aprofundar no conhecimento mútuo principalmente dos filhos, passar o dia todo juntos por um certo período, saindo da rotina. As férias são tão importantes para o bem estar do ser humano que inclusive são previstas nas leis trabalhistas. Todo empregado, após um ano de trabalho, possui direito as férias, sem as quais sua saúde física e mental pode ficar comprometida.
“Se o casal não tira umas curtas férias de verão para dar uma olhada ao seu redor, logo vai perceber que a vida está começando a tomar decisões em seu lugar. É o que um casal chama de ‘ser levado pela correnteza’.(...) Um tempo para ‘não-atividade’ fica encravado no meio das atividades. Às vezes, contudo, as férias planejadas nada mais são do que uma oportunidade para restabelecer a boa comunicação entre o casal.”[1]
É preciso aproveitar estes momentos de férias para se aproximar do cônjuge, dos filhos, pois durante o ano muitas vezes o excesso de trabalho prejudicou a intimidade e o relacionamento familiar.
Para as crianças, esta convivência mais intensa com os pais podem ser momentos agradáveis guardados para o resto de suas vidas. Não precisa ser nenhum passeio extravagante ou atividade muito cara, basta usar a imaginação e criar atividades divertidas com as crianças, como andar de bicicleta, explorar o jardim, ir ao clube, fazer brinquedos com lixo reciclável, tudo isso podem ser ótimos programas para os filhos.
As férias devem ser também um tempo para Deus. Podem aproveitar este tempo de descanso para talvez fazer algum retiro espiritual, um encontro para casais e perguntar para Deus, através da oração, se estão cumprindo a Sua vontade, se sua família está no caminho traçado por Ele para a sua felicidade.
Podem também frequentar mais vezes a Santa Missa durante a semana, realizar mais leituras da Bíblia, ajudar em alguma atividade da Paróquia, enfim, procurar também neste momento de pausa da rotina estar mais perto de Deus.
Renovar o relacionamento é também um processo que se inicia a partir do interior e é preciso se disponibilizar para fazer ali, também pequenos reparos, resolver pequenas questões que podem causar grandes danos aos relacionamentos, aproveitando as férias da rotina. É ainda um processo que fará nascer novos projetos aperfeiçoados, onde a esperança, a alegria e o amor são as palavras chaves.




[1] “Casamento uma aliança em quatro estações”, Holt, Mary Van Ballen, pg. 66, editora Santuário, Aparecida/SP
CRÉDITOS DAS FOTOS: PHOTOPIN.COM

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

3o R: REVISAR - CADA MÊS

Os posts sobre os 4R foram baseados na palestra dada pela Ir. M. Tersila Patres, chamada Os 4 R do matrimônio, no  Projeto A Família, a mais bela Comunidade de Amor, Jundiaí/SP abril/2011 e no livreto Os ‘4R’ – material da Liga de Famílias de Schoenstatt. Uma oferta às famílias, para percorrerem seu caminho de aliança. (Secretariado da Liga de Famílias de Schoenstatt, www.maeperegrina.org.br)


Revisar é olhar novamente, verificar as condições, se tudo está em ordem, se falta alguma coisa, enfim é analisar minuciosamente a situação. A revisão do relacionamento é a terceira placa que os orienta no caminho do amor que nunca envelhece e dá a tranquilidade de ter a certeza que estão no caminho certo.
Esta revisão precisa ser periódica, de preferência mensal. Nela irão analisar como está sua vida de oração, se estão fazendo algo concreto para reencantar o amor, verificar se estão seguindo os planos feitos no início do matrimônio, se precisa de algum ajuste, de alguma mudança.
É tempo também de saborear os frutos de todos os esforços, de todas as lágrimas, de todos os medos que passaram durante o mês. Devem se perguntar também o que cada um pode contribuir para a felicidade da família.
Na revisão encontramos tesouros, pérolas, que às vezes ficam escondidas e precisam ser reconhecidas para redescobrir o valor do outro.  Na correria diária, deixam passar muitas coisas que precisam ser elaboradas e digeridas para o amadurecimento e crescimento do amor.
Portanto, uma vez por mês devem reservar um tempo, talvez uma manhã ou uma tarde, para rever juntos os acontecimentos que marcaram as suas vidas e a vida de seus filhos. É de suma importância contemplar cada acontecimento para não se deparar, um dia, com situações mal resolvidas que possam bloquear a passagem da alegria na sua vida e na vida de sua família.

Isto deve ser feito sempre a luz da fé prática na Divina Providência, perguntando sempre o que Deus está querendo lhes dizer, lhes mostrar com estes acontecimentos. E como devem responder a este chamado de Deus, o que Ele espera de cada um, da sua família. Sempre deixar nas mãos de Deus as grandes e pequenas decisões do dia a dia, na certeza de que Ele é Pai, é bom e bom é tudo o que Ele faz. 
CRÉDITOS DAS FOTOS: PHOTOPIN.COM