segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SOFRER EM FAMÍLIA

O sofrimento, quando acomete a alguém, normalmente atinge também a todos aqueles que estão ao seu redor, principalmente a sua família. A família toda também pode ser alvo de algum sofrimento e é importante saber lidar com as dificuldades em conjunto.

Este sofrimento em família pode resultar em dois processos distintos: ou ele une a família ou a pode destruir. O grau de maturidade e a fé de cada membro, além da graça divina, é que vai determinar como a família enfrentará a provação.

Quando um sofrimento acomete a família, cada membro pode reagir de um jeito: uns precisam de silêncio, outros necessitam falar sobre o assunto; alguns podem chorar, outros se fechar. O importante é respeitar o tempo de cada um para poder assimilar o acontecimento.

O papel dos pais é fundamental neste processo. Os filhos se espelharão neles para lidar com a situação. Assim, marido e mulher devem se apoiar um no outro para conseguirem a serenidade necessária para enfrentarem qualquer dificuldade.

Na hora da provação, aquele que se sentir mais forte, seja o esposo ou a esposa, deve tomar a frente para conseguir conduzir a família através do sofrimento. Dependendo do tempo em que perdurar a situação, esta liderança pode ser revezada, pois estar à frente do problema suga muita energia e a alternância pode ser necessária para evitar que toda a família sucumba.

O espaço para o diálogo em família deve ser ampliado. É necessário criar oportunidades para que cada um possa falar a respeito de como se sente, como está sendo atingido por aquela situação. É o momento também de chorar junto, de talvez até reclamar junto, colocando em comum todos os sentimentos.

ORAÇÃO

A oração em família também deve ser intensificada. Muitas vezes no momento da dor não é possível rezar da mesma maneira que se fazia antes. A forma de oração não é o mais importante: o que é preciso é colocar-se diante de Deus e expor tudo o que estão passando. Em algumas ocasiões nem se precisa dizer nada: basta ficarem juntos em frente a alguma imagem de Jesus, de Nossa Senhora ou de algum santo de devoção da família e talvez acender uma vela, ou simplesmente olharem para esta imagem por algum tempo.

Chorar também pode ser uma forma de oração. Muitas vezes quando não se consegue expressar em palavras o que se sente e o que se pede, as lágrimas podem substituir a oração verbal.

“As lágrimas podem ser uma eloquente oração, expressando sentimentos, esperanças e medos que não se podem exprimir com palavras. Padre Edward Hays, num seu livro, fala sobre a oração das lágrimas: ‘Ele sentiu-se tocado pela dor da viúva que levava o filho para a sepultura. ‘Não chores’, ele trouxe seu filho de volta para a vida. Seu coração foi tocado profundamente e, sem que a mãe nada pedisse, ele fez um milagre. As lágrimas daquela mulher eram sua oração e essa oração foi ouvida. As lágrimas, sem dúvida nenhuma, são uma oração muito forte, pois têm o poder de mover até mesmo os céus. As lágrimas têm ainda muitas outras funções além de serem a mais poderosa de todas as linguagens. As lágrimas podem expressar o que vai além do poder das palavras.(...) São Paulo bem que poderia estar falando da oração das lágrimas, quando ele diz que quando não sabemos o que dizer, o espírito intercede e ora por nós de uma maneira que não pode ser explicada. ‘Aquele que sonda os corações sabe qual é o desejo do espírito, e que a sua intercessão pelo seu povo santo corresponde à vontade de Deus’ (Rm 8,27)”[1]

Rezar uma novena pedindo a graça da resolução do problema também é um meio muito útil para unir a família e ajudá-la a se entregar nas mãos da Divina Providência, aumentando sua confiança de que Deus não os desamparará. 




[1] “Casamento, uma aliança em quatro estações”, HOLT, Mary Van Balen. Pgs177-178, 3ª edição, Editora Santuário, Aparecida/SP
crédito da foto: photopin.com

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