sexta-feira, 5 de setembro de 2014

VOCÊ JÁ ABASTECEU SUA "MALA ESPIRITUAL" HOJE?

Nossa vida é como uma montanha-russa: as vezes estamos no alto e as vezes estamos embaixo. Assim, é preciso saber nos abastecer espiritualmente para os momentos de luta e de necessidade.

Gosto de imaginar que todos temos uma "mala espiritual" onde colocamos todas as graças recebidas em decorrência de nossa vida de oração. Falo mala porque podemos levá-la aonde formos, sempre está conosco. É dessa mala que retiramos as graças que necessitamos para enfrentar os desafios diários.

Quando eu era jovem, minha vida de oração era muito intensa: adorações, missas diárias, rosários, jaculatórias, enfim, na maioria do tempo eu sentia que estava conectado com o mundo sobrenatural e isso me fazia muito bem, minha mala espiritual estava sempre cheia, me ajudando a enfrentar as dificuldades do dia a dia.

Porém, logo após me casar e mudar de cidade, esta intensidade diminuiu bastante, pois tudo era diferente, novas responsabilidades, novo emprego, enfim foi um tempo de escassez espiritual. Neste momento percebi pela primeira vez como foi importante eu ter enchido minha mala espiritual durante a juventude, com todas estas devoções, pois enquanto eu não conseguia estruturar minha vida espiritual, foi isso que me sustentou.

Com o tempo, novamente consegui retomar minha rotina de orações, já não tão intensa quando na época de solteira, mas compreendi que nesta nova fase da vida eu deveria me concentrar mais no que eu conseguia fazer e no restante do tempo oferecer as minhas obrigações também como forma de oração.

Então a grande graça da maternidade chegou: foram quatro filhos em 6 anos! Novamente não conseguia rezar como antes e mais uma vez percebi como foi importante estar com a mala cheia, pois foi abastecida nos momentos mais tranquilos da vida. Nesta fase também intensifiquei o tipo de oração do trabalho, ou seja, oferecer tudo o que fazia diariamente como forma de oração.

Minha quarta gestação foi muito complicada: minha filha nasceu com uma síndrome rara e faleceu com apenas 5 meses. Este período foi muito difícil. Tenho certeza que só consegui passar por ele por graça de Deus e por ter me alimentado desta graça em outras épocas.

Após a morte da Júlia, passamos mais uma vez por um período de calmaria (em matéria de sofrimentos, porque a vida estava mais agitada do que nunca!). Consegui uma vez mais estruturar minha vida espiritual, agora de uma forma mais madura e mais intensa, com orações diárias, terço, meditação, adoração semanal, missas frequentes além das orações em família, com meu esposo e as crianças.

Neste período já estava consciente de que deveria aproveitar ao máximo e encher o quanto podia minha mala espiritual, pois a qualquer momento poderia vir outra fase de provação e dificuldade, onde precisaria tirar desta mala as forças e as graças para continuar em pé.

Então veio a provação mais recente e mais difícil que havia enfrentado até hoje: o câncer. E ele veio em dobro: linfoma e tiroide. Pelo período de um ano precisei parar com tudo. Nem a Eucaristia dominical podia frequentar. Rezar então, praticamente impossível. Muita dor, física e espiritual, angústia e medo.

Uma vez mais o que me sustentou foi a minha mala espiritual, cheia das graças que havia acumulado durante o período de calmaria. Claro que também tive a ajuda de todos aqueles que rezaram por mim e por nossa família, essas orações ajudaram a encher a minha mala e a suavizar o meu sofrimento.

Compreendi então uma frase dita pelo Pe. Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt: "Mesmo que não possamos fazer nada, amar a gente sempre pode". Comecei assim a encher minha mala espiritual com amor: aceitação da dor, aceitação da limitação física, aceitação das internações hospitalares e da distância dos filhos, tudo isso por amor ao Pai que em sua amorosa providência permite o sofrimento para a salvação das almas.

Agora, pela graça de Deus, estou em remissão. Permaneço com algumas sequelas do tratamento e ainda não estou 100% recuperada, mas aos poucos estou conseguindo retomar a minha vida de oração para encher novamente minha mala.

Assim, o que gostaria de deixar como testemunho é: NÃO PERCA TEMPO! Não desperdice as oportunidades que tem de encher a sua mala espiritual. Intensifique sua vida de oração e a frequência aos sacramentos. Ofereça tudo o que fizer para a maior glória de Deus. Faça o máximo que puder, pois isso lhe será fundamental nos momentos de dificuldades.


Então, o que você pode fazer para colocar em sua mala hoje?

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