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domingo, 21 de abril de 2024

ESTE MISTÉRIO É GRANDE

 





Ano passado comemoramos 25 anos de casados. Foi um momento maravilhoso de agradecimento por todas as graças e bênçãos recebidas durante todos esses anos, especialmente pelo dom da vida de nossos quatro filhos: Gabriel (21), Nicole (18) Matias (17) e a Júlia que já nos precede no Paraíso.

Os jubileus são momentos de alegria e essa palavra vem do latim “iubilatio” que é justamente uma das formas de alegria. Além da alegria, são momentos de reflexão e uma das coisas que refleti foi sobre a grandeza do sacramento do matrimônio.

Reflexões sobre os sacramentos da confissão e da eucaristia são mais frequentes para mim. Lembro também sempre do sacramento do batismo, que me tornou filha de Deus. Mas o sacramento do matrimônio raras vezes fez parte das minhas meditações e gostaria de compartilhar com vocês sobre o que pensei.

Este mistério é grande (Ef 5,32)

São Paulo, na carta aos Efésios, fala sobre o matrimônio: “Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne. Esse mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja. Em resumo, o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido” Ef 5,31-33

O sacramento do matrimônio é um grande mistério porque, ao ver um casal, deveríamos poder enxergar o amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo. Um amor tão grande que é capaz de dar a vida um pelo outro.

A importância da indissolubilidade

O matrimônio ser indissolúvel significa que o compromisso assumido no altar perante Deus e a comunidade só se desfaz com a morte de um dos cônjuges. Essa característica do sacramento foi determinada pelo próprio Jesus, quando ele disse: “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.” (Mt 19,6)

Essa indissolubilidade é uma exigência do próprio amor, afinal ninguém diz ao outro: “vou te amar só por 5 anos...” O amor verdadeiro é para sempre, enquanto o outro viver. Principalmente quando a convivência está difícil, é importante recordar dessa promessa feita no altar, pois o motivo de se casarem foi para ajudarem um ao outro chegarem um dia ao Céu e o caminho para o Céu passa pela porta estreita.

A prova maior que os dois realmente se tornaram uma só carne é a vida do filho. Marido e mulher se uniram no amor e dessa união resultou uma nova pessoa, uma nova alma imortal, que foi feita da carne de um e de outro e agora é impossível separar. Olhar o filho, o fruto de seu amor, deve dar as forças necessárias para cada cônjuge resistir à tentação de pensar em separação.

Uma graça especial

Sem a ajuda da graça, isso é impossível, pois tanto o marido como a esposa são seres com defeitos e limitações e amar exige alto grau de heroísmo e de luta contra o egoísmo. Por isso, o casal ao receber o sacramento do matrimônio, recebe também uma graça específica que só esse sacramento pode dar: a graça da santificação do vínculo

Isso significa que quem recebe esse sacramento tem o direito de pedir a Jesus essa graça toda vez que o relacionamento estiver difícil. Essa graça vai ajudar a moldar tanto o homem como a mulher para que efetivamente se tornem uma só carne, um só coração.

É através dessa graça também que o casal poderá realizar a primeira finalidade do matrimônio, que é o bem dos cônjuges. É ela que possibilita que um faça o outro feliz e que ambos caminhem juntos rumo ao Céu.

Ultimamente vemos tantos casais que decidem morar juntos sem receber o sacramento do matrimônio. Meu marido e eu fazemos parte da equipe de preparação para o matrimônio de nossa paróquia e no último encontro de noivos, dos 12 casais presentes, todos já moravam juntos; alguns inclusive há mais de 10 anos e estavam ali para regularizar sua situação perante a Igreja.

Claro que é uma alegria quando um casal procura a Igreja para receber o sacramento, mas é importante sabermos a grande diferença dos casais que simplesmente decidem morar juntos daqueles que optam por receber o sacramento do matrimônio. Quem recebe o sacramento, recebe essa graça tão especial e tem muito mais chances de que o casamento seja mesmo duradouro. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos atesta que morar juntos, sem o sacramento do matrimônio, aumenta as chances de divórcio[1].

Tenho certeza de que essa graça que recebemos há mais de 25 anos e a consagração que fizemos de nossa família a Nossa Senhora é que nos sustenta, aumentando a cada dia nosso amor. Hoje meu maior desejo é que meus filhos também possam receber essa graça e formar santas famílias católicas, caso não sejam chamados a consagrarem suas vidas inteiramente a Deus como religiosos ou sacerdotes...

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Os 4R PARA UM MATRIMONIO FELIZ


No Movimento de Schoenstatt, do qual eu faço parte, falamos dos 4R, que são quatro palavras começadas com a letra “R” que nos ajuda a ter um matrimônio feliz. Essas palavras são: rezar, reencantar, revisar e renovar. Vamos analisar cada uma delas.

1º R: REZAR – TODOS OS DIAS
Rezar é falar com Deus, como se fala com uma pessoa que amamos, com a qual gostamos de partilhar a nossa vida, tudo o que aconteceu conosco, de bom e de ruim. Como Pai, Deus pode sempre o auxiliar e Ele espera que solicite este auxílio através da oração. Cada um é convidado a estar sempre ligado com Deus através de suas orações.

Precisamos ter a consciência de que quando rezamos juntos, como casal, como família, Jesus está presente no nosso meio e essa presença de Cristo é fundamental para manter a harmonia e a união em nosso lar.

Através da oração, os filhos são educados e formados. Assim, os pais, devem tornar a oração algo que faz parte do cotidiano da família e com ela encontrar forças para lutar contra tudo aquilo que vem para os afastar da própria oração e consequentemente da vida em Deus.

O primeiro passo é querer rezar, ou seja, decidir que a oração em família é um bem a ser conquistado e colocar todos os nossos esforços para tornar a oração em família uma realidade.

Rezar junto se aprende rezando. É preciso criar o hábito da oração em comum e o hábito se cria através da repetição dos atos. No início, pode ser um pouco difícil, ficamos desconfortáveis, mas se permanecemos fiéis ao propósito de rezar juntos, logo o hábito se instalará e não será mais tão difícil se reunirem para falar com Deus.

A sugestão é escolher um determinado horário para rezar junto e também ser em um local da casa propício para a oração, com um crucifixo ou imagem de Nossa Senhora. Podem também estabelecer um pequeno rito de como seguirá a oração para facilitar. Cada casal deve encontrar seu próprio estilo, sua forma de rezar. Devemos pedir ao Espírito Santo sua graça de conseguir estabelecer este hábito em nossa família.

2º R: REENCANTAR - CADA SEMANA

Encantar significa maravilhar, agradar extremamente, cativar, provocar irresistível admiração, causar satisfação. Quando estamos apaixonados, ficamos encantados pelo outro, criamos um vínculo de amor e que após que após o sacramento do matrimônio é santificado e abençoado por Deus.

A rotina muitas vezes ofusca este encantamento e o que se vê é que, por falta de cuidado dos cônjuges, o encantamento vai embora e o lar é destruído. Deixam que as pequenas decepções com o outro acabem tomando grandes proporções e passam a enxergar apenas o lado negativo, se esquecendo de tudo de bom que viu nesta pessoa quando se apaixonou.

O que acontece é que se acomodaram. Pararam de se preocupar em agradar o outro, em conquistá-lo a cada dia. Se lembrarem do tempo de namoro, quantas coisas não faziam para chamar a atenção do outro, para ligá-lo ao seu coração?

Desta forma é preciso reencantar seu amor. Não se pode deixar passar uma semana sem se preocupar, de alguma forma, em fazer um agrado “extra” ao seu cônjuge. É preciso criar um momento para que isto aconteça. Uma vez por semana, marcarem um “encontro” com o outro, com dia e hora determinados. Neste encontro irão lançar um olhar sobre tudo o que já lhes aconteceu, principalmente suas alegrias, os momentos bons que passaram juntos e assim, reacender a chama do primeiro amor.

Cada um sabe do que o outro gosta: um passeio no parque, um jantar especial, ou simplesmente ficar sentados um ao lado do outro admirando a natureza... Não precisa sempre sair de casa, podem ter um momento especial na sala de estar ou no quarto, depois que as crianças já foram dormir. O importante é ficar juntos, por algum tempo, se preocupando em reencantar o outro.

Reencantar é presentear o outro com aquele sorriso, aquele olhar, aquelas palavras, aqueles momentos tão belos e importantes para aqueles que desejam passar juntos o resto de suas vidas. 

3º R: REVISAR - CADA MÊS

Revisar é olhar novamente, verificar as condições, se tudo está em ordem, se falta alguma coisa, enfim é analisar minuciosamente a situação. A revisão do relacionamento precisa ser periódica, de preferência mensal. Nela o casal irá analisar como está sua vida de oração, se estão fazendo algo concreto para reencantar o amor, verificar se estão seguindo os planos feitos no início do matrimônio, se precisa de algum ajuste, de alguma mudança.

É tempo também de saborear os frutos de todos os esforços, de todas as lágrimas, de todos os medos que passaram durante o mês. Devem se perguntar também o que cada um pode contribuir para a felicidade da família.

Na revisão encontramos tesouros, pérolas, que às vezes ficam escondidas e precisam ser reconhecidas para redescobrir o valor do outro.  Na correria diária, deixam passar muitas coisas que precisam ser elaboradas e digeridas para o amadurecimento e crescimento do amor.

Portanto, uma vez por mês devem reservar um tempo, talvez uma manhã ou uma tarde, para rever juntos os acontecimentos que marcaram as suas vidas e a vida de seus filhos. É de suma importância contemplar cada acontecimento para não se deparar, um dia, com situações mal resolvidas que possam bloquear a passagem da alegria na sua vida e na vida de sua família.

Isto deve ser feito sempre a luz da fé prática na Divina Providência, perguntando sempre o que Deus está querendo lhes dizer, lhes mostrar com estes acontecimentos. E como devem responder a este chamado de Deus, o que Ele espera de cada um, da sua família. Sempre deixar nas mãos de Deus as grandes e pequenas decisões do dia a dia, na certeza de que Ele é Pai, é bom e bom é tudo o que Ele faz. 

4o R: RENOVAR - CADA ANO

Renovar significa tornar novo, dar nova aparência, revigorar, reafirmar, por novamente em vigor. No relacionamento muitas vezes sentimos o cansaço da caminhada, dias, semanas e até meses muito difíceis. Então, é preciso parar, procurar um oásis para refazer as forças, brincar, se divertir e até mesmo, quando possível, conhecer novos lugares. É o tempo de renovar, de sair de férias.

As férias são um momento privilegiado para partilhar em família, se aprofundar no conhecimento mútuo principalmente dos filhos, passar o dia todo juntos por um certo período, saindo da rotina.

É preciso aproveitar estes momentos de férias para se aproximar do cônjuge, dos filhos, pois durante o ano muitas vezes o excesso de trabalho prejudicou a intimidade e o relacionamento familiar.

Para as crianças, esta convivência mais intensa com os pais podem ser momentos agradáveis guardados para o resto de suas vidas. Não precisa ser nenhum passeio extravagante ou atividade muito cara, basta usar a imaginação e criar atividades divertidas com as crianças, como andar de bicicleta, explorar o jardim, ir ao clube, fazer brinquedos com lixo reciclável, tudo isso podem ser ótimos programas para os filhos.

As férias devem ser também um tempo para Deus. Podem aproveitar este tempo de descanso para talvez fazer algum retiro espiritual, um encontro para casais e perguntar para Deus, através da oração, se estão cumprindo a Sua vontade, se sua família está no caminho traçado por Ele para a sua felicidade.


Renovar o relacionamento é também um processo que se inicia a partir do interior e é preciso se disponibilizar para fazer ali, também pequenos reparos, resolver pequenas questões que podem causar grandes danos aos relacionamentos, aproveitando as férias da rotina. É ainda um processo que fará nascer novos projetos aperfeiçoados, onde a esperança, a alegria e o amor são as palavras chaves.

photo credit: smolarek.janusz <a href="http://www.flickr.com/photos/125415920@N08/22834229942">Dorota & Konrad</a> via <a href="http://photopin.com">photopin</a> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">(license)</a>

segunda-feira, 20 de abril de 2015

AS FINALIDADES DO MATRIMÔNIO E A FECUNDIDADE DO AMOR CONJUGAL

Consoante os ensinamentos de João Paulo II, o amor carnal (sexual) deve expressar a linguagem do amor ágape, ou seja, daquele amor que Cristo tem por cada um de nós.

Este amor possui quatro características. "Primeira: Cristo dá livremente seu corpo ('Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade' Jo 10,18). Segunda: entrega seu corpo totalmente, isto é, sem resevas, condições ou cálculos egoístas ('até o extremo ele os amou' Jo 13,11). Terceira: dá seu corpo fielmente. ('Estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos' Mt 28,20). Quarta: entrega seu corpo frutuosamente ('Eu vim para que tenham vida' Jo 10,10). Se homens e mulheres souberem evitar as armadilhas do falso amor e viver plenamente sua vocação, a união deles deve expressar o mesmo amor - livre, total, fiel e frutuoso que Cristo expressou.
Outro nome para este tipo de amor é matrimônio. E isto é precisamente o que uma noiva e um noivo fazem diante do altar. Quando o celebrante pergunta:'"Vieste aqui livremente e sem reservas para vos entregardes um ao outro no matrimônio? Prometeis ser fiéis até a morte? Prometeis receber amorosamente os filhos que Deus vos mandar?' Noivo e noiva, cada um, por sua vez, responde: 'sim!'"[1]

Assim, o matrimônio é uma aliança, um contrato pelo qual o homem e a mulher se comprometem a amarem-se com este grau de amor, da mesma forma que Cristo ama a sua Igreja. Para conseguirem isto, o próprio Jesus elevou esta aliança ao nível de Sacramento. Os efeitos principais deste sacramento são: ele dá graças para fortalecer o amor dos esposos, para compreenderem mutuamente seus defeitos, superarem as dificuldades na vida conjugal e na educação dos filhos e, especialmente para santificar os esposos até o fim da vida.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto naqueles que os recebem com as disposições exigidas”[2]
Os sacramentos foram instituídos por Jesus para ajudar na caminhada rumo ao Céu, para sinalizar este caminho, pois transmitem as graças necessárias para cumprir a missão de cada um.
No caso do sacramento do matrimônio, a graça que se recebe é a santificação do vínculo que une marido e mulher para sempre. A aliança de amor que é selada com o sacramento do matrimônio, este laço que unirá aquele homem e aquela mulher eternamente, se transforma num sinal eficaz da união de Cristo com sua Igreja.
“O matrimônio, segundo o que foi dito, não é a consagração de duas pessoas, mas a consagração do laço que as une. A relação entre ambas é elevada sacramentalmente. Nisso consiste precisamente a sacramentalidade conjugal. O amor que os une e o vínculo que se gera se faz sinal e sacramento. O amor conjugal puramente humano se faz amor consagrado e por isso mesmo já é uma realidade religiosa. A comunidade conjugal entre ambos se faz comunidade de Deus e com Deus. Neste contexto podemos dizer que o amor redentor de Cristo, que desperta em nós uma resposta proporcional, se desdobra no matrimônio através do amor recíproco dos esposos.”[3]
Os esposos, tendo recebido o sacramento do matrimônio, são chamados a ser sinais do amor de Cristo por sua Igreja e do amor da Igreja para o seu Senhor. Quem vê um casal cristão deve poder ver a presença de Deus, sua atuação na vida daquela família. O casal também deve permitir que Deus influencie as pessoas que os rodeia, através de seu matrimônio.

A Igreja defende, em primeiro lugar, a dimensão da comunhão ou finalidade unitiva da sexualidade conjugal, expressa na comunhão de corações e de vontades na relação íntima dos esposos. De outra parte, a Igreja defende, ao mesmo tempo, a finalidade procriativa inerente ao amor conjugal. O amor dos esposos quer ver-se prolongado no filho. Existe neles um anseio natural de se perpetuar criadoramente. Seu amor é transcendente, não estéril.



[1] WEST, Christopher Teologia do Corpo para Principiantes - Uma introdução básica à revolução Sexual de João Paulo II. Ed. Myriam. Porto Alegre. 2008 Pg. 103
[2] Cf CIC No. 1131
[3] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pgs. 8-9, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS
crédito da foto: photopin.com 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O DIÁLOGO CONJUGAL

Hoje mais um post extraído das Reflexões do Pe. Nicolás Schweizer, No. 18, publicada em 01.09.2007.
Para começar, temos que distinguir entre conversar e dialogar. Todo matrimônio conversa, troca palavras. Mas isso não é ainda diálogo, porque não é intercâmbio do interior de cada um, se não que é um conversar sobre temas exteriores.

Dialogar significa dar-se um ao outro desde o mais íntimo que se tem.  É entrar em comunhão, é abrir o coração ao outro e mostrar-lhe quem sou por dentro, minhas angústias, minhas esperanças. Dialogar é intercâmbio de corações, é fusão de corações.

Não tenho dúvida que a falta ou a debilitação do diálogo conjugal é o maior problema que os matrimônios modernos enfrentam e é um câncer do matrimônio, porque o destrói por dentro.

Os problemas de saúde, os problemas habitacionais, os problemas econômicos, todos podem ser muito angustiantes, mas são externos. Ameaçam o amor, certamente, mas desde o exterior. Ao contrário, a falta de diálogo fere a raiz do amor, a essência do amor.

Porque o amor é comunhão, é doação e se verifica através do diálogo. E então a debilitação do diálogo traz necessariamente consigo a debilitação da ternura, da delicadeza, da compreensão, do respeito, de todas as coisas que implica o amor. É, no fundo, deixar de valorizar o cônjuge como pessoa, como destinatário principal do meu amor e começar a considerá-lo como “sócio”, como “co-gerente” da empresa familiar, etc. Mas o amor de sócios não basta para encher o coração de alguém que se decidiu pelo matrimônio.

Quais são as causas desta falta de diálogo?

1. Não temos tempo. Conspira contra um diálogo verdadeiro, o ritmo de vida que temos hoje em dia. Andamos tão apressados que não temos tempo. Porque não se pode abrir o coração em um minuto e meio. Para contar essas coisas profundas que se tem: preocupações, dores, desejos da alma, necessita-se tempo, preparar todo um ambiente, e as coisas saem aos poucos. Necessita-se tempo, mas não existe tempo.

E o pouco tempo que resta, muito provavelmente o devora esse aparelho, devorador de tempo e de diálogo, que é a televisão.

2. Perdeu-se o sentido do diálogo. Vivemos num mundo impessoal, num mundo que gira em torno às coisas, a famosa sociedade de consumo. Em realidade, todos falamos, sabemos falar melhor que nunca antes, mas falamos sempre de coisas. É uma conversação funcional, um diálogo utilitário, ou seja, falamos o necessário para que as coisas sigam funcionando, para que a maquinaria do lar siga marchando. E para que siga funcionando há que passar roupa, cozinhar, pagar as contas, ir ao colégio das crianças, comprar-lhes sapatos - e de todas essas coisas se conversa. Mas pouco ou nada se dialoga das cosas pessoais, íntimas.

E então realmente nos assombramos como Deus faz milagres. Porque existe uma série de matrimônios que estão juntos por milagre. Porque segundo todas as leis da psicologia deveriam estar separados, já que não dialogam há anos. O ser humano tem necessidade do intercâmbio interior e se não o consegue em sua casa, talvez o encontre fora do lar, por exemplo, com a secretária ou com o vizinho. E assim pode começar a destruição do matrimônio.

Entretanto, em muitos matrimônios isso não acontece, apesar de não dialogarem por anos. E então isso se explica só por um milagre de Deus que cuida que nenhum deles se encontre com ninguém que lhe ofereça um pouco mais que o cônjuge. Mas por parte dos casais, não dialogar durante tanto tempo é estar brincando com fogo, é passear a beira do precipício. É arriscar o amor, é romper o amor, é faltar á promessa de fazer feliz ao outro.

Uma comunidade de amor, uma comunidade de Aliança não pode existir, não pode crescer sem diálogo. O mesmo se dá com respeito a nossa Aliança com a Mãe de Deus. O mesmo com relação aos filhos.

Perguntas para a reflexão

1. Como está nosso diálogo?
2. Não temos tempo ou não nos fazemos de tempo?
3. Falamos de nós, de coisas, ou dos demais?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

UNIDADE, INDISSOLUBILIDADE E FIDELIDADE DO MATRIMÔNIO

Ao contraírem o sacramento do matrimônio, os noivos dizem quatro vezes “sim” no altar, às perguntas realizadas pelo sacerdote e estes “sim” correspondem às condições para que aquele matrimônio seja realizado plenamente. Hoje analisaremos três destas respostas e amanhã a quarta.
A primeira pergunta: “Viestes aqui para unir-vos em matrimônio. É de livre e espontânea vontade que o fazeis?”, corresponde a UNIDADE que o noivo e a noiva se comprometem, pois estão assumindo aquele compromisso sem qualquer tipo de coação, tendo escolhido um ao outro, livremente, para trilhar o caminho do matrimônio.
O amor conjugal elevado a sacramento pelo matrimônio é realizado entre um homem e uma mulher, ambos são chamados a ser “uma só carne”, pois como é reflexo do amor de Cristo para a Igreja, Cristo é um só e a Igreja uma só; não há qualquer espaço para a poligamia ou poliandria.
A segunda pergunta: “Abraçando o matrimônio, ides prometer amor e fidelidade um ao outro. É por toda a vida que o prometeis?”, corresponde a INDISSOLUBILIDADE do vínculo matrimonial. Esta indissolubilidade é também consequência do amor conjugal como reflexo de Cristo e da Igreja, pois sendo Cristo a cabeça e a Igreja o seu corpo, não há como separar a cabeça do corpo sem destruí-lo.
“Em virtude da sacramentalidade do seu matrimônio, os esposos estão vinculados um ao outro da maneira mais profundamente indissolúvel. A sua pertença recíproca é a representação real, mediante o sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja.”[1]
Desta forma, unidade e indissolubilidade andam juntas: o matrimônio é realizado entre um homem e uma mulher, para juntos construírem sua família, permanecendo unidos até a morte. “Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não separe o homem”[2]
 “O homem e a mulher, unidos em matrimónio, refletem a imagem de Deus e são, de algum modo, a revelação do Seu amor. Não só do amor que Deus nutre pelo ser humano, mas também da misteriosa comunhão que caracteriza a vida íntima das três Pessoas divinas.”[3]
A terceira pergunta: “Prometem ser fiéis, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se por todos os dias das suas vidas?”, corresponde à exigência da FIDELIDADE.
A unidade e indissolubilidade do matrimônio exigem dos cônjuges uma fidelidade inviolável. Esta fidelidade também se fundamenta no amor de Cristo pela Igreja, que é absolutamente fiel e que chegou a dar a própria vida para a salvação da Igreja.
A fidelidade abrange muito mais do que simplesmente não sair com outra pessoa, pois a traição propriamente dita é o ápice da infidelidade, mas existem várias outras formas de infidelidade dentro do casamento, as quais é preciso conhecer e se prevenir.
“A fidelidade é a permanência ou conservação pura, viçosa e criadora do primeiro amor, quer dizer, quando o amor que juraram se mantém puro, viçoso e criativo através das provas do tempo.”[4]
Para se manter fiel, o casal deve se preocupar em conservar o primeiro amor, aquele amor que os uniu, sempre puro, viçoso e criador. Esta fidelidade muitas vezes custa muito sacrifício, mas é um sacrifício extremamente necessário para a felicidade da família.
O amor se mantem puro quando vence todo o egoismo que instrumentaliza o outro e também quando afasta todos os outros “amores” que o afasta do outro. Esses outros “amores” podem ser o trabalho, as amizades, as convicções políticas ou religiosas, os próprios pais ou parentes, as preferências de lazer, etc. Tudo aquilo que não pode ser integrado, que não pode conviver com o cônjuge, deve ser repelido.
Não se deve brincar com fogo, nem “baixar a guarda”. O casal sempre deve estar alerta para não deixar que nada e ninguém os separe interiormente de seu cônjuge, pois já seria uma infidelidade.
O amor permanece viçoso, saudável, forte, quando os cônjuges se preocupam em não deixar que a rotina os sufoque, que o amor se transforme em tolerância ou compaixão. Estão sempre dispostos a conhecer cada dia mais o outro, interessar-se pelo que o outro faz e pensa, suas preocupações e anseios.
Os casais devem cuidar de seu amor como se cuida de um jardim: regá-lo com o carinho, realizar as podas necessárias através de um diálogo cordial, colocar adubo da compreensão e do interesse,  e ter paciência com as limitações e frustrações para ver a sua florescência colher seus frutos de uma vida conjugal feliz.
A fidelidade consiste ainda em cuidar que o amor conjugal seja um amor criador, no sentido de que cada cônjuge se preocupe em melhorar sempre, em se aperfeiçoar para o bem do outro. Toda vez que a pessoa procura se apresentar melhor, ser mais educado com alguém de fora, com o chefe ou com os amigos, está cometendo uma infidelidade. O melhor sempre deve  ser para o cônjuge.
Significa ainda procurar criar um ambiente no lar que seja agradável ao outro, buscando tornar-se sempre mais interessante ao outro, mais delicado, mais oportuno, enriquecendo o diálogo, vencendo a tentação do amor que atua por dever.



[1] Exortação Apostólica de João Paulo II – A missão da Família Cristã no mundo de hoje – item 13
[2] Cf  Mt 19,6
[3] Beato João Paulo II, Angelus de 06.02.1994, in www.evangelioquotidiano.org
[4] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pg. 73, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO - PARTE 2

Outro elemento do sacramento do matrimônio é que ao recebê-lo, o casal convida Cristo a viver com eles, a sustentar este vínculo de amor que os uniu. Eles não estarão sós neste caminho: Jesus faz parte deste compromisso.
“Pelo Sacramento do Matrimônio, Cristo concede a Sua graça para que o casal possa viver as virtudes necessárias e atingir o seu pleno ajustamento físico, mental e espiritual. Por meio dele, a fraqueza é alimentada com a força de Deus e o egoísmo pouco a pouco é purificado.”[1]
“Em seu estado de vida e função (os esposos cristãos) têm um dom especial dentro do povo de Deus. Esta graça própria do sacramento do Matrimônio se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Por esta graça ‘eles se ajudam mutuamente a santificar-se na vida conjugal, como também na aceitação e educação dos filhos’.
Cristo é a fonte desta graça. ‘Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimonio’. Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo um dos outros, ‘submeter-se uns aos outros no temor de Cristo’ (Ef 5,21) e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro.”[2]
O sacramento do matrimônio deve ser o centro de gravidade do casal, seu ponto de referência na fé, que vai nutrir seu amor para conseguirem atravessar tempos difíceis, cumprindo sua missão no mundo sem se perderem nele.
“Se o esposo (ou a esposa) tiver tido um dia mau e estiver talvez desanimado pela pressão de um problema doméstico sério, sentindo-se tentado a se autocompadecer e a pensar que foi um erro casar-se, esse é o momento de recordar que o matrimônio é um sacramento. É o momento de recordar que tem o absoluto direito a qualquer graça que possa necessitar para fortalecer a sua humana fraqueza e chegar à solução do problema. Aos esposos que fazem tudo o que está em suas mãos para que o seu matrimônio seja verdadeiramente cristão, Deus comprometeu-se a dar todas as graças de que necessitam e quando as necessitem, e Deus é sempre fiel aos seus compromissos. (...)
Além do aumento da graça santificante (...) o matrimônio confere também a sua própria graça especial, a graça sacramental que consiste no direito de receber de Deus as graças atuais de que os esposos possam necessitar através dos anos para assegurarem uma união feliz e frutuosa. Para que possa produzir plenamente seus efeitos, esta graça necessita da cooperação de ambos os cônjuges. (...) Mas se uma das partes falta ao cumprimento dos seus deveres cristãos, o outro cônjuge poderá contar ainda com graças excepcionais de fortaleza e sabedoria.
Concretizando mais, a graça sacramental do matrimonio aperfeiçoa o amor natural entre marido e mulher, elevando-o a um nível sobrenatural que ultrapassa indizivelmente a mera compatibilidade mental e física. Dá ao amor conjugal uma qualidade santificante que o torna instrumento e caminho para crescer e alcançar a santidade. Confere, além disso, generosidade e responsabilidade para gerar e criar os filhos, prudência e discernimento para enfrentar os inúmeros problemas que a vida familiar traz consigo. Ajuda os esposos a adaptarem-se aos defeitos um do outro e a desculpá-los. E tudo isso é apenas uma parte do que a graça do matrimônio pode fazer por aqueles que, com a sua cooperação, dão a Deus ocasião de mostrar o seu poder.”[3]
Essa é a grande diferença entre o casal que busca o sacramento do matrimônio e que aqueles que preferem apenas “se juntar” ou somente casam no civil: os primeiros possuem esta força, esta graça, que os auxilia por toda a sua vida.
Os casais precisam se conscientizar cada vez mais deste dom, lembrarem de que não estão sozinhos na luta do dia-a-dia, que Jesus caminha com eles, que Nossa Senhora, sua Mãe, os acolhe e os protege e ter a fé no sacramento, acreditando que Deus não permitirá que o casamento sucumba diante das dificuldades.






[1] Sereis uma só carne, pg. 45-46, 11ª edição, Prof. Felipe Aquino, Editora Cléofas, 2003
[2] CIC 1641-1642
[3] “A fé explicada”, TRESE, Leo J.  p. 430-431, Editora Quadrante, 9ª edição, São Paulo 2005

terça-feira, 23 de setembro de 2014

SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO - PARTE 1

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto naqueles que os recebem com as disposições exigidas”[1]
Os sacramentos foram instituídos por Jesus para ajudar na caminhada rumo ao Céu, para sinalizar este caminho, pois transmitem as graças necessárias para cumprir a missão de cada um.
No caso do sacramento do matrimônio, a graça que se recebe é a santificação do vínculo que une marido e mulher para sempre. A aliança de amor que é selada com o sacramento do matrimônio, este laço que unirá aquele homem e aquela mulher eternamente, se transforma num sinal eficaz da união de Cristo com sua Igreja.
“O matrimônio, segundo o que foi dito, não é a consagração de duas pessoas, mas a consagração do laço que as une. A relação entre ambas é elevada sacramentalmente. Nisso consiste precisamente a sacramentalidade conjugal. O amor que os une e o vínculo que se gera se faz sinal e sacramento. O amor conjugal puramente humano se faz amor consagrado e por isso mesmo já é uma realidade religiosa. A comunidade conjugal entre ambos se faz comunidade de Deus e com Deus. Neste contexto podemos dizer que o amor redentor de Cristo, que desperta em nós uma resposta proporcional, se desdobra no matrimônio através do amor recíproco dos esposos.”[2]
Os esposos, tendo recebido o sacramento do matrimônio, são chamados a ser sinais do amor de Cristo por sua Igreja e do amor da Igreja para o seu Senhor. Quem vê um casal cristão deve poder ver a presença de Deus, sua atuação na vida daquela família. O casal também deve permitir que Deus influencie as pessoas que os rodeia, através de seu matrimônio.
Segundo Nicola de Martini: “O sacramento do matrimônio não é somente um sinal do matrimônio entre Cristo e a Igreja, mas introduz realmente os dois cônjuges no matrimônio entre Cristo e a Igreja. Assim, o matrimônio torna-se um ‘acontecimento de salvação’. O homem torna-se ‘Cristo que salva a esposa’(...) A esposa torna-se, então, ‘a Igreja que salva o esposo’, a Igreja que ‘forma Cristo no coração do esposo’”.(grifos nossos)
Veja como São Paulo descreve como deve ser este amor, reflexo do amor conjugal:
“Mulheres, sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor. De fato, o marido é a cabeça da sua esposa, assim como Cristo, salvador do Corpo, é a cabeça da Igreja. E assim como a Igreja está submissa a Cristo, assim também as mulheres sejam submissas em tudo a seus maridos.
Maridos, amem suas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela; (...) Portanto, os maridos devem amar suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, está amando a si mesmo. Ninguém odeia a sua própria carne; pelo contrário, a nutre e dela cuida, como Cristo faz com a Igreja, porque somos membros do corpo dele. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Este mistério é grande: eu me refiro a Cristo e à Igreja. Portanto, cada um de vocês ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido.”[3]
É preciso ressaltar que a interpretação deste primeiro versículo, onde diz que as mulheres devem ser submissas a seus maridos muitas vezes é mal interpretado, tendo um caráter depreciativo. Todavia a interpretação mais adequada é a da análise da etimologia da palavra SUBMISSÃO, onde SUB quer dizer “debaixo de” e MISSÃO quer dizer “profissão ou vocação”, ou seja, estar debaixo da mesma vocação, da mesma missão.
Assim, a mulher deve ser o apoio do homem, ajudá-lo em seu caminho, pois ambos tem a mesma missão, formar uma família de acordo com os planos de Deus. A submissão, analisada sobre esta ótica, deve ser a mais forte demonstração de amor da mulher para com o marido.
O marido, por sua vez, deve amar a sua mulher como a seu próprio corpo, ou seja, deve cuidar dela com o mesmo cuidado que dispensa a si mesmo, a seus desejos e necessidades. E vai muito além, pois o amor de Cristo pela Igreja é um amor que deu a própria vida. Portanto, o marido deve estar disposto a dar a sua própria vida, aniquilar todo o seu egoísmo, para o bem de sua esposa.






[1] Cf CIC No. 1131
[2] “Matrimônio, vocação de amor”, Fernandez, Jaime, pgs. 8-9, impresso como manuscrito – 1989 – Movimento Apostólico de Schoenstatt, Santa Maria/RS 
[3] Cf Ef 5,22-25; 26-33

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

MATRIMÔNIO - JORNADA PARA O CÉU COM UM COMPANHEIRO

O que é o matrimônio? Para que se casar? É realmente necessário assumir este compromisso? Por que dizem que é para a vida toda? Estas são algumas perguntas que os jovens namorados e noivos deveriam fazer antes de optarem por contrair matrimônio, sendo que respostas equivocadas ou irrefletidas sobre estas perguntas são uma das grandes ameaças à família de hoje.
A palavra vocação vem do latim “vocare” que significa chamado. Como visto, todos foram chamados para cumprir uma missão que Deus previu para cada um desde toda a eternidade e através dela, voltar à casa do Pai, ao Céu.
A vocação para o matrimônio é a jornada para Deus com um companheiro. Assim, ao se sentirem chamados para o matrimônio é preciso ter a consciência de que, a partir do “sim” no altar, trilharão seu caminho rumo ao Céu juntos. Cada um com seu Ideal Pessoal, com sua originalidade, mas só chegarão ao destino final, através de seu cônjuge.
Sua missão passa a ser, não apenas chegar ao Céu realizando seu Ideal Pessoal (o projeto de Deus para a sua vida), mas conduzir seu cônjuge ao Céu, facilitar seu caminho, ajudá-lo a cumprir a sua missão.
A vocação para o matrimônio compreende a disponibilidade em doar-se para a outra pessoa com o firme propósito de erradicar todo o egoísmo e egocentrismo individualista, buscando sempre a promoção da dignidade do outro, sua felicidade e realização, através da compreensão, da tolerância, do perdão, do serviço generoso, da disponibilidade desinteressada e da solidariedade profunda. 
Essa vocação para o matrimônio, porém, não é para todos. Jesus mesmo já nos disse: “Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender entenda”.[1]
Portanto, cada pessoa deve refletir muito bem se realmente foi chamada a contrair matrimônio, para mais tarde não causar a infelicidade própria e a do cônjuge, além dos filhos que porventura forem concebidos de um relacionamento que não deveria existir.
“O casamento não é uma aventura nem um ‘tiro no escuro’ como dizem alguns; é sim um projeto sério de vida a dois, onde cada um está comprometido em fazer o outro crescer, isto é, ser melhor a cada dia. Se a esposa não se torna melhor por causa da presença do marido a seu lado, e vice-versa, então o casamento deles está sem sentido(...)”[2]




[1]Cf  Mt 19,12
[2] Sereis uma só carne, pg. 10, 11ª edição, Prof. Felipe Aquino, Editora Cléofas, 2003